Feijoada do Maranhão completa 35 anos com grande festa no Clube Jaraguá

A Feijoada do Maranhão completa 35 anos de história em 2026. O evento, que começou com um almoço organizado por amigos para ajudar o repórter fotográfico Valdez Maranhão após o roubo de sua câmera, transformou-se em uma festa realizada em diferentes cidades do Brasil e também no exterior. A primeira edição ocorreu em 1991 e reuniu cerca de 200 pessoas. Sensibilizados com a situação de Maranhão, amigos das áreas do jornalismo e do turismo organizaram o encontro para arrecadar recursos para a compra de um novo equipamento, sua principal ferramenta de trabalho. O objetivo foi alcançado e a iniciativa acabou dando origem à tradicional festa que se mantém até hoje. Maranhão afirma que não imaginava que o encontro chegaria às três décadas e meia de existência. “Nunca pensei que o evento fosse crescer tanto. A feijoada é um dos pratos mais conhecidos na culinária nacional, e essa iguaria é importante para o meu restaurante”. Ao longo dos anos, a Feijoada do Maranhão deixou de ser um encontro local para ganhar projeção nacional e internacional. A festa passou por diferentes locais de Belo Horizonte e do interior de Minas Gerais, como o Estádio Mineirão e a cidade histórica de Tiradentes. Em 2011, chegou a São Luís, no Maranhão, terra natal do fundador. Cinco anos depois, em 2016, teve sua primeira edição internacional, em Lisboa, Portugal. O repórter fotográfico conta que sempre teve o desejo de levar a festa para fora do Brasil. “Levamos os brasileiros para Portugal e realizamos a feijoada com essa mistura de mineiros e portugueses”, relembra Maranhão. Grande festa A edição comemorativa dos 35 anos será realizada no dia 12 de setembro, às 13h, no Clube Jaraguá, na região da Pampulha, em Belo Horizonte. A programação terá apresentações da cantora Amanda Alves, da Banda Kayambá e participações especiais, como Joice Índia. O evento também contará com a tradicional feijoada, open bar e camisa personalizada. Os ingressos para a festa e outras informações podem ser obtidos pelo telefone e WhatsApp do Buteco do Maranhão, (31) 99235- 3540, responsável pela organização do evento. A trajetória da Feijoada, no entanto, já tem o destindo seguinte definido. De acordo com Maranhão, a próxima edição será realizada em São Luís, no Maranhão, no Hotel Rio Poty, em 31 de outubro.
Plataforma Discord recorre contra suspensão de lives determinada pela ANPD

A plataforma Discord suspendeu por prazo indeterminado o recurso que permitia aos usuários realizarem transmissões de vídeo pelo aplicativo. A decisão ocorreu após uma determinação preventiva da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), emitida no dia 12 de agosto. Segundo a medida, a restrição busca impedir situações de violência e práticas de coerção envolvendo menores de idade. Entre os casos que motivaram a intervenção está o de uma adolescente de 13 anos, residente em Naviraí (MS), que morreu por suicídio em 22 de julho após ser vítima desse tipo de situação. De acordo com a plataforma, a restrição atinge apenas as funções relacionadas às transmissões ao vivo e ao envio de vídeos, sem interferir nas conversas por texto, nas chamadas de áudio ou nas demais ferramentas. A empresa também informou que mantém tratativas com a ANPD para encontrar uma alternativa que possibilite a retomada das transmissões de vídeo entre os usuários no Brasil. No dia 24 de agosto, a plataforma recorreu da decisão da ANPD. No pedido, a empresa requer que a medida seja suspensa imediatamente para permitir a retomada das lives e também solicita a revogação da decisão cautelar. Entre os argumentos apresentados estão a suposta ausência de competência da agência para impor a restrição, possíveis irregularidades no procedimento e o entendimento de que a penalidade aplicada seria excessiva. Para a psicóloga em educação digital Carla Silva, a intervenção da ANPD é considerada necessária diante da dimensão dos riscos envolvidos. “Quando uma plataforma apresenta dificuldades para impedir situações que podem colocar menores em perigo, é legítimo que o poder público cobre mudanças concretas. A prioridade deve ser garantir um ambiente digital mais seguro, principalmente para quem ainda está em fase de desenvolvimento”. Essa decisão, porém, também abre espaço para uma discussão sobre os limites da atuação do Estado na internet. Conforme o advogado de direito digital Victor Ferreira, medidas de proteção precisam estar acompanhadas de fundamentação jurídica e de critérios claros. “A proteção dos adolescentes é indispensável, mas uma restrição dessa natureza precisa observar competência legal, devido processo e proporcionalidade. A questão não é escolher entre segurança e liberdade, mas encontrar uma forma de preservar as duas”. Segundo Carla, a controvérsia mostra a importância crescente da ANPD na proteção de dados e na fiscalização de práticas que podem afetar a privacidade e a segurança dos brasileiros. “Criada pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a autoridade tem entre suas atribuições orientar, regulamentar e fiscalizar o cumprimento das regras relacionadas à proteção de dados pessoais. Quando o assunto envolve crianças e adolescentes, a preocupação ganha uma dimensão adicional, já que esse público pode estar mais vulnerável à manipulação, ao assédio e à exposição indevida no ambiente virtual”, alerta a psicóloga. A atuação da autoridade também reforça uma mudança na relação entre empresas de tecnologia e órgãos públicos. “Durante anos, plataformas digitais cresceram em ritmo acelerado, enquanto governos e legisladores buscavam acompanhar os novos problemas provocados por esses serviços. Hoje, questões como privacidade, segurança de menores, moderação de conteúdo e responsabilidade das empresas estão no centro do debate sobre a utilização das redes e aplicativos”, ressalta Ferreira. Ele comenta ainda que o recurso apresentado pelo Discord deverá levar essa discussão adiante. “Caso a empresa consiga reverter a decisão, as transmissões poderão ser restabelecidas, possivelmente acompanhadas de novas exigências de segurança. Se a ANPD mantiver a medida, o episódio poderá estabelecer um precedente importante sobre a capacidade da autoridade de determinar restrições temporárias a funcionalidades de grandes plataformas quando identificar riscos à proteção de dados e à segurança dos usuários”.
Artesanato em cerâmica do Vale do Jequitinhonha ganha espaço em Paris

Durante décadas, as mãos dos artesãos do Vale do Jequitinhonha moldaram o barro para preservar tradições, contar histórias e garantir renda para famílias da região. Em setembro, esse patrimônio cultural ultrapassará fronteiras e ganhará espaço na Paris Design Week, um dos principais eventos mundiais de design e arte. Entre os dias 10 e 14 de setembro, cerca de 150 esculturas produzidas por artesãos de quatro comunidades do Jequitinhonha serão apresentadas na Maison & Objet Paris 2026, considerada uma das mais importantes feiras internacionais de decoração, design, arte e lifestyle. As peças serão exibidas para compradores, galeristas, arquitetos, designers e curadores de diversos países. As obras também integrarão a exposição “A Terra Modelada pela Arte – Exclusiva Vale do Jequitinhonha”, na Ricardo Fernandes Gallery, no bairro Marais, entre os dias 8 e 18 de setembro. A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Sebrae Minas e o Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede). Para a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, a missão vai além da promoção comercial. “Vocês representam 21 milhões de mineiros, a cultura do nosso Estado e um patrimônio cultural imaterial que faz parte da identidade de Minas. O artesanato é capaz de unir desenvolvimento econômico, inclusão social e valorização cultural”. Uma trajetória de valorização A presença em Paris é resultado de um trabalho de longo prazo. De acordo com gerente regional do Sebrae Minas, Rogério Fernandes, são mais de duas décadas de ações voltadas ao fortalecimento da identidade, da gestão e do acesso a mercados para os artesãos da região. “Hoje atendemos cerca de 150 artesãos, sendo 96% mulheres, em quatro comunidades que se tornaram referência na produção cerâmica”. O trabalho ganhou força em 2019, com o projeto “Identidade e Origem”, que culminou no lançamento da Marca Território Vale do Jequitinhonha, em 2021. Quatro comunidades são beneficiadas pela iniciativa: Campo Alegre, Coqueiro Campo, Santana do Araçuaí e Cachoeira do Fanado. Desde então, os artesãos participaram de exposições em espaços como o Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), no Rio de Janeiro. Outro marco foi a criação da “Viagem para a Origem”, iniciativa que leva compradores para conhecer as comunidades artesãs. Segundo Fernandes, a ação movimentou mais de R$ 450 mil em compras e encomendas em 2025. “Quando levamos os compradores para a região, eles conhecem a história por trás das peças e criam uma conexão direta com os artesãos. Isso gera valor e abre novas oportunidades de negócios”. Identidade que ganha o mundo A curadoria da exposição na Maison & Objet é assinada por Marco Aurélio Pulchério, que vê no artesanato do Jequitinhonha uma oportunidade de apresentar ao mundo uma produção singular. “Essa feira reúne aproximadamente 70 mil visitantes e 2.300 expositores de cerca de 140 países”. De acordo com Pulchério, a mostra permitirá revelar ao público internacional muito mais do que as tradicionais bonecas de barro. “Estamos contando a história de comunidades que resistiram, preservaram seus saberes e transformaram sua cultura em arte”. Participarão das exposições em Paris os artesãos Andréia Andrade, Augusto Ribeiro, Alice Costa, Anísia Lima e Adriana Xavier. Juntos, levarão à França obras inspiradas no cotidiano, na ancestralidade e na identidade cultural do Vale do Jequitinhonha. Trabalho que passa de gerações Filha e neta de artesãs, Anísia começou a modelar o barro ainda criança. “Eu tinha oito anos de idade, brincando junto com a minha mãe, fazendo as peças. É uma tradição de muitos anos”. Ela lembra que no passado, as peças eram transportadas no lombo de animais para serem vendidas nas feiras da região. Hoje, vê o artesanato alcançar mercados que suas antepassadas jamais imaginaram. “É um sentimento de muita alegria e satisfação. Penso que as nossas avós sonhavam em ver o artesanato expandir, mas talvez não imaginassem que chegaria tão longe”.
Uso de rebite por caminhoneiros expõe riscos nas rodovias do país

Cerca de 27% dos caminhoneiros admitem utilizar algum tipo de substância psicoativa para enfrentar a jornada. Entre esses usuários, 35,4% citam o rebite. A 3ª Pesquisa Nacional da CNTA – Realidade do Transportador Autônomo de Cargas (2025) aponta também que o uso dessas substâncias está diretamente ligado às condições de trabalho. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) fez a maior apreensão de anfetaminas registrada pela instituição em 2026, no final de julho. Aproximadamente 93.753 comprimidos de rebite foram confiscados durante fiscalização na BR-153, em Tocantins. Até então, a maior ocorrência do ano havia sido registrada em junho, cerca de 45 mil comprimidos, da mesma substância, na BR-153, em Goiás. Dados da PRF apontam também para um aumento de quase 450% nas apreensões no primeiro semestre. O coordenador-geral de Segurança Viária da PRF, Stênio Pires Benevides, salienta que um dos desafios da fiscalização é que esse problema possui várias dimensões. “Existe a questão da circulação e comercialização irregular dessas substâncias, que exige atuação policial, inteligência e fiscalização. Mas há também o consumo pelo próprio condutor”. “Por isso, nossa atuação precisa olhar não apenas para a substância encontrada, mas também para os fatores de risco. Para a segurança viária, é fundamental identificar situações de fadiga, excesso de jornada e outras condições que possam comprometer a capacidade do motorista de conduzir com segurança”, acrescenta. O Médico do Tráfego e Diretor de Qualidade Profissional da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), Alysson Coimbra, ressalta que esses números são um sinal de alerta. “O problema vai muito além da droga em si. O chamado rebite é utilizado de forma indevida para prolongar o estado de vigília. E isso transforma a saúde do motorista em uma questão de segurança coletiva”. Coimbra destaca ainda que o aumento nas apreensões não significa automaticamente um crescimento do consumo. “Pode existir maior circulação da substância, mas também mais operações, melhor inteligência policial ou grandes apreensões pontuais que elevam muito o total”. Incentivo perverso Segundo Coimbra, estudos com caminhoneiros relacionam o uso de anfetaminas justamente à tentativa de permanecer acordado durante as viagens. “Quando a remuneração ou a pressão econômica estimula jornadas excessivas, temos um incentivo perverso: o motorista passa a lutar biologicamente contra o sono para conseguir cumprir uma exigência profissional”. Para o especialista, o enfrentamento do problema passa pelo combate à fadiga do caminhoneiro. “Com fiscalização da jornada e das substâncias psicoativas; cumprimento efetivo dos períodos de descanso; saúde integral do motorista profissional; e responsabilização de toda a cadeia de transporte por condições seguras de trabalho”. Saúde do profissional O diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL), Litti Dahmer, explica que encontrar alternativas para a resolução desse problema é difícil. “É uma decisão e uma pressão individual influenciada por vários fatores, que envolvem a jornada de trabalho, a dificuldade econômica e questões emocionais e pessoais”. Precisamos de uma política pública realmente eficaz no âmbito da saúde, afirma Dahmer. “Esses programas precisam visualizar essa categoria para oferecer condições de atendimento médico e psicológico, para uma assistência em conjunto com a família”. O acesso a esse público é difícil, porque o usuário precisa admitir o problema e querer fazer uma mudança no seu comportamento, complementa o diretor. “A solução tem que envolver tanto políticas públicas de saúde quanto questões econômicas, e ainda um suporte da família. É tratar o profissional, dar condições adequadas de tratamento, de auxílio e de ajuda para quem precisa. A luta é de todos”. “O rebite não vence o sono, apenas mascara temporariamente um sinal de que o organismo precisa parar. Quando discutimos esse problema, não estamos falando somente da vida do caminhoneiro. Existem famílias que viajam ao lado de veículos que podem pesar dezenas de toneladas. Precisamos substituir a cultura de chegar a qualquer custo pela de chegar com segurança”, finaliza Coimbra.
Castigo físico em crianças ainda faz parte da rotina de muitas famílias

Uma pesquisa conduzida pelo Instituto Futuro é Infância Saudável, vinculado à Fundação José Luiz Setúbal, em parceria com a Quaest, revelou uma discrepância entre o que os brasileiros consideram ser a forma mais adequada de educar crianças e adolescentes e a maneira como parte da população efetivamente reage em situações de desobediência ou conflito. Segundo o levantamento, 91% dos brasileiros acreditam que conversar com a criança e explicar o erro é a melhor forma de educar. Na prática, 93% afirmaram já ter adotado essa estratégia ao menos uma vez. Ao mesmo tempo, o estudo mostra que medidas mais severas ainda são comuns. Gritar com a criança foi admitido por 62% dos entrevistados, enquanto 49% disseram já ter dado tapas e 39% relataram ter ameaçado bater. O uso de objetos, como chinelos, foi citado por 27% dos participantes. Além disso, 48% afirmaram já ter aplicado castigos que restringem momentos de lazer. Outros 22% disseram ter beliscado ou puxado a orelha de uma criança, e 18% reconheceram ter recorrido a xingamentos ou ofensas. A pesquisa também investigou como os brasileiros reagiriam ao presenciar agressões contra crianças em espaços públicos. Entre os entrevistados, 32% disseram que não fariam nada por considerarem que se trata de um assunto particular. Outros 30% afirmaram que até gostariam de intervir, mas se sentiriam constrangidos. Já 21% responderam que conversariam diretamente com o responsável, enquanto 15% recorreriam a terceiros ou acionariam a polícia. Para a psicóloga educacional Carla Silva, a permanência dos castigos físicos está ligada a padrões culturais transmitidos entre gerações. “Muitos adultos reproduzem a forma como foram educados, acreditando que a punição física ensina respeito. No entanto, a ciência mostra que bater pode gerar medo e obediência momentânea, mas não favorece a compreensão do erro nem o desenvolvimento do autocontrole”. Segundo a especialista, a violência pode comprometer o vínculo entre pais e filhos e aumentar a probabilidade de problemas emocionais e comportamentais. “Quando a criança aprende pelo medo, ela deixa de desenvolver habilidades, como resolver conflitos, reconhecer emoções e assumir responsabilidades por suas atitudes”. Ela ressalta que momentos de desobediência fazem parte do desenvolvimento infantil e precisam ser compreendidos como oportunidades de aprendizagem. “A criança ainda está formando sua capacidade de controlar impulsos e entender limites. Por isso, uma reação agressiva do adulto pode transmitir a mensagem de que a força é uma forma aceitável de resolver conflitos”. A pedagoga Beatriz Lima destaca que estabelecer limites continua sendo essencial, mas isso não significa recorrer à agressão. “Educar com firmeza é diferente de educar com violência. Os responsáveis precisam definir regras claras, coerentes e adequadas à idade da criança, explicando as consequências de cada comportamento”. Entre as estratégias mais eficazes, Beatriz recomenda manter o diálogo, reforçar comportamentos positivos, aplicar consequências proporcionais às atitudes inadequadas e servir de exemplo no controle das próprias emoções. “Os filhos observam muito mais o comportamento dos adultos do que os discursos. Quando os pais conseguem manter a calma e agir com respeito diante das situações, aumentam as chances de que a criança também aprenda a lidar melhor com as frustrações”. O Estatuto da Criança e do Adolescente garante que crianças e adolescentes sejam educados e cuidados sem sofrer castigos físicos ou tratamentos cruéis e degradantes. A Lei nº 13.010/2014, conhecida como Lei Menino Bernardo, considera castigo físico qualquer ação com uso de força que cause sofrimento ou lesão, além de proibir humilhações, ameaças graves e ridicularizações. Casos de suspeita ou confirmação de violência podem ser denunciados ao Conselho Tutelar ou pelo Disque 100, que funciona 24 horas por dia para receber denúncias de violações de direitos.
Reciclagem de resíduos eletrônicos avança pouco e enfrenta desafios

O mundo gerou 65 milhões de toneladas de resíduos eletroeletrônicos, o equivalente a 8,1 quilos por habitante. Apenas 24% desse total foi formalmente reciclado.
Projeto de Lei libera spray de pimenta para defesa pessoal de mulheres

O aerossol será de uso individual e intransferível, sendo necessária a apresentação de documento oficial com foto para compra.
Escolas públicas registram melhorias nos índices de abandono e reprovação

Os indicadores de desempenho dos estudantes que finalizaram o ensino médio na rede pública brasileira registraram avanços entre 2022 e 2025. Nesse intervalo, a taxa de reprovação foi reduzida em 62%, enquanto o abandono escolar apresentou queda de 61%. O percentual de estudantes em atraso escolar diminuiu 28%, ao passo que a taxa de aprovação cresceu 11%. As informações foram divulgadas pelo Ministério da Educação (MEC) e integram a segunda etapa do Censo Escolar 2025, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A pesquisa, conduzida anualmente, reúne dados que possibilitam avaliar e calcular os índices de rendimento escolar em todo o território nacional. Segundo o MEC, a melhoria dos indicadores da educação brasileira está relacionada à adoção de políticas públicas implementadas a partir de 2023. Entre as principais iniciativas estão o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, o programa Escola em Tempo Integral e a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas. O ministério também atribui esse avanço à criação do programa Pé-de-Meia, em 2024, e às melhorias promovidas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Para a pedagoga Beatriz Lima, os números representam um avanço importante porque mostram que mais jovens estão conseguindo concluir uma etapa fundamental para sua formação pessoal e profissional. “Quando um estudante permanece na escola e consegue avançar de ano, o país reduz desigualdades e amplia as oportunidades de acesso ao ensino superior e ao mercado de trabalho. A educação é um dos caminhos para aumentar a renda, fortalecer a cidadania e promover desenvolvimento social”. Os dados revelam ainda um avanço na permanência dos estudantes no ensino médio. No período entre 2022 e 2025, a taxa de não retorno à etapa escolar foi reduzida em 28%, indicando que um número maior de jovens conseguiu dar continuidade aos estudos de um ano para o outro. De acordo com o presidente do Inep, Manuel Palacios, caso esse indicador tivesse permanecido no mesmo patamar registrado em 2022, o país contaria, em 2025, com aproximadamente 250 mil estudantes a menos matriculados no ensino médio. Na avaliação da coordenadora pedagógica, Alessandra Diniz, a permanência escolar tem impactos que ultrapassam os muros das escolas. “Cada jovem que permanece estudando representa uma possibilidade maior de inserção qualificada na sociedade. A conclusão do ensino médio aumenta as chances de melhores empregos, amplia a participação social e contribui para a formação de uma população mais preparada para os desafios do futuro”. Os avanços no ensino médio também estão relacionados a ações realizadas em outras etapas da educação básica. O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, por exemplo, contribuiu para o aumento do índice de alfabetização, que passou de 36% em 2021 para 66% em 2025. A iniciativa busca garantir a alfabetização das crianças até o final do 2º ano do ensino fundamental e recuperar aprendizagens prejudicadas pela pandemia entre alunos do 3º, 4º e 5º anos. O MEC também destaca a ampliação da conectividade nas escolas públicas como um dos fatores para os avanços educacionais. Por meio da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), o governo busca melhorar a infraestrutura tecnológica e ampliar o acesso à internet de qualidade. A iniciativa elevou em 43,7% o número de escolas conectadas, passando de 66,8 mil unidades em 2023 para cerca de 100 mil atualmente. Entre 2023 e 2025, mais de R$ 3 bilhões foram investidos, beneficiando aproximadamente 24 milhões de estudantes com maior acesso a recursos digitais de aprendizagem. Apesar dos resultados positivos, especialistas alertam que a melhoria da educação exige continuidade e planejamento de longo prazo. Para Alessandra, o próximo passo deve ser fortalecer a formação de professores, ampliar a infraestrutura das escolas e garantir acompanhamento individualizado dos estudantes. “Os indicadores mostram que as políticas adotadas estão produzindo efeitos, mas é necessário manter os investimentos e aperfeiçoar as estratégias para que os avanços cheguem a todas as regiões do país”.
Pesquisa aponta que 8 em cada trabalhadores não estão engajados

A baixa conexão dos profissionais com suas atividades tem se consolidado como um dos principais desafios das empresas em todo o mundo. Dados do relatório State of the Global Workplace 2026, da consultoria Gallup, revelam que apenas 20% dos trabalhadores estão engajados em suas funções. Em outras palavras, oito em cada dez profissionais não demonstram envolvimento significativo com o trabalho que realizam. O impacto econômico desse cenário gera perdas estimadas em US$ 10 trilhões para a economia global. Embora o problema seja frequentemente associado a fatores como remuneração, benefícios ou condições de trabalho, a economista e especialista em cultura organizacional, Carine Leal Fraga, avalia que muitas empresas ainda tratam a cultura corporativa como um conjunto de valores, sem que eles estejam presentes nas decisões e comportamentos do cotidiano. “Quando a cultura deixa de orientar as decisões e passa a existir apenas no discurso institucional, a empresa cria um ambiente de desalinhamento que compromete sua capacidade de executar estratégias e alcançar resultados”, afirma. Carine destaca que o problema costuma se manifestar de forma silenciosa. Metas deixam de ser alcançadas, conflitos internos aumentam e as lideranças passam a atuar de maneira desconectada dos objetivos organizacionais. “Boa parte dos problemas atribuídos à produtividade ou à gestão de pessoas tem origem em culturas organizacionais desalinhadas, que premiam comportamentos diferentes daqueles defendidos pela empresa”. Mudanças que não saem do papel Os reflexos da cultura organizacional também aparecem nos processos de transformação corporativa. Estudos apontam que cerca de 70% das iniciativas de mudança não atingem os resultados esperados. De acordo com a especialista, isso ocorre porque nenhuma transformação depende apenas de novos processos ou tecnologias. “Mudanças organizacionais exigem que líderes e equipes adotem novas formas de pensar e agir. Quando a cultura continua reforçando práticas antigas, mesmo os melhores planejamentos encontram dificuldades para se concretizar”. O desafio se torna ainda maior em um cenário marcado pela digitalização dos negócios, pela adoção crescente de inteligência artificial e pela necessidade constante de adaptação às mudanças de mercado. Nesse contexto, empresas que não conseguem alinhar comportamento e estratégia tendem a perder competitividade. Papel das lideranças Outro aspecto apontado pela economista é a influência direta das lideranças na construção da cultura organizacional. “Gestores têm papel decisivo na consolidação dos valores corporativos, seja por meio das decisões que tomam, seja pelos comportamentos que incentivam. Os profissionais observam menos o que está escrito nos valores da empresa e muito mais aquilo que é reconhecido, promovido ou tolerado no dia a dia”. Segundo Carine, organizações que apresentam alinhamento entre propósito, liderança e cultura costumam ter maior capacidade de adaptação, retenção de talentos e execução estratégica. O resultado é um ambiente mais preparado para enfrentar períodos de instabilidade econômica. Cultura como estratégia de negócio Ela defende que a discussão sobre cultura organizacional deve ultrapassar os limites do setor de recursos humanos e ocupar espaço nas decisões estratégicas das empresas. “Cultura não é uma pauta exclusiva do RH. Ela precisa estar na mesa onde são tomadas as decisões de negócio, porque influencia a capacidade da organização de crescer, inovar e sustentar resultados ao longo do tempo”. “O primeiro passo é compreender a cultura real da organização, observando critérios de promoção, formas de reconhecimento e a maneira como erros e conflitos são tratados. Somente a partir desse diagnóstico é possível promover mudanças consistentes”, conclui.
Denúncias de agressão contra pessoas idosas avançam quase 30%

Nos quatro primeiros meses de 2026, foram registradas 75.701 denúncias de violência contra pessoas idosas pelo canal Disque 100, de acordo com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Isso representa um aumento de 29,85% frente ao mesmo período de 2025 (58.296). Entre 1º de janeiro e 9 de junho de 2026, o Disque Denúncia Unificado (DDU) recebeu 1.479 queixas anônimas de crimes e violações contra pessoas idosas, sendo 1.189 em Minas Gerais e 290 em Belo Horizonte. O volume representa uma média mensal de 224 apontamentos no estado e 55 na capital. Embora esses números sejam elevados, existem indícios de grande subnotificação, muitas vezes por medo de retaliações. De janeiro de 2024 a abril de 2026, foram registradas mais de 435 mil denúncias relacionadas a violações de direitos de pessoas idosas. Dados do Observatório Nacional dos Direitos Humanos mostram que os tipos mais recorrentes de violência são as violações físicas, psicológicas e a negligência, cometidas em sua maioria contra mulheres, de idades entre 70 e 74 anos. Os principais suspeitos são membros da família. A coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa das Pessoas Idosas e das Pessoas com Deficiência, Erika de Fatima Matozinhos Ribeiro, avalia que o cenário atual é preocupante e exige leitura social, jurídica e institucional integrada. “A alta nas denúncias reflete o envelhecimento populacional brasileiro, mas também revela a persistência de violações naturalizadas no âmbito familiar, comunitário, institucional e patrimonial”. Conforme a promotora, a pessoa idosa, embora seja sujeito de direitos e de proteção integral, ainda é frequentemente tratada como dependente, improdutiva ou sem autonomia, o que reforça práticas de negligência, abandono, discriminação, violência psicológica e exploração financeira. “O aumento dos registros não significa apenas maior ocorrência, mas também maior visibilidade institucional de uma violência historicamente subnotificada”. Consequências à saúde Segundo a geriatra da Unimed-BH, Bárbara Correa de Oliveira, além de causar lesões físicas graves e a perda de autonomia para realizar as atividades do dia a dia, a violência recorrente pode ser um gatilho para uma piora da cognição, e às vezes desencadear depressão. “Estudos indicam que a violência reduz drasticamente a expectativa de vida e pode provocar o surgimento ou agravamento das doenças de base dessa pessoa idosa. Devido ao estresse e à falta de cuidado, os sinais começam a aparecer na saúde física daquele paciente”, afirma a geriatra. Bárbara destaca também a agressão verbal. “É uma forma de violência, pode ser até mais comum do que a física. Tratar aquela pessoa idosa de forma muito ríspida, com agressividade no tom de voz, às vezes, infantilizá-lo, é um sinal indireto de violência”. Como prevenir e denunciar Erika explica que a população deve estar atenta a sinais físicos, emocionais, patrimoniais e ambientais. “A prevenção exige convivência respeitosa, escuta ativa, fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. Diante de suspeita, não se deve confrontar o agressor de forma imprudente, quando houver risco à vítima”. “O correto é acionar a rede de proteção e formalizar a denúncia. A omissão social contribui para a continuidade da violência. Denunciar é medida de proteção, não de exposição”, acrescenta. Para realizar uma denúncia, existem os seguintes canais: Disque 100; o aplicativo Direitos Humanos Brasil; a Polícia Militar, em situação de urgência pelo 190; delegacias da Polícia Civil; e delegacias especializadas de proteção à pessoa idosa, quando existentes. Além disso, o cidadão pode procurar o Conselho Municipal da Pessoa Idosa, Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), serviços de saúde, Ministério Público e Ouvidoria do Ministério Público, pelo 127. Em Minas Gerais, também pode ser utilizado o Disque Denúncia 181, especialmente para relatos anônimos.