Projeto de Lei libera spray de pimenta para defesa pessoal de mulheres

O aerossol será de uso individual e intransferível, sendo necessária a apresentação de documento oficial com foto para compra.
Escolas públicas registram melhorias nos índices de abandono e reprovação

Os indicadores de desempenho dos estudantes que finalizaram o ensino médio na rede pública brasileira registraram avanços entre 2022 e 2025. Nesse intervalo, a taxa de reprovação foi reduzida em 62%, enquanto o abandono escolar apresentou queda de 61%. O percentual de estudantes em atraso escolar diminuiu 28%, ao passo que a taxa de aprovação cresceu 11%. As informações foram divulgadas pelo Ministério da Educação (MEC) e integram a segunda etapa do Censo Escolar 2025, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A pesquisa, conduzida anualmente, reúne dados que possibilitam avaliar e calcular os índices de rendimento escolar em todo o território nacional. Segundo o MEC, a melhoria dos indicadores da educação brasileira está relacionada à adoção de políticas públicas implementadas a partir de 2023. Entre as principais iniciativas estão o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, o programa Escola em Tempo Integral e a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas. O ministério também atribui esse avanço à criação do programa Pé-de-Meia, em 2024, e às melhorias promovidas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Para a pedagoga Beatriz Lima, os números representam um avanço importante porque mostram que mais jovens estão conseguindo concluir uma etapa fundamental para sua formação pessoal e profissional. “Quando um estudante permanece na escola e consegue avançar de ano, o país reduz desigualdades e amplia as oportunidades de acesso ao ensino superior e ao mercado de trabalho. A educação é um dos caminhos para aumentar a renda, fortalecer a cidadania e promover desenvolvimento social”. Os dados revelam ainda um avanço na permanência dos estudantes no ensino médio. No período entre 2022 e 2025, a taxa de não retorno à etapa escolar foi reduzida em 28%, indicando que um número maior de jovens conseguiu dar continuidade aos estudos de um ano para o outro. De acordo com o presidente do Inep, Manuel Palacios, caso esse indicador tivesse permanecido no mesmo patamar registrado em 2022, o país contaria, em 2025, com aproximadamente 250 mil estudantes a menos matriculados no ensino médio. Na avaliação da coordenadora pedagógica, Alessandra Diniz, a permanência escolar tem impactos que ultrapassam os muros das escolas. “Cada jovem que permanece estudando representa uma possibilidade maior de inserção qualificada na sociedade. A conclusão do ensino médio aumenta as chances de melhores empregos, amplia a participação social e contribui para a formação de uma população mais preparada para os desafios do futuro”. Os avanços no ensino médio também estão relacionados a ações realizadas em outras etapas da educação básica. O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, por exemplo, contribuiu para o aumento do índice de alfabetização, que passou de 36% em 2021 para 66% em 2025. A iniciativa busca garantir a alfabetização das crianças até o final do 2º ano do ensino fundamental e recuperar aprendizagens prejudicadas pela pandemia entre alunos do 3º, 4º e 5º anos. O MEC também destaca a ampliação da conectividade nas escolas públicas como um dos fatores para os avanços educacionais. Por meio da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), o governo busca melhorar a infraestrutura tecnológica e ampliar o acesso à internet de qualidade. A iniciativa elevou em 43,7% o número de escolas conectadas, passando de 66,8 mil unidades em 2023 para cerca de 100 mil atualmente. Entre 2023 e 2025, mais de R$ 3 bilhões foram investidos, beneficiando aproximadamente 24 milhões de estudantes com maior acesso a recursos digitais de aprendizagem. Apesar dos resultados positivos, especialistas alertam que a melhoria da educação exige continuidade e planejamento de longo prazo. Para Alessandra, o próximo passo deve ser fortalecer a formação de professores, ampliar a infraestrutura das escolas e garantir acompanhamento individualizado dos estudantes. “Os indicadores mostram que as políticas adotadas estão produzindo efeitos, mas é necessário manter os investimentos e aperfeiçoar as estratégias para que os avanços cheguem a todas as regiões do país”.
Pesquisa aponta que 8 em cada trabalhadores não estão engajados

A baixa conexão dos profissionais com suas atividades tem se consolidado como um dos principais desafios das empresas em todo o mundo. Dados do relatório State of the Global Workplace 2026, da consultoria Gallup, revelam que apenas 20% dos trabalhadores estão engajados em suas funções. Em outras palavras, oito em cada dez profissionais não demonstram envolvimento significativo com o trabalho que realizam. O impacto econômico desse cenário gera perdas estimadas em US$ 10 trilhões para a economia global. Embora o problema seja frequentemente associado a fatores como remuneração, benefícios ou condições de trabalho, a economista e especialista em cultura organizacional, Carine Leal Fraga, avalia que muitas empresas ainda tratam a cultura corporativa como um conjunto de valores, sem que eles estejam presentes nas decisões e comportamentos do cotidiano. “Quando a cultura deixa de orientar as decisões e passa a existir apenas no discurso institucional, a empresa cria um ambiente de desalinhamento que compromete sua capacidade de executar estratégias e alcançar resultados”, afirma. Carine destaca que o problema costuma se manifestar de forma silenciosa. Metas deixam de ser alcançadas, conflitos internos aumentam e as lideranças passam a atuar de maneira desconectada dos objetivos organizacionais. “Boa parte dos problemas atribuídos à produtividade ou à gestão de pessoas tem origem em culturas organizacionais desalinhadas, que premiam comportamentos diferentes daqueles defendidos pela empresa”. Mudanças que não saem do papel Os reflexos da cultura organizacional também aparecem nos processos de transformação corporativa. Estudos apontam que cerca de 70% das iniciativas de mudança não atingem os resultados esperados. De acordo com a especialista, isso ocorre porque nenhuma transformação depende apenas de novos processos ou tecnologias. “Mudanças organizacionais exigem que líderes e equipes adotem novas formas de pensar e agir. Quando a cultura continua reforçando práticas antigas, mesmo os melhores planejamentos encontram dificuldades para se concretizar”. O desafio se torna ainda maior em um cenário marcado pela digitalização dos negócios, pela adoção crescente de inteligência artificial e pela necessidade constante de adaptação às mudanças de mercado. Nesse contexto, empresas que não conseguem alinhar comportamento e estratégia tendem a perder competitividade. Papel das lideranças Outro aspecto apontado pela economista é a influência direta das lideranças na construção da cultura organizacional. “Gestores têm papel decisivo na consolidação dos valores corporativos, seja por meio das decisões que tomam, seja pelos comportamentos que incentivam. Os profissionais observam menos o que está escrito nos valores da empresa e muito mais aquilo que é reconhecido, promovido ou tolerado no dia a dia”. Segundo Carine, organizações que apresentam alinhamento entre propósito, liderança e cultura costumam ter maior capacidade de adaptação, retenção de talentos e execução estratégica. O resultado é um ambiente mais preparado para enfrentar períodos de instabilidade econômica. Cultura como estratégia de negócio Ela defende que a discussão sobre cultura organizacional deve ultrapassar os limites do setor de recursos humanos e ocupar espaço nas decisões estratégicas das empresas. “Cultura não é uma pauta exclusiva do RH. Ela precisa estar na mesa onde são tomadas as decisões de negócio, porque influencia a capacidade da organização de crescer, inovar e sustentar resultados ao longo do tempo”. “O primeiro passo é compreender a cultura real da organização, observando critérios de promoção, formas de reconhecimento e a maneira como erros e conflitos são tratados. Somente a partir desse diagnóstico é possível promover mudanças consistentes”, conclui.
Denúncias de agressão contra pessoas idosas avançam quase 30%

Nos quatro primeiros meses de 2026, foram registradas 75.701 denúncias de violência contra pessoas idosas pelo canal Disque 100, de acordo com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Isso representa um aumento de 29,85% frente ao mesmo período de 2025 (58.296). Entre 1º de janeiro e 9 de junho de 2026, o Disque Denúncia Unificado (DDU) recebeu 1.479 queixas anônimas de crimes e violações contra pessoas idosas, sendo 1.189 em Minas Gerais e 290 em Belo Horizonte. O volume representa uma média mensal de 224 apontamentos no estado e 55 na capital. Embora esses números sejam elevados, existem indícios de grande subnotificação, muitas vezes por medo de retaliações. De janeiro de 2024 a abril de 2026, foram registradas mais de 435 mil denúncias relacionadas a violações de direitos de pessoas idosas. Dados do Observatório Nacional dos Direitos Humanos mostram que os tipos mais recorrentes de violência são as violações físicas, psicológicas e a negligência, cometidas em sua maioria contra mulheres, de idades entre 70 e 74 anos. Os principais suspeitos são membros da família. A coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa das Pessoas Idosas e das Pessoas com Deficiência, Erika de Fatima Matozinhos Ribeiro, avalia que o cenário atual é preocupante e exige leitura social, jurídica e institucional integrada. “A alta nas denúncias reflete o envelhecimento populacional brasileiro, mas também revela a persistência de violações naturalizadas no âmbito familiar, comunitário, institucional e patrimonial”. Conforme a promotora, a pessoa idosa, embora seja sujeito de direitos e de proteção integral, ainda é frequentemente tratada como dependente, improdutiva ou sem autonomia, o que reforça práticas de negligência, abandono, discriminação, violência psicológica e exploração financeira. “O aumento dos registros não significa apenas maior ocorrência, mas também maior visibilidade institucional de uma violência historicamente subnotificada”. Consequências à saúde Segundo a geriatra da Unimed-BH, Bárbara Correa de Oliveira, além de causar lesões físicas graves e a perda de autonomia para realizar as atividades do dia a dia, a violência recorrente pode ser um gatilho para uma piora da cognição, e às vezes desencadear depressão. “Estudos indicam que a violência reduz drasticamente a expectativa de vida e pode provocar o surgimento ou agravamento das doenças de base dessa pessoa idosa. Devido ao estresse e à falta de cuidado, os sinais começam a aparecer na saúde física daquele paciente”, afirma a geriatra. Bárbara destaca também a agressão verbal. “É uma forma de violência, pode ser até mais comum do que a física. Tratar aquela pessoa idosa de forma muito ríspida, com agressividade no tom de voz, às vezes, infantilizá-lo, é um sinal indireto de violência”. Como prevenir e denunciar Erika explica que a população deve estar atenta a sinais físicos, emocionais, patrimoniais e ambientais. “A prevenção exige convivência respeitosa, escuta ativa, fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. Diante de suspeita, não se deve confrontar o agressor de forma imprudente, quando houver risco à vítima”. “O correto é acionar a rede de proteção e formalizar a denúncia. A omissão social contribui para a continuidade da violência. Denunciar é medida de proteção, não de exposição”, acrescenta. Para realizar uma denúncia, existem os seguintes canais: Disque 100; o aplicativo Direitos Humanos Brasil; a Polícia Militar, em situação de urgência pelo 190; delegacias da Polícia Civil; e delegacias especializadas de proteção à pessoa idosa, quando existentes. Além disso, o cidadão pode procurar o Conselho Municipal da Pessoa Idosa, Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), serviços de saúde, Ministério Público e Ouvidoria do Ministério Público, pelo 127. Em Minas Gerais, também pode ser utilizado o Disque Denúncia 181, especialmente para relatos anônimos.
Troféu Tancredo Neves é entregue a 37 autoridades em grande cerimônia

Em noite de gala, valorização e reconhecimento, personalidades foram homenageadas com o Troféu Tancredo Neves por sua atuação de destaque.
Trabalho entre pessoas com mais de 60 anos cresce em ritmo acelerado no país

A presença de pessoas com 60 anos ou mais no mercado de trabalho cresceu 53% na última década, ritmo superior ao aumento dessa população (37%).
Avanço do fim da escala 6×1 exige mudança e adaptação das empresas

A aprovação da PEC 221/2019 pela Câmara dos Deputados acelerou um movimento que já vinha ganhando força no mercado de trabalho: a preparação para o fim da escala 6×1. Embora a proposta ainda esteja em análise no Senado Federal, empresas de diversos setores precisam começar a se reorganizar. O texto prevê a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, além da garantia de dois dias de descanso semanal. Para o advogado trabalhista empresarial Luiz Henrique Cunha, o maior erro das empresas neste momento é acreditar que ainda há tempo para adiar o planejamento. “O debate já não gira em torno de ‘se’ a mudança vai acontecer, mas de ‘quando’ e ‘como’. Empresas que esperarem a legislação ser aprovada para agir podem enfrentar aumento de passivos trabalhistas, desorganização operacional e perda de competitividade”. Segundo o especialista, a transição será gradual. Dois meses após a eventual promulgação da emenda constitucional, a jornada máxima passará de 44 para 42 horas semanais com dois dias de descanso remunerado. Após um período de um ano, o limite cairá para 40 horas. A principal consequência será a necessidade de redesenhar completamente as escalas de trabalho, ressalta Cunha. “A adaptação operacional concentra-se em três frentes: o redesenho das escalas, a revisão dos contratos e instrumentos coletivos e o fortalecimento dos mecanismos de controle e compensação de jornada, como o banco de horas”. Tecnologia como aliada De acordo com Cunha, os impactos serão sentidos de forma mais intensa nos setores que dependem de funcionamento contínuo e registram maior movimento justamente nos fins de semana. Comércio varejista, restaurantes, hotéis, turismo e serviços de saúde aparecem entre os segmentos que enfrentarão os maiores desafios. “Como o pico de movimento ocorre exatamente no sábado e no domingo, assegurar dois dias de folga por trabalhador exigirá reorganizar totalmente a cobertura operacional da empresa ou ampliar o quadro de funcionários. Essa dificuldade é estrutural e não apenas financeira”, completa. Apesar das preocupações com custos, o advogado defende que a solução não passa necessariamente pela contratação em massa de trabalhadores. Ele avalia que há espaço para ganhos significativos de eficiência por meio de mudanças na gestão e o uso de ferramentas de controle eletrônico de jornada, softwares de gestão de equipes e sistemas de análise de demanda podem ajudar as empresas a manter a produtividade mesmo com menos horas trabalhadas. “O caminho técnico passa pelo redesenho de escalas com folgas rotativas, pelo uso inteligente dos instrumentos de flexibilização previstos em lei e pelo ganho de eficiência. Muitas vezes, jornada menor com processos melhores não significa menos entrega, mas a mesma entrega com menos desperdício”, explica. Para reduzir os impactos financeiros, Cunha recomenda aproveitar o período de transição para promover ajustes graduais. “A negociação coletiva também será uma das principais ferramentas para equilibrar interesses de empresas e trabalhadores. A primeira estratégia é usar o tempo a favor. Os quatorze meses de transição não são um detalhe burocrático; são uma janela de planejamento. Quem se antecipar fará ajustes graduais em escala, quadro de pessoal e processos, em vez de absorver tudo de uma vez”. Entre as medidas recomendadas estão a realização de diagnósticos internos, a simulação de cenários com jornadas reduzidas, a revisão de acordos coletivos e a modernização dos sistemas de controle de ponto. Mesmo considerando a forte tendência de aprovação da proposta, o advogado faz uma ressalva. “Preparar-se não significa agir precipitadamente. O texto ainda tramita no Senado e pode sofrer alterações. O empresário deve se organizar para decidir com agilidade quando a regra estiver definida, mas sem tomar medidas drásticas antes da hora”, conclui.
Decisão do STJ aperta as regras para aluguel de curta temporada

A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabeleceu, no início de maio, que a utilização de imóveis em condomínios para a celebração de contratos de estadia de curta temporada, como na plataforma Airbnb, exige a aprovação de pelo menos dois terços dos condôminos. O caso teve origem em processo no qual a proprietária de um apartamento buscava garantir o direito de destiná-lo a estadias de curta duração, sem necessidade de aprovação em assembleia, ao passo que o condomínio alegava que essa destinação, além de não estar prevista em convenção, afastava o caráter residencial do prédio. A empresa Airbnb atuou como interessada na ação. O colegiado considerou que o uso dos imóveis para exploração econômica ou profissional descaracteriza a sua destinação residencial e, por isso, deve ser autorizado pelo condomínio. No voto que prevaleceu no julgamento, a ministra Nancy Andrighi comentou que os contratos intermediados por sistemas, como o Airbnb, não se enquadram propriamente nem como contratos de locação residencial nem como de hospedagem em hotéis, motivo pelo qual podem ser considerados atípicos. “A utilização das plataformas digitais intensificou a celebração de contratos de estadia de curta temporada, facilitando a comunicação entre proprietários e hóspedes. Uma das consequências desse novo cenário é a maior rotatividade de pessoas nos condomínios, o que traz impactos para a segurança e o sossego dos moradores e tem levantado questionamentos sobre a necessidade de autorização dos condôminos”, completou a ministra. O advogado e presidente da Comissão de Direito Condominial da OAB/MG, Sílvio Cupertino, explica que a decisão trata de um precedente jurisprudencial importante. “E cria a necessidade de alterações nas convenções dos condomínios que não contenham permissão expressa e que o interesse da maioria qualificada dos condôminos (dois terços) seja de utilização das unidades para esse fim. Permanecer com a convenção sem a permissão expressa implicaria na obrigação do síndico e da administração terem que proibir tal prática”. “De acordo com o precedente do STJ, nos condomínios em que a convenção estabelecer a sua destinação exclusivamente residencial e não existir previsão expressa para essa forma de utilização, pode haver a proibição desse tipo de aluguel”, ressalta Cupertino. Para o especialista, a partir da decisão do STJ, o síndico que não tomar providências em relação à matéria pode sofrer grande pressão dos condôminos que são contrários à utilização das unidades pelo Airbnb e plataformas dessa natureza. “Assim, aconselha-se a realização de Assembleia para definição dos procedimentos a serem adotados nos casos em que já existam reservas ativas”. O direito de propriedade é constitucionalmente garantido, lembra o advogado. “Mas, as regras do condomínio devem ser cumpridas por todos. Não existindo a previsão de utilização das unidades para esse fim, o condômino deve respeitar a restrição”. Segundo Cupertino, a ideia dos ministros nesse julgamento do STJ foi definir um padrão de decisões em processos dessa natureza. “Com isso, sustentar uma tese contrária nos processos judiciais pode tornar uma missão bastante delicada”. O que diz o Airbnb O Airbnb, por meio de nota, afirma que a decisão do STJ se refere a um caso específico e pontual, não é definitiva e não determina a proibição da locação via a plataforma em condomínios. “Proibir ou restringir a locação por temporada viola o direito constitucional de propriedade de quem aluga o seu imóvel. Neste contexto, o Airbnb tomará as medidas legais cabíveis e seguirá ao lado dos anfitriões, avaliando todos os caminhos para que a comunidade continue a exercer seu direito legal de gerar renda com seus próprios imóveis”. A empresa cita ainda um estudo da Fundação Getúlio Vargas que mostra que a plataforma contribuiu com R$ 100 bilhões para as economias locais em um ano. “Esta decisão tem o potencial de impactar não só os anfitriões, mas todo o ecossistema que depende dessa renda, como comércios e fornecedores locais”.
Exclusão LGBTQIA+ no mercado de trabalho custa bilhões

A marginalização de pessoas LGBTQIA+ no mercado de trabalho brasileiro gera prejuízos econômicos anuais calculados em cerca de R$ 94,4 bilhões, valor que corresponde a 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Essa informação foi apresentada no estudo intitulado “O Custo Econômico da Exclusão Baseada em Orientação Sexual, Identidade e Expressão de Gênero e Características Sexuais no Mercado de Trabalho Brasileiro”. Para além dos prejuízos econômicos imediatos, o estudo calcula que a exclusão da comunidade também resulta em perdas fiscais anuais de R$ 14,6 bilhões, considerando tanto a redução na arrecadação quanto os custos públicos associados. A pesquisa destaca ainda que esse grupo enfrenta maiores índices de desemprego, menor inserção no mercado de trabalho e recorrentes episódios de discriminação no ambiente profissional. Entre os participantes LGBTQIA+, a taxa de desemprego foi estimada em 15,2%, quase o dobro da média nacional, fixada em 7,7%. Já o índice de inatividade alcançou 37,4%, superando os 33,4% observados na população em geral. O relatório associa a exclusão econômica às dificuldades enfrentadas antes mesmo da entrada no mercado de trabalho. De acordo com os dados apresentados no estudo, cerca de 70% das pessoas trans e travestis não finalizaram o ensino médio e 0,02% conseguiram acessar o ensino superior. Para a psicóloga Carla Silva, a exclusão começa muito cedo e se acumula ao longo da vida. “Muitas pessoas LGBTQIA+, principalmente trans, enfrentam rejeição familiar, violência psicológica e bullying ainda na infância e adolescência. Isso afeta diretamente a permanência escolar. Quando o ambiente educacional deixa de ser seguro, aumentam os índices de evasão, e a consequência aparece depois no mercado de trabalho”. Ela ressalta que a baixa escolaridade reduz drasticamente as oportunidades profissionais e empurra parte dessa população para trabalhos informais e precários. “Existe uma cadeia de exclusão. A pessoa sofre discriminação na escola, abandona os estudos, encontra dificuldade para conseguir emprego formal e acaba ficando mais vulnerável à pobreza, à insegurança alimentar e à marginalização social”. O preconceito continua presente nos processos seletivos e dentro das empresas, destaca Carla. “Ainda há organizações que reproduzem estereótipos e tratam diversidade apenas como marketing institucional. Muitas pessoas LGBTQIA+ escondem sua identidade por medo de demissão, assédio ou limitação de crescimento profissional. Isso gera impactos emocionais e reduz a produtividade e a qualidade de vida no trabalho”. A consultora de diversidade e inclusão corporativa, Patrícia Nunes, afirma que os dados demonstram como a discriminação também compromete o desenvolvimento econômico do país. “Quando uma parcela da população é impedida de estudar, trabalhar e crescer profissionalmente, toda a economia perde. O Brasil desperdiça talentos, reduz sua capacidade produtiva e aumenta desigualdades sociais históricas”. “A exclusão da população LGBTQIA+ também gera impactos indiretos nos sistemas públicos. A dificuldade de acesso ao emprego formal aumenta a dependência de políticas assistenciais e agrava problemas ligados à saúde mental, moradia e vulnerabilidade social. É uma questão de direitos humanos, mas também de desenvolvimento econômico”, complementa. As especialistas defendem que a ampliação de oportunidades para a comunidade depende de ações integradas entre governos, escolas, universidades e empresas privadas. Entre as principais medidas apontadas estão políticas permanentes de combate à discriminação, programas de permanência escolar, qualificação profissional e incentivo à contratação de pessoas LGBTQIA+. Na avaliação da psicóloga, a transformação precisa começar na educação básica. “As escolas precisam se tornar ambientes seguros e acolhedores. Isso passa pela formação de professores, pelo combate à violência e pela construção de políticas pedagógicas que respeitem a diversidade. Garantir permanência escolar é uma das formas mais eficazes de romper o ciclo de exclusão”. Já Patrícia reforça a criação de programas específicos de inclusão no mercado de trabalho. “Empresas precisam estabelecer metas concretas de diversidade, investir em treinamento de lideranças e criar mecanismos de proteção contra discriminação interna. Além disso, políticas públicas de incentivo à qualificação profissional e ao acesso ao ensino superior podem ampliar as oportunidades dessa população”.
Marcelo de Souza se reúne com Álvaro Damião e discute agenda estratégica para BH

O presidente da CDL/BH e do Conselho Deliberativo do Sebrae MG, Marcelo de Souza e Silva, esteve reunido no dia 3 de junho com o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, e o chefe de gabinete da Prefeitura, Duander Franco. O encontro aconteceu no gabinete da Prefeitura Municipal. Durante a reunião, os participantes debateram temas centrais para o desenvolvimento da cidade, com destaque para o fortalecimento do ambiente de negócios, o crescimento das micro e pequenas empresas, segurança pública, mobilidade urbana e a questão dos moradores em situação de rua. “A reunião foi muito produtiva. Saímos com a certeza de que estamos alinhados nos temas que mais impactam o comércio e os serviços da cidade”, afirmou Marcelo de Souza e Silva. A CDL/BH representa cerca de 13 mil empresas do setor de comércio e serviços de Belo Horizonte.