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Labirintite atinge cerca de 33% da população brasileira

Principal sintoma da doença é a vertigem / Foto: Freepik.com

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) indica que a vertigem, principal sintoma da labirintite, é a quarta queixa entre os homens e a sétima entre as mulheres, e afeta cerca de 33% das pessoas em algum momento da vida. Já na terceira idade, a doença se torna mais frequente e pode atingir até 65% dos idosos.

Conforme o otorrinolaringologista Marcelo Castro Alves de Sousa, o termo “labirintite” é usado erroneamente pelo público geral, e algumas vezes, até pelos médicos, para designar um sintoma comum de várias doenças relacionadas ao labirinto, estrutura da orelha interna. O correto seria labirintopatia.

“Os principais motivos que causam as enfermidades do labirinto são: VPPB (Vertigem Postural Paroxística Benigna), doença de Meniere, enxaqueca e neurite vestibular. Mas também existem outras, como traumatismo craniano, problemas cardiovasculares e metabólicos (pressão alta, dislipidemia e diabetes), maus hábitos alimentares (excesso de açúcar ou sal) ou de vícios (cigarro e álcool), enxaqueca, o próprio envelhecimento, infecções e outras patologias do ouvido”, destaca Sousa.

Ele explica que o sintoma mais comum é a vertigem, sensação de que o ambiente ou o paciente estão rodando. “Existem tonturas sem vertigem, que é o desequilíbrio e outras sensações de mal-estar. Esses sinais podem ou não estar associados a sintomas auditivos, como surdez e zumbido. Os indícios, o tipo de tontura e suas características vão apontar a causa. As crises podem durar de poucos segundos a até alguns dias”.

O otorrinolaringologista alerta que nem toda tontura é causada por doenças do labirinto. “A função do médico é diagnosticar corretamente e afastar enfermidades graves que também causam tonturas. Alguns exemplos são as neurológicas, tumores, as degenerativas ou até mesmo o Acidente Vascular Cerebral (AVC). Às vezes, a ansiedade, depressão e os efeitos colaterais de medicações, também podem causar esse sintoma”.

Ainda de acordo com o especialista, as doenças do labirinto podem acometer desde crianças até pessoas mais velhas. “Elas são mais comuns em populações mais idosas, a partir de 60 anos de idade. Algumas ocorrências surgem também no adulto jovem”.

 

Tratamento

Sousa afirma que o tratamento depende da causa. “Uma das mais comuns é a VPPB, que acomete pessoas a partir de 50 anos de idade e surge com movimentos específicos da cabeça e do corpo. O procedimento é realizado com manobras/exercícios em uma maca. Outro exemplo é a enxaqueca vestibular, que provoca crises recorrentes de vertigens de longa duração, e é tratada como enxaqueca/cefaleia. Muitas vezes, medicações sintomáticas podem ser usadas para o tratamento”.

Para o especialista, a maioria das enfermidades do labirinto não são graves. “Porém, nos idosos, as quedas podem significar um grande problema. Em casos mais raros, as infecções do labirinto podem causar surdez total. Algumas patologias são capazes de evoluir sem complicações, mas conseguem afetar a qualidade de vida de forma significativa”.

O otorrinolaringologista enfatiza que, na maioria das vezes, a patologia pode ser curada. “Em algumas ocasiões não há como evitar uma enfermidade do labirinto, contudo, a prevenção seria a manutenção da boa saúde de forma geral, física e mental, com bons hábitos de vida”.

 

Vida saudável

O ajudante de serviços gerais, Luciano Rogério Silva, teve a doença recentemente. “Na primeira vez senti uma tontura muito forte, mas depois foram mais fracas. O médico me receitou um remédio e tive uma melhora significativa. Hoje em dia, cuido mais da minha alimentação, como mais frutas, não bebo e não fumo e evito o açúcar. E também faço mais exercícios físicos”.