Servidores pais de autistas reclamam da burocracia para reduzir a jornada

Servidores estaduais relatam atrasos e entraves burocráticos para garantir a redução da jornada de trabalho para cuidarem de seus filhos. O benefício concedido a esses trabalhadores responsáveis por crianças com deficiência, especialmente os que vivem com transtorno do espectro autista, foi discutido em audiência pública na Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), no dia 27 de abril. O direito é assegurado pela Lei 9.401, de 1986, e o prazo de duração do benefício é de seis meses, podendo ser renovado sucessivamente por iguais períodos. De acordo com a norma, a jornada de trabalho do servidor público estadual legalmente responsável por excepcional em tratamento especializado pode ser reduzida para 20 horas semanais, mediante requerimento ao dirigente do órgão de lotação. A presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Socioeducativo e servidora, Luzana de Assis Moreira, que tem um filho autista, relatou dificuldades no processo de renovação. “Temos enviado a documentação até 90 dias antes do prazo, e mesmo assim, há uma demora no processamento e na devolutiva com o resultado. E o dano é enorme, porque tem que parar todo o tratamento, por causa da volta ao trabalho de 40 horas semanais, pois é inviável dar fluxo aos cuidados ao dependente”. Outra reclamação diz respeito à ajuda de custo, que tem descontos considerados inexplicáveis pelos funcionários com jornada de trabalho reduzida. A servidora Valéria Ferreira Borges explicou que quando se tem uma pessoa com deficiência em casa, qualquer dinheiro que é retirado vai fazer falta. “Sei que tem políticas públicas que estão sendo voltadas para isso no Legislativo, mas o Executivo precisa ter esse olhar também”. Parcela variável O subsecretário de Estado de Gestão de Pessoas, Caio Magno Lima Campos, ressaltou que a Lei de 2016 estabelece o pagamento da ajuda de custo para despesas com alimentação somente para servidores com jornada de trabalho igual ou superior a seis horas por dia. “Conforme o Decreto 48.113, a ajuda de custo tem uma parcela variável, paga de acordo com a quantidade de dias trabalhados”. Quanto à redução de jornada dos servidores, o subsecretário argumentou que a norma que assegura esse direito poderia ser atualizada, uma vez que data de 1986. “O ideal seria fazer as alterações nas políticas públicas por meio de leis, e não de decretos governamentais”. O superintendente de Políticas Temáticas Transversais da Secretaria de Desenvolvimento Social, Carlos Alberto dos Santos Júnior, pontuou iniciativas importantes, como uma cartilha de atendimento humanizado a pessoas com autismo e também a realização de um encontro estadual para discutir a parentalidade atípica. Além da realização de capacitações para a emissão da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea). “A Ciptea facilita o acesso às políticas públicas, mas, por enquanto, ainda está concentrada na capital. Belo Horizonte emitiu 11.774 carteiras, Contagem criou 3.254 e em terceiro lugar, Betim com 2.345. Os outros municípios têm índices muito pequenos, e precisamos que essa política se interiorize”, afirmou. Cuidar de quem cuida O deputado Cristiano Silveira (PT), autor do requerimento de Comissão, destacou que as famílias atípicas precisam de políticas públicas que as ajudem a reorganizar suas vidas, de modo a garantir os cuidados adequados aos filhos autistas. “Apenas 30% das crianças recebem atendimento educacional especializado, isso significa que a inclusão ainda ocorre sem o suporte necessário, transferindo para as famílias uma responsabilidade que deveria ser do Estado”. Ele apresentou o Projeto de Lei 1.529/23, que propõe a política “Cuidar de quem cuida”, e estabelece como diretrizes para o acolhimento dos cuidadores a capacitação de servidores. A matéria foi remetida à Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social após receber seis emendas em 1º turno no Plenário.

Nomes bem avaliados para conquistar votos no pleito de 2026

Uma meia dúzia de ex-prefeitos em cidades de Minas Gerais estão embalados para disputar as eleições de 2026. A grande novidade é a confirmação do nome do jornalista e radialista Eduardo Costa, que já está em plena atividade política, visitando as lideranças com destaque para contatos a partir de eventos na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Nos bastidores da Assembleia Legislativa, consta que Eduardo será apoiado pelo deputado João Vítor Xavier, agora cumprindo período de licença para cuidar de assuntos particulares, pois se tornou o principal executivo do grupo de comunicação, compreendendo a Rádio Itatiaia e a CNN Brasil, em São Paulo. Falcão na disputa Ao renunciar ao cargo de prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão (Republicanos) deixou também o importante posto de presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM). Quando estava no comando de sua cidade, se gabava de ter sido eleito para o segundo mandato com algo em torno de 80% dos votos. Nesse limiar de maio, o futuro político de Falcão parece incerto. Seu projeto inicial previa compor chapa, na qualidade de vice, do pré-candidato ao Governo do Estado, senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Amigos do ex-prefeito afiançam que se ele não for aproveitado como vice-governador, poderá pleitear uma vaga na Câmara Federal, com potencial de conquistar muitos votos somente em Patos de Minas, o que lhe garantiria uma possível vitória consagradora. Incentivado por amigos do ninho tucano, o ex-atleta e ex-deputado João Leite é outro nome alentado para pleitear uma vaga no Congresso Nacional. Atualmente conectado com projetos de logística de transportes, Leite é tido como um nome muito querido pelos evangélicos, especialmente no que diz respeito à Igreja da Lagoinha, espaço de orações frequentado por toda a sua família. Comandando há mais de cinco anos o programa de TV denominado “Mundo dos Negócios”, na TV Band Minas, o empresário e advogado Fabiano Cazeca tem projeto encaminhado para tentar conquistar uma cadeira no Parlamento Federal. Pessoas próximas dizem que esta é a sua grande oportunidade, sobretudo por haver se tornado mais conhecido pela população por conta de sua imagem associada ao mundo televisivo.

Minas debate sobre os direitos da natureza e impactos da mineração

Iniciativas em municípios e regiões de Minas Gerais já deram origem a normas que reconhecem a natureza como detentora de direitos. Contudo, a forte presença da atividade mineradora no Estado representa um dos principais obstáculos à efetiva proteção ambiental, como foi destacado em audiência pública realizada no contexto do Dia Internacional da Mãe Terra, data criada pela ONU em 2009 e comemorada todos os anos em 22 de abril. Promovida pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, a reunião também foi motivada pelo III Fórum Brasileiro dos Direitos da Natureza, que ocorrerá a partir de 31 de julho nas cidades de Ouro Preto e Mariana. O evento reunirá povos indígenas, comunidades tradicionais, movimentos sociais, universidades, representantes do poder público e a sociedade civil para debater o reconhecimento da natureza como sujeito de direitos. A discussão foi requerida pelas deputadas Beatriz Cerqueira e Leninha, ambas do PT. Leninha, que ocupa a 1ª vice-presidência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), destacou a relevância do tema para um Estado marcado por desigualdades sociais e ambientais e afetado pelos impactos da mineração. “Minas Gerais é importante para o Brasil e para esse tema, porque guarda marcas profundas do modelo econômico e de atividades como a mineração. Uma realidade que se intensifica com a desertificação, o empobrecimento do solo e os extremos climáticos”. Ao chamar atenção para iniciativas que se opõem à preservação ambiental, Beatriz Cerqueira mencionou ainda o Projeto de Lei 3.991/22, de sua autoria. A proposta prevê a inclusão, nos conteúdos de educação ambiental, do estudo sobre os impactos do uso de agrotóxicos e ainda aguarda votação em segundo turno. Conforme expôs ela, “demorou quatro anos para o projeto ser levado ao Plenário, por força de setores como o industrial e agropecuário, contra pautas de proteção de territórios, águas e meio ambiente”. Representante do Ministério Público Federal, o procurador Helder Magno da Silva destacou que setores como o da mineração devem repensar sua relação com comunidades locais e povos originários, que tradicionalmente orientam suas práticas pelo cuidado e pelo respeito à Mãe Terra. “O próprio Ministério Público precisa repensar a prática antiga de fazer Termos de Ajustamento de Conduta (TACs), que resultam no recebimento de recursos que também financiam a nossa instituição a partir da degradação e em um momento em que o licenciamento ambiental está capenga e prevalece a lógica do capitalismo. É como se a natureza continuasse a ser vendida”. De acordo com Silva, mecanismos de reparação por prejuízos, a exemplo dos acordos firmados após o rompimento da barragem de Fundão, da Vale, acabam transmitindo a ideia de que o dano pode ser compensado. “Os governos estaduais e federal, ávidos por recursos, acabam aceitando esses acordos e a lógica das empresas se sobrepõe aos direitos da natureza”. Três municípios do Norte de Minas, Porteirinha, Nova Porteirinha e Serranópolis de Minas, aprovaram leis que reconhecem os direitos do Rio Mosquito, fundamental para comunidades rurais da região, afetadas pela seca e por eventos climáticos extremos. As normas preveem, entre outras ações, a criação de um fundo para financiar a proteção do rio. Segundo Aldinei Dias Leão, do Centro de Referência em Direitos Humanos do Norte de Minas, a regulamentação já iniciou a formação de comitês responsáveis por acompanhar essas iniciativas. Bruna Medeiros Bolzani, advogada socioambiental do Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso, afirmou que o debate sobre os direitos da natureza exige uma transformação profunda de paradigmas. “É reconhecer que rios, florestas, biomas e ecossistemas possuem valores, independentemente de sua utilidade para os seres humanos”. Ivo Poletto, articulador nacional e integrante do Grupo Executivo do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental, defendeu que a preservação da natureza também passa pela superação de uma lógica colonial e capitalista de pensamento, a qual favorece uma exploração econômica prejudicial ao planeta. Por sua vez, a defensora pública Ana Cláudia Storch destacou, durante o debate, a importância de ir além dos marcos jurídicos atuais relacionados ao tema, especialmente para lidar com as emergências climáticas. “Nosso sistema jurídico não consegue absorver toda a complexidade que envolve esses limites da natureza”.

Direito à moradia digna mobiliza audiência na Assembleia Legislativa

A Comissão Extraordinária de Defesa da Habitação e da Reforma Urbana, da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizou audiência pública para debater a moradia digna como direito humano, à luz da Campanha da Fraternidade 2026, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cujo tema desse ano é “Fraternidade e Moradia”. O encontro reuniu parlamentares, representantes do governo, movimentos sociais e lideranças religiosas, que destacaram a urgência de políticas estruturantes para o enfrentamento do déficit habitacional. O deputado federal Padre João (PT) criticou a contradição entre discurso e prática no país. “Porque alguns vêm falar que estão na defesa da família, mas negam a política de moradia, negam a educação, negam a assistência, negam a saúde e a vacina. Então é disso que nós estamos falando: do cuidado com os pobres. Se fizermos as contas, o valor que uma pessoa paga de aluguel, somado ao da Farmácia Popular e ao do Bolsa Família, representa uma economia mensal de mais de R$ 2 mil para a família”. No campo religioso, o vigário episcopal para Ação Social, Política e Ambiental da Arquidiocese de Belo Horizonte, padre Roberto Rubens da Silva, destacou a dimensão social e espiritual da crise habitacional. “A falta de um teto digno não é apenas uma carência material, mas expressão concreta da exclusão social que nega dignidade a filhos e filhas de Deus. Moradia digna é um direito humano fundamental. Não encontramos qualquer tipo de justificativa social ou moral para aceitar a carência de habitação. São situações injustas, mas sabemos que Deus está a sofrê-las juntamente conosco”. Representando os movimentos sociais, a coordenadora da União Nacional por Moradia Popular, Evaniza Lopes Rodrigues, reforçou a urgência do problema e criticou a lógica de mercado. “A questão da moradia é urgente, uma tragédia urbana que se abate sobre o nosso povo. Se é um direito, não podemos mais tratar a moradia como mercadoria. Ela não pode visar lucro, deve priorizar o bem-estar comum”. O secretário nacional de Habitação, Augusto Henrique Alves Rabelo, apresentou dados da política habitacional federal e destacou a retomada do programa “Minha Casa, Minha Vida”. “Nós chegamos a 2 milhões e 270 mil unidades habitacionais contratadas, e a nossa meta é atingir 3 milhões até 2026 no país. Em Minas, já foram destinados cerca de R$ 27 bilhões”. Já a superintendente do Patrimônio da União em Minas Gerais, Lorhany Ramos de Almeida, ressaltou a mudança na destinação de imóveis públicos. “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou: precisamos utilizar os imóveis da União que estão ociosos para fazer política pública. Não se trata de comércio, mas de atender a população”. Na esfera estadual, o vice-presidente da Companhia de Habitação do Estado de Minas Gerais (Cohab), Bernardino Soares de Oliveira Cunha, destacou a necessidade de avançar também na regularização fundiária. “Precisamos tratar da regularização fundiária, que é um problema que atinge cerca de 3 milhões de pessoas somente em Minas Gerais”. A audiência reforçou que garantir moradia digna vai além da construção de unidades habitacionais, envolvendo acesso a direitos, planejamento urbano e compromisso social diante das desigualdades.

Divisão entre católicos e evangélicos é maior que esquerda e direita

Para quem está chegando agora na política, a sugestão dos especialistas é voltar ao ano de 2009, quando uma aliança entre Aécio Neves (PSDB) e Fernando Pimentel (PT) permitiu a eleição de Marcio Lacerda à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). Ao rememorar sobre o assunto, fica mais palatável digerir o debate do momento, indicando a possibilidade de uma aproximação entre o pré-candidato Rodrigo Pacheco (PSB) e o deputado Aécio, com o objetivo de caminharem juntos na peleja de 2026. Na última semana, voltou a circular, tanto em BH quanto em Brasília, indícios de entendimentos que seriam anunciados logo após o Dia das Mães, unindo os dois políticos mineiros de maneira pragmática, visto que Pacheco não tem certeza de ter o apoio incondicional da “esquerda” em seu palanque, caso efetivamente se poste como postulante ao Palácio Tiradentes. Neste sentido, é melhor tentar conquistar uma fatia do eleitorado que está à margem do viés ideológico entre direita e esquerda. Aécio Neves Amigos do tucano escondem haver conversações na direção de aceitar uma parceria com o grupo do senador Pacheco. Aliás, dizem que as duas vagas no Senado seriam demandadas por Aécio Neves e a petista Marília Campos, já em campanha. Neste arco de aproximações, ainda restaria o cargo de vice para o grupo majoritário desse projeto a negociar. Por enquanto, a presença constante do governador Mateus Simões (PSD) em diferentes regiões do Estado não assusta o grupo dos socialistas. Nas primeiras avaliações, esses eventos de cunho oficial ainda não se traduziram em intenções de votos, embora o contato direto do chefe do Executivo com as lideranças tende a fazer diferença em determinado momento. Quando a imprensa informou sobre a divisão do grupo bolsonarista em Minas, denominando o episódio de “racha da direita”, observadores e cientistas políticos atalharam: “esse debate ideológico foi criado a partir das redes sociais, mas isso não impede que a política em Minas seja feita à base de articulação com as lideranças, para conquistar os eleitores dos mais de 800 municípios mineiros”. Esses pensadores, conjuntamente com experientes jornalistas da crônica política, pontuam que o envolvimento do tema religioso entre evangélicos e católicos, pode representar uma divisão mais significativa do que o embate entre “direita e esquerda”.

Concessão do Parque Biribiri em discussão na Assembleia Legislativa

Localizado na Serra do Espinhaço, em Diamantina, o Parque Estadual do Biribiri é considerado um divisor de águas das bacias dos rios São Francisco, Doce e Jequitinhonha. A proposta de concessão do espaço, apresentada pelo Governo de Minas, foi discutida na Comissão de Participação Popular, da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), no dia 7 de abril. A Associação Comunitária do Bairro Cidade Nova afirmou que a cobrança de ingressos, prevista no edital, na prática, representa um processo de privatização que altera a função social do parque. A entidade também critica a falta de diálogo com a população. A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável visitou o local no dia 27 de março, e durante a visita, os moradores de Diamantina entregaram um abaixo-assinado com 4,5 mil assinaturas contra a concessão da unidade de conservação. Por outro lado, o Executivo estadual defende que a concessão à iniciativa privada vai garantir os recursos necessários para melhorar os serviços oferecidos aos turistas do Parque do Biribiri. A expectativa é ampliar o número de visitantes e impulsionar o turismo na região. Ao longo de 30 anos, estão previstos investimentos que totalizam o valor de R$ 38 milhões. Em 24 de fevereiro, o Instituto Estadual de Florestas (IEF) realizou uma audiência pública sobre o projeto, etapa obrigatória no processo de concessão. O encontro, no entanto, foi alvo de críticas de movimentos sociais, que alegaram dificuldades para a participação popular. Segundo os relatos, a reunião teve pouca divulgação, ocorreu em local de difícil acesso, em dia útil, e registrou quedas de energia durante o debate. O deputado Marquinhos Lemos (PT), autor do requerimento, contesta os termos do contrato. “A responsabilidade de manutenção vai continuar sendo do Estado. Então, os nossos funcionários vão ter que continuar com essa mesma responsabilidade. O que nós estamos passando, na verdade, é só a exploração daquilo que a gente tem, que é o que vai dar lucro, mas não vai ser para o Estado”. Sobre a reunião do IEF, Lemos destaca que foi uma mera tentativa de audiência. “Os moradores devem ser ouvidos. E precisamos também de investimentos públicos para suprir as carências estruturais do parque, em vista dos pouco mais de R$ 1 milhão por ano exigidos em três décadas, por contrato, da iniciativa privada”. O coordenador do movimento “O Parque do Biribiri é nosso”, Bruno Mendes, ressalta que o projeto é ruim, foi mal elaborado e, sobretudo, mal comunicado. “Está em curso um processo de intimidação da comunidade para que ela não se manifeste contra a concessão. Observamos o zelo do governo em dialogar com o investidor, mas a negligência no diálogo com a população”. Desafios de gestão A Coordenadora do Núcleo de Projetos Especiais do IEF, Cecília Vilhena, explicou que o Programa de Concessões de Parques Estaduais surge dos desafios de gestão das 95 unidades de conservação em Minas, com problemas inerentes à burocracia, baixa oferta de serviços e o potencial turístico subaproveitado, devido à falta de expertise dos órgãos ambientais no tema. Cecília pontua que as intervenções propostas seriam apenas nas Cachoeiras da Sentinela e dos Cristais, representando menos de 1% dos 17 mil hectares do parque. “A concessão não transfere a propriedade ao investidor, as benfeitorias são revertidas ao Estado ao final do acordo e todas as ações empreendidas pela iniciativa privada são reguladas por contrato”. “Como órgão público, temos uma flexibilidade baixa, ainda que consigamos o recurso para investir nos serviços que o parque precisa, o Biribiri necessita de infraestrutura para ordenar essa visitação que acontece de forma nociva ao meio ambiente”, ressaltou. Sobre a preocupação da comunidade relativa à cobrança de ingressos, a concessão estabelece a gratuidade para todos os moradores de Diamantina, garantiu a coordenadora. “No primeiro ano do contrato, a gratuidade será para todos. A partir do quarto ano, o ingresso atingirá o valor máximo de R$ 30 para o público, após a conclusão das obras mínimas”. Concluída a fase de consulta à população, ocorrerá o lançamento do edital de concessão, em julho. No segundo semestre será realizada a licitação.

Lucas Vieira assume presidência da Associação Mineira de Municípios

O prefeito de Iguatama, Lucas Vieira, assumiu a presidência da Associação Mineira de Municípios (AMM), substituindo Luís Eduardo Falcão. O mandato segue até 2028. O novo presidente destacou que sua gestão dará continuidade ao trabalho realizado pelo antecessor. “Falcão sempre abriu espaço na AMM para ouvir as demandas dos prefeitos de todas as regiões do Estado e para trabalharmos em conjunto. Claro que vamos fazer algumas adaptações pontuais, mas sempre mantendo a essência do trabalho que construímos ao longo desse período”. Falcão ressaltou que Vieira deve imprimir sua identidade à gestão. “Acredito que ele dará sua própria cara à administração, com suas características, mas é um trabalho que já vinha sendo desenvolvido em conjunto, não apenas por nós dois, mas por toda a diretoria, que também tem desempenhado um papel importante”. Vieira afirmou que suas prioridades serão os contratos dos municípios com a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e a revisão do pacto federativo. “Há diversos contratos com a Copasa vencendo, e precisamos encontrar uma solução para essas cidades. Em relação à revisão do pacto federativo, é urgente ampliar o debate, já que a vida acontece, de fato, nos municípios”. Novos rumos Após deixar o comando da Prefeitura de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão pretende intensificar agendas pelo interior do Estado. “Vamos ampliar essas visitas, pois, na minha visão, não há outra forma de trabalhar pelo futuro de Minas Gerais senão vivenciando a realidade dos municípios e dialogando com quem enfrenta os problemas no dia a dia”. Sobre a possibilidade de compor uma chapa ao Governo de Minas como candidato a vice-governador ao lado do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), Falcão confirmou o convite e disse que o aceitou, mas ponderou que não há definição. “Tudo está sendo construído com diálogo, e o que for melhor para Minas Gerais será feito. Tenho convicção de que minha experiência administrativa, com dois mandatos bem-sucedidos em um município com mais de 170 mil habitantes, além do contato com prefeitos e vereadores de todo o Estado, contribui para uma compreensão mais ampla da realidade do interior. Acredito que isso agrega muito. Meu apoio a ele é total”, finalizou.

Após definidas as filiações partidárias, jogo político 2026 começa a ser jogado

Apesar de um certo nervosismo de véspera, no prazo final para mudança de partido político, de acordo com critérios da Justiça eleitoral, nenhum parlamentar com mandato em Minas ficou de fora das agremiações partidárias. Como se sabe, o dono do Partido Avante, deputado Luís Tibé, expulsou quatro companheiros de sigla para ser o único beneficiado com a votação da legenda. E não foi apenas Luís Tibé que agiu dessa maneira. O dono de outra sigla partidária, deputado Fred Costa (PRD), não aceitou a chegada de parlamentares considerados bons de votos. Assim, na disputa à Câmara Federal, Fred reinará no topo do partido, com a possibilidade de algumas candidaturas de baixo resultado nas urnas. Isso pode garantir mais uma reeleição dele ao Congresso Nacional. Dança das cadeiras Presidido pelo deputado Newton Cardoso Júnior, o MDB, que registrou a saída do líder do Governo na Assembleia, João Magalhães, para o PSD, recebeu a inscrição do parlamentar estadual Arlen Santiago, que no último pleito chegou à marca de 107.236 votos. Nos meandros da ALMG comenta-se que o MDB é um dos poucos partidos políticos com representação em grande parte dos municípios mineiros, inclusive com eleição de vários prefeitos e vereadores. Outro tema dominante no ambiente político se refere à filiação do senador Rodrigo Pacheco ao PSB, o mesmo partido do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. Os socialistas terminaram conquistando muitas novas fichas de filiação, inclusive do ex-procurador-geral de Justiça de Minas, Jarbas Soares, e o ex-presidente da Assembleia, Romeu Queiroz. Este último, segundo amigos, analisa a possibilidade de voltar à vida pública. Indagado a respeito do motivo de optar pelo PSB, Romeu vaticinou. “Estou voltando para o mesmo partido no qual fui filiado há décadas passadas”. Candidaturas ao Senado A imprensa de Minas Gerais abriu longo espaço para noticiar o arranjo político comandado pelo deputado Domingos Sávio. Ao fazer as pazes com o grupo político do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), uniu forças no Oeste mineiro e deu visibilidade a sua pré-candidatura ao Senado. Pessoas próximas entendem que por estar filiado ao Partido Liberal, mesma sigla de Flávio Bolsonaro, o projeto de Sávio pode conquistar muitos votos. Ao chegar ao PSD, o senador Carlos Viana, segundo a lenda, foi abraçado pelo grupo político do governador Mateus Simões (PSD). Seu projeto de buscar a reeleição à Casa Alta do Senado parece ter conquistado alguns pontos na popularidade junto aos eleitores. O problema está no afastamento do chefe do Executivo de outro pretendente à vaga majoritária, o ex-secretário de Governo, Marcelo Aro (PP). Sobre a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), na busca por uma das duas vagas ao Senado, tudo vai depender de um projeto maior, perpassando pela disputa ao Governo do Estado. Por exemplo, caso seja confirmada a candidatura de Rodrigo Pacheco ao Palácio Tiradentes, a proposta de Marília pode se erguer. Caso contrário, segundo matemáticos da política mineira, seria pregar no deserto. Com essas definições das filiações partidárias, o fato é que o jogo visando conquistar espaços no Parlamento, no Palácio Tiradentes e no Congresso Nacional, começa a ser jogado a partir deste mês de abril.

Excesso de mineração preocupa autoridades e comunidades

Durante a abertura da audiência pública promovida pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que aborda os episódios de extravasamento nas minas da Fábrica e da Viga, pertencentes à Vale, em Ouro Preto, bem como a falha registrada no Dique do Fraille, na Mina Casa de Pedra, operada pela CSN, em Congonhas, na região Central do Estado, a deputada Bella Gonçalves (PT) sintetizou. “Estamos falando de como podemos adaptar estruturas de mineração para o cenário de chuvas extremas”. De acordo com Sandoval Pinto Filho, diretor de Meio Ambiente e Saúde da União das Associações Comunitárias de Congonhas (Unaccon), a atividade minerária ocupa cerca de 40% a 50% da área territorial do município de Congonhas, o que, segundo ele, transforma a região em uma “típica zona de sacrifício”. Filho afirmou que há episódios de intimidação dirigidos a pessoas que se mobilizam em defesa da vida. Também criticou a ausência de transparência e as barreiras que dificultam o engajamento da população. Além disso, mencionou problemas nos equipamentos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). “Os moradores das áreas de risco são sujeitos de direitos e não meros espectadores. Não queremos morar debaixo da lata de lixo da mineração”. “O pavor e o medo tomaram conta dos moradores. Nós nem sequer tínhamos acesso à informação, não sabíamos se a falha na drenagem era na mina, se era no dique. Todos são atingidos”, desabafou a moradora da Comunidade Santa Quitéria, em Congonhas, Aline Soares Marcos. Ela também atua como integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e mencionou ocorrências de problemas respiratórios, além do uso frequente de medicamentos ansiolíticos. “Sofremos diariamente com a poeira contaminando nossa saúde física e com o medo comprometendo nossa saúde mental”. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Extração de Ferro e Metais Básicos de Congonhas, Belo Vale e Ouro Preto, Rafael Ávila, ressaltou que, para além da exploração da mão de obra, marcada por demissões e ampliação das jornadas, as empresas provocam impactos negativos ao meio ambiente. “O trabalhador gera R$ 1 milhão de riquezas por ano e recebe em torno de 5% desse valor”. O sindicalista afirmou que a origem do problema está na relação entre o setor privado e o Estado. Como exemplos desse vínculo prejudicial, citou os incentivos fiscais concedidos e a flexibilização nos processos de licenciamento. “Temos que impor limites a esse sistema”. Na avaliação do secretário de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas de Congonhas, João Luis de Castro, é preciso estabelecer normas, em nível estadual e federal, para as pilhas de rejeitos e estéreis. Ele também destacou a necessidade de fortalecer a fiscalização dos sumps, estruturas auxiliares da mineração que atuam como pequenas bacias para captação de água e prevenção de alagamentos. Castro apontou ainda como avanço o acordo de reparação firmado entre a Prefeitura e a Vale em 13 de março. Pelo termo, a empresa deverá investir R$ 25 milhões na ampliação do Museu de Congonhas e R$ 200 milhões na construção de um hospital para tratar problemas de pele, respiratórios e de saúde mental relacionados à exposição a danos ambientais. O procurador da República e coordenador do Grupo de Trabalho Rio Doce do Ministério Público Federal, Eduardo Henrique Aguiar, alertou para a proximidade entre as estruturas que se romperam e a Barragem de Forquilha, considerada uma das maiores do mundo em área de mineração e classificada no nível 3 de emergência, o mais alto. No Brasil, apenas outra barragem se encontra nessa mesma condição, localizada em Itatiaiuçu, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Aguiar ressaltou a importância de revisar e atualizar os parâmetros meteorológicos diante dos impactos provocados pelas mudanças climáticas. “As barragens que existem não foram projetadas para suportar os novos volumes de chuvas que estão cada vez mais frequentes”. Segundo o procurador, o episódio da Mina da Viga serve como alerta para evitar o licenciamento fragmentado, que não considera os impactos acumulativos e integrados das atividades ao redor. Ele também enfatizou a necessidade urgente de modernizar a legislação, incluindo normas para a operação de outras estruturas de mineração, como cavas e sumps. “Essas estruturas precisam ter normas rígidas de segurança, não apenas as barragens”.

Com apoio de Lula, Rodrigo Pacheco supera Cleitinho ao Governo de Minas

A corrida eleitoral para o comando do Governo de Minas Gerais ganhou novos contornos com nova pesquisa, divulgada no dia 1º de abril, mostrando que o apoio do presidente Lula (PT) ao senador Rodrigo Pacheco o coloca em primeiro lugar na preferência do eleitorado mineiro. Conforme o levantamento feito pela Atlas/ Intel, Pacheco, que se filiou ao PSB, tem 37,9% das intenções de voto. O segundo colocado, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), sem apoio declarado de algum grupo político, aparece com 34,2% da preferência. Já o atual governador de Minas, Mateus Simões (PSD), surge com 11,5% caso considerados os suportes do ex-governador Romeu Zema (Novo) e do clã Bolsonaro. A pesquisa traz que 2.125 mineiros participaram dela. O levantamento foi feito entre os dias 25 e 30 de março deste ano e está registrado com os protocolos MG-01664/2026 e BR-05686/2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, sendo que o nível de confiança da sondagem é de 95%. Eleição em Minas Um dos fatores que chamam a atenção na pesquisa é o fato de o senador Rodrigo Pacheco não ter anunciado ainda a intenção de se candidatar ao Palácio Tiradentes, em que pese a existência de uma pressão para que ele aceite ser o candidato apoiado por Lula em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país e tido como crucial pelo presidente da República para alavancar, de maneira real, sua candidatura à reeleição. Lula já confidenciou a interlocutores que vê no senador Pacheco a única chance de obter um palanque robusto em Minas e que lhe fortaleça em uma eleição que se avizinha sob um cenário acirrado. Por seu turno, o senador Cleitinho dá sinais de um “vaivém” sobre a disputa majoritária em Minas. Antes, entusiasmado com pesquisas ainda muito incipientes, Cleitinho deu mostras de que iria se candidatar. Porém, mais recentemente, “pisou no freio” e passou a emitir sinais ambíguos que revelam a necessidade de uma avaliação mais profunda sobre a sua participação no pleito. Um exemplo foi o anúncio de postergar algum tipo de decisão para junho ou julho deste ano. Cleitinho ainda lida com a possibilidade de Luís Eduardo Falcão, prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), desistir de aceitar ser candidato a vice na sua chapa. O nome de Falcão vinha sendo especulado nesse sentido, mas ele não deu mostras de que irá deixar o cargo de prefeito da cidade mineira. Já Mateus Simões está percorrendo o interior do Estado, utilizando-se da infraestrutura que possui como governador de Minas, na tentativa de alavancar seu nome. Conhecido por seu tom professoral e comedido ao longo dos anos na função de vice-governador, ele parece destoar do seu passado como gestor mais afeito à burocracia palaciana. Não se sabe se sob uma orientação de marqueteiros, mas Simões passou a ostentar uma agressividade, muitas vezes com ares de ser forçada, na tentativa de um hipotético reconhecimento como sendo representante da direita mais radical no Estado. Sem apoios declarados O levantamento da AtlasIntel ainda traz, sob a perspectiva da ausência de apoios declarados, os nomes do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), com 11,7%, o senador Carlos Viana (Podemos), que obteve 7,5%, o ex-vereador de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB), com 4%, e o blogueiro Ben Mendes, com 3,7% da preferência do eleitorado.