Esporte feminino cresce e mira patamar global

De acordo com um estudo divulgado pela Deloitte, a receita mundial do esporte feminino deve atingir US$ 3 bilhões (cerca de R$ 15,3 bilhões) em 2026. A projeção indica um avanço de 25% na comparação com o ano anterior. Em 2025, o segmento gerou US$ 2,4 bilhões, acumulando um crescimento de 248% no período entre 2022 e 2025. Segundo a empresa, o futebol, o futebol americano e o basquete femininos devem responder, individualmente, por aproximadamente 35% da receita global do setor em 2026. A América do Norte deve permanecer na liderança do mercado, com faturamento estimado em US$ 1,64 bilhão, o que representa 54% do total. Já a Europa ocupa a segunda posição, com cerca de US$ 434 milhões, valor equivalente a 14%. No Brasil, o futebol feminino vem ganhando mais destaque e exposição. Em 2025, um levantamento do Ibope apontou que 92 empresas passaram a exibir suas marcas nos uniformes das 16 equipes do Brasileirão Feminino. Um estudo da Nielsen Sports, realizado em parceria com a empresa PepsiCo, indica que o futebol feminino deve figurar entre os cinco esportes mais acompanhados globalmente até 2030. A pesquisa também estima aumento de 38% na audiência, alcançando mais de 800 milhões de espectadores. Na avaliação da especialista em marketing Brenda Simões, o avanço está ligado a uma mudança estrutural no consumo esportivo. “O público está mais aberto à diversidade e as marcas perceberam que o esporte feminino entrega engajamento real. Não é apenas uma questão de justiça, mas de oportunidade de negócio, quando há investimento consistente, a audiência responde rapidamente”. O crescimento também é resultado de uma combinação de fatores culturais e tecnológicos, afirma Brenda. “A maior cobertura midiática, o acesso facilitado por plataformas digitais e o fortalecimento das ligas femininas criaram um ambiente mais favorável. Antes, faltava visibilidade, hoje, falta consolidar essa alta com estrutura”. Para a educadora física Ana Paula Neto, apesar dos avanços, os desafios ainda são significativos. “Entre os principais obstáculos das atletas mulheres estão a diferença salarial em relação ao esporte masculino, menor investimento em categorias de base, calendário competitivo irregular e menor exposição na mídia tradicional. Além disso, muitas jogadoras ainda precisam conciliar treinos e competições com outras atividades profissionais para garantir sustento”. A profissional ressalta que a valorização passa por políticas contínuas e não apenas ações pontuais. “Não basta investir em grandes eventos ou torneios específicos. É necessário criar um ecossistema sustentável, com os campeonatos estruturados, formação de base e contratos mais estáveis. Sem isso, o crescimento pode estagnar”. Brenda complementa que a visibilidade também depende de narrativa. “É preciso contar histórias, humanizar as atletas e ampliar a cobertura. Quando o público conhece as jogadoras, a conexão aumenta e o interesse se mantém”. Elas destacam que sem uma estrutura sólida desde cedo, o crescimento do esporte feminino pode perder força a médio prazo. “A ampliação de escolinhas, a criação de competições regionais regulares e o apoio financeiro a clubes formadores são vistos como medidas essenciais para garantir uma renovação constante de talentos e elevar o nível técnico das competições”, explica a educadora física. Além disso, a presença de mulheres em cargos de liderança dentro do esporte também é considerada fundamental para acelerar mudanças estruturais. “A maior participação feminina em comissões técnicas, diretorias e entidades esportivas contribui para decisões mais alinhadas às necessidades das atletas e para a construção de políticas mais inclusivas”, conclui Ana Paula.

Dormir poucas horas pode impactar a saúde dos adolescentes

Uma pesquisa publicada na revista científica JAMA, conduzida com 120 mil jovens, apontou que 76,8% dos adolescentes apresentam privação de sono, dormindo sete horas ou menos por noite. O levantamento também mostrou que cerca de 25% descansam somente cinco horas diariamente. No Brasil, informações da Fundação Oswaldo Cruz indicam que aproximadamente metade dos jovens não alcança a quantidade mínima de sono recomendada. A privação de sono entre adolescentes tem sido associada a uma série de problemas de saúde e dificuldades no cotidiano. Alterações de humor, dificuldade de concentração, baixo rendimento escolar, ansiedade e aumento do risco de doenças cardiovasculares estão entre as consequências mais comuns. Além disso, o uso excessivo de telas e a rotina intensa de estudos e atividades extracurriculares aparecem como alguns dos principais fatores responsáveis pela redução das horas de descanso. Para a neurologista Helena Duarte, o organismo dos adolescentes sofre impactos profundos quando o descanso adequado deixa de fazer parte da rotina. “O sono é um processo biológico essencial para a consolidação da memória, para o equilíbrio hormonal e para a recuperação do corpo. Quando um jovem dorme menos do que precisa, ele passa a apresentar sinais claros de desgaste físico e mental, mesmo que não perceba”. Segundo a médica, a privação contínua de sono interfere diretamente na capacidade de aprendizado. “Muitos adolescentes acreditam que estudar até tarde da noite melhora o desempenho escolar, mas ocorre o contrário. Sem dormir adequadamente, o cérebro perde eficiência na retenção de informações, na criatividade e na capacidade de resolver problemas”. Além dos prejuízos cognitivos, os impactos emocionais também chamam atenção. A irritabilidade e a dificuldade em lidar com frustrações tendem a aumentar em jovens que dormem pouco. “Existe uma relação forte entre privação de sono e transtornos emocionais, como ansiedade e depressão. O cérebro cansado reage de forma mais intensa aos estímulos negativos do cotidiano”, destaca Helena. Outro ponto de preocupação é o risco de acidentes. Jovens sonolentos apresentam mais dificuldade de atenção no trânsito, em atividades físicas e até em tarefas simples do dia a dia. “O déficit de sono reduz os reflexos e a capacidade de tomar decisões rápidas. Isso pode representar um perigo para adolescentes que já dirigem ou utilizam motocicletas”. A psicóloga Lara Fagundes, avalia que a rotina contemporânea tem contribuído diretamente para o problema. “Os adolescentes vivem hoje em um ambiente de hiperconexão. Muitos passam horas nas redes sociais, jogando on-line ou assistindo vídeos até de madrugada. O celular se tornou um dos principais responsáveis pela redução das horas de sono”. Existe ainda uma pressão social relacionada à produtividade, relata Laura. “Há jovens que acumulam escola, cursos, atividades físicas e responsabilidades familiares. Em meio a tantas exigências, o sono acaba sendo visto como algo secundário”, explica. A especialista também ressalta que muitos adolescentes enfrentam dificuldades emocionais silenciosas, o que pode agravar a insônia. “Ansiedade relacionada ao futuro, pressão estética e comparações nas redes sociais fazem com que muitos tenham dificuldade para relaxar antes de dormir”. Ela alerta que mudar esse cenário exige uma mudança nos hábitos diários. Entre as recomendações está estabelecer horários fixos para dormir e acordar, inclusive aos fins de semana. “O cérebro funciona melhor quando existe regularidade. Dormir cada dia em um horário diferente dificulta a produção adequada de melatonina, hormônio responsável pelo sono”. Helena destaca que o uso excessivo de celulares, tablets e computadores antes de dormir prejudica a qualidade do sono, já que a luz das telas reduz a sensação de cansaço e mantém o cérebro em estado de alerta. A recomendação é evitar aparelhos eletrônicos uma hora antes de deitar. Hábitos como consumir café, energéticos e refeições pesadas à noite também podem atrapalhar o descanso. Manter o quarto escuro, silencioso e confortável, e praticar exercícios físicos regulares, ajuda o organismo a relaxar e melhora a qualidade do sono.

Vendas do Dia dos Namorados devem injetar R$ 22,14 bilhões na economia

O Dia dos Namorados de 2026, comemorado em 12 de junho, se destaca como uma das datas mais importantes para o varejo no Brasil. De acordo com uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, a expectativa é de que aproximadamente 93 milhões de consumidores participem das compras, impulsionando o comércio nessa ocasião. Em média, os brasileiros devem gastar cerca de R$ 238 na compra de presentes para a data, o que pode gerar uma movimentação de aproximadamente R$ 22,14 bilhões nos setores de varejo e serviços. A pesquisa também indica que a maior parte dos consumidores pretende presentear cônjuges (58%) ou parceiros (as) (34%). Além disso, 61% dos entrevistados afirmam que devem comprar apenas um presente, enquanto 27% planejam adquirir dois itens, resultando em uma média de 1,4 presentes por consumidor. Os itens mais desejados pelos consumidores incluem roupas (38%), seguidos por perfumes, cosméticos e maquiagens (34%). Também aparecem na lista calçados (20%), jantares (20%) e bombons ou chocolates (18%). Em relação às comemorações, 39% dos entrevistados pretendem celebrar a data em casa, enquanto 31% devem optar por restaurantes e 8% planejam comemorar em hotéis ou motéis. A maior parte dos consumidores (75,70%) afirma que pretende adquirir os presentes em lojas físicas. Sobre o pagamento, a forma à vista será a mais utilizada, representando 69% das intenções, com destaque para o Pix (34%). Já o pagamento parcelado é mencionado por 28% dos consumidores, principalmente no cartão de crédito (22%), com média de 3,5 parcelas. Para a economista Paula Albuquerque, o desempenho expressivo do Dia dos Namorados está ligado à combinação entre emoção e estratégia comercial. “É uma data em que o consumo é altamente simbólico. As pessoas não compram apenas um produto, mas uma forma de demonstrar afeto. Isso reduz a sensibilidade ao preço em muitos casos e amplia o potencial de vendas, especialmente em categorias como moda, beleza e gastronomia”. O crescimento do uso de meios de pagamento instantâneos também contribui para acelerar decisões de compra, segundo Paula. “O Pix, por exemplo, reduz a fricção na hora da transação e favorece a conclusão imediata da venda, o que é muito importante em períodos de alta demanda”. Já o especialista em varejo, Eduardo Naves, destaca que o resultado positivo para o comércio também depende de estratégias bem estruturadas ao longo das semanas que antecedem a data. “O varejo que se sai melhor é aquele que não espera a última hora. Campanhas antecipadas, vitrines temáticas e comunicação emocional ajudam a criar conexão com o consumidor e aumentam o fluxo nas lojas”. Na avaliação de Naves, a integração entre canais físicos e digitais também é determinante. “O cliente quer praticidade. Ele pesquisa on-line, compara preços e muitas vezes finaliza a compra na loja física. As marcas que conseguem unir esses dois ambientes saem na frente”. Apesar do potencial de consumo, os especialistas alertam para a necessidade de planejamento financeiro por parte dos consumidores. Com o aumento do uso do crédito e do parcelamento, o risco de endividamento pode crescer se não houver controle dos gastos. Paula recomenda cautela. “O ideal é estabelecer um orçamento antes de sair às compras e respeitá-lo. O parcelamento deve ser usado com cuidado, porque pequenas prestações acumuladas podem comprometer a renda dos meses seguintes. Presentear não precisa significar desequilibrar as finanças pessoais”. Do lado das empresas, o Dia dos Namorados segue sendo uma oportunidade estratégica para ampliar vendas e fidelizar clientes. Além de promoções e descontos, o varejo tem investido em experiências personalizadas, kits temáticos e ações voltadas à jornada completa do consumidor. “Não se trata apenas de vender mais barato, mas de criar uma experiência marcante. Embalagens especiais, atendimento diferenciado e ações digitais bem planejadas podem influenciar a decisão de compra”, finaliza Naves.

Número de acidentes de trabalho cresce no Brasil e atinge recorde

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou um relatório técnico que reúne informações sobre os acidentes de trabalho ocorridos no Brasil entre 2016 e 2025, utilizando dados oficiais do INSS e do eSocial. De acordo com o levantamento, foram registrados 6,4 milhões de acidentes no período, resultando em 27.486 mortes. O estudo também aponta a perda de mais de 106 milhões de dias de trabalho, além de aproximadamente 249 milhões de dias debitados, indicador utilizado para mensurar os efeitos permanentes desses acidentes na vida dos trabalhadores. Os dados mais recentes indicam que, em 2025, foram contabilizados 806.011 acidentes de trabalho e 3.644 mortes, o maior número já registrado na série histórica. Esse aumento ocorre após a queda em 2020, associada aos efeitos da pandemia, e acompanha a retomada da economia e a expansão do emprego formal no país. No período entre 2020 e 2025, houve alta de 65,8% no número de acidentes e de 60,8% nas mortes relacionadas ao trabalho. O setor de saúde, sobretudo hospitais e serviços de urgência, concentra o maior número de acidentes, com cerca de 633 mil registros no período. Já o transporte rodoviário de cargas lidera em mortes, com 2.601 óbitos, sendo a atividade mais letal. Também se destacam segmentos com alta exposição, como as obras de montagem industrial, que têm taxas elevadas de acidentes. Os impactos vão além dos números e afetam diretamente trabalhadores e empresas. A engenheira de segurança do trabalho Rita Moreira afirma que “quando ocorre um acidente, há interrupção da rotina produtiva e impactos na vida do trabalhador e de sua família, podendo envolver afastamentos longos, sequelas ou incapacidade de retorno ao trabalho”. Ela também destaca que empresas com altos índices de acidentes enfrentam aumento de custos, processos judiciais, multas e queda de produtividade. Na mesma linha, o médico do trabalho Sérgio Lima ressalta que muitos casos poderiam ser evitados com medidas simples e contínuas de prevenção. “Grande parte dos acidentes está relacionada à falha de processos, excesso de jornada, falta de treinamento ou uso inadequado de equipamentos de proteção. A cultura de segurança ainda precisa ser fortalecida”. Do ponto de vista legal, o trabalhador que sofre acidente de trabalho tem direito ao afastamento remunerado pelo INSS, estabilidade no emprego após o retorno por um período de 12 meses, além de tratamento médico e reabilitação quando necessário. Em casos mais graves, pode haver ainda direito a indenizações por danos morais e materiais, dependendo da responsabilidade da empresa. Rita reforça que a prevenção deve ser prioridade. Entre as principais medidas recomendadas estão a oferta e fiscalização do uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), treinamentos regulares, adequação dos ambientes de trabalho às normas de segurança, controle de jornada para evitar fadiga e a implementação de programas de gestão de riscos. “Investir em prevenção não é custo, é proteção à vida e sustentabilidade do negócio”. Outro ponto destacado por especialistas é a importância da notificação adequada dos acidentes, que ainda pode sofrer subnotificação em diferentes setores da economia. Segundo Lima, a ausência de registros completos compromete o planejamento de políticas públicas e ações de prevenção. “Quando o acidente não é devidamente comunicado, perde- -se a oportunidade de identificar padrões de risco e atuar de forma direcionada. A transparência dos dados é fundamental para reduzir novos casos”. Além das consequências físicas, os impactos psicológicos também são relevantes e muitas vezes negligenciados. Trabalhadores que sofrem acidentes podem desenvolver quadros de ansiedade, depressão e medo de retornar ao ambiente de trabalho, o que prolonga o período de afastamento e dificulta a reinserção profissional. Diante desse cenário, especialistas afirmam que a prevenção deve ser prioridade nas empresas, com participação da liderança e dos trabalhadores. A construção de uma cultura de segurança, aliada ao cumprimento das normas regulamentadoras, é vista como essencial para reduzir acidentes no ambiente de trabalho. “Quando a segurança vira valor organizacional, os resultados aparecem”, conclui o médico.

Autora mineira Ingrid Haas tem livro indicado ao Prêmio Jabuti

A escritora e colunista mineira Ingrid Haas foi indicada ao Prêmio Jabuti com a obra “A descoberta que mudou a minha vida”, voltada ao público jovem e centrada em temas como comunicação não violenta, pertencimento, conflitos emocionais e relações humanas. Considerado o prêmio literário mais tradicional do país, o Jabuti reconhece anualmente obras e profissionais que se destacam no cenário editorial brasileiro. Ela relata que recebeu a indicação com muita alegria, pois é uma grande oportunidade de visibilidade. “O Prêmio Jabuti é uma referência no cenário literário brasileiro, e isso gera interesse e reconhecimento para a obra. Mais do que uma conquista pessoal, vejo como uma validação de um tema urgente: precisamos falar, cada vez mais cedo, sobre habilidades socioemocionais com os jovens”. Segundo Ingrid, a descoberta que originou o livro nasceu de inquietações muito reais da sua trajetória profissional. “Atuando há anos com diversidade, inclusão, gestão de conflitos e desenvolvimento humano, comecei a perceber um padrão preocupante nos jovens: muita ansiedade, solidão, necessidade de pertencimento, inclusive nas redes sociais e dificuldade de lidar com frustrações. Essa inquietação me fez questionar: Como seria a nossa vida se tivéssemos aprendido habilidades socioemocionais na adolescência?”. A partir disso, a narrativa foi construída. “Não revelo a descoberta de imediato, o leitor percorre esse caminho junto com os personagens, vivendo os conflitos, as reflexões e, aos poucos, acessando uma nova forma de se comunicar, se entender e se relacionar”, destaca. A autora conta que para equilibrar elementos pessoais com a construção literária da obra mergulhou no universo dos adolescentes. “Conversei com muitos jovens e escutei os desafios que enfrentam: bullying, exclusão, preconceitos, inseguranças e a forte necessidade de pertencimento. A partir dessas vivências, construí uma narrativa envolvente e acessível, que não só retrata esses conflitos, mas, principalmente, apresenta caminhos possíveis. O livro não fica apenas no problema, oferecendo soluções práticas para transformar relações e a forma de se comunicar”. Ela expõe o desejo de, com a obra, provocar identificação, mas, principalmente, movimento. “Quero que o leitor se pergunte: por que nunca aprendi isso antes? e, a partir daí, comece a olhar com mais consciência para si, para suas emoções e para a forma como se relaciona. Se o livro conseguir despertar mais empatia, melhorar diálogos e transformar relações, na família, nas amizades e na escola, ele já cumpriu seu papel”. “Quando falamos de desenvolvimento humano e relações, estamos lidando com algo vivo, que se transforma o tempo todo. A ideia é que o livro se desdobre em uma série que vai aprofundar desafios reais vividos pelos adolescentes, trazendo reflexões, temas ligados aos direitos humanos e, principalmente, caminhos possíveis para relações mais saudáveis”, finaliza a escritora.

Onicofagia: quando o hábito de roer unhas vira um transtorno

A onicofagia, termo médico utilizado para descrever o hábito compulsivo de roer unhas, é frequentemente tratada como um comportamento simples ou um vício sem maiores consequências. No entanto, especialistas alertam que o problema pode estar associado a transtornos emocionais, ansiedade e até dificuldades de regulação emocional, afetando não apenas a saúde física, mas também a autoestima e a vida social de quem convive com a condição. Embora seja mais comum na infância e na adolescência, o hábito pode persistir na vida adulta e, em casos mais graves, exigir acompanhamento psicológico e psiquiátrico. De acordo com um estudo publicado na revista científica National Library of Medicine, 20% a 30% da população mundial, em todas as faixas etárias, roem as unhas. O comportamento costuma surgir de forma aparentemente inofensiva, muitas vezes em momentos de tensão, preocupação ou tédio, mas pode evoluir para episódios repetitivos e difíceis de controlar. As consequências incluem deformações nas unhas, infecções bacterianas e danos aos dentes. A psicóloga Lara Fagundes explica que a onicofagia está diretamente relacionada ao modo como o cérebro responde ao estresse. “Roer as unhas funciona, para muitas pessoas, como uma válvula de escape emocional. O ato produz uma sensação momentânea de alívio e ajuda a descarregar tensão acumulada. O problema é que o cérebro passa a associar esse comportamento ao conforto emocional, criando um ciclo repetitivo”. Embora a ansiedade seja um dos fatores mais comuns associados ao problema, ela não é a única causa. “Existem pacientes que desenvolvem o hábito por imitação durante a infância, enquanto outros apresentam a condição ligada a transtornos obsessivo-compulsivos, hiperatividade ou dificuldades emocionais mais profundas. Em muitos casos, a pessoa nem percebe que está roendo as unhas, porque o comportamento se torna automático”, afirma Lara. O diagnóstico da onicofagia é clínico e geralmente realizado por psicólogos, psiquiatras ou dermatologistas. A avaliação considera a frequência do comportamento, o grau de lesão provocado nas unhas e o impacto emocional causado pela compulsão. Em situações mais graves, o hábito pode provocar sangramentos constantes, dores e infecções recorrentes. A dermatologista Helena Moura destaca que o problema vai muito além da questão de estética. “As unhas funcionam como uma barreira de proteção natural do corpo. Quando a pessoa rói constantemente essa estrutura, abre portas para fungos, bactérias e inflamações. Também há alguns riscos odontológicos importantes, como desgaste dos dentes, retração gengival e alterações na mordida”. Entre os principais sintomas observados em pacientes com onicofagia estão unhas muito curtas, deformadas ou irregulares, feridas ao redor dos dedos, cutículas machucadas e sensação frequente de culpa após os episódios compulsivos. Muitos pacientes relatam vergonha de mostrar as mãos em ambientes sociais ou profissionais, o que pode agravar quadros de insegurança e isolamento. “O sofrimento emocional costuma ser silencioso, segundo Lara. “Há pessoas que tendem a esconder as mãos o tempo todo ou evitam interações sociais por vergonha do estado das unhas. Isso afeta a autoestima e pode gerar um impacto psicológico significativo”. Especialistas ressaltam que a onicofagia não deve ser encarada apenas como falta de disciplina ou “mania”. O comportamento compulsivo possui componentes emocionais complexos e, em determinados casos, está relacionado a transtornos de ansiedade e depressão. O tratamento varia conforme a intensidade do quadro e as causas associadas. Helena explica que existem ainda recursos complementares usados para reduzir o impulso compulsivo. “Muitos pacientes se beneficiam do uso de bases com sabor amargo aplicadas nas unhas, além de cuidados estéticos que ajudam a preservar a aparência das mãos e reforçam a motivação para abandonar o hábito. Em situações mais severas, pode haver indicação de medicamentos para controle da ansiedade, sempre com acompanhamento médico”. A família também desempenha papel importante no tratamento, principalmente quando a onicofagia aparece na infância. Especialistas alertam que punições e críticas excessivas tendem a aumentar a ansiedade da criança, piorando o comportamento.

SES apresenta plano para atingidos pela mineração em audiência

Apreocupação com a saúde das populações e comunidades impactadas pela atividade mineradora foi tema de uma audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Durante o encontro, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) apresentou um plano estadual e um protocolo elaborados especificamente para orientar ações relacionadas à questão. Tatiane Lúcia de Melo, integrante do Núcleo de Ações Reparatórias (NAR) da Subsecretaria de Vigilância em Saúde da SES, apresentou o Plano Estadual para Atenção Integral à Saúde das Populações Atingidas por Desastres Minerários e Residentes em Regiões Mineradoras. A iniciativa, desenvolvida desde 2024, tem como objetivo organizar e fortalecer as políticas públicas do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas aos efeitos da mineração sobre a saúde. O plano contempla tanto pessoas afetadas por rompimentos de barragens e demais acidentes minerários quanto comunidades que vivem em áreas onde há atividade de mineração. A metodologia adotada no plano foi organizada para reunir informações e evidências relacionadas às condições de saúde, aos impactos ambientais, aos fatores sociais e às demandas psicossociais das populações atingidas. Para isso, a proposta foi baseada em três eixos principais: governança interinstitucional, diagnóstico situacional integrado e participação social. “Fizemos rodas de conversa com as pessoas para abordar as principais queixas relacionadas à saúde, os principais problemas, o nível de acesso à saúde, quais as redes utilizadas”, explicou Tatiana. Como complemento ao PES Desastres, a SES desenvolveu ainda uma versão inicial de um protocolo destinado a orientar o atendimento, no âmbito do SUS, de pessoas expostas a substâncias químicas associadas à mineração. A proposta busca padronizar procedimentos que vão desde a identificação e o diagnóstico até o tratamento e o monitoramento de pacientes possivelmente expostos a elementos como arsênio, mercúrio, chumbo, cádmio e manganês. Gleicilene da Conceição Gonçalves Souza, fundadora da associação Sentinelas R5 e uma das pessoas afetadas pelo desastre provocado pela Vale em Brumadinho, relatou que a comissão de atingidos da qual participa recebe frequentemente denúncias de moradores com altos índices de substâncias químicas no sangue, além de casos de doenças dermatológicas, problemas respiratórios e até diagnósticos de câncer identificados após o rompimento da barragem. “Temos um índice muito grande de problemas na saúde e temos muita esperança no protocolo”. Na avaliação de Olívia Teixeira Santiago, integrante da Coordenação Estadual do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), muitos dos impactos à saúde enfrentados pelas populações atingidas em Mariana e Brumadinho ainda poderão se manifestar. Segundo a ativista, as empresas envolvidas procuram evitar a responsabilização por consequências que ainda não foram plenamente identificadas. “A Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens (PNAB) fala que a reparação deve partir da centralidade do sofrimento da vítima. A reparação tem que acontecer enquanto durarem os danos causados”, destacou. A deputada Bella Gonçalves (PT), presidenta da Comissão de Direitos Humanos e autora do requerimento pela audiência pública, ressaltou que “o lançamento do protocolo é um avanço, mas ainda precisamos de uma política estadual de atenção à saúde dos atingidos pela mineração”. A parlamentar disse que Minas Gerais também lida com impactos relacionados à exploração de outros minerais que não estão contemplados no protocolo da SES. Entre os exemplos citados, ela destacou a extração de lítio nas regiões dos vales do Jequitinhonha e do Mucuri, além da mineração de urânio e de terras raras no planalto vulcânico do Sul de Minas. “Precisamos avançar em protocolos específicos para esses outros tipos de minerais”. A deputada também criticou o fato de o monitoramento da qualidade da água e do ar nas áreas afetadas ficar sob responsabilidade das próprias mineradoras. “Existe alguma previsão para que se amplie o controle público da qualidade da água, do ar, do solo, para que a gente não dependa de dados das próprias empresas poluentes? Isso deveria ser feito pelas instituições públicas”. Olívia defendeu ainda a criação de uma política estadual mais ampla e fortalecida, capaz de assegurar recursos e mecanismos adequados para atender as comunidades impactadas pela atividade mineradora. “O plano e o protocolo são mais um resultado da nossa luta, mas não o ponto final. Mas teremos profissionais, remédios e insumos necessários para atender a população de forma especializada?”.

Belo Horizonte se destaca como destino gastronômico no Brasil

Reconhecida pela Unesco como Cidade Criativa da Gastronomia, Belo Horizonte figura entre os quatro destinos brasileiros que possuem esse título. A cidade ganha projeção internacional pela originalidade de suas receitas, valorização dos ingredientes regionais e desenvolvimento de políticas públicas voltadas à segurança alimentar e à agroecologia. Já a Pesquisa de Hábitos Gastronômicos de BH realizada pela Belotur apontou que os moradores gastam, em média, R$ 600 por mês em bares e restaurantes e que costumam se alimentar fora de casa a cada três dias. Entre os entrevistados, 95% avaliaram a gastronomia local como satisfatória ou acima das expectativas, com índice de recomendação de 9,3. De acordo com os dados, o prato que mais simboliza a culinária da cidade é o tradicional feijão tropeiro. A diversidade e a qualidade da comida de Belo Horizonte receberam nota média de 8,5. Já entre os turistas, a percepção é ainda mais positiva: 95% afirmaram que a experiência atendeu ou superou o esperado, e 63% consideram a gastronomia um aspecto decisivo na escolha de visitar a cidade. Na avaliação do agente de viagens, Vicente Brandão, a gastronomia exerce um papel estruturante no desenvolvimento da capital mineira. “Belo Horizonte conseguiu transformar sua cultura alimentar em um ativo econômico robusto. Os bares, restaurantes e mercados não apenas geram emprego e renda, mas também funcionam como espaços de convivência e expressão cultural. Isso cria uma experiência única para o turista, que passa a enxergar a cidade como um destino gastronômico de referência”. Segundo Brandão, o impacto vai além dos limites municipais. “A força da gastronomia de Belo Horizonte ajuda a projetar todo o Estado de Minas Gerais. Muitos visitantes chegam à capital e, a partir dessa experiência, se interessam por conhecer outras regiões, como o interior, onde encontram produtos artesanais, queijos e tradições culinárias igualmente ricas. É um efeito em cadeia que fortalece cada vez mais o turismo regional como um todo”. Outro ponto destacado por especialistas é o papel dos bares na construção da identidade da cidade. Para o antropólogo Carlos Menezes, os estabelecimentos são parte essencial do modo de vida belo-horizontino. “Os bares não são apenas locais para consumir alimentos e bebidas. Eles são espaços de sociabilidade, onde as pessoas constroem relações. Essa cultura do bar é tão forte que se tornou um dos principais elementos da identidade da cidade”. Ele ressalta que essa característica também se reflete na experiência turística. “Quando o visitante chega a Belo Horizonte, ele não encontra apenas pratos típicos, mas um ambiente acolhedor, marcado pela informalidade e pela hospitalidade. Isso faz toda a diferença. O turista não quer apenas comer bem, ele quer se sentir parte daquele contexto, e os bares proporcionam isso”. A combinação entre tradição e inovação é outro fator que contribui para o destaque da gastronomia local. Enquanto receitas clássicas como o feijão tropeiro continuam sendo valorizadas, chefs e cozinheiros exploram novas técnicas, mantendo viva a essência mineira, mas dialogando com tendências contemporâneas. Esse equilíbrio tem sido fundamental para consolidar Belo Horizonte como um dos principais destinos gastronômicos do país. A cidade demonstra que a culinária pode ser patrimônio cultural e motor de desenvolvimento econômico, atraindo visitantes e fortalecendo a identidade local.

Gastos mensais com bets já ultrapassam a marca de R$ 30 bilhões

Um levantamento recente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) indica que o crescimento das apostas on-line (conhecidas como bets) no Brasil deixou de ser apenas uma forma de lazer e passou a representar um desafio macroeconômico. Após a regulamentação em 2023, os gastos mensais nessas plataformas já ultrapassam a marca de R$ 30 bilhões. Segundo o estudo, uma parcela desse valor tem origem em recursos que antes eram destinados a despesas básicas, configurando um “efeito substituição” que compromete o consumo efetivo. Conforme a CNC, de janeiro de 2023 a março de 2026, a inadimplência do consumidor causada pelas bets retirou R$ 143 bilhões do comércio varejista. De forma inédita, a avaliação técnica aponta um vínculo causal entre a utilização de plataformas de apostas e o número de famílias que afirmam não conseguir quitar suas dívidas. De acordo com os dados analisados, o uso intensivo dessas apostas digitais tem sobrecarregado o orçamento doméstico, contribuindo para que cerca de 268 mil famílias no Brasil entrem em situação de inadimplência grave, além de prolongar o período médio de endividamento. Conforme a economista Laura Mendes, os números revelam um cenário preocupante para a economia nacional. “Quando uma parte crescente da renda das famílias deixa de ser destinada ao consumo de bens e serviços e passa a alimentar um circuito de apostas, há uma retração indireta na atividade econômica. O comércio sente isso rapidamente, principalmente em setores mais dependentes do consumo cotidiano. O impacto não se limita à queda nas vendas, há também efeitos sobre a geração de empregos e também a arrecadação tributária”. A pesquisa mostra que o perfil mais suscetível ao endividamento ligado aos jogos inclui homens, indivíduos com 35 anos ou mais e famílias de menor renda. Ainda assim, o estudo chama atenção para pessoas com maior nível de escolaridade: a facilidade de acesso às plataformas digitais, aliada à forte presença de publicidade, também tem elevado significativamente o grau de exposição ao risco nesse grupo. O consultor financeiro Ricardo Faria destaca que o problema vai além da questão financeira. “O vício em apostas tem um efeito em cascata. Ele compromete o orçamento familiar, gera conflitos dentro de casa, aumenta o estresse e pode desencadear problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão. O endividamento prolongado das famíllias brasileiras tende a agravar ainda mais esse quadro terrível, criando um ciclo difícil de romper e muitas pessoas recorrem a novas apostas na tentativa de recuperar perdas, o que acaba aprofundando ainda mais a situação”. De acordo com os especialistas, as consequências desse cenário se refletem no comércio nacional. “Com menos recursos disponíveis para consumo, há uma desaceleração em diversos segmentos e pequenos e médios empresários são frequentemente os primeiros a sentir os efeitos dessa retração, uma vez que dependem diretamente da renda disponível das famílias”, ressalta Laura. Ela defende a adoção de medidas públicas mais rigorosas para conter o avanço do problema. “Entre as propostas estão a ampliação de campanhas de conscientização sobre os riscos das apostas, a regulamentação mais restritiva da publicidade, especialmente em horários e canais de grande alcance, e a criação de mecanismos de controle que permitam limitar gastos dos usuários nas plataformas. Também se discute a necessidade de programas de apoio psicológico e financeiro para pessoas em situação de dependência”. “O poder público precisa tratar essa questão como um problema de saúde e de política econômica ao mesmo tempo. Não se trata apenas de regulamentar o mercado, mas de proteger o consumidor e evitar que uma atividade de alto risco comprometa a estabilidade financeira de milhões de brasileiros. Quanto mais cedo houver informação e mecanismos de controle, menores serão os danos sociais e econômicos no longo prazo”, finaliza Faria.

Ao menos uma em cada 10 crianças não vai à escola em 876 cidades

Segundo informações do novo indicador de atendimento escolar em nível municipal, elaborado pelo Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), embora a matrícula na educação infantil seja obrigatória para crianças a partir dos 4 anos no Brasil, ainda existem muitas fora da escola. Em cerca de 16% dos municípios, o equivalente a 876 cidades, pelo menos 10% delas entre 4 e 5 anos não estão frequentando creches ou pré-escolas. As disparidades se tornam ainda mais evidentes quando se observa a localização dessas cidades. Na região Norte, por exemplo, 29% dos municípios (130 ao todo) apresentam índices inferiores a 90% de crianças nessa etapa de ensino. No Sul, esse cenário é menos acentuado, com 11% dos municípios registrando menos de 90% das crianças de 4 a 5 anos na escola. No Centro-Oeste, esse percentual chega a 21% (99 municípios), enquanto no Nordeste é de 17% (304 municípios) e, no Sudeste, de 13% (213 municípios). Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com Lívia Maria Fraga, pesquisadora do Núcleo de Estudos sobre Infância e Educação Infantil – NEPEI/UFMG. Quais fatores estruturais explicam a exclusão de crianças da educação infantil no Brasil? Sob uma perspectiva interseccional das desigualdades, diversos estudos indicam que as principais diferenças no acesso à educação infantil estão relacionadas à localização e à renda. Crianças de áreas rurais têm cerca de 20% menos chances de frequentar creches do que as de áreas urbanas. Já o fator renda é ainda mais determinante: crianças de famílias de baixa renda possuem 30% menos acesso do que aquelas de maior renda, o que contraria a ideia de que a creche é um serviço destinado apenas às populações mais pobres. Quais são os benefícios de frequentar creche ou pré-escola nessa faixa etária? Pesquisas indicam que crianças que frequentam pré-escolas de qualidade têm trajetórias escolares mais bem-sucedidas, sobretudo quando as etapas seguintes também oferecem boas condições de ensino. A educação infantil favorece a socialização, amplia aprendizagens, desenvolve diferentes linguagens e contribui para uma formação baseada na igualdade de gênero e no respeito às relações étnico-raciais. Esses números escondem desigualdades ainda maiores quando se consideram renda, raça ou área urbana e rural? O Brasil ainda apresenta desigualdades no acesso à educação infantil, especialmente entre regiões. Norte, Centro-Oeste e Nordeste concentram os menores índices de atendimento. Isso se deve a dificuldades de acesso, como longas distâncias, transporte precário e uso de vias fluviais, além da menor oferta de instituições, relacionada à baixa arrecadação municipal e limitações de gestão. Na sua opinião, onde estão os principais gargalos: financiamento, infraestrutura, formação de professores ou gestão? A qualidade das creches e pré- escolas também pode gerar exclusão. Ela envolve a formação e valorização dos profissionais da educação infantil, boas condições de trabalho e infraestrutura adequada, com espaços, brinquedos e materiais pedagógicos. Inclui ainda gestão participativa e políticas públicas voltadas às populações mais vulneráveis. O que deveria ser prioridade imediata para reduzir esse déficit de matrículas? A boa gestão do financiamento da educação é essencial para políticas de primeira infância, que devem ser articuladas com saúde, assistência social e infraestrutura urbana. A ampliação do acesso também depende da busca ativa de crianças fora da pré-escola, da melhoria da acessibilidade e da garantia de atendimento inclusivo à educação especial.