Belo-horizontino perde mais de 130 horas por ano em congestionamentos

Motoristas e usuários do transporte em Belo Horizonte enfrentaram, em média, 130 horas de congestionamentos durante os períodos de maior movimento em 2025. O número coloca a capital mineira entre as cidades brasileiras com maior tempo perdido no trânsito. Belo Horizonte aparece empatada com Recife e fica atrás apenas de Curitiba, com 135 horas, e São Paulo, com 132 horas. O levantamento é da TomTom, empresa de tecnologia especializada em navegação, localização e análise de dados de mobilidade. Na classificação internacional, que reúne 492 cidades, Belo Horizonte aparece na 33ª colocação. Considerando apenas as capitais brasileiras analisadas no estudo, a cidade registrou o terceiro maior índice médio de congestionamento em 2025: 58,6%, um crescimento de 0,6 ponto percentual em comparação com o ano anterior. O resultado ficou abaixo somente das taxas registradas por Porto Alegre (59,6%) e Recife, líder do levantamento, com 64,7%. Em condições médias de tráfego, os motoristas da capital mineira conseguiram percorrer cerca de 5,3 quilômetros a cada 15 minutos. Para a urbanista Fernanda Bastos, o cenário de Belo Horizonte é resultado de uma combinação de fatores. “A cidade tem uma estrutura urbana que concentra empregos, serviços e atividades econômicas em determinadas áreas, enquanto uma parcela significativa da população precisa se deslocar diariamente a partir de regiões mais afastadas. Quando muitos desses deslocamentos acontecem nos mesmos horários e dependem do automóvel, a capacidade das vias é rapidamente atingida”. Outro fator apontado pela especialista é a dificuldade de ampliar indefinidamente a infraestrutura para automóveis. Belo Horizonte possui limitações físicas importantes, agravadas pela topografia e pelo próprio processo histórico de ocupação da cidade. A construção de novas pistas, viadutos e grandes corredores viários pode aliviar determinados pontos, mas não necessariamente resolve o problema de forma permanente. “Em determinados casos, quando uma via fica mais rápida, acaba atraindo novos veículos e volta a ficar saturada. Por isso, é necessário trabalhar também sobre a quantidade e a qualidade das alternativas de deslocamento”, afirma. O engenheiro de transportes, Leonardo Duarte, avalia que Belo Horizonte precisa combinar investimentos em infraestrutura com mudanças na forma como a população se desloca. “Não existe uma solução única para o congestionamento, a cidade precisa oferecer um transporte coletivo confiável, rápido, confortável e integrado. Se o ônibus demora muito mais que o carro, uma parcela da população que possui condições financeiras continuará escolhendo o automóvel, e o resultado será mais veículos nas ruas”. Para Duarte, uma política eficiente inclui a expansão e modernização do transporte coletivo, melhoria dos corredores existentes, integração tarifária e física entre ônibus, metrô e outros sistemas. “Quanto aos pequenos deslocamentos, calçadas adequadas, travessias seguras e infraestrutura cicloviária podem retirar viagens curtas do sistema motorizado”. O desafio, entretanto, não depende apenas da Prefeitura de Belo Horizonte. A dinâmica de deslocamentos da Região Metropolitana faz com que milhares de pessoas atravessem diariamente os limites municipais para trabalhar, estudar ou acessar serviços. Em Belo Horizonte, o congestionamento afeta não apenas o trânsito, mas também a qualidade de vida e a produtividade. Esse tempo perdido nas ruas representa horas que poderiam ser destinadas ao trabalho, ao lazer, à convivência familiar ou ao descanso. Para enfrentar o problema, os especialistas recomendam priorizar o transporte coletivo, integrar modais e ampliar investimentos em infraestrutura, tecnologia e segurança para pedestres e ciclistas.

CURA se despede da Praça Raul Soares e propõe uma reflexão sobre descanso

Entre os dias 19 e 30 de agosto, a Praça Raul Soares, em Belo Horizonte, será palco do CURA – Festival de Arte Urbana. Depois de cinco anos de ocupação, o evento se despede do local, onde construiu um dos principais conjuntos de arte pública a céu aberto do país. As pinturas começam em 19 de agosto e poderão ser acompanhadas pelo público diretamente da praça. A programação será realizada de 26 a 30 de agosto, com atrações que unem arte, música, esporte e convivência, incluindo o highline entre os prédios do hipercentro. A programação completa e os nomes dos artistas serão divulgados ainda em agosto. O tema deste ano, “Descansar Enquanto”, propõe uma reflexão sobre o descanso como direito e posicionamento diante de uma sociedade marcada pelo excesso de estímulos, informações e urgências. A ideia é tratar o descanso não apenas como uma pausa, mas como uma forma de resistência às estruturas que produzem exaustão e afetam de maneira desigual diferentes grupos sociais. A escolha também está relacionada à própria trajetória do CURA na Raul Soares. Para a idealizadora do festival, Priscila Amoni, a presença prolongada no local permitiu construir uma relação que vai além da realização de um evento. Segundo ela, a atuação do projeto contribuiu para chamar a atenção para as necessidades da praça e estimular mudanças no entorno. “Acho que é muito visível a transformação que causa um festival estar presente em um território da forma que a gente está. Aconteceu isso na Rua Sapucaí, conseguimos enxergar com muita nitidez quando tem um projeto cultural atuando em um território de forma mais profunda do que simplesmente um evento”. Priscila destaca que o festival passou também a solicitar melhorias para a praça, como áreas de lazer, arborização e mobiliário urbano. “A gente reivindica as falhas do poder público naquele ponto, o CURA está pedindo que ali seja usado como um parque com mais árvores e mobiliário urbano”. Na avaliação da idealizadora, os efeitos da ocupação podem ser percebidos também na movimentação do entorno. “Nós percebemos que desde a chegada do CURA, multiplicou o número de estabelecimentos e a movimentação cultural na Raul Soares. Vemos que o poder público está olhando ali”. Curadoria coletiva Outra novidade de 2026 é a construção do conceito da edição por uma Comissão Criativa, formada por artistas, pesquisadores, produtores e agentes culturais que atuam em Belo Horizonte, com participação da curadora convidada Luciara Ribeiro. Segundo Priscila, a iniciativa representa uma ampliação de um processo de democratização que o festival desenvolve desde suas primeiras edições. “Buscamos horizontalizar os processos e trazer a diversidade desde o início. A gente traz mesas de conversa sobre o que a cidade estava reivindicando. Depois, trouxemos isso para a seleção de artistas”. “O diferencial da Comissão Criativa é que isso se amplia radicalmente. Selecionamos 10 pessoas que estão pensando a cidade em diversos setores culturais e colocamos nessa comissão, que propôs o que o CURA vai debater este ano. Isso é um ato democrático radical de trazer escuta ao que a cidade tem a dizer”, complementa. Uma etapa na trajetória Embora seja a última edição na Raul Soares, Priscila não trata a saída como o fim da relação com o território. Para ela, o festival segue acompanhando as demandas da capital e poderá ocupar diferentes espaços ao longo de sua trajetória. “O CURA é muito mais do que um evento, é um projeto que deixa legado, transforma a paisagem, deixa obras de arte em grande escala na cidade, interfere no turismo e valoriza um território para ter movimentação turística e cultural ali”, conclui.

Mostra “Luz, Câmera e Resistência” debate sobre racismo em Venda Nova

A 1ª Mostra “Luz, Câmera e Resistência” promove sessões de cinema seguidas de debates sobre as relações raciais no Brasil. As conversas serão organizadas a partir dos eixos racismo e saúde, racismo e educação, racismo e gênero, e racismo e estética. A ação, gratuita e aberta ao público, será realizada entre os dias 19 e 21 de agosto, no Centro Cultural Venda Nova, em Belo Horizonte. A programação reúne a exibição de quatro curtas-metragens e rodas de conversa conduzidas por especialistas. A proposta é utilizar o cinema como ferramenta de educação e reflexão, criando um espaço de diálogo entre diferentes gerações, incluindo estudantes do 9º ano, alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e a comunidade local. A coordenadora do projeto, Elizabeth Rouwe, destaca que o ponto de partida é a preocupação com a banalização do racismo entre a maioria dos adolescentes devido a alguns conteúdos produzidos nas redes sociais. “O Luz, Câmera e Resistência surgiu tanto como um espaço para discutir o tema quanto como um movimento de resistência. Mostrando ao público que, mesmo diante do racismo, resistimos”. A mostra é mais do que uma exibição de curtas-metragens, ressalta a coordenadora. “É um espaço de educação racial para discutir as diferentes manifestações do racismo e como ele atravessa os corpos negros. O cinema abre caminhos para conversas que muitas vezes são difíceis, mas necessárias”. “Ele é uma ‘porta mágica’ que encanta com o som, imagem, histórias e personagens. Cada olhar, gesto, sorriso ou lágrima transmite algo para o público. É uma ferramenta pedagógica fundamental para a educação”, acrescenta. Sessão de filmes Serão exibidos filmes que abordam diferentes perspectivas sobre identidade, desigualdade racial e resistência. Entre as obras estão: “Kbela”, que traz um olhar sensível sobre a experiência do racismo vivido por mulheres negras; e “Ó do Pupa, Lugar de Resistência”, que aborda questões relacionadas à diáspora africana, violência racial e resistência. Também será exibido o “Vista a Minha Pele”, que traz um Brasil invertido, onde os lugares de privilégio são ocupados por pessoas negras; e o “Corpo Preto”, filme que debate como o racismo impacta o atendimento em saúde, evidenciando desigualdades no tratamento de pacientes negros. Participam dos debates a enfermeira obstétrica, mestre em Saúde das Populações pela UFMG e doutoranda em Saúde Coletiva pela Fiocruz Minas, Karina Cristina Rouwe de Souza; a designer, cerimonialista e professora de moda, Maryhn Benedita; a doutoranda em Ciência Política pela UFMG e cofundadora do Instituto GENi – Gênero e Interseccionalidades, Carla Rosário; e a historiadora, professora e doutoranda em História pela UFMG, Aline Cerqueira. De acordo com Maryhn Benedita, discutir racismo e estética em um evento voltado para estudantes e a comunidade é relevante porque ajuda a combater preconceitos e a valorizar a diversidade. “Esse debate promove a conscientização sobre os impactos do racismo, fortalece a autoestima das pessoas negras e colabora para a construção de uma convivência mais inclusiva, respeitosa e igualitária”. A moda pode contribuir para o enfrentamento do racismo ao valorizar a diversidade, combater estereótipos e dar visibilidade às culturas e identidades negras de forma respeitosa, afirma Maryhn. “É importante que marcas promovam inclusão em campanhas, cargos de liderança e processos criativos, garantindo representatividade real e combatendo a discriminação no setor”. Para Elizabeth, é preciso que projetos como o “Luz, Câmera e Resistência” continuem atuando em diálogo com a sociedade. “Trazendo discussões raciais, ou de outros temas tão importantes quanto, para que se torne uma rotina cultural e educacional neste território e em outros”.

Tradição das quitandas mineiras é destaque no Banquetaço em BH

A tradição das quitandas de Minas Gerais ganhará destaque durante um grande encontro gastronômico aberto ao público, marcado para o dia 15 de agosto, na região Central de Belo Horizonte. O Banquetaço 2026 reunirá cozinheiras, integrantes de movimentos sociais, ativistas, entidades comunitárias e representantes da sociedade civil em uma mobilização pela valorização da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) e pela preservação dos costumes alimentares do Estado. Com o tema “Um Quitandaço”, a edição deste ano pretende reconhecer o papel histórico das quitandeiras e a riqueza dos conhecimentos culinários transmitidos ao longo das gerações. A iniciativa também ressalta a importância dos povos e comunidades tradicionais na manutenção de receitas, técnicas e modos de preparo que ajudaram a construir a identidade gastronômica de Minas Gerais. Para a nutricionista Cristina Souza, esses saberes representam memória, identidade e resistência cultural. “As práticas alimentares que formaram a gastronomia de Minas Gerais carregam histórias de comunidades, famílias e povos que ajudaram a construir o Estado. Preservá-las é reconhecer esse patrimônio e garantir que ele continue sendo transmitido às próximas gerações”. Além de valorizar as tradições e práticas alimentares, a iniciativa também busca promover uma reflexão sobre os rumos das políticas públicas de Segurança Alimentar e Nutricional em BH. De acordo com os organizadores, o encontro servirá ainda como um espaço de mobilização e manifestação diante da possibilidade de mudanças na gestão dessa política por parte da Prefeitura, em razão da proposta de transferir a administração da área e das críticas relacionadas à forma como vem sendo conduzido o diálogo com o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional. Cristina diz que o movimento tem papel estratégico ao aproximar a população das discussões sobre um tema que afeta milhares de pessoas. “A segurança alimentar não envolve apenas ter comida disponível na mesa, mas também garantir acesso contínuo a alimentos de qualidade, produzidos de forma sustentável e respeitando a cultura de cada território. Em uma cidade como Belo Horizonte, que possui uma forte tradição culinária, discutir essas políticas é extremamente fundamental para combater desigualdades e fortalecer redes comunitárias”, ressalta a nutricionaista. Ela reforça que o fortalecimento de iniciativas como o Banquetaço também contribui para aproximar a população das discussões sobre produção, distribuição e consumo de alimentos. “Quando uma comunidade reconhece o valor dos seus próprios saberes culinários, passa a enxergar a alimentação como um elemento de identidade e também como uma ferramenta de transformação social. A preservação das quitandas mineiras mostra que tradição e políticas públicas podem caminhar juntas na construção de sistemas alimentares mais justos”. Para o sociólogo André Nascimento, iniciativas como o Banquetaço ajudam a colocar a alimentação no centro das decisões públicas. “Quando a sociedade participa desse debate, também defende direitos básicos e cobra ações permanentes para garantir que ninguém seja privado de uma alimentação adequada. Esses encontros dão visibilidade a problemas que muitas vezes permanecem invisíveis no cotidiano urbano”. Movimentos coletivos são fundamentais para manter o tema da fome e da insegurança alimentar em evidência no debate público, ressalta Nascimento. “A alimentação é uma questão que envolve direitos, cultura e desenvolvimento. Eventos como o Banquetaço permitem que diferentes vozes participem da discussão e ajudam a lembrar que combater a insegurança alimentar exige ações contínuas, planejamento e compromisso dos governos e da sociedade”. O Banquetaço foi criado em 2019 como uma mobilização em reação à extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). Desde sua criação, a iniciativa tem reunido diversos segmentos da sociedade em defesa do acesso à alimentação adequada como um direito fundamental, da soberania alimentar e do fortalecimento de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da fome.

Basquete transforma vidas e amplia as oportunidades em Juiz de Fora

Criado em 2024, o Jotaefe Basquete nasceu com uma missão que vai muito além da formação de atletas. Idealizado pelo empresário Rodrigo Mendonça, fundador do Grupo Humanidade, o projeto utiliza o esporte como instrumento de inclusão social, desenvolvimento educacional e fortalecimento de vínculos comunitários. Hoje, atende gratuitamente cerca de 300 crianças e adolescentes em Juiz de Fora, e mantém seis equipes federadas que disputam competições estaduais e nacionais. A iniciativa funciona em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), reunindo professores, treinadores, pesquisadores e estagiários. O modelo alia formação esportiva, acompanhamento pedagógico e ações em diferentes regiões da cidade. Segundo Mendonça, o basquete foi escolhido por seu potencial de democratização. “O nosso objetivo é claro: vão surgir atletas de alto rendimento, mas a prioridade é formar bons cidadãos para Juiz de Fora e para o Brasil. O basquete é apenas a ferramenta para transformar vidas por meio do esporte e da educação”. Essa proposta se traduz na criação de núcleos sociais instalados em bairros como São Pedro, Santa Cruz, Benfica, Santa Luzia, São Mateus e Bom Jardim. A meta é chegar a 16 núcleos até 2028, atendendo aproximadamente 800 crianças e adolescentes. Para o coordenador-geral do projeto, Dilson Borges, a iniciativa também busca fortalecer a cidade por meio do esporte. “O Jotaefe nasceu com uma missão: promover, representar e desenvolver Juiz de Fora e a região em âmbito regional, estadual e nacional. Queremos chegar a todos os cantos da cidade levando essa mensagem por meio do basquete”. Segundo Borges, a prioridade não é descobrir talentos, mas despertar o interesse pelo esporte e promover o desenvolvimento humano. “Nos núcleos sociais, nosso foco é a formação pelo esporte. Revelar atletas pode acontecer, mas é consequência, não objetivo. Nossa metodologia busca primeiro fazer com que a criança goste do basquete, depois se envolva e, mais tarde, se comprometa com a modalidade”. Além das equipes de competição, o projeto promove festivais de minibasquete, a Copa Jotaefe de Basquete Feminino e prepara uma competição regional, ampliando o acesso à modalidade e fortalecendo o calendário esportivo da cidade. Para Borges, o impacto também pode ser medido pelas experiências proporcionadas aos participantes. “Oito meninas da nossa equipe vão viajar de avião pela primeira vez para disputar o Campeonato Brasileiro Sub-15. Isso é oferecer oportunidade, modificar experiências e ampliar horizontes”. Um dos diferenciais do Jotaefe Basquete é a integração com a UFJF. Além da estrutura esportiva, os atletas contam com suporte multidisciplinar nas áreas de fisioterapia, preparação física, estatística e pesquisa científica. Mendonça acredita que esse trabalho também fortalece as famílias. “Historicamente, educação, esporte e comunidade sempre ajudaram a sustentar as famílias. No dia em que um aluno convidar o pai para assistir a um treino, fortalecer esse vínculo familiar e levar o esporte para dentro de casa, teremos cumprido nosso papel. O esporte e a educação podem transformar pessoas, fortalecer famílias e a sociedade”, conclui.

Duas localidades mineiras concorrem ao selo de melhor vila turística do mundo

A cidade de Delfinópolis, no Sul de Minas, e o distrito de Conceição de Ibitipoca, na Zona da Mata, estão entre os sete destinos brasileiros indicados ao prêmio “Melhores Vilas Turísticas do Mundo” de 2026. O resultado será revelado em dezembro, durante cerimônia em Buenos Aires, na Argentina. Criada em 2021 e promovida pela ONU Turismo, a iniciativa reconhece pequenas localidades rurais que demonstram ser possível conciliar desenvolvimento econômico com a preservação das raízes locais. A premiação reúne vilas de diversos países comprometidos com um modelo de turismo que valoriza a identidade local, a história e a conservação ambiental. Além dos sete representantes brasileiros, outras 268 vilas internacionais disputam o selo internacional. Os sete destinos brasileiros foram escolhidos pelo Ministério do Turismo, após a seleção de dez inscrições. Entre os critérios, estão: ter população de até 15 mil habitantes; estar situada em uma paisagem com presença significativa de atividades tradicionais, como agricultura, silvicultura (cultivo e manejo de florestas), pecuária ou pesca; e compartilhar valores e estilo de vida comunitário. A supervisora de Turismo da Fecomércio MG e turismóloga, Milena Soares, destaca que esse reconhecimento é muito importante. “Mostra que o Estado tem destinos que conseguem aliar preservação, identidade cultural e desenvolvimento turístico. Além de dar visibilidade internacional a Conceição de Ibitipoca e Delfinópolis”. Para Milena, essa indicação pode abrir portas para novos negócios, bem como aumentar mais o fluxo de visitantes e incentivar melhorias na gestão do turismo. “É uma chancela de qualidade, que desperta a atenção de turistas, operadores e investidores. Toda a comunidade pode ser beneficiada. É uma oportunidade de gerar emprego, renda e desenvolvimento de forma sustentável”. “Minas Gerais tem um potencial extraordinário e vem avançando de forma consistente nesse caminho. O Estado reúne uma combinação única de natureza, cultura, gastronomia e patrimônio histórico, que favorece o turismo de experiência”, acrescenta. Conceição de Ibitipoca O distrito mineiro indicado para o prêmio pertence ao município de Lima Duarte. O destaque da região é a Serra do Ibitipoca, com paisagens desenhadas por campos rupestres e diversidade geológica. O local preserva a memória do Ciclo do Ouro, seja nos vestígios de antigas minas, nos casarios coloniais preservados ou nos templos centenários, como as igrejas de Nossa Senhora do Rosário e a Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Situado na Serra da Mantiqueira, o distrito é conhecido por sua proximidade com o Parque Estadual do Ibitipoca, um dos principais destinos de ecoturismo do país, que reúne trilhas, cachoeiras, grutas e experiências voltadas ao bem-estar e à contemplação da natureza. Oportunidade A Secretária Municipal de Turismo, Lazer e Cultura de Delfinópolis, Michelle Ferreira Acorinti, pontua que a indicação representa o reconhecimento internacional de um trabalho construído com muito empenho pelo poder público, empresários, produtores rurais e toda a comunidade. “É uma oportunidade de mostrar ao mundo que nosso município reúne belezas naturais, hospitalidade, cultura, gastronomia e um compromisso real com o desenvolvimento sustentável”. Delfinópolis possui uma identidade única dentro da Serra da Canastra, ressalta a secretária. “Somos reconhecidos pela grande concentração de cachoeiras, paisagens preservadas, artesanato e tradição cultural como Folia de Reis e das Almas, e da produção artesanal, especialmente do Queijo Canastra”. Na avaliação da secretária, o turismo é um dos principais motores da economia de Delfinópolis. “Movimenta hotéis, pousadas, restaurantes, guias, produtores rurais, artesãos, comércios e diversos prestadores de serviços. Além da geração de emprego e renda, o setor incentiva novos empreendimentos, fortalece a agricultura familiar e amplia as oportunidades para os jovens permanecerem no município”. Segundo Milena, quando destinos mineiros recebem esse tipo de reconhecimento internacional, reforçam também o compromisso do Estado com um turismo que valoriza o meio ambiente, as comunidades e o patrimônio local.

Minas Novas aposta em trilha turística para impulsionar economia da localidade

Com um percurso estruturado de 1,7 quilômetro, a cidade de Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha, implementou o projeto “Trilha do Patrimônio Minas Novas – Novas Descobertas”, que conduz os turistas por igrejas barrocas, casarões coloniais, monumentos e espaços culturais do município, com o intuito de impulsionar a economia local. Criado para ser feito de forma autoguiada, com apoio de guia digital ou audioguias, a trilha orienta o visitante a conhecer, além dos pontos históricos, a gastronomia local, a produção do artesanato em cerâmica e o comércio. A visita pode durar entre três e quatro horas. A Trilha do Patrimônio reúne 31 atrativos: sete templos religiosos, nove instituições públicas, sete prédios comerciais, quatro residências históricas, cinco logradouros e monumentos, além de um patrimônio natural. Dois contam com proteção federal, o Sobradão e a Capela São José de Botas, dois com proteção estadual e 16 com proteção municipal. Já na parte da gastronomia, as quitandas de Minas Novas figuram entre os atrativos para quem passa pela cidade. São a expressão viva de uma cultura que resiste há quase três séculos, transmitida de cozinha em cozinha, por mulheres que guardam em suas receitas a memória de um território inteiro. Por meio do Programa Prepara Gastronomia, o Sebrae Minas está documentando receitas, capacitando quitandeiras em gestão e boas práticas de produção e construindo um dossiê de patrimonialização para o reconhecimento formal desse saber como patrimônio imaterial. O conteúdo sobre os pontos do percurso está disponível gratuitamente em duas plataformas: em formato de guia digital para leitura, no site pedraspreciosas.tur.br/minas-novas, e no Spotify, em áudio. Turismo de experiência A iniciativa do Sebrae Minas, em parceria com a Prefeitura Municipal, nasceu de um trabalho técnico conduzido por uma equipe de profissionais especializados em patrimônio e turismo, que realizou visita de imersão na cidade para mapear o roteiro. O analista da entidade mineira, Julian Silva, ressalta que a Trilha do Patrimônio é uma resposta direta a uma mudança de comportamento do turista contemporâneo, que busca cada vez menos o consumo passivo de atrativos e cada vez mais o envolvimento ativo. “O percurso, onde a caminhada em si toma apenas meia hora, e todo o restante é dedicado às paradas, leituras e descobertas, foi desenhado exatamente para esse perfil. Não é um roteiro de visitação rápida, mas um convite à imersão”. “Ao caminhar pelas mesmas ruas que testemunharam o Ciclo do Ouro, provar as quitandas centenárias e conhecer de perto o artesanato em cerâmica, o visitante não apenas observa o município, ele vivencia o território, o que está plenamente alinhado à tendência nacional de valorização do turismo de experiência”, complementa. Economia local O prefeito do município, Alessandro Mota, destaca que a integração de turismo e cultura às ações de desenvolvimento é essencial para fortalecer os setores comerciais. “Minas Novas tem potencial, mas precisamos conectar todas essas preciosidades”. “Estamos falando de um território singular que carrega uma riqueza cultural que poucos lugares do Brasil podem ter: artesanato reconhecido internacionalmente, gastronomia enraizada, paisagens naturais, patrimônio histórico, e comunidades que guardam tradições vivas”, acrescenta. O objetivo central do Sebrae Minas é transformar o fluxo turístico em renda para os pequenos negócios do entorno, esclarece Silva. “A cidade já recebe visitantes pontualmente, o que o projeto faz é dar estrutura e permanência a esse interesse, prolongando a estadia do turista e ampliando as oportunidades de consumo”. O analista afirma ainda que a expectativa é que o programa consolide Minas Novas no mapa do turismo histórico e cultural do estado. “Esperamos a maturação de um ecossistema local de pequenos negócios. Que iniciativas como o dossiê de patrimonialização das quitandas avancem até a identificação formal como patrimônio imaterial, e que o reconhecimento já internacional do artesanato em cerâmica local ganhe ainda mais projeção”, finaliza.

Belo Horizonte permanece em 5º lugar no ranking de qualidade de vida

Belo Horizonte aparece em quinto lugar entre as capitais brasileiras no ranking de qualidade de vida do Índice de Progresso Social (IPS) 2026. O estudo avalia todos os 5.570 municípios do país a partir de indicadores ligados às necessidades básicas da população, ao bem-estar e ao acesso a oportunidades. Em uma escala que vai de 0 a 100, Belo Horizonte atingiu 69,66 pontos. Entre as capitais, Curitiba ocupa a primeira colocação, com 71,29 pontos, seguida por Brasília, São Paulo e Campo Grande. O IPS é produzido por uma rede de instituições, incluindo o Imazon, a Fundação Avina, a iniciativa Amazônia 2030, o Centro de Empreendedorismo da Amazônia e a Social Progress Imperative, sendo atualizado todos os anos. Belo Horizonte manteve o mesmo posicionamento registrado na edição anterior do levantamento. Em 2025, a capital de Minas Gerais também figurou em quinto lugar entre as capitais do país, alcançando 68,22 pontos. Na metodologia do índice, os municípios são organizados em nove faixas de desempenho social. Os grupos 1, 2 e 3 reúnem as cidades com melhores resultados em progresso social, enquanto os grupos 7, 8 e 9 concentram os indicadores mais baixos. O IPS leva em conta uma série de variáveis, como saúde, educação, segurança pública, acesso à água e ao saneamento básico, condições de moradia, conectividade digital, questões ambientais e inclusão social. Entre os elementos avaliados estão, por exemplo, expectativa de vida, taxa de vacinação, índices de homicídio, acesso ao ensino superior, disponibilidade de áreas verdes nas cidades, qualidade da internet, casos de violência contra mulheres e oportunidades de trabalho para pessoas com nível superior. O índice é estruturado em três grandes dimensões. A primeira, de necessidades humanas básicas, abrange itens como alimentação, saúde, moradia e segurança. A segunda, chamada fundamentos do bem-estar, considera educação básica, saúde e aspectos ambientais. Já a terceira, de oportunidades, analisa fatores ligados a direitos individuais, inclusão social e acesso à formação universitária. Para a socióloga Andreia Lima, o desempenho da capital revela um cenário de equilíbrio, mas ainda com desafios estruturais. “Belo Horizonte apresenta pontos fortes relevantes, especialmente em acesso a serviços básicos e na rede de saúde pública, que contribuem para sustentar uma boa colocação no índice. No entanto, ainda existem gargalos importantes na segurança pública, na mobilidade urbana e na redução das desigualdades sociais entre regiões da cidade. Melhorar esses aspectos é fundamental para que a capital avance no ranking e, principalmente, na qualidade de vida real da população”. Ela destaca que os resultados mostram que o progresso social não depende de ações isoladas, mas de políticas articuladas. “Quando analisamos os dados, percebemos que Belo Horizonte tem avanços em educação básica e em acesso a serviços de saúde, mas ainda enfrenta dificuldades em temas como violência urbana, inclusão digital em áreas periféricas e ampliação de oportunidades de emprego qualificado. O poder público precisa investir em políticas integradas, que conectem infraestrutura, assistência social e desenvolvimento econômico, para reduzir desigualdades”. Já para a urbanista Michele Silveira, Belo Horizonte ainda enfrenta desafios importantes relacionados à ocupação do solo, transporte e acesso desigual a equipamentos urbanos. “A cidade tem uma estrutura relativamente consolidada em algumas regiões, mas ainda apresenta uma forte desigualdade territorial. Isso impacta diretamente indicadores como mobilidade, acesso a áreas verdes, saneamento e até segurança. Melhorar a qualidade de vida passa necessariamente por repensar o planejamento urbano, aproximando moradia, trabalho e serviços públicos, além de ampliar investimentos em transporte coletivo de qualidade”. Andreia destaca que uma das prioridades deve ser o fortalecimento da atenção básica e da prevenção em saúde, além da ampliação de áreas verdes e espaços de convivência. “Esses elementos têm impacto direto no bem-estar da população e também refletem em outros indicadores, como saúde mental e qualidade ambiental”. Ela reforça também a importância de investimentos em conectividade digital e qualificação profissional, especialmente para jovens em áreas de maior vulnerabilidade. “A inclusão digital e o acesso ao ensino superior são fatores decisivos para ampliar oportunidades. Sem isso, a cidade acaba reproduzindo desigualdades históricas que dificultam avanços mais significativos no longo prazo”.

Festa Junina estimula turismo e cultura no Santuário do Caraça

O Santuário do Caraça prepara-se para receber visitantes de diversas regiões do Estado e do país durante sua tradicional Festa Junina nos dias 27 e 28 de junho. O evento contará com apresentações musicais, quadrilhas, comidas típicas e atrações culturais em meio à paisagem da Serra do Caraça. Aberta ao público mediante o pagamento da taxa de day use, a programação terá shows do cantor Tupete Silva, no dia 27, e do Trio Mineiro Uai, no dia 28, além das tradicionais apresentações de quadrilha e barracas com pratos típicos da culinária mineira. Mais do que uma celebração festiva, a Festa Junina é vista pela administração do Santuário como uma forma de preservar tradições culturais e fortalecer a relação da população com um dos principais cartões-postais do Estado. Segundo o diretor-administrativo do Santuário, padre Adalberto Costa, a Festa Junina é uma das expressões mais autênticas da nossa mineiridade. “Para o Santuário do Caraça, realizar este evento é reafirmar o nosso compromisso com a salvaguarda da nossa identidade. É uma oportunidade de abrir nossos portões para que todos vivenciem a hospitalidade mineira em sua essência”, ressalta. Na avaliação dele, o evento representa também um encontro entre a religiosidade e as manifestações populares que deram origem às festividades juninas. As comemorações tradicionais do mês de junho estão historicamente ligadas à devoção a santos como Santo Antônio, São João e São Pedro. “Entendemos que a cultura é uma manifestação da alma e, portanto, está intimamente ligada à fé. A festa não subtrai a espiritualidade do local; pelo contrário, ela a humaniza e a celebra. Quando vemos as famílias reunidas, celebrando em paz e alegria, estamos vivenciando os valores cristãos de fraternidade e comunhão”. Com mais de 250 anos de história, o Santuário aposta na festa como uma ferramenta para aproximar as novas gerações das tradições culturais mineiras. Para o padre Adalberto, manter costumes populares vivos é um desafio que exige iniciativas capazes de dialogar com diferentes públicos. “Queremos que os jovens percebam que a cultura popular não é algo do passado, mas um alicerce para o futuro. O Caraça oferece esse mergulho na história que ajuda a formar cidadãos mais conscientes de seu legado cultural”. Além das atrações juninas, os visitantes poderão aproveitar a estrutura turística do complexo, que inclui a igreja neogótica, museu, biblioteca histórica, trilhas ecológicas e cachoeiras como a Cascatinha e a Cascatona. O local também é conhecido pela observação do lobo- -guará, experiência exclusiva para hóspedes. De acordo com o diretor, a festa desempenha um papel importante na divulgação do patrimônio histórico, cultural e ambiental da região e contribui para movimentar a economia local. “Muitos vêm atraídos pelo evento e acabam descobrindo a riqueza do nosso museu, a profundidade da nossa biblioteca e a exuberância da nossa reserva natural. Isso fomenta o turismo sustentável e coloca a região em evidência”. A expectativa é de grande movimentação durante os dois dias de programação. Padre Adalberto explica que a equipe do Santuário já trabalha para garantir conforto e segurança aos participantes, enquanto as vagas de hospedagem registram alta procura. “Estamos organizando o espaço para que, mesmo com um grande número de pessoas, o ambiente de paz e o respeito à natureza, que são marcas registradas do Caraça, sejam preservados”. Para quem ainda não conhece o destino, o evento surge como uma oportunidade de reunir cultura, gastronomia, espiritualidade e contato com a natureza em um único passeio. “É a chance de conhecer uma das Sete Maravilhas da Estrada Real em um clima de celebração. É um convite para renovar as energias, alimentar o espírito e se encantar com a beleza que Deus e a história nos deixaram aqui”, conclui padre Adalberto. Serviço Festa Junina do Santuário do Caraça Datas e horários:27 e 28 de junho – sábado a partir das 11h,e domingo, a partir das 12h Endereço:Estrada do Caraça, Km 9, entre Catas Altas e Santa Bárbara