Cerca de 300 mil brasileiros são afetados por algum fenômeno trombótico

A trombose ocorre quando um coágulo de sangue, chamado trombo, se forma dentro de um vaso e dificulta ou interrompe a circulação. Na trombose venosa profunda (TVP), uma das formas mais conhecidas, as veias profundas das pernas são as mais atingidas pela condição. O principal risco é que parte do coágulo se desprenda e chegue aos pulmões, provocando uma embolia pulmonar, complicação potencialmente fatal. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), com dados de internações do Sistema Único de Saúde (SUS) entre janeiro de 2012 e maio de 2022, identificou mais de 425 mil hospitalizações relacionadas a tromboses venosas no período. A estimativa divulgada pela Sociedade Brasileira de Trombose e Hemostasia é de que quase 300 mil brasileiros sejam acometidos anualmente por algum fenômeno trombótico. Segundo a médica vascular Fabiana Alvarenga, a trombose não tem uma única causa. “Cirurgias, principalmente as de maior porte, longos períodos de imobilidade, internações, câncer, obesidade, tabagismo, algumas doenças cardíacas e alterações hereditárias da coagulação estão entre os fatores associados ao aumento do risco. Gestação e pós-parto também exigem atenção, assim como o uso de determinados anticoncepcionais e tratamentos hormonais”. Fabiana explica que os sinais mais frequentes da trombose venosa profunda aparecem em apenas um dos membros. “Inchaço, dor ou sensibilidade, sensação de peso, aumento da temperatura e alteração da coloração da pele são sintomas que devem ser investigados, mas em alguns casos, a doença pode não produzir sinais evidentes. Um inchaço súbito, especialmente quando acompanhado de dor ou endurecimento da panturrilha, merece avaliação rápida”. Quando o coágulo chega aos pulmões, o quadro muda de gravidade. A falta de ar repentina, dor no peito, respiração acelerada, palpitações, tontura ou desmaio podem indicar embolia pulmonar e exigem atendimento de emergência. O Ministério da Saúde ressalta que um trombo pode se deslocar pela circulação e atingir os pulmões, cérebro ou coração, provocando lesões graves. Diagnóstico e tratamento Toda investigação começa pela avaliação clínica e pelo levantamento de fatores de risco. “O médico observa a história do paciente e, quando há suspeita de trombose venosa profunda, o ultrassom com Doppler é um dos principais exames utilizados para verificar o fluxo sanguíneo e identificar a presença de um coágulo. Dependendo da situação, exames de sangue e outros métodos de imagem podem complementar a investigação”, afirma Fabiana. Os especialistas ressaltam que o tratamento depende do local e da extensão do trombo, além das condições clínicas do paciente. Nos casos de trombose venosa, os anticoagulantes são frequentemente utilizados para impedir que o coágulo aumente e também para reduzir o risco de novos eventos. Em situações específicas e mais graves, podem ser considerados procedimentos para remover ou dissolver o trombo. O tratamento precisa ser individualizado e acompanhado por profissional de saúde, já que os anticoagulantes também podem aumentar o risco de sangramento. “A escolha do anticoagulante, a duração do tratamento e a necessidade de outros procedimentos dependem da recorrência, da causa da trombose, da presença de outras doenças e do risco de sangramento”, esclarece o hematologista Bruno Pereira. Ele alerta que a prevenção começa pela redução dos fatores de risco modificáveis como manter atividade física regular, evitar o tabagismo, controlar o peso e permanecer atento a doenças crônicas. “O diagnóstico precoce e o tratamento adequado reduzem o risco de complicações e podem evitar que um coágulo inicialmente localizado se transforme em emergência de maior gravidade”.
Casos de sarampo acendem alerta e reforçam a importância da vacinação

O registro de 24 casos de sarampo no Brasil até agosto, todos no Estado de São Paulo, reacendeu o alerta sobre a importância da vacinação e da manutenção de uma cobertura elevada contra a doença. Embora o país tenha eliminado a transmissão sustentada do vírus, a ocorrência de casos importados pode resultar em novos registros e pequenos surtos quando encontra pessoas sem proteção. Para o acadêmico titular da Academia Nacional de Medicina (ANM), Celso Ramos Filho, o cenário atual não significa o retorno do sarampo como doença de transmissão sustentada no país. Ele avalia que a elevada cobertura vacinal ainda funciona como uma barreira para que os casos não se multipliquem. “O Brasil tem níveis muito elevados de cobertura vacinal. Existem pessoas e grupos que não estão adequadamente imunizados, culminando na reintrodução do sarampo. Nós podemos ter alguns surtos, como estamos tendo em São Paulo, mas não espero grandes cataclismas”, afirma. A doença está entre as mais infecciosas e contagiosas, sendo transmitida por secreções respiratórias. Por isso, a proteção coletiva é fundamental para interromper as cadeias de transmissão. De acordo com o médico, é necessário manter um nível de imunização de aproximadamente 90% da população para reduzir significativamente a possibilidade de que um caso gere novas infecções. Vacinação ao longo da vida A enfermeira Elisa Lino destaca que a atualização da carteira de vacinação não deve ser encarada como uma preocupação restrita à infância. No caso do sarampo, a vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Conforme o calendário de vacinação, a primeira dose é indicada aos 12 meses e o reforço aos 15 meses. Pessoas que não completaram o esquema também podem buscar a atualização. “Caso não tenha nenhum comprovante que fez a aplicação da vacina, pode buscar essa informação em qualquer unidade de saúde pública. Se não houver um documento, iniciamos o esquema e seguimos a recomendação do médico”, orienta. Elisa ressalta que a imunização precisa acompanhar as diferentes fases da vida. “É importante manter o calendário vacinal em dia, tanto crianças quanto adolescentes, adultos e idosos precisam acompanhar os reforços. Temos também públicos que requerem um cuidado maior, como imunocomprometidos e gestantes, para os quais existem recomendações específicas”. Diagnóstico rápido Além da vacinação, a identificação precoce dos casos é considerada essencial para evitar a disseminação do vírus. Segundo Filho, o desafio é que muitos profissionais de saúde em atividade nunca tiveram contato com pacientes com sarampo, justamente porque a vacinação reduziu drasticamente o número de casos. “Não reconhecem necessariamente aquela enfermidade e não notificam, porque pensam se tratar de dengue, chikungunya e outras doenças febris agudas acompanhadas de manchas e vermelhidão no corpo”. Entre os sinais que merecem atenção estão febre alta, tosse, coriza, irritação ou vermelhidão nos olhos e manchas avermelhadas pelo corpo. “Se houve contato com alguém que já teve a doença ou está manifestando sintomas, é importante ficar em alerta. Temperatura muito alta que não consegue baixar e pintas ou marquinhas avermelhadas pelo corpo são sinais relevantes”, orienta Elisa. Para Filho, a vacinação continua sendo a principal ferramenta para impedir que casos isolados avancem. “A pessoa com sarampo tem alta possibilidade de infectar outras. É preciso ter um nível elevado de imunidade coletiva, algo em torno de 90%, porque aí a possibilidade de transmissão secundária é muito pequena”, conclui.
Internações por pneumonia e influenza geraram impacto de R$ 381 milhões

Somente nos meses de janeiro e fevereiro de 2025, foram 81.249 internações. O cálculo considera o valor mediano de R$ 4.697,36 por hospitalização.
Leishmaniose continua sendo um grave desafio de saúde pública no Brasil

Transmitida pela picada do flebotomíneo, conhecido popularmente como mosquito-palha, a leishmaniose pode se manifestar de duas formas principais: a tegumentar, que provoca lesões na pele e nas mucosas; e a visceral, considerada a forma mais grave por comprometer órgãos internos como fígado, baço e medula óssea. O Brasil concentra o maior número dos casos das Américas e mantém a doença como um problema endêmico em diversas regiões. Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2023, foram registrados aproximadamente 13 mil casos de leishmaniose tegumentar no país, mantendo uma média anual superior a 12 mil ocorrências nos últimos anos. Já a leishmaniose visceral apresenta cerca de dois mil casos notificados por ano, com maior concentração nas regiões Norte e Nordeste, embora a doença também esteja presente no Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Diferentemente do que muitas pessoas acreditam, cães infectados não transmitem diretamente a doença para os humanos, eles funcionam como importantes reservatórios do parasita em áreas urbanas, enquanto a transmissão depende obrigatoriamente da presença do inseto vetor. Segundo a infectologista Fernanda Diniz, um dos maiores desafios continua sendo o reconhecimento precoce dos sintomas. “Na forma tegumentar, a pessoa costuma apresentar uma ou mais feridas que não cicatrizam, geralmente indolores, mas que aumentam lentamente de tamanho, quando há comprometimento das mucosas, podem surgir lesões no nariz, boca e garganta. Já a leishmaniose visceral costuma provocar febre prolongada, perda de peso, fraqueza intensa, aumento do fígado e do baço, anemia e redução das células de defesa do organismo. Sem tratamento, essa forma pode evoluir para complicações graves e até levar à morte”. Ela explica que o diagnóstico depende da avaliação clínica associada a exames laboratoriais. “Conforme o quadro do paciente, podem ser utilizados testes sorológicos, exames parasitológicos, biópsias das lesões ou exames moleculares, como a reação em cadeia da polimerase (PCR). Na leishmaniose visceral, também são empregados testes rápidos disponíveis na rede pública de saúde”. Para o infectologista Marcelo Azevedo, o acesso rápido ao diagnóstico faz toda a diferença no prognóstico dos pacientes. “Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de cura e menores são as sequelas. Muitas pessoas convivem durante meses com lesões de pele acreditando se tratar de alergias ou infecções comuns. Na forma visceral, o atraso no diagnóstico aumenta o risco de complicações, principalmente em crianças, idosos e pessoas com baixa imunidade”. O tratamento é disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e varia conforme a forma clínica, a idade do paciente e a presença de outras doenças. “Entre os medicamentos utilizados estão os antimoniais pentavalentes, a anfotericina B em diferentes formulações e, em situações específicas, a miltefosina, incorporada recentemente como alternativa terapêutica para casos de leishmaniose tegumentar”, esclarece Azevedo. Prevenção Os especialistas ressaltam que não existe vacina disponível para prevenir a leishmaniose em seres humanos, por isso, as medidas preventivas permanecem fundamentais. Entre elas estão o uso de repelentes, roupas de mangas compridas em áreas de maior risco, instalação de telas em portas e janelas, limpeza frequente de quintais para reduzir matéria orgânica onde o vetor se desenvolve e o manejo adequado de resíduos. Nos locais com transmissão intensa, também são recomendadas ações de vigilância ambiental e controle do vetor realizadas pelos serviços de saúde. No caso dos cães, a prevenção inclui acompanhamento veterinário, uso de coleiras impregnadas com inseticida e vacinação quando indicada pelo veterinário. A identificação de um animal infectado não significa risco de transmissão direta para pessoas, mas sinaliza a necessidade de intensificar as medidas de vigilância e controle do mosquito na região.
Sintomas de hemorroidas e do câncer colorretal podem ser confundidos

Sangramento anal, dor, coceira e a presença de caroços na região do ânus são sintomas frequentemente associados à hemorroida, um problema que afeta cerca de metade das pessoas com mais de 50 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, esses mesmos sinais também podem indicar doenças mais graves, como o câncer colorretal, o terceiro tipo de tumor mais frequente no Brasil, com estimativa de 45.630 novos casos por ano, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca). A semelhança entre os sintomas reforça a importância da avaliação médica para que o diagnóstico correto seja feito o quanto antes. Dados da OMS mostram ainda que cerca de 25 mil brasileiros são submetidos a cirurgias para tratar a doença hemorroidária no Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os sintomas mais comuns estão coceira, irritação, dor durante ou após a evacuação, sensação de inchaço e sangramento com sangue vermelho-vivo, normalmente observado no papel higiênico, nas fezes ou no vaso sanitário. Apesar de frequente na doença hemorroidária, esse sinal não deve ser encarado como algo normal. “Alterações como nódulos, inchaços, bolinhas e até pequenas protuberâncias perto do ânus são muito comuns, mas nem tudo é hemorroida. O diagnóstico depende de uma avaliação médica, e é preciso estar atento para não postergar diagnósticos importantes”, alerta a proctologista Clarisse Casali. Além da avaliação clínica, Clarisse destaca que podem ser feitos exames como pesquisa de sangue oculto nas fezes e colonoscopia com biópsia, que permitem identificar mudanças no cólon e no reto. “Alguns sintomas exigem atenção imediata, como sangramento intenso ou com coágulos, alteração persistente do hábito intestinal, fezes escuras, perda de peso sem causa aparente, fadiga constante e histórico familiar de câncer colorretal. Pessoas com mais de 50 anos também devem manter acompanhamento regular, mesmo na ausência de sintomas”. Outras doenças podem provocar manifestações semelhantes, entre elas fissura anal, fístula, abscesso e pólipos intestinais. Por isso, o diagnóstico diferencial é essencial para definir o tratamento adequado e evitar que doenças potencialmente graves sejam descobertas apenas em estágios avançados. Vida saudável O cirurgião do aparelho digestivo Marcel Autran César Machado reforça que mudanças no estilo de vida beneficiam tanto a saúde intestinal quanto a prevenção de doenças. “Algumas medidas preventivas são fundamentais para manter a saúde, como adotar um estilo de vida ativo, já que o exercício regular ajuda a reduzir o risco de câncer e pode ajudar a evitar constipação, um fator de risco para hemorroidas. Além de uma alimentação rica em fibras e hidratação adequada”. Machado reforça que sintomas persistentes nunca devem ser tratados apenas com automedicação. “A procura por atendimento médico diante de qualquer sangramento anal ou alteração intestinal continua sendo a principal estratégia para garantir um diagnóstico precoce e aumentar bastante as chances de sucesso no tratamento, especialmente nos casos de câncer colorretal”, conclui.
27 milhões de brasileiros podem apresentar enxaqueca sem diagnóstico

Cerca de 27 milhões de brasileiros podem conviver com enxaqueca sem saber que têm a doença. Apesar do número expressivo, apenas 23 milhões receberam diagnóstico médico. Os dados são do estudo “Radar da Enxaqueca no Brasil”, pesquisa inédita da farmacêutica Teva Brasil com o apoio da Associação Brasileira de Cefaleia em Salvas e Enxaqueca (Abraces). De acordo com a pesquisa, as crises duram, em média, 15 horas e atingem intensidade de 5,9 em uma escala de zero a dez. Entre os pacientes diagnosticados, 35% afirmaram sentir “a pior dor que podem imaginar”, enquanto entre os que ainda não receberam diagnóstico esse percentual é de 26%. O estudo também sugere que o subdiagnóstico é mais frequente entre pessoas de menor renda: mais de 80% dos não diagnosticados estariam nas classes C, D e E. A médica neurologista Helena Providelli, especialista em cefaleia e no tratamento da enxaqueca, explica que a principal razão da doença ainda ser subdiagnosticada é porque ela é subestimada e banalizada. “Muitos não entendem que é uma patologia neurológica crônica e acreditam que seja apenas uma ‘dor de cabeça’. Com isso, acabam normalizando crises frequentes e demoram a procurar ajuda especializada”. “A enxaqueca vai muito além de uma dor. Ela costuma ser incapacitante, pode piorar com atividades rotineiras e ser acompanhada de náuseas, vômitos e hipersensibilidade à luz, sons e cheiros. Algumas pessoas também podem apresentar tontura, alterações visuais e dificuldade de concentração durante as crises”, acrescenta. O atraso no diagnóstico pode levar à cronificação da doença, ao uso excessivo de analgésicos, e ao maior risco de ansiedade e depressão, alerta a neurologista. “Além de importantes prejuízos profissionais, sociais e familiares. Muitos pacientes deixam de fazer planos e passam a organizar a própria vida em função das crises”. Predominância feminina As mulheres concentram a maior parte dos diagnósticos (75%) e também predominam entre os que têm sintomas sem diagnóstico (63%). Porém, a participação masculina cresce no grupo subdiagnosticado, passando de 25% entre os diagnosticados para 37% entre os sem confirmação clínica, o que pode indicar menor reconhecimento da doença entre os homens. Entre os que relatam sintomas sem diagnóstico, 56% têm até 39 anos. O presidente da Abraces, Mario Peres, afirma que a enxaqueca afeta desproporcionalmente as mulheres, em grande parte devido às variações hormonais ao longo da vida fértil. “As oscilações nos níveis de estrogênio influenciam a atividade cerebral e a sensibilidade dos vasos sanguíneos, tornando as crises mais frequentes e intensas. Além dos fatores biológicos, aspectos como estresse, sobrecarga mental e menor tempo de descanso contribuem para o aumento dos episódios”. Controle da doença Helena destaca que o tratamento é individualizado e pode incluir medicações para aliviar as crises e procedimentos preventivos para reduzir sua frequência. “Hoje também contamos com opções mais modernas, como a toxina botulínica e medicamentos desenvolvidos especificamente para a enxaqueca, os anticorpos anti-CGRP”. Além dos medicamentos, ela ressalta que mudanças no estilo de vida são essenciais. “Sono adequado, alimentação regular, hidratação, atividade física e manejo do estresse fazem parte do tratamento da enxaqueca. Não existe uma fórmula única para todos os pacientes, mas pequenas mudanças de hábitos fazem a diferença quando associadas ao procedimento correto”. “A enxaqueca é uma doença genética e crônica. Por isso, o objetivo do tratamento não é a cura, mas buscar um controle. É reduzir a frequência e a intensidade das crises e devolver qualidade de vida ao paciente. Em muitos casos, é possível alcançar longos períodos com excelente controle dos sintomas”, complementa. Para a médica, apesar dos grandes avanços dos últimos anos, o acesso aos procedimentos mais modernos ainda é um desafio no Brasil. “Na rede pública, há dificuldades relacionadas ao acesso ao especialista e à disponibilidade de alguns tratamentos. Na rede privada, os principais obstáculos costumam ser o alto custo das medicações mais recentes e as barreiras impostas pelos planos de saúde para sua autorização”, finaliza.
Segurar o xixi por longos períodos pode ocasionar problemas urinários

Adiar frequentemente a micção pode contribuir para o surgimento de infecções urinárias, desconfortos e alterações na função da bexiga. Em situações ocasionais, esse hábito normalmente não causa prejuízos, pois o organismo é capaz de armazenar a urina por determinado período até que seja possível realizar o esvaziamento da bexiga. No entanto, quando essa prática se torna recorrente, pode comprometer o funcionamento adequado desse órgão e aumentar o risco de problemas no trato urinário. A bexiga é um órgão muscular que atua como um reservatório para a urina produzida pelos rins. À medida que a urina se acumula, ocorre a distensão de sua parede, ativando receptores sensoriais que enviam sinais ao cérebro, desencadeando a percepção da necessidade de urinar. Em adultos saudáveis, essa primeira sensação costuma ocorrer quando a bexiga contém aproximadamente entre 150 e 250 mililitros de urina. Segundo o urologista Marcos Silva, a bexiga foi projetada para alternar ciclos de enchimento e esvaziamento. “Quando a pessoa segura o xixi de forma esporádica, o organismo geralmente consegue lidar com essa situação sem grandes consequências. Entretanto, quando isso acontece repetidamente, a musculatura da bexiga passa a trabalhar sob maior pressão e pode perder parte de sua eficiência ao longo do tempo”. O especialista afirma que, “ao permanecer cheia por períodos prolongados, a bexiga sofre um estiramento contínuo de suas fibras musculares, embora esse processo não cause danos imediatos na maioria das pessoas, a repetição frequente pode comprometer a capacidade de contração durante a micção, dificultando o esvaziamento completo do órgão e como consequência, pequenos volumes de urina podem permanecer na bexiga após a micção, criando um ambiente mais favorável para a multiplicação de bactérias”. As infecções urinárias estão entre as complicações mais conhecidas associadas ao hábito de adiar a micção, embora segurar o xixi não seja, isoladamente, a causa dessas infecções, o esvaziamento incompleto da bexiga e a permanência prolongada da urina podem favorecer a proliferação de microrganismos, especialmente em pessoas que já apresentam outros fatores de risco. Além das infecções, o médico alerta para alterações funcionais da própria bexiga. “Com o passar do tempo, algumas pessoas podem desenvolver dificuldades para perceber corretamente a vontade de urinar ou apresentar alterações na frequência das micções, em casos mais graves, também podem surgir episódios de retenção urinária, condição em que a pessoa encontra dificuldade para eliminar a urina de maneira adequada”. O nefrologista Eduardo Vasconcelos, destaca que a saúde urinária depende de um funcionamento coordenado entre rins, bexiga, nervos e músculos do assoalho pélvico. “Quando alguém ignora constantemente os sinais enviados pela bexiga, acaba interferindo em um mecanismo fisiológico bastante complexo. Em algumas situações, isso pode alterar a sensibilidade do órgão e prejudicar seu funcionamento normal”. Ele ressalta que grupos profissionais, como motoristas, professores, profissionais da saúde, operadores de máquinas e trabalhadores que possuem poucas oportunidades para fazer pausas ao longo do expediente, costumam estar mais expostos a esse comportamento. “A rotina intensa faz com que muitos adiem repetidamente a ida ao banheiro, transformando uma situação excepcional em um hábito diário”. Muitas pessoas acreditam que treinar a bexiga significa suportar a vontade de urinar pelo maior tempo possível. No entanto, o treinamento vesical é uma técnica indicada apenas em situações específicas, como casos de bexiga hiperativa ou incontinência urinária, e deve ser realizado com orientação profissional, além disso, a frequência considerada normal para urinar varia de pessoa para pessoa, de acordo com fatores como idade, hidratação e condições de saúde. Em geral, urinar entre quatro e oito vezes ao dia é considerado compatível com um funcionamento saudável. Vasconcelos também destaca que manter uma boa hidratação é essencial para a saúde do sistema urinário, enquanto reduzir a ingestão de água para evitar idas ao banheiro pode favorecer infecções e cálculos renais em pessoas predispostas. “Caso surjam sintomas como dor ou ardência ao urinar, sangue na urina, dificuldade para esvaziar a bexiga, perdas involuntárias de urina ou aumento da frequência urinária, é importante procurar avaliação médica”.
Dietas virais divulgadas nas redes sociais podem comprometer a saúde

Basta alguns minutos nas redes sociais para encontrar vídeos que prometem perder vários quilos em poucos dias. Jejum prolongado, corte de carboidratos, dietas “detox” e desafios alimentares fazem sucesso entre influenciadores e atraem milhares de pessoas em busca do corpo ideal. Apesar da popularidade, nutricionistas alertam que essas estratégias podem provocar prejuízos físicos e emocionais e ainda dificultar o emagrecimento no longo prazo. A promessa de resultados rápidos é um dos principais atrativos. “As dietas da moda chamam atenção porque garantem um resultado imediato. Elas são extremamente restritivas, cortam grupos alimentares ou impõem jejuns prolongados, algo que o nosso metabolismo não consegue sustentar por muito tempo”, afirma a nutricionista Priscila Rodrigues. “Na maioria das vezes, o peso eliminado não é gordura. O indivíduo desidrata, perde muita água e acredita que emagreceu. Depois, esse resultado não se mantém e ainda podem surgir compulsão alimentar, fraqueza e desnutrição”, acrescenta. A nutricionista clínica e esportiva, Ana Camila Mininel Liberador, destaca que dietas restritivas favorecem uma espécie de “desnutrição funcional”, causada pela falta de vitaminas, minerais e outros nutrientes essenciais. “Mesmo que o objetivo seja emagrecer, essa carência pode provocar cansaço, tonturas, redução da disposição e perda de massa muscular. Com menos músculos, o metabolismo desacelera e aumenta a chance de recuperar o peso perdido”. Outro problema frequente é a exclusão completa de grupos alimentares, segundo Ana Camila. “Os carboidratos são a principal fonte de energia do corpo e do cérebro. Já as gorduras boas participam da produção de hormônios, da absorção de vitaminas e da saúde cardiovascular. O maior risco está em transformar a alimentação em uma lista de proibições”. As restrições costumam prejudicar o comportamento alimentar. Segundo Priscila, quem elimina determinados alimentos passa a pensar neles o tempo todo. “Chega um momento em que o corpo pede energia e o cidadão acaba ‘chutando o balde’, comendo tudo o que vê pela frente. Depois vem a culpa, inicia outra restrição e esse ciclo se repete. Isso tem agravado muito a saúde mental”. Ela explica ainda que a fome emocional vai além da necessidade fisiológica. “A pessoa termina de almoçar e poucos minutos depois já procura um doce ou continua beliscando. Muitas vezes usa a comida para compensar felicidade, tristeza, ansiedade ou estresse. O chamado efeito sanfona também preocupa. Quando o organismo passa muito tempo ingerindo menos calorias do que precisa, entra em economia de energia. Isso pode gerar cansaço, irritação e metabolismo lento”. Ana Camila ressalta também que a perda de massa muscular agrava esse processo. “Mais importante do que emagrecer rapidamente é preservar os músculos, reduzir gordura de forma gradual e criar hábitos que possam ser mantidos por toda a vida”. “Uma dieta aparentemente inofensiva pode comprometer o controle da diabetes, da hipertensão ou de doenças renais. Além disso, sintomas como fraqueza, tonturas e falta de energia não devem ser encarados como parte normal do emagrecimento”, complementa. As duas especialistas defendem que a perda de peso seja acompanhada por um profissional. “Enquanto as dietas da moda oferecem uma receita genérica, a nutrição personalizada considera a saúde, a rotina e os objetivos de cada indivíduo”, afirma Ana Camila. Priscila reforça que investir em orientação especializada é mais vantajoso do que apostar em soluções milagrosas. “O nutricionista avalia exames, rotina, prática de atividade física e necessidades individuais. O que funciona para alguns não funciona para outros. A alimentação saudável continua sendo o caminho mais seguro para conquistar resultados duradouros e preservar a saúde”, conclui.
Julho Amarelo reforça a importância de prevenir as hepatites virais

Consideradas um importante problema de saúde pública, as hepatites virais podem evoluir de forma silenciosa durante anos, aumentando o risco de complicações graves, como cirrose e câncer de fígado. A campanha Julho Amarelo busca ampliar o conhecimento da população sobre as diferentes formas de transmissão, incentivar a realização de testes e reforçar que a doença pode ser tratada com sucesso. Elas são inflamações no fígado provocadas por diferentes vírus, classificados principalmente como hepatites A, B, C, D e E. Embora todas afetem o mesmo órgão, elas apresentam características distintas quanto à forma de transmissão, à gravidade e às possibilidades de prevenção e tratamento. Em muitos pacientes, especialmente nas B e C, a infecção pode não causar sintomas por um longo período, o que favorece a evolução silenciosa da doença. Segundo a hepatologista Mariana Almeida, “as hepatites A e E costumam ser transmitidas principalmente por água e alimentos contaminados, estando relacionadas às condições de saneamento e higiene. Já as hepatites B, C e D são transmitidas pelo contato com sangue contaminado e outros fluidos corporais, podendo ocorrer durante relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de seringas, materiais perfurocortantes ou, em alguns casos, da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. A hepatite D depende da presença do vírus da hepatite B para infectar uma pessoa”. Ela explica que cada tipo da doença apresenta evolução diferente. “A hepatite A geralmente provoca uma infecção aguda, da qual a maioria das pessoas se recupera completamente. A hepatite E também costuma ser autolimitada, embora possa representar maior risco para gestantes. Já as hepatites B e C podem se tornar crônicas, permanecendo no organismo por décadas e aumentando significativamente o risco de cirrose, insuficiência hepática e carcinoma hepatocelular quando não diagnosticadas e tratadas adequadamente”. Entre os principais sintomas das hepatites virais estão cansaço excessivo, febre, mal-estar, perda de apetite, náuseas, vômitos, dor abdominal, urina escura, fezes claras e pele e olhos amarelados, quadro conhecido como icterícia. Entretanto, os especialistas alertam que boa parte das infecções, principalmente pelas hepatites B e C, não apresenta manifestações clínicas nas fases iniciais. Por esse motivo, muitas pessoas descobrem a doença apenas durante exames de rotina ou quando surgem complicações decorrentes do comprometimento do fígado. O infectologista Marcelo Azevedo destaca que a falta de sintomas não significa ausência de danos ao organismo. “O vírus pode permanecer ativo por muitos anos, causando inflamação progressiva no fígado sem que o paciente perceba qualquer alteração. Isso reforça a necessidade de realizar testes, especialmente entre pessoas que apresentam fatores de risco ou que nunca fizeram o exame. O diagnóstico precoce permite iniciar o acompanhamento antes que ocorram lesões irreversíveis”. De acordo com Azevedo, o diagnóstico das hepatites virais é realizado por exames laboratoriais. “Eles estão disponíveis em diversos serviços públicos de saúde, permitem identificar as hepatites B e C em poucos minutos. Quando o resultado é reagente, testes complementares confirmam o diagnóstico, avaliam a atividade do vírus e o comprometimento do fígado. Também podem ser solicitados exames de sangue para avaliar a função hepática e exames de imagem”. A prevenção é uma das principais estratégias para reduzir as hepatites virais. “A vacinação contra as hepatites A e B, disponível no Programa Nacional de Imunizações, é a medida mais eficaz para evitar essas infecções. Como a hepatite D depende do vírus B, a vacina contra a hepatite B também oferece proteção indireta. Outras medidas incluem o uso de preservativos e a não reutilização ou compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas, alicates de unha e materiais para tatuagens ou piercings sem esterilização adequada”, explica o infectologista.
Síndrome do olho seco é frequente no inverno e exige atenção

Com a chegada do inverno, cresce também a preocupação de especialistas em saúde ocular com uma condição frequentemente subestimada, mas cada vez mais comum na população urbana: a síndrome do olho seco. É nesse contexto que o mês de julho passa a ser associado à campanha Julho Turquesa, uma iniciativa voltada à prevenção, diagnóstico e tratamento dessa doença que afeta a qualidade de vida de milhões de pessoas. A síndrome do olho seco ocorre quando há uma instabilidade ou insuficiência do filme lacrimal, responsável por manter a superfície ocular lubrificada. Essa deficiência pode acontecer tanto pela baixa produção de lágrimas quanto pela evaporação excessiva delas. Entre os sinais mais comuns estão ardor, sensação de areia nos olhos, vermelhidão, coceira, visão embaçada e lacrimejamento paradoxal, quando o olho produz lágrimas em excesso como resposta à irritação. A oftalmologista Helena Monteiro explica que o aumento dos casos durante o inverno não é coincidência. “No frio, o ar tende a ficar mais seco e as pessoas passam mais tempo em ambientes fechados, muitas vezes com aquecedores ou ar-condicionado, que reduzem ainda mais a umidade do ambiente. Isso acelera a evaporação da lágrima e agrava os sintomas do olho seco, além disso, o uso prolongado de telas faz com que o paciente pisque menos, o que compromete a distribuição lacrimal”. O diagnóstico da síndrome do olho seco é clínico, baseado na avaliação dos sintomas relatados pelo paciente e em exames oftalmológicos específicos. “Entre os testes mais utilizados estão a avaliação do tempo de ruptura do filme lacrimal, a coloração da superfície ocular com corantes especiais e o teste de Schirmer, que mede a produção de lágrimas. Em muitos casos, o diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações como inflamações crônicas da córnea e até lesões na superfície ocular”, completa. Na avaliação do oftalmologista Renato Ferreira, não ignorar os sinais iniciais é muito importante. “Muita gente acha que olho seco é apenas um desconforto passageiro, mas estamos falando de uma condição inflamatória crônica. Se não tratada, ela pode impactar significativamente a visão e a qualidade de vida, o paciente começa a evitar leitura, uso de computador e até atividades ao ar livre por conta do incômodo”. O tratamento da síndrome do olho seco varia conforme a gravidade do quadro. Nos casos leves, o uso de lágrimas artificiais é geralmente suficiente para aliviar os sintomas e restaurar o equilíbrio do filme lacrimal. Já em situações mais moderadas ou graves, podem ser indicados colírios anti-inflamatórios, suplementação com ácidos graxos, terapias para estimular a produção lacrimal e procedimentos para oclusão dos pontos lacrimais, que reduzem a drenagem das lágrimas e prolongam sua permanência na superfície ocular. Segundo Ferreira, a adesão ao tratamento é um dos maiores desafios. “Como os sintomas podem oscilar, muitos pacientes abandonam o processo quando se sentem melhor, mas o olho seco exige acompanhamento contínuo. A regularidade no uso dos colírios e a mudança de hábitos são tão importantes quanto a medicação”. Quando se fala em prevenção, pequenas mudanças na rotina podem fazer grande diferença. Os especialistas recomendam pausas regulares durante o uso de telas, seguindo a regra 20-20-20, a cada 20 minutos, olhar para algo a 20 pés de distância (cerca de seis metros) por pelo menos 20 segundos, além de piscar conscientemente com mais frequência. A hidratação adequada do corpo, o uso de umidificadores de ar em ambientes secos e a proteção contra vento frio também são medidas importantes, durante o inverno. Ele reforça ainda o impacto do estilo de vida moderno no aumento dos casos. “O olho seco deixou de ser uma condição exclusiva de idosos. Hoje vemos muitos jovens e adultos com os sintomas, principalmente por causa do uso intenso de smartphones, computadores e ambientes com ar-condicionado. O Julho Turquesa é importante justamente para alertar que esse problema está mais perto do que se imagina”.