Religião e gastronomia

Desde 1958, o manto sagrado de Nossa Senhora da Piedade cobre o território de Minas Gerais como um todo, já que ela figura desde então como padroeira do nosso Estado, por uma decisão que emanou diretamente de Roma, à época. Para os devotos, seu santuário está localizado a 1.746 metros de altitude, um pouco antes da cidade de Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. E foi nesse cenário, em meio à religiosidade e a límpida brisa de ar puro das montanhas de Minas, que aconteceu a primeira edição da Rota do Queijo de Minas, com uma imersão intimista na tradicional queijaria mineira, mediante produção artesanal, degustação, cozinha ao vivo, com a participação de restaurantes da região, além de boa música e apresentações em formato contemplativo. Quem teve a oportunidade de prestigiar o evento, também reviveu a história da localidade rememorada com uma degustação e a maturação do Queijo de Minas. Entre as décadas de 1950 e 2000, uma caravana de padres formava um grupo com o objetivo de expor produtos de diferentes regiões do Estado, especialmente Serra do Salitre, Araxá e também da histórica Diamantina. Esse certame reforça o potencial da Serra da Piedade como destino de turismo religioso, cultural e gastronômico. O turista pode apreciar no percurso a Basílica, a vista panorâmica da montanha e a memória do Queijo Frei Rosário. Os organizadores da Rota do Queijo externam a preocupação de envolver a comunidade do município, para interagir com as centenas de turistas presentes durante o acontecimento. Um dos destaques no evento foram os bordados produzidos em Caeté, merecendo aplausos dos visitantes e compradores dos aludidos produtos. É o tipo de acontecimento com o objetivo de garantir espaço para o turismo, sem macular a imagem de uma região de forte apelo espiritual. “Por aqui, a pessoa conversa com Deus mais de perto, para estarmos no alto de montanha, e ainda por cima podemos apreciar uma gastronomia de primeira qualidade”, dizem os religiosos encarregados do feito. Para quem não é de Minas, seja bem-vindo nessa aventura gastronômica/religiosa capaz de fazer qualquer um se apaixonar.

Brasil/União Europeia

O complexo jogo da diplomacia internacional não é um ambiente para amadores. Esse teatro encenado por nações mundo afora é um movimento permanente, exigindo muita habilidade de representantes dos países interessados em manter negociações, como é o caso do Brasil, especialmente no segmento do agronegócio. No momento, o embate de interesse comercial é travado contra a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que está implementando, mais uma vez, um tarifaço listando os produtos brasileiros que chegam às gôndolas dos supermercados norte-americanos. Também entra em cena uma estapafúrdia decisão da União Europeia (UE), que informou a suspensão da compra de carnes bovinas do Brasil a partir de setembro. No ano passado, a UE importou aproximadamente 368 mil toneladas de proteína animal brasileira, com resultado financeiro de US$ 1,8 bilhão. Apenas a aquisição de carne bovina respondeu pelo valor de US$ 1,06 bilhão, significando 6% da receita obtida pelas exportações do país naquele período. Relativamente à restrição contra as nossas negociações perante a União Europeia, o diretor-presidente da Academia Latino-Americana do Agronegócio (Alagro), Manoel Mário de Souza Barros, minimiza o tema. Em entrevista ao Edição do Brasil, o dirigente pondera que a decisão não vai gerar impacto comercial imediato, mas acende um alerta bilionário para o agronegócio brasileiro. Ele categoriza que a medida foi anunciada neste mês de junho, com implementação efetiva a partir de setembro. Até lá, as transações comerciais seguem normalmente. Autoridades de Brasília comungam com pensamentos do diretor-presidente da Alagro, como aproveitar esse momento de dificuldade para abrir novos mercados, inclusive ampliando as transações com a China. Na opinião de especialistas, trata-se de um entrave burocrático, diante da exigência de uma documentação a ser providenciada pelas autoridades sanitárias brasileiras. Esse movimento internacional de agora confirma a tese dos meandros envolvidos no episódio e revela uma realidade. Isso ocorre como forma dos países protegerem os seus produtores. Vale dizer que a cena atual será repetida inúmeras vezes nas próximas décadas, cabendo as partes saberem como se desvencilhar desses empecilhos.

O exemplo de Itabira

No momento em que o mundo está de olho no desmatamento no Brasil, essa realidade aumenta os desafios das autoridades para levar adiante um projeto mais ambicioso visando a preservação das florestas brasileiras. Trata-se de uma tarefa complexa, onde interesses opostos convivem lado a lado, trilhando uma linha tênue entre manter o meio ambiente intocável, sem minimizar a importância do desenvolvimento econômico, especialmente no que se refere ao agronegócio, segmento onde nosso país se destaca. Vale levar em consideração qualquer projeto com o objetivo de contribuir positivamente com o meio ambiente. Por exemplo, vem à tela o “Me Vejo no Limoeiro”, ação desenvolvida no município de Itabira. A iniciativa de educação ambiental aproxima os jovens da unidade de conservação por meio da arte. Crianças e adolescentes aprendem a importância de manter a natureza intacta para as futuras gerações. A previsão é que até março do próximo ano, estudantes do ensino fundamental e médio de seis escolas das comunidades do entorno do parque irão participar de um concurso cultural de desenhos e redações, que busca construir uma cartografia afetiva sobre o território. Os trabalhos do projeto serão transformados em produtos culturais, incluindo uma exposição artística e um livro ilustrado reunindo todo o conteúdo. Conforme o coordenador do projeto, Frederico Mendes Carvalho, a cartografia afetiva funciona como uma ferramenta para fortalecer a relação do público com a unidade de conservação. Ele afirma que iniciativas como essa demonstram a potência da articulação dos parques com a sociedade, as escolas e a comunidade. O Parque Estadual Mata do Limoeiro está localizado na Serra do Espinhaço, possui 2.056 hectares e fica a cerca de 7 km do Parque Nacional da Serra do Cipó. A vegetação é composta de fragmentos de Mata Atlântica e Cerrado, onde já foram identificadas ao menos três espécies ameaçadas de extinção: o jacarandá-caviúna, a braúna-preta e o samambaiuçu. Essa iniciativa dos itabiritenses deveria servir de inspiração para outros municípios e comunidades. O tema é relevante e já faz parte da pauta política, com desdobramentos nos próximos anos. O desafio é enorme, afinal, a tese de preservar o meio ambiente é antiga e esbarra no interesse de poderosos, que agem em nome do progresso e do desenvolvimento econômico. O caminho sensato seria conclamar o “bom senso”.

As promessas dos candidatos

O exemplo de JK, tido como um governador mineiro que primava pelas metas ousadas e desenvolvimentistas, inclusive foi dele a criação da Cemig, agora se reflete no retrovisor da história. Atualmente, a política para escolha dos dirigentes tem muito mais conexão com ideologia, perpassando por um viés religioso forte, a permear as campanhas eleitorais. No momento, está em evidência as mensagens disseminadas pelas redes sociais, campo aberto onde os autores podem falar o que quiserem, mas fica difícil identificar o que é real ou apenas uma comunicação cibernética. A pouco tempo para o período de convenções partidárias, o noticiário político indica haver muita falação, mas sem definições de projetos de governo. Os pré-candidatos querem apenas notoriedade pública, mas nada promete de concreto, como se fosse apenas uma brincadeira de escola. Sabidamente, ser chefe do Executivo de Minas Gerais não é tarefa para qualquer um, pois carece de experiência. O atual governador Mateus Simões (PSD) externa a intenção de continuar a obra iniciada por Romeu Zema (Novo), cuja bandeira principal foi a privatização. Simões, a exemplo de outros nomes, faz as mesmas promessas do passado, como melhorar a segurança, garantir mais saúde e incrementar a educação. Mas isso tudo já foi prometido outrora pelos protagonistas de seu grupo político. À procura de mais seguidores nos meandros da comunicação virtual, o pré-candidato e ex-presidente da Câmara de Vereadores de BH, Gabriel Azevedo (MDB), com sua falta de criatividade, quer atrair investimentos para aumentar a malha ferroviária. A indagação: mas só isso, excelência? Já o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) se posta mais em cima de uma espécie de caricatura, ao dizer que não tem experiência, mas se for eleito terá auxiliares competentes. Não há qualquer registro público de seus projetos de governo. Por enquanto, tudo não passa de balela eleitoral. Relativamente ao projeto do ex-presidente da Federação das Indústrias, empresário Flávio Roscoe (PL), a sua luta tem sido para se inserir como candidato. Na solenidade para comemorar o Dia da Indústria, ele próprio mencionou: “está na hora de pessoas que fazem sucesso na vida privada colocarem os seus nomes para servir também aos meandros públicos”. Ou seja, não disse como seria a sua pretendida administração no comando do Palácio Tiradentes.

Entre sindicalismo e fundamentalismo

Por três décadas, os movimentos sindicais no Brasil e em Minas Gerais incrementaram os rumos nos bastidores da política. Paralelamente, cresceu a influência dos evangélicos, sugerindo que os Templos se tornaram uma espécie de centro de apoio para seus líderes se manifestarem politicamente ou partidariamente. Isso fez “acordar” a Igreja Católica, também engajada em assuntos eleitorais, mas em uma proporção bem mais tímida frente aos movimentos protestantes. Como nos debates públicos não há possibilidade de espaços vazios, houve um entendimento, por parte do segmento empresarial, que estava na hora de disputar cargos ao Executivo e ao Legislativo. Essa virada de chave teve início com João Doria, quando eleito para prefeito e depois governador de São Paulo; e de Alexandre Kalil, para a Prefeitura de BH. Os atos incentivaram que outros nomes se enveredassem pelo caminho político. O propalado conceito de que empresário é mais preparado para gerir as coisas públicas conquistou notoriedade a partir da presença do empresário Romeu Zema (Novo) em Minas Gerais. Ele foi eleito e reeleito, distanciando do tempo em que o Palácio Tiradentes era ocupado apenas por políticos profissionais. A diferença entre o passado e o presente é que as discussões sobre o debate eleitoral têm um preâmbulo novo: o empresário não promete algo impossível de realizar. Eles querem oferecer mais conteúdo em seus discursos para pedir votos da população. Nessa mudança do privado para o público, constata-se um enorme entusiasmo de personalidades em destaque, como o presidente licenciado da Federação das Indústrias, Flávio Roscoe (PL), candidato ao Palácio Tiradentes; o retorno do empresário Vittorio Medioli à vida pública; possibilidade de ressurgência também do empresário e ex-senador Clésio Andrade (PSB) ao status de candidato. Todos estão de prontidão nos bastidores. Até mesmo o nome de Josué Alencar, filho do ex-vice-presidente José Alencar frequenta a resenha de quem estaria disposto a enfrentar os palanques no pleito de 2026. Pensadores políticos avaliam que as lideranças do Brasil, na concepção de sua frágil democracia, não pretendem estender por muito tempo o período onde sindicalistas dão as cartas nos destinos da nação. Tudo para evitar um país nas mãos da oligarquia sindical. Outrossim, deve ser levado à mesa que não adianta fugir da República “Sindicalista” para se submeter à República “Fundamentalista”.

Poluição dos rios

Por mais que diversas instituições tentem conscientizar as pessoas sobre ações destinadas à preservação do meio ambiente, o tema ainda não conquistou a adesão necessária. Essa realidade vem comprometendo o bom funcionamento das nascentes, poluindo lençóis freáticos, contaminando rios e lagos que fornecem água para as pessoas. É de causar arrepio a informação do Retrato da Qualidade da Água nos Rios da Mata Atlântica, da Fundação SOS Mata Atlântica, comprovando que, entre janeiro e dezembro de 2025, 80% dos pontos monitorados apresentam qualidade irregular. Isso significa que a população do país pode estar consumindo um líquido nocivo à saúde. Em princípio, talvez pela desinformação, podem dizer que a culpa é dos governos. No entanto, não é o poder público o responsável pela quantidade de lixo que se acumula nas redes de esgoto das grandes cidades. Essa situação também recai sob a responsabilidade dos produtores rurais ávidos por mais lucros. E para conseguir os seus intentos, fazem roçadas, atiçam fogo em suas metas, deixando para depois a preocupação com a deterioração do solo onde percorre água límpida. Respondendo a uma indagação da imprensa, o advogado Ricardo Carneiro comentou que existem leis suficientes para proteger os recursos hídricos em Minas desde a década de 1990. Foram sancionadas normas em conexão com a legislação federal, tudo compartilhado com órgãos gestores e instrumentos de natureza econômica. Mas o especialista vaticina que o problema é mais falta de gestão e planejamento do que ausência de legislação. O causídico avalia como positiva a ideia de gerar responsabilização mais severa aos municípios que fazem o descarte irregular de esgoto nos rios. Ele ressalta que deveria haver punição, além do ajuizamento de ações por parte do Ministério Público. Mas o problema, como sempre, é mais do que jurídico; é político. Ele lembra ainda que as ações dos promotores quase sempre esbarram na falta de recursos das prefeituras, cujo orçamento público fica comprometido com pagamento de salários dos servidores, sem a capacidade de investir em saneamento. Vale recorrer aos professores, jornalistas e formadores de opinião para alertar os cidadãos sobre a importância dessa demanda. Se nada for feito agora, não haverá água suficiente para consumo humano, além do comprometimento dos lençóis hídricos, desorganizando até mesmo ciclos das chuvas.

Esporte como inclusão social

São 17 modalidades esportivas para contribuir com pessoas deficientes através do Projeto Superar, comandado pela Secretaria Municipal de Esportes e Lazer da Prefeitura de Belo Horizonte. O objetivo do programa é promover a inclusão social por meio do esporte, provando que os portadores de condições especiais são capazes. Nas diferentes unidades, o programa atende de forma gratuita uma média de mil alunos com deficiência física, visual, intelectual, auditiva e autismo. São oferecidas diversas atividades, como iniciação esportiva, atletismo, basquetebol, bocha regular, bocha paralímpica, dança, futsal, goalball, judô, natação, rúgbi em cadeira de rodas, tênis de mesa, voleibol, voleibol sentado, patinação, funcional e percussão. O gerente de paradesporto e responsável do Projeto Superar, Marcelo Mendes, comenta que os centros esportivos para as pessoas com deficiência existem desde 2003, mas, ao longo dos anos se tornaram referência no estrangeiro, com visitas frequentes de órgãos internacionais. Para participar do programa, a criança carece de ter idade superior a seis anos e apresentar laudo de deficiência. Quanto à efetivação da matrícula, precisa haver vagas disponíveis. Na avaliação do gerente, além das atividades atinentes ao Projeto Superar, há uma preponderante contribuição também na inserção social e autonomia dos alunos. Estudos constatam que as atividades físicas são muito importantes para essa concepção. Pelo que se sabe, até agora essa estrutura está sob os auspícios da municipalidade da capital, com orçamento público limitado. Seria conveniente uma maior divulgação do certame, porque contribuiria para ser observado também pela iniciativa privada, com a possibilidade de ampliar o número de atendimentos. Ainda existem grandes empresários dispostos a investirem no social. Eis o preâmbulo de oportunidade para uma atuação conjunta entre poder público e iniciativa privada, bastando alguns ajustes da lei, que poderia ser feito através de regulamentação a partir da Câmara Municipal.

Ainda sobre o Anel Rodoviário

O anunciado projeto de melhoria de infraestrutura no Anel Rodoviário, agora sob a responsabilidade da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), está acontecendo sem impacto proeminente perante a opinião pública, especialmente para quem trafega naquele espaço. Está prestes a completar um ano que o governo federal transferiu a gestão para a PBH. O combinado era encontrar uma solução para minimizar os gigantescos engarrafamentos, além de melhoria da via para reduzir os milhares de acidentes. As ocorrências com acidentes fatais continuam. Neste sentido, vale indagar: o governo brasileiro, através do Ministério dos Transportes, efetivamente alocou os recursos de R$ 120 milhões ao município de BH? Pelo que se percebe, sem o aporte financeiro de Brasília, a administração local não terá condições de implementar todas as obras de infraestrutura necessárias para o aludido projeto. Pode até ser que esteja acontecendo algo não bem nítido, pois quem usa a via percebe mudanças na sinalização e na pintura de faixas, porém, são obras simples que não resolvem a demanda, como a construção de alças, aumento da extensão de passarelas e viadutos, indenizações e remoção de pessoas que continuam morando à margem da estrada. O essencial do projeto continua sendo apenas rememorado, sem começar a sua efetiva execução. Quando instado a refletir sobre essa situação, o prefeito Álvaro Damião (União Brasil) considera ter sido acertada a transferência da administração do trecho do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para a PBH. Segundo sua avaliação, o local deixará de ser Anel Rodoviário para ser uma avenida de trânsito rápido. Tomara que o chefe do Executivo esteja certo, porque a população está descrente com tantas promessas ao longo de três décadas. Segundo dados oficiais, em seus 21 quilômetros de extensão, o referido Anel Rodoviário concebe a interligação das BRs 040, 262 e 381. As estatísticas apontam para um movimento médio de 100 mil veículos por dia. Nem precisa dizer do impacto no cotidiano do belo-horizontino. Vale mensurar o desgaste físico e psicológico dos motoristas, especialmente nos horários de pico, com seus muitos quilômetros de trânsito lento e engarrafamentos constantes. Esse assunto nunca deverá cair no esquecimento. A imprensa carece de abordar o tema para as promessas em favor da população da capital mineira saírem do papel.

Candidaturas sem consistência

No momento, a pauta no mundo político é sobre a sucessão ao Governo de Minas, onde há muitas especulações e poucos projetos concretos. Embora o mineiro seja avaliado no cenário nacional como formador de opinião perante aos demais estados da federação, tudo está truncado por conta da polarização partidária, posicionando em lados opostos pré-candidatos da direita e esquerda. Segundo avaliam os cientistas políticos, um embate levado a efeito muito em função das redes sociais. Devido ao ambiente cibernético, as discussões passaram a fazer parte de um gueto on-line, sem a participação mais ostensiva de pessoas e lideranças, cujas conversas podem influenciar o pleito nas grandes e pequenas cidades do Estado. Atualmente, são montadas estratégias na caminhada rumo ao Palácio Tiradentes. Segundo se comenta nos bastidores da Assembleia Legislativa, são candidaturas centradas em movimentos frágeis, uma espécie de castelo montado em areia movediça e sem estrutura plausível. É bem verdade que o atual governador Mateus Simões (PSD), antes mesmo de assumir o cargo, já se postava como candidato e agora não esconde a pretensão de ser reeleito. As vantagens de ter a caneta em mãos são poucas diante da falta de popularidade, onde o chefe do Executivo aparece mal avaliado nas pesquisas de opinião. A ideia de seus assessores, visando implementar o denominado Governo Itinerante, por enquanto tem sido uma alternativa insossa. Por todos os títulos, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) é apontado como protagonista, com índices de aprovação acima dos demais nomes interessados no assunto. No entanto, não tem transmitido firmeza para o público em geral quando é indagado sobre ser candidato na peleja deste ano. Usa sempre o efeito “sanfona”, categorizando uma indefinição incomensurável. Relativamente ao senador Rodrigo Pacheco (PSB), a interrogação é enorme. Aliados não sabem mais o que explicar a respeito da decisão do político no tangente ao evento eleitoral deste ano. Uma indefinição que pode levá-lo a encontrar dificuldade para “juntar” as peças necessárias na formatação de um mosaico, com o fito de conquistar uma campanha vitoriosa. Entre o denominado grupo intermediário, o ex- -prefeito Alexandre Kalil (PDT) tem usado as redes sociais para disseminar as suas ideias. Na avaliação dos matemáticos da política mineira, sua atuação isolada ainda não conquistou apoios para contribuir com seu projeto de poder. Do outro lado, surge o discurso do candidato Gabriel Azevedo (MDB), defendendo uma conexão com o eleitor jovem. Mas o espaço para isso pode minguar, especialmente se Cleitinho entrar no páreo.

Reestruturação de BH

Um número que assustou os belo-horizontinos: nos dois primeiros meses deste ano, a cidade registrou a mórbida marca de 13 mil acidentes de trânsito, muitos deles com vítimas fatais. Essa é a moldura de uma capital onde as obras estruturantes nunca saem do planejamento. A realidade se complicou nas últimas décadas, sem as intervenções para minorar os problemas, o drama se alastra para quem se vê obrigado a enfrentar essa caótica situação. Claro que existe também a imprudência por parte dos motoristas. Estatísticas alarmantes, divulgadas pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), destacam que a Avenida Cristiano Machado lidera as ocorrências. A via tem aproximadamente 11 km de extensão e registrou 596 colisões, com uma média de 10 por dia e três mortes. Inclusive, deixou para trás o famoso Anel Rodoviário, campeão de acidentes na cidade por anos a fio. Reportando a realidade dos fatos, o especialista em segurança viária, José Carlos Souza, vaticina que a Cristiano Machado funciona como corredor híbrido. “Ao mesmo tempo em que é via de trânsito rápido, ela também está inserida em uma área urbana densa, com cruzamentos frequentes, acessos comerciais e grande circulação de pedestres. Essa mistura reduz a previsibilidade do tráfego”. Outra opinião a ser levada em consideração é a da urbanista Fernanda Bastos. Ela analisa que a Avenida Cristiano Machado foi estruturada para priorizar a fluidez dos veículos, mas não acompanhou de forma adequada o crescimento populacional e a expansão de atividades comerciais ao longo do seu eixo. “Há uma disputa intensa entre carros, ônibus, motocicletas e pedestres, sem que a infraestrutura tenha sido totalmente adaptada”. Os especialistas sugerem medidas práticas, com a implementação de dispositivos para redução de velocidade e reforço na fiscalização eletrônica, não somente na Cristiano Machado, mas também na Antônio Carlos e no Anel Rodoviário. Este é um desafio a ser direcionado ao prefeito de BH, Álvaro Damião (União Brasil). Ele carece de reestruturar a cidade para evitar que as principais vias de acesso ao Centro se transformem em um permanente pesadelo para quem almeja circular por esses espaços. Para buscar um horizonte límpido para o dilema, a administração precisa fazer investimentos substanciais, inclusive com a participação do Estado e do governo federal.