Krav magá ganha espaço como arte de defesa pessoal e condicionamento físico

Criado a partir da necessidade de defesa em situações reais, o krav magá deixou de ser associado exclusivamente ao treinamento militar e passou a ocupar espaço em academias, centros de artes marciais e projetos esportivos em diferentes países. A proposta é preparar o praticante para reconhecer situações de risco, evitar o confronto quando possível e reagir diante de uma ameaça. No treinamento, são trabalhadas técnicas de golpes, deslocamentos, defesas, quedas e escapes, além de exercícios voltados à percepção do ambiente. Para a instrutora Natália Fagundes, a expansão do krav magá está ligada justamente à combinação entre defesa pessoal e atividade física. “A modalidade ganhou popularidade porque apresenta uma proposta diferente da ideia tradicional de aprender uma luta para competir. O aluno entra na academia buscando segurança, condicionamento ou uma nova atividade e encontra um treinamento que trabalha situações práticas”. Segundo Natália, além da defesa pessoal, o treinamento pode proporcionar ganhos relacionados ao condicionamento físico. “Uma aula costuma envolver aquecimento, deslocamentos, exercícios aeróbicos e anaeróbicos, movimentos de força, agilidade e flexibilidade. A intensidade varia de acordo com o nível do aluno e a metodologia adotada pela escola”. Os efeitos também podem ultrapassar a dimensão física. A concentração necessária para responder aos estímulos, a repetição dos movimentos e a simulação controlada de situações de pressão exigem atenção e autocontrole. “O aluno precisa aprender a controlar a reação emocional para conseguir perceber o que está acontecendo. Isso pode favorecer a disciplina, a confiança e a capacidade de manter a atenção em situações de tensão”, afirma o educador físico Ricardo Menezes. Ele orienta que a prática não deve ser confundida com uma garantia de invulnerabilidade. “Isso porque aprender técnicas de defesa pessoal não elimina os riscos de uma situação de violência, e a prevenção continua sendo um dos princípios centrais ensinados em diferentes escolas. A orientação de priorizar a percepção do perigo, e evitar o confronto quando possível, também faz parte da abordagem apresentada por muitos instrutores”, ressalta. O krav magá é oferecido a pessoas de diferentes idades e níveis de condicionamento, com exercícios adaptados às características de cada turma. A ideia de que o praticante precisa ser forte ou ter experiência prévia em artes marciais não é uma exigência para o início das aulas, ainda assim, pessoas com limitações físicas, lesões ou condições específicas devem procurar orientação profissional antes de iniciar atividades de alta intensidade. Os profissionais relatam que para quem deseja começar, o primeiro passo é procurar uma escola ou academia com instrutores qualificados e conhecer a metodologia oferecida. Uma aula experimental pode ajudar a entender o ritmo dos treinamentos e verificar se o ambiente é adequado. O foco no início deve estar no aprendizado dos movimentos básicos, postura, coordenação e compreensão dos princípios de segurança, sem preocupação em executar técnicas avançadas rapidamente. “O mais importante para o iniciante é não enxergar a primeira aula como um teste de coragem, mas um processo de aprendizagem. A evolução acontece quando a pessoa desenvolve técnica, condicionamento e consciência do próprio corpo”, ressalta Natália. Na avaliação de Menezes, a regularidade também é fundamental. “Como em qualquer atividade física, os benefícios aparecem com a prática consistente e com uma progressão compatível com o nível de cada aluno”.

Projeto valoriza cultura afro-brasileira com oficinas de tranças e contação de histórias

O cabelo crespo carrega ancestralidade, memória e identidade. O ato de trançar vai além da estética: é também uma forma de cuidado, conexão e transmissão de saberes entre gerações. É a partir dessa perspectiva que chega à segunda edição o projeto “Trançar e Contar Histórias – Um Resgate Ancestral”, com início em 26 de setembro, em Belo Horizonte. Realizada com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, a iniciativa segue até 12 de dezembro, reunindo rodas de conversa, história musicada, oficinas de tranças nagô e box braids, trançado coletivo e amarrações de turbantes. A proposta aborda a resistência negra a partir da valorização da ancestralidade, do conhecimento, da autoestima, dos vínculos e da criação. Segundo Ana Paula Barbosa, comunicadora e idealizadora do projeto, esses elementos também são formas de preservar e fortalecer a experiência e a cultura negra. A aproximação dela com o tema surgiu a partir de uma experiência familiar. Graduada em Comunicação Social e mãe de Ana Beatriz, de 13 anos, e Eduardo, de 7, ela passou a enxergar nos cuidados com os cabelos crespos uma forma de fortalecer sua conexão com a ancestralidade, que mais tarde também se tornou parte de sua atuação social. A transformação teve início quando Ana Beatriz tinha 4 anos. Ao chegar em casa, Ana encontrou a filha chorando e segurando uma tesoura. A menina havia cortado os próprios cabelos porque se incomodava com o formato dos fios, que ficavam para cima. A situação fez Ana repensar sua própria relação com o cabelo e com a maternidade, além de despertar a necessidade de apresentar à filha novas referências de beleza e identidade. “Aquela experiência me mostrou que uma criança começa muito cedo a perceber como o mundo olha para ela. Quando encontrei minha filha chorando, com uma tesoura na mão, entendi que aquilo não era apenas uma questão de cabelo. Existiam referências de beleza, pertencimento e aceitação sendo construídas ali, e percebi também a minha responsabilidade como mãe: eu precisava aprender a cuidar daquele cabelo, mas, principalmente, ajudá-la a enxergar beleza e história nele. Esse movimento começou dentro da minha casa e depois ganhou uma dimensão muito maior”, relata Ana. Ela salienta que não se deve ignorar o racismo e nem as dores que atravessam a experiência negra. “A resistência do povo negro também está no conhecimento que permanece, no cuidado, na criatividade, na beleza, no afeto e naquilo que conseguimos transmitir. Por isso, o projeto mistura conversa, história, música e prática. As pessoas vão aprender técnicas, mas também vão trocar experiências, olhar umas para as outras e pensar sobre o significado desses saberes. Acredito muito que a nossa força renasce no coletivo, na oralidade que é uma base de resistência do meu povo e na esperança que nos mantêm em pé”. Para Ana, é fundamental mostrar que existe conhecimento naquele gesto. “Ao aprender a separar, preparar, trançar e cuidar do cabelo, e depois compartilhar esse saber, não se transmite apenas uma técnica, mas também memória, criatividade, cuidado e tradição. Queremos ainda valorizar referências africanas e afro- -brasileiras e mostrar que tranças e turbantes carregam uma história. O mais bonito é perceber que esse saber ancestral permanece vivo ao encontrar novas mãos e caminhos no presente”. A primeira edição mostrou que o projeto precisava ir além da oficina de tranças. Nesta segunda, ela reforça os momentos de conversa e reflexão sobre identidade e representatividade, junto à prática. “Para mim, é importante criar espaços onde as pessoas possam aprender, falar sobre como se enxergam e compartilhar saberes. Cada participante traz uma história diferente, e essa diversidade fortalece o projeto. Foi assim que percebi que a história da Bia, minha filha, também se conecta à de muitas mulheres negras”, explica. ServiçoTrançar e Contar Histórias Um Resgate Ancestral | 2ª edição Período: 26 de setembro a 12 de dezembroHorário: sábados, das 9h às 11hLocal: Centro Cultural Bairro das IndústriasEndereço: Rua dos Industriários, 289 – Bairro das Indústrias Programação:26/09 – Roda de Conversa/Abertura10/10 – História Musicada: Trança e Trança07/11 – Oficina de Tranças Nagô14/11 – Oficina Prática de Tranças28/11 – Oficina de Box Braids05/12 – Oficina de Amarrações em Turbantes12/12 – Roda de Conversa/Encerramento

E-commerce cria novas possibilidades e impulsiona pequenos negócios

O comércio eletrônico vem ampliando sua presença no cotidiano dos brasileiros e criando novas possibilidades para pequenos empreendedores. Um levantamento do SPC Brasil em parceria com a Offerwise Pesquisas aponta que 139 milhões de pessoas fizeram ao menos uma compra pela internet nos 12 meses anteriores à pesquisa, número 20 milhões maior do que o registrado no levantamento anterior. O crescimento mostra que o consumo digital deixou de ser apenas uma alternativa às compras presenciais e passou a fazer parte da rotina de uma parcela significativa da população. Entre os fatores que ajudam a explicar esse avanço estão a praticidade, a possibilidade de comparar preços e a facilidade de realizar compras pelo celular. A expansão das redes sociais também modificou a maneira como consumidores descobrem e adquirem produtos. De acordo com a pesquisa, 54% dos entrevistados compraram por meio dessas plataformas nos últimos 12 meses. O TikTok aparece com 24% das compras, seguido pelo Instagram (17%) e pelo YouTube (12%). O WhatsApp também ocupa um espaço relevante: 73% dos consumidores afirmaram ter realizado pelo menos uma compra pelo aplicativo no último mês. Para a especialista em comportamento do consumidor digital, Aline Marques, a transformação está relacionada principalmente à mudança nos hábitos de aquisição. “O consumidor passou a concentrar várias etapas da decisão de compra no celular. Ele pode conhecer um produto nas redes sociais, pesquisar preços, conferir avaliações, conversar com o vendedor e finalizar o pedido sem precisar sair daquele ambiente”. Dados da pesquisa reforçam essa dinâmica: 64% dos consumidores consultam preços nas redes sociais antes de comprar, enquanto 39% procuram comentários de outros clientes e outros 39% verificam fotos dos produtos. “Esse cenário representa uma oportunidade especialmente relevante para os pequenos negócios, que podem alcançar consumidores de diferentes regiões sem depender exclusivamente de uma loja física. A presença digital permite que empresas menores apresentem seus produtos para um público mais amplo e utilizem canais de comunicação que já fazem parte do cotidiano dos clientes”, destaca. Em 2025, o Sebrae auxiliou cerca de 728 mil empresas a fortalecerem sua atuação no mercado digital. Conforme avalia o consultor de comércio eletrônico Leandro Filho, simplesmente estar presente nas plataformas digitais não é suficiente para garantir resultados. “O pequeno empreendedor precisa entender onde está seu público e adaptar a comunicação a cada canal. Não adianta publicar todos os dias se o conteúdo não apresenta claramente o produto, não transmite confiança e não facilita a compra”. Segundo Filho, entre as estratégias que podem contribuir para o crescimento das vendas estão a produção de conteúdos que apresentem os produtos de maneira clara, o uso de boas imagens, a divulgação de avaliações de clientes e um atendimento rápido. “O empreendedor também pode utilizar o WhatsApp para organizar contatos e divulgar novidades, enquanto redes como Instagram e TikTok podem funcionar como espaços de descoberta e divulgação”. O próprio Sebrae recomenda uma presença estratégica nas redes sociais, atenção à logística e atualização constante em marketing, gestão e vendas. Pós-venda Outro ponto importante é a experiência oferecida depois da venda. Prazos de entrega, facilidade para esclarecer dúvidas e cumprimento do que foi anunciado podem influenciar a confiança do consumidor e sua decisão de voltar a comprar. No ambiente digital, em que diferentes empresas podem ser acessadas com poucos cliques, esses aspectos ajudam a construir a reputação do negócio, e a pesquisa do SPC Brasil também destaca a importância de avaliações e da confiança na decisão de compra pelas redes sociais.

Uso de inteligência artificial nas atividades escolares exige equilíbrio

Uma análise recente da OCDE, baseada nos dados do Pisa, indica que o uso frequente de chatbots de inteligência artificial (IA) nas atividades escolares pode estar associado a resultados acadêmicos mais baixos. Alunos que utilizam essas ferramentas diariamente apresentam desempenho inferior ao de estudantes que fazem uso moderado da tecnologia ou não recorrem a ela. Em ciências, a diferença pode alcançar 28 pontos, resultado comparável a cerca de um ano e meio de aprendizagem. O levantamento contou com a participação de mais de 760 mil estudantes, distribuídos por 91 países. Entre os brasileiros, quase metade (48%) afirma utilizar ferramentas de inteligência artificial nos estudos ao menos uma vez por semana. Apesar dessa adesão, o desempenho dos alunos do país permanece inferior à média dos integrantes da OCDE nas áreas de ciências, matemática e leitura. O relatório aponta que o problema está menos na tecnologia e mais na forma como ela é utilizada. Alunos orientados a questionar e verificar as respostas da inteligência artificial apresentam melhor desempenho. O uso moderado, uma vez por semana, também se mostra mais positivo do que não usar ou recorrer à ferramenta diariamente. Para a psicopedagoga Carla Silva, o princípio deve ser fazer da inteligência artificial uma ferramenta de apoio, e não uma substituta do estudante. “O aluno pode pedir à IA que explique um conceito de outra maneira, apresente exemplos ou ainda ajude a identificar erros em um exercício. O que não deve acontecer é entregar à ferramenta a tarefa de pensar por ele, pois a aprendizagem depende do esforço de compreender, testar hipóteses e até mesmo errar”. Uma das estratégias recomendadas é utilizar a IA depois de uma primeira tentativa independente. “Em vez de pedir diretamente a resposta de um problema de matemática, por exemplo, o estudante pode apresentar seu próprio raciocínio e solicitar uma explicação sobre onde errou. Em trabalhos de pesquisa, a ferramenta também pode ajudar na organização de ideias, desde que as informações sejam conferidas em fontes confiáveis”, explica. O acompanhamento dos pais é importante, não precisa significar vigilância constante ou proibição completa. Para Carla, os responsáveis devem estabelecer limites de tempo e conversar com os filhos sobre o motivo pelo qual estão utilizando a ferramenta. “Melhor do que perguntar se a criança usou IA é questionar de que forma utilizou. Os pais podem pedir que o estudante explique o que aprendeu, quais respostas conferiu e o que fez sozinho. Isso ajuda a perceber quando a tecnologia está facilitando o estudo e quando está substituindo o aprendizado”. Nas escolas, o desafio é transformar a inteligência artificial em objeto de educação digital. Para o professor de informática Osvaldo Mendes, simplesmente proibir os chatbots não resolve o problema. “Os estudantes precisam aprender que uma resposta produzida por IA não é automaticamente verdadeira, sendo necessário ensinar a verificar informações, comparar fontes, identificar erros e compreender os limites dessas ferramentas”. Professores podem incorporar esse aprendizado às próprias atividades. “Em vez de apenas impedir o uso de IA em trabalhos, podem propor exercícios em que os alunos analisem uma resposta produzida por um chatbot, encontrem possíveis erros e expliquem como chegariam a uma conclusão diferente. Dessa forma, a tecnologia passa a ser utilizada como objeto de análise e não apenas como mecanismo para obter respostas rápidas”, sugere. Segundo Mendes, a orientação também deve considerar a idade dos estudantes. “Crianças mais novas precisam de acompanhamento mais próximo dos adultos e de regras claras sobre quando e para que utilizar ferramentas de IA. Já entre os adolescentes, a escola pode ampliar gradualmente a autonomia, mas mantendo critérios para o uso responsável, especialmente em tarefas avaliativas”.

Pesquisa mostra que jovens de 16 a 24 anos têm maior índice de tabagismo

Uma pesquisa realizada pelo A.C. Camargo Cancer Center, em parceria com a empresa Nexus, identificou que o consumo de tabaco é mais frequente entre jovens brasileiros de 16 a 24 anos quando comparado ao observado em outras faixas etárias. Entre os participantes de 16 a 24 anos, 19% afirmaram fazer uso de produtos derivados do tabaco, incluindo os cigarros tradicionais e eletrônicos. Esse percentual supera a média registrada no país, de 17%, além de ser superior ao observado nas demais faixas etárias. O levantamento contou com a participação de mais de 2 mil pessoas de diferentes regiões do Brasil. Na faixa etária de 25 a 40 anos foi identificado o menor percentual de fumantes, correspondente a 15% da amostra. Na sequência, aparecem os indivíduos com 60 anos ou mais, com 16%, enquanto aqueles entre 41 e 59 anos representam 17% dos entrevistados que fazem uso de produtos de tabaco. Os resultados também revelam que uma parcela significativa dos brasileiros permanece em contato com os efeitos nocivos do tabaco. Aproximadamente 33% da população relata conviver com fumantes, seja em casa ou no ambiente profissional. Essa exposição à fumaça de terceiros pode aumentar o risco de câncer de pulmão, inclusive entre pessoas que nunca tiveram o hábito de fumar. Para a psicóloga Lara Fagundes, a maior presença de fumantes entre os jovens pode estar relacionada a uma combinação de fatores sociais, comportamentais e emocionais. “A adolescência e o início da vida adulta são períodos marcados pela busca de identidade, influência dos grupos de convivência e experimentação. O contato com amigos ou familiares que fumam, associado à percepção equivocada de que o cigarro ajuda a controlar a ansiedade ou o estresse, pode favorecer o início do consumo”. Outro aspecto apontado pela especialista é a facilidade de acesso a diferentes produtos de nicotina. Embora o cigarro convencional seja conhecido por seus riscos, os dispositivos eletrônicos também podem contribuir para a dependência. “Alguns jovens acreditam que o cigarro eletrônico é menos prejudicial, o que pode reduzir a preocupação com o consumo e facilitar a manutenção do hábito”. Os prejuízos provocados pelo tabagismo vão muito além da dependência, porque a fumaça do cigarro contém milhares de substâncias químicas, muitas delas tóxicas e cancerígenas. O consumo frequente pode comprometer o funcionamento dos pulmões, além de aumentar o risco de diferentes tipos de câncer. Entre as doenças relacionadas ao tabagismo estão câncer de pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas e bexiga, além de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). O hábito também está associado a problemas respiratórios, incluindo doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), que pode provocar falta de ar, tosse e redução da capacidade pulmonar. Para o pneumologista Ricardo Avelar, abandonar o cigarro é uma das medidas mais importantes para reduzir os riscos associados ao tabagismo. “Parar de fumar traz benefícios em qualquer idade. O organismo começa a se recuperar depois que a pessoa interrompe o consumo, e, com o passar do tempo, os riscos de diversas doenças diminuem”. O processo de abandono pode ser difícil porque a nicotina provoca dependência. Por isso, especialistas recomendam procurar auxílio profissional em vez de tentar enfrentar o problema sozinho. O primeiro passo é estabelecer uma data para parar e identificar situações que despertam a vontade de fumar. Também é importante buscar estratégias para lidar com a ansiedade e evitar, principalmente nos primeiros dias, ambientes ou situações associados ao consumo. “Uma recaída não significa que todo o esforço foi perdido, pois a dependência é um processo que pode exigir mais de uma tentativa. O importante é compreender o que levou ao retorno do consumo e retomar o tratamento”, destaca Avelar. No Brasil, pessoas que desejam abandonar o cigarro podem procurar uma unidade de saúde para receber orientação e verificar a disponibilidade de acompanhamento a fim de parar de fumar. O tratamento pode envolver acompanhamento médico e psicológico e, quando indicado por um profissional de saúde, medicamentos para ajudar no controle da dependência.

Reajuste das contribuições do Ipsemg gera críticas sobre atendimento

Desde abril de 2025 começaram a valer novos valores de contribuição para o Ipsemg Saúde, programa destinado à prestação de serviços de assistência médica, hospitalar, farmacêutica e odontológica aos servidores públicos estaduais. Com a mudança, a expectativa é de que a arrecadação adicional alcance R$ 954 milhões até o encerramento deste ano. De acordo com a administração do Instituto de Previdência, os recursos arrecadados foram destinados a investimentos considerados relevantes nas áreas de infraestrutura e de gestão de pessoal. Entretanto, usuários do serviço questionam os resultados dessas medidas e relatam insatisfação com o atendimento oferecido, sobretudo nos municípios do interior. A Lei nº 25.143/2025 modificou os limites das contribuições descontadas dos servidores. Conforme a nova regra, o valor mínimo passou de R$ 34,55 para R$ 60, enquanto a contribuição máxima aumentou de R$ 287,86 para R$ 500. A taxa básica paga pelos servidores continuou fixada em 3,2%, mas usuários com idade superior a 59 anos passaram a estar sujeitos a um acréscimo de 1%. A legislação também estabeleceu a cobrança de contribuições referentes a cônjuges e dependentes dos servidores. O governo justificou as mudanças como uma medida necessária para enfrentar o déficit financeiro do Ipsemg Saúde. Em oposição às alterações, a deputada Beatriz Cerqueira (PT), responsável pelo requerimento da audiência pública, argumenta que “os servidores indicam não ter ocorrido melhora nos serviços de saúde prestados pelo Instituto de Previdência dos Servidores do Estado (Ipsemg), os quais continuariam precários”. A posição apresentada pela deputada também recebeu apoio de representantes dos servidores do Ipsemg e dos usuários do sistema. Durante a discussão, integrantes do sindicato que representa os trabalhadores do instituto sustentaram que qualquer processo de reorganização da instituição deve incluir a análise e a reformulação das carreiras dos profissionais que compõem seu quadro. O presidente do sindicato, Pedro Oliveira, argumentou que “salários ‘pífios’ não retêm os servidores no serviço, causando alta rotatividade”. Há 25 anos no Ipsemg e com curso superior completo, ele relatou receber R$ 2.043 de salário-base. As principais dificuldades relatadas pelos usuários do Ipsemg Saúde, durante a audiência e também em manifestações enviadas à deputada Beatriz Cerqueira, estão os obstáculos para conseguir consultas e exames. Também foram mencionados problemas relacionados à disponibilidade da rede credenciada, à escassez de profissionais e de estabelecimentos conveniados nos municípios do interior e à ausência de insumos necessários para determinados atendimentos e procedimentos médicos. O presidente do Ipsemg, André Luiz dos Anjos, afirmou que os R$ 954 milhões adicionais arrecadados com o reajuste das contribuições permitiram ampliar os investimentos na rede própria, especialmente no Hospital Governador Israel Pinheiro, com a expansão de leitos e exames. Entre as medidas citadas estão a entrada em exercício de 376 servidores aprovados em concurso, o aumento de profissionais credenciados, de 767 em 2024 para 1.047 em 2026, e a abertura de 177 novos leitos. Segundo Anjos, as medidas contribuíram para diminuir o período de internação e a espera na urgência, além de ampliar a quantidade de cirurgias e altas hospitalares. O gestor também citou a retomada de exames ambulatoriais e a expansão dos recursos e da rede de atendimento. Do valor arrecadado com o reajuste, 65% foram destinados à rede contratada, 25% ao pagamento de pessoal, 7% à rede própria e 3% à gestão do Ipsemg. Na avaliação da parlamentar Beatriz Cerqueira, os dados apresentados pelo instituto deveriam corresponder aos mesmos parâmetros utilizados, em 2025, para fundamentar a aprovação da lei. “É importante apresentar os mesmos mapas por região, com as redes credenciadas e o número de procedimentos realizados, dizendo exatamente o que melhorou após um ano da lei”.

Belo Horizonte aposta na requalificação para revitalização do Centro

A aprovação, pela Câmara Municipal de Belo Horizonte, do projeto de lei voltado à revitalização da área central da cidade trouxe novas perspectivas para o mercado da construção civil. De iniciativa da Prefeitura, a proposta estabelece uma Operação Urbana Simplificada com o objetivo de estimular a realização de novos projetos, a recuperação e modernização de imóveis, iniciativas de retrofit e a ampliação do uso residencial em regiões que já contam com infraestrutura urbana. Entre as áreas abrangidas estão os bairros Carlos Prates, Bonfim, Lagoinha, Concórdia, Floresta, Santa Efigênia, Boa Viagem, Barro Preto e Colégio Batista. Para o setor, a expectativa é de que a regulamentação das medidas reduza obstáculos para a implantação de novos empreendimentos e favoreça a atividade econômica na capital. A iniciativa também poderá impulsionar a criação de postos de trabalho, a geração de renda e a circulação de recursos na economia de Belo Horizonte. A urbanista Michele Silveira avalia que um dos principais benefícios da iniciativa está na possibilidade de aproximar moradia, emprego e serviços. “Quando uma cidade consegue colocar novos moradores em regiões que já contam com transporte, comércio, escolas e equipamentos públicos, ela aproveita melhor a infraestrutura existente. Isso pode reduzir deslocamentos e contribuir para uma ocupação urbana mais eficiente”. Outro possível ganho, segundo a especialista, está na recuperação de edifícios que perderam sua função original. “O retrofit permite adaptar construções antigas às necessidades atuais, preservando parte da estrutura e, em alguns casos, elementos arquitetônicos importantes. A estratégia pode contribuir para modificar a paisagem de áreas degradadas sem depender exclusivamente da construção de grandes empreendimentos novos”. Apesar das perspectivas positivas, a requalificação também apresenta riscos. O aumento do interesse imobiliário pode elevar o preço dos imóveis e dos aluguéis, dificultando a permanência de moradores de menor renda. “Caso a transformação seja conduzida sem políticas de proteção social, a valorização da região pode acabar provocando a substituição de uma parcela da população que já vive no centro”, aponta Michele. O economista urbano Carlos Mendonça considera que o projeto pode produzir resultados importantes, mas alerta que os efeitos dependerão da maneira como as regras serão aplicadas. “Facilitar investimentos não é suficiente para garantir uma requalificação equilibrada. É preciso acompanhar os impactos sobre os preços, a população residente, o comércio tradicional e o patrimônio histórico. Se o processo for guiado apenas pela lógica imobiliária, existe o risco de produzir valorização sem necessariamente produzir uma cidade melhor para todos”. Na avaliação de Mendonça, a Operação Urbana Simplificada pode ser uma ferramenta adequada para acelerar a recuperação do Centro, mas não deve funcionar isoladamente. “Para que a estratégia seja considerada a melhor alternativa, seria necessário combinar incentivos ao setor privado com medidas de habitação, preservação do patrimônio, melhoria da mobilidade, segurança, zeladoria urbana e estímulo ao comércio local. A questão não é escolher entre investimento público ou privado. O desafio é fazer com que os dois trabalhem com objetivos urbanos claros”. A preocupação com a população que já ocupa essas áreas ganha relevância porque a requalificação tende a modificar não apenas os imóveis, mas também o perfil econômico e social dos bairros. Uma região com novos prédios residenciais, estabelecimentos comerciais e serviços pode recuperar movimento durante diferentes períodos do dia. Por outro lado, se o processo não considerar quem já mora e trabalha nesses locais, mudanças rápidas podem provocar a perda de atividades tradicionais. Para Michele, o principal indicador de sucesso deverá ser a capacidade de transformar a região de maneira permanente. “A região Central não pode ser pensada apenas como um lugar para receber obras. O objetivo final precisa ser criar uma área mais viva, diversificada e utilizada pela população em diferentes horários. Se houver novos moradores, comércio funcionando, espaços públicos qualificados e preservação da identidade dos bairros, a requalificação terá produzido um resultado consistente”.

Vendas de imóveis em Belo Horizonte recuam 6,7% no primeiro semestre

O mercado imobiliário de Belo Horizonte comercializou 12.099 imóveis no primeiro semestre de 2026, considerando unidades residenciais, pontos comerciais e lotes. O volume representa uma redução de 6,7% em comparação com as 12.970 unidades negociadas nos seis primeiros meses de 2025. Apesar do resultado inferior ao registrado no ano passado, o desempenho é avaliado como um movimento de acomodação depois do ciclo de crescimento observado pelo setor nos últimos anos. Para a economista Camila Nogueira, especialista em mercado imobiliário, a retração não significa necessariamente uma perda de força estrutural. “Depois de períodos de expansão mais acelerada, é comum que o mercado entre em uma fase de ajuste. O comprador passa a analisar mais as condições de financiamento, o preço e a perspectiva econômica antes de fechar negócio”, ressalta. O segmento residencial continuou dominando as transações realizadas na capital. Cerca de 90% das unidades comercializadas entre janeiro e junho pertenciam a essa categoria. Dentro dela, os apartamentos responderam pela maior parcela das vendas, com 9.485 unidades, contra 10.206 no primeiro semestre de 2025, uma queda de 7,1%. Ainda segundo Camila, a redução pode estar relacionada a um comportamento mais cauteloso dos consumidores. “A decisão de comprar um imóvel envolve um compromisso financeiro de longo prazo. Quando há maior percepção de incerteza, parte das famílias prefere adiar a aquisição, pesquisar mais ou esperar condições consideradas mais favoráveis”. O desempenho não foi uniforme entre os diferentes padrões de imóveis. Enquanto algumas categorias apresentaram retração, outras registraram crescimento. Os segmentos Super Luxo e Econômico Faixa 4 tiveram alta de 4,8% cada no período, enquanto o padrão Standard avançou 2,4%. Na direção contrária, as vendas caíram 33,2% entre os imóveis classificados como Luxo, 25,9% no padrão Alto, 19,3% no Médio e 7,9% no Econômico. De acordo com o consultor de mercado imobiliário, João Almeida, os movimentos aparentemente distintos refletem públicos com comportamentos e necessidades diferentes. “O consumidor de renda mais alta pode ter maior capacidade para aproveitar oportunidades específicas, enquanto a procura por imóveis econômicos está diretamente associada à necessidade de moradia e ao acesso a faixas de financiamento mais compatíveis com o orçamento das famílias”. A relevância dos imóveis de menor valor também aparece quando se observa um período mais amplo. Entre 2022 e 2026, as categorias Econômico e Econômico Faixa 4, que reúne unidades avaliadas entre R$ 400 mil e R$ 600 mil, concentraram 62,4% das unidades comercializadas em Belo Horizonte. Já os padrões Luxo e Super Luxo, somados, representaram apenas 2,5% das vendas. No primeiro semestre de 2026, os imóveis Econômico Faixas 2 e 3, com valores de até R$ 400 mil, responderam por aproximadamente 36,6% das unidades vendidas. A Faixa 4 acrescentou outros 22,5% desse total. Para Almeida, a expansão de 4,8% registrada no Econômico Faixa 4 pode estar associada à busca por imóveis que ofereçam um equilíbrio entre preço, localização e padrão construtivo. “Existe uma parcela de compradores que não encontra mais tantas alternativas nos imóveis de menor preço e acaba migrando para uma faixa um pouco superior, desde que consiga compatibilizar o valor da unidade com sua capacidade de pagamento”. No mercado de alto padrão, por outro lado, o comportamento é mais concentrado. Os imóveis classificados como Luxo, com valores entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões, e Super Luxo, acima de R$ 5 milhões, representaram juntos 2,4% das unidades comercializadas no primeiro semestre. Segundo Almeida, o crescimento do Super Luxo pode estar ligado à disponibilidade financeira de consumidores de maior renda e à aquisição de imóveis como forma de diversificação patrimonial. Mesmo com a retração registrada no primeiro semestre, a expectativa é de que o mercado apresente maior atividade na segunda metade de 2026. De acordo com Camila, o comportamento sazonal ajuda a explicar essa projeção. “O segundo semestre costuma ganhar força porque muitas famílias passam a ter maior disponibilidade financeira no fim do ano, enquanto outras começam a planejar mudanças de residência, seja por questões profissionais, familiares ou patrimoniais”.

Arte e cultura são duas ferramentas que podem ajudar na inclusão social

A arte e a cultura são fundamentais para a construção das relações sociais e para o fortalecimento da identidade comunitária, além de estimular o pensamento crítico, visto que as manifestações artísticas promovem inclusão e participação social. Por isso, a falta de espaços culturais acessíveis pode contribuir para a exclusão de diferentes grupos. No Brasil, muitas pessoas ainda enfrentam dificuldades para acessar serviços e espaços essenciais para uma vida digna. Nesse cenário, a cultura pode atuar como ferramenta de inclusão social, contribuindo para reduzir situações de vulnerabilidade. O contato com novos conhecimentos também pode fortalecer a autoestima e ampliar as oportunidades de participação na sociedade. Para discutir sobre o assunto, o Edição do Brasil conversou com a mestre em Educação, Laila Vieira de Oliveira. Quais são os benefícios da prática cultural em comunidades? A prática cultural intensifica o desejo pelo aprendizado para além do ensino formal: o escolar. A cultura amplia o olhar de quem a pratica para além de sua realidade, mas também colabora para sua transformação e aumento de suas possibilidades. As atividades têm impacto na diminuição da violência nesses espaços, promovem interação pessoal, estimulam a criatividade e a disciplina, trazem um novo olhar e uma esperança para essas pessoas. Que impacto social tem a cultura nas periferias? São as atividades culturais e empreendedoras que geram renda, e movimentam a cena da periferia. Além da questão econômica, o impacto da cultura na periferia é o fato do reconhecimento de produção cultural própria dos territórios, além do direito de a localidade usufruir de outros tipos de formação cultural, e que nenhuma se sobrepõe à outra. Um exemplo são os jovens periféricos que podem produzir funk, samba, rap, mas também conhecer e aprender sobre música clássica e aulas de balé. Inclusive, muitos projetos sociais trabalham com várias vertentes de formação cultural. Além de tudo isso, gera autonomia e protagonismo na população atendida. Qual a importância da cultura e arte chegarem a espaços como esses? A arte é uma característica do ser humano enquanto ser racional. Quando ela chega à periferia através de políticas públicas, de espaços de formação, de fomento de leis de responsabilidade fiscal, promove a relação do que a comunidade já produz, com os direitos culturais de mundo sendo acessados no espaço periférico. Como essas duas áreas auxiliam na desigualdade social? Quando a população tem acesso à arte e à cultura, sua visão de mundo se amplia, passa a reconhecer o que são os direitos humanos garantidos na constituição do país, e sua realidade vai se alterando. O ramo é um forte gerador de emprego e renda, e pode proporcionar uma trajetória de crescimento e conquistas, possibilitando o acesso a oportunidades que antes pareciam distantes. Na sua opinião, a arte é um instrumento que pode salvar jovens da criminalidade? Sim, embora a palavra “salvar” seja bastante conturbada, a arte é uma forma de promover acessos que, muitas vezes, a ausência do Estado, e a inserção do jovem em um poder paralelo, o faz perder seus sonhos, seus direitos. Com a arte é possível ver outras saídas na realidade em que se está inserido. Sem ilusão de que seja a única coisa a ser feita, obviamente precisa-se de uma rede fortalecida de atendimento do Estado, sociedade civil, mas a arte presente pode ser uma forma lúdica e que se comunica com a linguagem do jovem. O que pode ser feito para conscientizar a sociedade sobre a importância desses projetos culturais? É preciso que haja divulgação dos trabalhos nos meios de comunicação, conscientização feita desde a escola, e, para a população adulta, publicizar mais os trabalhos que já existem, para que eles sejam apoiados e surjam novos. Além do incentivo à doação financeira, as parcerias com empresas e ao voluntariado. Apesar de lento, o processo se mostra bastante efetivo.

Slow jogging: uma corrida de baixa intensidade no ritmo do bem-estar

O slow jogging é uma forma de corrida de baixa intensidade que vai priorizar conforto, regularidade e a possibilidade de conversar durante o exercício sem ficar excessivamente ofegante. Desenvolvida pelo professor japonês Hiroaki Tanaka, da Universidade de Fukuoka, a técnica vem despertando interesse entre pessoas que querem correr, mas não se identificam com treinos intensos. Na prática, a proposta é simples, mas exige uma mudança de mentalidade. Em vez de estabelecer a velocidade como principal objetivo, o praticante procura encontrar um ritmo que possa sustentar por um período prolongado. “O princípio mais importante é esquecer, por alguns minutos, a ideia de que correr significa necessariamente acelerar. No slow jogging, a pessoa deve encontrar uma intensidade confortável que consiga falar uma frase ou manter uma conversa. Caso esteja tão ofegante que mal consegue falar, provavelmente está acima do ritmo adequado”, explica a fisiologista Tereza Faria. A técnica costuma ser acompanhada de passos curtos, postura ereta e contato do pé com o solo pela região do mediopé, em vez de uma passada longa e pesada. A velocidade não precisa ser igual para todos, porque a prática é individual e depende do condicionamento físico. “Algumas referências apontam uma faixa aproximada de 3 a 5 km/h para iniciantes, mas o parâmetro mais importante é a percepção de esforço e a capacidade de conversar durante a atividade”, ressalta. Essa característica ajuda a diferenciar o slow jogging tanto da caminhada quanto da corrida tradicional. “A diferença não está apenas em correr devagar. Existe uma proposta de reduzir a pressão por desempenho e tornar a atividade sustentável. É uma corrida em que a pergunta deixa de ser ‘quanto consigo acelerar?’ e passa a ser ‘por quanto tempo consigo me movimentar bem e com prazer?’”, afirma o educador físico Ricardo Menezes. Para começar, os especialistas recomendam progressão gradual, especialmente para pessoas sedentárias. Uma sessão pode alternar períodos curtos de slow jogging com caminhada, aumentando o tempo conforme o corpo se adapta. A estratégia também pode ser utilizada por adultos mais velhos e pessoas que estão retomando os exercícios, pois o objetivo é permitir que o organismo se acostume progressivamente ao esforço. Por requisitar menos intensidade do que uma corrida convencional, a modalidade pode ser uma alternativa interessante para iniciantes, pessoas que estão retomando a atividade física ou indivíduos que simplesmente preferem exercícios menos extenuantes. “Baixa intensidade não significa ausência de carga. O corpo continua recebendo estímulo e precisa de adaptação. A vantagem é que podemos controlar esse estímulo com facilidade, reduzindo a velocidade ou alternando com caminhada”, explica Tereza. Entre os possíveis benefícios está a melhora do condicionamento cardiorrespiratório. A prática regular de corrida, inclusive em velocidades mais baixas, está associada a benefícios para a saúde cardiovascular e a uma redução do risco de mortalidade por diversas causas, a atividade aeróbica também pode contribuir para melhorar a capacidade física, a composição corporal, o controle metabólico e a resistência para realizar tarefas cotidianas. Os ganhos não se restringem ao organismo. Como o slow jogging reduz a cobrança por velocidade e desempenho, a experiência pode favorecer uma relação mais prazerosa com o exercício. “Quando a pessoa não sente que precisa provar nada, aumenta a chance de transformar o exercício em hábito. Isso pode repercutir no humor, na percepção de bem-estar e na disposição para manter uma rotina ativa”, observa Menezes. Outro aspecto importante é que o slow jogging não deve ser confundido com um exercício completamente livre de impacto. Apesar da menor intensidade, a corrida continua impondo cargas ao sistema musculoesquelético, por isso, a execução adequada, o aumento gradual do volume e a atenção aos sinais do corpo são importantes para diminuir o risco de desconfortos e lesões. Segundo os profissionais, dor persistente, tontura, falta de ar fora do habitual ou qualquer outro sintoma preocupante são motivos para interromper a atividade e buscar avaliação profissional.