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Fotógrafo vende imagens para ajudar famílias no sertão baiano

Crédito: Noilton Pereira

Nascido e criado no município de Ruy Barbosa, no sertão baiano, o locutor radialista Noilton Pereira nunca se conformou com a miséria que o rodeava. Há 5 anos, começou a registrar imagens de seus conterrâneos com um celular, que nas palavras dele, queria “congelar o tempo para mostrar o antes e o depois”. O antes era o de sempre: fome, desemprego, casas de barro, baixa autoestima e desesperança. O depois seriam as ações que ele planejava fazer.

Com o impulso do Instagram, suas fotos ganharam grande repercussão. O perfil do fotógrafo já é seguido por mais de 100 mil pessoas e é por lá que ele expõe o seu projeto “Sertão forte, povo lutador” para venda de fotografias e pede doações. “Por nascer aqui e sofrer como eles, sempre acreditei que pudesse ajudar nos problemas dessas pessoas. Até para tirar muitos da zona de conforto, o que equipes e ONG’s não conseguem fazer, eu sozinho tenho conseguido”, comemora Noilton.

Cada foto é vendida pelo preço equivalente ao de uma cesta básica, R$ 150. Em sua moto, Noilton entrega pessoalmente os alimentos aos conterrâneos. Ao todo, o fotógrafo auxilia regularmente 10 famílias que vivem na zona rural e possuem apenas a terra e casas de barro.

Com o aumento das doações, desde o início do ano, eles começaram a construir casas de alvenaria para essa população. “Emprego aqui é uma realidade distante. A gente já aprendeu a conviver com o desemprego, como o sertão aprendeu a lidar com a falta de chuva. O mercado informal aqui é uma bolha prestes a explodir, não temos controle do que vai acontecer”, explica. Para devolver a autoestima e a confiança aos moradores, os próprios membros das famílias são remunerados para trabalhar nas obras.

Além de um teto, a ideia de Noilton para o próximo ano é pensar em fontes de renda sustentáveis. “Algo que possa ser feito aqui. Como a agricultura familiar, criação de porcos, frangos, etc. E como contratei os próprios familiares, a ideia é que eles aprendam com os pedreiros contratados e tenham uma profissão”, diz.

O grupo está em processo de construção da segunda casa e ainda faltam oito. E Noilton segue confiante. “Ao invés de reclamar, eu luto. Antes, minha vida era vazia”, resume.