Minas Gerais registra a menor taxa de desemprego da série histórica

Minas Gerais registrou a menor taxa de desemprego da série histórica iniciada em 2012, ao mesmo tempo em que ultrapassou a marca de 5 milhões de vínculos formais de trabalho, em março. De acordo com o Ministério do Trabalho, no acumulado dos últimos 12 meses, o Estado gerou saldo positivo de, aproximadamente, 72 mil postos formais, com admissões acumuladas de 2,797 milhões de trabalhadores e 2,724 milhões de desligamentos. Entre janeiro e março de 2026, o saldo já somava 70,6 mil postos. Já a taxa de desocupação registrou 3,8%, no quarto trimestre de 2025, segundo o Observatório do Trabalho. O índice representa uma queda de dez pontos percentuais em relação ao pico registrado no mesmo trimestre de 2017. O estudo do Observatório do Trabalho mostra que o comércio permanece como o maior segmento empregador. Desempenhos mais positivos também foram registrados em subsetores de serviços, como transporte e armazenagem; alojamento e alimentação; informação e comunicação, atividades financeiras e imobiliárias e administração pública. O professor de economia do Centro Universitário Arnaldo de Belo Horizonte, Alexandre Miserani, aponta que um dos principais fatores para a redução do desemprego é o crescimento estrutural da economia brasileira. “Que reflete na geração de renda, no incremento da produção e do consumo e na expansão de pequenos negócios”. Em relação a Minas Gerais, o professor destaca o fortalecimento da abertura de novas empresas, com a diminuição da burocracia e o incentivo às startups. “Não podemos menosprezar a estabilidade econômica mineira, que tem melhorado nesse aspecto da produção, geração de renda e consumo das famílias. Há todo um arranjo produtivo local que favoreceu esse crescimento”. Apesar dos resultados positivos, o professor avalia que Minas Gerais ainda enfrenta desafios relacionados aos investimentos em infraestrutura. Segundo Miserani, a situação “prejudica muito, não só o escoamento, mas toda a estratégia comercial de muitas empresas”. Índice nacional A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,8% no trimestre encerrado em abril de 2026, o que representou alta de 0,4 ponto percentual na comparação com o período entre novembro de 2025 e janeiro de 2026. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. De acordo com o estudo, se comparada ao trimestre de novembro de 2025 e janeiro de 2026, a população desocupada, que é de 6,3 milhões no período encerrado em abril deste ano, avançou 8%. Naquele momento eram 5,9 milhões. No entanto, em relação a igual trimestre do ano anterior (7,1 milhões) indicou recuo de 11,3% (menos 809 mil pessoas). Os dados mostraram também que a população ocupada (102,3 milhões) caiu 0,3% em relação ao trimestre anterior. São menos 338 mil pessoas, mas subiu 1,1% ou mais 1,07 milhão de pessoas frente ao mesmo trimestre do ano anterior. Segundo a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, o aumento da desocupação nesse trimestre móvel é resultado essencialmente do comportamento sazonal de algumas atividades. “Embora registrando perda de ocupação na comparação trimestral, o mercado de trabalho segue com elevado nível de ocupação, quando comparado com anos anteriores”. Miserani afirma que o atual nível de desemprego do Brasil é caracterizado como pleno emprego. “O mercado de trabalho vive um dos seus melhores momentos da última década. Isso ocorre porque a economia apresenta crescimento, inflação controlada e aumento da atividade produtiva”. “Tudo isso contribui para a redução da desocupação e para o aumento da geração de emprego e renda. O que favorece a alta do consumo e o melhor posicionamento das empresas no cenário nacional e internacional”, completa. O economista acredita ainda que os números do desemprego vão continuar caindo até o fim de 2026. “Tanto em nível nacional quanto estadual, considerando o ano eleitoral. Contudo, os índices geoeconômicos mundiais têm mostrado um cenário pessimista. Problemas estruturais na economia, diminuição de importações de parte de países tradicionais e a questão do petróleo, podem prejudicar a empregabilidade”.

Produção de grãos pode alcançar 358,6 milhões de toneladas

A produção nacional de grãos deverá alcançar 358,6 milhões de toneladas na safra 2025/2026. Se essa estimativa for confirmada, o país registrará um novo recorde de produção, superando em 1,8% o volume obtido no ciclo anterior. Em números absolutos, isso representa um acréscimo de 6,4 milhões de toneladas em relação à safra 2024/2025. Os dados foram apresentados no 9º Levantamento da Safra de Grãos 2025/2026, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). De acordo com a instituição, o crescimento projetado está associado à expansão da área cultivada, estimada em 83,5 milhões de hectares, além das condições climáticas favoráveis observadas durante o período. Com esse cenário, a produtividade média das lavouras brasileiras é estimada em 4.295 quilos por hectare. Para o economista Pedro Ribeiro, os números demonstram a força estrutural do setor. “O agronegócio continua sendo um dos principais motores da economia brasileira. Uma safra dessa magnitude contribui diretamente para o aumento das exportações, da arrecadação tributária e da entrada de divisas no país. Além disso, fortalece a balança comercial e ajuda a manter o Brasil em posição estratégica no mercado global de alimentos”. Segundo o especialista, os efeitos positivos não se restringem ao campo. “Quando a produção cresce, toda a cadeia produtiva é beneficiada. Há maior demanda por transporte, armazenamento, insumos, máquinas agrícolas, serviços financeiros e tecnologia. Isso gera movimentação econômica em diversos setores e contribui para a criação de oportunidades de trabalho em diferentes regiões do país”. Soja e milho Entre as principais culturas agrícolas, a soja apresenta o maior avanço produtivo, com um acréscimo de 8,8 milhões de toneladas em comparação à safra anterior. Com os trabalhos de colheita praticamente concluídos, a expectativa é que a produção da oleaginosa alcance 180,3 milhões de toneladas no ciclo 2025/2026. No caso do milho, a estimativa para a segunda safra contribui para que a produção total do cereal, considerando as três etapas de cultivo, chegue a 140,5 milhões de toneladas. A colheita da primeira safra já foi realizada em 87,7% da área plantada. A projeção é de que o volume final produzido atinja 29,3 milhões de toneladas, resultado que representa um crescimento de 17,7% em relação ao registrado no mesmo período da safra 2024/2025. Além da ampliação da área cultivada com o grão nesta safra, a produtividade também deverá apresentar desempenho superior ao observado no ciclo anterior. A estimativa é de um rendimento médio de 7.110 quilos por hectare, valor 7,6% maior e que representa o melhor resultado já registrado pela Companhia para a primeira safra da cultura. A colheita da segunda safra encontra-se em estágio inicial, com previsão de alcançar 107,9 milhões de toneladas ao término do ciclo produtivo. Já a terceira safra, cujo plantio está próximo da conclusão, tem produção estimada em 3,3 milhões de toneladas. O engenheiro agrônomo João Figueiredo ressalta que os resultados da soja e do milho fortalecem a posição do Brasil como um dos principais fornecedores globais de alimentos e matérias-primas. “O crescimento dessas culturas amplia a oferta para os mercados interno e externo, fortalece a indústria de proteínas animais, que depende do milho e do farelo de soja para alimentação dos rebanhos, e contribui para a estabilidade econômica de centenas de municípios que têm no agronegócio sua principal fonte de renda”. Algodão Segundo as estimativas apresentadas no levantamento, a produção de pluma de algodão referente à segunda safra deverá atingir aproximadamente 4 milhões de toneladas. Caso esse volume se concretize, haverá uma redução de 2,5% em relação ao resultado obtido na safra 2024/2025. Conforme a Conab, essa retração está associada à redução da área destinada ao cultivo da cultura. Ao comentar a previsão para o algodão, Figueiredo avalia que a retração projetada não compromete a relevância da cultura para o país. “A estimativa de cerca de 4 milhões de toneladas de pluma, apesar da redução de 2,5%, ainda representa um volume bastante expressivo. A diminuição está relacionada principalmente à redução da área plantada, mas o Brasil continua ocupando posição de destaque entre os maiores produtores e exportadores mundiais de algodão. Trata-se de uma cadeia que agrega valor, gera empregos na indústria têxtil e possui forte inserção internacional”.

96% das pequenas empresas aceitam Pix como modalidade de pagamento

De acordo com o estudo Hábitos Financeiros dos Pequenos Negócios, desenvolvido pelo Sebrae em parceria com o Ipespe, o Pix já está amplamente presente nas operações dos pequenos empreendimentos. A pesquisa aponta que 96% dessas empresas disponibilizam essa modalidade como forma de pagamento para seus clientes. Além disso, cerca de 60% dos proprietários utilizam o Pix como principal canal para receber valores de vendas, enquanto 53% também recorrem a essa ferramenta para realizar pagamentos a fornecedores e parceiros comerciais. Entre os microempreendedores individuais (MEIs), a adesão a esse meio de pagamento é ainda mais elevada. Cerca de 97% deles utilizam o Pix em suas atividades comerciais. Além disso, para aproximadamente 28% desses empreendedores, essa forma de recebimento representa mais de 75% do total do faturamento obtido. O Pix ganhou destaque na última semana após ser citado em um relatório do United States Trade Representative (USTR) sobre barreiras comerciais no Brasil, o que poderia resultar na imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. No documento, o órgão norte-americano classifica a modalidade como “injusta”, alegando que o Banco do Brasil poderia apresentar conflito de interesses por atuar simultaneamente como regulador e operador do sistema de pagamentos instantâneos. Do ponto de vista econômico, especialistas apontam que o Pix contribuiu para a redução da informalidade, aumento da eficiência nas transações e diminuição da dependência de intermediários financeiros. Para a consultora de pequenos negócios, Mariana Tavares, os impactos vão além da praticidade cotidiana. “O Pix não é apenas uma inovação tecnológica, ele reorganizou a circulação de dinheiro no país. Pequenos negócios passaram a ter acesso imediato ao valor das vendas, o que melhora o fluxo de caixa, reduz a necessidade de crédito e fortalece a sobrevivência das empresas”. Ela também destaca efeitos indiretos no mercado de trabalho. “Quando uma microempresa ganha eficiência financeira, tende a reinvestir mais rapidamente, contratar com maior segurança e expandir suas operações. Isso cria um ciclo positivo que se reflete na geração de vagas de emprego”. Na mesma linha, o economista Rafael Campos avalia que críticas externas ao sistema brasileiro precisam ser analisadas com cautela. “O Pix é um modelo de infraestrutura pública de pagamentos que ampliou a inclusão bancária e reduziu custos de transação em larga escala. Questionar sua estrutura sem considerar seus resultados sociais e econômicos é ignorar o impacto positivo que ele teve, especialmente para a população de baixa renda e para os pequenos empreendedores”. O sistema também fortaleceu a competitividade interna, ressalta Campos. “Antes do Pix, as transferências dependiam de taxas e horários bancários. Hoje, o dinheiro circula em tempo real, isso aumentou a eficiência do comércio e ajudou a dinamizar setores inteiros da economia”. Em relação às críticas presentes no relatório do USTR, os especialistas ouvidos defendem que o debate deve ser tratado no campo técnico e regulatório, sem comprometer a autonomia do modelo brasileiro. Eles salientam que o Pix representa uma experiência bem-sucedida de inovação pública que pode, inclusive, servir de referência internacional. Segundo Campos, o debate também revela uma disputa mais ampla sobre soberania tecnológica e modelos de infraestrutura financeira. “Quando um país desenvolve uma solução pública que reduz custos, amplia a inclusão e aumenta a eficiência do sistema de pagamentos, isso naturalmente altera equilíbrios de mercado. O Pix incomoda alguns atores internacionais porque ele demonstra que é possível ter um sistema eficiente sem depender exclusivamente de intermediários privados tradicionais”. Ainda assim, o tema deve permanecer em discussão no cenário diplomático e econômico, especialmente diante de possíveis impactos comerciais. Enquanto isso, no cotidiano dos brasileiros, o Pix segue consolidado como peça central das transações financeiras, tanto para consumidores quanto para empresas de todos os portes, reforçando seu papel na modernização do sistema financeiro nacional.

Veto da União Europeia a carnes brasileiras ameaça US$ 2 bilhões

A decisão da União Europeia (UE) de suspender as importações de carne bovina e outros produtos de origem animal do Brasil colocou o agronegócio nacional em alerta. A medida, anunciada neste mês e prevista para entrar em vigor em setembro, foi justificada pelo bloco europeu com base em questionamentos sobre os mecanismos de controle e rastreabilidade do uso de antimicrobianos na pecuária brasileira. Somente em 2025, a UE importou cerca de 368 mil toneladas de proteína animal brasileira, movimentando aproximadamente US$ 1,8 bilhão. As compras de carne bovina responderam por cerca de US$ 1,06 bilhão desse total, o equivalente a quase 6% da receita obtida pelo Brasil com as exportações da proteína. O diretor-presidente da Academia Latino-Americana do Agronegócio (Alagro), Manoel Mário de Souza Barros, considera que os efeitos imediatos sobre as exportações tendem a ser limitados, mas alerta para os riscos de médio e longo prazo. “Essa decisão não vai gerar impactos comerciais imediatos, mas acende um alerta bilionário para o agronegócio brasileiro. A medida foi formalizada agora em junho e passará a valer efetivamente em setembro. Até lá, o comércio segue normalmente, enquanto o governo tenta reverter esse cenário”. Segundo Manoel Mário, o veto não estaria relacionado a problemas sanitários efetivos ou à qualidade dos produtos nacionais. “Acho que a decisão não foi motivada por contaminação ou problemas de qualidade do produto brasileiro. Trata-se muito mais de um impasse burocrático e regulatório”. “O bloco exige comprovações documentais rigorosas de que o Brasil controla o uso de medicamentos antimicrobianos. A avaliação foi de que o país não apresentou essas garantias dentro do prazo exigido”, acrescenta. Impactos Estimativas do mercado apontam que, caso a restrição seja mantida, as perdas para os exportadores brasileiros podem variar entre US$ 1,8 bilhão e US$ 2 bilhões por ano. Apesar disso, o coordenador do Núcleo de Negócios do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, avalia que o país possui alternativas para compensar parte desses prejuízos. “Se a medida ficar restrita à UE, trata-se de um prejuízo reversível, já que existem possibilidades de abertura de outros mercados, como o chinês, que recentemente declarou o Brasil livre da febre aftosa após uma longa negociação. Isso abre espaço para um crescimento importante das exportações”. A decisão europeia tem forte componente protecionista, ressalta Balistiero. “Eles e os norte-americanos fazem muito isso. Às vezes, para proteger seus produtores locais, apontam supostas irregularidades em outros mercados. Não vejo nenhuma possibilidade de dano à imagem do Brasil por conta dessa decisão. O país sempre foi reconhecido pelo rigor de seu controle fitossanitário na produção e exportação de proteínas”. Já Manoel Mário avalia que os reflexos reputacionais podem ser significativos justamente porque a Europa é vista como referência mundial em exigências sanitárias. “Ficar de fora da lista oficial prejudica a imagem da pecuária brasileira e pode dar argumentos a concorrentes internacionais para impor barreiras semelhantes. Além disso, a medida ocorre em um momento político sensível, logo após os avanços nas negociações entre Mercosul e UE”. Caminhos para reversão O dirigente da Alagro acredita que o episódio deve acelerar investimentos em certificações e sistemas de rastreabilidade. “O agronegócio vai enfrentar uma pressão imediata para ampliar os investimentos em certificações e reconstruir essas relações comerciais. O Brasil precisará avançar em mecanismos de controle e comprovação da origem dos produtos”. Balistiero defende uma estratégia de diversificação dos destinos de exportação. “A abertura de novos mercados é o caminho. Os europeus não querem comprar? Venda para a China. O potencial de crescimento é gigantesco. Quando perceberem que outros países continuam adquirindo e ampliando negócios com o Brasil, a tendência é que essa resistência diminua”, conclui.

Consórcio imobiliário cresce 37% e movimenta R$ 74 bilhões em créditos

A busca pela casa própria e a necessidade de driblar os juros elevados dos financiamentos têm levado cada vez mais brasileiros ao consórcio imobiliário. Em 2025, o segmento registrou a venda de 1,35 milhão de cotas, alta de 36% em relação ao ano anterior, movimentando R$ 283,53 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC). O ritmo de expansão continua em 2026. Entre janeiro e março, foram comercializadas 390,3 mil cotas, crescimento de 37,3% em comparação com o mesmo período de 2025, com R$ 74,68 bilhões em créditos negociados. Para Fabio Martini, gestor da Mhydas Planejamento Financeiro, a mudança de percepção é evidente. Segundo ele, o consórcio deixou de ser visto apenas como uma modalidade de compra parcelada e passou a integrar estratégias mais amplas de construção patrimonial. “O crescimento da procura por consórcios está diretamente ligado ao atual cenário de juros elevados no Brasil. Com o crédito imobiliário mais caro e restritivo, muitas pessoas passaram a buscar alternativas que permitam a aquisição de patrimônio de forma planejada, sem a incidência dos juros tradicionais do financiamento”. A mesma avaliação é compartilhada por Philippe Enke Mathieu, CEO da GFX Inteligência Financeira. Ele reforça novos hábitos do consumidor brasileiro, que talvez esteja passando a pensar de forma mais estratégica e não recorrer automaticamente ao financiamento. “Mas também é muito influenciado pelas altas taxas de juros. O consórcio acaba se tornando uma opção mais viável financeiramente para o consumidor”. Embora não tenha juros, o consórcio possui taxa de administração e exige planejamento. A principal diferença é que não há garantia de acesso imediato ao crédito, já que a contemplação depende de sorteios ou da oferta de lances. Segundo Martini, é justamente essa característica que exige uma visão de longo prazo. “O consórcio não é uma modalidade de crédito imediato, mas uma ferramenta de planejamento financeiro e patrimonial. Quando bem estruturado, deve ser visto como uma solução de médio e longo prazo, e não como uma promessa de acesso instantâneo ao crédito”. Para quem deseja utilizar a modalidade para comprar a casa própria, é recomendável avaliar cuidadosamente o orçamento familiar, o prazo do grupo, as condições da administradora e a possibilidade de ofertar lances. Também é fundamental analisar se o valor da carta de crédito é compatível com o imóvel desejado e se haverá capacidade financeira para manter os pagamentos durante toda a vigência do contrato. Mathieu ressalta que a decisão deve ser tomada dentro de uma estratégia financeira mais ampla. “A conquista da casa própria não começa na assinatura do contrato, e sim no planejamento. O consórcio pode ser uma excelente ferramenta, mas a decisão certa é aquela que faz sentido dentro da vida financeira da pessoa e da família”. “Se houver desistência ou se o participante não conseguir manter os pagamentos em dia, o consórcio acaba se tornando uma experiência financeiramente desfavorável, porque pode gerar perdas ao consumidor”, acrescenta. Vantagem após a contemplação Outro atrativo é o poder de negociação obtido após a contemplação. Com a carta de crédito em mãos, o comprador pode negociar como se estivesse pagando à vista, o que aumenta as chances de obter descontos e condições mais vantajosas na aquisição do imóvel. Além de realizar o sonho da casa própria, o consórcio vem sendo utilizado por quem busca ampliar o patrimônio por meio da compra de imóveis para valorização ou geração de renda. “Quem utiliza o consórcio de forma estratégica costuma unir dois objetivos importantes: realizar o sonho da casa própria de maneira mais econômica do que em um financiamento tradicional e, ao mesmo tempo, construir patrimônio de forma sustentável”, conclui Martini.

Turistas gastaram R$ 20,2 bilhões no Brasil entre janeiro e abril deste ano

Os turistas estrangeiros gastaram R$ 20,2 bilhões no Brasil entre janeiro e abril de 2026, alta de 9,2% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com os dados do Banco Central. O país registrou o segundo melhor quadrimestre da história na entrada de visitantes internacionais. O total de chegadas nos quatro primeiros meses deste ano foi de 4.333.423 turistas. Apenas no mês de abril, os estrangeiros injetaram R$ 4,19 bilhões na economia brasileira, um crescimento de 1,2% na comparação com 2025, quando os valores alcançaram R$ 4,14 bilhões. Esse resultado positivo das receitas acompanha também o desempenho histórico em importantes mercados emissores para o Brasil nesse quadrimestre. Entre os mercados que mais avançaram estão a Colômbia (+37,2%); China (+33,6%); México (+33,4%) e Portugal (+30,9%). O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, destaca que o setor vive um momento especial, com estatísticas positivas em todos os segmentos. “Nossa atuação na busca por turistas de outros países tem sido intensa. Mais do que movimentar aeroportos, hotéis e restaurantes, o turismo brasileiro transforma a realidade de milhares de pessoas”. Para o presidente da Embratur, Bruno Reis, o resultado demonstra a eficácia do Plano Brasis – Plano Internacional de Marketing Turístico 2025-2027. “Esses dados mostram que a estratégia de promoção internacional gera resultados financeiros práticos para o país. Esse crescimento na receita cambial reflete as diretrizes do Plano Brasis. Nós trabalhamos para conectar as identidades regionais a uma marca nacional forte, o que atrai o visitante estrangeiro e amplia o tempo de permanência dele no Brasil”. A economista e professora dos Cursos de Gestão e Negócios da Una, Vaníria Ferrari, ressalta que esse avanço pode ser explicado por um conjunto de fatores. “Um dos pontos mais importantes e, talvez, o que gerou maior impacto é a desvalorização do real, que torna mais atrativo e mais barato o turismo brasileiro, ou seja, aumenta o poder de compra de estrangeiros no país. Outros motivos que podem ter contribuído foram o crescimento de rotas internacionais e também a expansão do ecoturismo”. Ela explica que essa expansão permite prever um ano positivo para o setor. “Podemos projetar uma manutenção do crescimento de turistas estrangeiros no Brasil, principalmente porque não temos perspectiva de valorização cambial, ou seja, a maior probabilidade é que o real se mantenha desvalorizado, permanecendo o poder de compra do visitante no país”. “A estabilização de economias latino-americanas, como Argentina e Paraguai, pode também contribuir para esse aumento, tendo em vista a valorização da moeda desses países em relação ao real. No entanto, esse ritmo dependerá da estabilidade econômica internacional e da capacidade do Brasil de sustentar a oferta de serviços turísticos competitivos”, complementa. Ainda não é possível afirmar que esse crescimento é sustentável, acrescenta Vaníria. “Uma vez que está muito impactado pela desvalorização da moeda nacional, mas fatores externos como desaceleração econômica global, oscilações cambiais, conflitos geopolíticos, inflação e principalmente, aumento de custos do transporte aéreo, devido ao preço do petróleo, podem prejudicar esse avanço”. Risco de desaceleração Vaníria pontua que existe um risco de desaceleração ao longo do ano. “O ritmo de crescimento depende tanto do cenário econômico global, como da economia interna do Brasil, que pode favorecer ou limitar investimentos nos setores envolvidos. Uma taxa de juros alta tende a encarecer custos de captação, o que pode frear investimentos, por exemplo”. Segundo a especialista, para que o turismo internacional seja um ponto de referência, o país precisa passar por muitas mudanças e avanços estruturais. “Aumentar a conectividade internacional, com mais rotas internacionais, o que no momento se torna inviável em função do alto custo das companhias aéreas; investir em infraestrutura turística e mobilidade urbana; melhorar a segurança pública em alguns destinos específicos; qualificar a mão de obra atuante no segmento; e criar incentivos fiscais para investimentos no setor”, finaliza.

Brasileiros não devem investir em eletrônicos para a Copa do Mundo 2026

A maioria dos brasileiros não deve investir na troca de eletrônicos para assistir à Copa do Mundo. Um levantamento da Equifax BoaVista, em parceria com a Acordo Certo, aponta que 62,3% dos participantes não têm intenção de adquirir novos aparelhos para acompanhar os jogos de 2026, indicando uma postura mais cautelosa em função do elevado comprometimento da renda das famílias. De acordo com o levantamento, o nível médio de comprometimento da renda chegou a 86,1% no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 5 pontos percentuais em comparação ao mesmo período de 2025. Esse contexto tem feito com que os consumidores adotem uma postura mais cautelosa, reduzindo gastos mesmo em períodos ligados ao crescimento do consumo. A postura de cautela também aparece na maneira como o público deve acompanhar os jogos. Segundo o levantamento, 91,6% dos brasileiros devem assistir às partidas em casa. Já 5,3% afirmam que pretendem ver os jogos em bares, enquanto 3,1% devem optar por eventos como as fan fests. Os gastos associados à Copa também afetaram a situação financeira de parte dos brasileiros. De acordo com a pesquisa, 30,8% relataram ter acumulado dívidas após despesas com produtos e eventos relacionados ao torneio. Já 7,6% esperam ter dificuldades para manter as contas em dia. Entre aqueles que já tiveram algum tipo de gasto ligado à competição, 61,1% afirmaram não ter enfrentado problemas financeiros. Para especialistas, o conjunto desses dados revela não apenas um momento de maior prudência, mas também um reflexo do encarecimento do custo de vida e da redução da margem de renda disponível para consumo discricionário. A economista Laura Mendes explica que o endividamento elevado tem sido um dos principais fatores para a mudança de hábitos. “Quando a maior parte da renda já está comprometida com despesas fixas e dívidas anteriores, qualquer evento adicional de consumo passa a ser reavaliado com muito mais rigor. A Copa, que antes era vista como uma oportunidade de compra de novos produtos, agora entra na categoria de gasto secundário para muitas famílias”. Ela também frisa que o comportamento mais doméstico no consumo do entretenimento é uma tendência que deve se manter. “Assistir aos jogos em casa se tornou não apenas uma escolha de conforto, mas uma estratégia de economia. Isso reduz gastos com alimentação fora, deslocamento e até compras impulsivas que costumam ocorrer em ambientes de socialização”. Já o consultor financeiro Ricardo Faria, reforça que o momento exige organização e disciplina orçamentária. Na avaliação dele, o principal desafio dos consumidores é evitar que eventos sazonais, como a Copa do Mundo, desestabilizem o planejamento financeiro já comprometido. “É comum que datas especiais gerem uma sensação de urgência de consumo, mas é justamente nesses períodos que o planejamento faz mais diferença. O ideal é definir um limite de gastos para o evento e evitar compras por impulso, especialmente de eletrônicos e itens de maior valor”. O cenário apontado pela pesquisa reforça que, embora a Copa do Mundo continue sendo um evento de grande apelo popular, o consumo dos brasileiros está cada vez mais guiado pela necessidade de controle financeiro. Entre cautela, endividamento e adaptação de hábitos, o que se observa é um consumidor mais atento ao próprio orçamento e menos disposto a comprometer sua renda com despesas extras, mesmo em ocasiões de mobilização nacional.

Intenção de consumo das famílias tem nova alta em maio

A intenção de consumo das famílias brasileiras atingiu em maio o maior patamar registrado em 11 anos. Segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) alcançou 106,6 pontos, após avançar 1,6% em relação a abril e acumular a sétima alta mensal consecutiva. O resultado é o mais elevado desde março de 2015. A pesquisa mostra que a melhora foi impulsionada pela maior disposição das famílias em adquirir bens duráveis, como eletrodomésticos e eletrônicos. Na comparação anual, esse indicador disparou 18,5%, influenciado pela desaceleração da inflação desses produtos e pela percepção de estabilidade no mercado de trabalho. Na avaliação da economista da CNC, Catarina Carneiro, o ambiente econômico mais favorável ajudou a fortalecer a confiança do consumidor. “A principal influência deste mês foi o comportamento altamente favorável do mercado de trabalho, que gerou um avanço generalizado na confiança das famílias e elevou simultaneamente todos os sete componentes que integram a nossa pesquisa”. Ela destaca ainda que a desaceleração da inflação sobre os bens duráveis ampliou o poder de compra da população. “Com os preços desacelerando, a renda do consumidor passa a poder adquirir mais. Esses bens tornam-se cada vez mais acessíveis para a população”. De acordo com a CNC, enquanto o IPCA geral acumulou alta de 4,39% em 12 meses até abril, os bens duráveis tiveram inflação de apenas 0,68% no mesmo período. Em abril, o IPCA subiu 0,67%, contra apenas 0,45% dos produtos duráveis. Juros ainda preocupam Apesar do cenário positivo, a entidade alerta que os juros elevados continuam limitando uma expansão ainda mais consistente do consumo. O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, afirma que a taxa de juros segue pressionando a atividade econômica, drenando a capacidade de venda das empresas e sufocando a retomada do crescimento. “Não podemos ignorar que a Selic permanece em patamar excessivamente elevado, atuando como freio na economia ao encarecer o crédito e limitar o poder de consumo imediato das famílias”. A cautela também aparece no comportamento das famílias em relação ao futuro profissional. Embora o indicador de emprego atual tenha alcançado o maior patamar em 12 meses, a perspectiva profissional registrou retração anual de 5,9%. Conforme Catarina, o consumidor ainda demonstra uma preocupação diante do cenário econômico de médio prazo. “A estabilidade e a segurança no emprego atual são os verdadeiros pilares de sustentação de toda a engrenagem do consumo. Quando o trabalhador sente que sua vaga está resguardada, ganha a previsibilidade financeira para assumir compromissos monetários e consumir”. Ela pondera que os sinais recentes de aumento da taxa de desocupação ajudam a explicar parte da cautela dos brasileiros. “Tanto que o índice ‘Perspectiva Profissional’ registrou retração anual de 5,9%, puxado diretamente pelo fato de a taxa de desocupação geral ter apresentado ligeiros incrementos ao longo dos últimos três meses”. Outro destaque do levantamento foi o desempenho das famílias com renda de até 10 salários mínimos, que lideraram o avanço da intenção de consumo, com crescimento anual de 3,9%. Esse grupo foi beneficiado tanto pela melhora do mercado de trabalho quanto pela inflação mais baixa percebida pelas famílias de menor renda. “Com a melhora no emprego e nos preços, o poder de compra real desse público cresceu em maior proporção, transformando essas famílias nas grandes propulsoras da recuperação do consumo atual”, conclui a economista.

Vendas do Dia dos Namorados devem injetar R$ 22 bilhões

O Dia dos Namorados de 2026, comemorado em 12 de junho, se destaca como uma das datas mais importantes para o varejo no Brasil. De acordo com uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, a expectativa é de que aproximadamente 93 milhões de consumidores participem das compras, impulsionando o comércio nessa ocasião. Em média, os brasileiros devem gastar cerca de R$ 238 na compra de presentes para a data, o que pode gerar uma movimentação de aproximadamente R$ 22,14 bilhões nos setores de varejo e serviços. A pesquisa também indica que a maior parte dos consumidores pretende presentear cônjuges (58%) ou parceiros (as) (34%). Além disso, 61% dos entrevistados afirmam que devem comprar apenas um presente, enquanto 27% planejam adquirir dois itens, resultando em uma média de 1,4 presentes por consumidor. Os itens mais desejados pelos consumidores incluem roupas (38%), seguidos por perfumes, cosméticos e maquiagens (34%). Também aparecem na lista calçados (20%), jantares (20%) e bombons ou chocolates (18%). Em relação às comemorações, 39% dos entrevistados pretendem celebrar a data em casa, enquanto 31% devem optar por restaurantes e 8% planejam comemorar em hotéis ou motéis. A maior parte dos consumidores (75,70%) afirma que pretende adquirir os presentes em lojas físicas. Sobre o pagamento, a forma à vista será a mais utilizada, representando 69% das intenções, com destaque para o Pix (34%). Já o pagamento parcelado é mencionado por 28% dos consumidores, principalmente no cartão de crédito (22%), com média de 3,5 parcelas. Para a economista Paula Albuquerque, o desempenho expressivo do Dia dos Namorados está ligado à combinação entre emoção e estratégia comercial. “É uma data em que o consumo é altamente simbólico. As pessoas não compram apenas um produto, mas uma forma de demonstrar afeto. Isso reduz a sensibilidade ao preço em muitos casos e amplia o potencial de vendas, especialmente em categorias como moda, beleza e gastronomia”. O crescimento do uso de meios de pagamento instantâneos também contribui para acelerar decisões de compra, segundo Paula. “O Pix, por exemplo, reduz a fricção na hora da transação e favorece a conclusão imediata da venda, o que é muito importante em períodos de alta demanda”. Já o especialista em varejo, Eduardo Naves, destaca que o resultado positivo para o comércio também depende de estratégias bem estruturadas ao longo das semanas que antecedem a data. “O varejo que se sai melhor é aquele que não espera a última hora. Campanhas antecipadas, vitrines temáticas e comunicação emocional ajudam a criar conexão com o consumidor e aumentam o fluxo nas lojas”. Na avaliação de Naves, a integração entre canais físicos e digitais também é determinante. “O cliente quer praticidade. Ele pesquisa on-line, compara preços e muitas vezes finaliza a compra na loja física. As marcas que conseguem unir esses dois ambientes saem na frente”. Apesar do potencial de consumo, os especialistas alertam para a necessidade de planejamento financeiro por parte dos consumidores. Com o aumento do uso do crédito e do parcelamento, o risco de endividamento pode crescer se não houver controle dos gastos. Paula recomenda cautela. “O ideal é estabelecer um orçamento antes de sair às compras e respeitá-lo. O parcelamento deve ser usado com cuidado, porque pequenas prestações acumuladas podem comprometer a renda dos meses seguintes. Presentear não precisa significar desequilibrar as finanças pessoais”. Do lado das empresas, o Dia dos Namorados segue sendo uma oportunidade estratégica para ampliar vendas e fidelizar clientes. Além de promoções e descontos, o varejo tem investido em experiências personalizadas, kits temáticos e ações voltadas à jornada completa do consumidor. “Não se trata apenas de vender mais barato, mas de criar uma experiência marcante. Embalagens especiais, atendimento diferenciado e ações digitais bem planejadas podem influenciar a decisão de compra”, finaliza Naves.

Confiança industrial segue abaixo dos 50 pontos em maio

Após três meses consecutivos de queda, a confiança da indústria brasileira apresentou reação em maio, mas ainda está sem força suficiente para afastar o pessimismo do setor. Dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) subiu de 45,2 para 47,2 pontos no mês. Apesar da melhora, o indicador permanece abaixo da linha de 50 pontos há 17 meses consecutivos, sinalizando que os empresários seguem desconfiados em relação ao cenário econômico. O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, afirma que o avanço deve ser interpretado com cuidado. “Foi um momento relevante. Dois pontos em um mês é algo bastante considerável. Mas ainda precisa ser visto com cautela porque o índice continua abaixo de 50 pontos e segue mostrando falta de confiança, apesar da melhora”. Esse resultado positivo interrompe o movimento de deterioração, mas ainda não representa uma transformação consolidada de tendência, segundo avalia Azevedo. “Embora significativa, a alta está longe de reverter as quedas que foram se acumulando nesse período. Não dá para garantir uma mudança no desempenho ou nas decisões que serão tomadas pelos empresários nos próximos seis meses”. Na avaliação do economista Gabriel Vaz, o longo período de pessimismo revela dificuldades estruturais da economia brasileira. “Uma sequência de 17 meses consecutivos abaixo de 50 pontos indica que o problema não é meramente conjuntural e passou a refletir as amarras estruturais da nossa economia”. “Quando o pessimismo se prolonga por quase um ano e meio, evidencia gargalos históricos, como ineficiências logísticas, complexidade tributária e insegurança jurídica”, acrescenta. O economista destaca que a persistência da baixa confiança afeta diretamente os investimentos e a atividade industrial. “Acima de 15 meses já há efeito cumulativo, com produção industrial crescendo abaixo do potencial, adiamento de contratações e, em muitos casos, fechamento de linhas de produção menos eficientes”. Juros e incertezas Entre os fatores que ajudam a explicar o cenário estão os juros elevados, o crédito mais caro e as incertezas no mercado internacional. Azevedo lembra que o movimento de queda da confiança começou junto ao ciclo de alta da taxa básica de juros. “A Selic elevada está produzindo efeitos na economia, isso é bastante evidente. A indústria é muito sensível a esse cenário e isso deve continuar acontecendo, dado o ritmo previsto para a redução da taxa de juros”. “As guerras, as incertezas do mercado externo e o endividamento das famílias pesam nas expectativas e não permitem pensar, neste momento, em uma trajetória muito forte de melhora da confiança”, complementa. Apesar do resultado positivo em maio, Azevedo ressalta que a cautela ainda deve prevalecer nos próximos meses. “A ideia do ICEI é justamente medir o pulso do empresário para entender o ânimo em aumentar produção, contratação e investimento. Quando se fica um ou dois meses abaixo de 50 pontos, pode haver um adiamento de decisões. Mas 17 meses já representam outro patamar e isso começa a impactar diretamente nas decisões que exigem mais planejamento”. Busca por adaptação Outro dado apontado na pesquisa foi a diferença entre a percepção sobre as próprias empresas e sobre a economia brasileira. Enquanto o índice de expectativas para os negócios das empresas ficou em 53,5 pontos, indicando otimismo, o indicador ligado à economia brasileira permaneceu em 40,9 pontos. Para Vaz, isso mostra que as empresas têm buscado alternativas para enfrentar o cenário adverso. “Muitas empresas passaram a buscar ganhos de eficiência, diversificação de mercados, digitalização e estratégias de redução de custos para sobreviver em um ambiente menos favorável”. Ele também defende medidas para recuperar a confiança do setor produtivo. “É preciso atuar em duas frentes: previsibilidade e custo de capital. Dar sinais claros de responsabilidade fiscal e avançar na implementação da reforma tributária são passos importantes para criar um ambiente mais favorável ao investimento”, conclui.