Home > Economia > Metade dos brasileiros abandonam projetos por conta do desemprego

Metade dos brasileiros abandonam projetos por conta do desemprego

Desemprego atingiu 13,7 milhões de pessoas nos três primeiros meses de 2018 - Crédito: Divulgação

Perder o emprego é um dos piores momentos na carreira de um profissional, ainda mais quando acontece de forma inesperada. Essa situação de desemprego pode significar uma mudança no padrão de vida e até mesmo o corte de muitos gastos considerados supérfluos. E segundo um levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 52% dos brasileiros que perderam o emprego tiveram que desistir de algum projeto ou sonho de consumo em virtude da demissão.

De acordo com o SPC, umas das consequências do desemprego é o orçamento mais apertado que impacta na confiança do consumidor em seguir seus sonhos e projetos. “Se ele enfrenta dificuldades para se recolocar no mercado, terá de abrir mão não apenas de alguns confortos, mas até mesmo interromper metas importantes. É uma realidade dura que muitos brasileiros estão enfrentando atualmente”. O número de desempregados no Brasil nos três primeiros meses de 2018 foi de 13,7 milhões de pessoas, segundo o IBGE.

IMPACTOS DO DESEMPREGO

Deixaram de poupar 28%
Adiaram a reforma da casa 25%
Desistiram de comprar ou trocar o carro 17%
Deixaram de comprar móveis para a residência 17%
Interromperam planos de abrir o próprio negócio 16%
Desistiram da faculdade ou pós-graduação 14%
Postergaram planos de fazer uma viagem 13%

Fonte: SPC Brasil/CNDL

Planos adiados

A recepcionista Aparecida Rocha precisou adiar seus planos de realizar uma viagem nas férias de final de ano. “Fui demitida recentemente e ainda não consegui outro emprego. A empresa onde trabalho alegou corte nos gastos e que estava passando por uma situação financeira complicada no momento, por isso resolveu mandar alguns funcionários embora. Isso me pegou de surpresa. Eu ia completar 2 anos de serviço em outubro”.

Ela revela que estava fazendo planos para viajar durante as férias. “Vou ter que adiar até minha vida financeira estabilizar. A renda do meu marido sozinho não dá conta de suprir as despesas de casa e mais nosso lazer. Eu já tinha ido em diversas agências de turismo e pesquisado preços de viagem em sites, mas infelizmente foi tudo por água abaixo”, lamenta.

Quem também teve os planos cancelados é o auxiliar administrativo Paulo Mendes. “Eu fui demitido, mas no mês seguinte consegui me recolocar no mercado de trabalho. O problema é que o valor do salário que estou ganhando é inferior ao que eu recebia. Estou conseguindo pagar minhas contas, mas não tem sobrado muito dinheiro no fim do mês. Minha intenção de reformar a casa vai ter que esperar”.

Padrão de vida

O levantamento revelou ainda que 59% diminuíram o padrão de vida após perder o emprego e precisaram conter gastos. Os cortes mais expressivos foram na aquisição de vestuário e saídas para bares e restaurantes. Apenas 31% dos desempregados têm conseguido manter o mesmo padrão da época em que estavam trabalhando. Ficar sem trabalho forçou 63% a trocar a marca de algum produto na hora das compras. No entanto, para alguns gastos não houve corte no consumo, como é o caso das contas de água e luz, produtos de higiene, limpeza e alimentação básica, planos de saúde e planos de internet, telefonia e TV por assinatura.

PRINCIPAIS CORTES

Aquisição de roupas, calçados e acessórios 65%
Saídas para bares e baladas 56%
Deliveries e comida fora de casa 56%
Alimentos supérfluos, como carnes nobres, bebidas e iogurtes 52%
Atividades de lazer 52%
Gastos com salão de beleza 45%

Fonte: SPC Brasil/CNDL

Trabalho temporário

A pesquisa do SPC Brasil e da CNDL também mostrou que um terço dos brasileiros que estão sem emprego buscam fazer bicos ou trabalhos temporários para sobreviver. Para outros 29%, a saída é contar com a ajuda financeira de familiares ou amigos. De acordo com o SPC, a criação de trabalhos informais tem sido maior que a de vagas com carteira assinada nos últimos meses. “Esse aumento visível na informalidade mostra que a crise e o desemprego obrigaram mais pessoas a buscarem alternativas para constituir renda”.

Daniel Amaro
Formado em jornalismo, Daniel tem 25 anos e possui experiência em assessoria de comunicação voltado para produção de conteúdo para web. Ama escrever sobre política, cultura, economia e saúde. É apaixonado por jornalismo investigativo e estudar inglês. É perseverante e adora desafios. Seu hobby preferido é viajar.