Sintomas de hemorroidas e do câncer colorretal podem ser confundidos

Sangramento anal, dor, coceira e a presença de caroços na região do ânus são sintomas frequentemente associados à hemorroida, um problema que afeta cerca de metade das pessoas com mais de 50 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, esses mesmos sinais também podem indicar doenças mais graves, como o câncer colorretal, o terceiro tipo de tumor mais frequente no Brasil, com estimativa de 45.630 novos casos por ano, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca). A semelhança entre os sintomas reforça a importância da avaliação médica para que o diagnóstico correto seja feito o quanto antes. Dados da OMS mostram ainda que cerca de 25 mil brasileiros são submetidos a cirurgias para tratar a doença hemorroidária no Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os sintomas mais comuns estão coceira, irritação, dor durante ou após a evacuação, sensação de inchaço e sangramento com sangue vermelho-vivo, normalmente observado no papel higiênico, nas fezes ou no vaso sanitário. Apesar de frequente na doença hemorroidária, esse sinal não deve ser encarado como algo normal. “Alterações como nódulos, inchaços, bolinhas e até pequenas protuberâncias perto do ânus são muito comuns, mas nem tudo é hemorroida. O diagnóstico depende de uma avaliação médica, e é preciso estar atento para não postergar diagnósticos importantes”, alerta a proctologista Clarisse Casali. Além da avaliação clínica, Clarisse destaca que podem ser feitos exames como pesquisa de sangue oculto nas fezes e colonoscopia com biópsia, que permitem identificar mudanças no cólon e no reto. “Alguns sintomas exigem atenção imediata, como sangramento intenso ou com coágulos, alteração persistente do hábito intestinal, fezes escuras, perda de peso sem causa aparente, fadiga constante e histórico familiar de câncer colorretal. Pessoas com mais de 50 anos também devem manter acompanhamento regular, mesmo na ausência de sintomas”. Outras doenças podem provocar manifestações semelhantes, entre elas fissura anal, fístula, abscesso e pólipos intestinais. Por isso, o diagnóstico diferencial é essencial para definir o tratamento adequado e evitar que doenças potencialmente graves sejam descobertas apenas em estágios avançados. Vida saudável O cirurgião do aparelho digestivo Marcel Autran César Machado reforça que mudanças no estilo de vida beneficiam tanto a saúde intestinal quanto a prevenção de doenças. “Algumas medidas preventivas são fundamentais para manter a saúde, como adotar um estilo de vida ativo, já que o exercício regular ajuda a reduzir o risco de câncer e pode ajudar a evitar constipação, um fator de risco para hemorroidas. Além de uma alimentação rica em fibras e hidratação adequada”. Machado reforça que sintomas persistentes nunca devem ser tratados apenas com automedicação. “A procura por atendimento médico diante de qualquer sangramento anal ou alteração intestinal continua sendo a principal estratégia para garantir um diagnóstico precoce e aumentar bastante as chances de sucesso no tratamento, especialmente nos casos de câncer colorretal”, conclui.

27 milhões de brasileiros podem apresentar enxaqueca sem diagnóstico

Cerca de 27 milhões de brasileiros podem conviver com enxaqueca sem saber que têm a doença. Apesar do número expressivo, apenas 23 milhões receberam diagnóstico médico. Os dados são do estudo “Radar da Enxaqueca no Brasil”, pesquisa inédita da farmacêutica Teva Brasil com o apoio da Associação Brasileira de Cefaleia em Salvas e Enxaqueca (Abraces). De acordo com a pesquisa, as crises duram, em média, 15 horas e atingem intensidade de 5,9 em uma escala de zero a dez. Entre os pacientes diagnosticados, 35% afirmaram sentir “a pior dor que podem imaginar”, enquanto entre os que ainda não receberam diagnóstico esse percentual é de 26%. O estudo também sugere que o subdiagnóstico é mais frequente entre pessoas de menor renda: mais de 80% dos não diagnosticados estariam nas classes C, D e E. A médica neurologista Helena Providelli, especialista em cefaleia e no tratamento da enxaqueca, explica que a principal razão da doença ainda ser subdiagnosticada é porque ela é subestimada e banalizada. “Muitos não entendem que é uma patologia neurológica crônica e acreditam que seja apenas uma ‘dor de cabeça’. Com isso, acabam normalizando crises frequentes e demoram a procurar ajuda especializada”. “A enxaqueca vai muito além de uma dor. Ela costuma ser incapacitante, pode piorar com atividades rotineiras e ser acompanhada de náuseas, vômitos e hipersensibilidade à luz, sons e cheiros. Algumas pessoas também podem apresentar tontura, alterações visuais e dificuldade de concentração durante as crises”, acrescenta. O atraso no diagnóstico pode levar à cronificação da doença, ao uso excessivo de analgésicos, e ao maior risco de ansiedade e depressão, alerta a neurologista. “Além de importantes prejuízos profissionais, sociais e familiares. Muitos pacientes deixam de fazer planos e passam a organizar a própria vida em função das crises”. Predominância feminina As mulheres concentram a maior parte dos diagnósticos (75%) e também predominam entre os que têm sintomas sem diagnóstico (63%). Porém, a participação masculina cresce no grupo subdiagnosticado, passando de 25% entre os diagnosticados para 37% entre os sem confirmação clínica, o que pode indicar menor reconhecimento da doença entre os homens. Entre os que relatam sintomas sem diagnóstico, 56% têm até 39 anos. O presidente da Abraces, Mario Peres, afirma que a enxaqueca afeta desproporcionalmente as mulheres, em grande parte devido às variações hormonais ao longo da vida fértil. “As oscilações nos níveis de estrogênio influenciam a atividade cerebral e a sensibilidade dos vasos sanguíneos, tornando as crises mais frequentes e intensas. Além dos fatores biológicos, aspectos como estresse, sobrecarga mental e menor tempo de descanso contribuem para o aumento dos episódios”. Controle da doença Helena destaca que o tratamento é individualizado e pode incluir medicações para aliviar as crises e procedimentos preventivos para reduzir sua frequência. “Hoje também contamos com opções mais modernas, como a toxina botulínica e medicamentos desenvolvidos especificamente para a enxaqueca, os anticorpos anti-CGRP”. Além dos medicamentos, ela ressalta que mudanças no estilo de vida são essenciais. “Sono adequado, alimentação regular, hidratação, atividade física e manejo do estresse fazem parte do tratamento da enxaqueca. Não existe uma fórmula única para todos os pacientes, mas pequenas mudanças de hábitos fazem a diferença quando associadas ao procedimento correto”. “A enxaqueca é uma doença genética e crônica. Por isso, o objetivo do tratamento não é a cura, mas buscar um controle. É reduzir a frequência e a intensidade das crises e devolver qualidade de vida ao paciente. Em muitos casos, é possível alcançar longos períodos com excelente controle dos sintomas”, complementa. Para a médica, apesar dos grandes avanços dos últimos anos, o acesso aos procedimentos mais modernos ainda é um desafio no Brasil. “Na rede pública, há dificuldades relacionadas ao acesso ao especialista e à disponibilidade de alguns tratamentos. Na rede privada, os principais obstáculos costumam ser o alto custo das medicações mais recentes e as barreiras impostas pelos planos de saúde para sua autorização”, finaliza.

Segurar o xixi por longos períodos pode ocasionar problemas urinários

Adiar frequentemente a micção pode contribuir para o surgimento de infecções urinárias, desconfortos e alterações na função da bexiga. Em situações ocasionais, esse hábito normalmente não causa prejuízos, pois o organismo é capaz de armazenar a urina por determinado período até que seja possível realizar o esvaziamento da bexiga. No entanto, quando essa prática se torna recorrente, pode comprometer o funcionamento adequado desse órgão e aumentar o risco de problemas no trato urinário. A bexiga é um órgão muscular que atua como um reservatório para a urina produzida pelos rins. À medida que a urina se acumula, ocorre a distensão de sua parede, ativando receptores sensoriais que enviam sinais ao cérebro, desencadeando a percepção da necessidade de urinar. Em adultos saudáveis, essa primeira sensação costuma ocorrer quando a bexiga contém aproximadamente entre 150 e 250 mililitros de urina. Segundo o urologista Marcos Silva, a bexiga foi projetada para alternar ciclos de enchimento e esvaziamento. “Quando a pessoa segura o xixi de forma esporádica, o organismo geralmente consegue lidar com essa situação sem grandes consequências. Entretanto, quando isso acontece repetidamente, a musculatura da bexiga passa a trabalhar sob maior pressão e pode perder parte de sua eficiência ao longo do tempo”. O especialista afirma que, “ao permanecer cheia por períodos prolongados, a bexiga sofre um estiramento contínuo de suas fibras musculares, embora esse processo não cause danos imediatos na maioria das pessoas, a repetição frequente pode comprometer a capacidade de contração durante a micção, dificultando o esvaziamento completo do órgão e como consequência, pequenos volumes de urina podem permanecer na bexiga após a micção, criando um ambiente mais favorável para a multiplicação de bactérias”. As infecções urinárias estão entre as complicações mais conhecidas associadas ao hábito de adiar a micção, embora segurar o xixi não seja, isoladamente, a causa dessas infecções, o esvaziamento incompleto da bexiga e a permanência prolongada da urina podem favorecer a proliferação de microrganismos, especialmente em pessoas que já apresentam outros fatores de risco. Além das infecções, o médico alerta para alterações funcionais da própria bexiga. “Com o passar do tempo, algumas pessoas podem desenvolver dificuldades para perceber corretamente a vontade de urinar ou apresentar alterações na frequência das micções, em casos mais graves, também podem surgir episódios de retenção urinária, condição em que a pessoa encontra dificuldade para eliminar a urina de maneira adequada”. O nefrologista Eduardo Vasconcelos, destaca que a saúde urinária depende de um funcionamento coordenado entre rins, bexiga, nervos e músculos do assoalho pélvico. “Quando alguém ignora constantemente os sinais enviados pela bexiga, acaba interferindo em um mecanismo fisiológico bastante complexo. Em algumas situações, isso pode alterar a sensibilidade do órgão e prejudicar seu funcionamento normal”. Ele ressalta que grupos profissionais, como motoristas, professores, profissionais da saúde, operadores de máquinas e trabalhadores que possuem poucas oportunidades para fazer pausas ao longo do expediente, costumam estar mais expostos a esse comportamento. “A rotina intensa faz com que muitos adiem repetidamente a ida ao banheiro, transformando uma situação excepcional em um hábito diário”. Muitas pessoas acreditam que treinar a bexiga significa suportar a vontade de urinar pelo maior tempo possível. No entanto, o treinamento vesical é uma técnica indicada apenas em situações específicas, como casos de bexiga hiperativa ou incontinência urinária, e deve ser realizado com orientação profissional, além disso, a frequência considerada normal para urinar varia de pessoa para pessoa, de acordo com fatores como idade, hidratação e condições de saúde. Em geral, urinar entre quatro e oito vezes ao dia é considerado compatível com um funcionamento saudável. Vasconcelos também destaca que manter uma boa hidratação é essencial para a saúde do sistema urinário, enquanto reduzir a ingestão de água para evitar idas ao banheiro pode favorecer infecções e cálculos renais em pessoas predispostas. “Caso surjam sintomas como dor ou ardência ao urinar, sangue na urina, dificuldade para esvaziar a bexiga, perdas involuntárias de urina ou aumento da frequência urinária, é importante procurar avaliação médica”.

Dietas virais divulgadas nas redes sociais podem comprometer a saúde

Basta alguns minutos nas redes sociais para encontrar vídeos que prometem perder vários quilos em poucos dias. Jejum prolongado, corte de carboidratos, dietas “detox” e desafios alimentares fazem sucesso entre influenciadores e atraem milhares de pessoas em busca do corpo ideal. Apesar da popularidade, nutricionistas alertam que essas estratégias podem provocar prejuízos físicos e emocionais e ainda dificultar o emagrecimento no longo prazo. A promessa de resultados rápidos é um dos principais atrativos. “As dietas da moda chamam atenção porque garantem um resultado imediato. Elas são extremamente restritivas, cortam grupos alimentares ou impõem jejuns prolongados, algo que o nosso metabolismo não consegue sustentar por muito tempo”, afirma a nutricionista Priscila Rodrigues. “Na maioria das vezes, o peso eliminado não é gordura. O indivíduo desidrata, perde muita água e acredita que emagreceu. Depois, esse resultado não se mantém e ainda podem surgir compulsão alimentar, fraqueza e desnutrição”, acrescenta. A nutricionista clínica e esportiva, Ana Camila Mininel Liberador, destaca que dietas restritivas favorecem uma espécie de “desnutrição funcional”, causada pela falta de vitaminas, minerais e outros nutrientes essenciais. “Mesmo que o objetivo seja emagrecer, essa carência pode provocar cansaço, tonturas, redução da disposição e perda de massa muscular. Com menos músculos, o metabolismo desacelera e aumenta a chance de recuperar o peso perdido”. Outro problema frequente é a exclusão completa de grupos alimentares, segundo Ana Camila. “Os carboidratos são a principal fonte de energia do corpo e do cérebro. Já as gorduras boas participam da produção de hormônios, da absorção de vitaminas e da saúde cardiovascular. O maior risco está em transformar a alimentação em uma lista de proibições”. As restrições costumam prejudicar o comportamento alimentar. Segundo Priscila, quem elimina determinados alimentos passa a pensar neles o tempo todo. “Chega um momento em que o corpo pede energia e o cidadão acaba ‘chutando o balde’, comendo tudo o que vê pela frente. Depois vem a culpa, inicia outra restrição e esse ciclo se repete. Isso tem agravado muito a saúde mental”. Ela explica ainda que a fome emocional vai além da necessidade fisiológica. “A pessoa termina de almoçar e poucos minutos depois já procura um doce ou continua beliscando. Muitas vezes usa a comida para compensar felicidade, tristeza, ansiedade ou estresse. O chamado efeito sanfona também preocupa. Quando o organismo passa muito tempo ingerindo menos calorias do que precisa, entra em economia de energia. Isso pode gerar cansaço, irritação e metabolismo lento”. Ana Camila ressalta também que a perda de massa muscular agrava esse processo. “Mais importante do que emagrecer rapidamente é preservar os músculos, reduzir gordura de forma gradual e criar hábitos que possam ser mantidos por toda a vida”. “Uma dieta aparentemente inofensiva pode comprometer o controle da diabetes, da hipertensão ou de doenças renais. Além disso, sintomas como fraqueza, tonturas e falta de energia não devem ser encarados como parte normal do emagrecimento”, complementa. As duas especialistas defendem que a perda de peso seja acompanhada por um profissional. “Enquanto as dietas da moda oferecem uma receita genérica, a nutrição personalizada considera a saúde, a rotina e os objetivos de cada indivíduo”, afirma Ana Camila. Priscila reforça que investir em orientação especializada é mais vantajoso do que apostar em soluções milagrosas. “O nutricionista avalia exames, rotina, prática de atividade física e necessidades individuais. O que funciona para alguns não funciona para outros. A alimentação saudável continua sendo o caminho mais seguro para conquistar resultados duradouros e preservar a saúde”, conclui.

Julho Amarelo reforça a importância de prevenir as hepatites virais

Consideradas um importante problema de saúde pública, as hepatites virais podem evoluir de forma silenciosa durante anos, aumentando o risco de complicações graves, como cirrose e câncer de fígado. A campanha Julho Amarelo busca ampliar o conhecimento da população sobre as diferentes formas de transmissão, incentivar a realização de testes e reforçar que a doença pode ser tratada com sucesso. Elas são inflamações no fígado provocadas por diferentes vírus, classificados principalmente como hepatites A, B, C, D e E. Embora todas afetem o mesmo órgão, elas apresentam características distintas quanto à forma de transmissão, à gravidade e às possibilidades de prevenção e tratamento. Em muitos pacientes, especialmente nas B e C, a infecção pode não causar sintomas por um longo período, o que favorece a evolução silenciosa da doença. Segundo a hepatologista Mariana Almeida, “as hepatites A e E costumam ser transmitidas principalmente por água e alimentos contaminados, estando relacionadas às condições de saneamento e higiene. Já as hepatites B, C e D são transmitidas pelo contato com sangue contaminado e outros fluidos corporais, podendo ocorrer durante relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de seringas, materiais perfurocortantes ou, em alguns casos, da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. A hepatite D depende da presença do vírus da hepatite B para infectar uma pessoa”. Ela explica que cada tipo da doença apresenta evolução diferente. “A hepatite A geralmente provoca uma infecção aguda, da qual a maioria das pessoas se recupera completamente. A hepatite E também costuma ser autolimitada, embora possa representar maior risco para gestantes. Já as hepatites B e C podem se tornar crônicas, permanecendo no organismo por décadas e aumentando significativamente o risco de cirrose, insuficiência hepática e carcinoma hepatocelular quando não diagnosticadas e tratadas adequadamente”. Entre os principais sintomas das hepatites virais estão cansaço excessivo, febre, mal-estar, perda de apetite, náuseas, vômitos, dor abdominal, urina escura, fezes claras e pele e olhos amarelados, quadro conhecido como icterícia. Entretanto, os especialistas alertam que boa parte das infecções, principalmente pelas hepatites B e C, não apresenta manifestações clínicas nas fases iniciais. Por esse motivo, muitas pessoas descobrem a doença apenas durante exames de rotina ou quando surgem complicações decorrentes do comprometimento do fígado. O infectologista Marcelo Azevedo destaca que a falta de sintomas não significa ausência de danos ao organismo. “O vírus pode permanecer ativo por muitos anos, causando inflamação progressiva no fígado sem que o paciente perceba qualquer alteração. Isso reforça a necessidade de realizar testes, especialmente entre pessoas que apresentam fatores de risco ou que nunca fizeram o exame. O diagnóstico precoce permite iniciar o acompanhamento antes que ocorram lesões irreversíveis”. De acordo com Azevedo, o diagnóstico das hepatites virais é realizado por exames laboratoriais. “Eles estão disponíveis em diversos serviços públicos de saúde, permitem identificar as hepatites B e C em poucos minutos. Quando o resultado é reagente, testes complementares confirmam o diagnóstico, avaliam a atividade do vírus e o comprometimento do fígado. Também podem ser solicitados exames de sangue para avaliar a função hepática e exames de imagem”. A prevenção é uma das principais estratégias para reduzir as hepatites virais. “A vacinação contra as hepatites A e B, disponível no Programa Nacional de Imunizações, é a medida mais eficaz para evitar essas infecções. Como a hepatite D depende do vírus B, a vacina contra a hepatite B também oferece proteção indireta. Outras medidas incluem o uso de preservativos e a não reutilização ou compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas, alicates de unha e materiais para tatuagens ou piercings sem esterilização adequada”, explica o infectologista.

Síndrome do olho seco é frequente no inverno e exige atenção

Com a chegada do inverno, cresce também a preocupação de especialistas em saúde ocular com uma condição frequentemente subestimada, mas cada vez mais comum na população urbana: a síndrome do olho seco. É nesse contexto que o mês de julho passa a ser associado à campanha Julho Turquesa, uma iniciativa voltada à prevenção, diagnóstico e tratamento dessa doença que afeta a qualidade de vida de milhões de pessoas. A síndrome do olho seco ocorre quando há uma instabilidade ou insuficiência do filme lacrimal, responsável por manter a superfície ocular lubrificada. Essa deficiência pode acontecer tanto pela baixa produção de lágrimas quanto pela evaporação excessiva delas. Entre os sinais mais comuns estão ardor, sensação de areia nos olhos, vermelhidão, coceira, visão embaçada e lacrimejamento paradoxal, quando o olho produz lágrimas em excesso como resposta à irritação. A oftalmologista Helena Monteiro explica que o aumento dos casos durante o inverno não é coincidência. “No frio, o ar tende a ficar mais seco e as pessoas passam mais tempo em ambientes fechados, muitas vezes com aquecedores ou ar-condicionado, que reduzem ainda mais a umidade do ambiente. Isso acelera a evaporação da lágrima e agrava os sintomas do olho seco, além disso, o uso prolongado de telas faz com que o paciente pisque menos, o que compromete a distribuição lacrimal”. O diagnóstico da síndrome do olho seco é clínico, baseado na avaliação dos sintomas relatados pelo paciente e em exames oftalmológicos específicos. “Entre os testes mais utilizados estão a avaliação do tempo de ruptura do filme lacrimal, a coloração da superfície ocular com corantes especiais e o teste de Schirmer, que mede a produção de lágrimas. Em muitos casos, o diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações como inflamações crônicas da córnea e até lesões na superfície ocular”, completa. Na avaliação do oftalmologista Renato Ferreira, não ignorar os sinais iniciais é muito importante. “Muita gente acha que olho seco é apenas um desconforto passageiro, mas estamos falando de uma condição inflamatória crônica. Se não tratada, ela pode impactar significativamente a visão e a qualidade de vida, o paciente começa a evitar leitura, uso de computador e até atividades ao ar livre por conta do incômodo”. O tratamento da síndrome do olho seco varia conforme a gravidade do quadro. Nos casos leves, o uso de lágrimas artificiais é geralmente suficiente para aliviar os sintomas e restaurar o equilíbrio do filme lacrimal. Já em situações mais moderadas ou graves, podem ser indicados colírios anti-inflamatórios, suplementação com ácidos graxos, terapias para estimular a produção lacrimal e procedimentos para oclusão dos pontos lacrimais, que reduzem a drenagem das lágrimas e prolongam sua permanência na superfície ocular. Segundo Ferreira, a adesão ao tratamento é um dos maiores desafios. “Como os sintomas podem oscilar, muitos pacientes abandonam o processo quando se sentem melhor, mas o olho seco exige acompanhamento contínuo. A regularidade no uso dos colírios e a mudança de hábitos são tão importantes quanto a medicação”. Quando se fala em prevenção, pequenas mudanças na rotina podem fazer grande diferença. Os especialistas recomendam pausas regulares durante o uso de telas, seguindo a regra 20-20-20, a cada 20 minutos, olhar para algo a 20 pés de distância (cerca de seis metros) por pelo menos 20 segundos, além de piscar conscientemente com mais frequência. A hidratação adequada do corpo, o uso de umidificadores de ar em ambientes secos e a proteção contra vento frio também são medidas importantes, durante o inverno. Ele reforça ainda o impacto do estilo de vida moderno no aumento dos casos. “O olho seco deixou de ser uma condição exclusiva de idosos. Hoje vemos muitos jovens e adultos com os sintomas, principalmente por causa do uso intenso de smartphones, computadores e ambientes com ar-condicionado. O Julho Turquesa é importante justamente para alertar que esse problema está mais perto do que se imagina”.

Dor nas pernas nem sempre está associada a problema no nervo ciático

Sentir uma dor que percorre a perna costuma ser motivo suficiente para muitas pessoas associarem o problema ao nervo ciático. Embora a ciática seja uma das causas mais conhecidas desse tipo de desconforto, dores musculares, tendinites e até alterações vasculares podem provocar sintomas parecidos. A semelhança entre os quadros faz com que muitos pacientes iniciem tratamentos inadequados, prolongando o sofrimento e retardando a recuperação. Segundo o fisioterapeuta e osteopata Laudelino Risso, a principal diferença está na forma como o incômodo se manifesta. “Uma dor filiforme do nervo vai pegar todo o trajeto do nervo. Já a dor muscular é difusa e afeta uma área mais ampla”. A chamada dor ciática acontece quando o nervo ciático sofre algum tipo de compressão, geralmente causada por problemas na coluna, como hérnia de disco ou estenose vertebral. Nesses casos, o desconforto costuma seguir um trajeto específico, irradiando da região lombar para os glúteos, a coxa, a panturrilha e, em alguns casos, até os pés. Já os quadros musculares apresentam características distintas. Além de serem mais espalhados, costumam piorar quando a musculatura afetada é exigida durante movimentos do dia a dia. “A dor muscular normalmente se agrava no movimento quando aquele músculo é acionado. O nervo fica constante. É uma posição que causa grande alívio”, afirma Risso. Semelhanças que confundem A confusão ocorre porque algumas estruturas musculares podem reproduzir sinais muito parecidos com os da ciática. Entre elas estão os músculos glúteo médio, glúteo mínimo, piriforme e tensor da fáscia lata, além de tendões da região posterior da coxa. “Dores musculares descem pela perna, bem como também a dor nervosa e outras alterações vasculares também podem gerar dores no local”, destaca o especialista. Uma das condições que mais gera dúvidas é a síndrome do piriforme. Nela, um músculo localizado na região glútea pode comprimir o nervo ciático e provocar sintomas semelhantes aos de uma ciatalgia. Segundo Risso, existem diferenças importantes. “Uma ciática que pode trazer compressão no nervo por tensão da musculatura é uma patologia de variação anatômica mais rara, chamada Síndrome do Piriforme, mas provoca uma dor somente no posterior da coxa, não descendo para a região da panturrilha ou pés”. Perigo da automedicação Na tentativa de aliviar o desconforto, muitas pessoas recorrem a massagens, compressas quentes ou pomadas sem saber exatamente qual é a origem do problema. O fisioterapeuta alerta que, embora essas medidas possam ajudar em alguns casos, nem sempre são totalmente indicadas. “Uma dor muscular pode ter um componente de contratura, onde compressas e massagens costumam trazer bom auxílio para o alívio dos sintomas. Às vezes, o músculo está gerando processos de tendinites, onde o calor e a massagem podem agravar o caso mesmo sendo muscular”. Outro grande fator dificultante do diagnóstico é que alterações nervosas e musculares podem ocorrer simultaneamente. Segundo o osteopata, uma compressão do nervo ciático pode enfraquecer a musculatura ao longo do tempo, favorecendo inflamações e sobrecargas. “Muitas vezes o nervo gera uma compressão e faz com que o músculo gere uma hipotonia e fragilidade muscular”. “A escolha de um profissional especializado vai fazer muita diferença para o diagnóstico e encaminhamento para o devido tratamento”, finaliza.

Nove em cada dez mortes de gestantes são evitáveis no Brasil

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em 2024, foram registrados 1.347 óbitos de gestantes, sendo que a maioria dessas mortes, nove em cada dez, era evitável. De acordo com os dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM-Datasus), consultados no Observatório da Saúde Pública da Umane, a Razão de Morte Materna (RMM) no país é de 56,4 a cada 100 mil nascidos vivos. Conforme o Ministério da Saúde, as quatro principais causas de óbito materno no Brasil, entre as obstétricas diretas, são as síndromes hipertensivas, hemorragias, infecções puerperais e complicações do aborto. Esses motivos são responsáveis por 66% das mortes de gestantes no país. O ginecologista e obstetra da Unimed-BH, Marcos Roberto Taveira, esclarece que diagnóstico tardio pode contribuir para um desfecho desfavorável. “E para melhorar essa situação, é preciso criar protocolos assistenciais bem rigorosos e de atendimento no tempo mais curto possível”. Ele acredita que as altas taxas de mortalidade materna no Brasil possuem alguns fatores. “Um deles é a qualidade de assistência para o pré-natal, que oscila muito nas populações mais carentes. Outra questão é o alto índice de cesarianas realizadas no país. Somos um dos campeões mundiais e isso eleva a taxa de complicações com hemorragia, infecções e intercorrências cirúrgicas”. “Além disso, há um grande volume de consultas médicas que os profissionais de saúde precisam atender atualmente. São atendimentos agendados entre 15 e 20 minutos, e, às vezes, o tempo não é o suficiente para avaliar a gestante e nem mesmo escutar de forma adequada. Também podemos citar a estrutura das unidades primárias e secundárias de saúde, e seguir mais fielmente os protocolos existentes nos níveis municipal, estadual e federal”, acrescenta. A reportagem entrou em contato com o Ministério da Saúde para ter um posicionamento sobre o tema, mas não obtivemos resposta até o fechamento da edição. Mais suporte O enfermeiro obstétrico, Renné Costa, ressalta que além dos médicos, uma equipe de diferentes profissionais é importante para garantir o atendimento adequado às mulheres. “Precisamos acreditar muito na multidisciplinaridade das profissões. Cada um fazendo o seu papel, mas todo mundo centrado nos objetivos que são a mãe e o bebê”. Taveira destaca ainda que para melhorar esses índices, é necessário investir na capacitação das equipes dos hospitais para estarem aptos a atender a gestante de risco. “Com protocolos bem definidos e treinamentos técnicos que são fundamentais para melhorar a assistência. E também que as maternidades estejam com seu parque tecnológico atualizado o máximo possível”. Para o ginecologista, é preciso maior suporte do governo na esfera municipal, estadual e federal para as unidades básicas, secundárias e terciárias de saúde pública. “Isso vai garantir que elas tenham cada vez mais uma proximidade de recurso com relação ao serviço privado”. “Acredito que no nível terciário é um pouco melhor, porém, os níveis secundários e primários, às vezes, faltam recursos, como insumos e profissionais capacitados. Melhorar a estrutura das equipes multiprofissionais, em todos os níveis, com certeza, vai impactar na mortalidade materna”, finaliza. Meta brasileira A meta do país é chegar a 30 mortes a cada 100 mil nascidos vivos até 2030. No âmbito federal, em 2024, o governo lançou programa para reduzir a mortalidade materna em 25% até 2027. Em relação a mulheres pretas, a intenção é reduzir a mortalidade em 50% no mesmo período. Chamado de Rede Alyne, a iniciativa é uma reestruturação da antiga Rede Cegonha, de cuidados a gestantes e bebês na rede pública. O programa homenageia a jovem negra Alyne Pimentel, que morreu aos 28 anos, grávida de seis meses, por falta de atendimento adequado. O objetivo do projeto é beneficiar mulheres com cuidado humanizado e integral, observando as desigualdades étnico-raciais e regionais.

Uso inadequado de hormônios é prática que pode ser fatal

A morte do fisiculturista e influenciador brasileiro Gabriel Ganley, aos 22 anos, provocou comoção nas redes sociais e reacendeu um debate delicado dentro do universo do fisiculturismo: os limites do corpo humano diante do uso intenso de hormônios e substâncias para ganho de massa muscular. Informações divulgadas pela imprensa apontam que exames preliminares indicaram cardiomiopatia hipertrófica, uma doença cardíaca que pode ser agravada pelo uso de anabolizantes. Embora a causa definitiva ainda dependa da conclusão dos laudos periciais, a morte do jovem atleta colocou novamente em evidência um problema antigo e crescente no meio esportivo, o uso indiscriminado de esteroides anabolizantes, hormônio do crescimento e até insulina por praticantes de fisiculturismo, inclusive entre jovens que buscam resultados rápidos para ganhar espaço nas redes sociais e nas competições. O endocrinologista Gilberto Assunção explica que os anabolizantes são usados no fisiculturismo porque aceleram processos fisiológicos ligados ao ganho de massa muscular e à recuperação física. “Esses hormônios aumentam a síntese proteica e permitem que o atleta treine mais pesado e com menor tempo de recuperação. O problema é que alguns utilizam doses muito superiores às terapêuticas e combinam várias substâncias ao mesmo tempo, sem qualquer controle médico”. Segundo o especialista, o uso contínuo desses compostos pode provocar uma série de alterações graves no organismo. Entre elas estão hipertensão arterial, aumento do colesterol ruim, sobrecarga do fígado, infertilidade, alterações psiquiátricas e crescimento anormal do músculo cardíaco. “Muitos atletas enxergam apenas o ganho estético imediato, mas ignoram que o coração também é um músculo e sofre impacto direto. Em casos extremos, podem ocorrer arritmias, infarto e morte súbita”. Nos últimos anos, outro hormônio passou a chamar atenção no universo da musculação extrema: a insulina. Medicamento essencial para pessoas com diabetes, ela vem sendo usada ilegalmente por atletas para potencializar o ganho muscular. A substância ajuda a transportar glicose e nutrientes para dentro das células, aumentando a capacidade de recuperação e crescimento dos músculos. “O problema é que seu uso inadequado pode causar hipoglicemia severa, uma queda abrupta dos níveis de açúcar no sangue, levando a desmaios, convulsões, coma e até morte”, alerta Assunção. A nutricionista Cristina Souza afirma que muitos jovens acabam influenciados por conteúdos publicados nas redes sociais sem compreender os riscos envolvidos. “Existe uma romantização do corpo extremo. O adolescente vê um influenciador musculoso, com milhões de seguidores, carros, contratos e fama, e acredita que aquilo é apenas resultado de treino e disciplina. Poucos falam sobre as substâncias usadas nos bastidores e, principalmente, sobre as consequências”. Cristina explica que o uso de insulina por pessoas não diabéticas representa um dos cenários mais perigosos da atualidade no fisiculturismo. “A insulina pode derrubar rapidamente a glicemia. Se o atleta erra a dose ou não faz a ingestão correta de carboidratos, ele pode perder a consciência em minutos. É uma prática extremamente arriscada e que, infelizmente, vem sendo banalizada em fóruns e grupos clandestinos da internet”. Ela destaca que o crescimento das redes sociais intensificou a pressão estética e aumentou a busca por resultados rápidos. “Influenciadores fitness transformaram o corpo musculoso em símbolo de sucesso e reconhecimento, enquanto jovens cada vez mais cedo passam a consumir conteúdos sobre ‘ciclos’, ‘bulking’ e protocolos hormonais sem orientação profissional. Em muitos casos, adolescentes têm acesso facilitado a substâncias ilegais vendidas pela internet ou em academias”. Para Assunção, o combate ao problema exige uma combinação de informação, fiscalização e educação. “Não basta apenas proibir. É necessário explicar, desde cedo, como essas substâncias afetam o organismo. Muitos jovens acreditam que são invencíveis e que os efeitos colaterais só acontecem com os outros. A conscientização precisa começar nas escolas, academias e dentro da própria família”.

Novas diretrizes reforçam tratamento da fibromialgia no país

A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) publicou novas diretrizes para o tratamento da fibromialgia no Brasil, atualizando recomendações que estavam em vigor desde 2010. O documento traz evidências científicas recentes e reforça a importância do acompanhamento contínuo, do uso racional de medicamentos e das abordagens não farmacológicas para o cuidado aos pacientes. A fibromialgia afeta entre 2,5% e 3% da população brasileira e é caracterizada por dor crônica generalizada, fadiga, distúrbios do sono, alterações cognitivas e impactos significativos na qualidade de vida. Segundo a SBR, o manejo da doença exige uma atuação interdisciplinar, envolvendo médicos, fisioterapeutas, psicólogos e educadores físicos. O presidente da SBR, José Eduardo Martinez, explica que a atualização era necessária diante do avanço das pesquisas sobre a síndrome. “As últimas recomendações já eram antigas e muita literatura internacional e nacional foi publicada desde que o nosso consenso foi apresentado. Havia a necessidade dessa atualização”. De acordo com o especialista, embora não tenham ocorrido mudanças radicais no tratamento, as novas diretrizes reforçam medidas consideradas fundamentais. “Educação em saúde e exercícios físicos são os pilares do tratamento. Estudo após estudo aponta que as abordagens não farmacológicas são as mais eficazes”. Entre as recomendações com maior nível de evidência científica estão programas de exercícios aeróbicos e fortalecimento muscular, terapias psicológicas, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), além de práticas complementares como acupuntura e Tai Chi Chuan. As diretrizes também passam a incluir com mais força técnicas de estimulação transcraniana para controle da dor. “Nós temos uma literatura suficiente para recomendar modalidades que combinam exercício físico e também combate ao estresse, como o Tai Chi Chuan, que vem aparecendo de forma evidente nos estudos”, explicou Martinez. Outro destaque do documento é a recomendação do uso de instrumentos padronizados para monitorar a evolução clínica dos pacientes, como o Revised Fibromyalgia Impact Questionnaire (FIQR) e o Fibromyalgia Survey Questionnaire (FSQ). Segundo analisa o presidente da SBR, essas ferramentas ajudam a fazer uma avaliação se o paciente está melhorando, piorando ou permanecendo estável ao longo de todo o tratamento. Remédios As novas diretrizes também fazem alertas importantes sobre medicamentos frequentemente utilizados sem respaldo científico. Conforme Martinez, o documento não recomenda o uso rotineiro de opioides, anti-inflamatórios, benzodiazepínicos e canabinoides para o tratamento da fibromialgia. “Os opioides não só não têm eficácia como trazem efeitos colaterais significativos, como risco de dependência, problemas psiquiátricos e risco de quedas em idosos”, ressalta. Sobre os canabinoides, o médico afirma que ainda faltam evidências conclusivas. “Os estudos científicos são conflitantes. Alguns mostram benefício, outros não. Ainda não há dados para que se recomende o uso dos canabinoides”. A SBR também tenta combater informações incorretas sobre a doença. O presidente da entidade reforça que a fibromialgia não é uma doença autoimune nem puramente emocional. “Ela pode ser influenciada por questões emocionais, mas não é uma doença inflamatória”, conclui.