Sete Lagoas sedia edição do Javaporco Adventure

A terceira edição do Javaporco Adventure será realizada entre os dias 3 e 5 de julho, no Parque de Exposições JK, em Sete Lagoas, na Região Central de Minas, reunindo provas off-road, atividades esportivas e programação aberta ao público. O evento terá cursos, palestras, apresentações artísticas e modalidades como enduro de regularidade de motos, rally, passeios e trilhas 4×4, expedições em UTVs, mountain bike, corrida noturna e aulão de muay thai. A expectativa é reunir entre 400 e 600 atletas nas diferentes modalidades. Além disso, a previsão é de um público aproximado de 2 mil pessoas por dia durante a programação. O idealizador e membro da comissão, Gustavo Figueiredo, esclarece que desde o início, o Javaporco Adventure foi pensado para toda a família e não apenas para os competidores. “O evento terá palestras sobre condução 4×4, nutricionista esportiva, curso de navegação para modalidades de regularidade, entre outras atividades abertas ao público. Também haverá feira de artesanato, exposições, comercialização de produtos da agricultura local e espaço kids”. Figueiredo destaca ainda que Sete Lagoas possui uma tradição muito forte nos esportes off-road e motorizados. “A cidade já recebeu várias provas esportivas nas últimas décadas, e o Javaporco Adventure nasceu com o intuito de ajudar a resgatar essa tradição”. Além de ter Sete Lagoas como sede principal, o evento também se estende por municípios vizinhos, fortalecendo a integração regional, afirma o idealizador. “As provas e expedições passam por cidades como Cordisburgo, Capim Branco, Araçaí, Caetanópolis, Paraopeba e pela região de Fechados”. Histórico O Javaporco Adventure nasceu inicialmente como uma prova de Enduro de Regularidade, em 2019. O nome do evento surgiu porque a competição seria realizada na região de Capim Branco, onde já havia registros frequentes de javalis e javaporcos. A primeira edição integrou a Copa Centro-Norte Mineira de Enduro de Regularidade e reuniu cerca de 100 participantes, marcando o início da trajetória do projeto. Paixão pelo esporte O esportista e professor, André Júlio Costa, explica que a relação com a regularidade, não apenas de um esporte específico, mas da modalidade, começou muito cedo. “Meu pai foi praticante de enduro de moto nos anos 1980, justamente em uma época em que a modalidade começava a se consolidar no Brasil. Cresci acompanhando esse universo e, naturalmente, desenvolvi uma paixão pela regularidade”. Costa vai praticar o Rally de Regularidade 4×4 e Big Trail de Regularidade, e conta que desde 2003 passou a viver a experiência como piloto. “Ao longo desse período, acompanhei mudanças na tecnologia, nos equipamentos e na forma de navegar, mas a essência da modalidade continua a mesma: a combinação entre estratégia, navegação, concentração e controle. É justamente essa essência que me mantém conectado à regularidade até hoje”. Para o esportista, o que o motiva a participar de uma prova é a organização do evento. “Estamos falando de uma modalidade em que a apuração, o levantamento do percurso, a conferência dos resultados e a própria construção da prova exigem conhecimento técnico e muita seriedade”. “Por isso, é importante que o organizador entenda profundamente a modalidade. No caso do Javaporco Adventure, tanto a prova de 4×4 quanto a de moto estão nas mãos de pessoas já consolidadas, profissionais que possuem experiência. Isso transmite segurança para quem vai competir”, ressalta. Competições oficiais Segundo Figueiredo, o evento terá ainda modalidades válidas para competições oficiais do calendário esportivo estadual e regional. “No segmento 4×4, o Rally MG é válido pelo Campeonato Mineiro de Rally de Regularidade 4×4. Já no motociclismo, o Enduro de Regularidade será a etapa final da Copa Sertão Mineiro de Enduro de Regularidade”. “Queremos contribuir para o fortalecimento da imagem de Sete Lagoas como um destino de turismo esportivo e de aventura. Além de mostrar que o esporte, turismo, desenvolvimento e preservação ambiental podem caminhar juntos quando existe planejamento, responsabilidade e compromisso com o futuro”, finaliza. Os interessados podem obter mais informações e realizar as inscrições pelo site: javaporcoadventure.com.br.

Festival de Teatro valoriza a arte das cidades do interior do Brasil

Entre os dias 25 e 28 de junho, será realizado o 1º Festival Nacional de Teatro Quintal Boi da Manta em Sete Lagoas, na Região Central de Minas. O evento terá espetáculos de artes cênicas, distribuídos em três categorias: Teatro para a Infância, Teatro de Rua e Teatro de Palco Alternativo. As apresentações serão gratuitas. O evento conta com seis grupos selecionados: Jurubebas – Manaus/ AM, Ricardo César – Brasília/DF, Cia Dois em Um – Belo Horizonte/MG, Cia Dois que Contam – Campinas/ SP, Cia Manipuladora de Formas Etc I Tal – Navegantes/SC e Teatro de Retalhos – Arcoverde/PE. A expectativa é reunir, em média, 200 espectadores por apresentação. A programação oficial conta com seis peças teatrais, além de quatro espetáculos convidados. O tema será “Arte do Interior para o Interior”, com o intuito de valorizar o teatro produzido em todo o Brasil e promover a circulação de obras fora dos grandes centros urbanos. A produtora e gestora do Quintal Boi da Manta, Clarice Rodrigues, explica que o Quintal tem como valor o reconhecimento da arte e da cultura do interior. “Quando pensamos no Festival surgiu a ideia de valorizar o teatro dos interiores do Brasil, mostrando a diversidade cultural das diferentes regiões do país e dando luz às margens que são invisibilizadas no cenário cultural do grande ‘eixo Rio-São Paulo’, assim surgiu a escolha do tema”. Já o evento nasceu a partir da vivência em outros festivais dentro e fora do estado de Minas Gerais, afirma a produtora. “Com essa experiência, fomos construindo laços e percebemos que Sete Lagoas precisava se reafirmar dentro do cenário cultural mineiro através de um Festival para a cidade e para a comunidade, mas também, como um espaço de troca artística e experiência cultural”. “Quando propomos que Sete Lagoas tenha um Festival, também estamos fortalecendo a formação de público setelagoano para o consumo do teatro (e das diferentes linguagens do teatro). Isso fortalece a cena artística para além das trocas e intercâmbios entre grupos e artistas de outras localidades e da nossa cidade”, acrescenta. Para Clarice, a diversidade das regiões diz respeito a como cada grupo também revela sua cultura. “O teatro existe a partir da territorialidade e assumir isso dentro da grade de programação é ser responsável por promover uma grande variedade linguística e intercâmbio de maneiras de se fazer o teatro brasileiro”. Grupo Jurubebas O Jurubebas nasceu na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), com o objetivo de compartilhar as vivências e tendo como motriz as relações humanas. O grupo possui mais de 10 espetáculos encenados e já circulou por todas as regiões brasileiras, integrando o circuito brasileiro de festivais. Segundo o diretor e dramaturgo, Felipe Jatobá, a proposta artística do grupo é a vivência amazônida contemporânea. “São trabalhos que refletem os problemas reais de uma Amazônia real. O Jurubebas desenvolve seus espetáculos junto de comunidades ribeirinhas da região metropolitana de Manaus”. Será apresentado no Festival o espetáculo “A Ilha Profana do Cantagalo”. “A obra nasce da pesquisa sobre o ritmo musical do Gambá, patrimônio cultural imaterial do estado do Amazonas que traz em suas poesias e músicas as tradições, o dia a dia caboclo do interior da Amazônia e o imaginário popular”, revela Jatobá. “É uma honra estar na primeira edição do Festival e uma responsabilidade enorme ser um grupo do Norte do país no evento. O Festival já nasce grande e com muita representatividade, o que nos dá orgulho de estarmos nessa edição”, finaliza. A programação completa está no Instagram @quintalboidamanta. Quintal Boi da Manta Fundado em 2000, pelo folclorista e professor Paulo Henrique de Souza, o Quintal Boi da Manta é destinado a aulas de expressões folclóricas, oficinas de teatro e ritmo, e apresentações de cunho cultural. O local atende à demanda de adolescentes, jovens e adultos de Sete Lagoas e região em busca da arte como meio de transformação coletiva e individual, crescimento intelectual e sociabilidade.

Minas Gerais registra a menor taxa de desemprego da série histórica

Minas Gerais registrou a menor taxa de desemprego da série histórica iniciada em 2012, ao mesmo tempo em que ultrapassou a marca de 5 milhões de vínculos formais de trabalho, em março. De acordo com o Ministério do Trabalho, no acumulado dos últimos 12 meses, o Estado gerou saldo positivo de, aproximadamente, 72 mil postos formais, com admissões acumuladas de 2,797 milhões de trabalhadores e 2,724 milhões de desligamentos. Entre janeiro e março de 2026, o saldo já somava 70,6 mil postos. Já a taxa de desocupação registrou 3,8%, no quarto trimestre de 2025, segundo o Observatório do Trabalho. O índice representa uma queda de dez pontos percentuais em relação ao pico registrado no mesmo trimestre de 2017. O estudo do Observatório do Trabalho mostra que o comércio permanece como o maior segmento empregador. Desempenhos mais positivos também foram registrados em subsetores de serviços, como transporte e armazenagem; alojamento e alimentação; informação e comunicação, atividades financeiras e imobiliárias e administração pública. O professor de economia do Centro Universitário Arnaldo de Belo Horizonte, Alexandre Miserani, aponta que um dos principais fatores para a redução do desemprego é o crescimento estrutural da economia brasileira. “Que reflete na geração de renda, no incremento da produção e do consumo e na expansão de pequenos negócios”. Em relação a Minas Gerais, o professor destaca o fortalecimento da abertura de novas empresas, com a diminuição da burocracia e o incentivo às startups. “Não podemos menosprezar a estabilidade econômica mineira, que tem melhorado nesse aspecto da produção, geração de renda e consumo das famílias. Há todo um arranjo produtivo local que favoreceu esse crescimento”. Apesar dos resultados positivos, o professor avalia que Minas Gerais ainda enfrenta desafios relacionados aos investimentos em infraestrutura. Segundo Miserani, a situação “prejudica muito, não só o escoamento, mas toda a estratégia comercial de muitas empresas”. Índice nacional A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,8% no trimestre encerrado em abril de 2026, o que representou alta de 0,4 ponto percentual na comparação com o período entre novembro de 2025 e janeiro de 2026. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. De acordo com o estudo, se comparada ao trimestre de novembro de 2025 e janeiro de 2026, a população desocupada, que é de 6,3 milhões no período encerrado em abril deste ano, avançou 8%. Naquele momento eram 5,9 milhões. No entanto, em relação a igual trimestre do ano anterior (7,1 milhões) indicou recuo de 11,3% (menos 809 mil pessoas). Os dados mostraram também que a população ocupada (102,3 milhões) caiu 0,3% em relação ao trimestre anterior. São menos 338 mil pessoas, mas subiu 1,1% ou mais 1,07 milhão de pessoas frente ao mesmo trimestre do ano anterior. Segundo a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, o aumento da desocupação nesse trimestre móvel é resultado essencialmente do comportamento sazonal de algumas atividades. “Embora registrando perda de ocupação na comparação trimestral, o mercado de trabalho segue com elevado nível de ocupação, quando comparado com anos anteriores”. Miserani afirma que o atual nível de desemprego do Brasil é caracterizado como pleno emprego. “O mercado de trabalho vive um dos seus melhores momentos da última década. Isso ocorre porque a economia apresenta crescimento, inflação controlada e aumento da atividade produtiva”. “Tudo isso contribui para a redução da desocupação e para o aumento da geração de emprego e renda. O que favorece a alta do consumo e o melhor posicionamento das empresas no cenário nacional e internacional”, completa. O economista acredita ainda que os números do desemprego vão continuar caindo até o fim de 2026. “Tanto em nível nacional quanto estadual, considerando o ano eleitoral. Contudo, os índices geoeconômicos mundiais têm mostrado um cenário pessimista. Problemas estruturais na economia, diminuição de importações de parte de países tradicionais e a questão do petróleo, podem prejudicar a empregabilidade”.

Decisão do STJ aperta as regras para aluguel de curta temporada

A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabeleceu, no início de maio, que a utilização de imóveis em condomínios para a celebração de contratos de estadia de curta temporada, como na plataforma Airbnb, exige a aprovação de pelo menos dois terços dos condôminos. O caso teve origem em processo no qual a proprietária de um apartamento buscava garantir o direito de destiná-lo a estadias de curta duração, sem necessidade de aprovação em assembleia, ao passo que o condomínio alegava que essa destinação, além de não estar prevista em convenção, afastava o caráter residencial do prédio. A empresa Airbnb atuou como interessada na ação. O colegiado considerou que o uso dos imóveis para exploração econômica ou profissional descaracteriza a sua destinação residencial e, por isso, deve ser autorizado pelo condomínio. No voto que prevaleceu no julgamento, a ministra Nancy Andrighi comentou que os contratos intermediados por sistemas, como o Airbnb, não se enquadram propriamente nem como contratos de locação residencial nem como de hospedagem em hotéis, motivo pelo qual podem ser considerados atípicos. “A utilização das plataformas digitais intensificou a celebração de contratos de estadia de curta temporada, facilitando a comunicação entre proprietários e hóspedes. Uma das consequências desse novo cenário é a maior rotatividade de pessoas nos condomínios, o que traz impactos para a segurança e o sossego dos moradores e tem levantado questionamentos sobre a necessidade de autorização dos condôminos”, completou a ministra. O advogado e presidente da Comissão de Direito Condominial da OAB/MG, Sílvio Cupertino, explica que a decisão trata de um precedente jurisprudencial importante. “E cria a necessidade de alterações nas convenções dos condomínios que não contenham permissão expressa e que o interesse da maioria qualificada dos condôminos (dois terços) seja de utilização das unidades para esse fim. Permanecer com a convenção sem a permissão expressa implicaria na obrigação do síndico e da administração terem que proibir tal prática”. “De acordo com o precedente do STJ, nos condomínios em que a convenção estabelecer a sua destinação exclusivamente residencial e não existir previsão expressa para essa forma de utilização, pode haver a proibição desse tipo de aluguel”, ressalta Cupertino. Para o especialista, a partir da decisão do STJ, o síndico que não tomar providências em relação à matéria pode sofrer grande pressão dos condôminos que são contrários à utilização das unidades pelo Airbnb e plataformas dessa natureza. “Assim, aconselha-se a realização de Assembleia para definição dos procedimentos a serem adotados nos casos em que já existam reservas ativas”. O direito de propriedade é constitucionalmente garantido, lembra o advogado. “Mas, as regras do condomínio devem ser cumpridas por todos. Não existindo a previsão de utilização das unidades para esse fim, o condômino deve respeitar a restrição”. Segundo Cupertino, a ideia dos ministros nesse julgamento do STJ foi definir um padrão de decisões em processos dessa natureza. “Com isso, sustentar uma tese contrária nos processos judiciais pode tornar uma missão bastante delicada”. O que diz o Airbnb O Airbnb, por meio de nota, afirma que a decisão do STJ se refere a um caso específico e pontual, não é definitiva e não determina a proibição da locação via a plataforma em condomínios. “Proibir ou restringir a locação por temporada viola o direito constitucional de propriedade de quem aluga o seu imóvel. Neste contexto, o Airbnb tomará as medidas legais cabíveis e seguirá ao lado dos anfitriões, avaliando todos os caminhos para que a comunidade continue a exercer seu direito legal de gerar renda com seus próprios imóveis”. A empresa cita ainda um estudo da Fundação Getúlio Vargas que mostra que a plataforma contribuiu com R$ 100 bilhões para as economias locais em um ano. “Esta decisão tem o potencial de impactar não só os anfitriões, mas todo o ecossistema que depende dessa renda, como comércios e fornecedores locais”.

Nove em cada dez mortes de gestantes são evitáveis no Brasil

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em 2024, foram registrados 1.347 óbitos de gestantes, sendo que a maioria dessas mortes, nove em cada dez, era evitável. De acordo com os dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM-Datasus), consultados no Observatório da Saúde Pública da Umane, a Razão de Morte Materna (RMM) no país é de 56,4 a cada 100 mil nascidos vivos. Conforme o Ministério da Saúde, as quatro principais causas de óbito materno no Brasil, entre as obstétricas diretas, são as síndromes hipertensivas, hemorragias, infecções puerperais e complicações do aborto. Esses motivos são responsáveis por 66% das mortes de gestantes no país. O ginecologista e obstetra da Unimed-BH, Marcos Roberto Taveira, esclarece que diagnóstico tardio pode contribuir para um desfecho desfavorável. “E para melhorar essa situação, é preciso criar protocolos assistenciais bem rigorosos e de atendimento no tempo mais curto possível”. Ele acredita que as altas taxas de mortalidade materna no Brasil possuem alguns fatores. “Um deles é a qualidade de assistência para o pré-natal, que oscila muito nas populações mais carentes. Outra questão é o alto índice de cesarianas realizadas no país. Somos um dos campeões mundiais e isso eleva a taxa de complicações com hemorragia, infecções e intercorrências cirúrgicas”. “Além disso, há um grande volume de consultas médicas que os profissionais de saúde precisam atender atualmente. São atendimentos agendados entre 15 e 20 minutos, e, às vezes, o tempo não é o suficiente para avaliar a gestante e nem mesmo escutar de forma adequada. Também podemos citar a estrutura das unidades primárias e secundárias de saúde, e seguir mais fielmente os protocolos existentes nos níveis municipal, estadual e federal”, acrescenta. A reportagem entrou em contato com o Ministério da Saúde para ter um posicionamento sobre o tema, mas não obtivemos resposta até o fechamento da edição. Mais suporte O enfermeiro obstétrico, Renné Costa, ressalta que além dos médicos, uma equipe de diferentes profissionais é importante para garantir o atendimento adequado às mulheres. “Precisamos acreditar muito na multidisciplinaridade das profissões. Cada um fazendo o seu papel, mas todo mundo centrado nos objetivos que são a mãe e o bebê”. Taveira destaca ainda que para melhorar esses índices, é necessário investir na capacitação das equipes dos hospitais para estarem aptos a atender a gestante de risco. “Com protocolos bem definidos e treinamentos técnicos que são fundamentais para melhorar a assistência. E também que as maternidades estejam com seu parque tecnológico atualizado o máximo possível”. Para o ginecologista, é preciso maior suporte do governo na esfera municipal, estadual e federal para as unidades básicas, secundárias e terciárias de saúde pública. “Isso vai garantir que elas tenham cada vez mais uma proximidade de recurso com relação ao serviço privado”. “Acredito que no nível terciário é um pouco melhor, porém, os níveis secundários e primários, às vezes, faltam recursos, como insumos e profissionais capacitados. Melhorar a estrutura das equipes multiprofissionais, em todos os níveis, com certeza, vai impactar na mortalidade materna”, finaliza. Meta brasileira A meta do país é chegar a 30 mortes a cada 100 mil nascidos vivos até 2030. No âmbito federal, em 2024, o governo lançou programa para reduzir a mortalidade materna em 25% até 2027. Em relação a mulheres pretas, a intenção é reduzir a mortalidade em 50% no mesmo período. Chamado de Rede Alyne, a iniciativa é uma reestruturação da antiga Rede Cegonha, de cuidados a gestantes e bebês na rede pública. O programa homenageia a jovem negra Alyne Pimentel, que morreu aos 28 anos, grávida de seis meses, por falta de atendimento adequado. O objetivo do projeto é beneficiar mulheres com cuidado humanizado e integral, observando as desigualdades étnico-raciais e regionais.

Projeto de Lei prevê melhoria de estradas vicinais em áreas rurais

O Projeto de Lei (PL) 5.324/26 propõe diretrizes para a construção, manutenção e melhoria de estradas vicinais em áreas rurais. A iniciativa prevê o uso de tecnologias e práticas sustentáveis para integrar comunidades e facilitar o escoamento da produção agrícola. A Comissão de Transporte, Comunicação e Obras Públicas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) analisou o PL. O texto original previa uma política pública estratégica para a modernização e a conservação das estradas vicinais no estado. A proposta tem como objetivo melhorar a acessibilidade e a conectividade das áreas rurais, incentivar o uso de materiais e técnicas que visem à conservação ambiental, fomentar a geração de empregos e reduzir as desigualdades regionais. A autora do PL, deputada Maria Clara Marra (PSDB), destaca que o projeto se fundamenta na premissa de que o desenvolvimento depende de uma logística eficiente e resiliente desde a porteira do produtor até os centros de distribuição. “Ao integrar a manutenção das estradas a diretrizes de preservação ambiental, o Estado promove a inclusão socioeconômica das comunidades rurais e fortalece o agronegócio mineiro, motor essencial da nossa economia”. “A implementação deste programa representa um compromisso direto com a dignidade do homem e da mulher do campo, transformando a infraestrutura rural em uma ferramenta de justiça social e prosperidade para todas as regiões do Estado”, acrescenta. Conforme o texto, o financiamento das ações pode ocorrer por dotações orçamentárias próprias, parcerias com municípios e a União, créditos de carbono e parcerias público-privadas (PPPs). A proposta também prioriza estradas vicinais em municípios com até 100 mil habitantes, que sejam relevantes para a agricultura familiar ou que estejam em áreas de difícil acesso. O presidente da comissão e relator da matéria, deputado Thiago Cota (PDT), emitiu parecer concordando com o substitutivo nº 1, apresentado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). CCJ altera proposta original A CCJ ressaltou que a instituição de programas ou campanhas tem natureza eminentemente administrativa, razão pela qual são atribuições exclusivas do Poder Executivo. Para corrigir, o substitutivo passa a estabelecer diretrizes para a política de infraestrutura rural sustentável, preservando a finalidade definida pela deputada Maria Clara. Também mantém os objetivos propostos e as definições dos municípios já descritos no texto original. Acrescenta como prioridade a promoção do uso de tecnologias e práticas sustentáveis, como o manejo adequado de águas pluviais e o uso de pavimentação de baixo impacto ambiental. Estabelece que o Poder Executivo poderá celebrar convênios, acordos e termos de cooperação técnica com órgãos e entidades públicos e privados, bem como buscar fontes de financiamento diversas, como já sugerido pela autora no texto original, para a execução da política de que trata esta lei. “Do nosso ponto de vista, entendemos que a proposição tem seu mérito, por trazer à luz a importância das estradas vicinais, quase sempre implantadas em leito natural, sem pavimento, para a economia e para a vivência das comunidades rurais, além de orientar os órgãos executores das políticas de transporte com esse objetivo”, afirma o relator Thiago Cota. Antes de ser analisada pelo Plenário, a proposição será encaminhada às Comissões de Agropecuária e Agroindústria e de Fiscalização Financeira e Orçamentária, para emissão de pareceres de 1º turno.

Projeto ambiental pretende aproximar os jovens do Parque Mata do Limoeiro

O Parque Estadual Mata do Limoeiro, localizado em Itabira, na Região Central de Minas Gerais, recebe o projeto “Me Vejo no Limoeiro”, iniciativa de educação ambiental que pretende aproximar os jovens da unidade de conservação por meio da arte. A expectativa é alcançar cerca de 350 estudantes de escolas estaduais e municipais dos distritos de Ipoema e Senhora do Carmo, além das comunidades de São José do Macuco, Duas Pontes e Campo Gordura. De março deste ano a março de 2027, estudantes de seis escolas das comunidades do entorno do parque vão participar de um concurso cultural de desenhos e redações que busca construir uma cartografia afetiva sobre o território. O projeto é destinado a estudantes do ensino fundamental e médio. As inscrições para o concurso serão realizadas diretamente nas escolas participantes, com o apoio de professores de arte e língua portuguesa, que vão atuar como mentores ao longo do processo criativo. Antes do concurso, os estudantes também vão participar de visitas ao parque financiadas pelo projeto. Os trabalhos produzidos pelos participantes serão transformados em produtos culturais, incluindo uma exposição artística e um livro ilustrado reunindo desenhos e redações desenvolvidos durante o processo. Além das premiações para estudantes e professores, todos os participantes receberão medalhas, camisetas e ecobags do programa. As escolas envolvidas também serão contempladas com kits de materiais artísticos. O encerramento do projeto contará com a abertura da exposição e o lançamento do livro com as obras selecionadas. O produtor-executivo e curador do “Me Vejo no Limoeiro”, Frederico Mendes de Carvalho, ressalta que existe uma grande dificuldade na preservação ambiental, em relação à juventude, que tem a ver com a linguagem. “Fazer as pessoas compreenderem que o mundo natural é fundamental para a vida é um desafio. E a cartografia afetiva surge como uma ferramenta para fortalecer a relação do público com a unidade de conservação”. Ele explica que a cartografia afetiva é uma forma de mapear experiências, memórias, sentimentos e as relações que construímos com os lugares e as pessoas. “É importante dizer que a cartografia afetiva não se trata apenas de representar espaços físicos, mas revelar os afetos que produzem sentido na nossa experiência. E isso vai ser impresso por meio das redações e dos desenhos”. “A missão é construir uma cartografia afetiva do Parque Estadual Mata do Limoeiro e, a partir disso, fortalecer o senso de pertencimento dos estudantes em relação à unidade de conservação, promovendo uma consciência crítica sobre a importância do local para a comunidade”, destaca Alex Amaral, gerente do parque. Segundo Carvalho, iniciativas como essa podem influenciar o futuro das unidades de conservação. “Demonstram a potência da articulação dos parques com a sociedade, as escolas e a comunidade, e por meio dela, a própria transformação da consciência e o desenvolvimento da consciência crítica. Essas ações demonstram também que as parcerias são muito importantes para que esses locais se tornem mais fortes e potentes nos seus territórios”. O “Me Vejo no Limoeiro” é uma iniciativa da Associação Move Cultura e conta com parcerias da Prefeitura de Itabira, Vila Ipoema, Instituto Bromélia, Instituto Gigante Verde e Incutai. O projeto é financiado pelo Ministério Público de Minas Gerais, por meio da Plataforma Semente. Mata do Limoeiro O Parque Estadual Mata do Limoeiro está localizado na Serra do Espinhaço, possui 2.056 hectares e fica a cerca de 7 km do Parque Nacional da Serra do Cipó. A vegetação é composta por fragmentos de Mata Atlântica e Cerrado, onde já foram identificadas ao menos três espécies ameaçadas de extinção: o jacarandá-caviúna, a braúna-preta e o samambaiuçu. Quanto à fauna, já foram observadas espécies raras como o rato do mato, típico do Cerrado, e o gambá-de-orelha-branca, presente somente em áreas de Mata Atlântica. A unidade de conservação possui diversas trilhas, cachoeiras, grutas, mirantes, corredeiras, e os principais atrativos turísticos são a Trilha dos Sentidos, a Cascata do Limoeiro, o complexo do Paredão, Cachoeira do Derrubado e Gruta do Limoeiro.

Turistas gastaram R$ 20,2 bilhões no Brasil entre janeiro e abril deste ano

Os turistas estrangeiros gastaram R$ 20,2 bilhões no Brasil entre janeiro e abril de 2026, alta de 9,2% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com os dados do Banco Central. O país registrou o segundo melhor quadrimestre da história na entrada de visitantes internacionais. O total de chegadas nos quatro primeiros meses deste ano foi de 4.333.423 turistas. Apenas no mês de abril, os estrangeiros injetaram R$ 4,19 bilhões na economia brasileira, um crescimento de 1,2% na comparação com 2025, quando os valores alcançaram R$ 4,14 bilhões. Esse resultado positivo das receitas acompanha também o desempenho histórico em importantes mercados emissores para o Brasil nesse quadrimestre. Entre os mercados que mais avançaram estão a Colômbia (+37,2%); China (+33,6%); México (+33,4%) e Portugal (+30,9%). O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, destaca que o setor vive um momento especial, com estatísticas positivas em todos os segmentos. “Nossa atuação na busca por turistas de outros países tem sido intensa. Mais do que movimentar aeroportos, hotéis e restaurantes, o turismo brasileiro transforma a realidade de milhares de pessoas”. Para o presidente da Embratur, Bruno Reis, o resultado demonstra a eficácia do Plano Brasis – Plano Internacional de Marketing Turístico 2025-2027. “Esses dados mostram que a estratégia de promoção internacional gera resultados financeiros práticos para o país. Esse crescimento na receita cambial reflete as diretrizes do Plano Brasis. Nós trabalhamos para conectar as identidades regionais a uma marca nacional forte, o que atrai o visitante estrangeiro e amplia o tempo de permanência dele no Brasil”. A economista e professora dos Cursos de Gestão e Negócios da Una, Vaníria Ferrari, ressalta que esse avanço pode ser explicado por um conjunto de fatores. “Um dos pontos mais importantes e, talvez, o que gerou maior impacto é a desvalorização do real, que torna mais atrativo e mais barato o turismo brasileiro, ou seja, aumenta o poder de compra de estrangeiros no país. Outros motivos que podem ter contribuído foram o crescimento de rotas internacionais e também a expansão do ecoturismo”. Ela explica que essa expansão permite prever um ano positivo para o setor. “Podemos projetar uma manutenção do crescimento de turistas estrangeiros no Brasil, principalmente porque não temos perspectiva de valorização cambial, ou seja, a maior probabilidade é que o real se mantenha desvalorizado, permanecendo o poder de compra do visitante no país”. “A estabilização de economias latino-americanas, como Argentina e Paraguai, pode também contribuir para esse aumento, tendo em vista a valorização da moeda desses países em relação ao real. No entanto, esse ritmo dependerá da estabilidade econômica internacional e da capacidade do Brasil de sustentar a oferta de serviços turísticos competitivos”, complementa. Ainda não é possível afirmar que esse crescimento é sustentável, acrescenta Vaníria. “Uma vez que está muito impactado pela desvalorização da moeda nacional, mas fatores externos como desaceleração econômica global, oscilações cambiais, conflitos geopolíticos, inflação e principalmente, aumento de custos do transporte aéreo, devido ao preço do petróleo, podem prejudicar esse avanço”. Risco de desaceleração Vaníria pontua que existe um risco de desaceleração ao longo do ano. “O ritmo de crescimento depende tanto do cenário econômico global, como da economia interna do Brasil, que pode favorecer ou limitar investimentos nos setores envolvidos. Uma taxa de juros alta tende a encarecer custos de captação, o que pode frear investimentos, por exemplo”. Segundo a especialista, para que o turismo internacional seja um ponto de referência, o país precisa passar por muitas mudanças e avanços estruturais. “Aumentar a conectividade internacional, com mais rotas internacionais, o que no momento se torna inviável em função do alto custo das companhias aéreas; investir em infraestrutura turística e mobilidade urbana; melhorar a segurança pública em alguns destinos específicos; qualificar a mão de obra atuante no segmento; e criar incentivos fiscais para investimentos no setor”, finaliza.

Fim da aposentadoria compulsória para juízes condenados

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no final de maio, confirmar a decisão individual do ministro Flávio Dino que acabou com a aposentadoria compulsória como pena máxima a juízes condenados por faltas disciplinares graves, como venda de sentenças, corrupção e assédio sexual e moral. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) é o responsável por esses julgamentos, e em 20 anos, já condenou 126 magistrados à aposentadoria compulsória. Para analisar os impactos dessa medida, o mestre e doutor em Direito Constitucional pela Universidade de São Paulo, Antônio Carlos de Freitas Júnior, conversou com o Edição do Brasil sobre o tema. O que muda com a decisão do STF sobre o fim da aposentadoria compulsória para juízes condenados? Essa decisão muda significativamente a forma de responsabilização disciplinar dos magistrados. Na prática, abre caminho para que, nos casos de infrações mais graves, a consequência seja a perda do cargo, mediante o devido processo legal e observadas as garantias constitucionais da magistratura. O entendimento do STF representa um endurecimento na responsabilização de magistrados? Sob o aspecto disciplinar, é possível afirmar que a decisão tende a produzir um sistema mais rigoroso de responsabilização para infrações graves. Isso porque a aposentadoria compulsória era frequentemente objeto de críticas por permitir que magistrados condenados administrativamente permanecessem recebendo remuneração proporcional ao tempo de serviço. Por outro lado, é importante destacar que a decisão não elimina garantias constitucionais da magistratura nem autoriza punições automáticas. A perda do cargo continua condicionada ao devido processo legal e às exigências decorrentes da garantia da vitaliciedade. O Supremo respondeu a uma demanda antiga da sociedade com essa deliberação? Em certa medida, sim. Há muitos anos, diversos setores da sociedade, da academia jurídica e de órgãos de controle questionavam a efetividade da aposentadoria compulsória como sanção máxima da magistratura. Entretanto, também existem posições que defendem cautela na matéria, sustentando que eventuais alterações estruturais no regime disciplinar da magistratura deveriam ser objeto de discussão legislativa mais ampla. Há risco dessa mudança afetar a independência dos juízes? O próprio entendimento do STF procurou preservar essa garantia ao reafirmar a necessidade de observância do devido processo legal e das prerrogativas constitucionais da magistratura, especialmente a vitaliciedade. O desafio institucional consiste justamente em equilibrar dois valores igualmente relevantes: de um lado, a independência judicial; de outro, a necessidade de responsabilização efetiva em casos de desvios graves de conduta. Existe possibilidade de contestação jurídica dessa medida no futuro? Sim. Embora a decisão tenha sido confirmada pela Primeira Turma, ainda é possível que o tema continue sendo debatido em outras ações judiciais ou até mesmo seja submetido ao Plenário da Corte em momento posterior. Além disso, parte da controvérsia jurídica envolve a interpretação da Lei Orgânica da Magistratura Nacional e a Emenda Constitucional nº 103/2019. Há correntes que sustentam que a reforma previdenciária apenas retirou a previsão constitucional expressa da aposentadoria compulsória punitiva, sem revogar as disposições infraconstitucionais existentes. Na sua visão, essa decisão representa uma mudança estrutural no sistema de responsabilização da magistratura ou ainda há lacunas a serem enfrentadas? A decisão possui natureza estrutural porque redefine a sanção máxima aplicável aos magistrados e altera um paradigma histórico da responsabilização disciplinar no Poder Judiciário. No entanto, ainda existem desafios relevantes a serem enfrentados. Entre eles estão a necessidade de atualização da própria Lei Orgânica da Magistratura Nacional, a definição dos procedimentos adequados para ações de perda do cargo, a harmonização entre a atuação do CNJ e do STF e o aperfeiçoamento dos mecanismos de transparência e controle disciplinar. Portanto, o entendimento representa um marco importante na evolução do sistema de responsabilização da magistratura, mas dificilmente encerra o debate sobre o tema.

Cancelamentos de corrida são queixas dos apps de transporte

O cancelamento de corridas poucos minutos antes do embarque é a principal reclamação do artista cênico Gustavo Gomes, de 61 anos, sobre os aplicativos de transporte. O usuário utiliza o serviço pelo menos duas vezes por semana. Gomes alega que esse problema gera atrasos nos seus compromissos. “Se a gente cancela, recebemos multa. Quando eles cancelam, não temos nenhum respaldo. Sou morador de Sete Lagoas, na região Central, e utilizo o aplicativo da 99 para o lazer. Mas, encontro algumas dificuldades na prestação desse serviço, por exemplo, encontrar motoristas em determinados horários”. Segundo dados do ProconData, entre 1º de janeiro e 28 de abril de 2026, foram registradas 1.181 reclamações dos aplicativos Uber, 99, Indrive e Lady Driver, em Minas Gerais. Em Belo Horizonte, no mesmo período, foram 552 manifestações no Procon e na Ouvidoria do Ministério Público de Minas Gerais. Conforme uma análise realizada pela Peck Advogados, baseada nos dados da plataforma Reclame Aqui, as queixas dos consumidores obtiveram uma alta de 19,5%, entre 2022 e 2023. Foi um aumento de 100 mil para 124 mil registros. Falta de transparência nas tarifas, motoristas pouco preparados ou mal avaliados, atrasos significativos, e, em alguns casos, problemas de segurança, foram as principais reclamações. O sócio da Peck Advogados, Henrique Rocha, destaca que uma das principais razões por trás desse aumento está relacionada à expansão rápida e à falta de regulação efetiva. “A concorrência acirrada entre diferentes empresas de aplicativos de transporte privado levou a práticas comerciais agressivas, resultando em serviços inconsistentes e inadequados”. “A resistência de algumas empresas em lidar efetivamente com as reclamações dos usuários e implementar mudanças positivas em resposta ao feedback contribuiu para a persistência desses entraves”, afirma Rocha. O Procon e a Secretaria Nacional do Consumidor recomendam que, diante de problemas com aplicativos de transporte, o consumidor utilize os canais oficiais da plataforma e, caso não resolvido, registre a queixa em órgãos de defesa do consumidor. Jornadas longas O motorista Willian Mendes, de 35 anos, que trabalha para os aplicativos Uber, 99 e Indrive em Belo Horizonte e Região Metropolitana, ressalta que os principais desafios do dia a dia são a insegurança, a baixa remuneração e a falta de suporte. “São entre 10 e 12 horas à frente do volante e o valor pago pelas corridas é péssimo. O suporte oferecido pelos aplicativos é muito ruim e o atual modelo de gestão afeta a qualidade do serviço”. Já o condutor Gustavo Brant, de 44 anos, que trabalha com a Uber e, esporadicamente, a 99 Pop, aponta também a insegurança e a instabilidade dos ganhos como as principais dificuldades. “Sou motorista de aplicativo desde 2018, trabalho entre 8 e 12 horas por dia. O pagamento por corrida, na maioria das vezes, é baixo diante dos custos que temos, com manutenção do veículo e combustível, além do desgaste físico e mental”. Ele pontua que o suporte oferecido pelos aplicativos poderia ser melhor. “Muitas vezes, o motorista sente falta de um atendimento mais humano e de soluções mais rápidas para problemas importantes. E o modelo atual das plataformas acaba impactando a qualidade do serviço, porque os condutores precisam trabalhar jornadas muito longas para conseguir manter a renda, o que gera desgaste e afeta toda a operação”. “Já precisei cancelar corridas em algumas situações, principalmente quando o embarque era em local de risco, o passageiro demorava excessivamente, não compensava financeiramente ou havia informações desencontradas no chamado”, pontua. Brant conta também que já teve situações envolvendo avaliações injustas e problemas no aplicativo. “Mas, felizmente nunca tive bloqueio definitivo. Muitos motoristas vivem com receio constante de punições automáticas. Porém, ainda acho que vale a pena continuar no serviço, principalmente pela flexibilidade de horário”. A reportagem entrou em contato com os aplicativos Uber, 99 e Indrive, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.