Número de professores jovens no ensino médio diminui 31,1% em dez anos

A possibilidade de escassez de professores em diferentes etapas da educação básica brasileira, frequentemente denominada “apagão de docentes”, representa um desafio que vem sendo discutido há vários anos. Um levantamento divulgado em 2022 pelo Instituto Semesp, entidade que representa mantenedoras de instituições de ensino superior, estimou que o Brasil poderia registrar um déficit de aproximadamente 235 mil profissionais da docência até 2040. Mesmo após quatro anos, a falta de professores no Brasil permanece como motivo de preocupação. O estudo Apagão dos Professores: o desafio da renovação dos professores no Brasil, divulgado pelo Instituto Semesp em setembro de 2026, evidencia um desequilíbrio na composição do magistério: apesar do aumento no número geral de docentes, o ingresso de profissionais mais jovens não ocorre em ritmo suficiente para compensar o envelhecimento daqueles que já exercem a profissão. Os dados referentes ao período de 2015 a 2025 revelam uma mudança significativa no perfil etário dos professores do ensino médio no Brasil. Nesse intervalo, a quantidade de docentes com até 24 anos diminuiu 31,1%, passando de 17,3 mil para 11,9 mil profissionais. Em contrapartida, o contingente de professores com 60 anos ou mais aumentou 104,5%, subindo de 18,2 mil para 37,3 mil. Essa transformação também pode ser observada na relação entre os dois grupos etários. Em 2015, o número de professores mais jovens era praticamente equivalente ao de docentes com 60 anos ou mais. Uma década depois, a proporção passou a ser de aproximadamente três profissionais mais velhos para cada professor com até 24 anos. De acordo com as projeções apresentadas no estudo, essa diferença poderá se ampliar até 2040, quando a relação poderá chegar a seis docentes com 60 anos ou mais para cada profissional da faixa etária mais jovem. Segundo a pesquisa, diversos fatores ajudam a explicar esse cenário, como a redução do interesse dos jovens pela profissão, a remuneração pouco atrativa, a desvalorização social do magistério e as condições inadequadas de trabalho. Soma-se a esses aspectos o envelhecimento dos profissionais que já atuam na área, o que pode intensificar a necessidade de novos docentes para atender à demanda das escolas brasileiras. A coordenadora pedagógica Alessandra Diniz explica que a desvalorização da profissão pesa na decisão dos jovens sobre o futuro profissional. “A escolha de uma carreira envolve perspectivas de crescimento, estabilidade financeira e reconhecimento, quando o jovem percebe que o trabalho docente exige grande responsabilidade, mas oferece condições pouco atrativas, ele pode optar por outras áreas”. Para Alessandra, a dificuldade de retenção também está relacionada ao início da trajetória profissional. “Professores recém-formados precisam conciliar o planejamento das aulas, a avaliação dos estudantes e a gestão de conflitos, muitas vezes sem acompanhamento sistemático. A ausência de programas de acolhimento e orientação pode aumentar a insegurança e contribuir para o abandono precoce da docência”. Na avaliação do especialista em educação Ricardo Mendes, a reversão desse quadro depende de medidas que ultrapassem campanhas de valorização simbólica. “É necessário oferecer salários compatíveis com a responsabilidade da função, planos de carreira consistentes e condições adequadas de trabalho. Também é fundamental garantir que os professores iniciantes tenham apoio pedagógico e oportunidades de desenvolvimento profissional”. “A ampliação de bolsas, a residência docente e as parcerias entre universidades e escolas aproximam os futuros professores da realidade profissional, oferecendo experiências práticas supervisionadas. Além disso, a formação continuada, o acompanhamento inicial e o investimento em infraestrutura e equipes de apoio ajudam a reduzir a sobrecarga e favorecer a permanência dos docentes na carreira”, conclui.

Osteoporose avança de forma silenciosa e exige prevenção contínua

Considerada um dos principais problemas de saúde óssea, a osteoporose é uma doença caracterizada pela redução da densidade e pela deterioração da estrutura dos ossos, tornando-os mais frágeis e suscetíveis a fraturas. Ela representa um importante problema de saúde pública no Brasil, afetando aproximadamente 10 milhões de pessoas, de acordo com a International Osteoporosis Foundation (IOF). A doença apresenta maior relevância entre idosos e mulheres após a menopausa, devido ao aumento do risco de perda de massa óssea e de fraturas. Conforme estimativas atribuídas ao Ministério da Saúde, cerca de 50% das mulheres e 20% dos homens com idade igual ou superior a 50 anos poderão sofrer fraturas relacionadas à osteoporose ao longo da vida. A partir dos 70 anos, esse risco pode atingir aproximadamente 50% em ambos os sexos. O endocrinologista Gilberto Assunção explica que a ausência de manifestações iniciais é uma das principais dificuldades para identificar a doença. “A osteoporose é conhecida como uma condição silenciosa porque a perda de massa óssea geralmente não provoca dor ou desconforto nas fases iniciais. Em muitos casos, a pessoa só descobre que tem a doença depois de sofrer uma fratura decorrente de uma queda simples ou até de um movimento cotidiano”. Embora não apresente sinais específicos no início, a osteoporose pode provocar manifestações ao longo de sua evolução. “Dor nas costas, redução da estatura e alterações na postura, como o aumento da curvatura da coluna, podem estar associadas a fraturas vertebrais. Esses sinais, entretanto, não são exclusivos da doença e precisam ser avaliados por um profissional de saúde”, observa. Segundo Assunção, o diagnóstico considera o histórico clínico do paciente, a presença de fatores de risco, possíveis fraturas anteriores e os resultados de exames. “Entre eles, destaca-se a densitometria óssea, que mede a densidade mineral dos ossos, geralmente na coluna lombar e no quadril. O exame ajuda a identificar a redução da massa óssea e a avaliar o risco de fraturas, dependendo do caso, o médico também pode solicitar exames laboratoriais”. De acordo com a ortopedista Mariana Lopes, a avaliação individualizada é essencial para definir a conduta mais adequada. “A densitometria é uma ferramenta importante, mas não deve ser interpretada isoladamente, a idade, o histórico familiar, o uso prolongado de determinados medicamentos, as condições hormonais e a ocorrência de fraturas anteriores também influenciam a avaliação do risco”, alerta a especialista. Diagnóstico e tratamento O tratamento tem como principais objetivos reduzir a perda óssea, preservar a resistência dos ossos e prevenir novas fraturas. A escolha da abordagem depende da gravidade da doença, da idade, das condições de saúde e do risco individual. Entre as opções estão medicamentos que diminuem a reabsorção óssea ou estimulam a formação de tecido ósseo, prescritos conforme a indicação médica, a suplementação de cálcio e vitamina D pode ser recomendada quando a alimentação ou os níveis desses nutrientes não são suficientes, mas não substitui o tratamento específico quando ele é necessário. Mariana ressalta que a adoção de hábitos saudáveis também integra os cuidados. “Uma alimentação equilibrada, com fontes de cálcio e proteínas, a manutenção de níveis adequados de vitamina D e também a prática regular de exercícios físicos contribuem para a saúde dos ossos. Atividades com sustentação do peso corporal e exercícios de fortalecimento muscular podem ajudar a preservar a massa óssea, melhorar o equilíbrio e diminuir o risco de quedas”. A prevenção inclui ainda evitar o tabagismo, moderar o consumo de bebidas alcoólicas e reduzir os riscos de acidentes dentro de casa, com medidas como melhorar a iluminação, instalar barras de apoio quando necessário e retirar tapetes soltos de áreas de circulação, garantindo mais segurança.

Reorganização das escolas de Belo Horizonte enfrenta resistência

Após visitar presencialmente Sobral, no Ceará, para conhecer seu modelo educacional, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) iniciou a reorganização da rede municipal de ensino, propondo a distribuição das escolas de acordo com as faixas etárias e a especialização das unidades em diferentes etapas da educação. A iniciativa, entretanto, gerou insatisfação entre profissionais da área e familiares dos estudantes afetados. Durante uma audiência pública promovida pela Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), os participantes questionaram a ausência de planejamento adequado e a falta de transparência na condução das mudanças pela administração municipal. A reorganização deve começar por escolas municipais das regionais Barreiro, Venda Nova e Pampulha, incluindo a Padre Marzano Matias e a Geraldo Teixeira da Costa, localizadas no mesmo terreno, em Venda Nova. Inspirada no modelo educacional de Sobral, a Secretaria Municipal de Educação definiu que a Padre Marzano Matias atenderá aos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), enquanto a Geraldo Teixeira da Costa ficará responsável pelos anos finais (6º ao 9º ano). Felipe Alcântara, pai de alunos da Escola Municipal Padre Marzano Matias, relatou que a mudança já provoca ansiedade nos estudantes. As mães Michele Cristo e Juliana Soares também demonstraram preocupação com a rivalidade entre as comunidades escolares e a segurança dos filhos. Além disso, as famílias destacaram a perda dos vínculos com professores e funcionários e a possibilidade de irmãos de idades diferentes serem separados e encaminhados para escolas distintas. Claudiane, docente da Escola Municipal Imaco, localizada no bairro Funcionários, destacou a preocupação dos profissionais das instituições afetadas pela reorganização. Segundo ela, a informação de que a oferta da educação infantil será encerrada a partir do próximo ano foi recebida recentemente. “Não sabemos da nossa vida funcional ano que vem. Para onde vamos? Quais serão nossas garantias de horário de trabalho”? Ela criticou o enfraquecimento gradual das Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis), destacando a relevância e o reconhecimento desse modelo educacional em âmbito nacional. Carolina Andrade, representante da direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de BH (Sind-Rede/BH), criticou a viagem realizada pela Secretaria Municipal de Educação a Sobral, em agosto, classificando-a como uma iniciativa de “turismo pedagógico”. O resultado, segundo ela, “foi uma decisão de gabinete fria e desconectada da realidade local, imposta sem qualquer forma de diálogo às famílias e ao corpo técnico das escolas”. Uma crítica recorrente dos participantes da audiência. Carolina Andrade lembrou que salas antes ociosas foram reformadas, por orientação da Secretaria de Educação, para receber crianças de 3 a 5 anos. Agora, porém, turmas deverão ser transferidas para creches conveniadas. Talita Lacerda, do Sind-Rede, criticou a falta de gestão democrática e a adoção de um modelo sem eficácia comprovada para Belo Horizonte, que, segundo ela, desconsidera as realidades sociais e territoriais dos alunos e dificulta a organização familiar. “Toda criança tem o direito de estudar o mais próximo da sua casa. É importante que a escola esteja próxima de sua comunidade. A escola não é só uma instituição de ensino de disciplinas tradicionais, é um espaço de congregação, de sociabilidade daquela comunidade”, salientou a deputada Macaé Evaristo (PT). A deputada Beatriz Cerqueira (PT), responsável por solicitar a audiência pública, criticou a forma como a Secretaria de Educação conduziu a mudança, sem comunicação oficial prévia e sem representantes da pasta no debate. Ela cobrou da prefeitura mais respeito à participação democrática da população e ao papel fiscalizador do Parlamento.

Lazer é motivo de viagem para 44% dos turistas que visitam Belo Horizonte

O turismo de lazer segue como o principal fator que atrai visitantes a Belo Horizonte. De acordo com a Pesquisa de Demanda Turística, divulgada pela Prefeitura, a proporção de turistas que visitaram a capital mineira motivados por atividades de lazer aumentou de 38,1%, em 2024, para 44%, em 2026. O estudo também revela uma leve alta na intenção de retorno dos visitantes: o índice passou de 85,3% para 86,5% no mesmo intervalo. Promovido bienalmente pela Belotur, o levantamento busca identificar as características dos turistas e compreender como eles avaliam a experiência de visitar Belo Horizonte. Nesta edição, 28,2% dos participantes disseram conhecer a cidade pela primeira vez. A avaliação da viagem também foi positiva: para 87,71% dos entrevistados, a experiência correspondeu totalmente ao que esperavam ou foi além das expectativas. Em relação aos locais e às atividades que despertam maior interesse dos visitantes, museus e patrimônios histórico-culturais lideram as citações, com 15,9%. Na sequência, aparecem parques e espaços naturais, mencionados por 13,6% dos turistas. O interesse pelo artesanato local e por outros produtos regionais foi apontado por 12,7% dos participantes. Já shows, eventos e opções de entretenimento noturno motivaram a viagem de 11,47% dos entrevistados. Para a turismóloga Ana Carolina Costa, o crescimento do lazer representa uma oportunidade estratégica para a cidade. “O turismo movimenta uma cadeia ampla de atividades, que inclui hotéis, bares, restaurantes, comércio, transporte, produtores culturais e trabalhadores autônomos. Quando Belo Horizonte consegue atrair visitantes interessados em aproveitar a cidade, cria oportunidades de geração de renda e fortalece negócios de diferentes portes. Além disso, o turista que permanece por mais tempo tende a consumir mais serviços e conhecer diferentes regiões”. A ampliação do interesse pelo lazer também pode estar relacionada à valorização de viagens que oferecem experiências diversificadas e contato com a identidade local. “A combinação entre patrimônio cultural, espaços ao ar livre, programação artística e a reconhecida cena gastronômica mineira permite que Belo Horizonte construa roteiros para diferentes perfis de público. Para transformar essa diversidade em um diferencial competitivo, entretanto, é necessário apresentar as atrações de maneira integrada e facilitar o acesso às informações sobre o que fazer na cidade”, explica. Na avaliação do agente de viagens Vicente Brandão, o próximo passo é investir na organização e na divulgação dessas experiências. “Belo Horizonte tem potencial para atrair mais turistas de lazer, mas precisa facilitar a vida de quem visita a cidade. Isso passa por calendários de eventos atualizados, roteiros bem estruturados, sinalização turística, informações acessíveis e integração entre transporte e atrações. Também é importante ampliar as atividades aos fins de semana e nos períodos de menor movimento, para que o visitante encontre opções variadas durante todo o ano”. Para Brandão, a qualificação dos espaços públicos e a valorização das atrações fora dos circuitos mais conhecidos também podem contribuir para diversificar o turismo. “Parques, centros culturais, feiras, mercados e iniciativas de produtores locais têm potencial para compor roteiros que incentivem o visitante a explorar diferentes áreas da capital”. Ele ressalta que medidas de acessibilidade, segurança, mobilidade e atendimento ao turista são igualmente relevantes para garantir experiências positivas a públicos com necessidades distintas. Os dados sobre a intenção de retorno indicam uma oportunidade para consolidar Belo Horizonte como destino de lazer, mas o crescimento sustentável depende de planejamento contínuo. A articulação entre poder público, setor privado e agentes culturais pode ajudar a transformar os atrativos existentes em experiências mais completas, fortalecer a divulgação da cidade e ampliar os benefícios econômicos do turismo.

Entrada de 13 milhões de donas de casa no mercado elevaria PIB em 2,2%

A entrada de 13 milhões de mulheres dedicadas exclusivamente aos afazeres domésticos no mercado de trabalho poderia elevar o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2,2%, segundo estudo das pesquisadoras Isabela Duarte Kelly e Hildete Pereira de Melo, da Fundação Getulio Vargas (FGV). De acordo com a pesquisa, 42,8 milhões de mulheres estão fora da força de trabalho, sendo que 13 milhões não trabalham nem procuram emprego devido às responsabilidades com a casa, os filhos e a família. O levantamento utiliza dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) de 2025, do IBGE, e estima a renda que essas mulheres poderiam obter em ocupações remuneradas, considerando a escolaridade média do grupo. As estimativas indicam que essa inclusão poderia acrescentar R$ 284 bilhões à economia em 2025, já descontados os valores de benefícios sociais, como o Bolsa Família, que deixariam de ser recebidos sob a hipótese de substituição do auxílio pela renda do trabalho. Para a economista Marcela Andrade, ampliar a participação feminina significa aproveitar uma parcela da população que já exerce uma função essencial para a sociedade, mas sem receber por ela. “Quando uma mulher consegue um emprego remunerado, passa a contribuir diretamente para a produção de bens e serviços, movimenta o consumo e pode ampliar a renda de sua família. No conjunto, isso fortalece a economia e aumenta a capacidade produtiva do país, porém, o trabalho doméstico não desaparece quando a mulher consegue emprego. Sem uma divisão mais equilibrada das tarefas, ela corre o risco de acumular jornadas”. Além dos efeitos econômicos, a remuneração pode transformar a vida das próprias trabalhadoras. “Ter renda própria favorece a autonomia para tomar decisões, investir na formação profissional e construir uma reserva financeira. A dependência econômica de parceiros ou parentes, por outro lado, pode limitar escolhas pessoais e dificultar a saída de situações de violência ou vulnerabilidade”, completa. A pesquisa ressalta que o grupo em questão não se caracteriza necessariamente pela falta de interesse em ingressar no mercado de trabalho, mas pelas dificuldades de conciliar uma atividade profissional com as tarefas domésticas e as responsabilidades de cuidado. Para ampliar essa participação, são necessárias políticas públicas que facilitem a conciliação entre trabalho e responsabilidades familiares. A consultora de Recursos Humanos, Karine Soares, avalia que a principal barreira está na ausência de condições para conciliar emprego e responsabilidades familiares. “Não basta abrir vagas, é preciso garantir que essas mulheres tenham onde deixar os filhos, apoio para cuidar de familiares idosos, transporte acessível e oportunidades de qualificação compatíveis com sua rotina”. Ela acrescenta que a falta de experiência profissional recente e as exigências de horários rígidos também podem dificultar a contratação. A participação feminina na força de trabalho permanece praticamente estagnada há quase 15 anos: passou de 52% em 2012 para 53% em 2025, segundo os dados apresentados no estudo. A pequena variação reforça a necessidade de ações que enfrentem obstáculos estruturais. Para incentivar o ingresso das interessadas, as especialistas defendem que as iniciativas considerem as necessidades de cada grupo. “Cursos profissionalizantes com horários flexíveis, orientação para elaboração de currículos, apoio para recolocação e acesso a vagas próximas de casa podem ajudar quem ficou anos afastada da atividade remunerada. Empresas também podem contribuir com jornadas flexíveis, processos seletivos inclusivos e políticas de apoio à parentalidade”, conclui Karine.

Casos de violência política é cinco vezes maior durante período eleitoral

Durante os 50 dias de campanha do primeiro turno, entre 16 de agosto e 4 de outubro, o Brasil registrou 134 casos de violência política, uma ocorrência a cada 9 horas. O número supera os 121 casos no primeiro turno de 2022, segundo a 4ª edição da pesquisa Violência Política e Eleitoral no Brasil, realizada pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global. No período eleitoral, os casos foram cinco vezes mais frequentes. Já entre outubro de 2024 e agosto de 2026, foram registrados 354 episódios, uma média de um a cada 44 horas. A violência política contra mulheres se intensificou durante o primeiro turno, passando de 50,6% das vítimas no período pré-eleitoral para 52,2% dos casos registrados. Dos 134 episódios, 70 atingiram mulheres cis e trans, enquanto 61 tiveram homens como vítimas. As três ocorrências restantes envolveram sedes do PT, em Macapá e Campina Grande, e a equipe de campanha de uma candidata. Sobre o tema, o Edição do Brasil conversou com a coordenadora de incidência política da Terra de Direitos, Gisele Barbieri. O que explica esse cenário de violência e o que esses números revelam sobre as condições da disputa democrática no país? A violência política se intensifica no Brasil, sendo utilizada para favorecer e manter determinados representantes e suas propostas no cenário eleitoral. Contudo, seus efeitos vão além dos mandatários, interferindo no sistema democrático e definindo quem pode ocupar os espaços de decisão. Essa realidade, especialmente no caso da violência política de gênero, torna o exercício dos direitos políticos insustentável. Afinal, não há democracia plena sem a representação da diversidade da população brasileira. Como explicar o maior número de casos de violência política contra mulheres e como isso pode comprometer a participação e a representatividade delas nos espaços de poder? Os dados desta quarta edição evidenciam a desproporcionalidade da violência política de gênero, que atinge as mulheres por quem são, especialmente as negras e trans, buscando desumanizá-las e afastá-las dos espaços de poder. Apesar do crescimento das candidaturas femininas, a baixa representação revela barreiras à participação política, agravadas pela impunidade. É urgente responsabilizar os partidos e garantir que essas candidaturas vão além das cotas e do financiamento, assegurando uma participação efetiva e segura. Mais da metade dos episódios ocorreu em ruas, atividades de campanha ou eventos públicos, enquanto 31,3% foram registrados no ambiente virtual. Qual deve ser a responsabilidade das plataformas digitais no enfrentamento desse problema? É preciso pôr fim à impunidade nos crimes de violência política, nas ruas e nas redes, por meio da responsabilização dos agressores. No espaço público, o acirramento das disputas e a proximidade entre grupos opostos favorecem a transformação de hostilidades em agressões físicas. Já nas redes, a rápida disseminação de ataques, muitas vezes coordenados e direcionados principalmente a mulheres, amplia o alcance da violência. Por isso, é urgente regulamentar a internet e responsabilizar as plataformas pela circulação de conteúdos violentos, muitas vezes impulsionados pelo lucro e pelo engajamento. O que explica a falta de responsabilização e quais são as principais falhas das instituições no combate à violência política? A impunidade é um dos maiores vetores para a escalada dos episódios de violência política ao longo dos anos. Quando crimes de motivação política e ideológica, como ameaças, atentados e assassinatos, que buscam intimidar agentes políticos e afastar suas propostas do cenário de disputa eleitoral, ficam sem resposta célere da Justiça, a impunidade passa a ditar as regras e a violência passa a ser normalizada. Quais medidas concretas devem ser adotadas pelo Estado, pela Justiça Eleitoral e pelos partidos para prevenir a violência, proteger as vítimas e garantir que ela não determina os rumos da disputa democrática? O enfrentamento à violência política é dever do Estado e exige ações conjuntas dos órgãos de justiça, segurança, sistemas eleitorais, partidos políticos e sociedade civil. É essencial capacitar agentes públicos, ampliar canais de denúncia e integrar protocolos de investigação. Os partidos devem assumir sua responsabilidade diante da violência política de gênero, garantindo que as candidaturas femininas não se limitem ao cumprimento de cotas e ao financiamento. Afinal, esses espaços, historicamente masculinos, também são palco de violências contra mulheres, inclusive praticadas por colegas parlamentares, como ocorreu em 21 episódios no primeiro turno.

Skate transforma os espaços urbanos em locais de encontro e convivência

Nascido da criatividade de jovens que buscavam reproduzir os movimentos do surfe em terra firme, o skate ultrapassou as ruas e conquistou espaço entre as principais modalidades esportivas do mundo. Com manobras que exigem equilíbrio, coordenação e coragem, a prática tornou-se também uma expressão cultural, marcada pela liberdade, pela criatividade e pelo convívio entre diferentes gerações. No Brasil, o esporte ganhou força ao longo das décadas, revelou atletas reconhecidos internacionalmente e alcançou um novo patamar de visibilidade com sua estreia nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021. O educador físico e skatista, Pedro Marçal, destaca que o skate evoluiu de uma prática realizada nas ruas da Califórnia, na década de 1950, para um movimento reconhecido mundialmente, que ultrapassa os limites esportivos e se consolida como parte de uma identidade cultural. “Hoje, o skate é muito mais do que uma atividade de lazer; é uma forma de expressão, um esporte olímpico e um símbolo de resistência”. “A inclusão dele nos Jogos Olímpicos ampliou o reconhecimento da modalidade no cenário esportivo e abriu novas possibilidades para atletas de diferentes países. Com a participação em competições internacionais, jovens skatistas passaram a ter maior visibilidade e a oportunidade de conquistar espaço no cenário mundial, contribuindo também para a divulgação do esporte entre novos públicos”, completa. Ainda de acordo com Pedro, além do aspecto competitivo, o skate tem uma rica cultura associada. “A sua cultura é marcada por elementos que ajudam a construir a identidade de seus praticantes, como o vestuário, as artes visuais e os estilos musicais associados à modalidade, essa influência ultrapassa as pistas e as ruas, refletindo-se em áreas como a moda, o design gráfico e a produção musical. Além do aspecto cultural, o skate também pode desempenhar um papel importante na inclusão social, em contextos urbanos e comunidades em situação de vulnerabilidade, a prática representa uma oportunidade de convivência, fortalecimento dos vínculos sociais e desenvolvimento pessoal, contribuindo para que os jovens encontrem um espaço de expressão, pertencimento e novas perspectivas”. Segundo o professor de educação física Marcos Silveira, os benefícios do skate vão além dos resultados competitivos. “A prática desenvolve equilíbrio, coordenação motora, agilidade, força muscular e consciência corporal. Também pode melhorar a resistência cardiovascular, por exigir o uso de vários grupos musculares, incluindo pernas, glúteos e core (abdominais e região lombar), pode resultar em um fortalecimento geral do corpo e no aumento da resistência muscular. Melhora a coordenação motora, equilíbrio, flexibilidade e agilidade e pode também ajudar no controle de peso e na queima de calorias”. Ela ressalta que os ganhos também podem ser percebidos na saúde mental e nas relações sociais. “Ao praticar skate, crianças, jovens e adultos encontram oportunidades de estabelecer metas, fortalecer a autoconfiança e compartilhar experiências. Em pistas e espaços públicos, skatistas costumam trocar orientações, incentivar iniciantes e celebrar as conquistas uns dos outros, criando vínculos que ultrapassam diferenças de idade e origem, a atividade pode contribuir para aliviar o estresse e ampliar o sentimento de pertencimento, especialmente quando realizada em ambientes seguros e acolhedores”. Apesar das vantagens, a prática exige cuidados. O uso de capacete, joelheiras e cotoveleiras, a escolha de locais apropriados e o aprendizado gradual das manobras ajudam a reduzir o risco de lesões. A orientação de profissionais e o respeito aos limites individuais também são importantes para uma experiência segura.

BH movimenta R$ 278 milhões em recursos para fomento à cultura

Entre 2018 e 2025, Belo Horizonte destinou R$ 278 milhões de recursos públicos ao incentivo à cultura. O investimento possibilitou a realização de 3.391 projetos culturais, apresentados por 2.044 proponentes. As informações integram um levantamento inédito elaborado pela JLeiva Cultura & Esporte, a partir de dados oficiais disponibilizados pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). As áreas de música, audiovisual e teatro concentraram, em conjunto, 56,5% do total de recursos públicos destinados ao setor cultural. Desse montante, R$ 67,2 milhões foram direcionados à música, enquanto o audiovisual contou com R$ 55,5 milhões. Já o teatro representou 12,3% dos investimentos realizados. Entre os instrumentos de financiamento cultural analisados, a Lei Municipal de Incentivo à Cultura (LMIC) se destacou, com R$ 238 milhões em recursos movimentados. O levantamento também abrangeu o Fundo Municipal de Cultura e os repasses provenientes das políticas federais Paulo Gustavo (LPG) e Aldir Blanc (Pnab). Considerando os diferentes mecanismos de incentivo, os editais de fomento alcançaram R$ 263,9 milhões distribuídos. Para a professora de artes Cecília Santana, o investimento público ultrapassa o apoio financeiro aos artistas e produz efeitos sobre a sociedade. “Quando o poder público financia a cultura, contribui para a geração de trabalho e renda, fortalece a identidade dos territórios e amplia as possibilidades de convivência entre pessoas com diferentes experiências. A cultura também estimula a educação, o pensamento crítico e o reconhecimento das histórias que formam uma cidade”. “A pluralidade de projetos e de perfis contemplados é outro aspecto importante para o desenvolvimento do setor. Artistas independentes, coletivos comunitários, produtores iniciantes e organizações com estruturas distintas enfrentam condições desiguais para elaborar propostas, reunir documentos e cumprir exigências administrativas”, ressalta. Na avaliação do produtor cultural Rafael Lacerda, aprimorar esse cenário exige combinar investimento contínuo com mudanças nos processos de seleção. “Não basta ampliar o orçamento se os mesmos grupos continuam tendo mais facilidade para acessar os editais, é necessário oferecer orientação gratuita aos proponentes, simplificar procedimentos, estabelecer critérios transparentes e desenvolver linhas específicas para projetos iniciantes e iniciativas de menor porte. Também é fundamental avaliar quem recebe os recursos e quem permanece de fora”. A distribuição territorial representa outro desafio. Segundo dados divulgados sobre o estudo, a região Centro-Sul, que reúne aproximadamente 12% da população de Belo Horizonte, concentrou 26% dos proponentes contemplados e 31% dos recursos distribuídos. O cenário reforça a necessidade de políticas que considerem as diferenças entre as regiões da capital e ampliem as oportunidades para artistas que vivem e produzem fora das áreas tradicionalmente associadas à oferta cultural. Para reduzir essa desigualdade, Lacerda defende medidas como a descentralização dos editais, a realização de oficinas de elaboração de projetos nas regionais e a ampliação da divulgação das oportunidades em bairros periféricos. “A criação de linhas de financiamento voltadas às demandas locais, o fortalecimento de centros culturais comunitários e a oferta de suporte técnico durante as inscrições também podem facilitar a participação de novos proponentes”. “Outra possibilidade é promover atividades culturais gratuitas em praças, escolas, parques e equipamentos públicos distribuídos pela cidade, aproximando a produção artística dos moradores. Nesse processo, a participação das comunidades na definição das prioridades é essencial para que os investimentos respondam às características de cada território, em vez de reproduzirem uma política cultural concentrada em determinadas regiões”, argumenta.

Proibição das plataformas de apostas esportivas on-line pode aquecer o consumo

A proibição das plataformas de apostas esportivas on-line, conhecidas como bets, anunciada pelo governo Lula (PT), pode representar uma economia de até R$ 40 bilhões anuais para as famílias brasileiras. O cálculo considera a receita bruta registrada, ao longo de um ano, pelas empresas de apostas virtuais que estavam autorizadas a operar. Esse montante corresponde, em termos práticos, ao dinheiro gasto pelos apostadores nessas plataformas. Segundo informações da Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda, o setor de apostas de quota fixa no Brasil registrou uma receita bruta (GGR, sigla em inglês para Gross Gaming Revenue) de R$ 20,2 bilhões nos primeiros seis meses deste ano. Nesse intervalo, o mercado contava com 84 empresas autorizadas a operar, responsáveis por 196 marcas comerciais em atividade. Considerando a manutenção desse ritmo ao longo de 12 meses, o volume anual estimado chegaria a R$ 40,4 bilhões, quantia que poderia ser direcionada a outros segmentos da economia. Além disso, uma pesquisa realizada em parceria pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que o avanço das apostas provocou uma redução de R$ 120 bilhões a R$ 141 bilhões na atividade econômica do Brasil ao longo do último ano. Segundo o levantamento, esses valores representam recursos que deixaram de movimentar a economia local, com possíveis impactos sobre diferentes segmentos, como restaurantes, salões de beleza, oficinas mecânicas e pequenos estabelecimentos comerciais. Setores essenciais De acordo com a economista Laura Mendes, a principal oportunidade está na possibilidade de redirecionar os recursos para despesas cotidianas. “Quando uma família deixa de comprometer parte da renda com apostas, pode ganhar margem para comprar alimentos, pagar contas, adquirir roupas e contratar serviços. Esse dinheiro volta a atender necessidades concretas e pode sustentar negócios que dependem diretamente do consumo local”. A circulação da renda também pode alcançar setores essenciais, como saúde e educação. Com maior disponibilidade financeira, famílias podem ter mais condições de comprar medicamentos, realizar consultas, adquirir material escolar e investir em cursos profissionalizantes. O efeito, porém, depende das decisões de cada consumidor e da efetiva redução dos gastos com apostas, não sendo uma transferência automática de recursos para essas áreas. Na avaliação do consultor financeiro Ricardo Faria, a mudança pode favorecer um ciclo econômico mais distribuído. “O gasto realizado em um pequeno comércio ajuda a pagar fornecedores, salários e despesas operacionais. Parte desse dinheiro continua circulando na própria cidade, beneficiando outros negócios, se houver uma redução consistente das perdas com apostas, esse movimento poderá contribuir para fortalecer a economia dos municípios”. Para Faria, apesar das perspectivas positivas, os resultados dependem da capacidade de impedir que os apostadores migrem para plataformas clandestinas. “Sem fiscalização eficiente, parte da demanda pode continuar direcionada a sites ilegais, que operam sem as mesmas exigências de controle e proteção ao consumidor. Nesse cenário, o dinheiro não necessariamente retornaria ao comércio ou às despesas essenciais das famílias”. Laura explica que outro desafio é garantir que a renda liberada seja utilizada de maneira sustentável. “O pagamento de dívidas, a formação de uma reserva de emergência e a regularização de contas atrasadas também podem ser destinos importantes para os recursos, embora essas escolhas não aumentem imediatamente o consumo, elas podem reduzir a vulnerabilidade financeira e ampliar a capacidade de compra das famílias no futuro”, finaliza.

Pessoas com deficiência ainda enfrentam barreiras na carreira profissional

Um levantamento realizado pela startup Egalite revela que somente 1,5% das oportunidades voltadas a pessoas com deficiência (PcD) correspondem a cargos técnicos ou de gestão. A análise foi baseada em informações de 116 mil profissionais cadastrados e em mais de 19 mil vagas disponíveis no portal Inclui PcD, mantido pela própria empresa. A maior parte das oportunidades oferecidas pelas empresas a pessoas com deficiência está concentrada em funções operacionais, que correspondem a 98,5% dos postos disponíveis. Em contrapartida, 31% das candidaturas espontâneas feitas por esses profissionais têm como foco cargos técnicos ou de gestão. Para a especialista em Diversidade e Inclusão, Carla Souza, essa diferença está relacionada a uma visão ainda limitada sobre a capacidade profissional dessas pessoas. “Durante muito tempo, a inclusão foi tratada pelas empresas principalmente como uma questão de cumprimento de cotas. O profissional entra na organização, mas nem sempre existe um planejamento para que ele desenvolva competências, assuma novas responsabilidades e tenha acesso às mesmas possibilidades de promoção que os demais funcionários”. A legislação brasileira estabelece que empresas com 100 ou mais empregados devem reservar entre 2% e 5% de seus postos de trabalho para pessoas com deficiência e beneficiários reabilitados da Previdência Social. O cumprimento da cota, porém, não garante por si só uma trajetória de crescimento dentro das organizações. “Essa dificuldade também pode continuar depois da contratação. Mesmo quando conseguem ingressar nas empresas, profissionais com deficiência podem encontrar ambientes sem acessibilidade adequada, falta de recursos assistivos e pouca preparação das equipes para lidar com diferentes necessidades”, ressalta Carla. Apesar desse desequilíbrio, os resultados da pesquisa também revelam sinais positivos entre as empresas que vêm adotando práticas voltadas à inclusão e ao desenvolvimento profissional de PcD. De acordo com o levantamento, 50% das organizações avaliadas no portal Inclui PcD oferecem a totalidade de suas oportunidades, das funções de entrada a posições de especialistas e liderança, também para candidatos com deficiência. O estudo também chama atenção que a média da remuneração pretendida por candidatos com deficiência é de R$ 1.450, quantia inferior ao salário mínimo vigente, de R$ 1.621. O resultado sugere que parte desses profissionais pode ingressar em processos seletivos com expectativas de remuneração abaixo do piso legal. Para a consultora de Recursos Humanos, Renata Oliveira, a baixa presença de PcD em posições de liderança também está relacionada à falta de representatividade dentro das empresas. “Quando uma organização não possui profissionais com deficiência em funções de decisão, é mais difícil perceber quais barreiras estão impedindo a progressão dessas pessoas. A empresa pode contratar, mas continuar reproduzindo processos que dificultam a promoção”. Conforme destaca a especialista, a inclusão precisa fazer parte da estratégia de carreira. Entre as medidas estão programas de mentoria, capacitação, avaliações de desempenho acessíveis, planos de desenvolvimento individual e critérios transparentes para promoções. “Não basta adaptar uma estação de trabalho, é necessário garantir que o profissional tenha acesso a treinamento, projetos relevantes, contato com lideranças e oportunidades reais de assumir novos desafios”. As oportunidades de trabalho remoto também aparecem como um obstáculo. Dados da Inclui PcD indicam uma forte redução na oferta de vagas nessa modalidade: enquanto as posições remotas e híbridas representavam 28,4% das oportunidades em 2024, esse índice caiu para 0,8% em 2026. A inclusão efetiva depende de uma mudança que vai além da porta de entrada das empresas. Criar ambientes acessíveis, revisar processos seletivos, oferecer remuneração compatível com as funções e estabelecer caminhos claros de desenvolvimento são medidas que podem contribuir para transformar a presença de pessoas com deficiência no mercado de trabalho em uma trajetória profissional completa.