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“Após delação da JBS, teremos praticamente a República destruída”

Crédito: Reprodução

Muitos são os desdobramentos após o escândalo político envolvendo o empresário da JBS, Joesley Batista, o presidente Michel Temer (PMDB) e o senador afastado Aécio Neves (PSDB). Para tentar compreender o momento histórico no qual estamos vivendo e como ficará o futuro do país depois da denúncia, o Edição do Brasil ouviu o cientista político Rudá Ricci e o historiador Luiz Arnaut.

O cientista ressalta que o momento é catastrófico. “A prisão de Andrea Neves – irmã de Aécio – muda tudo, os fatos acontecerão muito rápido. Após delação da JBS, nós teremos praticamente a República destruída. A partir de agora, é preciso ter muita calma”.

Devido essa instabilidade, Ricci confidencia que entrou em contato com alguns parlamentares e esses disseram que a queda de Temer é questão de tempo. “Antes do pronunciamento do presidente, eles evitavam a renúncia, o impeachment e, principalmente, as eleições diretas, que significariam mudanças por meio de Emenda Constitucional. A saída mais tranquila seria acelerar a sentença do Tribunal Superior Eleitoral do julgamento da chapa Dilma/Temer. Outro caminho possível seria fazer com que a ministra Cármen Lúcia assuma o processo de convocação da eleição indireta. Para isso ocorrer, teriam que eliminar da linha sucessória da presidência: o presidente da Câmara e do Senado, ambos denunciados”.

Desestabilização nacional

De acordo com Ricci, a inconstância que assola a política no Brasil se iniciou com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) que, em sua visão, fez um governo desastroso no último ano de seu primeiro mandato e após a reeleição. Para ele, neste período, a petista, influenciada pela perda de capitais estrangeiros e com receio de uma repercussão negativa da Copa de 2014, fez políticas que começaram a desagradar a população, empresariado e a classe política. “Ela entrou em uma campanha eleitoral muito apertada e, o fato de insistir em destruir o currículo de seus concorrentes, Marina Silva (Rede) e Aécio Neves (PSDB), visando atacar a biografia e não o programa dos candidatos, criou inimigos e não adversários”.

Segundo o cientista, o impeachment foi um desastre maior que o governo Dilma e acrescenta que se ela estivesse no poder até hoje, o PSDB seria eleito em 2018. “O erro desse pessoal foi ter pressa para assumir um governo de um país em crise econômica. Além disso, pioraram os indicadores sociais – que manchou ainda mais a imagem deles. Só faltava mesmo os dados da Operação Lava Jato para que esse governo acabasse melancolicamente”.

E o cenário continua ruim. “Esse Congresso é o pior da história da República e é composto, em sua maioria, pelo baixo clero, ou seja, político que não tem envergadura e vive da alimentação de pequenas verbas de sua base eleitoral. Eles não tem projeto nacional e estão com medo da JBS denunciá-los. E pelas informações, metade vai ser delatado, devido à financiamentos ilícitos”.

Brasília pós-JBS

Ricci elucida que o futuro da nação é incerto e isso começou a partir do momento que o peemedebista assumiu o poder. “É evidente que Temer não teria popularidade e para piorar a situação resolveram baixar uma série de reformas que destroem o estado social brasileiro. Isso mostra a estatura nanica deles do ponto de vista intelectual”.

Para ele, o impedimento do presidente seria mais rápido que o da Dilma, pois a base de Temer é mais fraca do que a da petista. “O Temer vai sair, mas a questão central é evitar uma espécie de confronto entre os poderes. A situação do PSDB é tão caótica que apresentaram uma proposta de impeachment. O PTN saiu da base do governo, ou seja, as reformas da previdência e trabalhista já não têm mais como atingir o quórum”.

Futuro

Historicamente, o Brasil já passou por diversas crises de cunho institucional, como em 1945, quando o então presidente Getúlio Vargas foi deposto; 1954, período onde houve vários discursos contra a corrupção, semelhante ao que vivemos hoje; e 1964, ano em que ocorreu o golpe militar, devido as crises anteriores. Para o historiador Luiz Arnaut, o momento político do país se difere em relação aos demais já vividos pela judicialização do processo. “Por mais que se perceba que o debate é político, ele está vindo travestido de uma forma judicial, seja de Curitiba ou do Supremo. Antes, você tinha uma grande campanha política contra a pessoa, agora se tem uma investigação”.

Segundo Arnaut, apesar de algumas pessoas estarem pedindo a intervenção militar para tentar controlar o cenário atual, as forças armadas não farão isso novamente. “A primeira não rendeu os resultados esperados e agora tem-se uma geração de militares formados depois da Constituição de 1988 que possuem uma mentalidade diferente. No entanto, nada impede que isso aconteça, as coisas estão mudando muito rápido”.

Ricci acredita que, para 2018, o ex-presidente Lula (PT) voltará a comandar o país. “O governo Temer colocou o Lulismo novamente no poder e levará o PT para a quinta vitória consecutiva”.