Atividades físicas ajudam na melhora da saúde e aumentam a longevidade

Praticar atividade física regularmente vai muito além de manter o corpo em movimento. Uma revisão sistemática publicada em 2024 no International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, que reuniu dados de 247 estudos, concluiu que pessoas fisicamente ativas apresentam melhora consistente da saúde mental, com aumento da autoestima, do bem-estar e da resiliência, além da redução dos sintomas de ansiedade e depressão. Entre as modalidades que mais reúnem benefícios está o tênis. Além de desenvolver o condicionamento cardiovascular, fortalecer músculos e ossos e contribuir para o controle do peso, o esporte exige concentração, estratégia e rapidez na tomada de decisões, estimulando diferentes capacidades cognitivas. O convívio proporcionado pelas aulas e partidas também favorece a criação de vínculos sociais, fator que ajuda na motivação para manter a prática ao longo do tempo. De acordo com o médico endocrinologista e franqueado da Fast Tennis, Arthur Baeta Neves, os efeitos positivos da atividade física costumam surgir rapidamente quando há regularidade. “Algumas pessoas já percebem diferença logo depois da atividade: ficam mais relaxadas, com menos tensão e com uma sensação de bem-estar”. “Com o passar das semanas, é comum notar melhora no sono, no humor, na disposição e até na autoestima. O tempo varia de pessoa para pessoa, mas os primeiros sinais consistentes costumam aparecer entre duas semanas e dois ou três meses de prática regular. A regularidade importa mais do que a intensidade”, acrescenta. Outro diferencial do tênis é reunir diversas capacidades físicas em uma única modalidade. Durante a partida, o praticante consegue trabalhar resistência, força, equilíbrio, agilidade, coordenação motora e raciocínio, combinação que pode contribuir para um envelhecimento mais saudável e independente. “Durante o jogo, a pessoa precisa acompanhar a bola, observar o adversário, escolher o golpe e reagir rapidamente. Isso ajuda a estimular atenção, coordenação, raciocínio e capacidade de decisão. Ao mesmo tempo, como o jogador precisa estar focado no ponto, o tênis ajuda a tirar a mente das preocupações do cotidiano e pode funcionar como uma boa válvula de escape para o estresse”, explica Neves. A modalidade também se tornou mais acessível nos últimos anos. Crianças, adultos, idosos e pessoas com deficiência podem praticá-la com adaptações de equipamentos, quadras e intensidade dos exercícios, ampliando o alcance do esporte para diferentes perfis de praticantes. A servidora pública Patrícia Almeida começou a jogar tênis há cerca de um ano por recomendação médica, após enfrentar uma rotina marcada pelo estresse do dia a dia e pelo sedentarismo. Hoje, participa de aulas duas vezes por semana e afirma que os ganhos vão muito além do condicionamento físico. “Percebo que tenho mais disposição para o trabalho, durmo melhor e consigo lidar com a ansiedade de forma muito mais tranquila. Também fiz novas amizades e fico esperando pelos dias de treino. O tênis deixou de ser apenas um exercício e virou um momento de lazer”, relata. Para quem deseja iniciar uma atividade física, o endocrinologista recomenda começar gradualmente e buscar orientação profissional. “Para uma pessoa sedentária, duas sessões por semana já são um ótimo começo. Depois, conforme o corpo se adapta, é possível aumentar a frequência e a intensidade, de preferência combinando o tênis com exercícios de força e mobilidade”, finaliza.
Módulo II do Campeonato Mineiro entra na fase final com disputa acirrada

Duas vagas no Módulo I e quatro clubes na disputa. O Campeonato Mineiro – Módulo II entra na reta decisiva. As semifinais estão marcadas para os dias 2 e 8 de agosto, enquanto os dois jogos das finais serão nos dias 12 e 15 do mesmo mês. A competição teve início em maio com 12 equipes: Aymorés, Boa Esporte, Caldense, Coimbra, Democrata de Sete Lagoas, Guarani, Ipatinga, Mamoré, Patrocinense, Valeriodoce, Villa Nova e Uberaba. Ao fim da primeira fase, Ipatinga e Caldense foram rebaixadas para a Segunda Divisão do Mineiro. O jornalista e coordenador de Esportes da Rádio Inconfidência, José Augusto Toscano, ressalta que o nível técnico da competição subiu um pouco. “Evidentemente ainda é uma qualidade aquém, afinal de contas é o Módulo II, não tem o mesmo aporte que as outras divisões. O nosso Módulo I, por exemplo, já fica aquém da expectativa técnica. Mas, comparando com os anos anteriores, acredito que houve uma melhora”. Destaques Toscano aponta o Uberaba como destaque positivo do campeonato. “O time fez uma campanha muito sólida e achei que a equipe chegaria, pelo menos, na final, e consequentemente, conseguiria subir para o Módulo I. Já pelo lado negativo, temos o Ipatinga que já era esperado, pois já começou a competição com menos 6 pontos”. O rebaixamento do Tigre do Vale do Aço encerra uma campanha marcada por dificuldades administrativas e esportivas, enquanto a Caldense, tradicional força do futebol mineiro, retorna à Segunda Divisão após um desempenho abaixo das expectativas. “As pessoas que estão à frente do Ipatinga hoje, estão literalmente fazendo um trabalho de reconstrução, por causa do estrago que foi feito por administrações anteriores, a recuperação do time vai demorar muito tempo. Contudo, achei interessante eles terem disputado, mesmo com essas condições adversas, foram até o final, conseguiram uma vitória, tiveram coragem e determinação”, acrescenta. A Caldense me surpreendeu de forma negativa, afirma o jornalista. “Pelo histórico do time, que já foi campeã da 1ª divisão, uma equipe que já disputou a Série A do Brasileirão, uma agremiação tradicionalista do futebol mineiro”. “Esse rebaixamento não surpreende pelo fato de ter sido algo que aconteceu de maneira excepcional, mas, sim pelo retrato do que foi a campanha dela, foi muito mal esse ano, e coloco o rebaixamento da Caldense como a grande decepção”, avalia. Semifinalistas Os times classificados para disputar as semifinais foram Aymorés, Democrata de Sete Lagoas, Mamoré e Villa Nova. Os confrontos serão disputados em jogos de ida e volta. A primeira partida entre Mamoré e Democrata será no domingo (2 de agosto), às 16h15, no Bernardo Rubinger Queiroz, em Patos de Minas. Já o jogo entre Villa Nova e Aymorés será no mesmo dia, às 16h, no Castor Cifuentes, em Nova Lima. Segundo o jornalista, chegaram as quatro melhores equipes na semifinal. “Então, esperamos que elas confirmem isso. Que pratiquem um bom futebol, equilibrado e disputado e que no jogo de volta, os quatro ainda tenham chances reais de acesso”. Para Toscano, a tradição tem um certo impacto. “O Democrata e o Villa Nova têm esse favoritismo, até porque decidem em casa e isso costuma ser um diferencial. Às vezes, nem tão grande, pois sabemos que a presença de público fica aquém até das expectativas dos próprios clubes. Não vai aqui nenhum demérito ao Mamoré e o Aymorés, porém, acredito que seus adversários vão para a final e garantem o acesso”. “Desses semifinalistas, os dois que passarem têm condições de fazer um Módulo I bem interessante. O Arena do Jacaré é um estádio muito bom, recebeu e recebe jogos da Série A e do feminino, e é um trunfo do Democrata, o campo do Villa Nova também é um diferencial para o time de Nova Lima. O Bernardão é um bom estádio, só o do Aymorés que é mais acanhado”. O acesso gera um novo ânimo, o clube pode elaborar uma estrutura mínima para disputar a 1ª divisão de forma decente, salienta o jornalista. “Talvez com o primeiro objetivo em manter-se nesse módulo e conseguindo, a partir de 2028 e 2029, pensar em algo maior e grandioso”, finaliza.
CrossFit: treino funcional completo para diferentes perfis de praticantes

Baseado em movimentos funcionais realizados em alta intensidade e constantemente variados, o crossfit reúne exercícios da ginástica, levantamento de peso olímpico, treinamento cardiovascular e atividades de resistência. O resultado é um treinamento capaz de atender diferentes perfis de praticantes, desde pessoas sedentárias até atletas experientes. Embora não exista um levantamento oficial sobre o número de praticantes no país, é estimado que entre 500 mil e 1 milhão de brasileiros realizem treinos inspirados na metodologia. O Brasil também figura entre os países com maior presença da modalidade, contando com mais de 400 boxes oficialmente afiliados à marca CrossFit, além de centenas de centros de treinamento que utilizam metodologias semelhantes sem vínculo oficial. Segundo a fisiologista Tereza Faria, um dos principais diferenciais da modalidade é justamente a variedade dos estímulos. “Ao contrário de programas que trabalham apenas uma capacidade física, o crossfit desenvolve força muscular, condicionamento cardiorrespiratório, flexibilidade, coordenação motora e potência em uma mesma sessão, quando o treinamento é individualizado e supervisionado por profissionais qualificados, os benefícios aparecem tanto para iniciantes quanto para praticantes avançados”. Além dos ganhos físicos, a prática regular de exercícios contribui para a redução dos níveis de ansiedade, melhora do humor e aumento da disposição. Esses efeitos costumam ser potencializados pelo ambiente coletivo, onde os alunos treinam em grupos e compartilham desafios. Para o educador físico Ricardo Menezes, esse aspecto social explica parte da popularidade da modalidade. “As pessoas não encontram apenas um local para se exercitar, mas uma comunidade. É comum que os alunos criem vínculos de amizade, celebrem conquistas em conjunto e encontrem apoio para manter a disciplina. Esse sentimento favorece a permanência na atividade física e contribui para a saúde mental”. A dinâmica dos treinos também favorece a motivação. Conhecidos como WODs, sigla para Workout of the Day, os treinos mudam diariamente, evitando a monotonia comum em alguns programas tradicionais de academia. Para muitos praticantes, essa imprevisibilidade torna a atividade mais estimulante e ajuda na adesão de longo prazo. Apesar da fama de modalidade intensa, especialistas ressaltam que a atividade pode ser praticada por crianças, adultos, idosos e indivíduos com diferentes níveis de condicionamento físico, desde que passem por avaliação inicial e realizem adaptações de carga e complexidade dos movimentos. Menezes destaca que um dos maiores mitos sobre o crossfit é acreditar que todos executam exatamente os mesmos exercícios. “Na prática, o treinamento é escalonado. Um atleta experiente pode realizar um levantamento olímpico com alta carga, enquanto um iniciante executa o mesmo padrão de movimento utilizando apenas um bastão ou uma barra leve, o objetivo é respeitar as capacidades individuais”. Outro ponto frequentemente debatido diz respeito ao risco de lesões. Tereza afirma que, assim como ocorre em qualquer modalidade esportiva, o risco existe quando há execução inadequada dos movimentos, excesso de carga ou ausência de orientação profissional. “Por isso, a escolha de um box com profissionais capacitados e acompanhamento faz toda a diferença para a prática segura”. Para quem deseja começar, a recomendação é simples: procurar uma unidade com profissionais habilitados, realizar uma avaliação física e respeitar o processo de aprendizagem. “Nas primeiras semanas, o foco costuma estar na execução correta dos movimentos, no desenvolvimento da mobilidade e na adaptação do organismo aos estímulos do treinamento. O aumento da intensidade acontece apenas conforme a evolução do aluno”, conclui Menezes.
Como as eliminações mudaram a relação do torcedor com a Seleção

Por muitos anos, a Seleção Brasileira foi um dos principais símbolos da identidade nacional. As cinco estrelas na camisa alimentaram a imagem do “país do futebol” e transformaram as Copas do Mundo em um raro momento de união entre brasileiros de diferentes regiões, classes sociais e gerações. Mas, após sucessivas eliminações nas fases decisivas e o maior jejum sem um título mundial, essa relação começa a ganhar novos contornos. Hoje, o impacto das derrotas parece ultrapassar o campo esportivo e influencia a forma como diferentes gerações enxergam o próprio Brasil. A transformação aparece principalmente entre os mais jovens. Embora nunca tenham visto a Seleção levantar a taça, integrantes da geração Z continuam mantendo forte vínculo com o Mundial. Um levantamento do InstitutoZ mostra que 75% afirmam ter alto envolvimento com a Copa do Mundo e 69% ainda consideram o Brasil o “país do futebol”. Para a especialista em inteligência socioemocional, Núria Santos, esse comportamento revela uma mudança na forma de construir pertencimento. “A geração Z não construiu sua relação com a Copa apenas por meio dos títulos, mas pela experiência emocional e social que o evento proporciona. O pertencimento não depende somente da vitória. Ele também nasce da possibilidade de viver uma experiência em conjunto”. Se os mais jovens mantêm o entusiasmo por diversas outras razões, os millennials convivem com um sentimento diferente. Cresceram sob a memória do pentacampeonato de 2002, mas acumularam eliminações traumáticas nas Copas seguintes. Segundo Núria, isso faz com que muitos desenvolvam mecanismos inconscientes de autoproteção. “Quando uma frustração se repete, o sistema emocional cria mecanismos de proteção. A pessoa diminui a expectativa e tenta se convencer de que o resultado já não importa tanto. O problema é que, ao tentar evitar a frustração, também pode diminuir sua capacidade de viver a esperança e o entusiasmo”, explica. Esse comportamento aparece em frases como “já sabia que ia perder” ou “não vou criar expectativa”. Para a especialista, mais do que uma análise racional do futebol, elas podem esconder o receio de acreditar novamente. “O risco é transformar a autoproteção em afastamento. Quando a pessoa tenta controlar totalmente a possibilidade de sofrer, também reduz a possibilidade de se envolver, celebrar e compartilhar”. Entre os integrantes da geração X, que testemunharam os títulos de 1994 e 2002, o impacto é ainda mais simbólico. “A Seleção representava vitória, criatividade, alegria e protagonismo. Não era apenas uma equipe de futebol. Era um símbolo de como o Brasil se apresentava ao mundo”, observa Núria. Ela afirma que as eliminações sucessivas produzem um luto simbólico. “Quando uma pessoa diz que antigamente era diferente, talvez não esteja falando apenas do futebol, mas da maneira como se sentia naquele período e da confiança que aquele time despertava”. Apesar do desgaste, a especialista acredita que o elo entre brasileiros e Seleção ainda pode ser reconstruído. Para isso, o caminho vai além de um eventual hexacampeonato. “A confiança não é reconstruída por um único acontecimento. A Seleção precisa voltar a gerar identificação. O torcedor precisa perceber entrega, verdade, responsabilidade e conexão com o país”, conclui.
21% dos jovens praticam atividades fora das telas nas férias escolares

Com o início das férias escolares e sem a rotina de aulas, é comum que os jovens passem mais tempo em frente às telas, sendo um desafio para os pais. Dados do Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade de Adolescentes Brasileiros na Internet, realizado pelo ChildFund, revelam que apenas 21% dos adolescentes praticam atividades de lazer e recreação fora das telas regularmente. De acordo com o Data Reportal, os brasileiros passam, em média, 9 horas e 32 minutos por dia em frente às telas, somando o uso de celulares, computadores, tablets e outros dispositivos eletrônicos. Entre crianças e adolescentes, esse tempo tende a aumentar durante o período de descanso escolar. O pediatra Mauro Almeida ressalta que esse dado preocupa, porque as férias deveriam ser um período de maior movimento, convivência e desenvolvimento. “O excesso de tempo em frente às telas está associado ao aumento do sedentarismo, ganho de peso, piora do condicionamento físico, alterações no sono, ansiedade e redução das interações sociais, fatores que impactam diretamente a saúde física e emocional”. Segundo Almeida, a atividade física fortalece ossos e músculos, melhora a saúde cardiovascular, ajuda no controle do peso, reduz o risco de doenças futuras e contribui para o desenvolvimento motor. Também melhora o humor, a autoestima, a concentração, a qualidade do sono e favorece a socialização. As férias são uma excelente oportunidade para criar memórias e hábitos positivos, destaca o pediatra. “Vale incentivar brincadeiras ao ar livre, passeios em família, prática de esportes, horários regulares para dormir, alimentação equilibrada e momentos de convivência longe das telas”. “O equilíbrio é a melhor estratégia. Quanto mais oportunidades oferecemos para que o jovem se movimente, explore o ambiente e interaja com outras pessoas, maiores são os benefícios para seu desenvolvimento e sua saúde ao longo da vida”, acrescenta. Limite de telas O profissional cita alguns sinais que podem indicar que uma criança está passando tempo excessivo em frente às telas. “Irritabilidade quando precisa interromper o uso, perda de interesse por brincadeiras e atividades ao ar livre, alterações no sono, queda no rendimento escolar, redução da interação com familiares e amigos e diminuição da prática de atividades físicas”. Ele afirma que o ideal é estabelecer limites claros para o tempo de tela e criar uma rotina. “Os pais também devem dar o exemplo, e incentivar atividades sem dispositivos eletrônicos. Quando a criança encontra opções interessantes fora desses aparelhos, esse equilíbrio acontece de forma mais natural”. Incentivo ao esporte O professor de educação física do Colégio Marista Nossa Senhora da Penha, Maique Vinicius Riguête Ribeiro, explica que uma boa forma de incentivar as crianças à prática do esporte é através das referências familiares. “Se a família assiste futebol, escolha o futebol; se gostam de piscina, atividade de natação; ou se curtem paisagem, uma atividade de circuito, ciclismo ou caminhada. O importante é se movimentar”. “O exercício deve desafiar, exigir criatividade, ser lúdico e prender a atenção desse público. A atividade física deve dar liberdade e possibilidade de explorar os limites do corpo e expressar as emoções contidas. Brincadeiras tradicionais podem ser uma alternativa, como pular corda, esconde-esconde, andar de bicicleta, patins, skate, jogar bola, bolinha de gude, soltar pipa, entre outras”, complementa. O esporte não é apenas um passatempo, é promoção de saúde física e mental, esclarece o professor. “Ajuda no funcionamento do corpo e na melhora do aprendizado acadêmico. Ao realizarem a atividade física regularmente, os jovens controlam a ansiedade, aprendem a explorar os detalhes e o processo de socialização começa a ser mais fácil de ser vivido”.
Brasileiros viajam mais para poder vivenciar experiências esportivas

O turismo de bem-estar (15%) e o turismo esportivo (14%) figuram entre as modalidades mais desejadas para as próximas viagens, conforme levantamento do Ministério do Turismo, em parceria com a Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados. Uma pesquisa recente da Maximum Boxing, empresa especializada em equipamentos para esportes de combate, reforça essa tendência ao apontar que o esporte tem se tornado um dos principais motivadores de viagem. Segundo o estudo, 54,8% dos entrevistados afirmam que viajar para assistir a eventos e competições ao vivo é hoje o principal motivo na escolha de um destino. Para o antropólogo do esporte Rafael Muniz, esse movimento reflete uma transformação cultural mais ampla. “O esporte deixou de ser apenas um espetáculo passivo consumido pela televisão e se tornou uma experiência imersiva. As pessoas querem estar presentes, sentir o ambiente do estádio, viajar junto com o evento e fazer parte da narrativa esportiva. Essa mudança também está associada ao crescimento das redes sociais e à valorização de experiências compartilháveis, que tornam o ato de assistir a um evento ao vivo ainda mais desejado”. Além disso, o estudo revela que esse interesse não se limita apenas ao papel de espectador. Cerca de 46,6% dos brasileiros demonstram vontade de viajar para praticar atividades esportivas, seja em destinos voltados para hobbies como surfe, trilhas e ciclismo (30,6%), seja para participar de provas e competições, como maratonas e torneios (16%). A consultora em mercado esportivo e bem-estar, Rosângela Oliveira, avalia que esse comportamento tem impacto direto na economia do turismo. “Estamos vendo a formação de um consumidor que não apenas assiste ao esporte, mas o incorpora ao seu estilo de vida. Isso movimenta setores como hotelaria, alimentação, transporte e também a indústria de equipamentos esportivos. É um ciclo econômico bastante robusto. Destinos turísticos que oferecem infraestrutura para esportes ao ar livre ou eventos de grande porte tendem a se tornar mais competitivos no mercado global”, ressalta. Outro ponto destacado pela pesquisa é o papel da influência social e digital nesse cenário. Segundo os dados, 22% dos entrevistados são motivados por ídolos esportivos, atletas e criadores de conteúdo. Já 16,4% associam suas viagens à busca por bem-estar, recuperação física e equilíbrio mental, enquanto 11,8% têm interesse em participar de cursos, workshops e formações esportivas durante suas viagens. Esse conjunto de motivações revela que o turismo esportivo se fragmenta em diferentes camadas de experiência, indo desde o entretenimento até o desenvolvimento pessoal. Para Muniz, o crescimento dessa tendência também está ligado à profissionalização do esporte amador. “As pessoas estão treinando mais, se informando e levando o esporte com seriedade, mesmo em nível recreativo. Isso faz com que elas busquem eventos, competições e até viagens específicas para melhorar seu desempenho ou simplesmente viver o esporte de forma mais intensa”. O futebol segue como o esporte mais popular entre os brasileiros e o principal motivador de viagens ligadas ao universo esportivo, impulsionado por grandes competições internacionais e eventos como a Copa do Mundo. Ainda assim, o interesse dos viajantes vai além das arquibancadas e envolve diferentes formas de vivenciar o esporte durante as viagens. Na sequência, destacam-se os esportes de combate, como boxe, MMA e muay thai, que crescem por oferecer experiências mais imersivas. Nesse segmento, 58,6% dos interessados querem assistir a grandes eventos ao vivo, 36,8% desejam conhecer destinos referência, como a Tailândia no muay thai, e 23,4% buscam proximidade com atletas e ídolos das modalidades. Os especialistas apontam ainda que o avanço dessa tendência deve se intensificar nos próximos anos, impulsionado pela expansão de eventos internacionais, pelo crescimento das corridas de rua, maratonas e competições amadoras, além da popularização de modalidades como ciclismo, surfe e esportes de aventura. Ao mesmo tempo, cresce a percepção de que viajar deixou de ser apenas uma forma de descanso e passou a ser também uma oportunidade de vivência ativa.
Copa do Mundo ainda resiste como fenômeno global de atenção

Em um cenário de atenção fragmentada por plataformas digitais e algoritmos, a Copa do Mundo ainda resiste como um dos últimos grandes fenômenos de comunicação de massa da contemporaneidade. A leitura é do especialista em comunicação estratégica Wagner Batizelli, para quem o torneio continua sendo capaz de sincronizar bilhões de pessoas em torno de uma mesma narrativa global, algo cada vez mais raro na economia da atenção. Para o especialista, essa centralidade não é acidental. Ela nasce da própria arquitetura do evento e da forma como ele impõe urgência ao consumo. “A Copa opera na lógica da escassez e da urgência. Em um mundo sob demanda, ela obriga o público a assistir ao vivo para participar da conversa”, afirma. O ciclo de quatro anos, segundo ele, intensifica a expectativa coletiva e amplia o caráter excepcional da competição. Além da temporalidade, Batizelli destaca o poder narrativo do torneio. “A Copa é perfeitamente desenhada para o melodrama: há risco alto, prazo curto, heróis instantâneos e vilões dramáticos. Isso conecta qualquer cultura”. Mesmo quem não acompanha o esporte acaba inserido na dinâmica do evento. Para Batizelli, isso ocorre porque a experiência foi expandida para além do campo. “A comunicação digital transformou a Copa em um reality show global interativo. A bola virou pano de fundo para uma grande engrenagem de entretenimento”. Segundo Batizelli, essa expansão se intensifica nas redes sociais, onde o consumo se tornou simultaneamente coletivo e participativo. “O jogo é só metade do espetáculo. A outra metade acontece nas redes, com memes, reações e comentários em tempo real. O público deixou de assistir e passou a produzir a própria versão da Copa”. Nesse ambiente, a figura do torcedor também se transforma. A mediação tradicional dá lugar a uma experiência distribuída entre múltiplas telas e vozes. “O meme virou a tradução imediata do sentimento coletivo. Em segundos, uma jogada vira linguagem global”, afirma o especialista, ao destacar o papel dos influenciadores na humanização da cobertura. O fenômeno, no entanto, exige equilíbrio. Batizelli destaca que a mesma força que constrói pertencimento pode alimentar antagonismos. “O pertencimento é positivo quando celebra a diversidade. O problema surge quando o rival vira inimigo. O antagonismo precisa morrer no apito final”. Ele avalia que a disputa por visibilidade durante o torneio também revela seu peso econômico e simbólico. Marcas, governos e veículos entram em uma corrida por relevância. “Ficar de fora da Copa é aceitar a invisibilidade por um mês. É uma disputa pela memória afetiva das pessoas”. No centro dessa dinâmica, a Copa do Mundo segue demonstrando sua singularidade como plataforma global de atenção compartilhada. Para Batizelli, seu maior valor está justamente na capacidade de suspender a fragmentação contemporânea, ainda que temporariamente, e recolocar milhões de pessoas diante de uma mesma história. “As pessoas não se engajam com dados ou produtos. Elas se engajam com histórias humanas e com a sensação de fazer parte de algo maior”, finaliza.
Sete Lagoas sedia a terceira edição do Javaporco Adventure em julho

A terceira edição do Javaporco Adventure será realizada entre os dias 3 e 5 de julho, no Parque de Exposições JK, em Sete Lagoas, na Região Central de Minas, reunindo provas off-road, atividades esportivas e programação aberta ao público. O evento terá cursos, palestras, apresentações artísticas e modalidades como enduro de regularidade de motos, rally, passeios e trilhas 4×4, expedições em UTVs, mountain bike, corrida noturna e aulão de muay thai. A expectativa é reunir entre 400 e 600 atletas nas diferentes modalidades. Além disso, a previsão é de um público aproximado de 2 mil pessoas por dia durante a programação. O idealizador e membro da comissão, Gustavo Figueiredo, esclarece que desde o início, o Javaporco Adventure foi pensado para toda a família e não apenas para os competidores. “O evento terá palestras sobre condução 4×4, nutricionista esportiva, curso de navegação para modalidades de regularidade, entre outras atividades abertas ao público. Também haverá feira de artesanato, exposições, comercialização de produtos da agricultura local e espaço kids”. Figueiredo destaca ainda que Sete Lagoas possui uma tradição muito forte nos esportes off-road e motorizados. “A cidade já recebeu várias provas esportivas nas últimas décadas, e o Javaporco Adventure nasceu com o intuito de ajudar a resgatar essa tradição”. Além de ter Sete Lagoas como sede principal, o evento também se estende por municípios vizinhos, fortalecendo a integração regional, afirma o idealizador. “As provas e expedições passam por cidades como Cordisburgo, Capim Branco, Araçaí, Caetanópolis, Paraopeba e pela região de Fechados”. Histórico O Javaporco Adventure nasceu inicialmente como uma prova de Enduro de Regularidade, em 2019. O nome do evento surgiu porque a competição seria realizada na região de Capim Branco, onde já havia registros frequentes de javalis e javaporcos. A primeira edição integrou a Copa Centro-Norte Mineira de Enduro de Regularidade e reuniu cerca de 100 participantes, marcando o início da trajetória do projeto. Paixão pelo esporte O esportista e professor, André Júlio Costa, explica que a relação com a regularidade, não apenas de um esporte específico, mas da modalidade, começou muito cedo. “Meu pai foi praticante de enduro de moto nos anos 1980, justamente em uma época em que a modalidade começava a se consolidar no Brasil. Cresci acompanhando esse universo e, naturalmente, desenvolvi uma paixão pela regularidade”. Costa vai praticar o Rally de Regularidade 4×4 e Big Trail de Regularidade, e conta que desde 2003 passou a viver a experiência como piloto. “Ao longo desse período, acompanhei mudanças na tecnologia, nos equipamentos e na forma de navegar, mas a essência da modalidade continua a mesma: a combinação entre estratégia, navegação, concentração e controle. É justamente essa essência que me mantém conectado à regularidade até hoje”. Para o esportista, o que o motiva a participar de uma prova é a organização do evento. “Estamos falando de uma modalidade em que a apuração, o levantamento do percurso, a conferência dos resultados e a própria construção da prova exigem conhecimento técnico e muita seriedade”. “Por isso, é importante que o organizador entenda profundamente a modalidade. No caso do Javaporco Adventure, tanto a prova de 4×4 quanto a de moto estão nas mãos de pessoas já consolidadas, profissionais que possuem experiência. Isso transmite segurança para quem vai competir”, ressalta. Competições oficiais Segundo Figueiredo, o evento terá ainda modalidades válidas para competições oficiais do calendário esportivo estadual e regional. “No segmento 4×4, o Rally MG é válido pelo Campeonato Mineiro de Rally de Regularidade 4×4. Já no motociclismo, o Enduro de Regularidade será a etapa final da Copa Sertão Mineiro de Enduro de Regularidade”. “Queremos contribuir para o fortalecimento da imagem de Sete Lagoas como um destino de turismo esportivo e de aventura. Além de mostrar que o esporte, turismo, desenvolvimento e preservação ambiental podem caminhar juntos quando existe planejamento, responsabilidade e compromisso com o futuro”, finaliza. Os interessados podem obter mais informações e realizar as inscrições pelo site: javaporcoadventure.com.br.
Como preservar músculos com o avançar da idade

A partir dos 30 anos, o corpo humano inicia um processo gradual de mudanças fisiológicas que, embora naturais, costumam ser percebidas de forma mais evidente ao longo das décadas seguintes. Entre as alterações mais discutidas por especialistas estão a perda progressiva de massa muscular e a redução da eficiência metabólica, fatores que influenciam diretamente a força, a disposição e a composição corporal. Pesquisadores da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP indicam que esse declínio muscular pode variar entre 3% e 8% a partir dos 30 anos, com aceleração significativa após os 60 anos. O estudo também sugere que o aumento do volume de treinamento pode ajudar a reduzir a falta de resposta ao exercício em pessoas idosas, reforçando a importância da atividade física estruturada ao longo da vida. Esse processo, segundo especialistas, está relacionado a múltiplos fatores biológicos. Dentre eles, destacam-se a diminuição natural da produção de hormônios anabólicos, como testosterona, estrogênio e hormônio do crescimento, além da redução da síntese proteica muscular, que é a capacidade do organismo de reparar e construir tecido muscular. Com o passar do tempo, também ocorre uma perda progressiva de unidades motoras, estruturas responsáveis pela ativação das fibras musculares, o que contribui para a redução de força e desempenho físico. Paralelamente, o metabolismo tende a ficar mais lento não apenas pela idade em si, mas principalmente pela diminuição da massa muscular, já que músculos são tecidos ativos e consomem energia mesmo em repouso. O educador físico Ricardo Menezes explica que esse processo começa de forma silenciosa e muitas vezes passa despercebido no dia a dia. “A partir dos 30 anos, o corpo já não tem a mesma eficiência na recuperação e manutenção muscular. Isso não significa que a perda de massa seja inevitável ou rápida, mas sim que existe uma tendência biológica que pode ser acelerada pelo sedentarismo, pela má alimentação e pelo estresse crônico. Quando a pessoa não treina força, essa perda tende a ser muito mais evidente ao longo dos anos”. Outro fator importante é a mudança no estilo de vida moderno, que reduz o nível de atividade física espontânea. “Hoje, muitas pessoas passam horas sentadas, o que reduz ainda mais o estímulo muscular necessário para manter a massa magra. O corpo funciona por demanda, se não há estímulo, ele economiza energia e reduz tecido muscular”. Além do impacto fisiológico, essas mudanças também influenciam diretamente a saúde metabólica. Com menos massa muscular, o organismo passa a gastar menos energia ao longo do dia, o que pode favorecer o acúmulo de gordura, sobretudo quando a alimentação não acompanha as novas necessidades do corpo. A fisiologista Carla Menezes destaca que é possível intervir positivamente nesse processo por meio de estratégias consistentes de treino e alimentação. “O envelhecimento não deve ser visto como sinônimo de perda inevitável de qualidade de vida. Quando estimulamos o músculo de forma adequada, especialmente com treino de força, conseguimos não só preservar, mas também recuperar massa muscular em diferentes idades. Isso melhora a força, a autonomia e também o metabolismo”. Ela acrescenta que a combinação de exercícios de força com atividades aeróbicas é uma das abordagens mais completas. “O treino de força atua diretamente na manutenção da massa magra, enquanto o aeróbico contribui para a saúde cardiovascular e o gasto calórico. Juntos, formam uma estratégia extremamente eficiente para o envelhecimento saudável”. De acordo com Carla, a alimentação também desempenha papel central nesse processo. A ingestão adequada de proteínas, aliada a um consumo equilibrado de carboidratos e gorduras saudáveis, ajuda a sustentar a síntese muscular e fornece energia para o treino. “Muitas pessoas subestimam a importância da proteína na maturidade. Ela é essencial para reparar microlesões musculares causadas pelo exercício e para manter o tecido ativo. Sem isso, o corpo tende a perder massa mais rapidamente”. Alguns hábitos como sono de qualidade, controle do estresse e regularidade na prática de exercícios são apontados como fundamentais para manter o metabolismo mais ativo e preservar a saúde ao longo dos anos.
Xadrez une aprendizado e desenvolvimento emocional

Muito além de um jogo de estratégia, o xadrez vem se consolidando como uma importante ferramenta para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social de crianças e adolescentes. Em escolas e projetos sociais, a prática tem ajudado alunos a aprimorar habilidades como concentração, memória, raciocínio lógico, autocontrole, além de contribuir para a redução da ansiedade e melhora da convivência social. No Instituto Ramacrisna, em Betim, o xadrez integra as atividades do Centro de Apoio Educacional Ramacrisna (CAER) e já apresenta impactos positivos na rotina dos estudantes. Durante as aulas, crianças e adolescentes aprendem não apenas os movimentos das peças, mas também valores ligados à disciplina, paciência e responsabilidade. Segundo a psicóloga do Instituto, Jéssica Tauane, o esporte estimula áreas importantes do cérebro relacionadas às funções cognitivas e emocionais. “O xadrez trabalha no desenvolvimento cognitivo e emocional. Ele ajuda a exercitar atenção, concentração, memória, planejamento e tomada de decisões. Como essas funções estão ligadas ao córtex pré-frontal, que também é responsável pelo controle emocional, o jogo contribui para essas questões”. Ela destaca ainda que o jogo ajuda crianças e adolescentes a lidarem melhor com frustrações e impulsos. “O xadrez ensina a ter paciência, controlar impulsos, obter autocontrole e entender que erros fazem parte do processo”. Em uma época marcada pelo excesso de telas e estímulos rápidos, atividades que exigem concentração e reflexão ganham ainda mais relevância. Para Jéssica, o xadrez funciona quase como um contraponto à dinâmica acelerada das redes sociais e vídeos curtos consumidos diariamente pelos jovens. “O excesso de telas acelera muito as crianças e adolescentes, aumentando sintomas de ansiedade. O xadrez é totalmente ao contrário disso. Durante o jogo, a criança precisa pensar antes de agir, prever consequências e criar estratégias. Isso exige paciência e ajuda muito no controle da ansiedade”, complementa. Os reflexos positivos também são percebidos dentro da sala de aula. O professor de xadrez Bruno Jacomini afirma que a prática é capaz de melhorar significativamente a concentração e o comportamento dos alunos. “Para vencer no xadrez, o enxadrista precisa desenvolver foco, respeitar regras e pensar antes de agir. Isso acaba refletindo também em outros aspectos da vida”. De acordo com o professor, cada partida estimula habilidades importantes para o desenvolvimento intelectual. “Durante o jogo, é necessário analisar o contexto, prever consequências e tomar decisões a cada lance. Isso desenvolve raciocínio lógico, planejamento estratégico e capacidade de resolver problemas”. Além dos ganhos cognitivos, o esporte também favorece a socialização, especialmente entre crianças mais tímidas. A psicóloga explica que o xadrez permite uma interação gradual, sem a pressão comum em esportes coletivos. “É um jogo individual, mas você lida com o adversário. Para crianças mais reservadas, é um espaço interessante porque existe interação social, mas de forma mais tranquila”. Jacomini reforça que o ambiente das aulas e torneios favorece a inclusão. “O xadrez aproxima alunos de diferentes perfis e incentiva respeito, convivência e cooperação. Aqueles que são tímidos conseguem ganhar mais confiança e interação social por meio do jogo”. O impacto positivo da modalidade pode acompanhar os estudantes por toda a vida. “O xadrez trabalha habilidades como planejamento, autocontrole e análise de consequências desde a infância. Isso reflete na adolescência e na vida adulta, principalmente na forma de lidar com decisões e conflitos”, conclui Jéssica.