Trabalho entre pessoas com mais de 60 anos cresce em ritmo acelerado no país

De acordo com levantamento realizado pela empresa de pesquisa e inteligência de dados Nexus, a participação de pessoas com 60 anos ou mais no mercado de trabalho brasileiro tem aumentado em ritmo superior ao observado em outros segmentos da população. Apesar desse avanço, grande parte das oportunidades oferecidas a esse público está concentrada em ocupações informais, sem registro em carteira e com menor proteção trabalhista. Nos últimos dez anos, o contingente de trabalhadores com 60 anos ou mais cresceu 53%. Já a população dessa faixa etária no Brasil aumentou 37% no mesmo período. Esses dados indicam que a inserção dos idosos no mercado de trabalho vem ocorrendo de forma mais acelerada do que o próprio processo de envelhecimento da população brasileira. Entre 2016 e 2025, a população idosa brasileira registrou crescimento significativo, passando de 25,8 milhões para 35,2 milhões de pessoas. Com isso, a participação desse grupo na composição demográfica do país aumentou de 13% para 17%. Ao longo do mesmo período, o número de trabalhadores com 60 anos ou mais também apresentou expansão expressiva, saindo de 5,7 milhões e alcançando 8,8 milhões de pessoas. Em 2025, cerca de 25% dos idosos estavam inseridos no mercado de trabalho, proporção superior à observada em 2016, quando o índice era de 22%. Trata-se da maior taxa de ocupação dessa faixa etária registrada na última década. Considerando a população brasileira como um todo, o crescimento demográfico foi mais modesto, de aproximadamente 5%, com a quantidade total de habitantes passando de 203,2 milhões para 212,6 milhões. Já o número de pessoas ocupadas aumentou 14,6% no período, atingindo quase 103 milhões de trabalhadores ao final de 2025. Transformações Para a consultora de Recursos Humanos, Karine Soares, o aumento da participação dos idosos no mercado de trabalho reflete transformações econômicas e demográficas que vêm ocorrendo no Brasil. “Estamos diante de uma população que vive mais, possui melhores condições de saúde e deseja permanecer ativa por mais tempo. Além disso, muitos idosos acumulam experiência profissional valiosa, o que pode representar uma vantagem competitiva para empresas e instituições”. Ela ressalta que a permanência dos idosos no mercado gera benefícios, como a ampliação da força de trabalho disponível, o aumento da circulação de renda e o aproveitamento de conhecimentos adquiridos ao longo de décadas de atuação profissional. “A experiência desses trabalhadores contribui para a formação de equipes mais diversas e para a transferência de conhecimento entre gerações”. Além do financeiro Do ponto de vista individual, a continuidade da atividade profissional também pode trazer impactos positivos. Além do complemento da renda, o trabalho favorece a socialização, a manutenção da autonomia e o sentimento de pertencimento social. O sociólogo André Nascimento destaca que muitos idosos não permanecem no mercado apenas por necessidade financeira. “Existe uma parcela significativa que busca continuar trabalhando para manter uma rotina ativa, desenvolver relações sociais e sentir-se produtiva. O trabalho pode contribuir para a saúde mental”. Informalidade No entanto, os especialistas alertam que o crescimento da participação dos idosos no mercado não deve ser analisado apenas sob uma perspectiva positiva. O estudo da Nexus apontou que a informalidade faz parte da realidade de 53% dos trabalhadores com 60 anos ou mais, percentual superior ao registrado em outros grupos da população. Entre os brasileiros, em geral, a taxa é de 38%, enquanto entre os jovens de 18 a 24 anos chega a 41%. De acordo com Nascimento, muitos trabalhadores mais velhos enfrentam dificuldades para conseguir vagas formais e acabam recorrendo a atividades autônomas ou informais. “Quando a permanência no trabalho ocorre por falta de condições financeiras para a aposentadoria ou quando acontece em ocupações precárias, o fenômeno deixa de ser um sinal de envelhecimento ativo e passa a refletir vulnerabilidades econômicas”. Para Karine, o desafio dos próximos anos será criar condições para que a participação dos idosos no mercado de trabalho seja acompanhada de mais formalização e inclusão. “O aumento da longevidade exige novas políticas públicas e estratégias empresariais. O objetivo deve ser garantir oportunidades compatíveis com as capacidades e necessidades dessa população, sem abrir mão da proteção trabalhista”.

Minas Gerais registra a menor taxa de desemprego da série histórica

Minas Gerais registrou a menor taxa de desemprego da série histórica iniciada em 2012, ao mesmo tempo em que ultrapassou a marca de 5 milhões de vínculos formais de trabalho, em março. De acordo com o Ministério do Trabalho, no acumulado dos últimos 12 meses, o Estado gerou saldo positivo de, aproximadamente, 72 mil postos formais, com admissões acumuladas de 2,797 milhões de trabalhadores e 2,724 milhões de desligamentos. Entre janeiro e março de 2026, o saldo já somava 70,6 mil postos. Já a taxa de desocupação registrou 3,8%, no quarto trimestre de 2025, segundo o Observatório do Trabalho. O índice representa uma queda de dez pontos percentuais em relação ao pico registrado no mesmo trimestre de 2017. O estudo do Observatório do Trabalho mostra que o comércio permanece como o maior segmento empregador. Desempenhos mais positivos também foram registrados em subsetores de serviços, como transporte e armazenagem; alojamento e alimentação; informação e comunicação, atividades financeiras e imobiliárias e administração pública. O professor de economia do Centro Universitário Arnaldo de Belo Horizonte, Alexandre Miserani, aponta que um dos principais fatores para a redução do desemprego é o crescimento estrutural da economia brasileira. “Que reflete na geração de renda, no incremento da produção e do consumo e na expansão de pequenos negócios”. Em relação a Minas Gerais, o professor destaca o fortalecimento da abertura de novas empresas, com a diminuição da burocracia e o incentivo às startups. “Não podemos menosprezar a estabilidade econômica mineira, que tem melhorado nesse aspecto da produção, geração de renda e consumo das famílias. Há todo um arranjo produtivo local que favoreceu esse crescimento”. Apesar dos resultados positivos, o professor avalia que Minas Gerais ainda enfrenta desafios relacionados aos investimentos em infraestrutura. Segundo Miserani, a situação “prejudica muito, não só o escoamento, mas toda a estratégia comercial de muitas empresas”. Índice nacional A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,8% no trimestre encerrado em abril de 2026, o que representou alta de 0,4 ponto percentual na comparação com o período entre novembro de 2025 e janeiro de 2026. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. De acordo com o estudo, se comparada ao trimestre de novembro de 2025 e janeiro de 2026, a população desocupada, que é de 6,3 milhões no período encerrado em abril deste ano, avançou 8%. Naquele momento eram 5,9 milhões. No entanto, em relação a igual trimestre do ano anterior (7,1 milhões) indicou recuo de 11,3% (menos 809 mil pessoas). Os dados mostraram também que a população ocupada (102,3 milhões) caiu 0,3% em relação ao trimestre anterior. São menos 338 mil pessoas, mas subiu 1,1% ou mais 1,07 milhão de pessoas frente ao mesmo trimestre do ano anterior. Segundo a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, o aumento da desocupação nesse trimestre móvel é resultado essencialmente do comportamento sazonal de algumas atividades. “Embora registrando perda de ocupação na comparação trimestral, o mercado de trabalho segue com elevado nível de ocupação, quando comparado com anos anteriores”. Miserani afirma que o atual nível de desemprego do Brasil é caracterizado como pleno emprego. “O mercado de trabalho vive um dos seus melhores momentos da última década. Isso ocorre porque a economia apresenta crescimento, inflação controlada e aumento da atividade produtiva”. “Tudo isso contribui para a redução da desocupação e para o aumento da geração de emprego e renda. O que favorece a alta do consumo e o melhor posicionamento das empresas no cenário nacional e internacional”, completa. O economista acredita ainda que os números do desemprego vão continuar caindo até o fim de 2026. “Tanto em nível nacional quanto estadual, considerando o ano eleitoral. Contudo, os índices geoeconômicos mundiais têm mostrado um cenário pessimista. Problemas estruturais na economia, diminuição de importações de parte de países tradicionais e a questão do petróleo, podem prejudicar a empregabilidade”.

96% das pequenas empresas aceitam Pix como modalidade de pagamento

De acordo com o estudo Hábitos Financeiros dos Pequenos Negócios, desenvolvido pelo Sebrae em parceria com o Ipespe, o Pix já está amplamente presente nas operações dos pequenos empreendimentos. A pesquisa aponta que 96% dessas empresas disponibilizam essa modalidade como forma de pagamento para seus clientes. Além disso, cerca de 60% dos proprietários utilizam o Pix como principal canal para receber valores de vendas, enquanto 53% também recorrem a essa ferramenta para realizar pagamentos a fornecedores e parceiros comerciais. Entre os microempreendedores individuais (MEIs), a adesão a esse meio de pagamento é ainda mais elevada. Cerca de 97% deles utilizam o Pix em suas atividades comerciais. Além disso, para aproximadamente 28% desses empreendedores, essa forma de recebimento representa mais de 75% do total do faturamento obtido. O Pix ganhou destaque na última semana após ser citado em um relatório do United States Trade Representative (USTR) sobre barreiras comerciais no Brasil, o que poderia resultar na imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. No documento, o órgão norte-americano classifica a modalidade como “injusta”, alegando que o Banco do Brasil poderia apresentar conflito de interesses por atuar simultaneamente como regulador e operador do sistema de pagamentos instantâneos. Do ponto de vista econômico, especialistas apontam que o Pix contribuiu para a redução da informalidade, aumento da eficiência nas transações e diminuição da dependência de intermediários financeiros. Para a consultora de pequenos negócios, Mariana Tavares, os impactos vão além da praticidade cotidiana. “O Pix não é apenas uma inovação tecnológica, ele reorganizou a circulação de dinheiro no país. Pequenos negócios passaram a ter acesso imediato ao valor das vendas, o que melhora o fluxo de caixa, reduz a necessidade de crédito e fortalece a sobrevivência das empresas”. Ela também destaca efeitos indiretos no mercado de trabalho. “Quando uma microempresa ganha eficiência financeira, tende a reinvestir mais rapidamente, contratar com maior segurança e expandir suas operações. Isso cria um ciclo positivo que se reflete na geração de vagas de emprego”. Na mesma linha, o economista Rafael Campos avalia que críticas externas ao sistema brasileiro precisam ser analisadas com cautela. “O Pix é um modelo de infraestrutura pública de pagamentos que ampliou a inclusão bancária e reduziu custos de transação em larga escala. Questionar sua estrutura sem considerar seus resultados sociais e econômicos é ignorar o impacto positivo que ele teve, especialmente para a população de baixa renda e para os pequenos empreendedores”. O sistema também fortaleceu a competitividade interna, ressalta Campos. “Antes do Pix, as transferências dependiam de taxas e horários bancários. Hoje, o dinheiro circula em tempo real, isso aumentou a eficiência do comércio e ajudou a dinamizar setores inteiros da economia”. Em relação às críticas presentes no relatório do USTR, os especialistas ouvidos defendem que o debate deve ser tratado no campo técnico e regulatório, sem comprometer a autonomia do modelo brasileiro. Eles salientam que o Pix representa uma experiência bem-sucedida de inovação pública que pode, inclusive, servir de referência internacional. Segundo Campos, o debate também revela uma disputa mais ampla sobre soberania tecnológica e modelos de infraestrutura financeira. “Quando um país desenvolve uma solução pública que reduz custos, amplia a inclusão e aumenta a eficiência do sistema de pagamentos, isso naturalmente altera equilíbrios de mercado. O Pix incomoda alguns atores internacionais porque ele demonstra que é possível ter um sistema eficiente sem depender exclusivamente de intermediários privados tradicionais”. Ainda assim, o tema deve permanecer em discussão no cenário diplomático e econômico, especialmente diante de possíveis impactos comerciais. Enquanto isso, no cotidiano dos brasileiros, o Pix segue consolidado como peça central das transações financeiras, tanto para consumidores quanto para empresas de todos os portes, reforçando seu papel na modernização do sistema financeiro nacional.

Turistas gastaram R$ 20,2 bilhões no Brasil entre janeiro e abril deste ano

Os turistas estrangeiros gastaram R$ 20,2 bilhões no Brasil entre janeiro e abril de 2026, alta de 9,2% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com os dados do Banco Central. O país registrou o segundo melhor quadrimestre da história na entrada de visitantes internacionais. O total de chegadas nos quatro primeiros meses deste ano foi de 4.333.423 turistas. Apenas no mês de abril, os estrangeiros injetaram R$ 4,19 bilhões na economia brasileira, um crescimento de 1,2% na comparação com 2025, quando os valores alcançaram R$ 4,14 bilhões. Esse resultado positivo das receitas acompanha também o desempenho histórico em importantes mercados emissores para o Brasil nesse quadrimestre. Entre os mercados que mais avançaram estão a Colômbia (+37,2%); China (+33,6%); México (+33,4%) e Portugal (+30,9%). O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, destaca que o setor vive um momento especial, com estatísticas positivas em todos os segmentos. “Nossa atuação na busca por turistas de outros países tem sido intensa. Mais do que movimentar aeroportos, hotéis e restaurantes, o turismo brasileiro transforma a realidade de milhares de pessoas”. Para o presidente da Embratur, Bruno Reis, o resultado demonstra a eficácia do Plano Brasis – Plano Internacional de Marketing Turístico 2025-2027. “Esses dados mostram que a estratégia de promoção internacional gera resultados financeiros práticos para o país. Esse crescimento na receita cambial reflete as diretrizes do Plano Brasis. Nós trabalhamos para conectar as identidades regionais a uma marca nacional forte, o que atrai o visitante estrangeiro e amplia o tempo de permanência dele no Brasil”. A economista e professora dos Cursos de Gestão e Negócios da Una, Vaníria Ferrari, ressalta que esse avanço pode ser explicado por um conjunto de fatores. “Um dos pontos mais importantes e, talvez, o que gerou maior impacto é a desvalorização do real, que torna mais atrativo e mais barato o turismo brasileiro, ou seja, aumenta o poder de compra de estrangeiros no país. Outros motivos que podem ter contribuído foram o crescimento de rotas internacionais e também a expansão do ecoturismo”. Ela explica que essa expansão permite prever um ano positivo para o setor. “Podemos projetar uma manutenção do crescimento de turistas estrangeiros no Brasil, principalmente porque não temos perspectiva de valorização cambial, ou seja, a maior probabilidade é que o real se mantenha desvalorizado, permanecendo o poder de compra do visitante no país”. “A estabilização de economias latino-americanas, como Argentina e Paraguai, pode também contribuir para esse aumento, tendo em vista a valorização da moeda desses países em relação ao real. No entanto, esse ritmo dependerá da estabilidade econômica internacional e da capacidade do Brasil de sustentar a oferta de serviços turísticos competitivos”, complementa. Ainda não é possível afirmar que esse crescimento é sustentável, acrescenta Vaníria. “Uma vez que está muito impactado pela desvalorização da moeda nacional, mas fatores externos como desaceleração econômica global, oscilações cambiais, conflitos geopolíticos, inflação e principalmente, aumento de custos do transporte aéreo, devido ao preço do petróleo, podem prejudicar esse avanço”. Risco de desaceleração Vaníria pontua que existe um risco de desaceleração ao longo do ano. “O ritmo de crescimento depende tanto do cenário econômico global, como da economia interna do Brasil, que pode favorecer ou limitar investimentos nos setores envolvidos. Uma taxa de juros alta tende a encarecer custos de captação, o que pode frear investimentos, por exemplo”. Segundo a especialista, para que o turismo internacional seja um ponto de referência, o país precisa passar por muitas mudanças e avanços estruturais. “Aumentar a conectividade internacional, com mais rotas internacionais, o que no momento se torna inviável em função do alto custo das companhias aéreas; investir em infraestrutura turística e mobilidade urbana; melhorar a segurança pública em alguns destinos específicos; qualificar a mão de obra atuante no segmento; e criar incentivos fiscais para investimentos no setor”, finaliza.

Brasileiros não devem investir em eletrônicos para a Copa do Mundo 2026

A maioria dos brasileiros não deve investir na troca de eletrônicos para assistir à Copa do Mundo. Um levantamento da Equifax BoaVista, em parceria com a Acordo Certo, aponta que 62,3% dos participantes não têm intenção de adquirir novos aparelhos para acompanhar os jogos de 2026, indicando uma postura mais cautelosa em função do elevado comprometimento da renda das famílias. De acordo com o levantamento, o nível médio de comprometimento da renda chegou a 86,1% no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 5 pontos percentuais em comparação ao mesmo período de 2025. Esse contexto tem feito com que os consumidores adotem uma postura mais cautelosa, reduzindo gastos mesmo em períodos ligados ao crescimento do consumo. A postura de cautela também aparece na maneira como o público deve acompanhar os jogos. Segundo o levantamento, 91,6% dos brasileiros devem assistir às partidas em casa. Já 5,3% afirmam que pretendem ver os jogos em bares, enquanto 3,1% devem optar por eventos como as fan fests. Os gastos associados à Copa também afetaram a situação financeira de parte dos brasileiros. De acordo com a pesquisa, 30,8% relataram ter acumulado dívidas após despesas com produtos e eventos relacionados ao torneio. Já 7,6% esperam ter dificuldades para manter as contas em dia. Entre aqueles que já tiveram algum tipo de gasto ligado à competição, 61,1% afirmaram não ter enfrentado problemas financeiros. Para especialistas, o conjunto desses dados revela não apenas um momento de maior prudência, mas também um reflexo do encarecimento do custo de vida e da redução da margem de renda disponível para consumo discricionário. A economista Laura Mendes explica que o endividamento elevado tem sido um dos principais fatores para a mudança de hábitos. “Quando a maior parte da renda já está comprometida com despesas fixas e dívidas anteriores, qualquer evento adicional de consumo passa a ser reavaliado com muito mais rigor. A Copa, que antes era vista como uma oportunidade de compra de novos produtos, agora entra na categoria de gasto secundário para muitas famílias”. Ela também frisa que o comportamento mais doméstico no consumo do entretenimento é uma tendência que deve se manter. “Assistir aos jogos em casa se tornou não apenas uma escolha de conforto, mas uma estratégia de economia. Isso reduz gastos com alimentação fora, deslocamento e até compras impulsivas que costumam ocorrer em ambientes de socialização”. Já o consultor financeiro Ricardo Faria, reforça que o momento exige organização e disciplina orçamentária. Na avaliação dele, o principal desafio dos consumidores é evitar que eventos sazonais, como a Copa do Mundo, desestabilizem o planejamento financeiro já comprometido. “É comum que datas especiais gerem uma sensação de urgência de consumo, mas é justamente nesses períodos que o planejamento faz mais diferença. O ideal é definir um limite de gastos para o evento e evitar compras por impulso, especialmente de eletrônicos e itens de maior valor”. O cenário apontado pela pesquisa reforça que, embora a Copa do Mundo continue sendo um evento de grande apelo popular, o consumo dos brasileiros está cada vez mais guiado pela necessidade de controle financeiro. Entre cautela, endividamento e adaptação de hábitos, o que se observa é um consumidor mais atento ao próprio orçamento e menos disposto a comprometer sua renda com despesas extras, mesmo em ocasiões de mobilização nacional.

Urnas eletrônicas seguem como principal alvo de fake news no país

As urnas eletrônicas, que completam 30 anos de utilização em 2026, continuam sendo o principal alvo da desinformação sobre o processo eleitoral no país. Um levantamento do Projeto Confia aponta que mais de 45% dos conteúdos falsos analisados nas eleições de 2022 e 2024 atacavam diretamente o sistema eletrônico de votação. O estudo avaliou mais de 3 mil conteúdos publicados em plataformas digitais durante os dois últimos ciclos eleitorais. Desses, cerca de 720 foram selecionados para uma análise qualitativa aprofundada. Segundo a coordenadora do projeto, Helena Salvador, as fake news recorrem a falsas explicações técnicas para alimentar dúvidas sobre a integridade das urnas. “Esses conteúdos desinformativos se utilizam de uma falsa racionalidade técnica. São explicações com um fundo técnico, mas falsas, usando um linguajar técnico e uma formalidade mentirosa, principalmente para associar fraude às urnas eletrônicas”, afirma. Entre os conteúdos mais recorrentes identificados pelo levantamento estão mensagens que alegam supostas falhas nos botões da urna, principalmente no “confirma”, além de boatos de que o equipamento completaria automaticamente os números digitados pelos eleitores. Conforme Helena, o desconhecimento da população sobre o funcionamento da tecnologia favorece a disseminação dessas narrativas. “Quando você tem acesso a uma tecnologia apenas a cada dois anos, durante poucos segundos no domingo de votação, fica mais suscetível a acreditar e ter dúvidas sobre o funcionamento. Existe uma falta de familiaridade das pessoas com as urnas eletrônicas”. Ela destaca que a desinformação não ficou restrita apenas às eleições presidenciais de 2022. “Mesmo no pleito municipal, em 2024, a desinformação sobre as urnas apareceu com força. Houve um chamado para que as pessoas compartilhassem esses conteúdos e se manifestassem contra o sistema eletrônico de votação”. Na avaliação da coordenadora, uma das maneiras de enfrentar a desinformação é tornar o funcionamento das urnas mais próximo do cotidiano da população, pois o acesso limitado ao sistema contribui para o surgimento de dúvidas e a circulação de conteúdos falsos. “Existem ferramentas on-line para as pessoas treinarem o voto, mas poucas conhecem. Precisamos pensar em alternativas criativas para que a urna faça mais parte do dia a dia da população. Quanto maior o acesso e a presença dessa tecnologia, maior tende a ser a confiança”. Queda na confiança O estudo ocorre em meio à redução da confiança da população nas urnas eletrônicas. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em fevereiro mostrou que 53% dos brasileiros afirmam confiar no sistema de votação. Em 2022, levantamento do Datafolha divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontava índice de 82%. De acordo com Helena, adultos entre 35 e 50 anos aparecem entre os grupos com maior desconfiança em relação às urnas. “As pessoas dessa faixa etária afirmaram, em 43% dos casos, não acreditar nas urnas eletrônicas. Já a terceira idade apresentou a maior taxa de confiança, muito ligada à memória das eleições em papel, que eram bastante confusas e pouco transparentes”. Outro ponto destacado pela pesquisadora é o que ela chama de “dupla narrativa” presente nos conteúdos falsos. Ao mesmo tempo em que as urnas são apresentadas como uma tecnologia “obscura” e difícil de compreender, também são tratadas como frágeis e vulneráveis a manipulações. “Essa dualidade nasce justamente do desconhecimento sobre como acontece o processo eleitoral”. O Projeto Confia é uma iniciativa do Pacto pela Democracia em parceria com o Aláfia Lab e o Instituto Democracia em Xeque, organizações especializadas em integridade da informação e combate à desinformação. Para as eleições de 2026, o grupo prepara campanhas de conscientização e um guia de contranarrativas para enfrentar a circulação de conteúdos falsos sobre o sistema eleitoral. “A gente não pode chegar à quase metade da população desacreditando no sistema eletrônico de votação no Brasil e, consequentemente, no resultado das eleições. Seria uma grande perda para a nossa democracia. É isso que queremos evitar”, finaliza Helena.

MG movimenta R$ 55,4 bilhões em vendas on-line e ganha destaque

Minas Gerais alcançou a marca de R$ 55,4 bilhões no e-commerce em 2024, consolidando-se como o segundo maior Estado emissor de vendas on-line do país. Segundo estatísticas das transações de comércio eletrônico com base na Nota Fiscal Eletrônica, foram R$ 28,7 bilhões em vendas para outros estados e R$ 26,7 bilhões em compras. Esse ramo girou R$ 225,06 bilhões, com expansão acumulada de mais de 550% desde 2016, no Brasil. Eletrônicos, máquinas e vestuário concentram grande parte do valor movimentado nacionalmente. E em Minas, há destaque para calçados, equipamentos e produtos industriais. Para o especialista em vendas on-line e sócio fundador da Pronix, Hugo Vasconcelos, o protagonismo de Minas no e-commerce não vem de um fator isolado. “O Estado tem uma combinação forte de localização geográfica, malha logística, base empresarial diversificada e consumo interno relevante”. O setor movimenta transporte, centros de distribuição, tecnologia, meios de pagamento, atendimento, marketing digital e pequenos negócios, afirma Vasconcelos. “O segmento gera impacto direto na economia. Quando uma empresa mineira vende para outro Estado, ela traz receita e fortalece a cadeia local”. Desafios O professor de Gestão e Marketing do Centro Universitário Arnaldo – BH, Rogério Tobias, pontua que os principais desafios ainda envolvem logística, qualificação profissional e planejamento estratégico para a utilização de ferramentas digitais. “Muitas empresas entraram rapidamente no ambiente on-line, mas ainda precisam amadurecer processos relacionados a estoque, atendimento, experiência do consumidor, e a integração entre canais físicos e digitais”. Contudo, Vasconcelos ressalta que a tendência é o setor continuar crescendo, mas de forma seletiva. “O número de empresas virtuais deve aumentar, no entanto, quem vai ganhar espaço são as operações mais profissionais. Não basta estar na internet, vai crescer quem souber vender com margem, controlar custo e criar uma experiência confiável”. Comportamento do consumidor Os dados apontam que 76,6% das empresas mineiras possuem presença digital e 59,5% realizam vendas on-line. Tobias explica que esse fato não mostra uma digitalização consolidada. “Já acontece uma transformação bastante considerável, mas existe uma diferença entre presença e maturidade digital”. “Muitos empreendimentos já estão na internet, porém, ainda utilizam esses canais de forma que pode ser considerada básica. O consumidor espera encontrar empresas no ambiente digital, independentemente do porte do negócio”, complementa. O tapeceiro Washington Guimarães, de 41 anos, faz compras no comércio eletrônico toda semana. “Comecei a adquirir pela internet quando percebi que os preços pelo site são mais atrativos do que os das lojas físicas. Apesar disso, meu hábito de compra não mudou definitivamente, ainda consumo algumas coisas em estabelecimentos físicos”. “No comércio virtual costumo comprar materiais de pesca, roupas, sapatos, tênis e eletroeletrônicos. A comodidade, o preço e a variedade são os pontos que mais me chamam a atenção nessa modalidade”, finaliza. Tobias aponta que existe uma mudança comportamental muito clara acontecendo. “O consumidor passou a valorizar intensamente a praticidade, rapidez e ausência de desgaste. As pessoas querem experiências fluidas e integradas ao cotidiano. Nos próximos anos, veremos um relacionamento ainda mais imersivo, com sistemas capazes de antecipar necessidades e personalizar experiências em tempo real”.

Gastos mensais com bets já ultrapassam a marca de R$ 30 bilhões

Um levantamento recente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) indica que o crescimento das apostas on-line (conhecidas como bets) no Brasil deixou de ser apenas uma forma de lazer e passou a representar um desafio macroeconômico. Após a regulamentação em 2023, os gastos mensais nessas plataformas já ultrapassam a marca de R$ 30 bilhões. Segundo o estudo, uma parcela desse valor tem origem em recursos que antes eram destinados a despesas básicas, configurando um “efeito substituição” que compromete o consumo efetivo. Conforme a CNC, de janeiro de 2023 a março de 2026, a inadimplência do consumidor causada pelas bets retirou R$ 143 bilhões do comércio varejista. De forma inédita, a avaliação técnica aponta um vínculo causal entre a utilização de plataformas de apostas e o número de famílias que afirmam não conseguir quitar suas dívidas. De acordo com os dados analisados, o uso intensivo dessas apostas digitais tem sobrecarregado o orçamento doméstico, contribuindo para que cerca de 268 mil famílias no Brasil entrem em situação de inadimplência grave, além de prolongar o período médio de endividamento. Conforme a economista Laura Mendes, os números revelam um cenário preocupante para a economia nacional. “Quando uma parte crescente da renda das famílias deixa de ser destinada ao consumo de bens e serviços e passa a alimentar um circuito de apostas, há uma retração indireta na atividade econômica. O comércio sente isso rapidamente, principalmente em setores mais dependentes do consumo cotidiano. O impacto não se limita à queda nas vendas, há também efeitos sobre a geração de empregos e também a arrecadação tributária”. A pesquisa mostra que o perfil mais suscetível ao endividamento ligado aos jogos inclui homens, indivíduos com 35 anos ou mais e famílias de menor renda. Ainda assim, o estudo chama atenção para pessoas com maior nível de escolaridade: a facilidade de acesso às plataformas digitais, aliada à forte presença de publicidade, também tem elevado significativamente o grau de exposição ao risco nesse grupo. O consultor financeiro Ricardo Faria destaca que o problema vai além da questão financeira. “O vício em apostas tem um efeito em cascata. Ele compromete o orçamento familiar, gera conflitos dentro de casa, aumenta o estresse e pode desencadear problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão. O endividamento prolongado das famíllias brasileiras tende a agravar ainda mais esse quadro terrível, criando um ciclo difícil de romper e muitas pessoas recorrem a novas apostas na tentativa de recuperar perdas, o que acaba aprofundando ainda mais a situação”. De acordo com os especialistas, as consequências desse cenário se refletem no comércio nacional. “Com menos recursos disponíveis para consumo, há uma desaceleração em diversos segmentos e pequenos e médios empresários são frequentemente os primeiros a sentir os efeitos dessa retração, uma vez que dependem diretamente da renda disponível das famílias”, ressalta Laura. Ela defende a adoção de medidas públicas mais rigorosas para conter o avanço do problema. “Entre as propostas estão a ampliação de campanhas de conscientização sobre os riscos das apostas, a regulamentação mais restritiva da publicidade, especialmente em horários e canais de grande alcance, e a criação de mecanismos de controle que permitam limitar gastos dos usuários nas plataformas. Também se discute a necessidade de programas de apoio psicológico e financeiro para pessoas em situação de dependência”. “O poder público precisa tratar essa questão como um problema de saúde e de política econômica ao mesmo tempo. Não se trata apenas de regulamentar o mercado, mas de proteger o consumidor e evitar que uma atividade de alto risco comprometa a estabilidade financeira de milhões de brasileiros. Quanto mais cedo houver informação e mecanismos de controle, menores serão os danos sociais e econômicos no longo prazo”, finaliza Faria.

Minas encerra o primeiro trimestre com mais de 35 mil empresas abertas

Segundo relatório da Junta Comercial de Minas Gerais (Jucemg), o Estado registrou 35.239 novas empresas no 1º trimestre de 2026, alta de 9,97% em relação a 2025. Em março, foram 12.843 aberturas, crescimento de 40,18%, com média de 414 empresas por dia. A região Central liderou o período (16.178 registros), seguida por Sul de Minas (4.254) e Triângulo Mineiro (3.621). Depois aparecem Zona da Mata (2.792), Vale do Rio Doce (2.118), Centro-Oeste (2.050), Norte (1.534), Alto Paranaíba (1.301), Jequitinhonha (774) e Noroeste (616). No primeiro trimestre do ano, o segmento de serviços apresentou o maior avanço, com crescimento de 12,56% e a abertura de 26.883 novos empreendimentos. A indústria registrou alta de 6,03% e a criação de 1.530 negócios. Já o comércio mostrou expansão mais moderada, com aumento de 1,65% e 6.825 novas formalizações no período. Belo Horizonte liderou o trimestre com 9.538 novas empresas, alta de 10,51% em relação a 2025, e 3.479 registros em março, crescimento de 36,32%. Em seguida aparecem Uberlândia (2.103), Contagem (1.188), Juiz de Fora (937) e Betim (667). Para a economista Mariana Torres, esse movimento está diretamente ligado à combinação de fatores estruturais e conjunturais. “Minas Gerais vem colhendo resultados de políticas de simplificação de abertura de empresas, somadas ao avanço da digitalização dos processos públicos. Além disso, há um efeito pós-pandemia ainda em curso, em que muitos trabalhadores migraram para o empreendedorismo por necessidade ou oportunidade. O ambiente de juros mais estáveis também contribui para dar alguma previsibilidade ao investimento inicial”. Ela destaca ainda o papel da modernização administrativa. “A redução da burocracia, especialmente com integração de sistemas entre órgãos estaduais e municipais, tem sido determinante. Hoje, abrir uma empresa em Minas é significativamente mais rápido do que há cinco anos. Isso reduz custos de entrada e estimula pequenos empreendedores a formalizarem seus negócios”. Os benefícios desse crescimento são amplos para a economia mineira, ressalta Mariana. “O aumento no número de empresas formalizadas tende a ampliar a geração de empregos, elevar a arrecadação tributária e estimular cadeias produtivas locais. Além disso, a maior diversidade de negócios fortalece o ecossistema de inovação e aumenta a competitividade entre setores. Em regiões mais dinâmicas, como a Central e o Triângulo Mineiro, o impacto é ainda mais perceptível na circulação de renda e no fortalecimento do comércio local”. Apesar do cenário positivo, empreender em Minas Gerais ainda apresenta desafios relevantes. Entre os principais entraves estão o acesso ao crédito, a complexidade tributária e a necessidade de capacitação técnica para gestão de negócios. O consultor em empreendedorismo, Carlos Menezes, aponta que muitos empreendedores iniciam suas atividades sem planejamento adequado. “Existe uma euforia inicial, mas também uma taxa de mortalidade elevada entre pequenas empresas. Falta educação financeira e apoio mais consistente nos primeiros anos de operação”. Outro ponto sensível é a desigualdade regional. Enquanto a capital e grandes centros concentram infraestrutura e serviços de apoio ao empreendedor, regiões mais afastadas ainda enfrentam dificuldades de acesso à tecnologia, crédito e redes de negócios. Para ampliar e sustentar o avanço na abertura de empresas, Menezes sugere uma combinação de medidas. “Dentre elas estão a ampliação de programas de capacitação empreendedora, incentivos fiscais direcionados a micro e pequenas empresas, além da expansão de plataformas digitais integradas que simplifiquem ainda mais o processo de formalização. Também se destaca a importância de políticas de crédito mais acessíveis, especialmente para negócios iniciantes”. No campo das políticas públicas, o consultor defende maior articulação entre governo, instituições financeiras e entidades de apoio ao empreendedorismo. “A ideia é criar um ambiente mais favorável não apenas para a abertura de empresas, mas também para sua sobrevivência e crescimento ao longo do tempo”.

Carga tributária no Brasil atinge patamar mais elevado dos últimos 15 anos

A carga tributária no Brasil atingiu o nível mais alto em 15 anos e o resultado ocorre em um contexto de crescimento econômico moderado. Segundo o Tesouro Nacional, o total dos tributos arrecadados pelas três esferas de governo foi de 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025. Isso representa um aumento de 0,18 ponto percentual do PIB em relação a 2024. A maior arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) foi o principal fator de aumento da carga tributária federal, com acréscimo de 0,23 ponto percentual, refletindo a ampliação da massa salarial. O crescimento nas contribuições da Previdência Social em 0,12 ponto percentual e a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), em 0,1 ponto percentual, também influenciaram. Na esfera estadual, houve redução de 0,09 ponto percentual, explicada principalmente pela queda relativa na receita do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Nos municípios, houve um aumento de 0,03 ponto percentual, puxado pelo crescimento da arrecadação do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), que atingiu 0,02 ponto percentual, impulsionado pela expansão do setor de serviços. De acordo com o Tesouro, a composição da carga tributária manteve-se relativamente estável em 2025. Os impostos sobre bens e serviços continuam como principal componente, apesar de leve redução na proporção do PIB (de 13,87% para 13,78%). Já os impostos sobre renda, lucros e ganhos de capital registraram aumento de 9,04% para 9,16%. O mestre em economia, Ricardo Paixão, explica que o crescimento indica tanto fortalecimento fiscal quanto maior pressão sobre a economia real. “No curto prazo, o dado mostra mais fortalecimento da arrecadação do que uma solução estrutural das contas públicas. Uma arrecadação maior melhora o caixa do Estado, mas isso não significa equilíbrio fiscal duradouro”. “Quando a carga tributária sobe, sem avanço equivalente na qualidade do gasto e na produtividade da economia, o efeito pode ser percebido como uma pressão adicional sobre as empresas, com o seu investimento. A própria Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) destaca que o Brasil ainda convive com pressões de gastos e que a sustentabilidade fiscal exige não só receita, mas também eficiência e reformas estruturais”, acrescenta. A Receita Federal mostra que o Brasil tributa relativamente mais bens e serviços do que a média da OCDE, e menos renda e propriedade, afirma o economista. “Isso torna o sistema mais regressivo e tende a pesar mais sobre o consumo e o custo de produção. A entidade observa que o sistema atual eleva o custo de fazer negócios, distorce cadeias produtivas e dificulta o comércio entre estados. O impacto econômico direto costuma aparecer em menor produtividade, maior custo operacional, menor previsibilidade para investir e penaliza quem ganha menos”. Para Paixão, pode até haver um discurso para a redução da carga tributária, mas o espaço fiscal e político real é bem estreito. “A OCDE aponta que o Brasil continua convivendo com pressões de gasto social e dificuldade para abrir espaço nas contas públicas. Em um ambiente de orçamento pressionado, vinculações constitucionais e meta fiscal apertada, reduzir tributos de forma ampla, sem compensação, é politicamente difícil. Na prática, o que costuma ser mais viável são desonerações pontuais, revisões setoriais ou melhora na eficiência e não uma redução ampla e imediata”. Qualidade do gasto público O economista ressalta que sem controle e racionalidade das despesas, qualquer redução de arrecadação tende a pressionar o déficit da dívida e dos juros. “Por isso, um debate sério sobre a carga tributária no Brasil passa necessariamente pela qualidade do gasto público. Com revisão de custos obrigatórios e aumento da produtividade na economia”. Conforme o especialista, essas revisões devem alcançar diferentes áreas do orçamento. “É preciso reavaliar, por exemplo, os custos do Parlamento, além de promover mudanças nos subsídios ao setor privado e nos gastos com as Forças Armadas. Também é necessário aprimorar os programas sociais, com mecanismos de recadastramento e controle, para evitar distorções e desvios”, conclui.