Esporte como inclusão social

São 17 modalidades esportivas para contribuir com pessoas deficientes através do Projeto Superar, comandado pela Secretaria Municipal de Esportes e Lazer da Prefeitura de Belo Horizonte. O objetivo do programa é promover a inclusão social por meio do esporte, provando que os portadores de condições especiais são capazes. Nas diferentes unidades, o programa atende de forma gratuita uma média de mil alunos com deficiência física, visual, intelectual, auditiva e autismo. São oferecidas diversas atividades, como iniciação esportiva, atletismo, basquetebol, bocha regular, bocha paralímpica, dança, futsal, goalball, judô, natação, rúgbi em cadeira de rodas, tênis de mesa, voleibol, voleibol sentado, patinação, funcional e percussão. O gerente de paradesporto e responsável do Projeto Superar, Marcelo Mendes, comenta que os centros esportivos para as pessoas com deficiência existem desde 2003, mas, ao longo dos anos se tornaram referência no estrangeiro, com visitas frequentes de órgãos internacionais. Para participar do programa, a criança carece de ter idade superior a seis anos e apresentar laudo de deficiência. Quanto à efetivação da matrícula, precisa haver vagas disponíveis. Na avaliação do gerente, além das atividades atinentes ao Projeto Superar, há uma preponderante contribuição também na inserção social e autonomia dos alunos. Estudos constatam que as atividades físicas são muito importantes para essa concepção. Pelo que se sabe, até agora essa estrutura está sob os auspícios da municipalidade da capital, com orçamento público limitado. Seria conveniente uma maior divulgação do certame, porque contribuiria para ser observado também pela iniciativa privada, com a possibilidade de ampliar o número de atendimentos. Ainda existem grandes empresários dispostos a investirem no social. Eis o preâmbulo de oportunidade para uma atuação conjunta entre poder público e iniciativa privada, bastando alguns ajustes da lei, que poderia ser feito através de regulamentação a partir da Câmara Municipal.

Ainda sobre o Anel Rodoviário

O anunciado projeto de melhoria de infraestrutura no Anel Rodoviário, agora sob a responsabilidade da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), está acontecendo sem impacto proeminente perante a opinião pública, especialmente para quem trafega naquele espaço. Está prestes a completar um ano que o governo federal transferiu a gestão para a PBH. O combinado era encontrar uma solução para minimizar os gigantescos engarrafamentos, além de melhoria da via para reduzir os milhares de acidentes. As ocorrências com acidentes fatais continuam. Neste sentido, vale indagar: o governo brasileiro, através do Ministério dos Transportes, efetivamente alocou os recursos de R$ 120 milhões ao município de BH? Pelo que se percebe, sem o aporte financeiro de Brasília, a administração local não terá condições de implementar todas as obras de infraestrutura necessárias para o aludido projeto. Pode até ser que esteja acontecendo algo não bem nítido, pois quem usa a via percebe mudanças na sinalização e na pintura de faixas, porém, são obras simples que não resolvem a demanda, como a construção de alças, aumento da extensão de passarelas e viadutos, indenizações e remoção de pessoas que continuam morando à margem da estrada. O essencial do projeto continua sendo apenas rememorado, sem começar a sua efetiva execução. Quando instado a refletir sobre essa situação, o prefeito Álvaro Damião (União Brasil) considera ter sido acertada a transferência da administração do trecho do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para a PBH. Segundo sua avaliação, o local deixará de ser Anel Rodoviário para ser uma avenida de trânsito rápido. Tomara que o chefe do Executivo esteja certo, porque a população está descrente com tantas promessas ao longo de três décadas. Segundo dados oficiais, em seus 21 quilômetros de extensão, o referido Anel Rodoviário concebe a interligação das BRs 040, 262 e 381. As estatísticas apontam para um movimento médio de 100 mil veículos por dia. Nem precisa dizer do impacto no cotidiano do belo-horizontino. Vale mensurar o desgaste físico e psicológico dos motoristas, especialmente nos horários de pico, com seus muitos quilômetros de trânsito lento e engarrafamentos constantes. Esse assunto nunca deverá cair no esquecimento. A imprensa carece de abordar o tema para as promessas em favor da população da capital mineira saírem do papel.

Candidaturas sem consistência

No momento, a pauta no mundo político é sobre a sucessão ao Governo de Minas, onde há muitas especulações e poucos projetos concretos. Embora o mineiro seja avaliado no cenário nacional como formador de opinião perante aos demais estados da federação, tudo está truncado por conta da polarização partidária, posicionando em lados opostos pré-candidatos da direita e esquerda. Segundo avaliam os cientistas políticos, um embate levado a efeito muito em função das redes sociais. Devido ao ambiente cibernético, as discussões passaram a fazer parte de um gueto on-line, sem a participação mais ostensiva de pessoas e lideranças, cujas conversas podem influenciar o pleito nas grandes e pequenas cidades do Estado. Atualmente, são montadas estratégias na caminhada rumo ao Palácio Tiradentes. Segundo se comenta nos bastidores da Assembleia Legislativa, são candidaturas centradas em movimentos frágeis, uma espécie de castelo montado em areia movediça e sem estrutura plausível. É bem verdade que o atual governador Mateus Simões (PSD), antes mesmo de assumir o cargo, já se postava como candidato e agora não esconde a pretensão de ser reeleito. As vantagens de ter a caneta em mãos são poucas diante da falta de popularidade, onde o chefe do Executivo aparece mal avaliado nas pesquisas de opinião. A ideia de seus assessores, visando implementar o denominado Governo Itinerante, por enquanto tem sido uma alternativa insossa. Por todos os títulos, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) é apontado como protagonista, com índices de aprovação acima dos demais nomes interessados no assunto. No entanto, não tem transmitido firmeza para o público em geral quando é indagado sobre ser candidato na peleja deste ano. Usa sempre o efeito “sanfona”, categorizando uma indefinição incomensurável. Relativamente ao senador Rodrigo Pacheco (PSB), a interrogação é enorme. Aliados não sabem mais o que explicar a respeito da decisão do político no tangente ao evento eleitoral deste ano. Uma indefinição que pode levá-lo a encontrar dificuldade para “juntar” as peças necessárias na formatação de um mosaico, com o fito de conquistar uma campanha vitoriosa. Entre o denominado grupo intermediário, o ex- -prefeito Alexandre Kalil (PDT) tem usado as redes sociais para disseminar as suas ideias. Na avaliação dos matemáticos da política mineira, sua atuação isolada ainda não conquistou apoios para contribuir com seu projeto de poder. Do outro lado, surge o discurso do candidato Gabriel Azevedo (MDB), defendendo uma conexão com o eleitor jovem. Mas o espaço para isso pode minguar, especialmente se Cleitinho entrar no páreo.

Reestruturação de BH

Um número que assustou os belo-horizontinos: nos dois primeiros meses deste ano, a cidade registrou a mórbida marca de 13 mil acidentes de trânsito, muitos deles com vítimas fatais. Essa é a moldura de uma capital onde as obras estruturantes nunca saem do planejamento. A realidade se complicou nas últimas décadas, sem as intervenções para minorar os problemas, o drama se alastra para quem se vê obrigado a enfrentar essa caótica situação. Claro que existe também a imprudência por parte dos motoristas. Estatísticas alarmantes, divulgadas pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), destacam que a Avenida Cristiano Machado lidera as ocorrências. A via tem aproximadamente 11 km de extensão e registrou 596 colisões, com uma média de 10 por dia e três mortes. Inclusive, deixou para trás o famoso Anel Rodoviário, campeão de acidentes na cidade por anos a fio. Reportando a realidade dos fatos, o especialista em segurança viária, José Carlos Souza, vaticina que a Cristiano Machado funciona como corredor híbrido. “Ao mesmo tempo em que é via de trânsito rápido, ela também está inserida em uma área urbana densa, com cruzamentos frequentes, acessos comerciais e grande circulação de pedestres. Essa mistura reduz a previsibilidade do tráfego”. Outra opinião a ser levada em consideração é a da urbanista Fernanda Bastos. Ela analisa que a Avenida Cristiano Machado foi estruturada para priorizar a fluidez dos veículos, mas não acompanhou de forma adequada o crescimento populacional e a expansão de atividades comerciais ao longo do seu eixo. “Há uma disputa intensa entre carros, ônibus, motocicletas e pedestres, sem que a infraestrutura tenha sido totalmente adaptada”. Os especialistas sugerem medidas práticas, com a implementação de dispositivos para redução de velocidade e reforço na fiscalização eletrônica, não somente na Cristiano Machado, mas também na Antônio Carlos e no Anel Rodoviário. Este é um desafio a ser direcionado ao prefeito de BH, Álvaro Damião (União Brasil). Ele carece de reestruturar a cidade para evitar que as principais vias de acesso ao Centro se transformem em um permanente pesadelo para quem almeja circular por esses espaços. Para buscar um horizonte límpido para o dilema, a administração precisa fazer investimentos substanciais, inclusive com a participação do Estado e do governo federal.

Terceira vaga no TCE-MG

A eleição do atual presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB), para o cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) trouxe uma notória calmaria nos bastidores da Casa Legislativa. Isso porque a votação do aludido pleito aconteceu de forma unânime, demonstrando que o parlamentar uniu todas as correntes, quando da definição de seu nome para o posto. Em verdade, não se fala ainda no assunto atinente à posse de Tadeu no Conselho, mas pelas informações extraoficiais, isso só deverá ocorrer no final de dezembro deste ano, quando concluído o processo eleitoral para cargos do Executivo e do próprio Legislativo, na peleja de 2026. O tema relativamente à definição de mais um nome para a denominada terceira vaga já provoca um certo nível de tensão nos meandros da Assembleia Legislativa. Uma nova lista de pretendentes já circula com imensa profusão, na tentativa de saber quem é o preferido pelos pares para ocupar um dos cargos mais cobiçados das instâncias do poder em Minas Gerais, pois se trata de uma nomeação vitalícia, com aposentadoria apenas quando o escolhido completa 75 anos. Daí, a resistência dos parlamentares em definir um nome que não esteja na faixa etária dos 60 anos. No caso de Tadeu houve uma exceção, já que o parlamentar tem 40 anos. Para quem conhece bem o embate nesse tipo de circunstância, o tema está em aberto, pois são somente especulações e conjecturas. Na semana passada, uma situação foi revelada, referente a uma articulação para encaminhar o atual deputado e ex-presidente da Casa, Adalclever Lopes. Os defensores dessa proposta de candidatura têm pressa, pois caso isso não se resolva até o meio do ano, Lopes terá de disputar a reeleição para mais um mandato. E neste roteiro eleitoral, tudo pode acontecer, inclusive o infortúnio da sua não continuidade como representante do povo mineiro. Outro nome tido como prestigiado pelos seus pares é o do deputado Thiago Cota. Mas, desta feita, ocorre o contrário. Seus opositores ironizam: “ele conseguiu apoio de setores produtivos de Minas para alavancar o seu projeto, porém, a ajuda externa em nada adiantou, e hoje, essa pretensão se revela desidratada”. As insinuações elencadas no limiar de 2026 continuam. Por exemplo, a parlamentar Ione Pinheiro continua categorizando: “eu mereço ser eleita Conselheira, por ser uma mulher a participar da Corte de Contas”. O deputado Tito Torres já tem o prestígio de seu pai, Mauri Torres, o ex-conselheiro. O deputado João Magalhães é o líder do Governo e sua indicação também agradaria ao Palácio Tiradentes.

A guerra também é nossa

Paralelo ao conflito Irã, Estados Unidos e Israel, forjou-se nas escamas inferiores do episódio, uma guerra de narrativa ao estilo da época do nazismo, na Alemanha, onde a propaganda era mais eficiente do que propriamente as ações dos embates bélicos. Na batalha de agora, as redes sociais propagam coisas que nem sempre condizem com a realidade dos fatos. Até porque, a inteligência artificial pode distorcer as informações verídicas a respeito do conflito armado. Criam-se imagens fictícias, enquanto pessoas morrem nos campos da batalha. O brasileiro não gosta muito de se ater a temas internacionais, possivelmente por entender que o certame acontece a milhares de quilômetros do Brasil. Só que todos estão sofrendo os efeitos da aludida guerra, por conta do aumento dos preços, especialmente dos combustíveis. Lamentavelmente, vale dizer que esse conflito bélico também passou a ser nosso. Analistas falam em impactos na economia brasileira, com gradual majoração dos percentuais da inflação. Não carece ser matemático e estudioso no assunto para constatar que o aumento causa impacto nas gôndolas dos supermercados, afetando a camada menos abastada da população. No país dos caminhoneiros, cuja categoria transporta quase 100% da produção de grãos e alimentos, a disparada do preço do diesel é central na composição do custo, trazendo reflexo imediato no bolso de todos. Resta esperar pelo bom senso dos governantes para minimizar a contenda. Parece ser acertada a medida do governo federal de subsidiar parte do preço do diesel, como forma de evitar o repasse aos consumidores/motoristas dos valores concebidos pelo mercado internacional. É claro que algo deve ser feito, mas é necessário o envolvimento dos agentes públicos de maneira mais tenaz, como aumentar a linha de produção do petróleo em terras brasileiras, se valendo da expertise da Petrobras. Isso poderia diminuir a dependência internacional referente ao impacto de combustíveis. Até mesmo com relação ao melhoramento dos aspectos atinentes à soberania de nossa nação. Aos pobres mortais brasileiros, resta almejar pelo desfecho rápido dessa escalada bélica que só traz violência, morte e desassossego.

Obras da Vale ou do governo?

O fatídico desabamento da Barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho, em 2019, certamente provocou traumas em mais de 200 famílias, que perderam as vidas de seus parentes e amigos. Propala-se que foi o maior desastre ecológico de todos os tempos, deixando marcas também no meio ambiente, diante da poluição do lençol freático da região, especialmente junto à comunidade local. Na sequência aos acontecimentos, a Vale, empresa responsável pelo complexo de então, fez um Acordo de Reparação com o Governo de Minas de R$ 37,6 bilhões. Os valores tinham como objetivo financiar reparos dos estragos provocados pelo derramamento de rejeito, mas grande parte do volume era para realizar obras de infraestrutura. Uma espécie de indenização ao governo mineiro, pelos atos emergenciais após a tragédia, com envolvimento de diversos profissionais que por meses a fio se dedicaram a atender aos envolvidos no episódio. Pelo contrato elaborado entre as partes, as obras a serem tocadas pelo Poder Executivo mineiro deveriam conter a assinatura da mineradora como copatrocinadora dos feitos. Desde que começou a receber os valores, o então governador Romeu Zema (Novo) fez vista grossa, e propalou sobre diversas realizações como se estivessem ocorrendo por conta da injeção de recursos somente do Tesouro Estadual. De maneira mórbida de pensar, o desastre na Barragem Córrego do Feijão foi uma oportunidade para turbinar o caixa do Executivo estadual, que naquela época padecia de uma situação de penúria, com atrasos de pagamento a fornecedores e folha de pessoal. Com esse colchão financeiro aportado de maneira não ortodoxa, Zema teve a oportunidade de incrementar uma administração com o viés de bom pagador. De lá para cá, muitas foram as obras iniciadas e outras apenas projetadas. A polêmica atual gira em torno dos famosos e eleitoreiros Hospitais Regionais. Trata-se de um feito onde o poder público, ou apenas a instância estadual, se revela meramente tocador de obras, porém, todas levadas a efeito por conta do já mencionado Acordo de Reparação. Por não ser mais governador, Romeu Zema poderia deixar esse assunto de maneira mais límpida, para não ficar a impressão de ter havido um oportunismo público/administrativo às custas do sangue de vítimas fatais. O tema é polêmico, mas em um futuro não muito distante, será retratado pelos escritores e historiadores.

Queda no consumo de álcool

A juventude do século 21, certamente não está querendo se associar aos adolescentes de outrora, quando o consumo de álcool fazia parte da fantasia de um mundo colorido, cortejado por grande parte desse grupo. Para sustentar essa tese, uma pesquisa mostrou que 64% dos entrevistados entre 18 e 24 anos não ingeriram bebidas alcoólicas no ano passado. O resultado é positivo, levando em consideração que o percentual era de 46% em 2023. As informações são da pesquisa Ipsos-Ipec, encomendada pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) para a sétima edição da publicação “Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025”. Médicos especializados afiançam uma mudança de valores, visto que durante muito tempo o álcool teve um papel central na socialização, associado à ideia de se aproveitar a vida em festas e encontros frequentes. Só que no momento, os jovens têm cuidado mais da saúde mental e do próprio corpo. Eles priorizam a prática de atividades físicas, atenção à higiene e às horas de sono, além de alimentação equilibrada, preservando o caminho de uma vida mais saudável. Indubitavelmente, os jovens do passado, “viciados” em barzinhos, agora avaliam como importante aproveitar parte do seu tempo para também frequentar as academias. A conscientização sobre o consumo moderado do produto faz conexão com as avaliações médicas, constando uma mudança na cultura da sociabilização, deixando de lado o foco de encontros apenas para beber. Esse novo rumo para o cotidiano dessas pessoas certamente terá efeitos positivos no médio e longo prazo, impactando inclusive na saúde pública, diante da possibilidade de menos doenças relacionadas ao álcool. Como já dito, a nova filosofia proporciona um melhor estilo de vida, disseminando a chance de autocontrole e equilíbro emocional. Ainda sobre esse tema, tem a opinião da psicóloga clínica Karen Lourenço. Ela avalia que uma das explicações para essa queda de consumo está em uma mudança de valores entre gerações. Existe ainda uma preocupação maior com a própria imagem e com o desempenho pessoal, algo influenciado pelas redes sociais. Afinal, existe vida salutar para além desse abominável vício.

Zema e a política nacional

A decisão do governador Romeu Zema (Novo) de abdicar do cargo para tentar voos mais significativos na política nacional, efetivamente, é uma audácia que só cabe aos grandes nomes da vida pública. É salutar essa atitude do chefe do Executivo mineiro, pois isso deixa claro quanto a revitalização da democracia em nosso país. Tendo como base as pesquisas eleitorais realizadas por diversos institutos, a popularidade de Zema nunca alcançou mais de 9%. Essa realidade o deixa em desvantagem em relação aos demais postulantes à Presidência da República na peleja deste ano. Ele ficou atrás de outros pré-candidatos, como os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD); do Paraná, Ratinho Júnior (PSD); e de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). Sua excelência enveredou pelo viés ideológico, demonstrando conexão com a direita. Porém, esse caminho está congestionado, especialmente depois da decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL) em disponibilizar o seu nome para a peleja presidencial de 2026. Isso deixou o político mineiro sem apoio dos bolsonaristas, que foram fundamentais na eleição e reeleição do titular do Palácio Tiradentes. Ao propor esse projeto de envergadura nacional, ficou órfão dos eleitores do ex-presidente, cuja maioria está engajada na candidatura de Flávio, conforme demonstram as primeiras sondagens. Nos bastidores, há uma convicção insinuando ser a falta de ação de Zema, visando estabelecer uma aliança forte nos meandros políticos em Minas e no Brasil. Quis usar o seu jeito simples de atuar como chefe do Executivo estadual. Como sua administração não foi coroada de êxito do ponto de vista de realizações, a sua estratégia terminou por cair no vazio. Agora terá de arcar com as consequências. Quando o assunto é a disputa rumo ao Planalto, Flávio Bolsonaro e Lula (PT) são nomes com mais avaliação positiva. Zema está colhendo uma possível derrota eleitoral em sua própria Casa, se insistir em manter a empreitada rumo a Brasília. Em síntese, Romeu Zema lutou com todas as suas convicções, mas não se projetou como uma liderança forte no cenário político nacional. O pleito ainda está em aberto e o eminente governador pode reverter a sua situação desfavorável. É importante o eleitor de Minas ficar atento nesse jogo, cuja partida está apenas no seu pontapé inicial.

Transporte coletivo X Políticos

Especialistas ouvidos por nossa reportagem avaliam como positiva a possibilidade de implementação do Marco Legal do Transporte Público Coletivo no Brasil (PL 3.278/21), projeto que deve ser votado no Congresso Nacional nas próximas semanas. O tema deve incrementar os discursos políticos, especialmente do pré-candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). É o que consta nos bastidores em Brasília. Para além do interesse político, o advogado e conselheiro do Instituto Brasileiro de Estudos Técnicos Avançados (IBETA), Marcello Lauer, considera que o PL 3.278/21 tem em seu bojo uma espécie de oxigenação para o setor de transporte coletivo nacional, a partir da possibilidade de municípios utilizarem outras fontes de financiamento para ajudar a reduzir o custo das tarifas. Ele também avalia como positivo o debate sobre o tema, pois o Marco Legal exige critérios claros de transparência para reajustes tarifários. Concluindo o seu raciocínio, Marcello Lauer vaticina que a falta de transparência e de modelagem econômica ainda é um dos principais problemas dos sistemas de transporte no país. Sem muita convicção do que possa acontecer a partir do debate, o diretor-presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Francisco Christovam, opina que a proposta surge após anos de deterioração financeira dos sistemas de transporte coletivo. A situação ficou ainda mais complicada a partir da pandemia, com forte queda na arrecadação das empresas. Por todas essas razões, Francisco Christovam entende não ser mais possível continuar alimentando o atual sistema apenas com a tarifa paga pelos passageiros. É importante haver uma discussão mais completa no projeto a ser implementado, para estimular maior planejamento dos sistemas de transporte e revisão das redes de linhas, contratos e modelos operacionais. A sociedade deve se lembrar que o transporte coletivo sempre esteve na mira da imprensa, tanto em Belo Horizonte quanto no Brasil, como um dos feudos financiadores de políticos, especialmente de vereadores quando estão em campanha política. Agora que tudo está indo por água abaixo, os empresários querem dividir as mazelas com o poder público. Fiquemos todos de olhos bem abertos para evitar as investidas de espertalhões.