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Comércio espera alta de 4,5% na venda de chocolates para a Páscoa

Preço do cacau subiu e pode aumentar o valor final dos produtos – Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A Páscoa está entre as melhores datas para o comércio varejista neste primeiro semestre. E, segundo uma pesquisa da Associação Paulista de Supermercados (Apas), a tradição vai se manter, pois o estudo projeta um crescimento de 4,5% nas vendas de chocolates na comemoração deste ano, em comparação com 2023.

O economista Paulo Bretas afirma que a projeção da Apas de crescimento nas vendas se baseia na melhoria dos indicadores de emprego, crédito e renda. “Mas existem outros fatores favoráveis, por exemplo, a entrada de pequenos negócios no mercado, ampliando a oferta e o esforço de vendas, bem como as melhorias econômicas dos consumidores, que vem acompanhada de uma visão mais otimista do futuro. Entretanto, a população tem demonstrado que não vai aceitar pagar preços exageradamente elevados”.

Um estudo da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) mostrou que os preços dos chocolates estão em alta. Os ovos de páscoa tiveram aumento médio de 15% em relação a 2023, com variações de acordo com marca, tamanho e tipo de chocolate; sendo que aqueles que apresentam recheio e/ou brinquedos podem ter um crescimento ainda maior, chegando a 20%.

Conforme a economista e professora da Fecap, Nadja Heiderich, os fatores que contribuíram para o alto custo são o aumento do preço do cacau (35%, desde o início de 2024), mão de obra e logística mais caras, além de embalagens personalizadas e ingredientes especiais que também elevam o valor final.

Os bombons e barras de chocolate também tiveram crescimento médio de 10% em relação a 2023, de acordo com a pesquisa da Fecap. Nadja explica que esses itens têm menor impacto do preço do cacau em comparação com os ovos, devido à maior variedade de ingredientes e formatos.

Para Bretas, desde meados de 2023, os preços do cacau têm renovado máximas de forma constante no mercado internacional, especialmente pelas variações do tempo/clima. “Não creio nessas altas taxas de aumento de consumo, em relação ao ano passado, com os valores que querem praticar. Acredito que alguns fabricantes terão uma redução de cacau e vão reajustar os custos e outras poderão tardar um pouco mais. Algumas empresas, por exemplo, já vêm manifestando que irão reduzir margens de lucro para crescer no mercado”.

Consumo

Já a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) revelou que o consumo de produtos relacionados à época festiva vai apresentar um crescimento de 13% a 15% no período. Um dos motivos para o otimismo vem do calendário e dos recursos que serão injetados no consumo até a data.

Conforme a instituição, a Páscoa será em 31 de março e terá uma forte influência do pagamento do “Bolsa Família” (de 15 a 28 de março) e de outros recursos que serão injetados na economia no trimestre, como a antecipação do pagamento de R$ 31 bilhões dos precatórios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Produtos

Os peixes frescos ou congelados devem estar presentes no almoço de 26% das famílias, seguidos de bacalhau (12,9%). Quanto aos ovos de Páscoa, o volume das encomendas do setor está dividido em aqueles com brinquedos e brindes (18,6%), de chocolate de 100 a 185 gramas (17,9%) e de 252 a 365 gramas (15,4%), que lideraram o consumo no ano passado.

Bretas pontua que a data se constitui em um momento excelente para a indústria de alimentos e o comércio. “Segundo a estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o comércio varejista brasileiro conseguiu vender R$ 2,49 bilhões na Páscoa de 2023, um aumento de 2,8%, em comparação com o mesmo período de 2022, já descontada a inflação”. “A Páscoa também pode ser traduzida como um período determinante para os profissionais que procuram se inserir no mercado de trabalho. Muitas pessoas são admitidas temporariamente e poderão ter a oportunidade de serem contratadas permanentemente”, conclui.