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Asma mata 6 pessoas todos os dias no Brasil

“Tudo começou com as incontáveis crises de rinite. Depois de um tempo, elas passaram para o que me disseram ser sinusite crônica. Por anos eu tentei tratá-la e de nada adiantou. Depois de um tempo os sintomas começaram a agravar e eu passei a ter, além da dor no rosto e na cabeça, falta de ar, cansaço e uma sensação de que minha garganta estava se fechando”. Esse é o depoimento da dona de casa, Silvania Rodrigues, que é asmática. Assim como ela, 300 milhões de pessoas no mundo sofrem com o problema, 10% dos brasileiros também.

A asma, segundo dados contabilizados pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) por meio do relatório do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) de 2014, mata 6 pessoas diariamente no país.

De acordo com o pneumologista e diretor da Sociedade Mineira de Pneumologia e Cirurgia Torácica (SMPCT), Maurício Goes, o problema é uma inflamação crônica. “Em resumo, é o mesmo que a bronquite, uma inflamação dos brônquios. Normalmente, é uma doença de caráter familiar, ou seja, passa de pai para filho”.

O médico explica que algumas condições podem agravar a doença que possui vários níveis. “Exposição a poeira, mofo, poluição, pelo de animal etc. O período seco, ou mesmo a mudança brusca de temperatura, pode desencadear a inflamação. A asma tem vários patamares, assim, uma pessoa pode ter crises ocasionalmente, enquanto que outra pode passar mal quase todos os dias”.

Goes acrescenta que a asma não tem cura. “Ela é uma patologia que tem controle. Contudo, mesmo que esteja controlada, se a pessoa for exposta a condições não favoráveis, pode voltar a ter crises. Por isso, às vezes, é possível ter asma quando criança, passar a adolescência sem apresentar os sintomas e, depois, na fase adulta voltar a ter os indícios do problema. E ainda tem aqueles indivíduos que passaram a infância e boa parte da vida sem ter nenhum sinal, mas que após os 50 anos desencadeiam as crises. É muito relativo”.

Segundo o diretor da SMPCT, por isso, a pessoa deve ficar atenta ao que está sentindo. “Os principais sinais da doença são: falta de ar, chieira no peito e sensação de opressão do pulmão. Geralmente, todos esses sintomas pioram a noite ou com algum esforço que a pessoa faça. É muito importante a população saber disso, porque a asma, quando não tratada, pode matar”.

Bombinha: perigosa ou não?

A patologia, apesar de não ter cura, é controlável. “Uma vez controlada a pessoa pode ficar sem os sintomas para o resto da vida. O tratamento é feito pelas vias respiratórias, com medicação inalatória, normalmente, com a bombinha ou outros dispositivos de modo que o remédio, após inalado, vá direto para o pulmão”.

O especialista aproveita para tranquilizar as pessoas acerca dos mitos que envolvem a bombinha. “Ela não faz mal algum. Muita gente acredita que ela mata porque já houve casos em que a pessoa teve uma crise de asma tão forte que sofreu parada cardiorrespiratória. Mas, isso foi por causa da asma que estava em um nível grave e não pela bombinha em si”.

É exatamente esse o tratamento de Silvania. “Eu tomava medicações específicas para a sinusite. Mas quando constataram, há 2 anos, que além dela, eu também tinha a asma, comecei a usar a bobinha. Minhas crises diminuíram muito”.

Goes esclarece que de fato as doenças possuem ligações. “A sinusite e a rinite são doenças das vias respiratórias superiores. Deste modo, a pessoa que apresenta alguma das duas pode, por consequência, passar a ter problemas nas vias aéreas inferiores, que é onde se inicia a asma”, observa.

Natália Macedo
Belo-horizontina, 22 anos. Graduanda em jornalismo pelo Centro Universitário Estácio de Sá, fez cursos de Consultoria de Imagem e Design de Moda. Há 3 anos criou um blog voltado para o público feminino. Interessada em assuntos relacionados à minoria, gosta de dar visibilidade as pequenas causas voltadas a inclusão e empoderamento destes nichos.