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Saída para Romeu Zema não ficar isolado seria filiar-se a outro partido

Governador mineiro pode ser obrigado a abandonar o Partido Novo/ Crédito: Gil Leonardi / Imprensa MG

Nenhuma liderança política ou empresarial, ouvida por nossa reportagem, quis se manifestar com relação ao futuro político do governador Romeu Zema (Novo) no que diz respeito ao cenário nacional.

Contudo, todos são unânimes: a partir da instalação da nova administração em Brasília, a situação de Minas Gerais, em relação às dívidas com o governo federal, deverá ficar ainda mais complicada.

Eles observam que, para poder concretizar um acordo junto ao Poder Central com o objetivo de prorrogar os valores, medidas fortes no estado teriam de acontecer, inclusive com a venda da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). E, como se sabe, esse processo de privatização, para a sua aprovação no âmbito na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), não foi e não será fácil devido aos embates políticos contra a proposta.

Liderança política?

Quando ainda era discutido o segundo turno presidencial e, diante da campanha de Zema em defesa da reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL), o governador reeleito conquistou 25 dias de estrelato em todo o Brasil. Isso em função de suas entrevistas e citações no noticiário nacional, tanto nas redes sociais, mas, principalmente, por conta de espaço concedido pela mídia com destaque nas TVs de todo o país.

Entretanto, foi justamente neste período, considerado de glória, que surgiram comentários de alguns apoiadores do chefe do Executivo estadual indicando que se o Bolsonaro fosse reeleito, Zema teria as portas abertas no Planalto, mas, caso contrário, ele se transformaria, imediatamente, em um defensor da direita contra o PT e o grupo de esquerdistas. Até porque, o governador já vinha batendo de frente com os petistas desde o primeiro turno.

Contudo, a denominada turma do Zema não contava com a megaeleição do Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo. Relativamente ao governador paulistano, o advogado especializado em direito eleitoral, Mauro Bomfim, aposta: “Se Tarcísio tivesse sido o candidato no lugar de Bolsonaro, poderia ter vencido o pleito no primeiro turno contra o Lula (PT). Ele é bom de voto e deverá crescer politicamente, sobretudo defendendo a direita e o bolsonarismo”.

Novo partido?

Para além dessa narrativa, têm políticos experientes garantindo que o único caminho para Zema evitar que o estado venha à bancarrota seria a sua filiação a outra sigla. O Partido Novo, ao qual ele é filiado, fez uma bancada federal pífia. Não há nenhum parlamentar eleito por eles em Minas Gerais. Portanto, no âmbito do Congresso, não haverá interesse algum de negociação. No caso, pode haver fusão partidária. E, como há possibilidade da presença do União Brasil em algum ministério do futuro governo, talvez fosse a chance de uma alternativa para o governador mineiro se engajar nesse movimento e ficar mais próximo do Palácio do Planalto.

Os especialistas da cena política acreditam ainda que, como se trata de um empresário abastado, Zema poderia deixar de ser apenas um nome regional para se inserir no quadro nacional. No entanto, eles ressaltam que, na estrutura atual, ele seguirá como governador reeleito que, para muitos dos entrevistados, está de bom tamanho, uma vez que passados 4 anos, Zema não demonstra ter qualquer tipo de projeto neste sentido.