Brasileiros viajam mais para poder vivenciar experiências esportivas

O turismo de bem-estar (15%) e o turismo esportivo (14%) figuram entre as modalidades mais desejadas para as próximas viagens, conforme levantamento do Ministério do Turismo, em parceria com a Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados. Uma pesquisa recente da Maximum Boxing, empresa especializada em equipamentos para esportes de combate, reforça essa tendência ao apontar que o esporte tem se tornado um dos principais motivadores de viagem. Segundo o estudo, 54,8% dos entrevistados afirmam que viajar para assistir a eventos e competições ao vivo é hoje o principal motivo na escolha de um destino. Para o antropólogo do esporte Rafael Muniz, esse movimento reflete uma transformação cultural mais ampla. “O esporte deixou de ser apenas um espetáculo passivo consumido pela televisão e se tornou uma experiência imersiva. As pessoas querem estar presentes, sentir o ambiente do estádio, viajar junto com o evento e fazer parte da narrativa esportiva. Essa mudança também está associada ao crescimento das redes sociais e à valorização de experiências compartilháveis, que tornam o ato de assistir a um evento ao vivo ainda mais desejado”. Além disso, o estudo revela que esse interesse não se limita apenas ao papel de espectador. Cerca de 46,6% dos brasileiros demonstram vontade de viajar para praticar atividades esportivas, seja em destinos voltados para hobbies como surfe, trilhas e ciclismo (30,6%), seja para participar de provas e competições, como maratonas e torneios (16%). A consultora em mercado esportivo e bem-estar, Rosângela Oliveira, avalia que esse comportamento tem impacto direto na economia do turismo. “Estamos vendo a formação de um consumidor que não apenas assiste ao esporte, mas o incorpora ao seu estilo de vida. Isso movimenta setores como hotelaria, alimentação, transporte e também a indústria de equipamentos esportivos. É um ciclo econômico bastante robusto. Destinos turísticos que oferecem infraestrutura para esportes ao ar livre ou eventos de grande porte tendem a se tornar mais competitivos no mercado global”, ressalta. Outro ponto destacado pela pesquisa é o papel da influência social e digital nesse cenário. Segundo os dados, 22% dos entrevistados são motivados por ídolos esportivos, atletas e criadores de conteúdo. Já 16,4% associam suas viagens à busca por bem-estar, recuperação física e equilíbrio mental, enquanto 11,8% têm interesse em participar de cursos, workshops e formações esportivas durante suas viagens. Esse conjunto de motivações revela que o turismo esportivo se fragmenta em diferentes camadas de experiência, indo desde o entretenimento até o desenvolvimento pessoal. Para Muniz, o crescimento dessa tendência também está ligado à profissionalização do esporte amador. “As pessoas estão treinando mais, se informando e levando o esporte com seriedade, mesmo em nível recreativo. Isso faz com que elas busquem eventos, competições e até viagens específicas para melhorar seu desempenho ou simplesmente viver o esporte de forma mais intensa”. O futebol segue como o esporte mais popular entre os brasileiros e o principal motivador de viagens ligadas ao universo esportivo, impulsionado por grandes competições internacionais e eventos como a Copa do Mundo. Ainda assim, o interesse dos viajantes vai além das arquibancadas e envolve diferentes formas de vivenciar o esporte durante as viagens. Na sequência, destacam-se os esportes de combate, como boxe, MMA e muay thai, que crescem por oferecer experiências mais imersivas. Nesse segmento, 58,6% dos interessados querem assistir a grandes eventos ao vivo, 36,8% desejam conhecer destinos referência, como a Tailândia no muay thai, e 23,4% buscam proximidade com atletas e ídolos das modalidades. Os especialistas apontam ainda que o avanço dessa tendência deve se intensificar nos próximos anos, impulsionado pela expansão de eventos internacionais, pelo crescimento das corridas de rua, maratonas e competições amadoras, além da popularização de modalidades como ciclismo, surfe e esportes de aventura. Ao mesmo tempo, cresce a percepção de que viajar deixou de ser apenas uma forma de descanso e passou a ser também uma oportunidade de vivência ativa.

Julho Amarelo reforça a importância de prevenir as hepatites virais

Consideradas um importante problema de saúde pública, as hepatites virais podem evoluir de forma silenciosa durante anos, aumentando o risco de complicações graves, como cirrose e câncer de fígado. A campanha Julho Amarelo busca ampliar o conhecimento da população sobre as diferentes formas de transmissão, incentivar a realização de testes e reforçar que a doença pode ser tratada com sucesso. Elas são inflamações no fígado provocadas por diferentes vírus, classificados principalmente como hepatites A, B, C, D e E. Embora todas afetem o mesmo órgão, elas apresentam características distintas quanto à forma de transmissão, à gravidade e às possibilidades de prevenção e tratamento. Em muitos pacientes, especialmente nas B e C, a infecção pode não causar sintomas por um longo período, o que favorece a evolução silenciosa da doença. Segundo a hepatologista Mariana Almeida, “as hepatites A e E costumam ser transmitidas principalmente por água e alimentos contaminados, estando relacionadas às condições de saneamento e higiene. Já as hepatites B, C e D são transmitidas pelo contato com sangue contaminado e outros fluidos corporais, podendo ocorrer durante relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de seringas, materiais perfurocortantes ou, em alguns casos, da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. A hepatite D depende da presença do vírus da hepatite B para infectar uma pessoa”. Ela explica que cada tipo da doença apresenta evolução diferente. “A hepatite A geralmente provoca uma infecção aguda, da qual a maioria das pessoas se recupera completamente. A hepatite E também costuma ser autolimitada, embora possa representar maior risco para gestantes. Já as hepatites B e C podem se tornar crônicas, permanecendo no organismo por décadas e aumentando significativamente o risco de cirrose, insuficiência hepática e carcinoma hepatocelular quando não diagnosticadas e tratadas adequadamente”. Entre os principais sintomas das hepatites virais estão cansaço excessivo, febre, mal-estar, perda de apetite, náuseas, vômitos, dor abdominal, urina escura, fezes claras e pele e olhos amarelados, quadro conhecido como icterícia. Entretanto, os especialistas alertam que boa parte das infecções, principalmente pelas hepatites B e C, não apresenta manifestações clínicas nas fases iniciais. Por esse motivo, muitas pessoas descobrem a doença apenas durante exames de rotina ou quando surgem complicações decorrentes do comprometimento do fígado. O infectologista Marcelo Azevedo destaca que a falta de sintomas não significa ausência de danos ao organismo. “O vírus pode permanecer ativo por muitos anos, causando inflamação progressiva no fígado sem que o paciente perceba qualquer alteração. Isso reforça a necessidade de realizar testes, especialmente entre pessoas que apresentam fatores de risco ou que nunca fizeram o exame. O diagnóstico precoce permite iniciar o acompanhamento antes que ocorram lesões irreversíveis”. De acordo com Azevedo, o diagnóstico das hepatites virais é realizado por exames laboratoriais. “Eles estão disponíveis em diversos serviços públicos de saúde, permitem identificar as hepatites B e C em poucos minutos. Quando o resultado é reagente, testes complementares confirmam o diagnóstico, avaliam a atividade do vírus e o comprometimento do fígado. Também podem ser solicitados exames de sangue para avaliar a função hepática e exames de imagem”. A prevenção é uma das principais estratégias para reduzir as hepatites virais. “A vacinação contra as hepatites A e B, disponível no Programa Nacional de Imunizações, é a medida mais eficaz para evitar essas infecções. Como a hepatite D depende do vírus B, a vacina contra a hepatite B também oferece proteção indireta. Outras medidas incluem o uso de preservativos e a não reutilização ou compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas, alicates de unha e materiais para tatuagens ou piercings sem esterilização adequada”, explica o infectologista.

Síndrome do olho seco é frequente no inverno e exige atenção

Com a chegada do inverno, cresce também a preocupação de especialistas em saúde ocular com uma condição frequentemente subestimada, mas cada vez mais comum na população urbana: a síndrome do olho seco. É nesse contexto que o mês de julho passa a ser associado à campanha Julho Turquesa, uma iniciativa voltada à prevenção, diagnóstico e tratamento dessa doença que afeta a qualidade de vida de milhões de pessoas. A síndrome do olho seco ocorre quando há uma instabilidade ou insuficiência do filme lacrimal, responsável por manter a superfície ocular lubrificada. Essa deficiência pode acontecer tanto pela baixa produção de lágrimas quanto pela evaporação excessiva delas. Entre os sinais mais comuns estão ardor, sensação de areia nos olhos, vermelhidão, coceira, visão embaçada e lacrimejamento paradoxal, quando o olho produz lágrimas em excesso como resposta à irritação. A oftalmologista Helena Monteiro explica que o aumento dos casos durante o inverno não é coincidência. “No frio, o ar tende a ficar mais seco e as pessoas passam mais tempo em ambientes fechados, muitas vezes com aquecedores ou ar-condicionado, que reduzem ainda mais a umidade do ambiente. Isso acelera a evaporação da lágrima e agrava os sintomas do olho seco, além disso, o uso prolongado de telas faz com que o paciente pisque menos, o que compromete a distribuição lacrimal”. O diagnóstico da síndrome do olho seco é clínico, baseado na avaliação dos sintomas relatados pelo paciente e em exames oftalmológicos específicos. “Entre os testes mais utilizados estão a avaliação do tempo de ruptura do filme lacrimal, a coloração da superfície ocular com corantes especiais e o teste de Schirmer, que mede a produção de lágrimas. Em muitos casos, o diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações como inflamações crônicas da córnea e até lesões na superfície ocular”, completa. Na avaliação do oftalmologista Renato Ferreira, não ignorar os sinais iniciais é muito importante. “Muita gente acha que olho seco é apenas um desconforto passageiro, mas estamos falando de uma condição inflamatória crônica. Se não tratada, ela pode impactar significativamente a visão e a qualidade de vida, o paciente começa a evitar leitura, uso de computador e até atividades ao ar livre por conta do incômodo”. O tratamento da síndrome do olho seco varia conforme a gravidade do quadro. Nos casos leves, o uso de lágrimas artificiais é geralmente suficiente para aliviar os sintomas e restaurar o equilíbrio do filme lacrimal. Já em situações mais moderadas ou graves, podem ser indicados colírios anti-inflamatórios, suplementação com ácidos graxos, terapias para estimular a produção lacrimal e procedimentos para oclusão dos pontos lacrimais, que reduzem a drenagem das lágrimas e prolongam sua permanência na superfície ocular. Segundo Ferreira, a adesão ao tratamento é um dos maiores desafios. “Como os sintomas podem oscilar, muitos pacientes abandonam o processo quando se sentem melhor, mas o olho seco exige acompanhamento contínuo. A regularidade no uso dos colírios e a mudança de hábitos são tão importantes quanto a medicação”. Quando se fala em prevenção, pequenas mudanças na rotina podem fazer grande diferença. Os especialistas recomendam pausas regulares durante o uso de telas, seguindo a regra 20-20-20, a cada 20 minutos, olhar para algo a 20 pés de distância (cerca de seis metros) por pelo menos 20 segundos, além de piscar conscientemente com mais frequência. A hidratação adequada do corpo, o uso de umidificadores de ar em ambientes secos e a proteção contra vento frio também são medidas importantes, durante o inverno. Ele reforça ainda o impacto do estilo de vida moderno no aumento dos casos. “O olho seco deixou de ser uma condição exclusiva de idosos. Hoje vemos muitos jovens e adultos com os sintomas, principalmente por causa do uso intenso de smartphones, computadores e ambientes com ar-condicionado. O Julho Turquesa é importante justamente para alertar que esse problema está mais perto do que se imagina”.

Audiência discute expansão dos Colégios Tiradentes no Estado de Minas

A Secretaria de Estado de Educação e o Comando-Geral da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) não apresentaram estudos que justificassem a proposta de expansão da rede de unidades do Colégio Tiradentes no Estado. A questão foi analisada em reunião da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Durante a audiência, a deputada Beatriz Cerqueira (PT), que preside a Comissão, resgatou o histórico das discussões realizadas na Assembleia sobre o tema. “Estamos aqui para entender qual é o diagnóstico. Onde os Colégios Tiradentes serão implantados, qual a demanda por alunos existe em cada região? Quando a legislação foi aprovada aqui na Assembleia sobre a construção de 30 novos Colégios Tiradentes, nos foi garantido que isso não interferiria nas escolas estaduais regulares. Queremos saber o que está acontecendo”. Simone Emerick, da Secretaria de Estado de Educação, afirmou que a expansão dos Colégios Tiradentes atende a uma demanda do governo. Ela ressaltou que a Secretaria realiza avaliações técnicas para identificar vagas ociosas, considerando, entre outros critérios, o número de vagas disponíveis nas escolas. “Essa transição será entre 2027 e 2028, isso não será feito totalmente no ano que vem. Estudos estão em andamento para ver como isso acontecerá”. A representante informou que apenas 19 escolas foram analisadas até o momento e que o processo continua em andamento. Conforme Simone, a avaliação inicial considerou a quantidade de matrículas e de vagas disponíveis, razão pela qual as comunidades escolares não participaram das discussões. O coronel Carlos Eduardo Melo destacou que a expansão dos Colégios Tiradentes é uma iniciativa do governo. Atualmente, são 60 unidades em 19 regiões do Estado. “A legislação aprovada nesta própria Casa teve a função de manter o militar presente na cidade onde atua, evitando deslocamento da tropa. Também são abertas vagas aos dependentes diretos dos militares, como filhos e netos, filhos de servidores civis, além de estudantes civis via sorteio”. Segundo o coronel, os Colégios Tiradentes funcionam em cidades com batalhões da Polícia Militar. Ele afirmou que a expansão busca levar unidades a municípios ainda não atendidos, reduzindo o deslocamento das famílias. A deputada Beatriz Cerqueira lamentou a ausência do diagnóstico que justificaria a ampliação da rede. O coronel Carlos Melo respondeu que o documento pode ser solicitado ao Comando-Geral da PM e que não vê impedimentos para sua apresentação. Ela frisou ainda que os Colégios Tiradentes não oferecem modalidades como Educação de Jovens e Adultos (EJA), ensino em tempo integral ou formação técnica. Na avaliação de Beatriz, o eventual encerramento de unidades estaduais poderia representar uma redução na oferta educacional do Estado de Minas Gerais. “Como escolas de EJA e de sistema infantil integral estão sendo avaliadas para serem substituídas por Tiradentes, sendo que isso não é atendido no sistema de educação militar? São funções diferentes”. Protestos Representantes das escolas incluídas na transição anunciada pelo governador Mateus Simões (PSD) criticaram a total ausência de informações e a falta de diálogo com as comunidades escolares envolvidas. “Qual o motivo para o fechamento de nossas escolas como funcionam hoje? Onde estão as avaliações técnicas que mostram essa necessidade? Isso tudo nos leva a crer que essa decisão está sendo tomada não com base em diagnósticos e estudos técnicos, mas apenas por decisões políticas de quem não participa do cotidiano da escola”, afirmou Matheus Paiva, professor e vice-diretor da Escola Estadual Sebastião Silva Coutinho, de Leopoldina. A professora de Artes Agnes Courbassier, da Escola Estadual João Paulo I, em Betim, apresentou produções dos alunos, incluindo estudantes com deficiência, e questionou a continuidade do acesso a projetos caso a unidade seja transformada em escola militar. “Isso é preparar o aluno para o futuro”. Beatriz afirmou que as escolas estaduais devem ser respeitadas e informou que a comissão fará visitas às unidades envolvidas no projeto do governo. Ela também anunciou uma nova audiência em agosto, quando espera ter acesso aos diagnósticos.

Belo Horizonte permanece em 5º lugar no ranking de qualidade de vida

Belo Horizonte aparece em quinto lugar entre as capitais brasileiras no ranking de qualidade de vida do Índice de Progresso Social (IPS) 2026. O estudo avalia todos os 5.570 municípios do país a partir de indicadores ligados às necessidades básicas da população, ao bem-estar e ao acesso a oportunidades. Em uma escala que vai de 0 a 100, Belo Horizonte atingiu 69,66 pontos. Entre as capitais, Curitiba ocupa a primeira colocação, com 71,29 pontos, seguida por Brasília, São Paulo e Campo Grande. O IPS é produzido por uma rede de instituições, incluindo o Imazon, a Fundação Avina, a iniciativa Amazônia 2030, o Centro de Empreendedorismo da Amazônia e a Social Progress Imperative, sendo atualizado todos os anos. Belo Horizonte manteve o mesmo posicionamento registrado na edição anterior do levantamento. Em 2025, a capital de Minas Gerais também figurou em quinto lugar entre as capitais do país, alcançando 68,22 pontos. Na metodologia do índice, os municípios são organizados em nove faixas de desempenho social. Os grupos 1, 2 e 3 reúnem as cidades com melhores resultados em progresso social, enquanto os grupos 7, 8 e 9 concentram os indicadores mais baixos. O IPS leva em conta uma série de variáveis, como saúde, educação, segurança pública, acesso à água e ao saneamento básico, condições de moradia, conectividade digital, questões ambientais e inclusão social. Entre os elementos avaliados estão, por exemplo, expectativa de vida, taxa de vacinação, índices de homicídio, acesso ao ensino superior, disponibilidade de áreas verdes nas cidades, qualidade da internet, casos de violência contra mulheres e oportunidades de trabalho para pessoas com nível superior. O índice é estruturado em três grandes dimensões. A primeira, de necessidades humanas básicas, abrange itens como alimentação, saúde, moradia e segurança. A segunda, chamada fundamentos do bem-estar, considera educação básica, saúde e aspectos ambientais. Já a terceira, de oportunidades, analisa fatores ligados a direitos individuais, inclusão social e acesso à formação universitária. Para a socióloga Andreia Lima, o desempenho da capital revela um cenário de equilíbrio, mas ainda com desafios estruturais. “Belo Horizonte apresenta pontos fortes relevantes, especialmente em acesso a serviços básicos e na rede de saúde pública, que contribuem para sustentar uma boa colocação no índice. No entanto, ainda existem gargalos importantes na segurança pública, na mobilidade urbana e na redução das desigualdades sociais entre regiões da cidade. Melhorar esses aspectos é fundamental para que a capital avance no ranking e, principalmente, na qualidade de vida real da população”. Ela destaca que os resultados mostram que o progresso social não depende de ações isoladas, mas de políticas articuladas. “Quando analisamos os dados, percebemos que Belo Horizonte tem avanços em educação básica e em acesso a serviços de saúde, mas ainda enfrenta dificuldades em temas como violência urbana, inclusão digital em áreas periféricas e ampliação de oportunidades de emprego qualificado. O poder público precisa investir em políticas integradas, que conectem infraestrutura, assistência social e desenvolvimento econômico, para reduzir desigualdades”. Já para a urbanista Michele Silveira, Belo Horizonte ainda enfrenta desafios importantes relacionados à ocupação do solo, transporte e acesso desigual a equipamentos urbanos. “A cidade tem uma estrutura relativamente consolidada em algumas regiões, mas ainda apresenta uma forte desigualdade territorial. Isso impacta diretamente indicadores como mobilidade, acesso a áreas verdes, saneamento e até segurança. Melhorar a qualidade de vida passa necessariamente por repensar o planejamento urbano, aproximando moradia, trabalho e serviços públicos, além de ampliar investimentos em transporte coletivo de qualidade”. Andreia destaca que uma das prioridades deve ser o fortalecimento da atenção básica e da prevenção em saúde, além da ampliação de áreas verdes e espaços de convivência. “Esses elementos têm impacto direto no bem-estar da população e também refletem em outros indicadores, como saúde mental e qualidade ambiental”. Ela reforça também a importância de investimentos em conectividade digital e qualificação profissional, especialmente para jovens em áreas de maior vulnerabilidade. “A inclusão digital e o acesso ao ensino superior são fatores decisivos para ampliar oportunidades. Sem isso, a cidade acaba reproduzindo desigualdades históricas que dificultam avanços mais significativos no longo prazo”.

Produção de grãos pode alcançar 358,6 milhões de toneladas nessa safra

A produção nacional de grãos deverá alcançar 358,6 milhões de toneladas na safra 2025/2026. Se essa estimativa for confirmada, o país registrará um novo recorde de produção, superando em 1,8% o volume obtido no ciclo anterior. Em números absolutos, isso representa um acréscimo de 6,4 milhões de toneladas em relação à safra 2024/2025. Os dados foram apresentados no 9º Levantamento da Safra de Grãos 2025/2026, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). De acordo com a instituição, o crescimento projetado está associado à expansão da área cultivada, estimada em 83,5 milhões de hectares, além das condições climáticas favoráveis observadas durante o período. Com esse cenário, a produtividade média das lavouras brasileiras é estimada em 4.295 quilos por hectare. Para o economista Pedro Ribeiro, os números demonstram a força estrutural do setor. “O agronegócio continua sendo um dos principais motores da economia brasileira. Uma safra dessa magnitude contribui diretamente para o aumento das exportações, da arrecadação tributária e da entrada de divisas no país. Além disso, fortalece a balança comercial e ajuda a manter o Brasil em posição estratégica no mercado global de alimentos”. Segundo o especialista, os efeitos positivos não se restringem ao campo. “Quando a produção cresce, toda a cadeia produtiva é beneficiada. Há maior demanda por transporte, armazenamento, insumos, máquinas agrícolas, serviços financeiros e tecnologia. Isso gera movimentação econômica em diversos setores e contribui para a criação de oportunidades de trabalho em diferentes regiões do país”. Soja e milho Entre as principais culturas agrícolas, a soja apresenta o maior avanço produtivo, com um acréscimo de 8,8 milhões de toneladas em comparação à safra anterior. Com os trabalhos de colheita praticamente concluídos, a expectativa é que a produção da oleaginosa alcance 180,3 milhões de toneladas no ciclo 2025/2026. No caso do milho, a estimativa para a segunda safra contribui para que a produção total do cereal, considerando as três etapas de cultivo, chegue a 140,5 milhões de toneladas. A colheita da primeira safra já foi realizada em 87,7% da área plantada. A projeção é de que o volume final produzido atinja 29,3 milhões de toneladas, resultado que representa um crescimento de 17,7% em relação ao registrado no mesmo período da safra 2024/2025. Além da ampliação da área cultivada com o grão nesta safra, a produtividade também deverá apresentar desempenho superior ao observado no ciclo anterior. A estimativa é de um rendimento médio de 7.110 quilos por hectare, valor 7,6% maior e que representa o melhor resultado já registrado pela Companhia para a primeira safra da cultura. A colheita da segunda safra encontra-se em estágio inicial, com previsão de alcançar 107,9 milhões de toneladas ao término do ciclo produtivo. Já a terceira safra, cujo plantio está próximo da conclusão, tem produção estimada em 3,3 milhões de toneladas. O engenheiro agrônomo João Figueiredo ressalta que os resultados da soja e do milho fortalecem a posição do Brasil como um dos principais fornecedores globais de alimentos e matérias-primas. “O crescimento dessas culturas amplia a oferta para os mercados interno e externo, fortalece a indústria de proteínas animais, que depende do milho e do farelo de soja para alimentação dos rebanhos, e contribui para a estabilidade econômica de centenas de municípios que têm no agronegócio sua principal fonte de renda”. Algodão Segundo as estimativas apresentadas no levantamento, a produção de pluma de algodão referente à segunda safra deverá atingir aproximadamente 4 milhões de toneladas. Caso esse volume se concretize, haverá uma redução de 2,5% em relação ao resultado obtido na safra 2024/2025. Conforme a Conab, essa retração está associada à redução da área destinada ao cultivo da cultura. Ao comentar a previsão para o algodão, Figueiredo avalia que a retração projetada não compromete a relevância da cultura para o país. “A estimativa de cerca de 4 milhões de toneladas de pluma, apesar da redução de 2,5%, ainda representa um volume bastante expressivo. A diminuição está relacionada principalmente à redução da área plantada, mas o Brasil continua ocupando posição de destaque entre os maiores produtores e exportadores mundiais de algodão. Trata-se de uma cadeia que agrega valor, gera empregos na indústria têxtil e possui forte inserção internacional”.

Brasil registra 150 mil agressões à população de rua nos últimos dez anos

Entre 2014 e 2023, foram contabilizados cerca de 150 mil registros de violência contra pessoas em situação de rua. Segundo estudo elaborado pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua da Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/POLOS-UFMG), quase 70% das vítimas não procuram atendimento após sofrerem violência. Entre os principais motivos estão os obstáculos institucionais e as dificuldades de acesso aos serviços de proteção. Uma média de 20 casos graves diários de violência contra pessoas em situação de rua nos serviços de saúde são registrados. Em cerca de 75% das ocorrências, há necessidade de atendimento médico imediato, e 12% resultam em lesões graves ou morte. As principais vítimas são homens jovens e negros, com pessoas pretas e pardas representando 78% dos registros, e indivíduos de 15 a 49 anos somando 82%. Embora os homens sejam maioria, a letalidade é maior quando as vítimas são mulheres ou pessoas trans. Sobre o assunto, o Edição do Brasil conversou com o pesquisador extensionista do OBPopRua/POLOS-UFMG, Cristiano Pereira da Silva. Como a violência contribui para aprofundar ciclos de exclusão social e vulnerabilidade? A violência é resultado de ciclos históricos de exclusão e vulnerabilização social. No Brasil, grupos marginalizados, especialmente a população negra, enfrentam condições de extrema vulnerabilidade, como evidenciado pela predominância de pessoas negras em situação de rua. Esse cenário está ligado ao legado da escravidão e às políticas que, mesmo após a abolição, restringiram direitos e oportunidades para a população negra. Assim, o Estado e as elites contribuíram para a manutenção de estruturas que perpetuam a violência e a desigualdade social. Quais são as principais barreiras institucionais enfrentadas por quem tenta denunciar uma agressão? O Brasil ainda convive com desigualdades estruturais marcadas pelo racismo, apesar do mito da democracia racial. A população negra é maioria entre os encarcerados, as vítimas da violência e aqueles com menor acesso a direitos básicos. Esse cenário gera desconfiança em relação às instituições e dificulta a busca por proteção. Além disso, pessoas em situação de vulnerabilidade muitas vezes desconhecem os canais de denúncia ou temem represálias, o que contribui para a subnotificação das violências sofridas. Em que medida o preconceito e a discriminação influenciam o acesso dessas pessoas à polícia, à saúde e à assistência social? O preconceito atua restringindo o acesso da população negra a direitos fundamentais, como segurança, saúde e assistência social. Historicamente, o racismo construiu estereótipos que associam pessoas negras à violência, à criminalidade e à inferioridade, perpetuados por instituições e estruturas sociais. Essa lógica se reflete na desigual ocupação dos espaços de poder e nas condições de vulnerabilidade que atingem majoritariamente a população negra, reforçando a exclusão e a discriminação ao longo do tempo. Quais são as principais falhas na articulação entre assistência social, saúde, segurança pública e justiça? O diálogo e a articulação entre instituições nem sempre ocorrem de forma adequada para atender grupos em situação de vulnerabilidade. Políticas públicas voltadas a essas populações exigem a integração de áreas como saúde, educação, assistência social, segurança pública e justiça. Entretanto, essas instituições estão inseridas em uma estrutura marcada por desigualdades. Assim, racismo, machismo e sexismo podem influenciar decisões e práticas institucionais, impactando a vida da população negra no Brasil. De que forma o poder público pode aprimorar os mecanismos de denúncia e acolhimento das vítimas? O poder público deve criar condições efetivas de diálogo com a sociedade civil, promovendo uma construção coletiva das políticas e ações voltadas à população. Além disso, é fundamental investir em processos de formação continuada, humanizada e sensível às diversidades sociais. Essa formação deve fortalecer valores como empatia, alteridade e respeito às diferenças, contribuindo para o reconhecimento das falhas históricas no atendimento a grupos vulnerabilizados. Também é necessário avançar em políticas de reparação histórica, garantindo direitos que foram negados a parcela significativa da população desde a formação da democracia brasileira.

Como preservar músculos com o avançar da idade

A partir dos 30 anos, o corpo humano inicia um processo gradual de mudanças fisiológicas que, embora naturais, costumam ser percebidas de forma mais evidente ao longo das décadas seguintes. Entre as alterações mais discutidas por especialistas estão a perda progressiva de massa muscular e a redução da eficiência metabólica, fatores que influenciam diretamente a força, a disposição e a composição corporal. Pesquisadores da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP indicam que esse declínio muscular pode variar entre 3% e 8% a partir dos 30 anos, com aceleração significativa após os 60 anos. O estudo também sugere que o aumento do volume de treinamento pode ajudar a reduzir a falta de resposta ao exercício em pessoas idosas, reforçando a importância da atividade física estruturada ao longo da vida. Esse processo, segundo especialistas, está relacionado a múltiplos fatores biológicos. Dentre eles, destacam-se a diminuição natural da produção de hormônios anabólicos, como testosterona, estrogênio e hormônio do crescimento, além da redução da síntese proteica muscular, que é a capacidade do organismo de reparar e construir tecido muscular. Com o passar do tempo, também ocorre uma perda progressiva de unidades motoras, estruturas responsáveis pela ativação das fibras musculares, o que contribui para a redução de força e desempenho físico. Paralelamente, o metabolismo tende a ficar mais lento não apenas pela idade em si, mas principalmente pela diminuição da massa muscular, já que músculos são tecidos ativos e consomem energia mesmo em repouso. O educador físico Ricardo Menezes explica que esse processo começa de forma silenciosa e muitas vezes passa despercebido no dia a dia. “A partir dos 30 anos, o corpo já não tem a mesma eficiência na recuperação e manutenção muscular. Isso não significa que a perda de massa seja inevitável ou rápida, mas sim que existe uma tendência biológica que pode ser acelerada pelo sedentarismo, pela má alimentação e pelo estresse crônico. Quando a pessoa não treina força, essa perda tende a ser muito mais evidente ao longo dos anos”. Outro fator importante é a mudança no estilo de vida moderno, que reduz o nível de atividade física espontânea. “Hoje, muitas pessoas passam horas sentadas, o que reduz ainda mais o estímulo muscular necessário para manter a massa magra. O corpo funciona por demanda, se não há estímulo, ele economiza energia e reduz tecido muscular”. Além do impacto fisiológico, essas mudanças também influenciam diretamente a saúde metabólica. Com menos massa muscular, o organismo passa a gastar menos energia ao longo do dia, o que pode favorecer o acúmulo de gordura, sobretudo quando a alimentação não acompanha as novas necessidades do corpo. A fisiologista Carla Menezes destaca que é possível intervir positivamente nesse processo por meio de estratégias consistentes de treino e alimentação. “O envelhecimento não deve ser visto como sinônimo de perda inevitável de qualidade de vida. Quando estimulamos o músculo de forma adequada, especialmente com treino de força, conseguimos não só preservar, mas também recuperar massa muscular em diferentes idades. Isso melhora a força, a autonomia e também o metabolismo”. Ela acrescenta que a combinação de exercícios de força com atividades aeróbicas é uma das abordagens mais completas. “O treino de força atua diretamente na manutenção da massa magra, enquanto o aeróbico contribui para a saúde cardiovascular e o gasto calórico. Juntos, formam uma estratégia extremamente eficiente para o envelhecimento saudável”. De acordo com Carla, a alimentação também desempenha papel central nesse processo. A ingestão adequada de proteínas, aliada a um consumo equilibrado de carboidratos e gorduras saudáveis, ajuda a sustentar a síntese muscular e fornece energia para o treino. “Muitas pessoas subestimam a importância da proteína na maturidade. Ela é essencial para reparar microlesões musculares causadas pelo exercício e para manter o tecido ativo. Sem isso, o corpo tende a perder massa mais rapidamente”. Alguns hábitos como sono de qualidade, controle do estresse e regularidade na prática de exercícios são apontados como fundamentais para manter o metabolismo mais ativo e preservar a saúde ao longo dos anos.

97% dos brasileiros acreditam que o acesso à cultura é dever do Estado

De acordo com a 6ª edição da pesquisa Hábitos Culturais, desenvolvida pelo Observatório Fundação Itaú, 97% dos participantes consideram que o acesso à arte e à cultura constitui um direito que deve ser assegurado pelo Estado. O levantamento analisou os padrões de consumo cultural da população brasileira em todas as cinco regiões do país. Ao todo, foram entrevistadas 2.432 pessoas, das quais 40% vivem em capitais ou regiões metropolitanas e 60% residem em municípios do interior ou em áreas litorâneas, evidenciando a preocupação do estudo com a descentralização do acesso à cultura. Em relação ao perfil socioeconômico dos respondentes, 44% pertencem à classe C, 23% às classes A e B, e 31% às classes D e E. Entre os resultados da pesquisa, destacam-se as percepções sobre o acesso à cultura e a relação entre arte e educação como direitos. Cerca de 25% dos entrevistados afirmaram que as aulas de arte nas escolas públicas deveriam ser prioridade para os governos. O estudo também apontou alta adesão a atividades culturais presenciais ao ar livre (86%) e maior interesse em participar de ações culturais quando oferecidas no ambiente escolar (72%). Quando questionados sobre as prioridades das políticas públicas na área cultural, 39% dos entrevistados apontaram a criação ou ampliação de programas que garantam acesso gratuito a atividades como cinema, teatro, música e museus. Além disso, 32% defenderam como prioridade a oferta de ações culturais voltadas para crianças e adolescentes nos bairros, refletindo a preocupação com as desigualdades no acesso a eventos e equipamentos culturais. Entre as demais prioridades apontadas pelos entrevistados estão a melhoria e ampliação de equipamentos culturais já existentes (26%), a oferta de aulas de arte e cultura nas escolas públicas (25%) e o apoio a iniciativas culturais em favelas, periferias e comunidades tradicionais (23%). Também foram mencionados investimentos na formação de artistas e profissionais da cultura (19%), a criação de novos espaços culturais públicos (18%) e o incentivo à produção cultural independente (14%). A professora de artes, Cecília Santana, avalia que os números demonstram uma mudança importante na forma como a população enxerga o papel da cultura no cotidiano. “A cultura amplia horizontes, estimula a criatividade e favorece a compreensão das diferentes realidades que compõem a sociedade brasileira. Quando os cidadãos defendem o acesso à cultura como um direito, estão reconhecendo que ela é tão importante quanto outros serviços públicos. Isso mostra um amadurecimento da percepção coletiva sobre o tema”. Ela destaca ainda a relevância do ambiente escolar como espaço de democratização cultural. “Quando uma escola promove oficinas, apresentações artísticas, visitas a museus ou atividades ligadas ao patrimônio cultural, amplia significativamente as oportunidades de aprendizagem. A cultura ajuda a desenvolver habilidades socioemocionais, fortalece a identidade dos estudantes e contribui para a permanência deles no ambiente escolar”. Para o produtor cultural Rafael Lacerda, os resultados revelam que a população entende a importância da descentralização das políticas culturais. “Durante muito tempo, a oferta cultural ficou concentrada nas capitais e em áreas centrais das cidades. Hoje existe uma demanda crescente para que as ações culturais cheguem aos bairros periféricos, às comunidades tradicionais e aos municípios menores. Isso é fundamental para reduzir desigualdades e promover inclusão social”. Os governos têm diversas ferramentas para ampliar o acesso da população à cultura, destaca Lacerda. “Não basta apenas construir equipamentos culturais. É preciso garantir programação contínua, transporte acessível, divulgação adequada e atividades voltadas às necessidades de cada comunidade. Muitas vezes o espaço existe, mas a população não consegue utilizá-lo por falta de condições ou de informação”. Lacerda acredita que os jovens devem ocupar posição central nas estratégias de democratização cultural. “Investir em cultura durante a infância e a adolescência gera impactos positivos que se refletem ao longo de toda a vida. Jovens que têm acesso a atividades culturais desenvolvem maior capacidade de expressão, senso crítico e participação cidadã. Além disso, a cultura pode representar oportunidades de formação profissional e geração de renda em diversos segmentos da economia criativa”.