Minas Gerais tem baixa adesão de meninos à vacinação contra HPV

vacinação contra o HPV (papilomavírus humano) ainda avança pouco para os meninos em Minas Gerais. Entre 2014 e 2022, apenas 9,96% dos adolescentes de 9 a 14 anos completaram o esquema vacinal no Estado, referente ao sistema de duas doses, conforme dados do Observatório de Pesquisa e Estudos em Vacinação (Opesv), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Desde 2024, o Brasil adotou o esquema de dose única para meninas e meninos dessa faixa etária. Segundo o Ministério da Saúde, o HPV está associado ao câncer do colo do útero e a outros tumores, sendo possível prevenir a infecção por meio da vacinação gratuita no Sistema Único de Saúde (SUS). A pesquisa identificou cinco perfis distintos no Estado. Enquanto parte das cidades combina alta cobertura vacinal e melhores condições socioeconômicas, outras enfrentam baixa adesão associada à pobreza, acesso limitado à saúde e fragilidades na rede pública. Mesmo em áreas mais urbanizadas, persistem desafios, especialmente na vacinação do público masculino. O estudo mostra ainda que apenas 9,73% dos municípios mineiros atingiram a meta de cobertura vacinal (acima de 80%) para a primeira dose entre meninos. Entre as meninas, o índice chega a 77,49%. No geral, 37,51% das cidades alcançaram a meta para a primeira dose. A professora e coordenadora do estudo, Fernanda Penido, explica que a diferença de adesão entre adolescentes do sexo feminino e masculino pode estar relacionada a fatores culturais e à percepção de risco do vírus, tradicionalmente associado à saúde da mulher. “De modo geral, as meninas costumam se vacinar contra o HPV mais que os meninos, visto que campanhas voltadas ao público masculino ainda têm menor alcance, em razão da menor percepção de prioridade dessa vacina para eles”. Fernanda destaca também que os dados sinalizam desigualdades significativas na cobertura vacinal. Fatores como condições socioeconômicas, acesso à saúde, urbanização e à informação influenciam diretamente na adesão. “O processo de urbanização possibilita maior acessibilidade aos serviços de saúde, às informações sobre a importância da prevenção das infecções associadas ao HPV e os benefícios da vacinação, o que, consequentemente, reflete em maior cobertura vacinal”. HPV ainda é subestimado Para o infectologista da Unimed BH e presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Adelino Melo, o HPV é subestimado como um problema de saúde pública. “Talvez por não ter sintomas iniciais, ser uma infecção muitas vezes subclínica e latente, com complicações tardias. Também pelo fato de não saberem que o câncer de colo de útero, de cabeça ou pescoço estão diretamente ligados a esse vírus, e isso faz com que as pessoas não estejam tão atentas a essa infecção e ao rastreio e à prevenção necessária para combater esses eventos”. O HPV não é um problema só das mulheres, esclarece o infectologista. “Os homens têm papel essencial na transmissão entre as pessoas. Esses pacientes podem ter câncer relacionado à infecção, como de pênis, do canal anal, entre outros. E eles precisam estar sensibilizados para a importância do HPV, da sua saúde e do bem-estar dos que eles se relacionam”. Melo destaca que a vacina é a melhor forma de prevenção. “É a estratégia mais eficiente que temos de combate a essa infecção. O nosso principal desafio é aumentar os índices de vacinação. Também precisamos melhorar o acesso ao rastreamento, com métodos mais modernos de investigação”. “Vários tipos de HPV são combatidos e ficam transitoriamente conosco e depois o sistema imune consegue controlar e eliminar. Mas, com alguns deles isso não acontece, e os tratamentos não eliminam completamente o vírus, porém, ajuda o sistema imunológico a resolver aquela manifestação. Por essa razão que o rastreamento é tão importante, juntamente com a prevenção. Para que possa impedir que as pessoas adquiram o vírus e aqueles que adquiriram consigam enxergar quais têm mais risco, e quais já têm lesões iniciais que possam ser tratadas”, esclarece o especialista.

Brasil pode somar 1,2 milhão de pessoas com doença de Parkinson em 2060

A doença de Parkinson, condição neurológica progressiva que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, ainda é cercada por dúvidas. Caracterizada principalmente por alterações motoras, como tremores e rigidez muscular, ela também impacta aspectos cognitivos e emocionais. Um levantamento conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em parceria com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), aponta que mais de 500 mil brasileiros com 50 anos ou mais convivem atualmente com a doença. As projeções, no entanto, indicam um crescimento expressivo nas próximas décadas: até 2060, esse contingente pode ultrapassar 1,2 milhão de pessoas. O estudo também revela que a maioria dos casos é identificada apenas em fases mais avançadas, o que sugere que os sinais iniciais da doença frequentemente não são reconhecidos ou acabam sendo ignorados. Segundo a neurologista Helena Duarte, o Parkinson tem origem complexa e multifatorial. “A doença está associada à degeneração de neurônios produtores de dopamina em uma região do cérebro chamada substância negra. A dopamina é fundamental para o controle dos movimentos, e sua redução causa os sintomas característicos”. Ela ressalta que fatores genéticos e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença, embora, na maioria dos casos, não haja uma causa única. Os sintomas vão muito além dos tremores, que são frequentemente vistos como sua principal marca. Helena destaca que “os primeiros sinais podem ser sutis, como diminuição do olfato, alterações no sono e uma leve lentidão nos movimentos. Com o tempo, surgem rigidez muscular, instabilidade postural e dificuldades na fala e na escrita”. Além disso, sintomas não motores, como depressão, ansiedade e comprometimento cognitivo, também são comuns e muitas vezes negligenciados. O diagnóstico ainda é essencialmente clínico, baseado na avaliação dos sintomas e no histórico do paciente. “Não existe um exame único que confirme o Parkinson de forma definitiva, os exames de imagem podem ser usados para descartar outras condições, mas a observação médica especializada continua sendo o principal instrumento diagnóstico”, explica. Essa realidade pode levar a atrasos na identificação da doença, especialmente em fases iniciais. Em relação ao tratamento, embora ainda não exista cura, há diversas abordagens capazes de melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes. O uso de medicamentos que aumentam ou substituem a dopamina é a base do tratamento. “A levodopa continua sendo o padrão ouro, mas hoje contamos com outras opções terapêuticas e até intervenções cirúrgicas, como a estimulação cerebral profunda, em casos selecionados”, explica o neurocirurgião Ricardo Tavares. Ele enfatiza também a importância de terapias complementares, como fisioterapia, fonoaudiologia. A prevenção do Parkinson ainda é um campo em desenvolvimento, mas estudos indicam que hábitos saudáveis podem reduzir riscos ou retardar o aparecimento dos sintomas. “Atividade física regular, alimentação equilibrada e estímulo cognitivo são aliados importantes para a saúde do cérebro”, afirma. Tavares ressalta que, para além dos aspectos médicos, muitos pacientes enfrentam preconceito e isolamento, principalmente devido às manifestações motoras visíveis. “É fundamental que a sociedade compreenda que o Parkinson não define a pessoa. É possível manter uma vida ativa e digna”. Campanhas de conscientização, acessibilidade em espaços públicos e políticas de inclusão no mercado de trabalho são algumas das medidas apontadas como essenciais para reduzir a marginalização. Além disso, o suporte familiar e comunitário desempenha papel crucial no bem- -estar dos pacientes. “O acolhimento faz toda a diferença. Quando a pessoa se sente compreendida, ela enfrenta a doença com mais autonomia e confiança”, conclui.

Câncer colorretal é uma doença silenciosa em estágios iniciais

O câncer colorretal, que afeta o intestino grosso e o reto, consolidou-se como um dos principais desafios de saúde pública no Brasil. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que a doença ocupa a segunda posição entre os tipos mais frequentes em homens e mulheres. Das 781 mil estimativas anuais de novos casos para o triênio 2026-2028, cerca de 26 mil devem ser de cólon e reto, cenário que reforça a prevenção e o diagnóstico precoce. O avanço da doença está ligado a mudanças no perfil da população e, principalmente, no estilo de vida. Segundo o oncologista Matheus Baptista, esse crescimento é multifatorial. “O aumento da incidência do câncer colorretal no Brasil está relacionado a um conjunto de fatores que vêm se consolidando nas últimas décadas. Um dos principais é o envelhecimento da população”. A oncologista Thais Passarini destaca que tem crescido o número de diagnósticos entre adultos jovens. Ela aponta que o fenômeno está relacionado, para além do estilo de vida contemporâneo, a outros fatores. “Há também evidências do impacto do microbioma intestinal, já que alterações na flora podem contribuir para inflamação crônica e desenvolvimento do câncer”. De acordo com Baptista, outro ponto crítico é o diagnóstico tardio. A doença costuma evoluir de forma lenta e silenciosa, o que dificulta a identificação precoce. “Geralmente, o câncer colorretal se desenvolve a partir de pólipos benignos e, nas fases iniciais, pode não causar dor nem alterações significativas. Quando surgem, os sintomas são inespecíficos e frequentemente atribuídos a problemas comuns, como alterações alimentares ou estresse. Por isso, muitos pacientes convivem por semanas ou meses com sinais leves antes de procurar avaliação médica”. Ele alerta que a persistência é o principal indicativo de risco. “Sangue nas fezes, mudança no hábito intestinal, dor abdominal, anemia e perda de peso sem causa aparente devem ser investigados, especialmente quando persistem ou aparecem associados”. Diagnóstico tardio Thais ressalta que, apesar de uma parcela dos casos estar ligada a fatores hereditários, a maioria está associada a hábitos e fatores ambientais. Ainda assim, o diagnóstico precoce segue como o maior desafio no país. “Mais de 80% dos casos são diagnosticados em estágios avançados. O Brasil não possui um programa nacional organizado de rastreamento, e o acesso à colonoscopia ainda é limitado, sobretudo no sistema público. Além disso, há baixa conscientização da população e dificuldades de acesso a consultas e exames”. Entre os mais jovens, a oncologista acredita que o problema pode ser ainda mais grave. “Existe uma tendência de subvalorizar sintomas como sangramento nas fezes ou alteração do hábito intestinal, tanto pelos pacientes quanto por profissionais de saúde. Isso atrasa a investigação e aumenta a probabilidade de diagnóstico em fases mais avançadas”. Alta taxa de cura Apesar do cenário preocupante, os especialistas reforçam que o câncer colorretal tem alto potencial de cura quando identificado precocemente. “Quando diagnosticado em estágios iniciais, as chances de cura podem superar 90%, e o tratamento tende a ser menos agressivo, muitas vezes restrito à cirurgia, com melhor qualidade de vida para o paciente”, afirma Thais. A colonoscopia é considerada o principal exame para detecção e prevenção, pois permite identificar e remover lesões antes que evoluam para câncer. A recomendação é iniciar o rastreamento a partir dos 45 anos, ou antes, em casos de histórico familiar. Para Baptista, ampliar a conscientização é fundamental. “Mais do que tratar o câncer, o objetivo é evitar que ele se desenvolva ou identificá-lo precocemente. Informação, acompanhamento médico e adesão aos exames são essenciais para reduzir a mortalidade”, conclui.

64% dos jovens adultos dizem não consumir bebidas alcoólicas

De acordo com a pesquisa Ipsos-Ipec, encomendada pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) para a sétima edição da publicação “Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025”, a taxa de abstinência entre jovens apresentou crescimento. Entre pessoas de 18 a 24 anos, o índice subiu de 46% para 64%, enquanto na faixa de 25 a 34 anos o aumento foi de 47% para 61%. No panorama geral, 64% dos brasileiros declararam não consumir bebidas alcoólicas em 2025, um aumento em relação a 2023, quando 55% afirmaram não beber. Os maiores aumentos ocorreram entre indivíduos com ensino superior (de 49% para 62%), moradores da região Sudeste (de 51% para 62%) e das classes A e B (de 44% para 55%), sendo mais acentuado nos municípios localizados em regiões metropolitanas e capitais. Segundo a psicóloga clínica Karen Lourenço, uma das explicações para essa queda de consumo está em uma mudança de valores entre gerações. “Durante muito tempo o álcool teve um papel central na socialização juvenil, associado à ideia de aproveitar a vida em festas e encontros frequentes. Entre os jovens atuais, vemos uma redefinição desse ideal. Para muitos deles, está relacionado ao cuidado com o corpo e com a saúde mental. Existe ainda uma preocupação maior com a própria imagem e com o desempenho pessoal, algo influenciado pelas redes sociais”. “Nesse cenário, práticas como atividade física, atenção à higiene e as horas de sono, alimentação equilibrada e cuidado com a saúde mental passam a ocupar um espaço importante no estilo de vida, e o álcool deixa de ter o papel central que tinha na socialização de gerações anteriores. Hoje, jovens se divertem indo à academia, praticando ioga, participando de encontros matinais, corridas, entre outras coisas. E isso contribui para a saúde e também para a boa imagem nas redes sociais”, complementa. Para Karen, a redução do consumo de álcool entre os jovens pode trazer impactos sociais relevantes ao longo do tempo. “Podemos esperar uma mudança na cultura de socialização que não foca exclusivamente em festas centralizadas em álcool e em encontros feitos exclusivamente para beber. Além disso, pode haver efeitos positivos na saúde pública, como menor incidência de acidentes e doenças relacionadas ao álcool, e também uma valorização maior de estilos de vida que priorizam autocuidado e equilíbrio emocional”. Saúde física A médica Gastroenterologista e Hepatologista do Hospital Belo Horizonte, Camila Caroline Leal Oliveira, explica que o fígado é o principal órgão responsável por metabolizar o álcool. “Quando o consumo é frequente, pode causar acúmulo de gordura nas células hepáticas e inflamação. Com o tempo, esse processo pode evoluir para fibrose, que é a formação de cicatrizes no fígado decorrentes da agressão crônica. Em estágios mais avançados, podem evoluir para cirrose”. Camila ressalta que essa abstinência dos jovens pode ter um impacto positivo importante na saúde pública. “Quanto menor a exposição ao álcool ao longo da vida, menor a chance de desenvolver inflamação hepática crônica e fibrose. Existe uma preocupação crescente com o aumento de enfermidades hepáticas nesse grupo de pessoas. Por isso, é interessante manter um acompanhamento com exames periódicos, fazer pelo menos um check-up hepatológico, incluindo rastreio para hepatites virais, e receber orientação sobre hábitos de vida, especialmente em relação ao consumo de álcool”. Sem interesse A jovem Thais de Paula, de 29 anos, que atualmente trabalha como babá, conta que não consome álcool. “Já experimentei, mas não gosto do efeito em mim. Na verdade, nunca me interessei, talvez porque meus pais consomem e eu não gosto da forma que eles agem quando bebem. Meu pai já teve problemas com bebidas por causa do vício e isso é algo que não quero para minha vida”. Thais relata ainda que já sofreu pressão para consumir álcool. “Inclusive, nas vezes que provei foram porque as pessoas diziam que eu precisava beber, porém, sempre que provava me sentia estranha. A última vez que tomei metade de um drink passei mal”. Ela destaca ainda que pretende continuar essa abstinência. “Em breve vou completar 30 anos, não faz sentido começar a beber agora”.

Um em cada cinco adolescentes no mundo vive com obesidade

Informações do Atlas Mundial da Obesidade 2026 indicam que 20,7% das crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos no mundo apresentam sobrepeso ou obesidade, o que corresponde a aproximadamente um em cada cinco jovens, somando 419 milhões de pessoas. Segundo projeções da Federação Mundial da Obesidade, esse número pode chegar a 507 milhões até 2040, caso a tendência atual se mantenha. Em comunicado, a entidade adverte que o excesso de peso na infância pode desencadear problemas de saúde semelhantes aos verificados em adultos, como hipertensão e doenças cardiovasculares. As projeções indicam que, até 2040, cerca de 57,6 milhões de crianças poderão apresentar sinais iniciais de doenças cardiovasculares, enquanto 43,2 milhões devem manifestar hipertensão. Os dados apontam que no Brasil cerca de 6,6 milhões de crianças entre 5 e 9 anos apresentam sobrepeso ou obesidade. Quando se inclui a faixa etária de 10 a 19 anos, esse contingente chega a 9,9 milhões, somando aproximadamente 16,5 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos vivendo com excesso de peso no país. As projeções para 2040 indicam um cenário preocupante: mais de 1,6 milhão de jovens dessa faixa etária podem ser diagnosticados com hipertensão associada ao índice de massa corporal (IMC); cerca de 635 mil devem apresentar hiperglicemia relacionada ao IMC; aproximadamente 2,1 milhões podem ter níveis elevados de triglicerídeos; e 4,6 milhões podem desenvolver doença hepática esteatótica metabólica. Para a endocrinologista pediátrica Mariana Vasconcelos, o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, aliado à redução da atividade física, tem impacto direto na saúde das crianças. “A obesidade infantil é uma condição complexa, que envolve fatores biológicos, comportamentais e sociais. Hoje vemos crianças consumindo grandes quantidades de produtos ricos em açúcar, gorduras e sódio, ao mesmo tempo em que passam muitas horas diante de telas. Esse conjunto favorece o ganho de peso e pode desencadear problemas de saúde que eram mais comuns na vida adulta”. Segundo Mariana, os impactos do excesso de peso podem aparecer de forma precoce e afetar diferentes sistemas do organismo. “Crianças com obesidade têm maior risco de desenvolver hipertensão, resistência à insulina, diabetes tipo 2, alterações no colesterol e problemas no fígado. Além disso, existem consequências emocionais importantes, como baixa autoestima, ansiedade e episódios de bullying”. O nutricionista Carlos Menezes destaca que os hábitos familiares têm papel fundamental na formação do comportamento alimentar das crianças. “Os pais são os principais modelos para os filhos. Quando a família adota uma alimentação equilibrada e inclui atividades físicas na rotina, as crianças tendem a reproduzir esse comportamento. Oferecer frutas, verduras e refeições caseiras, reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e limitar o tempo de tela são medidas simples que fazem grande diferença”. Ele também ressalta a importância de estabelecer uma relação saudável com a comida desde cedo. “É fundamental evitar o uso de alimentos como recompensa ou punição. A criança precisa aprender a reconhecer sinais de fome e saciedade, além de entender que a alimentação saudável faz parte do cuidado com o corpo”. Além das mudanças no ambiente familiar, o profissional defende que o enfrentamento da obesidade infantil exige ações mais amplas por parte do poder público. “Esse é um problema que ultrapassa a responsabilidade individual das famílias. Precisamos de políticas que incentivem ambientes mais saudáveis, como regulamentação da publicidade de alimentos ultraprocessados voltada ao público infantil, rotulagem clara dos produtos e programas de alimentação saudável nas escolas”. Menezes defende investimentos em infraestrutura urbana que favoreçam a prática de atividades físicas. “Espaços públicos seguros, parques, ciclovias e quadras esportivas são fundamentais para estimular crianças e adolescentes a se movimentarem. A escola também pode desempenhar um papel central, ampliando o tempo dedicado à educação física e à educação alimentar”. Outra medida apontada é o fortalecimento da atenção básica em saúde, como programas de acompanhamento nutricional e orientação às famílias que podem ajudar na identificação precoce de casos de sobrepeso e na adoção de estratégias de prevenção.

Mpox: nova variante desperta preocupação entre especialistas

Mais de 80 casos de mpox já foram confirmados no Brasil em 2026, segundo dados do Ministério da Saúde. A doença, causada pelo vírus monkeypox, voltou a preocupar após o aumento das notificações e a maior circulação de pessoas no período pós-Carnaval. O cenário ganha um novo componente com a confirmação, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de uma variante do vírus, formada pela combinação genética dos clados Ib e IIb. O infectologista Klinger Faíco explica que a recombinação é um fenômeno conhecido na virologia, mas que ainda precisa ser observado de perto no contexto da mpox. “Quando falamos de recombinação, estamos nos referindo à mistura do material genético de dois vírus que infectaram a mesma pessoa. Isso pode gerar um novo vírus com características diferentes. Ele pode ter transmissão mais fácil, mais rápida, ou até conseguir driblar o sistema imune. Pessoas que já haviam desenvolvido alguma imunidade podem não estar totalmente protegidas. É algo que ainda não tinha ocorrido na mpox, o que nos preocupa neste momento”. Segundo o especialista, o monitoramento agora deve se concentrar não apenas na quantidade de registros, mas também na evolução clínica dos pacientes. “Precisamos acompanhar se há aumento da gravidade, se mais pessoas estão sendo hospitalizadas, se evoluem para UTI ou apresentam complicações raras, como pneumonia ou encefalite. Tudo isso deve ser analisado para entender se essa nova variante altera o comportamento da enfermidade”. Transmissão A mpox é transmitida principalmente pelo contato direto com lesões cutâneas, secreções, gotículas respiratórias em proximidade prolongada e por objetos contaminados, como roupas e toalhas. A infectologista Flavia Porto ressalta que a disseminação pode ocorrer antes mesmo do surgimento evidente das lesões. “A pessoa começa a transmitir alguns dias antes de apresentar os sintomas. Não existem formas totalmente assintomáticas, como vimos na COVID-19, mas pode haver quadros leves, com poucos sinais, e o diagnóstico passar despercebido. Nesse intervalo, ela já consegue transmitir o vírus até a resolução completa do quadro”. De acordo com Flavia, a manifestação clínica é marcada principalmente por lesões de pele que evoluem de maneira semelhante entre si. “São vesículas, pequenas bolhas agrupadas, que passam por um ciclo: começam como lesão avermelhada, tornam-se bolhas, depois formam crostas e cicatrizam. Diferentemente da catapora, em que as lesões aparecem em estágios distintos, na mpox elas costumam estar na mesma fase. Muitas vezes surgem na região genital ou em mucosas, o que pode confundir com herpes ou outras infecções sexualmente transmissíveis”. Na avaliação da infectologista, qualquer alteração deve ser examinada. “Como se trata de uma doença de notificação compulsória e que não circula amplamente, a orientação é buscar atendimento médico diante de suspeita. O profissional vai avaliar, notificar em até 24 horas e orientar o isolamento. Essa é a lógica para conter a propagação”. Ela reforça que o isolamento deve ser mantido até a cicatrização completa das lesões. “Mesmo que a pessoa esteja se sentindo bem, não pode interromper o isolamento por conta própria. As lesões precisam cicatrizar totalmente antes da liberação médica”. Os especialistas também enfatizam que a mpox não está restrita a um grupo específico, embora determinados perfis tenham concentrado mais ocorrências desde 2022. “Existe muito preconceito quando se associa a doença a um grupo. Todas as pessoas são suscetíveis. A transmissão está ligada à exposição e ao contato, não à identidade de gênero ou à orientação sexual”, afirma Flavia. Klinger Faíco acrescenta que estratégias como prevenção combinada e educação em saúde são essenciais. “Precisamos falar de saúde sexual, testagem, formas de prevenção e acesso à informação de qualidade. A desinformação dificulta o controle da doença e pode afastar as pessoas dos serviços de saúde”.

R$ 5,7 milhões foram gastos com internações por ansiedade

Segundo um levantamento feito pela Planisa, empresa de gestão de gastos hospitalares, em conjunto com a plataforma DRG Brasil, entre 2022 e 2024, as hospitalizações por Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) custaram R$ 5,7 milhões aos hospitais públicos e privados do país. Foram registradas 2.202 internações no período. Dados recentes mostram que o Brasil lidera o ranking mundial de transtornos de ansiedade, com 9,3% da população afetada, o que equivale a cerca de 18 milhões de brasileiros. A depressão também é uma preocupação crescente, agravada pelo impacto da pandemia de COVID-19, que levou a um aumento de 25% nos casos de transtornos mentais no país, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS). A especialista em gestão de saúde corporativa e em psicologia clínica, Renata Livramento, ressalta que esse dado acende um alerta vermelho. “Pois, R$ 5,7 milhões é um custo altíssimo, mas sabemos que isso é só a ponta do iceberg. Por trás desses números existe um sofrimento humano gigantesco, famílias impactadas, pessoas que perdem sua capacidade de trabalho. Quando chegamos ao ponto de uma internação, por exemplo, isso significa que o indivíduo não conseguiu acesso ao tratamento adequado antes ou que o quadro já estava bem avançado”. O TAG é um transtorno de saúde mental, cuja característica principal é uma preocupação excessiva, explica Renata. “E essa apreensão é incontrolável. O paciente fica preocupado a respeito de diversos assuntos, a ponto de prejudicar o seu dia a dia. O transtorno traz uma sensação de descontrole, uma inquietação que não é proporcional à ameaça real que a pessoa está vivendo”. A profissional pontua que os sintomas psicológicos mais comuns são a preocupação excessiva e problemas de concentração. “Já os físicos são fadiga e um cansaço constante, algumas dificuldades com sono, dores de cabeça, problemas gastrointestinais, sudorese e palpitações. Contudo, não necessariamente essas manifestações isoladamente caracterizam um TAG”. Tratamento Renata afirma que por ser um transtorno multifatorial, o tratamento também é multimodal e é individualizado, por isso, a importância de um diagnóstico bem feito. “Basicamente se dividem entre psicoterapia, para identificar os padrões de pensamento negativos e distorcidos; a farmacoterapia, em muitos casos é necessário o uso de medicamentos; e mudanças no estilo de vida para ajudar a pessoa a não apenas sair do quadro de transtorno de ansiedade generalizada, mas também não ter reincidência”. Ela destaca ainda que não tratar corretamente o TAG pode levar a um agravamento da situação. “Essa ansiedade pode se tornar crônica e piorar os sintomas físicos, por exemplo, aumentar o risco de doenças cardiovasculares. Pode gerar também outros problemas de saúde mental e prejudicar severamente a qualidade de vida”. 40 anos com TAG O técnico administrativo, de 53 anos, que prefere não se identificar, diz que ao longo da sua vida sempre teve crises de ansiedade. “Contudo, nunca pensei que fosse progredir e tornar-se algo perigoso, portanto, tem uns 40 anos, aproximadamente, que convivo com o transtorno”. Cada crise tem o seu grau de gravidade, relata o técnico. “Depende muito do que estou encarando. Uma simples mensagem pode desencadear uma ansiedade profunda, caso não haja resposta. Se for algo que possa me prejudicar, minha mente aumenta esse perigo consideravelmente, fazendo com que todos os cenários sejam desfavoráveis a mim. A dimensão de todo episódio negativo é aumentada pelo cérebro. Daí surge a crise de ansiedade e, posteriormente, a autoproteção fazendo com que eu tome decisões desproporcionais ao problema real”. “Meu tratamento está apenas começando, já que a última crise afetou terceiros devido à minha reação negativa. Quando recuperei a razão, assumi os erros, porém, o estrago já tinha sido feito. Por isso, resolvi procurar ajuda médica e o diagnóstico inicial foi o transtorno de ansiedade generalizada”, finaliza.

Mulheres entre 30 e 50 anos são mais afetadas pela fibromialgia

Fevereiro é conhecido mundialmente como o mês de conscientização sobre a fibromialgia, assinalado pela cor roxa em campanhas que buscam dar visibilidade a uma condição ainda pouco compreendida. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a doença afeta cerca de 2% a 3% da população brasileira, com uma maior incidência em mulheres do que em homens, sobretudo na faixa etária entre 30 e 50 anos de idade. O distúrbio crônico é caracterizado por dor musculoesquelética generalizada, fadiga intensa, distúrbios do sono e uma série de outros sintomas que afetam profundamente a qualidade de vida. Segundo a reumatologista Carolina Menezes, a fibromialgia ainda é um desafio para a medicina moderna justamente porque não há um exame específico que a confirme. “O diagnóstico é clínico, baseado em critérios definidos pelo Colégio Americano de Reumatologia que levam em conta a presença de dor difusa ao longo do corpo por mais de três meses, além de sintomas associados como fadiga, alterações do sono e problemas cognitivos ou névoa mental”. Para a especialista, a falta de um marcador biológico dificulta tanto a identificação precoce quanto a aceitação da doença por parte de profissionais de saúde menos familiarizados com o tema. A causa da fibromialgia ainda não é totalmente esclarecida, mas pesquisadores apontam para uma combinação de fatores genéticos, neuroquímicos e ambientais. “Sabemos que há uma alteração na maneira como o sistema nervoso central processa os sinais de dor, um fenômeno chamado sensibilização central, que faz com que estímulos normalmente leves sejam interpretados como intensamente dolorosos”, explica a neurologista Marina Torres. Carolina destaca que os sintomas variam de pessoa para pessoa, mas a dor difusa é o mais característico. “Ela pode ser sentida em músculos, tendões e articulações, e costuma ser descrita como uma dor profunda e persistente. Pacientes também relatam fadiga intensa que não melhora com o descanso, distúrbios do sono, como insônia ou sono não reparador, e sensibilidade exagerada a estímulos como luz, ruído e toque, além de dificuldades cognitivas, como memória falha, dificuldade de concentração e sensação de lentidão mental”. Tratamento O tratamento da fibromialgia é multidimensional, já que não existe uma cura definitiva. “Aqui não falamos em eliminar completamente os sintomas, mas em reduzir sua intensidade e melhorar a funcionalidade do paciente”, afirma Marina. “Medicamentos que modulam os neurotransmissores envolvidos na percepção da dor podem ser úteis em alguns casos, mas não são eficazes para todos. Em paralelo, terapias como atividade física regular, especialmente exercícios de baixo impacto como caminhada, natação e alongamentos, têm papel central no alívio da dor e na melhora da qualidade de vida”, ressalta. A neurologista comenta ainda a importância de incluir técnicas de relaxamento que ajudam a reduzir a tensão muscular e melhorar o equilíbrio emocional. “O corpo e a mente estão intimamente ligados na fibromialgia. Técnicas que atuam sobre o estresse e a ansiedade reduzem a sensação de dor e promovem bem-estar”. Embora não exista uma maneira de prevenir a fibromialgia de forma garantida, especialistas indicam medidas que podem reduzir o risco de agravamento dos sintomas ou ajudar no enfrentamento da condição. Marina recomenda atenção ao gerenciamento do estresse, manutenção de um padrão regular de sono e prática de exercícios físicos adaptados à capacidade individual. “A convivência com a fibromialgia exige adaptação e paciência. Para muitos, isso significa reorganizar rotinas, ajustar expectativas e aprender a escutar o próprio corpo”.

Hipertensão arterial já atinge três em cada 10 adultos brasileiros

A hipertensão arterial atinge 29,7% da população adulta brasileira, segundo dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2025. O levantamento do Ministério da Saúde monitora fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis. O índice representa crescimento em relação a 2006, quando 22,6% dos brasileiros relataram diagnóstico médico de pressão alta. O avanço da hipertensão no Brasil ocorre em paralelo ao aumento da obesidade e do diabetes, compondo um cenário preocupante para a saúde pública e ampliando o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Para a cardiologista e presidente do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Érika Campana, os números refletem um problema estrutural. “O fato de quase 3 em cada 10 adultos brasileiros terem hipertensão revela um quadro preocupante de saúde cardiovascular populacional. O aumento também está relacionado ao envelhecimento da população, alimentação rica em sal e ultraprocessados, sedentarismo, obesidade, estresse crônico e acesso irregular ao cuidado em saúde”. A especialista destaca ainda que o problema vai além do diagnóstico. “Apenas 3 em cada 10 brasileiros portadores de hipertensão estão com a pressão arterial controlada. É um marcador claro de que estamos falhando na prevenção, diagnóstico precoce e tratamento”. O crescimento mais recente entre as mulheres também chama atenção. De acordo com Érika, com a queda do estrogênio, há redução da proteção natural dos vasos sanguíneos. “Além do acúmulo de jornadas de trabalho, o estresse e a piora do sono contribuem para o avanço da pressão alta nesse público após os 40 anos”. Outro fator de risco é o calor intenso. “O estresse térmico e a desidratação podem levar a quedas bruscas ou picos de pressão. Esse desequilíbrio aumenta o risco de eventos como AVC e infarto, especialmente em idosos e pacientes crônicos”, explica a médica. Além das complicações graves, Érika afirma que hipertensão impacta a qualidade de vida. “Sono fragmentado, cansaço persistente e fadiga são sinais de que o corpo está sob estresse cardiovascular constante e ser o principal fator de risco para a morte cardiovascular”. Obesidade em alta O avanço da pressão alta também está diretamente ligado ao crescimento da obesidade no Brasil. Entre 2006 e 2024, o índice mais que dobrou, passando de 11,8% para 25,7%. Para o especialista em emagrecimento Marcelo Carneiro, a relação é clara. “A obesidade favorece alterações no funcionamento do organismo que elevam a pressão arterial, como inflamações e sobrecarga do coração e dos vasos sanguíneos”. Ele ressalta que se trata de um fator de risco evitável. “A obesidade é hoje um dos principais fatores de risco que podem ser prevenidos ou controlados. Perder peso já traz benefícios efetivos para o controle da hipertensão”. Segundo Carneiro, o excesso de peso dificulta a ação da insulina, favorece o acúmulo de sal e líquidos e compromete a flexibilidade das artérias, levando à elevação progressiva da pressão. Para o médico, o crescimento simultâneo de obesidade, diabetes e hipertensão evidencia fragilidades na prevenção. “Precisamos de políticas públicas que incentivem hábitos saudáveis desde a infância, além de acompanhamento regular da população”. Acompanhamento Érika destaca que a supervisão médica regular permite ajustar o tratamento de forma personalizada, identificar precocemente complicações e avaliar o risco cardiovascular global do paciente. “Quando esse cuidado é associado a mudanças de hábitos, como alimentação equilibrada, redução do sal, atividade física, controle do peso, sono adequado e redução do álcool, os benefícios são potencializados. Medicação e estilo de vida se complementam na proteção do coração, rim e cérebro”. “A obesidade é uma doença crônica, com múltiplas causas, e precisa de acompanhamento médico contínuo, assim como a hipertensão e o diabetes. As pessoas que sofrem de obesidade precisam de apoio familiar e não de julgamentos”, conclui Marcelo.

Episódios de pedra nos rins podem aumentar 30% no verão

Com as altas temperaturas do verão, a incidência de cálculo renal, popularmente conhecida como pedra nos rins, aumenta significativamente nos prontos-socorros. De acordo com um levantamento realizado pelo Centro de Referência em Saúde do Homem, de São Paulo, há um salto de até 30% nos atendimentos a pacientes com essa condição durante a estação. Segundo a pesquisa, embora qualquer pessoa possa desenvolver cálculos renais, alguns grupos são mais vulneráveis no verão. Entre eles, estão indivíduos com histórico familiar de doença, obesos, portadores de diabetes e pessoas com ácido úrico elevado, além de trabalhadores que atuam em ambientes quentes, praticantes de exercícios ao ar livre e idosos. Este último requer atenção especial, já que, com o avanço da idade, a percepção de sede tende a diminuir, o que leva a uma quantidade insuficiente de ingestão de água. É estimado que 15% da população mundial enfrente o problema, e 1,5 milhão de brasileiros vivem com alguma disfunção renal. De acordo com o médico nefrologista, Alexandre Bignelli, o problema ocorre devido a uma combinação perigosa. “Desidratação acentuada, seja pelo excesso de suor ou pela baixa ingestão de água, e o aumento no consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas e dietéticas contidas”. “O maior consumo de proteínas e de alimentos muito salgados e açucarados atua como uma ocorrência para o surgimento do problema. Nesse cenário, os enxágues são obrigados a concentrar a urina para regular a quantidade de água no corpo, o que favorece a cristalização e a formação de pedras”, explica o especialista. Para o urologista da Unimed-BH, Paulo Eduardo de Oliveira Alvarez, a manifestação do cálculo mais típica é quando a pedra sai do rim e desce em direção à bexiga. “Quando segue por esse caminho, o cálculo fica agarrado e represa a urina, provocando uma dor de alta intensidade, geralmente, na região das costas. Esse desconforto se espalha para frente da barriga, acompanhada de vômitos”. Porém, alguns cálculos são mais silenciosos, afirma Oliveira. “Especialmente os relacionados com infecção. Existem algumas bactérias na urina que, quando causam a inflamação, podem derivar a formação de pedras. Esse cálculo mantém o micróbio dentro dele e fica ocasionando quadros repetidos de infecção urinária”. O urologista destaca ainda que as pedras podem ocasionar danos importantes. “Por exemplo, podem levar a uma dilatação do canal e prejudicar o funcionamento do rim. Além disso, a obstrução que o cálculo provoca no aparelho urinário leva ao represamento da urina, o que pode desencadear infecção urinária, tendo consequências relevantes para o paciente. Inclusive, uma das indicações principais é tratá-lo, mesmo que a pedra seja um pouco menor”. Tratamento Alvarez esclarece que o tratamento depende muito da localização do cálculo no aparelho urinário. “Hoje em dia, a tendência é ser o menos invasivo possível para resolver o problema do paciente, sendo a maioria das cirurgias endoscópicas. Geralmente, o médico entra com um aparelho endoscópico e sobe pelo canal urinário”. “Quando o cálculo é localizado, pode ser fragmentado com laser, sendo esse o tratamento habitual. Existem outros procedimentos, por exemplo, através de uma punção do rim que permite quebrar os cálculos maiores, com localização um pouco inadequada para o método endoscópico”, acrescenta. O especialista finaliza ressaltando a importância da hidratação. “Isso evita o acúmulo de cristais e a formação de cálculos dentro da urina. Além da água, a limonada é bem interessante para ajudar na hidratação. Evite ficar o dia inteiro sem beber água e também o excesso de sal na alimentação”.