Navegação turística na Pampulha tem aprovação e 7 mil participantes

A etapa inicial da navegação turística na Pampulha registrou sucesso na fase inicial, com 311 passeios realizados desde dezembro de 2025.
Minas Novas aposta em trilha turística para impulsionar economia da localidade

Com um percurso estruturado de 1,7 quilômetro, a cidade de Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha, implementou o projeto “Trilha do Patrimônio Minas Novas – Novas Descobertas”, que conduz os turistas por igrejas barrocas, casarões coloniais, monumentos e espaços culturais do município, com o intuito de impulsionar a economia local. Criado para ser feito de forma autoguiada, com apoio de guia digital ou audioguias, a trilha orienta o visitante a conhecer, além dos pontos históricos, a gastronomia local, a produção do artesanato em cerâmica e o comércio. A visita pode durar entre três e quatro horas. A Trilha do Patrimônio reúne 31 atrativos: sete templos religiosos, nove instituições públicas, sete prédios comerciais, quatro residências históricas, cinco logradouros e monumentos, além de um patrimônio natural. Dois contam com proteção federal, o Sobradão e a Capela São José de Botas, dois com proteção estadual e 16 com proteção municipal. Já na parte da gastronomia, as quitandas de Minas Novas figuram entre os atrativos para quem passa pela cidade. São a expressão viva de uma cultura que resiste há quase três séculos, transmitida de cozinha em cozinha, por mulheres que guardam em suas receitas a memória de um território inteiro. Por meio do Programa Prepara Gastronomia, o Sebrae Minas está documentando receitas, capacitando quitandeiras em gestão e boas práticas de produção e construindo um dossiê de patrimonialização para o reconhecimento formal desse saber como patrimônio imaterial. O conteúdo sobre os pontos do percurso está disponível gratuitamente em duas plataformas: em formato de guia digital para leitura, no site pedraspreciosas.tur.br/minas-novas, e no Spotify, em áudio. Turismo de experiência A iniciativa do Sebrae Minas, em parceria com a Prefeitura Municipal, nasceu de um trabalho técnico conduzido por uma equipe de profissionais especializados em patrimônio e turismo, que realizou visita de imersão na cidade para mapear o roteiro. O analista da entidade mineira, Julian Silva, ressalta que a Trilha do Patrimônio é uma resposta direta a uma mudança de comportamento do turista contemporâneo, que busca cada vez menos o consumo passivo de atrativos e cada vez mais o envolvimento ativo. “O percurso, onde a caminhada em si toma apenas meia hora, e todo o restante é dedicado às paradas, leituras e descobertas, foi desenhado exatamente para esse perfil. Não é um roteiro de visitação rápida, mas um convite à imersão”. “Ao caminhar pelas mesmas ruas que testemunharam o Ciclo do Ouro, provar as quitandas centenárias e conhecer de perto o artesanato em cerâmica, o visitante não apenas observa o município, ele vivencia o território, o que está plenamente alinhado à tendência nacional de valorização do turismo de experiência”, complementa. Economia local O prefeito do município, Alessandro Mota, destaca que a integração de turismo e cultura às ações de desenvolvimento é essencial para fortalecer os setores comerciais. “Minas Novas tem potencial, mas precisamos conectar todas essas preciosidades”. “Estamos falando de um território singular que carrega uma riqueza cultural que poucos lugares do Brasil podem ter: artesanato reconhecido internacionalmente, gastronomia enraizada, paisagens naturais, patrimônio histórico, e comunidades que guardam tradições vivas”, acrescenta. O objetivo central do Sebrae Minas é transformar o fluxo turístico em renda para os pequenos negócios do entorno, esclarece Silva. “A cidade já recebe visitantes pontualmente, o que o projeto faz é dar estrutura e permanência a esse interesse, prolongando a estadia do turista e ampliando as oportunidades de consumo”. O analista afirma ainda que a expectativa é que o programa consolide Minas Novas no mapa do turismo histórico e cultural do estado. “Esperamos a maturação de um ecossistema local de pequenos negócios. Que iniciativas como o dossiê de patrimonialização das quitandas avancem até a identificação formal como patrimônio imaterial, e que o reconhecimento já internacional do artesanato em cerâmica local ganhe ainda mais projeção”, finaliza.
Belo Horizonte permanece em 5º lugar no ranking de qualidade de vida

Belo Horizonte aparece em quinto lugar entre as capitais brasileiras no ranking de qualidade de vida do Índice de Progresso Social (IPS) 2026. O estudo avalia todos os 5.570 municípios do país a partir de indicadores ligados às necessidades básicas da população, ao bem-estar e ao acesso a oportunidades. Em uma escala que vai de 0 a 100, Belo Horizonte atingiu 69,66 pontos. Entre as capitais, Curitiba ocupa a primeira colocação, com 71,29 pontos, seguida por Brasília, São Paulo e Campo Grande. O IPS é produzido por uma rede de instituições, incluindo o Imazon, a Fundação Avina, a iniciativa Amazônia 2030, o Centro de Empreendedorismo da Amazônia e a Social Progress Imperative, sendo atualizado todos os anos. Belo Horizonte manteve o mesmo posicionamento registrado na edição anterior do levantamento. Em 2025, a capital de Minas Gerais também figurou em quinto lugar entre as capitais do país, alcançando 68,22 pontos. Na metodologia do índice, os municípios são organizados em nove faixas de desempenho social. Os grupos 1, 2 e 3 reúnem as cidades com melhores resultados em progresso social, enquanto os grupos 7, 8 e 9 concentram os indicadores mais baixos. O IPS leva em conta uma série de variáveis, como saúde, educação, segurança pública, acesso à água e ao saneamento básico, condições de moradia, conectividade digital, questões ambientais e inclusão social. Entre os elementos avaliados estão, por exemplo, expectativa de vida, taxa de vacinação, índices de homicídio, acesso ao ensino superior, disponibilidade de áreas verdes nas cidades, qualidade da internet, casos de violência contra mulheres e oportunidades de trabalho para pessoas com nível superior. O índice é estruturado em três grandes dimensões. A primeira, de necessidades humanas básicas, abrange itens como alimentação, saúde, moradia e segurança. A segunda, chamada fundamentos do bem-estar, considera educação básica, saúde e aspectos ambientais. Já a terceira, de oportunidades, analisa fatores ligados a direitos individuais, inclusão social e acesso à formação universitária. Para a socióloga Andreia Lima, o desempenho da capital revela um cenário de equilíbrio, mas ainda com desafios estruturais. “Belo Horizonte apresenta pontos fortes relevantes, especialmente em acesso a serviços básicos e na rede de saúde pública, que contribuem para sustentar uma boa colocação no índice. No entanto, ainda existem gargalos importantes na segurança pública, na mobilidade urbana e na redução das desigualdades sociais entre regiões da cidade. Melhorar esses aspectos é fundamental para que a capital avance no ranking e, principalmente, na qualidade de vida real da população”. Ela destaca que os resultados mostram que o progresso social não depende de ações isoladas, mas de políticas articuladas. “Quando analisamos os dados, percebemos que Belo Horizonte tem avanços em educação básica e em acesso a serviços de saúde, mas ainda enfrenta dificuldades em temas como violência urbana, inclusão digital em áreas periféricas e ampliação de oportunidades de emprego qualificado. O poder público precisa investir em políticas integradas, que conectem infraestrutura, assistência social e desenvolvimento econômico, para reduzir desigualdades”. Já para a urbanista Michele Silveira, Belo Horizonte ainda enfrenta desafios importantes relacionados à ocupação do solo, transporte e acesso desigual a equipamentos urbanos. “A cidade tem uma estrutura relativamente consolidada em algumas regiões, mas ainda apresenta uma forte desigualdade territorial. Isso impacta diretamente indicadores como mobilidade, acesso a áreas verdes, saneamento e até segurança. Melhorar a qualidade de vida passa necessariamente por repensar o planejamento urbano, aproximando moradia, trabalho e serviços públicos, além de ampliar investimentos em transporte coletivo de qualidade”. Andreia destaca que uma das prioridades deve ser o fortalecimento da atenção básica e da prevenção em saúde, além da ampliação de áreas verdes e espaços de convivência. “Esses elementos têm impacto direto no bem-estar da população e também refletem em outros indicadores, como saúde mental e qualidade ambiental”. Ela reforça também a importância de investimentos em conectividade digital e qualificação profissional, especialmente para jovens em áreas de maior vulnerabilidade. “A inclusão digital e o acesso ao ensino superior são fatores decisivos para ampliar oportunidades. Sem isso, a cidade acaba reproduzindo desigualdades históricas que dificultam avanços mais significativos no longo prazo”.
Festa Junina estimula turismo e cultura no Santuário do Caraça

O Santuário do Caraça prepara-se para receber visitantes de diversas regiões do Estado e do país durante sua tradicional Festa Junina nos dias 27 e 28 de junho. O evento contará com apresentações musicais, quadrilhas, comidas típicas e atrações culturais em meio à paisagem da Serra do Caraça. Aberta ao público mediante o pagamento da taxa de day use, a programação terá shows do cantor Tupete Silva, no dia 27, e do Trio Mineiro Uai, no dia 28, além das tradicionais apresentações de quadrilha e barracas com pratos típicos da culinária mineira. Mais do que uma celebração festiva, a Festa Junina é vista pela administração do Santuário como uma forma de preservar tradições culturais e fortalecer a relação da população com um dos principais cartões-postais do Estado. Segundo o diretor-administrativo do Santuário, padre Adalberto Costa, a Festa Junina é uma das expressões mais autênticas da nossa mineiridade. “Para o Santuário do Caraça, realizar este evento é reafirmar o nosso compromisso com a salvaguarda da nossa identidade. É uma oportunidade de abrir nossos portões para que todos vivenciem a hospitalidade mineira em sua essência”, ressalta. Na avaliação dele, o evento representa também um encontro entre a religiosidade e as manifestações populares que deram origem às festividades juninas. As comemorações tradicionais do mês de junho estão historicamente ligadas à devoção a santos como Santo Antônio, São João e São Pedro. “Entendemos que a cultura é uma manifestação da alma e, portanto, está intimamente ligada à fé. A festa não subtrai a espiritualidade do local; pelo contrário, ela a humaniza e a celebra. Quando vemos as famílias reunidas, celebrando em paz e alegria, estamos vivenciando os valores cristãos de fraternidade e comunhão”. Com mais de 250 anos de história, o Santuário aposta na festa como uma ferramenta para aproximar as novas gerações das tradições culturais mineiras. Para o padre Adalberto, manter costumes populares vivos é um desafio que exige iniciativas capazes de dialogar com diferentes públicos. “Queremos que os jovens percebam que a cultura popular não é algo do passado, mas um alicerce para o futuro. O Caraça oferece esse mergulho na história que ajuda a formar cidadãos mais conscientes de seu legado cultural”. Além das atrações juninas, os visitantes poderão aproveitar a estrutura turística do complexo, que inclui a igreja neogótica, museu, biblioteca histórica, trilhas ecológicas e cachoeiras como a Cascatinha e a Cascatona. O local também é conhecido pela observação do lobo- -guará, experiência exclusiva para hóspedes. De acordo com o diretor, a festa desempenha um papel importante na divulgação do patrimônio histórico, cultural e ambiental da região e contribui para movimentar a economia local. “Muitos vêm atraídos pelo evento e acabam descobrindo a riqueza do nosso museu, a profundidade da nossa biblioteca e a exuberância da nossa reserva natural. Isso fomenta o turismo sustentável e coloca a região em evidência”. A expectativa é de grande movimentação durante os dois dias de programação. Padre Adalberto explica que a equipe do Santuário já trabalha para garantir conforto e segurança aos participantes, enquanto as vagas de hospedagem registram alta procura. “Estamos organizando o espaço para que, mesmo com um grande número de pessoas, o ambiente de paz e o respeito à natureza, que são marcas registradas do Caraça, sejam preservados”. Para quem ainda não conhece o destino, o evento surge como uma oportunidade de reunir cultura, gastronomia, espiritualidade e contato com a natureza em um único passeio. “É a chance de conhecer uma das Sete Maravilhas da Estrada Real em um clima de celebração. É um convite para renovar as energias, alimentar o espírito e se encantar com a beleza que Deus e a história nos deixaram aqui”, conclui padre Adalberto. Serviço Festa Junina do Santuário do Caraça Datas e horários:27 e 28 de junho – sábado a partir das 11h,e domingo, a partir das 12h Endereço:Estrada do Caraça, Km 9, entre Catas Altas e Santa Bárbara
Projeto ambiental pretende aproximar os jovens do Parque Mata do Limoeiro

O Parque Estadual Mata do Limoeiro, localizado em Itabira, na Região Central de Minas Gerais, recebe o projeto “Me Vejo no Limoeiro”, iniciativa de educação ambiental que pretende aproximar os jovens da unidade de conservação por meio da arte. A expectativa é alcançar cerca de 350 estudantes de escolas estaduais e municipais dos distritos de Ipoema e Senhora do Carmo, além das comunidades de São José do Macuco, Duas Pontes e Campo Gordura. De março deste ano a março de 2027, estudantes de seis escolas das comunidades do entorno do parque vão participar de um concurso cultural de desenhos e redações que busca construir uma cartografia afetiva sobre o território. O projeto é destinado a estudantes do ensino fundamental e médio. As inscrições para o concurso serão realizadas diretamente nas escolas participantes, com o apoio de professores de arte e língua portuguesa, que vão atuar como mentores ao longo do processo criativo. Antes do concurso, os estudantes também vão participar de visitas ao parque financiadas pelo projeto. Os trabalhos produzidos pelos participantes serão transformados em produtos culturais, incluindo uma exposição artística e um livro ilustrado reunindo desenhos e redações desenvolvidos durante o processo. Além das premiações para estudantes e professores, todos os participantes receberão medalhas, camisetas e ecobags do programa. As escolas envolvidas também serão contempladas com kits de materiais artísticos. O encerramento do projeto contará com a abertura da exposição e o lançamento do livro com as obras selecionadas. O produtor-executivo e curador do “Me Vejo no Limoeiro”, Frederico Mendes de Carvalho, ressalta que existe uma grande dificuldade na preservação ambiental, em relação à juventude, que tem a ver com a linguagem. “Fazer as pessoas compreenderem que o mundo natural é fundamental para a vida é um desafio. E a cartografia afetiva surge como uma ferramenta para fortalecer a relação do público com a unidade de conservação”. Ele explica que a cartografia afetiva é uma forma de mapear experiências, memórias, sentimentos e as relações que construímos com os lugares e as pessoas. “É importante dizer que a cartografia afetiva não se trata apenas de representar espaços físicos, mas revelar os afetos que produzem sentido na nossa experiência. E isso vai ser impresso por meio das redações e dos desenhos”. “A missão é construir uma cartografia afetiva do Parque Estadual Mata do Limoeiro e, a partir disso, fortalecer o senso de pertencimento dos estudantes em relação à unidade de conservação, promovendo uma consciência crítica sobre a importância do local para a comunidade”, destaca Alex Amaral, gerente do parque. Segundo Carvalho, iniciativas como essa podem influenciar o futuro das unidades de conservação. “Demonstram a potência da articulação dos parques com a sociedade, as escolas e a comunidade, e por meio dela, a própria transformação da consciência e o desenvolvimento da consciência crítica. Essas ações demonstram também que as parcerias são muito importantes para que esses locais se tornem mais fortes e potentes nos seus territórios”. O “Me Vejo no Limoeiro” é uma iniciativa da Associação Move Cultura e conta com parcerias da Prefeitura de Itabira, Vila Ipoema, Instituto Bromélia, Instituto Gigante Verde e Incutai. O projeto é financiado pelo Ministério Público de Minas Gerais, por meio da Plataforma Semente. Mata do Limoeiro O Parque Estadual Mata do Limoeiro está localizado na Serra do Espinhaço, possui 2.056 hectares e fica a cerca de 7 km do Parque Nacional da Serra do Cipó. A vegetação é composta por fragmentos de Mata Atlântica e Cerrado, onde já foram identificadas ao menos três espécies ameaçadas de extinção: o jacarandá-caviúna, a braúna-preta e o samambaiuçu. Quanto à fauna, já foram observadas espécies raras como o rato do mato, típico do Cerrado, e o gambá-de-orelha-branca, presente somente em áreas de Mata Atlântica. A unidade de conservação possui diversas trilhas, cachoeiras, grutas, mirantes, corredeiras, e os principais atrativos turísticos são a Trilha dos Sentidos, a Cascata do Limoeiro, o complexo do Paredão, Cachoeira do Derrubado e Gruta do Limoeiro.
Cancelamentos de corrida são queixas dos apps de transporte

O cancelamento de corridas poucos minutos antes do embarque é a principal reclamação do artista cênico Gustavo Gomes, de 61 anos, sobre os aplicativos de transporte. O usuário utiliza o serviço pelo menos duas vezes por semana. Gomes alega que esse problema gera atrasos nos seus compromissos. “Se a gente cancela, recebemos multa. Quando eles cancelam, não temos nenhum respaldo. Sou morador de Sete Lagoas, na região Central, e utilizo o aplicativo da 99 para o lazer. Mas, encontro algumas dificuldades na prestação desse serviço, por exemplo, encontrar motoristas em determinados horários”. Segundo dados do ProconData, entre 1º de janeiro e 28 de abril de 2026, foram registradas 1.181 reclamações dos aplicativos Uber, 99, Indrive e Lady Driver, em Minas Gerais. Em Belo Horizonte, no mesmo período, foram 552 manifestações no Procon e na Ouvidoria do Ministério Público de Minas Gerais. Conforme uma análise realizada pela Peck Advogados, baseada nos dados da plataforma Reclame Aqui, as queixas dos consumidores obtiveram uma alta de 19,5%, entre 2022 e 2023. Foi um aumento de 100 mil para 124 mil registros. Falta de transparência nas tarifas, motoristas pouco preparados ou mal avaliados, atrasos significativos, e, em alguns casos, problemas de segurança, foram as principais reclamações. O sócio da Peck Advogados, Henrique Rocha, destaca que uma das principais razões por trás desse aumento está relacionada à expansão rápida e à falta de regulação efetiva. “A concorrência acirrada entre diferentes empresas de aplicativos de transporte privado levou a práticas comerciais agressivas, resultando em serviços inconsistentes e inadequados”. “A resistência de algumas empresas em lidar efetivamente com as reclamações dos usuários e implementar mudanças positivas em resposta ao feedback contribuiu para a persistência desses entraves”, afirma Rocha. O Procon e a Secretaria Nacional do Consumidor recomendam que, diante de problemas com aplicativos de transporte, o consumidor utilize os canais oficiais da plataforma e, caso não resolvido, registre a queixa em órgãos de defesa do consumidor. Jornadas longas O motorista Willian Mendes, de 35 anos, que trabalha para os aplicativos Uber, 99 e Indrive em Belo Horizonte e Região Metropolitana, ressalta que os principais desafios do dia a dia são a insegurança, a baixa remuneração e a falta de suporte. “São entre 10 e 12 horas à frente do volante e o valor pago pelas corridas é péssimo. O suporte oferecido pelos aplicativos é muito ruim e o atual modelo de gestão afeta a qualidade do serviço”. Já o condutor Gustavo Brant, de 44 anos, que trabalha com a Uber e, esporadicamente, a 99 Pop, aponta também a insegurança e a instabilidade dos ganhos como as principais dificuldades. “Sou motorista de aplicativo desde 2018, trabalho entre 8 e 12 horas por dia. O pagamento por corrida, na maioria das vezes, é baixo diante dos custos que temos, com manutenção do veículo e combustível, além do desgaste físico e mental”. Ele pontua que o suporte oferecido pelos aplicativos poderia ser melhor. “Muitas vezes, o motorista sente falta de um atendimento mais humano e de soluções mais rápidas para problemas importantes. E o modelo atual das plataformas acaba impactando a qualidade do serviço, porque os condutores precisam trabalhar jornadas muito longas para conseguir manter a renda, o que gera desgaste e afeta toda a operação”. “Já precisei cancelar corridas em algumas situações, principalmente quando o embarque era em local de risco, o passageiro demorava excessivamente, não compensava financeiramente ou havia informações desencontradas no chamado”, pontua. Brant conta também que já teve situações envolvendo avaliações injustas e problemas no aplicativo. “Mas, felizmente nunca tive bloqueio definitivo. Muitos motoristas vivem com receio constante de punições automáticas. Porém, ainda acho que vale a pena continuar no serviço, principalmente pela flexibilidade de horário”. A reportagem entrou em contato com os aplicativos Uber, 99 e Indrive, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.
Belo Horizonte se destaca como destino gastronômico no Brasil

Reconhecida pela Unesco como Cidade Criativa da Gastronomia, Belo Horizonte figura entre os quatro destinos brasileiros que possuem esse título. A cidade ganha projeção internacional pela originalidade de suas receitas, valorização dos ingredientes regionais e desenvolvimento de políticas públicas voltadas à segurança alimentar e à agroecologia. Já a Pesquisa de Hábitos Gastronômicos de BH realizada pela Belotur apontou que os moradores gastam, em média, R$ 600 por mês em bares e restaurantes e que costumam se alimentar fora de casa a cada três dias. Entre os entrevistados, 95% avaliaram a gastronomia local como satisfatória ou acima das expectativas, com índice de recomendação de 9,3. De acordo com os dados, o prato que mais simboliza a culinária da cidade é o tradicional feijão tropeiro. A diversidade e a qualidade da comida de Belo Horizonte receberam nota média de 8,5. Já entre os turistas, a percepção é ainda mais positiva: 95% afirmaram que a experiência atendeu ou superou o esperado, e 63% consideram a gastronomia um aspecto decisivo na escolha de visitar a cidade. Na avaliação do agente de viagens, Vicente Brandão, a gastronomia exerce um papel estruturante no desenvolvimento da capital mineira. “Belo Horizonte conseguiu transformar sua cultura alimentar em um ativo econômico robusto. Os bares, restaurantes e mercados não apenas geram emprego e renda, mas também funcionam como espaços de convivência e expressão cultural. Isso cria uma experiência única para o turista, que passa a enxergar a cidade como um destino gastronômico de referência”. Segundo Brandão, o impacto vai além dos limites municipais. “A força da gastronomia de Belo Horizonte ajuda a projetar todo o Estado de Minas Gerais. Muitos visitantes chegam à capital e, a partir dessa experiência, se interessam por conhecer outras regiões, como o interior, onde encontram produtos artesanais, queijos e tradições culinárias igualmente ricas. É um efeito em cadeia que fortalece cada vez mais o turismo regional como um todo”. Outro ponto destacado por especialistas é o papel dos bares na construção da identidade da cidade. Para o antropólogo Carlos Menezes, os estabelecimentos são parte essencial do modo de vida belo-horizontino. “Os bares não são apenas locais para consumir alimentos e bebidas. Eles são espaços de sociabilidade, onde as pessoas constroem relações. Essa cultura do bar é tão forte que se tornou um dos principais elementos da identidade da cidade”. Ele ressalta que essa característica também se reflete na experiência turística. “Quando o visitante chega a Belo Horizonte, ele não encontra apenas pratos típicos, mas um ambiente acolhedor, marcado pela informalidade e pela hospitalidade. Isso faz toda a diferença. O turista não quer apenas comer bem, ele quer se sentir parte daquele contexto, e os bares proporcionam isso”. A combinação entre tradição e inovação é outro fator que contribui para o destaque da gastronomia local. Enquanto receitas clássicas como o feijão tropeiro continuam sendo valorizadas, chefs e cozinheiros exploram novas técnicas, mantendo viva a essência mineira, mas dialogando com tendências contemporâneas. Esse equilíbrio tem sido fundamental para consolidar Belo Horizonte como um dos principais destinos gastronômicos do país. A cidade demonstra que a culinária pode ser patrimônio cultural e motor de desenvolvimento econômico, atraindo visitantes e fortalecendo a identidade local.
Projeto abre portas para participação de mulheres no segmento da tecnologia

Em um mercado cada vez mais estratégico para empresas, governos e cidadãos, a participação feminina ainda está longe do ideal. No Brasil, as mulheres representam apenas 17% da força de trabalho em cibersegurança. Para enfrentar essa desigualdade e incentivar novas trajetórias profissionais, o projeto Mulheres de Exatas em Cibersegurança (METIS), idealizado por professoras do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), trabalha com meninas de escolas públicas de Belo Horizonte e da Região Metropolitana. Coordenada pela pesquisadora Michele Nogueira, a iniciativa atende 35 alunas de sete escolas públicas, do ensino fundamental ao médio em Belo Horizonte e Região Metropolitana. O foco está na formação prática em cibersegurança, mentorias, criação de rede de contatos e aproximação com o mercado de trabalho. Segundo Michele, o afastamento feminino dessas áreas está ligado a fatores históricos e culturais que ainda persistem no país. “As meninas e mulheres ainda enfrentam preconceito em relação à sua capacidade. Existe uma mentalidade muito mais masculina quando se fala de força de trabalho, e isso não é algo específico da tecnologia. Mas, nessa área, os preconceitos acabam afastando as meninas”. Ela ressalta que o desafio não se resume ao acesso à formação técnica, mas também à forma como mulheres são vistas e se posicionam profissionalmente. “Esses preconceitos não vêm só dos homens. Também aparecem na mentalidade feminina, na maneira como muitas mulheres pensam e se colocam no mercado de trabalho”. A experiência pessoal da pesquisadora em ambientes predominantemente masculinos ajudou a moldar o projeto. Para Michele, muitas ferramentas que hoje são parte do METIS fizeram falta em sua própria trajetória. “Muito da concepção metodológica e dos objetivos do projeto veio do que nós sentimos ausência no nosso processo de formação. Um programa de mentoria que pudesse orientar, indicar caminhos e apoiar em situações difíceis teria ajudado. Não tivemos isso, e hoje buscamos oferecer às meninas exatamente esse suporte”. O projeto ainda está em fase inicial, com pouco mais de um ano de atividade, e por isso, os resultados de longo prazo ainda estão em construção. Mesmo assim, a expectativa é de impacto crescente nos próximos anos, tanto na escolha profissional das participantes quanto na permanência delas em cursos e carreiras ligadas à tecnologia. Além das estudantes diretamente atendidas, a pesquisadora destaca um efeito multiplicador dentro das famílias e comunidades. “Estamos formando sementinhas de futuras profissionais. Essa conscientização chega também às famílias, aos amigos e ao entorno dessas meninas. Isso pode despertar o interesse de outras pessoas e fortalecer a competitividade e a soberania digital do país”. Parcerias Outro diferencial do METIS é a integração com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Inteligência Artificial para Cibersegurança (INCT-IACiber), sediado na UFMG. A conexão permite mais contato com pesquisadores, empresas e lideranças do setor. Para Michele, ampliar a presença feminina exige também políticas públicas voltadas ao ingresso e à permanência dessas profissionais. “Esperar apenas a mudança natural de comportamento levaria muito mais tempo. As políticas públicas podem acelerar esse processo de inserção e permanência das mulheres na tecnologia e na cibersegurança”, conclui.
Turismo rural aumenta a renda de produtores em até 30% no Estado

O turismo rural tem impulsionado a renda de produtores em Minas Gerais, com aumento de até 30% em algumas propriedades que abriram as portas para visitantes. Experiências com queijos, cafés, doces e cachaças têm atraído turistas e transformado atividades tradicionais do campo em novos negócios. Atualmente, são 266 propriedades abertas ao turismo. Em 2025, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) realizou cerca de 3,4 mil atendimentos a produtores que investem no segmento, com presença em diferentes regiões, como Norte, Sul e Noroeste do Estado. A coordenadora técnica de Turismo Rural da Emater-MG, Thatiana Garcia, destaca que a atividade começou a crescer no pós-pandemia. “As pessoas começaram a querer entender mais sobre a produção de alimentos, e também ter uma vivência no local. Temos produtores que já vivem exclusivamente do turismo. Eles não vendem mais produtos para terceiros, e para adquiri-los, é preciso ir até a propriedade”. Em Ritápolis, no Campo das Vertentes, a Queijaria Seu Jorge transformou o dia a dia da produção em uma atração turística. Administrado por sete mulheres da mesma família, o local recebe visitantes interessados em conhecer o processo de fabricação. “O turista chega da cidade grande com muitas expectativas, e é uma troca interessante. Ele pode acompanhar a ordenha, ver como o queijo é feito, para depois saboreá-lo com café”, conta a proprietária Vera Lúcia Cardoso. Já em São João del-Rei, a Cachaça Morro Grande abriu o alambique à visitação e passou a integrar o roteiro turístico da região. Com produção anual entre 15 mil e 20 mil litros, o produtor José do Carmo Rezende explica que o turista vai ver todo o processo de fabricação da cachaça. “Desde o plantio e a moagem, até a degustação. Isso ajuda a valorizar a bebida e aumentar ainda mais as vendas”. Thatiana acrescenta que o turismo rural não se limita à produção de itens como queijo e cachaça, há outras atividades. “O ecoturismo, visitas em comunidades tradicionais, como quilombolas, indígena e ribeirinhos, além das propriedades de produtos orgânicos”. Acreditar no potencial A técnica ressalta que existem duas principais dificuldades dos produtores para exercer esse tipo de atividade em suas propriedades. “Eles precisam acreditar em seu potencial. É necessário compreender que os turistas querem visitar e vivenciar essas experiências. A partir disso, aparece o segundo obstáculo, que é a precificação. Muitos ainda não conseguem entender que as pessoas pagam para ir nas propriedades rurais e valorizam esse tipo de turismo”. Ela afirma ainda que a Emater ajuda na capacitação dos produtores. “Mas, também na orientação dos profissionais que trabalham diretamente nos escritórios locais da instituição. Fazemos um diagnóstico para entender se aquela propriedade consegue ou não receber visitantes, o que precisa desenvolver e qual é o desejo do produtor. A metodologia mais utilizada pelos extensionistas é do ouvir, de ver o que aquele empreendedor quer, como vai vivenciar e o que ele quer fazer”. “As nossas expectativas sobre o turismo rural são as melhores e maiores possíveis. Acreditamos que esse crescimento faça movimentar cada vez mais o segmento externamente e internamente. A atividade traz uma valorização do município. Queremos desenvolver esse setor para que cresça cada dia mais e prevaleça mais forte”, complementa. A partir de maio, será aberta a atualização para a 4ª edição do catálogo Ruralidade Viva, que é uma iniciativa para dar mais visibilidade aos trabalhos desses produtores. As pessoas que tiverem interesse, é só procurar o escritório da Emater, conversar com o técnico e fazer o cadastro. A entidade auxilia todos, desde quem está começando até aquele que já está no mercado. “Estamos abertos para fazer o atendimento a todos que se interessarem em trabalhar com turismo rural”, finaliza Thatiana.
Belo Horizonte registra mais de 13 mil acidentes no início de 2026

Belo Horizonte contabilizou mais de 13 mil ocorrências de trânsito apenas nos dois primeiros meses de 2026. De acordo com dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), a Avenida Cristiano Machado, um dos principais eixos viários da capital, passou a liderar o ranking de acidentes e fatalidades. Com extensão de 11,7 km, a via registrou 596 colisões, cerca de 10 por dia, e três mortes, ultrapassando o Anel Rodoviário, que teve 519 acidentes e um óbito ao longo de seus 22 km, mesmo sendo historicamente o trecho com maiores índices na cidade. Além disso, os registros de combinação entre consumo de álcool e direção seguem em patamar elevado. Em Minas Gerais, foram contabilizadas 546 ocorrências desse tipo, das quais 253 envolveram ao menos uma vítima. Em Belo Horizonte, a capital do estado, houve 47 registros relacionados a essa situação. O cenário na Cristiano Machado é resultado de uma combinação de fatores estruturais, comportamentais e de planejamento urbano. O especialista em segurança viária e trânsito, José Carlos Souza, explica que a via concentra características que aumentam significativamente o risco de acidentes. “A Cristiano Machado funciona como um corredor híbrido: ao mesmo tempo em que é via de trânsito rápido, ela também está inserida em uma área urbana densa, com cruzamentos frequentes, acessos comerciais e grande circulação de pedestres. Essa mistura eleva o conflito viário e reduz a previsibilidade do tráfego”. Segundo Souza, outro ponto crítico é a alta taxa de variação de velocidade ao longo do trecho. “O motorista sai de um segmento de fluxo livre e rapidamente encontra semáforos, entradas de bairros e pontos de ônibus. Essa alternância exige uma atenção constante que nem sempre é respeitada, o que contribui para colisões traseiras e laterais”. A urbanista Fernanda Bastos acrescenta que o desenho urbano da avenida também influencia diretamente os índices elevados de acidentes. “A Cristiano Machado foi estruturada para priorizar a fluidez dos veículos, mas não acompanhou de forma adequada o crescimento populacional e a expansão de atividades comerciais ao longo do seu eixo. Hoje, há uma disputa intensa entre carros, ônibus, motocicletas e pedestres, sem que a infraestrutura tenha sido totalmente adaptada para isso”. Diante do cenário, especialistas defendem que a redução dos acidentes depende de um conjunto integrado de políticas públicas. Entre as medidas mais citadas está o reforço na fiscalização eletrônica e presencial, especialmente em vias de alto fluxo como a Cristiano Machado e o Anel Rodoviário. “A fiscalização precisa ser constante e inteligente, com uso de dados em tempo real para identificar pontos críticos e horários de maior risco”, afirma Souza. No campo da prevenção ao consumo de álcool associado à direção, o especialista defende campanhas educativas contínuas e ações integradas com bares, restaurantes e aplicativos de transporte. “A conscientização precisa ser permanente, não apenas em datas comemorativas. Além disso, políticas que incentivem alternativas seguras de deslocamento após o consumo de álcool são fundamentais para reduzir esse tipo de ocorrência”. Outra estratégia apontada por Fernanda é a requalificação urbana da avenida, com foco na redução de conflitos entre diferentes modais de transporte. Isso inclui a criação de travessias mais seguras para pedestres, reorganização de acessos, melhorias na sinalização e revisão dos limites de velocidade em trechos específicos. “Não basta apenas punir o comportamento inadequado. É necessário redesenhar o espaço urbano para que ele induza comportamentos mais seguros”.