CrossFit: treino funcional completo para diferentes perfis de praticantes

Baseado em movimentos funcionais realizados em alta intensidade e constantemente variados, o crossfit reúne exercícios da ginástica, levantamento de peso olímpico, treinamento cardiovascular e atividades de resistência. O resultado é um treinamento capaz de atender diferentes perfis de praticantes, desde pessoas sedentárias até atletas experientes. Embora não exista um levantamento oficial sobre o número de praticantes no país, é estimado que entre 500 mil e 1 milhão de brasileiros realizem treinos inspirados na metodologia. O Brasil também figura entre os países com maior presença da modalidade, contando com mais de 400 boxes oficialmente afiliados à marca CrossFit, além de centenas de centros de treinamento que utilizam metodologias semelhantes sem vínculo oficial. Segundo a fisiologista Tereza Faria, um dos principais diferenciais da modalidade é justamente a variedade dos estímulos. “Ao contrário de programas que trabalham apenas uma capacidade física, o crossfit desenvolve força muscular, condicionamento cardiorrespiratório, flexibilidade, coordenação motora e potência em uma mesma sessão, quando o treinamento é individualizado e supervisionado por profissionais qualificados, os benefícios aparecem tanto para iniciantes quanto para praticantes avançados”. Além dos ganhos físicos, a prática regular de exercícios contribui para a redução dos níveis de ansiedade, melhora do humor e aumento da disposição. Esses efeitos costumam ser potencializados pelo ambiente coletivo, onde os alunos treinam em grupos e compartilham desafios. Para o educador físico Ricardo Menezes, esse aspecto social explica parte da popularidade da modalidade. “As pessoas não encontram apenas um local para se exercitar, mas uma comunidade. É comum que os alunos criem vínculos de amizade, celebrem conquistas em conjunto e encontrem apoio para manter a disciplina. Esse sentimento favorece a permanência na atividade física e contribui para a saúde mental”. A dinâmica dos treinos também favorece a motivação. Conhecidos como WODs, sigla para Workout of the Day, os treinos mudam diariamente, evitando a monotonia comum em alguns programas tradicionais de academia. Para muitos praticantes, essa imprevisibilidade torna a atividade mais estimulante e ajuda na adesão de longo prazo. Apesar da fama de modalidade intensa, especialistas ressaltam que a atividade pode ser praticada por crianças, adultos, idosos e indivíduos com diferentes níveis de condicionamento físico, desde que passem por avaliação inicial e realizem adaptações de carga e complexidade dos movimentos. Menezes destaca que um dos maiores mitos sobre o crossfit é acreditar que todos executam exatamente os mesmos exercícios. “Na prática, o treinamento é escalonado. Um atleta experiente pode realizar um levantamento olímpico com alta carga, enquanto um iniciante executa o mesmo padrão de movimento utilizando apenas um bastão ou uma barra leve, o objetivo é respeitar as capacidades individuais”. Outro ponto frequentemente debatido diz respeito ao risco de lesões. Tereza afirma que, assim como ocorre em qualquer modalidade esportiva, o risco existe quando há execução inadequada dos movimentos, excesso de carga ou ausência de orientação profissional. “Por isso, a escolha de um box com profissionais capacitados e acompanhamento faz toda a diferença para a prática segura”. Para quem deseja começar, a recomendação é simples: procurar uma unidade com profissionais habilitados, realizar uma avaliação física e respeitar o processo de aprendizagem. “Nas primeiras semanas, o foco costuma estar na execução correta dos movimentos, no desenvolvimento da mobilidade e na adaptação do organismo aos estímulos do treinamento. O aumento da intensidade acontece apenas conforme a evolução do aluno”, conclui Menezes.

Exposição celebra os 50 anos da Fiat no país e também a cultura nacional

No contexto de ruas, espaços de encontro, circulação e convivência, refletirem a diversidade e a vitalidade do Brasil, visto que nelas, diferentes tradições dialogam com a inovação, revelando um país em constante transformação e inspirando novas formas de viver, criar e projetar o futuro, a Casa Fiat de Cultura apresenta a exposição inédita “Celebrar as ruas: 50 anos de Fiat e brasilidade na Casa Fiat de Cultura”, convidando o público a explorar a riqueza da cultura brasileira e a potência criativa presente no cotidiano. A mostra poderá ser visitada até o dia 11 de outubro, com entrada gratuita. Sob a curadoria de Yuri Quevedo, Peter Fassbender e Marcos Rozen, com curadoria de moda assinada por Mercedes Tristão, a exposição reúne mais de 250 itens distribuídos por todos os ambientes da Casa Fiat. O acervo contempla obras de arte, fotografias de época, produções de moda, automóveis que marcaram diferentes gerações, além de vídeos, instalações imersivas e criações desenvolvidas especialmente para a mostra. De acordo com o presidente da Casa Fiat de Cultura, Massimo Cavallo, a exposição propõe uma abordagem inovadora ao transformar elementos presentes no cotidiano em uma experiência artística marcada por obras de grande relevância e por recursos sensoriais capazes de despertar novas emoções no público. “Em um ano tão representativo para a instituição, que celebra 20 anos ao lado dos 50 anos da Fiat no Brasil, esta exposição conta uma história que pertence a todos nós. Ao percorrer manifestações culturais das últimas cinco décadas, celebramos não apenas uma trajetória da marca, mas a riqueza da cultura brasileira e sua capacidade de conectar pessoas, tempos e territórios”. Para representar o período de transformações vivido na década de 1970, a mostra reúne documentos e imagens históricas, entre eles o registro da visita do então presidente Juscelino Kubitschek à fábrica da Fiat, em Betim. O episódio simboliza um marco importante na trajetória da empresa e em sua integração à história brasileira. Ao longo da visita, o público percorre uma narrativa que combina diferentes linguagens artísticas, promovendo experiências interativas e momentos de reflexão sobre o presente e as perspectivas para o futuro. O percurso também destaca obras de importantes artistas brasileiros, como Tarsila do Amaral, Candido Portinari, Di Cavalcanti, Djanira da Motta e Silva, Cláudio Tozzi, Beatriz Milhazes e Cybèle Varela, cujas produções estabelecem um diálogo entre a história da arte e a contemporaneidade. Segundo o curador Yuri Quevedo, a arte desempenha um papel fundamental ao evidenciar dimensões da história que nem sempre são captadas por documentos ou registros oficiais. “Ao reunir obras produzidas em diferentes momentos da trajetória brasileira, a exposição permite compreender como artistas observaram, interpretaram e imaginaram o país. As ruas aparecem como um espaço simbólico de encontro entre essas diferentes experiências, conectando memória, cultura, trabalho, festa, afeto e transformação”. Os automóveis da exposição estão distribuídos em três eixos que resgatam memórias marcantes dos brasileiros. Entre os destaques estão o Palio Weekend do pentacampeonato da Seleção Brasileira, com autógrafos dos jogadores campeões, o Fiat Idea usado pelo Papa Francisco em sua visita ao Brasil, em 2013, e o Fiat Uno do acervo de Adriane Galisteu, presente de Ayrton Senna nos anos 1990. “Os automóveis que integram a exposição não são apresentados apenas como objetos de design ou marcos tecnológicos. Cada um deles carrega histórias e experiências que ajudam a compreender diferentes momentos da sociedade brasileira. Eles falam sobre trabalho, lazer, fé, conquistas, sonhos e modos de viver que atravessaram gerações”, afirma Marcos Rozen, curador da exposição e fundador do Museu da Imprensa Automotiva.

Período do inverno segue como estratégia para impulsionar comércio mineiro

O período de inverno segue como uma importante oportunidade para o varejo mineiro. A procura por peças de vestuário, calçados e produtos relacionados à estação mantém as expectativas positivas entre os empresários, que projetam um desempenho favorável nas vendas em 2026. De acordo com pesquisa da Fecomércio MG, 59,3% dos comerciantes dos setores de roupas e acessórios, tecidos, artigos para cama, mesa e banho, além de calçados e itens de viagem, esperam obter resultados superiores aos alcançados no inverno anterior. O levantamento evidencia que as temperaturas mais baixas continuam influenciando diretamente o comportamento dos consumidores. Segundo os dados apurados, 92,1% dos empresários consultados avaliam que o início da estação fria contribui de forma positiva para o aumento das vendas em seus estabelecimentos. Para o economista Luiz Gomes, a percepção de uma temporada mais favorável ocorre porque o inverno cria uma demanda específica, diferente de outras épocas do ano. “O frio modifica os hábitos de consumo, aumentando a procura por produtos que oferecem conforto, proteção térmica e acompanham tendências de moda. Quando o empresário identifica essa demanda e alia planejamento de estoque e divulgação, a expectativa de vendas cresce, a confiança no mercado também influencia os lojistas, que investem mais na preparação das lojas”. A pesquisa revela que a confiança predomina entre os empresários do setor. Entre os que esperam aumento nas vendas, 62,5% apontam o otimismo com o mercado como principal motivo, além de fatores como a expectativa de um inverno mais rigoroso, maior variedade de produtos e a possibilidade de temperaturas mais baixas chegarem antes. Conforme o consultor de vendas Rubens Costa, os comerciantes precisam transformar a expectativa em ações concretas para atrair clientes e aumentar a conversão de vendas. “O consumidor está mais atento e compara preços, condições de pagamento e qualidade antes de comprar, por isso, o lojista deve oferecer uma boa experiência, com comunicação eficiente, atendimento de qualidade e estratégias como campanhas de inverno e facilidades na jornada de compra”. Para aproveitar esse cenário, os lojistas têm apostado em ações para atrair consumidores. Propaganda e divulgação lideram as estratégias, citadas por 32,8% das empresas, seguidas pelo atendimento diferenciado, com 16,4%. Promoções e melhorias nas vitrines também estão entre as iniciativas para estimular as vendas. O meio digital segue como um dos principais recursos para impulsionar as vendas. Durante a temporada, 98% das empresas planejam investir em ações de divulgação, tendo o Instagram como a ferramenta mais utilizada, com adesão de 87,7% dos negócios, seguido pelo WhatsApp, citado por 58,8%. Costa diz que a presença digital pode ser decisiva para ampliar as oportunidades de venda, principalmente porque muitos consumidores iniciam a busca por produtos antes mesmo de visitar uma loja física. “Uma publicação bem planejada, com informações claras sobre preços, tamanhos disponíveis, condições de pagamento e diferenciais do produto, pode despertar o interesse do cliente. O comércio precisa entender que a venda começa antes da entrada do consumidor no estabelecimento”. A maioria dos estabelecimentos também já concluiu a preparação para o inverno: 79,8% informaram que receberam os pedidos e estão organizados para atender aos consumidores. No entanto, os empresários enfrentam a pressão dos custos, já que 52,4% perceberam aumento nos valores cobrados pelos fornecedores em relação ao ano passado. Ainda assim, a expectativa permanece positiva, com grande parte do setor estimando crescimento de 10% a 40% nas vendas durante a estação. Segundo Gomes, a melhor estratégia é pesquisar antes de comprar e avaliar não apenas o preço, mas também a qualidade e a necessidade real do produto. “O consumidor deve evitar compras por impulso e comparar diferentes lojas, tanto físicas quanto digitais, além de acompanhar promoções com antecedência, verificar condições de pagamento e priorizar produtos versáteis, que possam ser utilizados em diferentes ocasiões”.

Escolas públicas registram melhorias nos índices de abandono e reprovação

Os indicadores de desempenho dos estudantes que finalizaram o ensino médio na rede pública brasileira registraram avanços entre 2022 e 2025. Nesse intervalo, a taxa de reprovação foi reduzida em 62%, enquanto o abandono escolar apresentou queda de 61%. O percentual de estudantes em atraso escolar diminuiu 28%, ao passo que a taxa de aprovação cresceu 11%. As informações foram divulgadas pelo Ministério da Educação (MEC) e integram a segunda etapa do Censo Escolar 2025, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A pesquisa, conduzida anualmente, reúne dados que possibilitam avaliar e calcular os índices de rendimento escolar em todo o território nacional. Segundo o MEC, a melhoria dos indicadores da educação brasileira está relacionada à adoção de políticas públicas implementadas a partir de 2023. Entre as principais iniciativas estão o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, o programa Escola em Tempo Integral e a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas. O ministério também atribui esse avanço à criação do programa Pé-de-Meia, em 2024, e às melhorias promovidas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Para a pedagoga Beatriz Lima, os números representam um avanço importante porque mostram que mais jovens estão conseguindo concluir uma etapa fundamental para sua formação pessoal e profissional. “Quando um estudante permanece na escola e consegue avançar de ano, o país reduz desigualdades e amplia as oportunidades de acesso ao ensino superior e ao mercado de trabalho. A educação é um dos caminhos para aumentar a renda, fortalecer a cidadania e promover desenvolvimento social”. Os dados revelam ainda um avanço na permanência dos estudantes no ensino médio. No período entre 2022 e 2025, a taxa de não retorno à etapa escolar foi reduzida em 28%, indicando que um número maior de jovens conseguiu dar continuidade aos estudos de um ano para o outro. De acordo com o presidente do Inep, Manuel Palacios, caso esse indicador tivesse permanecido no mesmo patamar registrado em 2022, o país contaria, em 2025, com aproximadamente 250 mil estudantes a menos matriculados no ensino médio. Na avaliação da coordenadora pedagógica, Alessandra Diniz, a permanência escolar tem impactos que ultrapassam os muros das escolas. “Cada jovem que permanece estudando representa uma possibilidade maior de inserção qualificada na sociedade. A conclusão do ensino médio aumenta as chances de melhores empregos, amplia a participação social e contribui para a formação de uma população mais preparada para os desafios do futuro”. Os avanços no ensino médio também estão relacionados a ações realizadas em outras etapas da educação básica. O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, por exemplo, contribuiu para o aumento do índice de alfabetização, que passou de 36% em 2021 para 66% em 2025. A iniciativa busca garantir a alfabetização das crianças até o final do 2º ano do ensino fundamental e recuperar aprendizagens prejudicadas pela pandemia entre alunos do 3º, 4º e 5º anos. O MEC também destaca a ampliação da conectividade nas escolas públicas como um dos fatores para os avanços educacionais. Por meio da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), o governo busca melhorar a infraestrutura tecnológica e ampliar o acesso à internet de qualidade. A iniciativa elevou em 43,7% o número de escolas conectadas, passando de 66,8 mil unidades em 2023 para cerca de 100 mil atualmente. Entre 2023 e 2025, mais de R$ 3 bilhões foram investidos, beneficiando aproximadamente 24 milhões de estudantes com maior acesso a recursos digitais de aprendizagem. Apesar dos resultados positivos, especialistas alertam que a melhoria da educação exige continuidade e planejamento de longo prazo. Para Alessandra, o próximo passo deve ser fortalecer a formação de professores, ampliar a infraestrutura das escolas e garantir acompanhamento individualizado dos estudantes. “Os indicadores mostram que as políticas adotadas estão produzindo efeitos, mas é necessário manter os investimentos e aperfeiçoar as estratégias para que os avanços cheguem a todas as regiões do país”.

Segurar o xixi por longos períodos pode ocasionar problemas urinários

Adiar frequentemente a micção pode contribuir para o surgimento de infecções urinárias, desconfortos e alterações na função da bexiga. Em situações ocasionais, esse hábito normalmente não causa prejuízos, pois o organismo é capaz de armazenar a urina por determinado período até que seja possível realizar o esvaziamento da bexiga. No entanto, quando essa prática se torna recorrente, pode comprometer o funcionamento adequado desse órgão e aumentar o risco de problemas no trato urinário. A bexiga é um órgão muscular que atua como um reservatório para a urina produzida pelos rins. À medida que a urina se acumula, ocorre a distensão de sua parede, ativando receptores sensoriais que enviam sinais ao cérebro, desencadeando a percepção da necessidade de urinar. Em adultos saudáveis, essa primeira sensação costuma ocorrer quando a bexiga contém aproximadamente entre 150 e 250 mililitros de urina. Segundo o urologista Marcos Silva, a bexiga foi projetada para alternar ciclos de enchimento e esvaziamento. “Quando a pessoa segura o xixi de forma esporádica, o organismo geralmente consegue lidar com essa situação sem grandes consequências. Entretanto, quando isso acontece repetidamente, a musculatura da bexiga passa a trabalhar sob maior pressão e pode perder parte de sua eficiência ao longo do tempo”. O especialista afirma que, “ao permanecer cheia por períodos prolongados, a bexiga sofre um estiramento contínuo de suas fibras musculares, embora esse processo não cause danos imediatos na maioria das pessoas, a repetição frequente pode comprometer a capacidade de contração durante a micção, dificultando o esvaziamento completo do órgão e como consequência, pequenos volumes de urina podem permanecer na bexiga após a micção, criando um ambiente mais favorável para a multiplicação de bactérias”. As infecções urinárias estão entre as complicações mais conhecidas associadas ao hábito de adiar a micção, embora segurar o xixi não seja, isoladamente, a causa dessas infecções, o esvaziamento incompleto da bexiga e a permanência prolongada da urina podem favorecer a proliferação de microrganismos, especialmente em pessoas que já apresentam outros fatores de risco. Além das infecções, o médico alerta para alterações funcionais da própria bexiga. “Com o passar do tempo, algumas pessoas podem desenvolver dificuldades para perceber corretamente a vontade de urinar ou apresentar alterações na frequência das micções, em casos mais graves, também podem surgir episódios de retenção urinária, condição em que a pessoa encontra dificuldade para eliminar a urina de maneira adequada”. O nefrologista Eduardo Vasconcelos, destaca que a saúde urinária depende de um funcionamento coordenado entre rins, bexiga, nervos e músculos do assoalho pélvico. “Quando alguém ignora constantemente os sinais enviados pela bexiga, acaba interferindo em um mecanismo fisiológico bastante complexo. Em algumas situações, isso pode alterar a sensibilidade do órgão e prejudicar seu funcionamento normal”. Ele ressalta que grupos profissionais, como motoristas, professores, profissionais da saúde, operadores de máquinas e trabalhadores que possuem poucas oportunidades para fazer pausas ao longo do expediente, costumam estar mais expostos a esse comportamento. “A rotina intensa faz com que muitos adiem repetidamente a ida ao banheiro, transformando uma situação excepcional em um hábito diário”. Muitas pessoas acreditam que treinar a bexiga significa suportar a vontade de urinar pelo maior tempo possível. No entanto, o treinamento vesical é uma técnica indicada apenas em situações específicas, como casos de bexiga hiperativa ou incontinência urinária, e deve ser realizado com orientação profissional, além disso, a frequência considerada normal para urinar varia de pessoa para pessoa, de acordo com fatores como idade, hidratação e condições de saúde. Em geral, urinar entre quatro e oito vezes ao dia é considerado compatível com um funcionamento saudável. Vasconcelos também destaca que manter uma boa hidratação é essencial para a saúde do sistema urinário, enquanto reduzir a ingestão de água para evitar idas ao banheiro pode favorecer infecções e cálculos renais em pessoas predispostas. “Caso surjam sintomas como dor ou ardência ao urinar, sangue na urina, dificuldade para esvaziar a bexiga, perdas involuntárias de urina ou aumento da frequência urinária, é importante procurar avaliação médica”.

Farmacêuticos defendem piso nacional da categoria em Minas Gerais

Farmacêuticos participaram de uma mobilização em defesa da aprovação do piso salarial nacional da categoria, previsto no Projeto de Lei (PL) nº 1.559/2021. A iniciativa foi debatida em audiência pública da Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social. A reunião, solicitada pela deputada Ana Paula Siqueira (PT), contou com representantes dos Conselhos Regional e Federal de Farmácia, da Secretaria de Estado de Saúde (SES), de entidades sindicais e estudantes. Lucas de Sá Barbosa, integrante da Diretoria do Conselho Federal de Farmácia (CFF), afirmou que o Projeto de Lei nº 1.559 está em tramitação desde 2021. “Entretanto, a reivindicação da categoria pela criação de um piso salarial nacional já se estende por mais de 20 anos. Estamos na corrida da tramitação e, agora, na comissão mais importante, de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara dos Deputados”. Ele informou que o piso salarial poderá chegar a R$ 6,5 mil e, com a correção pela inflação prevista no projeto, atingir cerca de R$ 7 mil. Segundo ele, o impacto anual é de R$ 4,5 bilhões para a iniciativa privada. No setor público, o custo seria de R$ 546 milhões para os municípios, R$ 112 milhões para os estados e entre R$ 825 milhões e R$ 1,6 bilhão para a União. A presidente do Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais (CRF-MG), Fabiana Cristina da Silveira, reforçou a necessidade de valorização dos farmacêuticos. Ela também lembrou que Minas Gerais é o único estado com piso salarial para a categoria, embora esse benefício se aplique apenas aos profissionais das farmácias comunitárias. “Precisamos da mobilização para conquistarmos o piso nacional”. O presidente do Sindicato dos Farmacêuticos de Minas Gerais, Rilke Novato Públio, afirmou que o orçamento do Ministério da Saúde é de R$ 237 bilhões, dos quais 40% são destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). “É muito dinheiro para que a gente aceite o descaso com a assistência farmacêutica. Precisamos do profissional qualificado, bem remunerado e com condições dignas de trabalho”. O presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), Fábio José Basílio, destacou que a aprovação do piso salarial é fundamental para garantir o benefício a todos da categoria. “As clínicas de estética, os hospitais, por exemplo, e outros ramos de atividade contam com farmacêuticos em seus quadros, mas não podemos negociar com esses estabelecimentos”. Representando o Estado, Carolina Oliveira Dibai, da SES, destacou a política de valorização dos farmacêuticos em Minas Gerais, considerada única no país, mas afirmou que ainda é preciso avançar. “Os farmacêuticos trazem grande economia para o sistema de saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde, R$ 52 bilhões são desperdiçados por erros com medicamentos, e é esse profissional que reduz esse gasto. A economia deve ser revertida em valorização”. Segundo destacou Geice de Souza Ignacio, tesoureira do CRF-MG, o fortalecimento da assistência farmacêutica também pode contribuir para a redução de gastos, ao evitar processos de judicialização. “Esse profissional pode fazer a avaliação correta quanto a todas as opções de medicamentos disponíveis e realizar gestões em relação à falta de alguns”. Outro dado mostra que, a cada R$ 1 aplicado na assistência farmacêutica, R$ 2,50 retornam. A deputada Ana Paula Siqueira (PT) questionou Carolina Dibai sobre o repasse direto dos recursos do Farmácia de Minas aos farmacêuticos, previsto em lei federal, mas limitado por uma norma estadual e informou que pretende encaminhar um pedido ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) para analisar a destinação dos recursos do programa Farmácia de Minas aos farmacêuticos. Carolina Dibai afirmou que pretende destinar os recursos aos farmacêuticos, mas enfrenta limitações jurídicas após mudanças na interpretação da Lei de Responsabilidade Fiscal. “O programa pode ser extinto em uma mudança de governo. Dessa forma, a discussão do piso tem maior importância ainda. Meu voto é para que o piso seja instituído e que os profissionais tenham sua valorização”.

Busca por crédito por parte das empresas de Minas Gerais cresce 10,8%

Nos 12 meses encerrados em março, a procura por crédito por parte das empresas de Minas Gerais aumentou 10,8%, desempenho que colocou o Estado na liderança do crescimento entre os integrantes da região Sudeste. Na sequência aparecem São Paulo, com avanço de 10,2%; Rio de Janeiro, com 7,7%; e Espírito Santo, com 7,1%, conforme informações do Indicador de Demanda das Empresas por Crédito, elaborado pela Serasa Experian. O resultado observado em Minas Gerais também superou a média nacional. No mesmo intervalo analisado, a demanda por crédito das empresas brasileiras apresentou expansão de 10,5%, índice ligeiramente inferior ao registrado no estado mineiro. Para os especialistas, o aumento na busca por crédito está relacionado a diferentes fatores que fazem parte da rotina das empresas, especialmente em períodos de reorganização econômica. Os recursos obtidos junto a instituições financeiras costumam ser utilizados para reforçar o capital de giro, comprar mercadorias, adquirir máquinas e equipamentos, ampliar estruturas, investir em tecnologia ou equilibrar o fluxo de caixa diante de oscilações nas receitas. Segundo o economista Fabrício Diniz, o crédito funciona como uma ferramenta de sustentação e crescimento para os negócios, principalmente aqueles que possuem oportunidades de expansão, mas não contam com capital próprio suficiente para executar seus projetos. “Muitas empresas recorrem ao financiamento porque precisam antecipar decisões, como aumentar, comprar novos equipamentos ou investir em tecnologia”. Considerando a divisão por porte empresarial, as micro e pequenas empresas apresentaram o maior crescimento na procura por crédito no país, com alta de 10,6% no período avaliado. As empresas de médio porte registraram expansão de 7,5%, enquanto as grandes empresas tiveram aumento de 6,2%, ficando com a menor variação entre os grupos analisados. Diniz acredita que a maior procura por crédito entre os pequenos empreendedores está ligada à necessidade de fortalecer a estrutura financeira das empresas. “Os micro e pequenos negócios geralmente possuem menos reservas para enfrentar períodos de maior demanda ou dificuldades temporárias, por isso, o acesso ao crédito pode ser decisivo para manter funcionários, negociar com fornecedores, ampliar a produção e continuar funcionando de maneira competitiva”. Na avaliação por atividade econômica, todos os setores analisados apresentaram aumento no período considerado. O segmento de serviços teve o crescimento mais expressivo, com elevação de 15,7%. Em seguida, aparecem a agropecuária, com alta de 11,4%; a indústria, com 8,8%; e o comércio, que registrou a menor expansão entre os setores, com crescimento de 6,5%. De acordo com o consultor financeiro Guilherme Ferraz, o movimento de busca por crédito tem impacto que vai além das próprias empresas, pois influencia toda a cadeia econômica. “Quando uma firma consegue financiamento e utiliza esse recurso para ampliar sua operação, pode contratar mais pessoas, comprar de fornecedores, aumentar sua produção e gerar mais circulação de dinheiro. O crédito empresarial funciona como um mecanismo que conecta investimento, consumo e geração de renda”. Apesar da importância do crédito para o desenvolvimento dos negócios, muitos empresários ainda encontram dificuldades para conseguir financiamento. Para facilitar o acesso, Ferraz recomenda que “os empreendedores mantenham uma boa organização financeira, atualizem registros contábeis, acompanhem o histórico de pagamentos e apresentem um planejamento claro sobre a finalidade do recurso solicitado”. Além das iniciativas individuais dos empresários, medidas públicas também podem ampliar o acesso ao crédito, principalmente para pequenos negócios. “Programas que compartilham riscos com as instituições financeiras podem estimular a concessão de recursos para negócios menores, que muitas vezes têm dificuldade de apresentar garantias suficientes. Quanto mais acessível for o crédito produtivo, maior tende a ser o impacto positivo sobre a economia”, finaliza Diniz.

Fiscalização retira 4,3 mil crianças e adolescentes do trabalho infantil

Em 2025, mais de 4,3 mil crianças e adolescentes deixaram de exercer atividades caracterizadas como trabalho infantil, conforme informações divulgadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). No total, 4.318 menores foram retirados de ocupações irregulares em decorrência de 10.234 operações de fiscalização realizadas em diferentes regiões do país. Segundo o governo federal, esse desempenho representa o melhor resultado obtido pela Auditoria-Fiscal do Trabalho no enfrentamento ao trabalho infantil nos últimos dez anos. Os dados apontam que mais de 70% das crianças e adolescentes resgatados exerciam atividades enquadradas entre as piores formas de trabalho infantil, por oferecerem riscos à saúde, à segurança e ao desenvolvimento. Entre janeiro e abril de 2026, a Inspeção do Trabalho realizou 2.901 fiscalizações, retirando 1.108 crianças e adolescentes de situações irregulares. Além do afastamento, as ações buscam garantir o acesso a políticas públicas para reduzir a vulnerabilidade social e econômica. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com a advogada e professora Bárbara Mascarenhas. Quais fatores mais contribuem para a persistência do trabalho infantil no Brasil atualmente? A pobreza ainda é a principal causa do trabalho infantil, já que muitas famílias dependem da renda das crianças para complementar o sustento. Soma-se a isso a cultura que normaliza essa prática como forma de “formar caráter”. A evasão escolar, a baixa qualidade do ensino e a informalidade, especialmente na agricultura familiar e no trabalho doméstico, dificultam o enfrentamento do problema. Além disso, cresce a exploração comercial de crianças nas redes sociais, os chamados “kidfluencers”, uma realidade que ainda desafia a legislação e a fiscalização. De que forma o trabalho infantil impacta o desenvolvimento físico, psicológico e educacional das crianças? Fisicamente, expõe a criança a acidentes, esforço excessivo e comprometimento do crescimento. Psicologicamente, gera estresse, baixa autoestima e priva a criança do brincar, essencial para seu desenvolvimento emocional. Educacionalmente, provoca evasão e baixo desempenho escolar, perpetuando o ciclo de pobreza. Que caminhos você acredita serem essenciais para que o país consiga erradicar o trabalho infantil? Fortalecer programas de transferência de renda condicionados à frequência escolar, ampliar a educação em tempo integral, modernizar a fiscalização com uso de tecnologia, regulamentar a exposição de crianças em redes sociais e investir em conscientização social para desnaturalizar a prática. Como é o processo de identificação e encaminhamento de casos de trabalho infantil dentro da rede de proteção social? O caso costuma ser identificado pela escola, posto de saúde, fiscalização do trabalho ou denúncia pelo Disque 100. Em seguida, é comunicado ao Conselho Tutelar, que aciona o Cras e Creas, o Ministério Público do Trabalho e, se necessário, a Vara da Infância e Juventude. A família é incluída em programas como o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) e recebe acompanhamento contínuo para evitar reincidência. Quais são as principais dificuldades encontradas pelos auditores fiscais no combate ao trabalho infantil? O principal desafio é o número reduzido de auditores diante da dimensão do país, sobretudo em áreas rurais e isoladas. A fiscalização também é dificultada pelo trabalho infantil em domicílios e pequenas propriedades, pela informalidade das relações de trabalho e pela resistência de famílias que dependem dessa renda. Além disso, novas formas de exploração, como nas redes sociais e plataformas digitais, ainda desafiam os mecanismos de fiscalização.

Brasileiros viajam mais para poder vivenciar experiências esportivas

O turismo de bem-estar (15%) e o turismo esportivo (14%) figuram entre as modalidades mais desejadas para as próximas viagens, conforme levantamento do Ministério do Turismo, em parceria com a Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados. Uma pesquisa recente da Maximum Boxing, empresa especializada em equipamentos para esportes de combate, reforça essa tendência ao apontar que o esporte tem se tornado um dos principais motivadores de viagem. Segundo o estudo, 54,8% dos entrevistados afirmam que viajar para assistir a eventos e competições ao vivo é hoje o principal motivo na escolha de um destino. Para o antropólogo do esporte Rafael Muniz, esse movimento reflete uma transformação cultural mais ampla. “O esporte deixou de ser apenas um espetáculo passivo consumido pela televisão e se tornou uma experiência imersiva. As pessoas querem estar presentes, sentir o ambiente do estádio, viajar junto com o evento e fazer parte da narrativa esportiva. Essa mudança também está associada ao crescimento das redes sociais e à valorização de experiências compartilháveis, que tornam o ato de assistir a um evento ao vivo ainda mais desejado”. Além disso, o estudo revela que esse interesse não se limita apenas ao papel de espectador. Cerca de 46,6% dos brasileiros demonstram vontade de viajar para praticar atividades esportivas, seja em destinos voltados para hobbies como surfe, trilhas e ciclismo (30,6%), seja para participar de provas e competições, como maratonas e torneios (16%). A consultora em mercado esportivo e bem-estar, Rosângela Oliveira, avalia que esse comportamento tem impacto direto na economia do turismo. “Estamos vendo a formação de um consumidor que não apenas assiste ao esporte, mas o incorpora ao seu estilo de vida. Isso movimenta setores como hotelaria, alimentação, transporte e também a indústria de equipamentos esportivos. É um ciclo econômico bastante robusto. Destinos turísticos que oferecem infraestrutura para esportes ao ar livre ou eventos de grande porte tendem a se tornar mais competitivos no mercado global”, ressalta. Outro ponto destacado pela pesquisa é o papel da influência social e digital nesse cenário. Segundo os dados, 22% dos entrevistados são motivados por ídolos esportivos, atletas e criadores de conteúdo. Já 16,4% associam suas viagens à busca por bem-estar, recuperação física e equilíbrio mental, enquanto 11,8% têm interesse em participar de cursos, workshops e formações esportivas durante suas viagens. Esse conjunto de motivações revela que o turismo esportivo se fragmenta em diferentes camadas de experiência, indo desde o entretenimento até o desenvolvimento pessoal. Para Muniz, o crescimento dessa tendência também está ligado à profissionalização do esporte amador. “As pessoas estão treinando mais, se informando e levando o esporte com seriedade, mesmo em nível recreativo. Isso faz com que elas busquem eventos, competições e até viagens específicas para melhorar seu desempenho ou simplesmente viver o esporte de forma mais intensa”. O futebol segue como o esporte mais popular entre os brasileiros e o principal motivador de viagens ligadas ao universo esportivo, impulsionado por grandes competições internacionais e eventos como a Copa do Mundo. Ainda assim, o interesse dos viajantes vai além das arquibancadas e envolve diferentes formas de vivenciar o esporte durante as viagens. Na sequência, destacam-se os esportes de combate, como boxe, MMA e muay thai, que crescem por oferecer experiências mais imersivas. Nesse segmento, 58,6% dos interessados querem assistir a grandes eventos ao vivo, 36,8% desejam conhecer destinos referência, como a Tailândia no muay thai, e 23,4% buscam proximidade com atletas e ídolos das modalidades. Os especialistas apontam ainda que o avanço dessa tendência deve se intensificar nos próximos anos, impulsionado pela expansão de eventos internacionais, pelo crescimento das corridas de rua, maratonas e competições amadoras, além da popularização de modalidades como ciclismo, surfe e esportes de aventura. Ao mesmo tempo, cresce a percepção de que viajar deixou de ser apenas uma forma de descanso e passou a ser também uma oportunidade de vivência ativa.