Consórcio imobiliário cresce 37% e movimenta R$ 74 bilhões em créditos

A busca pela casa própria e a necessidade de driblar os juros elevados dos financiamentos têm levado cada vez mais brasileiros ao consórcio imobiliário. Em 2025, o segmento registrou a venda de 1,35 milhão de cotas, alta de 36% em relação ao ano anterior, movimentando R$ 283,53 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC). O ritmo de expansão continua em 2026. Entre janeiro e março, foram comercializadas 390,3 mil cotas, crescimento de 37,3% em comparação com o mesmo período de 2025, com R$ 74,68 bilhões em créditos negociados. Para Fabio Martini, gestor da Mhydas Planejamento Financeiro, a mudança de percepção é evidente. Segundo ele, o consórcio deixou de ser visto apenas como uma modalidade de compra parcelada e passou a integrar estratégias mais amplas de construção patrimonial. “O crescimento da procura por consórcios está diretamente ligado ao atual cenário de juros elevados no Brasil. Com o crédito imobiliário mais caro e restritivo, muitas pessoas passaram a buscar alternativas que permitam a aquisição de patrimônio de forma planejada, sem a incidência dos juros tradicionais do financiamento”. A mesma avaliação é compartilhada por Philippe Enke Mathieu, CEO da GFX Inteligência Financeira. Ele reforça novos hábitos do consumidor brasileiro, que talvez esteja passando a pensar de forma mais estratégica e não recorrer automaticamente ao financiamento. “Mas também é muito influenciado pelas altas taxas de juros. O consórcio acaba se tornando uma opção mais viável financeiramente para o consumidor”. Embora não tenha juros, o consórcio possui taxa de administração e exige planejamento. A principal diferença é que não há garantia de acesso imediato ao crédito, já que a contemplação depende de sorteios ou da oferta de lances. Segundo Martini, é justamente essa característica que exige uma visão de longo prazo. “O consórcio não é uma modalidade de crédito imediato, mas uma ferramenta de planejamento financeiro e patrimonial. Quando bem estruturado, deve ser visto como uma solução de médio e longo prazo, e não como uma promessa de acesso instantâneo ao crédito”. Para quem deseja utilizar a modalidade para comprar a casa própria, é recomendável avaliar cuidadosamente o orçamento familiar, o prazo do grupo, as condições da administradora e a possibilidade de ofertar lances. Também é fundamental analisar se o valor da carta de crédito é compatível com o imóvel desejado e se haverá capacidade financeira para manter os pagamentos durante toda a vigência do contrato. Mathieu ressalta que a decisão deve ser tomada dentro de uma estratégia financeira mais ampla. “A conquista da casa própria não começa na assinatura do contrato, e sim no planejamento. O consórcio pode ser uma excelente ferramenta, mas a decisão certa é aquela que faz sentido dentro da vida financeira da pessoa e da família”. “Se houver desistência ou se o participante não conseguir manter os pagamentos em dia, o consórcio acaba se tornando uma experiência financeiramente desfavorável, porque pode gerar perdas ao consumidor”, acrescenta. Vantagem após a contemplação Outro atrativo é o poder de negociação obtido após a contemplação. Com a carta de crédito em mãos, o comprador pode negociar como se estivesse pagando à vista, o que aumenta as chances de obter descontos e condições mais vantajosas na aquisição do imóvel. Além de realizar o sonho da casa própria, o consórcio vem sendo utilizado por quem busca ampliar o patrimônio por meio da compra de imóveis para valorização ou geração de renda. “Quem utiliza o consórcio de forma estratégica costuma unir dois objetivos importantes: realizar o sonho da casa própria de maneira mais econômica do que em um financiamento tradicional e, ao mesmo tempo, construir patrimônio de forma sustentável”, conclui Martini.
Turistas gastaram R$ 20,2 bilhões no Brasil entre janeiro e abril deste ano

Os turistas estrangeiros gastaram R$ 20,2 bilhões no Brasil entre janeiro e abril de 2026, alta de 9,2% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com os dados do Banco Central. O país registrou o segundo melhor quadrimestre da história na entrada de visitantes internacionais. O total de chegadas nos quatro primeiros meses deste ano foi de 4.333.423 turistas. Apenas no mês de abril, os estrangeiros injetaram R$ 4,19 bilhões na economia brasileira, um crescimento de 1,2% na comparação com 2025, quando os valores alcançaram R$ 4,14 bilhões. Esse resultado positivo das receitas acompanha também o desempenho histórico em importantes mercados emissores para o Brasil nesse quadrimestre. Entre os mercados que mais avançaram estão a Colômbia (+37,2%); China (+33,6%); México (+33,4%) e Portugal (+30,9%). O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, destaca que o setor vive um momento especial, com estatísticas positivas em todos os segmentos. “Nossa atuação na busca por turistas de outros países tem sido intensa. Mais do que movimentar aeroportos, hotéis e restaurantes, o turismo brasileiro transforma a realidade de milhares de pessoas”. Para o presidente da Embratur, Bruno Reis, o resultado demonstra a eficácia do Plano Brasis – Plano Internacional de Marketing Turístico 2025-2027. “Esses dados mostram que a estratégia de promoção internacional gera resultados financeiros práticos para o país. Esse crescimento na receita cambial reflete as diretrizes do Plano Brasis. Nós trabalhamos para conectar as identidades regionais a uma marca nacional forte, o que atrai o visitante estrangeiro e amplia o tempo de permanência dele no Brasil”. A economista Vaníria Ferrari ressalta que esse avanço pode ser explicado por um conjunto de fatores. “Um dos pontos mais importantes e, talvez, o que gerou maior impacto é a desvalorização do real, que torna mais atrativo e mais barato o turismo brasileiro, ou seja, aumenta o poder de compra de estrangeiros no país. Outros motivos que podem ter contribuído foram o crescimento de rotas internacionais e também a expansão do ecoturismo”. Ela explica que essa expansão permite prever um ano positivo para o setor. “Podemos projetar uma manutenção do crescimento de turistas estrangeiros no Brasil, principalmente porque não temos perspectiva de valorização cambial, ou seja, a maior probabilidade é que o real se mantenha desvalorizado, permanecendo o poder de compra do visitante no país”. “A estabilização de economias latino-americanas, como Argentina e Paraguai, pode também contribuir para esse aumento, tendo em vista a valorização da moeda desses países em relação ao real. No entanto, esse ritmo dependerá da estabilidade econômica internacional e da capacidade do Brasil de sustentar a oferta de serviços turísticos competitivos”, complementa. Ainda não é possível afirmar que esse crescimento é sustentável, acrescenta Vaníria. “Uma vez que está muito impactado pela desvalorização da moeda nacional, mas fatores externos como desaceleração econômica global, oscilações cambiais, conflitos geopolíticos, inflação e principalmente, aumento de custos do transporte aéreo, devido ao preço do petróleo, podem prejudicar esse avanço”. Risco de desaceleração Vaníria pontua que existe um risco de desaceleração ao longo do ano. “O ritmo de crescimento depende tanto do cenário econômico global, como da economia interna do Brasil, que pode favorecer ou limitar investimentos nos setores envolvidos. Uma taxa de juros alta tende a encarecer custos de captação, o que pode frear investimentos, por exemplo”. Segundo a especialista, para que o turismo internacional seja um ponto de referência, o país precisa passar por muitas mudanças e avanços estruturais. “Aumentar a conectividade internacional, com mais rotas internacionais, o que no momento se torna inviável em função do alto custo das companhias aéreas; investir em infraestrutura turística e mobilidade urbana; melhorar a segurança pública em alguns destinos específicos; qualificar a mão de obra atuante no segmento; e criar incentivos fiscais para investimentos no setor”, finaliza.
Brasileiros não devem investir em eletrônicos para a Copa do Mundo 2026

A maioria dos brasileiros não deve investir na troca de eletrônicos para assistir à Copa do Mundo. Um levantamento da Equifax BoaVista, em parceria com a Acordo Certo, aponta que 62,3% dos participantes não têm intenção de adquirir novos aparelhos para acompanhar os jogos de 2026, indicando uma postura mais cautelosa em função do elevado comprometimento da renda das famílias. De acordo com o levantamento, o nível médio de comprometimento da renda chegou a 86,1% no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 5 pontos percentuais em comparação ao mesmo período de 2025. Esse contexto tem feito com que os consumidores adotem uma postura mais cautelosa, reduzindo gastos mesmo em períodos ligados ao crescimento do consumo. A postura de cautela também aparece na maneira como o público deve acompanhar os jogos. Segundo o levantamento, 91,6% dos brasileiros devem assistir às partidas em casa. Já 5,3% afirmam que pretendem ver os jogos em bares, enquanto 3,1% devem optar por eventos como as fan fests. Os gastos associados à Copa também afetaram a situação financeira de parte dos brasileiros. De acordo com a pesquisa, 30,8% relataram ter acumulado dívidas após despesas com produtos e eventos relacionados ao torneio. Já 7,6% esperam ter dificuldades para manter as contas em dia. Entre aqueles que já tiveram algum tipo de gasto ligado à competição, 61,1% afirmaram não ter enfrentado problemas financeiros. Para especialistas, o conjunto desses dados revela não apenas um momento de maior prudência, mas também um reflexo do encarecimento do custo de vida e da redução da margem de renda disponível para consumo discricionário. A economista Laura Mendes explica que o endividamento elevado tem sido um dos principais fatores para a mudança de hábitos. “Quando a maior parte da renda já está comprometida com despesas fixas e dívidas anteriores, qualquer evento adicional de consumo passa a ser reavaliado com muito mais rigor. A Copa, que antes era vista como uma oportunidade de compra de novos produtos, agora entra na categoria de gasto secundário para muitas famílias”. Ela também frisa que o comportamento mais doméstico no consumo do entretenimento é uma tendência que deve se manter. “Assistir aos jogos em casa se tornou não apenas uma escolha de conforto, mas uma estratégia de economia. Isso reduz gastos com alimentação fora, deslocamento e até compras impulsivas que costumam ocorrer em ambientes de socialização”. Já o consultor financeiro Ricardo Faria, reforça que o momento exige organização e disciplina orçamentária. Na avaliação dele, o principal desafio dos consumidores é evitar que eventos sazonais, como a Copa do Mundo, desestabilizem o planejamento financeiro já comprometido. “É comum que datas especiais gerem uma sensação de urgência de consumo, mas é justamente nesses períodos que o planejamento faz mais diferença. O ideal é definir um limite de gastos para o evento e evitar compras por impulso, especialmente de eletrônicos e itens de maior valor”. O cenário apontado pela pesquisa reforça que, embora a Copa do Mundo continue sendo um evento de grande apelo popular, o consumo dos brasileiros está cada vez mais guiado pela necessidade de controle financeiro. Entre cautela, endividamento e adaptação de hábitos, o que se observa é um consumidor mais atento ao próprio orçamento e menos disposto a comprometer sua renda com despesas extras, mesmo em ocasiões de mobilização nacional.
Intenção de consumo das famílias tem nova alta em maio

A intenção de consumo das famílias brasileiras atingiu em maio o maior patamar registrado em 11 anos. Segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) alcançou 106,6 pontos, após avançar 1,6% em relação a abril e acumular a sétima alta mensal consecutiva. O resultado é o mais elevado desde março de 2015. A pesquisa mostra que a melhora foi impulsionada pela maior disposição das famílias em adquirir bens duráveis, como eletrodomésticos e eletrônicos. Na comparação anual, esse indicador disparou 18,5%, influenciado pela desaceleração da inflação desses produtos e pela percepção de estabilidade no mercado de trabalho. Na avaliação da economista da CNC, Catarina Carneiro, o ambiente econômico mais favorável ajudou a fortalecer a confiança do consumidor. “A principal influência deste mês foi o comportamento altamente favorável do mercado de trabalho, que gerou um avanço generalizado na confiança das famílias e elevou simultaneamente todos os sete componentes que integram a nossa pesquisa”. Ela destaca ainda que a desaceleração da inflação sobre os bens duráveis ampliou o poder de compra da população. “Com os preços desacelerando, a renda do consumidor passa a poder adquirir mais. Esses bens tornam-se cada vez mais acessíveis para a população”. De acordo com a CNC, enquanto o IPCA geral acumulou alta de 4,39% em 12 meses até abril, os bens duráveis tiveram inflação de apenas 0,68% no mesmo período. Em abril, o IPCA subiu 0,67%, contra apenas 0,45% dos produtos duráveis. Juros ainda preocupam Apesar do cenário positivo, a entidade alerta que os juros elevados continuam limitando uma expansão ainda mais consistente do consumo. O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, afirma que a taxa de juros segue pressionando a atividade econômica, drenando a capacidade de venda das empresas e sufocando a retomada do crescimento. “Não podemos ignorar que a Selic permanece em patamar excessivamente elevado, atuando como freio na economia ao encarecer o crédito e limitar o poder de consumo imediato das famílias”. A cautela também aparece no comportamento das famílias em relação ao futuro profissional. Embora o indicador de emprego atual tenha alcançado o maior patamar em 12 meses, a perspectiva profissional registrou retração anual de 5,9%. Conforme Catarina, o consumidor ainda demonstra uma preocupação diante do cenário econômico de médio prazo. “A estabilidade e a segurança no emprego atual são os verdadeiros pilares de sustentação de toda a engrenagem do consumo. Quando o trabalhador sente que sua vaga está resguardada, ganha a previsibilidade financeira para assumir compromissos monetários e consumir”. Ela pondera que os sinais recentes de aumento da taxa de desocupação ajudam a explicar parte da cautela dos brasileiros. “Tanto que o índice ‘Perspectiva Profissional’ registrou retração anual de 5,9%, puxado diretamente pelo fato de a taxa de desocupação geral ter apresentado ligeiros incrementos ao longo dos últimos três meses”. Outro destaque do levantamento foi o desempenho das famílias com renda de até 10 salários mínimos, que lideraram o avanço da intenção de consumo, com crescimento anual de 3,9%. Esse grupo foi beneficiado tanto pela melhora do mercado de trabalho quanto pela inflação mais baixa percebida pelas famílias de menor renda. “Com a melhora no emprego e nos preços, o poder de compra real desse público cresceu em maior proporção, transformando essas famílias nas grandes propulsoras da recuperação do consumo atual”, conclui a economista.
Vendas do Dia dos Namorados devem injetar R$ 22 bilhões

O Dia dos Namorados de 2026, comemorado em 12 de junho, se destaca como uma das datas mais importantes para o varejo no Brasil. De acordo com uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, a expectativa é de que aproximadamente 93 milhões de consumidores participem das compras, impulsionando o comércio nessa ocasião. Em média, os brasileiros devem gastar cerca de R$ 238 na compra de presentes para a data, o que pode gerar uma movimentação de aproximadamente R$ 22,14 bilhões nos setores de varejo e serviços. A pesquisa também indica que a maior parte dos consumidores pretende presentear cônjuges (58%) ou parceiros (as) (34%). Além disso, 61% dos entrevistados afirmam que devem comprar apenas um presente, enquanto 27% planejam adquirir dois itens, resultando em uma média de 1,4 presentes por consumidor. Os itens mais desejados pelos consumidores incluem roupas (38%), seguidos por perfumes, cosméticos e maquiagens (34%). Também aparecem na lista calçados (20%), jantares (20%) e bombons ou chocolates (18%). Em relação às comemorações, 39% dos entrevistados pretendem celebrar a data em casa, enquanto 31% devem optar por restaurantes e 8% planejam comemorar em hotéis ou motéis. A maior parte dos consumidores (75,70%) afirma que pretende adquirir os presentes em lojas físicas. Sobre o pagamento, a forma à vista será a mais utilizada, representando 69% das intenções, com destaque para o Pix (34%). Já o pagamento parcelado é mencionado por 28% dos consumidores, principalmente no cartão de crédito (22%), com média de 3,5 parcelas. Para a economista Paula Albuquerque, o desempenho expressivo do Dia dos Namorados está ligado à combinação entre emoção e estratégia comercial. “É uma data em que o consumo é altamente simbólico. As pessoas não compram apenas um produto, mas uma forma de demonstrar afeto. Isso reduz a sensibilidade ao preço em muitos casos e amplia o potencial de vendas, especialmente em categorias como moda, beleza e gastronomia”. O crescimento do uso de meios de pagamento instantâneos também contribui para acelerar decisões de compra, segundo Paula. “O Pix, por exemplo, reduz a fricção na hora da transação e favorece a conclusão imediata da venda, o que é muito importante em períodos de alta demanda”. Já o especialista em varejo, Eduardo Naves, destaca que o resultado positivo para o comércio também depende de estratégias bem estruturadas ao longo das semanas que antecedem a data. “O varejo que se sai melhor é aquele que não espera a última hora. Campanhas antecipadas, vitrines temáticas e comunicação emocional ajudam a criar conexão com o consumidor e aumentam o fluxo nas lojas”. Na avaliação de Naves, a integração entre canais físicos e digitais também é determinante. “O cliente quer praticidade. Ele pesquisa on-line, compara preços e muitas vezes finaliza a compra na loja física. As marcas que conseguem unir esses dois ambientes saem na frente”. Apesar do potencial de consumo, os especialistas alertam para a necessidade de planejamento financeiro por parte dos consumidores. Com o aumento do uso do crédito e do parcelamento, o risco de endividamento pode crescer se não houver controle dos gastos. Paula recomenda cautela. “O ideal é estabelecer um orçamento antes de sair às compras e respeitá-lo. O parcelamento deve ser usado com cuidado, porque pequenas prestações acumuladas podem comprometer a renda dos meses seguintes. Presentear não precisa significar desequilibrar as finanças pessoais”. Do lado das empresas, o Dia dos Namorados segue sendo uma oportunidade estratégica para ampliar vendas e fidelizar clientes. Além de promoções e descontos, o varejo tem investido em experiências personalizadas, kits temáticos e ações voltadas à jornada completa do consumidor. “Não se trata apenas de vender mais barato, mas de criar uma experiência marcante. Embalagens especiais, atendimento diferenciado e ações digitais bem planejadas podem influenciar a decisão de compra”, finaliza Naves.
Confiança industrial segue abaixo dos 50 pontos em maio

Após três meses consecutivos de queda, a confiança da indústria brasileira apresentou reação em maio, mas ainda está sem força suficiente para afastar o pessimismo do setor. Dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) subiu de 45,2 para 47,2 pontos no mês. Apesar da melhora, o indicador permanece abaixo da linha de 50 pontos há 17 meses consecutivos, sinalizando que os empresários seguem desconfiados em relação ao cenário econômico. O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, afirma que o avanço deve ser interpretado com cuidado. “Foi um momento relevante. Dois pontos em um mês é algo bastante considerável. Mas ainda precisa ser visto com cautela porque o índice continua abaixo de 50 pontos e segue mostrando falta de confiança, apesar da melhora”. Esse resultado positivo interrompe o movimento de deterioração, mas ainda não representa uma transformação consolidada de tendência, segundo avalia Azevedo. “Embora significativa, a alta está longe de reverter as quedas que foram se acumulando nesse período. Não dá para garantir uma mudança no desempenho ou nas decisões que serão tomadas pelos empresários nos próximos seis meses”. Na avaliação do economista Gabriel Vaz, o longo período de pessimismo revela dificuldades estruturais da economia brasileira. “Uma sequência de 17 meses consecutivos abaixo de 50 pontos indica que o problema não é meramente conjuntural e passou a refletir as amarras estruturais da nossa economia”. “Quando o pessimismo se prolonga por quase um ano e meio, evidencia gargalos históricos, como ineficiências logísticas, complexidade tributária e insegurança jurídica”, acrescenta. O economista destaca que a persistência da baixa confiança afeta diretamente os investimentos e a atividade industrial. “Acima de 15 meses já há efeito cumulativo, com produção industrial crescendo abaixo do potencial, adiamento de contratações e, em muitos casos, fechamento de linhas de produção menos eficientes”. Juros e incertezas Entre os fatores que ajudam a explicar o cenário estão os juros elevados, o crédito mais caro e as incertezas no mercado internacional. Azevedo lembra que o movimento de queda da confiança começou junto ao ciclo de alta da taxa básica de juros. “A Selic elevada está produzindo efeitos na economia, isso é bastante evidente. A indústria é muito sensível a esse cenário e isso deve continuar acontecendo, dado o ritmo previsto para a redução da taxa de juros”. “As guerras, as incertezas do mercado externo e o endividamento das famílias pesam nas expectativas e não permitem pensar, neste momento, em uma trajetória muito forte de melhora da confiança”, complementa. Apesar do resultado positivo em maio, Azevedo ressalta que a cautela ainda deve prevalecer nos próximos meses. “A ideia do ICEI é justamente medir o pulso do empresário para entender o ânimo em aumentar produção, contratação e investimento. Quando se fica um ou dois meses abaixo de 50 pontos, pode haver um adiamento de decisões. Mas 17 meses já representam outro patamar e isso começa a impactar diretamente nas decisões que exigem mais planejamento”. Busca por adaptação Outro dado apontado na pesquisa foi a diferença entre a percepção sobre as próprias empresas e sobre a economia brasileira. Enquanto o índice de expectativas para os negócios das empresas ficou em 53,5 pontos, indicando otimismo, o indicador ligado à economia brasileira permaneceu em 40,9 pontos. Para Vaz, isso mostra que as empresas têm buscado alternativas para enfrentar o cenário adverso. “Muitas empresas passaram a buscar ganhos de eficiência, diversificação de mercados, digitalização e estratégias de redução de custos para sobreviver em um ambiente menos favorável”. Ele também defende medidas para recuperar a confiança do setor produtivo. “É preciso atuar em duas frentes: previsibilidade e custo de capital. Dar sinais claros de responsabilidade fiscal e avançar na implementação da reforma tributária são passos importantes para criar um ambiente mais favorável ao investimento”, conclui.
Crédito fácil aquece mercado de veículos seminovos e usados

O mercado de veículos seminovos e usados segue em expansão em 2026 e reforça a expectativa do setor de alcançar um novo recorde de vendas neste ano. Dados divulgados pela Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), mostram que o segmento acumulou 5,9 milhões de unidades comercializadas entre janeiro e abril, resultado 10% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Somente em abril, foram negociados 1.530.108 veículos no país. Mesmo com quatro dias úteis a menos em relação a março, a média diária de vendas alcançou 85.006 unidades, alta de 11,7%. Na comparação com abril do ano passado, o crescimento foi de 2,9% no volume nominal e de 14,3% na média diária. Conforme o presidente da Fenauto, Everton Fernandes, o desempenho demonstra a força do mercado de usados diante do encarecimento dos veículos zero-quilômetro e da busca do consumidor por opções mais acessíveis. “O mercado de seminovos e usados continua sendo a principal alternativa para quem busca melhor relação custo-benefício”. Segundo Fernandes, a ampliação do crédito também tem impulsionado o setor em 2026. “Com maior oferta de financiamento, taxas mais competitivas e aumento da aprovação cadastral, o mercado responde rapidamente”, destaca. O dirigente avalia que o segmento deve manter ritmo positivo ao longo do segundo semestre, sustentado pela entrada gradual de seminovos oriundos de trocas e renovação de frotas. “O mercado está mais profissionalizado, mais transparente e cada vez mais orientado por dados, o que impacta diretamente em um crescimento sustentável”. Entre os modelos mais vendidos do país em abril, o Volkswagen Gol liderou com 61.175 unidades comercializadas. Em seguida aparecem Chevrolet Onix (38.937) e Hyundai HB20 (37.388). Minas Gerais O setor também manteve desempenho positivo. O Estado registrou 183.809 veículos vendidos em abril e acumula 710.286 unidades negociadas no quadrimestre, crescimento de 8,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Na avaliação do presidente da Associação dos Revendedores de Veículos no Estado de Minas Gerais (Assovemg), Glenio Júnior, a alta dos preços dos veículos novos ainda continua impulsionando a procura pelos seminovos, especialmente os modelos com até três anos de uso. “Esse nicho vem se destacando porque reúne veículos ainda na garantia e com baixa quilometragem”. Segundo Júnior, o ambiente de crédito mais favorável também ajudou a aquecer o mercado mineiro. Os financiamentos cresceram cerca de 13% em abril, enquanto os consórcios avançaram quase 9%. Ele destaca ainda que os chamados “velhinhos”, veículos acima de 13 anos de uso, seguem com forte demanda, principalmente entre consumidores das classes C, D e E. “Os dois extremos seguem aquecidos: os seminovos com até três anos de uso e os carros mais antigos”. Para o dirigente, o setor deve encerrar 2026 com um novo recorde de vendas, mesmo diante de instabilidades internacionais e do período eleitoral. “Existe uma grande expectativa de um novo recorde de vendas em 2026, tanto em Minas Gerais quanto no Brasil. Apesar de problemas externos, como guerras e oscilações no preço do petróleo, seguimos confiantes de que o patamar de crescimento continue até o fim do ano”. Em Minas, o Volkswagen Gol liderou as vendas em abril, com 9.330 unidades comercializadas, seguido por Fiat Palio (6.604) e Fiat Uno (6.103). Já em BH, o Fiat Palio ficou na primeira posição, com 1.537 unidades negociadas, à frente do Gol (1.487) e do Hyundai HB20 (1.247). A capital mineira registrou 44.462 veículos vendidos em abril e acumula 178.627 negociações em 2026, alta de 6,2% frente ao período passado.
MG movimenta R$ 55,4 bilhões em vendas on-line e ganha destaque

Minas Gerais alcançou a marca de R$ 55,4 bilhões no e-commerce em 2024, consolidando-se como o segundo maior Estado emissor de vendas on-line do país. Segundo estatísticas das transações de comércio eletrônico com base na Nota Fiscal Eletrônica, foram R$ 28,7 bilhões em vendas para outros estados e R$ 26,7 bilhões em compras. Esse ramo girou R$ 225,06 bilhões, com expansão acumulada de mais de 550% desde 2016, no Brasil. Eletrônicos, máquinas e vestuário concentram grande parte do valor movimentado nacionalmente. E em Minas, há destaque para calçados, equipamentos e produtos industriais. Para o especialista em vendas on-line e sócio fundador da Pronix, Hugo Vasconcelos, o protagonismo de Minas no e-commerce não vem de um fator isolado. “O Estado tem uma combinação forte de localização geográfica, malha logística, base empresarial diversificada e consumo interno relevante”. O setor movimenta transporte, centros de distribuição, tecnologia, meios de pagamento, atendimento, marketing digital e pequenos negócios, afirma Vasconcelos. “O segmento gera impacto direto na economia. Quando uma empresa mineira vende para outro Estado, ela traz receita e fortalece a cadeia local”. Desafios O professor de Gestão e Marketing do Centro Universitário Arnaldo – BH, Rogério Tobias, pontua que os principais desafios ainda envolvem logística, qualificação profissional e planejamento estratégico para a utilização de ferramentas digitais. “Muitas empresas entraram rapidamente no ambiente on-line, mas ainda precisam amadurecer processos relacionados a estoque, atendimento, experiência do consumidor, e a integração entre canais físicos e digitais”. Contudo, Vasconcelos ressalta que a tendência é o setor continuar crescendo, mas de forma seletiva. “O número de empresas virtuais deve aumentar, no entanto, quem vai ganhar espaço são as operações mais profissionais. Não basta estar na internet, vai crescer quem souber vender com margem, controlar custo e criar uma experiência confiável”. Comportamento do consumidor Os dados apontam que 76,6% das empresas mineiras possuem presença digital e 59,5% realizam vendas on-line. Tobias explica que esse fato não mostra uma digitalização consolidada. “Já acontece uma transformação bastante considerável, mas existe uma diferença entre presença e maturidade digital”. “Muitos empreendimentos já estão na internet, porém, ainda utilizam esses canais de forma que pode ser considerada básica. O consumidor espera encontrar empresas no ambiente digital, independentemente do porte do negócio”, complementa. O tapeceiro Washington Guimarães, de 41 anos, faz compras no comércio eletrônico toda semana. “Comecei a adquirir pela internet quando percebi que os preços pelo site são mais atrativos do que os das lojas físicas. Apesar disso, meu hábito de compra não mudou definitivamente, ainda consumo algumas coisas em estabelecimentos físicos”. “No comércio virtual costumo comprar materiais de pesca, roupas, sapatos, tênis e eletroeletrônicos. A comodidade, o preço e a variedade são os pontos que mais me chamam a atenção nessa modalidade”, finaliza. Tobias aponta que existe uma mudança comportamental muito clara acontecendo. “O consumidor passou a valorizar intensamente a praticidade, rapidez e ausência de desgaste. As pessoas querem experiências fluidas e integradas ao cotidiano. Nos próximos anos, veremos um relacionamento ainda mais imersivo, com sistemas capazes de antecipar necessidades e personalizar experiências em tempo real”.
Gastos mensais com bets já ultrapassam a marca de R$ 30 bilhões

Um levantamento recente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) indica que o crescimento das apostas on-line (conhecidas como bets) no Brasil deixou de ser apenas uma forma de lazer e passou a representar um desafio macroeconômico. Após a regulamentação em 2023, os gastos mensais nessas plataformas já ultrapassam a marca de R$ 30 bilhões. Segundo o estudo, uma parcela desse valor tem origem em recursos que antes eram destinados a despesas básicas, configurando um “efeito substituição” que compromete o consumo efetivo. Conforme a CNC, de janeiro de 2023 a março de 2026, a inadimplência do consumidor causada pelas bets retirou R$ 143 bilhões do comércio varejista. De forma inédita, a avaliação técnica aponta um vínculo causal entre a utilização de plataformas de apostas e o número de famílias que afirmam não conseguir quitar suas dívidas. De acordo com os dados analisados, o uso intensivo dessas apostas digitais tem sobrecarregado o orçamento doméstico, contribuindo para que cerca de 268 mil famílias no Brasil entrem em situação de inadimplência grave, além de prolongar o período médio de endividamento. Conforme a economista Laura Mendes, os números revelam um cenário preocupante para a economia nacional. “Quando uma parte crescente da renda das famílias deixa de ser destinada ao consumo de bens e serviços e passa a alimentar um circuito de apostas, há uma retração indireta na atividade econômica. O comércio sente isso rapidamente, principalmente em setores mais dependentes do consumo cotidiano. O impacto não se limita à queda nas vendas, há também efeitos sobre a geração de empregos e também a arrecadação tributária”. A pesquisa mostra que o perfil mais suscetível ao endividamento ligado aos jogos inclui homens, indivíduos com 35 anos ou mais e famílias de menor renda. Ainda assim, o estudo chama atenção para pessoas com maior nível de escolaridade: a facilidade de acesso às plataformas digitais, aliada à forte presença de publicidade, também tem elevado significativamente o grau de exposição ao risco nesse grupo. O consultor financeiro Ricardo Faria destaca que o problema vai além da questão financeira. “O vício em apostas tem um efeito em cascata. Ele compromete o orçamento familiar, gera conflitos dentro de casa, aumenta o estresse e pode desencadear problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão. O endividamento prolongado das famíllias brasileiras tende a agravar ainda mais esse quadro terrível, criando um ciclo difícil de romper e muitas pessoas recorrem a novas apostas na tentativa de recuperar perdas, o que acaba aprofundando ainda mais a situação”. De acordo com os especialistas, as consequências desse cenário se refletem no comércio nacional. “Com menos recursos disponíveis para consumo, há uma desaceleração em diversos segmentos e pequenos e médios empresários são frequentemente os primeiros a sentir os efeitos dessa retração, uma vez que dependem diretamente da renda disponível das famílias”, ressalta Laura. Ela defende a adoção de medidas públicas mais rigorosas para conter o avanço do problema. “Entre as propostas estão a ampliação de campanhas de conscientização sobre os riscos das apostas, a regulamentação mais restritiva da publicidade, especialmente em horários e canais de grande alcance, e a criação de mecanismos de controle que permitam limitar gastos dos usuários nas plataformas. Também se discute a necessidade de programas de apoio psicológico e financeiro para pessoas em situação de dependência”. “O poder público precisa tratar essa questão como um problema de saúde e de política econômica ao mesmo tempo. Não se trata apenas de regulamentar o mercado, mas de proteger o consumidor e evitar que uma atividade de alto risco comprometa a estabilidade financeira de milhões de brasileiros. Quanto mais cedo houver informação e mecanismos de controle, menores serão os danos sociais e econômicos no longo prazo”, finaliza Faria.
Taxa das blusinhas ajudou a preservar R$ 19,7 bilhões e manter 135,8 mil empregos

A “taxa das blusinhas” ajudou a preservar R$ 19,7 bilhões na economia, além de manter mais de 135,8 mil empregos. Esses dados constam em nota técnica elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que também aponta que a medida impediu a entrada de R$ 4,5 bilhões em produtos importados no Brasil. A CNI calculou os efeitos do Imposto de Importação com base no valor médio das remessas no ano passado. Em 2024, 179,1 milhões de remessas de mercadorias chegaram ao país por meio do programa. Já em 2025, houve uma retração de 10,9%, passando para 159,6 milhões. Segundo a projeção da CNI, no entanto, 205,9 milhões de pacotes entrariam no Brasil, no ano passado, sem a “taxa das blusinhas”, o que representaria 46,3 milhões de unidades a mais do que o registrado. A arrecadação federal com o tributo saltou de R$ 1,4 bilhão para R$ 3,5 bilhões, no primeiro ano completo de vigência. A tarifa passou a valer em agosto de 2024 e faz parte do Programa Remessa Conforme. O superintendente de Economia da CNI, Márcio Guerra, afirma que o objetivo principal da “taxa das blusinhas” não é apenas fazer a tributação do consumidor, mas proteger a economia. “Tornar a indústria brasileira competitiva é primordial para manter empregos e gerar renda. Ninguém aqui é contra as importações. Elas são bem-vindas, aumentam a competitividade, mas é preciso que entrem no Brasil em condições de igualdade”. “O Remessa Conforme reduziu o desequilíbrio das condições de concorrência dos produtos nacionais com os importados e contribuiu para moderar o ritmo das importações que se beneficiavam do tratamento tributário desigual”, complementa. Já a especialista financeira, Karen Freitas, ressalta que a redução das importações gera efeitos ambíguos sobre o mercado interno. “Por um lado, diminui a concorrência direta de produtos estrangeiros, o que pode preservar parte da demanda para o varejo e a indústria nacional. Por outro, trata-se de uma estimativa institucional e ainda não há consenso sobre o efeito líquido na geração de emprego e renda. Além disso, há impacto direto no consumo”. A tributação reduz distorções, já que empresas brasileiras operam com custos estruturais elevados, destaca Karen. “No entanto, a medida não resolve o problema estrutural da competitividade brasileira. Questões como custo do crédito, complexidade tributária e baixa produtividade continuam sendo determinantes. Assim, a taxação funciona como um mecanismo de ajuste no curto prazo, contudo, não substitui reformas necessárias para equilibrar a competitividade no longo prazo”. Ela observa que a redução da concorrência internacional pode gerar acomodação em parte das empresas. “Sem essa pressão, há risco de: redução de investimentos em tecnologia e modernização; manutenção de estruturas de custo ineficientes; aumento de preços ao consumidor; e perda de competitividade internacional. No longo prazo, isso pode tornar o setor produtivo mais vulnerável quando a concorrência externa voltar a se intensificar”. Poder de compra A especialista pontua que o impacto da medida sobre o poder de compra é mais significativo nas famílias de menor renda. “Esse grupo é mais sensível a preço e utilizava plataformas internacionais como alternativa de consumo acessível, sobretudo para vestuário e bens de menor valor”. “Com a taxação, esses produtos se tornam mais caros, reduzindo o acesso e comprimindo o orçamento familiar. Assim, embora a política possa beneficiar a produção interna, ela também impõe um custo social relevante ao limitar o consumo de bens mais baratos por parte da população de menor renda”, acrescenta. Karen explica ainda os impactos sobre uma possível revogação da medida. “Na arrecadação, tem a redução da receita obtida com a tributação de encomendas internacionais; no consumo, o aumento do acesso a produtos importados de baixo custo, beneficiando consumidores; e na competitividade interna, aumento da pressão sobre varejo e indústria nacional”. “A retirada da taxa favorece o consumidor no curto prazo, mas poderia gerar maior concorrência para empresas brasileiras. Já a manutenção da política protege o mercado interno, contudo, com custo maior para o consumidor. O desafio econômico está em equilibrar proteção produtiva com acesso ao consumo”, finaliza.