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Quatro em cada dez brasileiros estão com o nome negativado

Foto: Freepik.com

A quantidade de inadimplentes cresceu e atingiu a marca de 66,08 milhões de brasileiros em abril de 2023, um novo recorde da série histórica do levantamento. O indicador realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) aponta que quatro em cada dez adultos (40,60%) estavam negativados em abril deste ano. Em relação ao mesmo período de 2022, houve um aumento de 8,08%.

Os devedores com participação mais expressiva no Brasil em abril estão na faixa etária de 30 a 39 anos (23,76%), alcançando 16,35 milhões de pessoas nesta faixa. O montante equivale a 47,91% do total deste grupo etário. A inadimplência segue bem distribuída entre os sexos, sendo 51,05% mulheres e 48,95% homens.

Em média, o consumidor que está com o nome negativado, somando todas as dívidas, deve em média, R$ 4.002,06. Os setores que concentram a maior parte das dívidas é o de bancos, representando 63,76%. Na sequência, aparece comércio (11,56%), água e luz (11,07%) e comunicação (6,94%).

Na última pesquisa, as dívidas com o setor de bancos registraram crescimento de 30,33%, seguido de água e luz (16,04%). Em outra direção, as dívidas com o setor credor de comunicação (14,38%) e comércio (2,29%) apresentaram queda no total de pendências em atraso.

Para o presidente da CNDL, José César da Costa, uma série de fatores contribuíram para esse aumento nos devedores. “O país ainda enfrenta as consequências da crise internacional, além de anos de juros altos e renda baixa. Por isso, torna-se emergencial que o governo tome medidas que tragam um alívio para as contas públicas e, consequentemente, para o dia a dia da população. O arcabouço fiscal pretende ir nessa direção de manter as contas do governo em ordem”, destaca.

Impactos

Estar devendo pode afetar a saúde física e mental das pessoas. Segundo outra pesquisa da CNDL e SPC Brasil, realizada com brasileiros com contas em atraso há pelo menos três meses, 97% dos entrevistados afirmaram ter sofrido com algum tipo de sentimento negativo ao descobrir que estavam endividados. O mais citado foi a ansiedade, com 78%. Na sequência, vem a angústia (75%), estresse ou irritação (71%), vergonha (71%) e tristeza e desânimo (69%).

O estudo aponta ainda que 90% dos inadimplentes relataram ter sofrido o impacto das dívidas no padrão de vida, sendo que 44% dizem que a vida foi totalmente afetada. Apenas 7% afirmam que o padrão de vida não foi impactado.

As dívidas em atraso também podem causar problemas na área profissional e social dos inadimplentes. Quatro em cada dez entrevistados (43%) têm produzido menos e 37% têm sido menos pacientes com os colegas. Já no ambiente familiar, 53% afirmam ter ficado mais irritados e intolerantes com as pessoas próximas e 44% têm sido mais descuidados com o bem-estar da família.

Questionados sobre os maiores temores com relação às dívidas pendentes, 35% temem não conseguir pagá-las e 18% serem considerados desonestos pelas pessoas. 73% dizem ter um nível de preocupação alto ou muito alto frente a essas dívidas.

A especialista em finanças da CNDL, Merula Borges, explica que cada pessoa tem uma reação diferente com as dívidas. “Nem todos os consumidores conseguem lidar com a inadimplência de forma racional. Muitas vezes, a pessoa fica tão frustrada ao descobrir que está endividada que evita lidar com a situação, descontando em vícios ou até em compras excessivas. Esse tipo de atitude pode aumentar ainda mais as dívidas, gerando uma espécie de círculo vicioso e deixando o inadimplente em um cenário pior do que estava antes”.