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Cuidados paliativos trazem conforto para os pacientes e seus familiares

Especialidade possui poucos espaços e profissionais no Brasil / Foto: Freepik.com

Recentemente, o Brasil perdeu a atriz Aracy Balabanian e o ex-jogador de futebol Pelé, ambos vítimas de câncer. Em comum, eles receberam cuidados paliativos, que são uma abordagem para melhorar a qualidade de vida de pacientes e seus familiares que enfrentam uma situação ameaçadora à vida. Um dos principais objetivos é prevenir e controlar o sofrimento físico, mas também o espiritual e o emocional de todos que estão ao redor.

Uma equipe pode chegar até dez profissionais dando apoio físico, emocional, social e espiritual ao paciente e seus familiares e amigos. O presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), Rodrigo Kappel Castilho, lembra que a comunicação é essencial durante o acompanhamento. “O paciente e a sua família têm todo o apoio para expressar aquilo que está sentido e ser validado e trazer as informações necessárias para um tratamento adequado de acordo com os desejos dele. O luto também é acompanhado pela equipe de cuidados paliativos”.

Castilho defende que o paciente deve ter cuidados paliativos ainda com um diagnóstico precoce de uma doença. “Erroneamente, os indivíduos têm a ideia de que são recomendados no fim da vida ou quando a patologia é irreversível ou incurável. Pelo contrário, eles devem começar o mais breve possível. Nós associamos muito ao câncer, mas servem para várias enfermidades. Quanto antes o paciente tiver cuidados paliativos, melhor o enfrentamento à doença e a melhora dos resultados do tratamento. Existem estudos na área da oncologia apresentando uma melhora da experiência do paciente e das pessoas que estão ao seu redor e também um aumento da sobrevida dele”.

Longe do ideal

Segundo Castilho, o Brasil é um dos piores países em cuidar dos pacientes em fase final de vida, já que apenas 10% dos hospitais possuem cuidados paliativos. Ele cita barreiras para a ampliação do serviço. “Falta reconhecimento como especialidade médica. Outro dificultador é a educação dos profissionais, que ainda são poucos que recebem um treinamento básico e não possuem um conhecimento sobre os cuidados paliativos. Porém, isso está mudando já que recentemente foi aprovada a obrigatoriedade dos cuidados paliativos como disciplina em todas as faculdades de medicina”.

“Também é importante a criação de políticas públicas voltadas aos cuidados paliativos não só em hospitais, mas também em espaços ambulatoriais, pré-hospitalares e no atendimento domiciliar. O paciente deve ter acesso aos cuidados com o mínimo de dignidade nessas situações difíceis de maneira precoce, além de espaços adequados para aqueles que estão em fase final de vida”, acrescenta.

Segundo o Atlas de Cuidados Paliativos da ANCP de 2019, em média, o Brasil possuía um serviço de cuidados paliativos para cada 1,1 milhão de habitantes, sendo essa proporção de um serviço para cada 1,33 milhão de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e de aproximadamente um serviço para cada 496 mil usuários do sistema de saúde suplementar. Como referência, a Associação Europeia de Cuidados Paliativos recomenda dois serviços especializados de cuidados paliativos a cada 100 mil habitantes (1 equipe de assistência domiciliar e 1 equipe de nível hospitalar).