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Mulheres entre 15 e 45 anos têm mais chances de ter lúpus

Entre 150 e 300 mil brasileiros possuem a doença / Foto: Freepik.com

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), estima-se que existam cerca de 150 a 300 mil pacientes com lúpus no Brasil. A doença pode ocorrer em pessoas de qualquer idade e raça, porém, é prevalente em mulheres, principalmente, na faixa etária entre 15 e 45 anos, período compreendido, em geral, após a primeira menstruação e a pré-menopausa.

De acordo com o Ministério da Saúde, dentre as mais de 80 doenças autoimunes conhecidas atualmente, o lúpus é uma das mais graves. Não existem formas de se prevenir e também não há vacinas. Conforme uma pesquisa feita com os dados do Sistema Único de Saúde (SUS), dos cerca de 74 mil pacientes que receberam o diagnóstico da enfermidade entre 2000 e 2019, 89,9% eram do sexo feminino, sendo quase metade delas com idades entre 26 e 45 anos. Somente nesse período, foram 24.029 óbitos em decorrência da condição.

O presidente da Comissão Científica de Lúpus da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), Edgard Reis, revela que não existe um único fator para o aparecimento do lúpus. “Ele resulta de uma junção de fatores genéticos, ambientais (radiação ultravioleta) e hormonais (estrógeno) que atuam sobre o sistema autoimune. Ou seja, o próprio indivíduo começa a produzir anticorpos, células, moléculas que vão atacar o próprio organismo, em vez de atacar o vírus e bactérias”.

A reumatologista da Unimed-BH, Cláudia Neiva, destaca que a doença se apresenta em dois principais tipos. “O lúpus cutâneo crônico, que afeta apenas a pele; e o lúpus eritematoso sistêmico, que pode atingir diversos órgãos, como articulações, rins, pulmões, coração e cérebro. Um dos sinais mais característicos é uma irritação na pele, em forma de ‘asa de borboleta’ no rosto, além de lesões em áreas expostas ao sol. Outros sintomas comuns incluem dores, edema (inchaço) e rigidez nas articulações, queda de cabelo, inflamação nos rins, também conhecida como nefrite, entre outras manifestações”.

Ela explica ainda que o lúpus pode ser uma condição desafiadora, mas o diagnóstico precoce e o tratamento adequado ajudam a controlar os sintomas e garantem uma boa qualidade de vida. “A conscientização é fundamental para que as pessoas busquem ajuda médica o quanto antes”.

“O diagnóstico é feito clinicamente, com base na avaliação dos sintomas, e em exames laboratoriais, com a detecção de autoanticorpos, incluindo o Fator Antinuclear (FAN). O lúpus acomete, principalmente, mulheres jovens e está entre as principais causas de internação hospitalar entre as doenças reumáticas.

A patologia tem origem multifatorial, envolvendo predisposição genética, fatores hormonais e ambientais”, detalha. A patologia não existe cura, alerta a profissional. “O diagnóstico precoce e o rápido início do tratamento são importantes para controle regular da doença e para evitar as fases de ativação da enfermidade”.

Tratamento

Cláudia destaca que, com o tratamento adequado, os pacientes podem levar uma vida com menos complicações. “A terapia inclui o uso de medicamentos, além de opções específicas para cada caso e terapias biológicas mais modernas. Também é preciso manter uma rotina saudável, com atividade física regular, dieta equilibrada, controle do estresse e proteção solar adequada. A exposição aos raios UV, por exemplo, é um dos gatilhos para o surgimento e agravamento dos sintomas. Por isso, o uso de protetor solar e vestimentas adequadas é altamente recomendado”.

“A falta de acesso ao tratamento adequado leva a dores crônicas, lesões na pele e inflamações graves em órgãos vitais, podendo causar sequelas permanentes. A doença é caracterizada por surtos, ou seja, alternando períodos de inatividade e fases ativas. O acompanhamento médico é crucial para detectar precocemente os períodos de atividade e, consequentemente, evitar complicações”, conclui a reumatologista.