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Mortes causadas por apendicite aguda crescem 14% durante a pandemia

De modo geral, a dor inicia em todo abdome e depois concentra do lado direito | Foto: Reprodução/Internet

Segundo dados do portal Datasus, do Ministério da Saúde, o número de brasileiros que morreram por apendicite aguda aumentou 14,2% em 2020. Foram 879 óbitos no primeiro ano da pandemia ante 770 em 2019. Na última década, o índice de mortes contabilizadas por esse problema foi de 2%. Especialistas acreditam que a alta atípica em 2020 está ligada à demora pela procura de auxílio médico durante o surto de coronavírus, além da lotação dos hospitais.

Pablo Hübner: “diagnosticar o quadro de apendicite está muito mais fácil” | Foto: Divulgação

O cirurgião do aparelho digestivo Pablo Hübner explica que, atualmente, diagnosticar a apendicite é mais fácil, mas que, durante a pandemia, esse medo da população de ter contato com um hospital fez aumentar a quantidade de quadros agudos. “Os casos de apendicite em si não elevaram, mas sim as ocorrências graves da doença, por isso, o número de mortes cresceu”. Ele acrescenta que a cirurgia para tratar a patologia é relativamente tranquila e a evolução e recuperação também.

A nutricionista Maria Alice Soares precisou ser operada durante a pandemia. Ela conta que, ao sentir uma leve cólica, não imaginou que poderia ser apendicite. “Depois de um tempo, porém, a dor foi se concentrando do lado direito e fui para o Pronto Atendimento. A dor foi só aumentando e, em poucas horas, já estava no centro cirúrgico. Tive muito medo por causa da COVID, mas, graças a Deus, nem eu e nem meus pais, que me acompanharam, fomos infectados na época”.

O gastroenterologista Luiz Alberti esclarece que o quadro de apendicite aguda pode se manifestar de inúmeras formas. “A principal delas é a dor abdominal, mas podem ocorrer também náuseas, diminuição do apetite, febre baixa e manifestações inespecíficas. À medida que a doença avança, a dor vai ficando mais localizada, próxima ao apêndice, que fica do lado direito do abdome”.

Tratamento

Hübner elucida que a única maneira de tratar a apendicite é a cirurgia. “A doença se inicia com um quadro inflamatório discreto, mas, uma vez desencadeado, o processo é progressivo. Ou seja, vai aumentando o grau de inflamação. E, neste sentido, pode, inclusive, levar à morte, porque o apêndice pode perdurar, causando uma inflamação generalizada”.

Mas, afinal, para que serve o apêndice?

O cirurgião do aparelho digestivo comenta que o apêndice é um órgão vestigial, ou seja, foi perdendo seu papel com a evolução de nossa espécie. “Atualmente, ele tem uma função imunológica na vida embrionária. Na fase adulta, alguns pesquisadores entendem que ele continue cumprindo esse trabalho. Também acredita-se que ele tenha um cargo na recomposição da flora intestinal, principalmente quando há distúrbio, como em pacientes com gastroenterite. Contudo, são apenas suposições”.