Onicofagia: quando o hábito de roer unhas vira um transtorno

A onicofagia, termo médico utilizado para descrever o hábito compulsivo de roer unhas, é frequentemente tratada como um comportamento simples ou um vício sem maiores consequências. No entanto, especialistas alertam que o problema pode estar associado a transtornos emocionais, ansiedade e até dificuldades de regulação emocional, afetando não apenas a saúde física, mas também a autoestima e a vida social de quem convive com a condição. Embora seja mais comum na infância e na adolescência, o hábito pode persistir na vida adulta e, em casos mais graves, exigir acompanhamento psicológico e psiquiátrico. De acordo com um estudo publicado na revista científica National Library of Medicine, 20% a 30% da população mundial, em todas as faixas etárias, roem as unhas. O comportamento costuma surgir de forma aparentemente inofensiva, muitas vezes em momentos de tensão, preocupação ou tédio, mas pode evoluir para episódios repetitivos e difíceis de controlar. As consequências incluem deformações nas unhas, infecções bacterianas e danos aos dentes. A psicóloga Lara Fagundes explica que a onicofagia está diretamente relacionada ao modo como o cérebro responde ao estresse. “Roer as unhas funciona, para muitas pessoas, como uma válvula de escape emocional. O ato produz uma sensação momentânea de alívio e ajuda a descarregar tensão acumulada. O problema é que o cérebro passa a associar esse comportamento ao conforto emocional, criando um ciclo repetitivo”. Embora a ansiedade seja um dos fatores mais comuns associados ao problema, ela não é a única causa. “Existem pacientes que desenvolvem o hábito por imitação durante a infância, enquanto outros apresentam a condição ligada a transtornos obsessivo-compulsivos, hiperatividade ou dificuldades emocionais mais profundas. Em muitos casos, a pessoa nem percebe que está roendo as unhas, porque o comportamento se torna automático”, afirma Lara. O diagnóstico da onicofagia é clínico e geralmente realizado por psicólogos, psiquiatras ou dermatologistas. A avaliação considera a frequência do comportamento, o grau de lesão provocado nas unhas e o impacto emocional causado pela compulsão. Em situações mais graves, o hábito pode provocar sangramentos constantes, dores e infecções recorrentes. A dermatologista Helena Moura destaca que o problema vai muito além da questão de estética. “As unhas funcionam como uma barreira de proteção natural do corpo. Quando a pessoa rói constantemente essa estrutura, abre portas para fungos, bactérias e inflamações. Também há alguns riscos odontológicos importantes, como desgaste dos dentes, retração gengival e alterações na mordida”. Entre os principais sintomas observados em pacientes com onicofagia estão unhas muito curtas, deformadas ou irregulares, feridas ao redor dos dedos, cutículas machucadas e sensação frequente de culpa após os episódios compulsivos. Muitos pacientes relatam vergonha de mostrar as mãos em ambientes sociais ou profissionais, o que pode agravar quadros de insegurança e isolamento. “O sofrimento emocional costuma ser silencioso, segundo Lara. “Há pessoas que tendem a esconder as mãos o tempo todo ou evitam interações sociais por vergonha do estado das unhas. Isso afeta a autoestima e pode gerar um impacto psicológico significativo”. Especialistas ressaltam que a onicofagia não deve ser encarada apenas como falta de disciplina ou “mania”. O comportamento compulsivo possui componentes emocionais complexos e, em determinados casos, está relacionado a transtornos de ansiedade e depressão. O tratamento varia conforme a intensidade do quadro e as causas associadas. Helena explica que existem ainda recursos complementares usados para reduzir o impulso compulsivo. “Muitos pacientes se beneficiam do uso de bases com sabor amargo aplicadas nas unhas, além de cuidados estéticos que ajudam a preservar a aparência das mãos e reforçam a motivação para abandonar o hábito. Em situações mais severas, pode haver indicação de medicamentos para controle da ansiedade, sempre com acompanhamento médico”. A família também desempenha papel importante no tratamento, principalmente quando a onicofagia aparece na infância. Especialistas alertam que punições e críticas excessivas tendem a aumentar a ansiedade da criança, piorando o comportamento.

60% das mortes por câncer de testículo são em homens jovens

Embora seja considerado um tumor raro, o câncer de testículo tem impacto desproporcional entre homens jovens no Brasil. Um levantamento feito pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), com base em dados do Ministério da Saúde, revela que 61,67% das mortes pela doença em 2024 ocorreram entre homens de 20 a 39 anos. Ao todo, foram registrados 527 óbitos no período, sendo que mais de 76% atingiram pacientes com até 49 anos. Os números reforçam uma característica marcante da doença. Sua maior incidência está justamente na faixa etária mais produtiva da vida. De acordo com o cirurgião oncológico Renato Almeida Rosa de Oliveira, esse padrão acompanha o comportamento natural do tumor. “É uma doença típica de homens jovens, geralmente entre o fim da adolescência e os 40 anos. Por isso, a mortalidade acaba acompanhando essa mesma faixa etária”. Apesar do impacto, Oliveira destaca que o câncer de testículo apresenta altas taxas de cura, especialmente quando diagnosticado precocemente. Ainda assim, o atraso na busca por atendimento médico segue como um dos principais desafios. “A descoberta na fase inicial está diretamente relacionada à maior chance de cura. O que leva ao diagnóstico tardio é negligenciar alterações no testículo, seja por medo ou preconceito”. Entre os principais sinais de alerta estão o aparecimento de nódulos endurecidos, aumento do volume testicular e mudanças na consistência do órgão, geralmente sem dor. “A maioria das alterações relacionadas ao câncer não dói, e isso pode fazer com que o paciente demore a procurar ajuda”, ressalta o médico. Autocuidado é importante Nesse contexto, o autoexame surge como uma ferramenta essencial. A recomendação de Oliveira é que homens, especialmente a partir da adolescência, conheçam o próprio corpo e observem possíveis mudanças. “Apalpar os testículos durante o banho, identificar o que é normal e perceber alterações pode fazer toda a diferença. Muitas vezes não é nada, mas quando é, pode ser o fator decisivo para um diagnóstico precoce”. Outro ponto de atenção na avaliação do cirurgião oncológico envolve barreiras culturais. Vergonha, desinformação e até o receio de julgamento ainda dificultam que jovens relatem sintomas ou procurem atendimento. “Muitos associam alterações a traumas ou infecções e evitam falar sobre o assunto. Isso atrasa a investigação e o início do tratamento”, completa. Avanços recentes na medicina têm permitido abordagens mais eficazes e menos agressivas. Oliveira destaca que a cirurgia para retirada do testículo afetado (orquiectomia) segue como tratamento inicial padrão, mas novas estratégias têm reduzido a necessidade de quimioterapia em determinados casos. “Hoje, em algumas situações, é possível apenas observar o paciente após a cirurgia, evitando efeitos colaterais desnecessários”. Além disso, técnicas minimamente invasivas, como cirurgias laparoscópicas e robóticas, têm contribuído para preservar funções importantes, como a ejaculação. A preservação da fertilidade também ganhou destaque no cuidado com esses pacientes. “Antes de iniciar o tratamento, orientamos o congelamento de sêmen, já que alguns procedimentos comprometem a fertilidade”, finaliza Oliveira.

Alerta para casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave

Minas Gerais está entre os 14 estados em nível de alerta, risco ou alto risco para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com tendência de crescimento dos casos, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG). Até abril deste ano, foram notificadas 7.592 ocorrências de SRAG, sendo 428 por influenza. Conforme o Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), os casos de SRAG por influenza A têm impactado crianças de até 4 anos e idosos. Em 2026, já foram notificadas 37.244 ocorrências. Destas, 15.816 (42,5%) tiveram resultado positivo para vírus respiratórios, 14.723 (39,5%) foram negativas e 3.990 (10,7%) ainda aguardam resultado. Também houve aumento das hospitalizações pelo vírus sincicial respiratório (VSR) em crianças menores de 2 anos de idade. A pesquisadora do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz (Procc/Fiocruz), Tatiana Portella, afirma que o VSR é um dos principais responsáveis por internações por SRAG nessa faixa etária. “O vírus também é uma das principais causas de bronquiolite. Por isso, é essencial que gestantes, a partir da 28ª semana, tomem a vacina contra o vírus para proteger seus bebês nos primeiros meses de vida”. O pediatra e intensivista pediátrico da Unimed-BH, Bruno Morais Damião, reforça que a principal medida de prevenção de SRAG são as vacinas. “Não existe outra forma de prevenir uma infecção viral grave, principalmente os abaixo de um ano, prematuros, e os menores de dois anos que têm comorbidades. A imunização é o mecanismo mais eficaz e estudado para esse tipo de síndrome”. Ele acrescenta ainda que os pais podem ensinar as crianças doentes a forma mais higiênica de toalete de vias respiratórias e nasal. “Como colocar o braço na frente da boca na hora de tossir; usar máscara, quando sabidamente estão com alguma infecção gripal; e levar ao médico quando ver algum sinal de gravidade, como falta de ar”. Já que esse sintoma é um dos principais sinais de SRAG, alerta Damião. “Percebemos a piora de um quadro gripal quando a infecção que começou mais leve, com obstrução nasal e febre no início, com o passar do tempo tem uma piora no estado geral e do padrão de respiração, insuficiência respiratória, principalmente nas crianças, que vão apresentar uma respiração mais acelerada”. SRAG De acordo com a SES/MG, a SRAG não é uma doença específica, mas um conjunto de sintomas graves que afetam a respiração. Começa como uma gripe, mas piora rapidamente, exigindo cuidados urgentes. Ela pode ser provocada por diversos tipos de vírus e bactérias, sendo as mais comuns, o vírus da gripe (Influenza); coronavírus, que causa a COVID-19; vírus sincicial respiratório (VSR) e outros que também atacam o sistema respiratório. O principal procedimento de tratamento é o suportivo, que é focado em estabilizar o paciente, garantindo oxigenação adequada e manejo dos sintomas enquanto o corpo combate a infecção subjacente. “A ideia é deixar o paciente hidratado, porque perde muito líquido pela via respiratória e tem que manter a oxigenação do sangue. Em alguns casos, só a oferta de oxigênio pelo cateter nasal é suficiente, em outros, precisam da ventilação não invasiva”, destaca o pediatra. O profissional complementa dizendo que a SRAG pode acometer qualquer faixa etária. “Desde crianças, adultos e idosos. É uma enfermidade grave, com possibilidade de insuficiência respiratória, e em alguns casos, com um atendimento mais intensivo”. A recomendação é procurar atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), em casos leves. Já sintomas como falta de ar, respiração acelerada e piora do estado geral indicam a necessidade de atendimento imediato em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou hospitais.

Síndrome do intestino irritável pode afetar a qualidade de vida

Abril é dedicado à conscientização da síndrome do intestino irritável, uma doença gastrointestinal crônica que atinge milhões de pessoas e ainda é pouco compreendida e frequentemente subdiagnosticada. Caracterizada por um conjunto de sintomas recorrentes que afetam o funcionamento do intestino, a condição não provoca alterações estruturais visíveis em exames laboratoriais ou de imagem, o que muitas vezes contribui para atrasos no diagnóstico e para a sensação de insegurança em quem convive com a doença. De acordo com a gastroenterologista Isabela Moreira, a síndrome do intestino irritável deve ser entendida como uma condição multifatorial. “Não existe uma única causa para o distúrbio. O que observamos é uma interação entre fatores biológicos, como alterações na motilidade intestinal e na sensibilidade visceral, e fatores psicológicos, como estresse e ansiedade. Além disso, há evidências de que a microbiota intestinal desempenha um papel importante no desenvolvimento e na manutenção dos sintomas”. Segundo Isabela, os sintomas mais comuns incluem dor abdominal recorrente, geralmente associada à evacuação, além de alterações no padrão intestinal, que podem se manifestar como diarreia, constipação ou alternância entre ambas. Muitos pacientes também relatam sensação de inchaço abdominal, excesso de gases e sensação de evacuação incompleta. “Esses sinais podem variar em intensidade e frequência, o que torna o quadro ainda mais heterogêneo”. “Essa variabilidade é justamente uma das marcas da doença, que não segue um padrão fixo. Há pacientes que passam semanas praticamente assintomáticos e, de repente, entram em crises intensas. A imprevisibilidade é um dos fatores que mais afetam a saúde mental dos indivíduos”, acrescenta. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na avaliação dos sintomas e na exclusão de outras doenças orgânicas que possam causar manifestações semelhantes, como doença inflamatória intestinal, intolerâncias alimentares ou infecções gastrointestinais. “Atualmente, são utilizados os critérios de Roma IV, que consideram a presença de dor abdominal recorrente associada a alterações na frequência ou na forma das fezes, por um período mínimo de tempo. Exames complementares podem ser solicitados para descartar outras condições, mas não existe um teste específico que confirme a síndrome”. Não há cura definitiva para a síndrome, mas existem diversas estratégias capazes de controlar os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes. O tratamento costuma ser individualizado e pode incluir mudanças na alimentação, uso de medicamentos e acompanhamento psicológico. “Dietas com redução de alimentos fermentáveis têm mostrado bons resultados em muitos casos. Além disso, antiespasmódicos, laxantes, antidiarreicos e, em algumas situações, antidepressivos em doses baixas podem ser utilizados para modular a dor e o funcionamento intestinal”, destaca a nutricionista clínica Cristina Souza. Ela ressalta que o cuidado com o aspecto emocional é fundamental no manejo da doença. “Muitos pacientes subestimam o impacto do estresse no intestino. Hoje sabemos que existe uma comunicação direta entre o cérebro e o sistema gastrointestinal, chamada eixo cérebro-intestino. Isso significa que fatores emocionais podem desencadear ou agravar sintomas intestinais de forma clara”. A prevenção não é totalmente estabelecida, justamente por se tratar de uma condição de origem multifatorial e ainda não completamente compreendida. No entanto, hábitos saudáveis podem reduzir a frequência e a intensidade das crises. “Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, boa qualidade do sono e controle do estresse são fatores considerados protetores. Evitar o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, cafeína e bebidas alcoólicas também pode contribuir para a redução dos sintomas em pessoas predispostas”, destaca a nutricionista. Apesar dos desafios, o prognóstico da doença é geralmente favorável quando há diagnóstico adequado e acompanhamento contínuo. A patologia tende a ser crônica, mas não evolui para condições mais graves como câncer ou insuficiência intestinal. O foco do tratamento está na adaptação do paciente à condição e no controle dos sintomas ao longo do tempo, permitindo uma vida funcional e ativa.

Teste do pezinho reforça prevenção e reduz risco de sequelas

A ampliação do teste do pezinho em Minas Gerais tem consolidado o Estado como referência nacional na triagem neonatal, ao permitir o diagnóstico precoce de doenças raras ainda nos primeiros dias de vida. Atualmente, o exame já rastreia 64 enfermidades na rede pública e está disponível em todos os municípios mineiros. A triagem neonatal ampliada é considerada uma das principais ferramentas da medicina preventiva, com impacto direto na redução de sequelas e na qualidade de vida dos pacientes. O caso da pequena Luna, de Belo Horizonte, ilustra essa transformação. Diagnosticada precocemente com atrofia muscular espinhal (AME), ela iniciou o tratamento e hoje apresenta desenvolvimento dentro do esperado para a idade. A mãe, Tainá Bolzani, relembra o momento em que recebeu a notícia. “Eu estava com sete dias de pós-parto e fui informada de que minha filha tinha um problema de saúde. Quando fomos buscar informações, tudo o que aparecia era que ela teria uma expectativa de vida curta, que dependeria de aparelhos para respirar e se alimentar. Foi um choque muito grande”. O período até a confirmação médica foi de grande angústia para Tainá. “Foi o pior fim de semana da nossa vida, de muita insegurança, medo e questionamentos. A gente buscava respostas, mas só encontrava informações que nos assustavam ainda mais”. Segundo Tainá, o acolhimento da equipe de saúde foi determinante para mudar a perspectiva da família. “Na primeira consulta, a médica já tentou nos acalmar, explicou sobre os tratamentos e disse que, por termos descoberto tão cedo, nossa filha poderia ter uma vida normal, sem sequelas. Aquilo mudou a nossa forma de enxergar a situação”. Para o pediatra e neurologista André Vinícius Soares Barbosa, esse é justamente o principal ganho da triagem ampliada. “A inclusão de um número maior de doenças no exame permite identificar condições que ainda não apresentam sintomas ao nascimento. No caso da AME, o tempo é determinante: quanto mais cedo diagnosticamos e iniciamos o tratamento, melhores são os resultados motores e a qualidade de vida da criança”. Ele destaca que houve uma mudança concreta na evolução dos pacientes. “A intervenção precoce altera completamente o curso da doença. Hoje, muitas crianças conseguem atingir marcos motores compatíveis com o desenvolvimento típico, reduzindo a necessidade de internações, cirurgias e suporte contínuo, que antes eram comuns nesses casos”. Para além do impacto clínico, Barbosa ressalta que a ampliação do exame também traz benefícios para o sistema de saúde. “Quando diagnosticamos cedo, evitamos complicações graves e tratamentos mais complexos no futuro. Isso representa não apenas melhor qualidade de vida para o paciente, mas também uma alocação mais eficiente dos recursos públicos”. Mesmo com os avanços em Minas Gerais, o médico lembra que o acesso ainda não é uniforme no país. “Ainda enfrentamos desafios importantes, principalmente relacionados à infraestrutura e à desigualdade regional. A universalização da triagem neonatal ampliada exige investimento, organização da rede e compromisso com a equidade”. Hoje, ao acompanhar o desenvolvimento da filha, Tainá reforça a importância do exame. “O teste do pezinho ampliado foi o nosso maior aliado nessa corrida contra a doença. Começar o tratamento antes dos sintomas muda uma vida inteira. Se não fosse por isso, as sequelas seriam permanentes. Minha filha hoje é uma criança saudável”, finaliza.

Minas Gerais tem baixa adesão de meninos à vacinação contra HPV

vacinação contra o HPV (papilomavírus humano) ainda avança pouco para os meninos em Minas Gerais. Entre 2014 e 2022, apenas 9,96% dos adolescentes de 9 a 14 anos completaram o esquema vacinal no Estado, referente ao sistema de duas doses, conforme dados do Observatório de Pesquisa e Estudos em Vacinação (Opesv), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Desde 2024, o Brasil adotou o esquema de dose única para meninas e meninos dessa faixa etária. Segundo o Ministério da Saúde, o HPV está associado ao câncer do colo do útero e a outros tumores, sendo possível prevenir a infecção por meio da vacinação gratuita no Sistema Único de Saúde (SUS). A pesquisa identificou cinco perfis distintos no Estado. Enquanto parte das cidades combina alta cobertura vacinal e melhores condições socioeconômicas, outras enfrentam baixa adesão associada à pobreza, acesso limitado à saúde e fragilidades na rede pública. Mesmo em áreas mais urbanizadas, persistem desafios, especialmente na vacinação do público masculino. O estudo mostra ainda que apenas 9,73% dos municípios mineiros atingiram a meta de cobertura vacinal (acima de 80%) para a primeira dose entre meninos. Entre as meninas, o índice chega a 77,49%. No geral, 37,51% das cidades alcançaram a meta para a primeira dose. A professora e coordenadora do estudo, Fernanda Penido, explica que a diferença de adesão entre adolescentes do sexo feminino e masculino pode estar relacionada a fatores culturais e à percepção de risco do vírus, tradicionalmente associado à saúde da mulher. “De modo geral, as meninas costumam se vacinar contra o HPV mais que os meninos, visto que campanhas voltadas ao público masculino ainda têm menor alcance, em razão da menor percepção de prioridade dessa vacina para eles”. Fernanda destaca também que os dados sinalizam desigualdades significativas na cobertura vacinal. Fatores como condições socioeconômicas, acesso à saúde, urbanização e à informação influenciam diretamente na adesão. “O processo de urbanização possibilita maior acessibilidade aos serviços de saúde, às informações sobre a importância da prevenção das infecções associadas ao HPV e os benefícios da vacinação, o que, consequentemente, reflete em maior cobertura vacinal”. HPV ainda é subestimado Para o infectologista da Unimed BH e presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Adelino Melo, o HPV é subestimado como um problema de saúde pública. “Talvez por não ter sintomas iniciais, ser uma infecção muitas vezes subclínica e latente, com complicações tardias. Também pelo fato de não saberem que o câncer de colo de útero, de cabeça ou pescoço estão diretamente ligados a esse vírus, e isso faz com que as pessoas não estejam tão atentas a essa infecção e ao rastreio e à prevenção necessária para combater esses eventos”. O HPV não é um problema só das mulheres, esclarece o infectologista. “Os homens têm papel essencial na transmissão entre as pessoas. Esses pacientes podem ter câncer relacionado à infecção, como de pênis, do canal anal, entre outros. E eles precisam estar sensibilizados para a importância do HPV, da sua saúde e do bem-estar dos que eles se relacionam”. Melo destaca que a vacina é a melhor forma de prevenção. “É a estratégia mais eficiente que temos de combate a essa infecção. O nosso principal desafio é aumentar os índices de vacinação. Também precisamos melhorar o acesso ao rastreamento, com métodos mais modernos de investigação”. “Vários tipos de HPV são combatidos e ficam transitoriamente conosco e depois o sistema imune consegue controlar e eliminar. Mas, com alguns deles isso não acontece, e os tratamentos não eliminam completamente o vírus, porém, ajuda o sistema imunológico a resolver aquela manifestação. Por essa razão que o rastreamento é tão importante, juntamente com a prevenção. Para que possa impedir que as pessoas adquiram o vírus e aqueles que adquiriram consigam enxergar quais têm mais risco, e quais já têm lesões iniciais que possam ser tratadas”, esclarece o especialista.

Brasil pode somar 1,2 milhão de pessoas com doença de Parkinson em 2060

A doença de Parkinson, condição neurológica progressiva que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, ainda é cercada por dúvidas. Caracterizada principalmente por alterações motoras, como tremores e rigidez muscular, ela também impacta aspectos cognitivos e emocionais. Um levantamento conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em parceria com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), aponta que mais de 500 mil brasileiros com 50 anos ou mais convivem atualmente com a doença. As projeções, no entanto, indicam um crescimento expressivo nas próximas décadas: até 2060, esse contingente pode ultrapassar 1,2 milhão de pessoas. O estudo também revela que a maioria dos casos é identificada apenas em fases mais avançadas, o que sugere que os sinais iniciais da doença frequentemente não são reconhecidos ou acabam sendo ignorados. Segundo a neurologista Helena Duarte, o Parkinson tem origem complexa e multifatorial. “A doença está associada à degeneração de neurônios produtores de dopamina em uma região do cérebro chamada substância negra. A dopamina é fundamental para o controle dos movimentos, e sua redução causa os sintomas característicos”. Ela ressalta que fatores genéticos e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença, embora, na maioria dos casos, não haja uma causa única. Os sintomas vão muito além dos tremores, que são frequentemente vistos como sua principal marca. Helena destaca que “os primeiros sinais podem ser sutis, como diminuição do olfato, alterações no sono e uma leve lentidão nos movimentos. Com o tempo, surgem rigidez muscular, instabilidade postural e dificuldades na fala e na escrita”. Além disso, sintomas não motores, como depressão, ansiedade e comprometimento cognitivo, também são comuns e muitas vezes negligenciados. O diagnóstico ainda é essencialmente clínico, baseado na avaliação dos sintomas e no histórico do paciente. “Não existe um exame único que confirme o Parkinson de forma definitiva, os exames de imagem podem ser usados para descartar outras condições, mas a observação médica especializada continua sendo o principal instrumento diagnóstico”, explica. Essa realidade pode levar a atrasos na identificação da doença, especialmente em fases iniciais. Em relação ao tratamento, embora ainda não exista cura, há diversas abordagens capazes de melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes. O uso de medicamentos que aumentam ou substituem a dopamina é a base do tratamento. “A levodopa continua sendo o padrão ouro, mas hoje contamos com outras opções terapêuticas e até intervenções cirúrgicas, como a estimulação cerebral profunda, em casos selecionados”, explica o neurocirurgião Ricardo Tavares. Ele enfatiza também a importância de terapias complementares, como fisioterapia, fonoaudiologia. A prevenção do Parkinson ainda é um campo em desenvolvimento, mas estudos indicam que hábitos saudáveis podem reduzir riscos ou retardar o aparecimento dos sintomas. “Atividade física regular, alimentação equilibrada e estímulo cognitivo são aliados importantes para a saúde do cérebro”, afirma. Tavares ressalta que, para além dos aspectos médicos, muitos pacientes enfrentam preconceito e isolamento, principalmente devido às manifestações motoras visíveis. “É fundamental que a sociedade compreenda que o Parkinson não define a pessoa. É possível manter uma vida ativa e digna”. Campanhas de conscientização, acessibilidade em espaços públicos e políticas de inclusão no mercado de trabalho são algumas das medidas apontadas como essenciais para reduzir a marginalização. Além disso, o suporte familiar e comunitário desempenha papel crucial no bem- -estar dos pacientes. “O acolhimento faz toda a diferença. Quando a pessoa se sente compreendida, ela enfrenta a doença com mais autonomia e confiança”, conclui.

Câncer colorretal é uma doença silenciosa em estágios iniciais

O câncer colorretal, que afeta o intestino grosso e o reto, consolidou-se como um dos principais desafios de saúde pública no Brasil. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que a doença ocupa a segunda posição entre os tipos mais frequentes em homens e mulheres. Das 781 mil estimativas anuais de novos casos para o triênio 2026-2028, cerca de 26 mil devem ser de cólon e reto, cenário que reforça a prevenção e o diagnóstico precoce. O avanço da doença está ligado a mudanças no perfil da população e, principalmente, no estilo de vida. Segundo o oncologista Matheus Baptista, esse crescimento é multifatorial. “O aumento da incidência do câncer colorretal no Brasil está relacionado a um conjunto de fatores que vêm se consolidando nas últimas décadas. Um dos principais é o envelhecimento da população”. A oncologista Thais Passarini destaca que tem crescido o número de diagnósticos entre adultos jovens. Ela aponta que o fenômeno está relacionado, para além do estilo de vida contemporâneo, a outros fatores. “Há também evidências do impacto do microbioma intestinal, já que alterações na flora podem contribuir para inflamação crônica e desenvolvimento do câncer”. De acordo com Baptista, outro ponto crítico é o diagnóstico tardio. A doença costuma evoluir de forma lenta e silenciosa, o que dificulta a identificação precoce. “Geralmente, o câncer colorretal se desenvolve a partir de pólipos benignos e, nas fases iniciais, pode não causar dor nem alterações significativas. Quando surgem, os sintomas são inespecíficos e frequentemente atribuídos a problemas comuns, como alterações alimentares ou estresse. Por isso, muitos pacientes convivem por semanas ou meses com sinais leves antes de procurar avaliação médica”. Ele alerta que a persistência é o principal indicativo de risco. “Sangue nas fezes, mudança no hábito intestinal, dor abdominal, anemia e perda de peso sem causa aparente devem ser investigados, especialmente quando persistem ou aparecem associados”. Diagnóstico tardio Thais ressalta que, apesar de uma parcela dos casos estar ligada a fatores hereditários, a maioria está associada a hábitos e fatores ambientais. Ainda assim, o diagnóstico precoce segue como o maior desafio no país. “Mais de 80% dos casos são diagnosticados em estágios avançados. O Brasil não possui um programa nacional organizado de rastreamento, e o acesso à colonoscopia ainda é limitado, sobretudo no sistema público. Além disso, há baixa conscientização da população e dificuldades de acesso a consultas e exames”. Entre os mais jovens, a oncologista acredita que o problema pode ser ainda mais grave. “Existe uma tendência de subvalorizar sintomas como sangramento nas fezes ou alteração do hábito intestinal, tanto pelos pacientes quanto por profissionais de saúde. Isso atrasa a investigação e aumenta a probabilidade de diagnóstico em fases mais avançadas”. Alta taxa de cura Apesar do cenário preocupante, os especialistas reforçam que o câncer colorretal tem alto potencial de cura quando identificado precocemente. “Quando diagnosticado em estágios iniciais, as chances de cura podem superar 90%, e o tratamento tende a ser menos agressivo, muitas vezes restrito à cirurgia, com melhor qualidade de vida para o paciente”, afirma Thais. A colonoscopia é considerada o principal exame para detecção e prevenção, pois permite identificar e remover lesões antes que evoluam para câncer. A recomendação é iniciar o rastreamento a partir dos 45 anos, ou antes, em casos de histórico familiar. Para Baptista, ampliar a conscientização é fundamental. “Mais do que tratar o câncer, o objetivo é evitar que ele se desenvolva ou identificá-lo precocemente. Informação, acompanhamento médico e adesão aos exames são essenciais para reduzir a mortalidade”, conclui.

64% dos jovens adultos dizem não consumir bebidas alcoólicas

De acordo com a pesquisa Ipsos-Ipec, encomendada pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) para a sétima edição da publicação “Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025”, a taxa de abstinência entre jovens apresentou crescimento. Entre pessoas de 18 a 24 anos, o índice subiu de 46% para 64%, enquanto na faixa de 25 a 34 anos o aumento foi de 47% para 61%. No panorama geral, 64% dos brasileiros declararam não consumir bebidas alcoólicas em 2025, um aumento em relação a 2023, quando 55% afirmaram não beber. Os maiores aumentos ocorreram entre indivíduos com ensino superior (de 49% para 62%), moradores da região Sudeste (de 51% para 62%) e das classes A e B (de 44% para 55%), sendo mais acentuado nos municípios localizados em regiões metropolitanas e capitais. Segundo a psicóloga clínica Karen Lourenço, uma das explicações para essa queda de consumo está em uma mudança de valores entre gerações. “Durante muito tempo o álcool teve um papel central na socialização juvenil, associado à ideia de aproveitar a vida em festas e encontros frequentes. Entre os jovens atuais, vemos uma redefinição desse ideal. Para muitos deles, está relacionado ao cuidado com o corpo e com a saúde mental. Existe ainda uma preocupação maior com a própria imagem e com o desempenho pessoal, algo influenciado pelas redes sociais”. “Nesse cenário, práticas como atividade física, atenção à higiene e as horas de sono, alimentação equilibrada e cuidado com a saúde mental passam a ocupar um espaço importante no estilo de vida, e o álcool deixa de ter o papel central que tinha na socialização de gerações anteriores. Hoje, jovens se divertem indo à academia, praticando ioga, participando de encontros matinais, corridas, entre outras coisas. E isso contribui para a saúde e também para a boa imagem nas redes sociais”, complementa. Para Karen, a redução do consumo de álcool entre os jovens pode trazer impactos sociais relevantes ao longo do tempo. “Podemos esperar uma mudança na cultura de socialização que não foca exclusivamente em festas centralizadas em álcool e em encontros feitos exclusivamente para beber. Além disso, pode haver efeitos positivos na saúde pública, como menor incidência de acidentes e doenças relacionadas ao álcool, e também uma valorização maior de estilos de vida que priorizam autocuidado e equilíbrio emocional”. Saúde física A médica Gastroenterologista e Hepatologista do Hospital Belo Horizonte, Camila Caroline Leal Oliveira, explica que o fígado é o principal órgão responsável por metabolizar o álcool. “Quando o consumo é frequente, pode causar acúmulo de gordura nas células hepáticas e inflamação. Com o tempo, esse processo pode evoluir para fibrose, que é a formação de cicatrizes no fígado decorrentes da agressão crônica. Em estágios mais avançados, podem evoluir para cirrose”. Camila ressalta que essa abstinência dos jovens pode ter um impacto positivo importante na saúde pública. “Quanto menor a exposição ao álcool ao longo da vida, menor a chance de desenvolver inflamação hepática crônica e fibrose. Existe uma preocupação crescente com o aumento de enfermidades hepáticas nesse grupo de pessoas. Por isso, é interessante manter um acompanhamento com exames periódicos, fazer pelo menos um check-up hepatológico, incluindo rastreio para hepatites virais, e receber orientação sobre hábitos de vida, especialmente em relação ao consumo de álcool”. Sem interesse A jovem Thais de Paula, de 29 anos, que atualmente trabalha como babá, conta que não consome álcool. “Já experimentei, mas não gosto do efeito em mim. Na verdade, nunca me interessei, talvez porque meus pais consomem e eu não gosto da forma que eles agem quando bebem. Meu pai já teve problemas com bebidas por causa do vício e isso é algo que não quero para minha vida”. Thais relata ainda que já sofreu pressão para consumir álcool. “Inclusive, nas vezes que provei foram porque as pessoas diziam que eu precisava beber, porém, sempre que provava me sentia estranha. A última vez que tomei metade de um drink passei mal”. Ela destaca ainda que pretende continuar essa abstinência. “Em breve vou completar 30 anos, não faz sentido começar a beber agora”.

Um em cada cinco adolescentes no mundo vive com obesidade

Informações do Atlas Mundial da Obesidade 2026 indicam que 20,7% das crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos no mundo apresentam sobrepeso ou obesidade, o que corresponde a aproximadamente um em cada cinco jovens, somando 419 milhões de pessoas. Segundo projeções da Federação Mundial da Obesidade, esse número pode chegar a 507 milhões até 2040, caso a tendência atual se mantenha. Em comunicado, a entidade adverte que o excesso de peso na infância pode desencadear problemas de saúde semelhantes aos verificados em adultos, como hipertensão e doenças cardiovasculares. As projeções indicam que, até 2040, cerca de 57,6 milhões de crianças poderão apresentar sinais iniciais de doenças cardiovasculares, enquanto 43,2 milhões devem manifestar hipertensão. Os dados apontam que no Brasil cerca de 6,6 milhões de crianças entre 5 e 9 anos apresentam sobrepeso ou obesidade. Quando se inclui a faixa etária de 10 a 19 anos, esse contingente chega a 9,9 milhões, somando aproximadamente 16,5 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos vivendo com excesso de peso no país. As projeções para 2040 indicam um cenário preocupante: mais de 1,6 milhão de jovens dessa faixa etária podem ser diagnosticados com hipertensão associada ao índice de massa corporal (IMC); cerca de 635 mil devem apresentar hiperglicemia relacionada ao IMC; aproximadamente 2,1 milhões podem ter níveis elevados de triglicerídeos; e 4,6 milhões podem desenvolver doença hepática esteatótica metabólica. Para a endocrinologista pediátrica Mariana Vasconcelos, o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, aliado à redução da atividade física, tem impacto direto na saúde das crianças. “A obesidade infantil é uma condição complexa, que envolve fatores biológicos, comportamentais e sociais. Hoje vemos crianças consumindo grandes quantidades de produtos ricos em açúcar, gorduras e sódio, ao mesmo tempo em que passam muitas horas diante de telas. Esse conjunto favorece o ganho de peso e pode desencadear problemas de saúde que eram mais comuns na vida adulta”. Segundo Mariana, os impactos do excesso de peso podem aparecer de forma precoce e afetar diferentes sistemas do organismo. “Crianças com obesidade têm maior risco de desenvolver hipertensão, resistência à insulina, diabetes tipo 2, alterações no colesterol e problemas no fígado. Além disso, existem consequências emocionais importantes, como baixa autoestima, ansiedade e episódios de bullying”. O nutricionista Carlos Menezes destaca que os hábitos familiares têm papel fundamental na formação do comportamento alimentar das crianças. “Os pais são os principais modelos para os filhos. Quando a família adota uma alimentação equilibrada e inclui atividades físicas na rotina, as crianças tendem a reproduzir esse comportamento. Oferecer frutas, verduras e refeições caseiras, reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e limitar o tempo de tela são medidas simples que fazem grande diferença”. Ele também ressalta a importância de estabelecer uma relação saudável com a comida desde cedo. “É fundamental evitar o uso de alimentos como recompensa ou punição. A criança precisa aprender a reconhecer sinais de fome e saciedade, além de entender que a alimentação saudável faz parte do cuidado com o corpo”. Além das mudanças no ambiente familiar, o profissional defende que o enfrentamento da obesidade infantil exige ações mais amplas por parte do poder público. “Esse é um problema que ultrapassa a responsabilidade individual das famílias. Precisamos de políticas que incentivem ambientes mais saudáveis, como regulamentação da publicidade de alimentos ultraprocessados voltada ao público infantil, rotulagem clara dos produtos e programas de alimentação saudável nas escolas”. Menezes defende investimentos em infraestrutura urbana que favoreçam a prática de atividades físicas. “Espaços públicos seguros, parques, ciclovias e quadras esportivas são fundamentais para estimular crianças e adolescentes a se movimentarem. A escola também pode desempenhar um papel central, ampliando o tempo dedicado à educação física e à educação alimentar”. Outra medida apontada é o fortalecimento da atenção básica em saúde, como programas de acompanhamento nutricional e orientação às famílias que podem ajudar na identificação precoce de casos de sobrepeso e na adoção de estratégias de prevenção.