Investimento do governo federal em esporte e lazer aumentou 128%

Os recursos destinados pelo governo federal às áreas de esporte e lazer apresentaram crescimento significativo nos últimos anos, segundo dados do estudo Placar Brasil, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva (IPIE). A pesquisa analisou e comparou os períodos de 2019 a 2022 e de 2023 a 2026 e entre os resultados está a evolução da média anual de investimentos na função Desporto e Lazer. O valor, que era de R$ 767,1 milhões no primeiro período analisado, chegou a R$ 1,75 bilhão no segundo, representando uma alta de 128,16%. O levantamento indica uma maior participação do esporte entre as áreas contempladas pelas políticas públicas federais. O impacto também pode ser observado no número de beneficiários. As ações desenvolvidas pela Secretaria Nacional de Esporte Amador, Educação, Lazer e Inclusão Social tiveram crescimento de 132,69% na quantidade de beneficiários diretos, a média anual de pessoas atendidas saiu de cerca de 300 mil para quase 700 mil. Para o antropólogo do esporte Rafael Muniz, os números devem ser analisados não apenas pelo volume de dinheiro empregado, mas também pelo impacto que pode gerar na vida da população. “Quando o investimento público aumenta e chega a mais pessoas, o esporte deixa de ser visto apenas como uma atividade de competição e passa a funcionar também como uma ferramenta de educação, convivência, desenvolvimento pessoal e acesso a oportunidades”. Segundo Muniz, a presença de programas esportivos em comunidades pode ter papel especialmente relevante entre crianças e adolescentes. “Para muitos jovens, participar de uma atividade esportiva significa ter acesso a um espaço seguro, estabelecer vínculos, aprender a trabalhar em equipe e desenvolver disciplina. São experiências que podem contribuir para a formação desses jovens dentro e fora das quadras”. Outro indicador destacado pelo estudo é a expansão da estrutura destinada à prática esportiva. No período analisado, houve aumento de 59,21% na quantidade de núcleos esportivos implantados. Conforme o levantamento, essa expansão contribuiu para levar as políticas públicas a mais localidades do país e ampliar as oportunidades de acesso ao esporte, especialmente como ferramenta de inclusão social. A pesquisa também evidencia uma expansão dos recursos destinados à infraestrutura esportiva. Na comparação entre os dois períodos avaliados, a média anual de valores empenhados para obras e aquisição de equipamentos passou de R$ 254,9 milhões para R$ 530,9 milhões, representando uma alta de 108,29%. A quantidade média de projetos contemplados apresentou crescimento de 30,59%, paralelamente, o investimento médio destinado a cada iniciativa aumentou 59,50%. O Bolsa Atleta também registrou crescimento, a média anual de bolsas concedidas passou de 5.252 para 9.699, alta de 84,66%, enquanto os investimentos no programa aumentaram 86,23%. Na avaliação do educador físico Ricardo Menezes, políticas de incentivo aos atletas podem produzir efeitos que vão além do desempenho esportivo. “O apoio financeiro pode representar a diferença entre um jovem abandonar uma modalidade por falta de condições ou conseguir continuar treinando e competindo. Em muitos casos, o esporte funciona como uma porta de entrada para novas perspectivas de vida”. Menezes ressalta ainda que o esporte pode desempenhar um papel importante na redução das desigualdades. “Quando uma política pública oferece acesso gratuito ou subsidiado a atividades esportivas, ela cria oportunidades para pessoas que não teriam condições de pagar por treinamento, equipamentos ou espaços privados. Isso torna o esporte um instrumento importante de inclusão social”. Na Lei de Incentivo ao Esporte, a quantidade média anual de projetos apresentados subiu de 2.117 para 5.033, crescimento de 137,71%. Os recursos captados também avançaram, passando de R$ 489,8 milhões para R$ 1,15 bilhão por ano. No paradesporto, o número de entidades apoiadas cresceu de 22 para 124, enquanto o investimento médio anual passou de R$ 4,4 milhões para R$ 12,1 milhões. Para os especialistas, a expansão das políticas esportivas precisa ser acompanhada pela preocupação com a continuidade dos programas e pela distribuição dos recursos. Mais investimentos podem significar mais oportunidades, mas o alcance social depende da capacidade de fazer com que essas ações cheguem efetivamente às diferentes regiões e públicos.
Virada Cultural ocupa as ruas de Belo Horizonte com diversas atrações

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), através da Fundação Municipal de Cultura (FMC), anunciou os nomes de 136 artistas e servidores selecionados inicialmente para integrar a programação da Virada Cultural 2026. O evento acontecerá nos dias 29 e 30 de agosto. Entre os destaques estão a rapper Mac Júlia, que poderá dividir o palco com convidados, o Samba da Meia Noite, a apresentação de ballroom da House Of Capiva e os blocos Esquina, Volta Belchior e Funk You. O edital reúne uma ampla variedade de manifestações culturais e artísticas. Entre as áreas contempladas estão as artes cênicas, incluindo teatro, dança, circo e performance, além de música, literatura, leitura, audiovisual, artes visuais, design, cultura digital, games, novas mídias e arte digital. Também fazem parte da seleção iniciativas relacionadas ao patrimônio cultural, às culturas populares tradicionais e urbanas, à gastronomia, à cultura alimentar e à memória. O chamamento ainda prevê propostas de feiras culturais, intervenções e instalações em espaços urbanos, ações de bem-estar e projetos que combinem diferentes linguagens artísticas. Na modalidade Culturas de Rua, são aceitas propostas que envolvam graffiti, intervenções visuais, estêncil, pintura livre, sticker, lambe-lambe e pintura mural. Já a categoria Esportes Urbanos contempla modalidades como skate, ciclismo, rolimã, patins, basquete e slackline. Todas as atrações são distribuídas por espaços tradicionais da Virada, como a Praça da Estação, o Parque Municipal, o Viaduto Santa Tereza, as ruas Guaicurus, Bahia e Sapucaí, a Praça Raul Soares e a Praça Fuad Noman, no Edifício Sulacap. De acordo com o produtor cultural Rafael Lacerda, a realização de eventos gratuitos em grande escala contribui para aproximar a população de manifestações artísticas que, em outras circunstâncias, poderiam estar fora de seu alcance. “Quando a cultura ocupa as ruas e os equipamentos públicos, ela deixa de ser percebida como algo restrito a determinados grupos. A gratuidade é importante porque reduz uma das principais barreiras de acesso, mas a diversidade da programação também é fundamental para que diferentes públicos se sintam representados”. Segundo Lacerda, a democratização do acesso também precisa ser analisada pelo lado de quem produz arte. “Não basta levar o público aos eventos, é necessário criar oportunidades para que artistas de diferentes territórios, trajetórias e linguagens possam apresentar seu trabalho e receber uma gratificação por isso. Quando um edital contempla graffiti, ballroom, música, teatro, literatura, esportes urbanos e cultura digital, por exemplo, ele reconhece que a produção cultural de uma cidade é muito mais ampla do que aquilo que tradicionalmente chega aos grandes palcos”. Na visão do sociólogo André Nascimento, a Virada Cultural de BH também tem um papel importante na relação dos moradores com a própria cidade. “Um evento como esse é capaz de modificar temporariamente a maneira como as pessoas enxergam Belo Horizonte. Uma praça, uma rua ou um equipamento público deixam de ser apenas locais de passagem e passam a funcionar como espaços de convivência, expressão artística e encontro, isso ajuda a fortalecer o sentimento de pertencimento à cidade”. “Quando a cidade recebe uma programação extensa e diversificada, as pessoas passam a experimentar lugares que muitas vezes são vistos apenas como áreas de circulação. Essa ocupação pode gerar novas relações com o espaço urbano e mostrar que o centro da cidade também pode ser um lugar de lazer, cultura e convivência”, comenta. Ainda conforme Nascimento, eventos desse porte podem produzir efeitos simbólicos importantes para a população. “A cidade não é formada apenas por prédios, avenidas e serviços, ela também é construída pelas experiências compartilhadas. Quando milhares de pessoas ocupam os mesmos espaços para assistir a um espetáculo, participar de uma oficina ou simplesmente circular pela programação, cria-se uma experiência coletiva que ajuda a construir a memória da cidade”.
Brasil avança no turismo internacional e amplia o fluxo de visitantes

O Brasil registrou um dos maiores avanços no número de visitantes estrangeiros entre 2019 e 2025. De acordo com o relatório Tendências e Políticas do Turismo 2026, publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o país ocupou a quarta posição entre aqueles que mais ampliaram o fluxo de turistas internacionais no período. A quantidade de chegadas passou de 6,3 milhões para 9,3 milhões, representando um crescimento de 46%. Dados divulgados pela Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) também apontam para a continuidade desse movimento em 2026. Entre janeiro e junho, o país contabilizou 5,2 milhões de chegadas de turistas estrangeiros, resultado que representa o segundo melhor primeiro semestre já registrado. No mesmo período, os gastos desses visitantes movimentaram US$ 5,6 bilhões na economia nacional, montante 12% maior que o observado nos primeiros seis meses de 2025. A economista Marcela Andrade afirma que o turismo tem capacidade de distribuir os efeitos da atividade econômica para diferentes regiões. “Funciona como uma cadeia, o dinheiro gasto pelo visitante não fica concentrado apenas no hotel ou na companhia aérea. Ele chega ao restaurante, ao motorista, ao guia, ao artesão, ao comerciante e a diversos outros trabalhadores, por isso, quando o fluxo internacional cresce, o impacto pode se espalhar por vários segmentos da economia”. O desempenho registrado nos últimos anos pode ser explicado por uma combinação de fatores, esclarece Marcela. “Ações de promoção internacional ajudaram a ampliar a exposição do Brasil no exterior, apresentando destinos que vão além dos cartões-postais tradicionalmente associados ao país. Outro elemento importante é a variedade da oferta turística brasileira, visto que o país reúne diferentes paisagens, culturas e experiências em um único território. Esse patrimônio pode atender a perfis variados de visitantes, desde aqueles interessados em lazer e praias até turistas que procuram natureza, negócios, gastronomia, eventos ou manifestações culturais”. Segundo o agente de viagens, Vicente Brandão, a próxima etapa deve ser transformar o aumento no número de visitantes em uma política permanente de desenvolvimento. “Não basta comemorar recordes de chegada, o desafio é fazer com que o turista permaneça mais tempo, visite diferentes regiões e tenha motivos para retornar ao Brasil. Para isso, precisamos investir em infraestrutura, qualificação profissional, segurança, conectividade e divulgação internacional dos destinos”. “A infraestrutura aparece entre os principais pontos para sustentar o crescimento. Melhorias em aeroportos, estradas, transporte público, sinalização turística, acesso à internet e serviços básicos podem influenciar diretamente a experiência de quem visita o país”, comenta Brandão. Ele ressalta ainda que a qualificação da mão de obra é outro fator estratégico. “O contato com o turista ocorre em diferentes momentos da viagem e pode determinar a percepção que ele terá sobre o destino. Profissionais capacitados para trabalhar com hospitalidade, idiomas, tecnologia, gastronomia e atendimento especializado podem contribuir para elevar a qualidade dos serviços oferecidos”. Na avaliação de Brandão, a sustentabilidade deve acompanhar esse processo. “O aumento da quantidade de visitantes pode gerar benefícios econômicos, mas também provoca maior pressão sobre cidades, áreas naturais e patrimônios históricos. O planejamento precisa, portanto, conciliar crescimento e preservação, investimentos em gestão de destinos, saneamento, conservação ambiental e organização do fluxo de visitantes podem evitar que o sucesso turístico comprometa os próprios atrativos responsáveis por chamar a atenção dos viajantes”. “Mais do que alcançar novos recordes, o desafio será construir um turismo capaz de gerar empregos, distribuir renda, fortalecer empresas locais e estimular o desenvolvimento de diferentes regiões”, conclui Marcela.
Castigo físico em crianças ainda faz parte da rotina de muitas famílias

Uma pesquisa conduzida pelo Instituto Futuro é Infância Saudável, vinculado à Fundação José Luiz Setúbal, em parceria com a Quaest, revelou uma discrepância entre o que os brasileiros consideram ser a forma mais adequada de educar crianças e adolescentes e a maneira como parte da população efetivamente reage em situações de desobediência ou conflito. Segundo o levantamento, 91% dos brasileiros acreditam que conversar com a criança e explicar o erro é a melhor forma de educar. Na prática, 93% afirmaram já ter adotado essa estratégia ao menos uma vez. Ao mesmo tempo, o estudo mostra que medidas mais severas ainda são comuns. Gritar com a criança foi admitido por 62% dos entrevistados, enquanto 49% disseram já ter dado tapas e 39% relataram ter ameaçado bater. O uso de objetos, como chinelos, foi citado por 27% dos participantes. Além disso, 48% afirmaram já ter aplicado castigos que restringem momentos de lazer. Outros 22% disseram ter beliscado ou puxado a orelha de uma criança, e 18% reconheceram ter recorrido a xingamentos ou ofensas. A pesquisa também investigou como os brasileiros reagiriam ao presenciar agressões contra crianças em espaços públicos. Entre os entrevistados, 32% disseram que não fariam nada por considerarem que se trata de um assunto particular. Outros 30% afirmaram que até gostariam de intervir, mas se sentiriam constrangidos. Já 21% responderam que conversariam diretamente com o responsável, enquanto 15% recorreriam a terceiros ou acionariam a polícia. Para a psicóloga educacional Carla Silva, a permanência dos castigos físicos está ligada a padrões culturais transmitidos entre gerações. “Muitos adultos reproduzem a forma como foram educados, acreditando que a punição física ensina respeito. No entanto, a ciência mostra que bater pode gerar medo e obediência momentânea, mas não favorece a compreensão do erro nem o desenvolvimento do autocontrole”. Segundo a especialista, a violência pode comprometer o vínculo entre pais e filhos e aumentar a probabilidade de problemas emocionais e comportamentais. “Quando a criança aprende pelo medo, ela deixa de desenvolver habilidades, como resolver conflitos, reconhecer emoções e assumir responsabilidades por suas atitudes”. Ela ressalta que momentos de desobediência fazem parte do desenvolvimento infantil e precisam ser compreendidos como oportunidades de aprendizagem. “A criança ainda está formando sua capacidade de controlar impulsos e entender limites. Por isso, uma reação agressiva do adulto pode transmitir a mensagem de que a força é uma forma aceitável de resolver conflitos”. A pedagoga Beatriz Lima destaca que estabelecer limites continua sendo essencial, mas isso não significa recorrer à agressão. “Educar com firmeza é diferente de educar com violência. Os responsáveis precisam definir regras claras, coerentes e adequadas à idade da criança, explicando as consequências de cada comportamento”. Entre as estratégias mais eficazes, Beatriz recomenda manter o diálogo, reforçar comportamentos positivos, aplicar consequências proporcionais às atitudes inadequadas e servir de exemplo no controle das próprias emoções. “Os filhos observam muito mais o comportamento dos adultos do que os discursos. Quando os pais conseguem manter a calma e agir com respeito diante das situações, aumentam as chances de que a criança também aprenda a lidar melhor com as frustrações”. O Estatuto da Criança e do Adolescente garante que crianças e adolescentes sejam educados e cuidados sem sofrer castigos físicos ou tratamentos cruéis e degradantes. A Lei nº 13.010/2014, conhecida como Lei Menino Bernardo, considera castigo físico qualquer ação com uso de força que cause sofrimento ou lesão, além de proibir humilhações, ameaças graves e ridicularizações. Casos de suspeita ou confirmação de violência podem ser denunciados ao Conselho Tutelar ou pelo Disque 100, que funciona 24 horas por dia para receber denúncias de violações de direitos.
Leishmaniose continua sendo um grave desafio de saúde pública no Brasil

Transmitida pela picada do flebotomíneo, conhecido popularmente como mosquito-palha, a leishmaniose pode se manifestar de duas formas principais: a tegumentar, que provoca lesões na pele e nas mucosas; e a visceral, considerada a forma mais grave por comprometer órgãos internos como fígado, baço e medula óssea. O Brasil concentra o maior número dos casos das Américas e mantém a doença como um problema endêmico em diversas regiões. Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2023, foram registrados aproximadamente 13 mil casos de leishmaniose tegumentar no país, mantendo uma média anual superior a 12 mil ocorrências nos últimos anos. Já a leishmaniose visceral apresenta cerca de dois mil casos notificados por ano, com maior concentração nas regiões Norte e Nordeste, embora a doença também esteja presente no Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Diferentemente do que muitas pessoas acreditam, cães infectados não transmitem diretamente a doença para os humanos, eles funcionam como importantes reservatórios do parasita em áreas urbanas, enquanto a transmissão depende obrigatoriamente da presença do inseto vetor. Segundo a infectologista Fernanda Diniz, um dos maiores desafios continua sendo o reconhecimento precoce dos sintomas. “Na forma tegumentar, a pessoa costuma apresentar uma ou mais feridas que não cicatrizam, geralmente indolores, mas que aumentam lentamente de tamanho, quando há comprometimento das mucosas, podem surgir lesões no nariz, boca e garganta. Já a leishmaniose visceral costuma provocar febre prolongada, perda de peso, fraqueza intensa, aumento do fígado e do baço, anemia e redução das células de defesa do organismo. Sem tratamento, essa forma pode evoluir para complicações graves e até levar à morte”. Ela explica que o diagnóstico depende da avaliação clínica associada a exames laboratoriais. “Conforme o quadro do paciente, podem ser utilizados testes sorológicos, exames parasitológicos, biópsias das lesões ou exames moleculares, como a reação em cadeia da polimerase (PCR). Na leishmaniose visceral, também são empregados testes rápidos disponíveis na rede pública de saúde”. Para o infectologista Marcelo Azevedo, o acesso rápido ao diagnóstico faz toda a diferença no prognóstico dos pacientes. “Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de cura e menores são as sequelas. Muitas pessoas convivem durante meses com lesões de pele acreditando se tratar de alergias ou infecções comuns. Na forma visceral, o atraso no diagnóstico aumenta o risco de complicações, principalmente em crianças, idosos e pessoas com baixa imunidade”. O tratamento é disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e varia conforme a forma clínica, a idade do paciente e a presença de outras doenças. “Entre os medicamentos utilizados estão os antimoniais pentavalentes, a anfotericina B em diferentes formulações e, em situações específicas, a miltefosina, incorporada recentemente como alternativa terapêutica para casos de leishmaniose tegumentar”, esclarece Azevedo. Prevenção Os especialistas ressaltam que não existe vacina disponível para prevenir a leishmaniose em seres humanos, por isso, as medidas preventivas permanecem fundamentais. Entre elas estão o uso de repelentes, roupas de mangas compridas em áreas de maior risco, instalação de telas em portas e janelas, limpeza frequente de quintais para reduzir matéria orgânica onde o vetor se desenvolve e o manejo adequado de resíduos. Nos locais com transmissão intensa, também são recomendadas ações de vigilância ambiental e controle do vetor realizadas pelos serviços de saúde. No caso dos cães, a prevenção inclui acompanhamento veterinário, uso de coleiras impregnadas com inseticida e vacinação quando indicada pelo veterinário. A identificação de um animal infectado não significa risco de transmissão direta para pessoas, mas sinaliza a necessidade de intensificar as medidas de vigilância e controle do mosquito na região.
Adjudicação pode destravar regularização da Ocupação Fidel Castro

Um litígio judicial que se estende há uma década, envolvendo um terreno pertencente à Construtora Centro-Oeste (CCO), penhorado em razão de débitos da empresa, constitui o principal entrave para a regularização das moradias de centenas de famílias residentes na Ocupação Fidel Castro, localizada no município de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. A questão foi discutida durante audiência pública promovida pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O secretário nacional de Periferias do Ministério das Cidades, Vitor Araripe Pacheco, afirmou esperar que o impasse seja solucionado por meio da adjudicação urbana, mecanismo que consiste na transferência de um imóvel para quitação de dívida e que, se concretizado, representará uma iniciativa inédita no Brasil. “Será a primeira adjudicação urbana do Brasil. Vocês vão fazer história para todo o país”. A Ocupação Fidel Castro teve início em 2016, após cerca de 700 famílias vinculadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) se estabelecerem em um terreno localizado nas proximidades do Parque do Sabiá, em Uberlândia. Desde então, a comunidade cresceu e, atualmente, reúne aproximadamente 1,5 mil famílias. De acordo com o MTST, em 2024, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional autorizou a transferência dos imóveis ao município por meio de doação. Entretanto, a Prefeitura de Uberlândia não aceitou a proposta, alegando não dispor dos recursos financeiros necessários para viabilizar o processo de regularização fundiária. Em 2025, o governo federal aprovou a habilitação da proposta apresentada pela Prefeitura para a regularização da área, a ser financiada com aproximadamente R$ 111 milhões provenientes do programa Novo PAC Periferia Viva. Apesar desse avanço, a implementação da iniciativa permanece condicionada à resolução da penhora incidente sobre o terreno pertencente à Construtora Centro-Oeste, que corresponde a quase metade da área ocupada pela Ocupação Fidel Castro. A parcela remanescente do território está distribuída entre outros cinco proprietários, embora ainda existam controvérsias quanto à delimitação dos respectivos imóveis. Segundo o coordenador nacional do MTST, Jairo dos Santos Pereira, a emissão de parecer favorável pela Advocacia-Geral da União, em fevereiro deste ano, à adjudicação do terreno onde está localizada a comunidade Fidel Castro representou um avanço importante, aproximando a concretização da regularização fundiária almejada pelos moradores. “A gente custou a aprender uma palavra aqui na ocupação, que é a adjudicação. A troca da dívida pelo imóvel. O primeiro caso de adjudicação urbana no Brasil será o da Ocupação Fidel Castro”. O procurador-seccional da Fazenda Nacional em Uberlândia, Lucas Dornelas, informou que a atuação do órgão depende da regulamentação da adjudicação urbana, etapa considerada necessária para o prosseguimento das medidas cabíveis. Mais dignidade Durante a reunião, o deputado estadual Leonídio Bouças (PSDB) manifestou apoio à transferência do terreno para o município, argumentando que essa medida representa a alternativa mais adequada para viabilizar a regularização fundiária da comunidade Fidel Castro. “É preciso ter habitação para ter dignidade. Viemos aqui para ser o elo e buscar solução”. A coordenadora do MTST, Joana Gama, destacou que, há dez anos, os moradores da comunidade lutam para concretizar o sonho de conquistar a casa própria com a devida regularização fundiária. “Nossa luta é pelo preconceito que enfrentamos lá fora. As crianças não têm ônibus escolar porque eles não entram na comunidade”. Além da regularização fundiária, os moradores da comunidade reivindicam o fornecimento de energia elétrica para todas as residências. O superintendente regional da Cemig, Wellington Cancian, informou que, segundo o presidente da empresa, Alexandre Peixoto, a solução depende da articulação entre diferentes instituições. A companhia não pode realizar ligações elétricas em áreas não regularizadas devido a um termo de compromisso firmado com o Ministério Público em 2014.
Tradição das quitandas mineiras é destaque no Banquetaço em BH

A tradição das quitandas de Minas Gerais ganhará destaque durante um grande encontro gastronômico aberto ao público, marcado para o dia 15 de agosto, na região Central de Belo Horizonte. O Banquetaço 2026 reunirá cozinheiras, integrantes de movimentos sociais, ativistas, entidades comunitárias e representantes da sociedade civil em uma mobilização pela valorização da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) e pela preservação dos costumes alimentares do Estado. Com o tema “Um Quitandaço”, a edição deste ano pretende reconhecer o papel histórico das quitandeiras e a riqueza dos conhecimentos culinários transmitidos ao longo das gerações. A iniciativa também ressalta a importância dos povos e comunidades tradicionais na manutenção de receitas, técnicas e modos de preparo que ajudaram a construir a identidade gastronômica de Minas Gerais. Para a nutricionista Cristina Souza, esses saberes representam memória, identidade e resistência cultural. “As práticas alimentares que formaram a gastronomia de Minas Gerais carregam histórias de comunidades, famílias e povos que ajudaram a construir o Estado. Preservá-las é reconhecer esse patrimônio e garantir que ele continue sendo transmitido às próximas gerações”. Além de valorizar as tradições e práticas alimentares, a iniciativa também busca promover uma reflexão sobre os rumos das políticas públicas de Segurança Alimentar e Nutricional em BH. De acordo com os organizadores, o encontro servirá ainda como um espaço de mobilização e manifestação diante da possibilidade de mudanças na gestão dessa política por parte da Prefeitura, em razão da proposta de transferir a administração da área e das críticas relacionadas à forma como vem sendo conduzido o diálogo com o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional. Cristina diz que o movimento tem papel estratégico ao aproximar a população das discussões sobre um tema que afeta milhares de pessoas. “A segurança alimentar não envolve apenas ter comida disponível na mesa, mas também garantir acesso contínuo a alimentos de qualidade, produzidos de forma sustentável e respeitando a cultura de cada território. Em uma cidade como Belo Horizonte, que possui uma forte tradição culinária, discutir essas políticas é extremamente fundamental para combater desigualdades e fortalecer redes comunitárias”, ressalta a nutricionaista. Ela reforça que o fortalecimento de iniciativas como o Banquetaço também contribui para aproximar a população das discussões sobre produção, distribuição e consumo de alimentos. “Quando uma comunidade reconhece o valor dos seus próprios saberes culinários, passa a enxergar a alimentação como um elemento de identidade e também como uma ferramenta de transformação social. A preservação das quitandas mineiras mostra que tradição e políticas públicas podem caminhar juntas na construção de sistemas alimentares mais justos”. Para o sociólogo André Nascimento, iniciativas como o Banquetaço ajudam a colocar a alimentação no centro das decisões públicas. “Quando a sociedade participa desse debate, também defende direitos básicos e cobra ações permanentes para garantir que ninguém seja privado de uma alimentação adequada. Esses encontros dão visibilidade a problemas que muitas vezes permanecem invisíveis no cotidiano urbano”. Movimentos coletivos são fundamentais para manter o tema da fome e da insegurança alimentar em evidência no debate público, ressalta Nascimento. “A alimentação é uma questão que envolve direitos, cultura e desenvolvimento. Eventos como o Banquetaço permitem que diferentes vozes participem da discussão e ajudam a lembrar que combater a insegurança alimentar exige ações contínuas, planejamento e compromisso dos governos e da sociedade”. O Banquetaço foi criado em 2019 como uma mobilização em reação à extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). Desde sua criação, a iniciativa tem reunido diversos segmentos da sociedade em defesa do acesso à alimentação adequada como um direito fundamental, da soberania alimentar e do fortalecimento de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da fome.
70,2% dos varejistas mineiros esperam vender mais no segundo semestre

Uma pesquisa da Fecomércio MG aponta que 70,2% dos empresários acreditam em vendas maiores no segundo semestre, impulsionadas principalmente pelas datas comemorativas, como o Natal, e por ações de divulgação, promoções e melhorias no atendimento. Mesmo diante de desafios como inflação, endividamento das famílias e cautela dos consumidores, o setor mantém expectativas positivas. Embora 60,6% das empresas tenham atingido as expectativas no primeiro semestre, o levantamento revela diferentes realidades no setor. Enquanto alguns negócios apresentam resultados positivos, outros ainda enfrentam desafios como menor poder de compra dos consumidores, dificuldades de acesso ao crédito e aumento dos custos operacionais. Ainda assim, o calendário de datas comemorativas mantém perspectivas favoráveis para os próximos meses. Para a economista Paula Tavares, especialista em varejo e comportamento de consumo, o otimismo dos empresários está relacionado à concentração de oportunidades no segundo semestre. “O período reúne datas com forte apelo comercial, como Dia dos Pais, Dia das Crianças, Black Friday e Natal. Além disso, muitas empresas já perceberam que ações de relacionamento, promoções estratégicas e melhoria no atendimento podem influenciar a decisão de compra”. O Natal aparece como a principal aposta dos empresários, sendo citado por 41,1% dos entrevistados, seguido pelo Dia dos Pais (18,3%), Dia das Crianças (17,8%) e Black Friday (12,7%). Para 40,9% dos participantes, essas ocasiões devem gerar resultados melhores do que os registrados em 2025. Segundo o analista de mercado Daniel Cardoso, para transformar a expectativa em resultado, os lojistas precisam se preparar com antecedência. “Não basta apenas oferecer descontos. O consumidor está mais informado e compara preços, condições de pagamento e qualidade do atendimento. As empresas precisam trabalhar estoque, comunicação digital, treinamento das equipes e criar uma experiência de compra que gere valor”. Entre as estratégias previstas pelas empresas estão investimentos em propaganda (45,1%), promoções (26,3%) e atendimento diferenciado (24,9%), reforçando um varejo mais competitivo e voltado à experiência do cliente. O uso de redes sociais, canais de atendimento on-line e comunicação personalizada pode ajudar os comerciantes a alcançar novos públicos e manter o relacionamento com clientes antigos. Para Cardoso, a integração entre os ambientes físico e digital será um diferencial competitivo. “O consumidor atual busca praticidade e informações antes de decidir uma compra. Empresas que conseguem oferecer uma jornada simples, com atendimento rápido e comunicação clara, aumentam as chances de conversão”. O cartão de crédito parcelado deve ser o meio de pagamento mais utilizado, seguido pelo Pix. Para a Fecomércio MG, os dados indicam que o varejo mineiro inicia a segunda metade do ano preparado para aproveitar as oportunidades sazonais, equilibrando expectativas de crescimento com atenção aos desafios econômicos. Apesar das projeções positivas para o comércio, os especialistas destacam que o consumidor também precisa adotar um planejamento para evitar o comprometimento excessivo da renda. Para Paula, o ideal é organizar as compras com antecedência e estabelecer limites. “Antes de aproveitar uma promoção, é importante avaliar se aquele gasto realmente cabe no orçamento. Fazer uma lista de prioridades, comparar preços e evitar parcelamentos longos são atitudes que ajudam a manter a saúde financeira”. Ela ressalta ainda que datas comemorativas podem ser aproveitadas de maneira mais consciente. “O planejamento permite que as pessoas participem desses momentos sem transformar uma compra de curto prazo em uma dívida de vários meses”.
Brasil tem salto de 562% nos processos por LGBTQIAPN+fobia em um ano

Antes de completar sete anos da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que equiparou a homofobia e a transfobia ao crime de racismo, um estudo evidenciou as dificuldades ainda existentes para monitorar a violência contra a população LGBTQIAPN+ no Brasil. De acordo com um levantamento da plataforma Escavador, foram identificados 541 processos judiciais relacionados à LGBTQIAPN+fobia entre 2023 e 2026. Desses, 361 tratam de casos de intolerância ou injúria motivadas por orientação sexual, enquanto 180 dizem respeito à discriminação por identidade ou expressão de gênero. Os dados mostram um crescimento expressivo das ações judiciais. Foram 22 processos em 2023, 40 em 2024 e 265 em 2025, um aumento de 562% em relação ao ano anterior. Nos cinco primeiros meses deste ano, já haviam sido registrados 214 processos, cerca de 80% do total de 2025. Regionalmente, Minas Gerais lidera com 170 processos, seguido por Ceará (87), Distrito Federal (64), São Paulo (39) e Bahia (28). Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com a advogada Amanda Sousa Mares. Quais medidas legais podem ser adotadas imediatamente por quem sofre violência motivada por orientação sexual ou identidade de gênero? A primeira medida é garantir a segurança e reunir provas, como prints, mensagens, áudios, vídeos e testemunhas. Depois, a vítima deve registrar um Boletim de Ocorrência, preferencialmente na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) ou pelo Disque 100. Em casos de violência no trabalho, é importante comunicar a empresa e acionar a Justiça do Trabalho, que já reconhece a LGBTQIAPN+fobia como falta grave e responsabiliza empregadores omissos. A proteção penal decorre da decisão do STF que equiparou a homofobia e a transfobia aos crimes da Lei do Racismo. Ainda assim, o maior desafio é garantir acolhimento efetivo às vítimas, com atendimento humanizado, apoio psicológico e uma rede de proteção eficiente. Quais são as principais dificuldades enfrentadas pelas vítimas ao buscar atendimento nas delegacias e acesso à Justiça? Na última semana, no litoral paulista, duas mulheres foram encontradas mortas em um caso com suspeita de motivação lesbofóbica, reforçando um cenário preocupante. Segundo o Grupo Gay da Bahia, o Brasil registrou 257 mortes violentas de pessoas LGBT+ em 2025. A falta de preparo da rede pública pode revitimizar as vítimas, tornando essencial uma atuação qualificada para acolhimento e responsabilização adequada dos autores. Desde que a homofobia e a transfobia passaram a ser enquadradas como crime de racismo, quais avanços e desafios podem ser observados na aplicação da lei? O principal avanço ocorreu em 2019, quando o STF equiparou a homofobia e a transfobia ao crime de racismo, diante da omissão do Congresso. Em 2023, a Corte também incluiu a injúria motivada por orientação sexual ou identidade de gênero nessa proteção. O entendimento já impacta a Justiça do Trabalho, que reconhece a discriminação como falta grave. O desafio é garantir a aplicação efetiva da lei e políticas públicas que assegurem direitos básicos como saúde, educação, moradia e trabalho digno. Como a sociedade civil podem contribuir para prevenir casos de discriminação e violência contra pessoas LGBTQIAPN+? A prevenção da LGBTQIAPN+fobia começa pela educação e pela desconstrução do preconceito, que é aprendido socialmente. Crianças que aprendem a respeitar as diferenças desde cedo tendem a desenvolver empatia e a multiplicar esse aprendizado em casa. Também é fundamental ampliar a presença de pessoas LGBTQIAPN+ em todos os espaços da sociedade e fortalecer políticas de educação inclusiva. Combater discursos que tratam a diversidade como ameaça é essencial para reduzir a violência e promover uma cultura de respeito. Quais políticas públicas podem ser feitas para garantir melhor qualidade de vida para essa população? É preciso fortalecer políticas públicas em três frentes: inclusão social, com incentivo ao trabalho e à moradia, especialmente para pessoas trans e travestis; saúde inclusiva no SUS, com respeito ao nome social e à identidade de gênero em todo o atendimento; e capacitação contínua de policiais, profissionais da saúde, professores e servidores da Justiça para garantir acolhimento adequado às vítimas. Garantir acesso à saúde, ao trabalho e ao respeito à identidade é um dever constitucional. O Judiciário tem avançado na proteção dessa população, mas a efetivação desses direitos depende da atuação coordenada de todo o Estado.
CrossFit: treino funcional completo para diferentes perfis de praticantes

Baseado em movimentos funcionais realizados em alta intensidade e constantemente variados, o crossfit reúne exercícios da ginástica, levantamento de peso olímpico, treinamento cardiovascular e atividades de resistência. O resultado é um treinamento capaz de atender diferentes perfis de praticantes, desde pessoas sedentárias até atletas experientes. Embora não exista um levantamento oficial sobre o número de praticantes no país, é estimado que entre 500 mil e 1 milhão de brasileiros realizem treinos inspirados na metodologia. O Brasil também figura entre os países com maior presença da modalidade, contando com mais de 400 boxes oficialmente afiliados à marca CrossFit, além de centenas de centros de treinamento que utilizam metodologias semelhantes sem vínculo oficial. Segundo a fisiologista Tereza Faria, um dos principais diferenciais da modalidade é justamente a variedade dos estímulos. “Ao contrário de programas que trabalham apenas uma capacidade física, o crossfit desenvolve força muscular, condicionamento cardiorrespiratório, flexibilidade, coordenação motora e potência em uma mesma sessão, quando o treinamento é individualizado e supervisionado por profissionais qualificados, os benefícios aparecem tanto para iniciantes quanto para praticantes avançados”. Além dos ganhos físicos, a prática regular de exercícios contribui para a redução dos níveis de ansiedade, melhora do humor e aumento da disposição. Esses efeitos costumam ser potencializados pelo ambiente coletivo, onde os alunos treinam em grupos e compartilham desafios. Para o educador físico Ricardo Menezes, esse aspecto social explica parte da popularidade da modalidade. “As pessoas não encontram apenas um local para se exercitar, mas uma comunidade. É comum que os alunos criem vínculos de amizade, celebrem conquistas em conjunto e encontrem apoio para manter a disciplina. Esse sentimento favorece a permanência na atividade física e contribui para a saúde mental”. A dinâmica dos treinos também favorece a motivação. Conhecidos como WODs, sigla para Workout of the Day, os treinos mudam diariamente, evitando a monotonia comum em alguns programas tradicionais de academia. Para muitos praticantes, essa imprevisibilidade torna a atividade mais estimulante e ajuda na adesão de longo prazo. Apesar da fama de modalidade intensa, especialistas ressaltam que a atividade pode ser praticada por crianças, adultos, idosos e indivíduos com diferentes níveis de condicionamento físico, desde que passem por avaliação inicial e realizem adaptações de carga e complexidade dos movimentos. Menezes destaca que um dos maiores mitos sobre o crossfit é acreditar que todos executam exatamente os mesmos exercícios. “Na prática, o treinamento é escalonado. Um atleta experiente pode realizar um levantamento olímpico com alta carga, enquanto um iniciante executa o mesmo padrão de movimento utilizando apenas um bastão ou uma barra leve, o objetivo é respeitar as capacidades individuais”. Outro ponto frequentemente debatido diz respeito ao risco de lesões. Tereza afirma que, assim como ocorre em qualquer modalidade esportiva, o risco existe quando há execução inadequada dos movimentos, excesso de carga ou ausência de orientação profissional. “Por isso, a escolha de um box com profissionais capacitados e acompanhamento faz toda a diferença para a prática segura”. Para quem deseja começar, a recomendação é simples: procurar uma unidade com profissionais habilitados, realizar uma avaliação física e respeitar o processo de aprendizagem. “Nas primeiras semanas, o foco costuma estar na execução correta dos movimentos, no desenvolvimento da mobilidade e na adaptação do organismo aos estímulos do treinamento. O aumento da intensidade acontece apenas conforme a evolução do aluno”, conclui Menezes.