Mpox: nova variante desperta preocupação entre especialistas

Mais de 80 casos de mpox já foram confirmados no Brasil em 2026, segundo dados do Ministério da Saúde. A doença, causada pelo vírus monkeypox, voltou a preocupar após o aumento das notificações e a maior circulação de pessoas no período pós-Carnaval. O cenário ganha um novo componente com a confirmação, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de uma variante do vírus, formada pela combinação genética dos clados Ib e IIb. O infectologista Klinger Faíco explica que a recombinação é um fenômeno conhecido na virologia, mas que ainda precisa ser observado de perto no contexto da mpox. “Quando falamos de recombinação, estamos nos referindo à mistura do material genético de dois vírus que infectaram a mesma pessoa. Isso pode gerar um novo vírus com características diferentes. Ele pode ter transmissão mais fácil, mais rápida, ou até conseguir driblar o sistema imune. Pessoas que já haviam desenvolvido alguma imunidade podem não estar totalmente protegidas. É algo que ainda não tinha ocorrido na mpox, o que nos preocupa neste momento”. Segundo o especialista, o monitoramento agora deve se concentrar não apenas na quantidade de registros, mas também na evolução clínica dos pacientes. “Precisamos acompanhar se há aumento da gravidade, se mais pessoas estão sendo hospitalizadas, se evoluem para UTI ou apresentam complicações raras, como pneumonia ou encefalite. Tudo isso deve ser analisado para entender se essa nova variante altera o comportamento da enfermidade”. Transmissão A mpox é transmitida principalmente pelo contato direto com lesões cutâneas, secreções, gotículas respiratórias em proximidade prolongada e por objetos contaminados, como roupas e toalhas. A infectologista Flavia Porto ressalta que a disseminação pode ocorrer antes mesmo do surgimento evidente das lesões. “A pessoa começa a transmitir alguns dias antes de apresentar os sintomas. Não existem formas totalmente assintomáticas, como vimos na COVID-19, mas pode haver quadros leves, com poucos sinais, e o diagnóstico passar despercebido. Nesse intervalo, ela já consegue transmitir o vírus até a resolução completa do quadro”. De acordo com Flavia, a manifestação clínica é marcada principalmente por lesões de pele que evoluem de maneira semelhante entre si. “São vesículas, pequenas bolhas agrupadas, que passam por um ciclo: começam como lesão avermelhada, tornam-se bolhas, depois formam crostas e cicatrizam. Diferentemente da catapora, em que as lesões aparecem em estágios distintos, na mpox elas costumam estar na mesma fase. Muitas vezes surgem na região genital ou em mucosas, o que pode confundir com herpes ou outras infecções sexualmente transmissíveis”. Na avaliação da infectologista, qualquer alteração deve ser examinada. “Como se trata de uma doença de notificação compulsória e que não circula amplamente, a orientação é buscar atendimento médico diante de suspeita. O profissional vai avaliar, notificar em até 24 horas e orientar o isolamento. Essa é a lógica para conter a propagação”. Ela reforça que o isolamento deve ser mantido até a cicatrização completa das lesões. “Mesmo que a pessoa esteja se sentindo bem, não pode interromper o isolamento por conta própria. As lesões precisam cicatrizar totalmente antes da liberação médica”. Os especialistas também enfatizam que a mpox não está restrita a um grupo específico, embora determinados perfis tenham concentrado mais ocorrências desde 2022. “Existe muito preconceito quando se associa a doença a um grupo. Todas as pessoas são suscetíveis. A transmissão está ligada à exposição e ao contato, não à identidade de gênero ou à orientação sexual”, afirma Flavia. Klinger Faíco acrescenta que estratégias como prevenção combinada e educação em saúde são essenciais. “Precisamos falar de saúde sexual, testagem, formas de prevenção e acesso à informação de qualidade. A desinformação dificulta o controle da doença e pode afastar as pessoas dos serviços de saúde”.

R$ 5,7 milhões foram gastos com internações por ansiedade

Segundo um levantamento feito pela Planisa, empresa de gestão de gastos hospitalares, em conjunto com a plataforma DRG Brasil, entre 2022 e 2024, as hospitalizações por Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) custaram R$ 5,7 milhões aos hospitais públicos e privados do país. Foram registradas 2.202 internações no período. Dados recentes mostram que o Brasil lidera o ranking mundial de transtornos de ansiedade, com 9,3% da população afetada, o que equivale a cerca de 18 milhões de brasileiros. A depressão também é uma preocupação crescente, agravada pelo impacto da pandemia de COVID-19, que levou a um aumento de 25% nos casos de transtornos mentais no país, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS). A especialista em gestão de saúde corporativa e em psicologia clínica, Renata Livramento, ressalta que esse dado acende um alerta vermelho. “Pois, R$ 5,7 milhões é um custo altíssimo, mas sabemos que isso é só a ponta do iceberg. Por trás desses números existe um sofrimento humano gigantesco, famílias impactadas, pessoas que perdem sua capacidade de trabalho. Quando chegamos ao ponto de uma internação, por exemplo, isso significa que o indivíduo não conseguiu acesso ao tratamento adequado antes ou que o quadro já estava bem avançado”. O TAG é um transtorno de saúde mental, cuja característica principal é uma preocupação excessiva, explica Renata. “E essa apreensão é incontrolável. O paciente fica preocupado a respeito de diversos assuntos, a ponto de prejudicar o seu dia a dia. O transtorno traz uma sensação de descontrole, uma inquietação que não é proporcional à ameaça real que a pessoa está vivendo”. A profissional pontua que os sintomas psicológicos mais comuns são a preocupação excessiva e problemas de concentração. “Já os físicos são fadiga e um cansaço constante, algumas dificuldades com sono, dores de cabeça, problemas gastrointestinais, sudorese e palpitações. Contudo, não necessariamente essas manifestações isoladamente caracterizam um TAG”. Tratamento Renata afirma que por ser um transtorno multifatorial, o tratamento também é multimodal e é individualizado, por isso, a importância de um diagnóstico bem feito. “Basicamente se dividem entre psicoterapia, para identificar os padrões de pensamento negativos e distorcidos; a farmacoterapia, em muitos casos é necessário o uso de medicamentos; e mudanças no estilo de vida para ajudar a pessoa a não apenas sair do quadro de transtorno de ansiedade generalizada, mas também não ter reincidência”. Ela destaca ainda que não tratar corretamente o TAG pode levar a um agravamento da situação. “Essa ansiedade pode se tornar crônica e piorar os sintomas físicos, por exemplo, aumentar o risco de doenças cardiovasculares. Pode gerar também outros problemas de saúde mental e prejudicar severamente a qualidade de vida”. 40 anos com TAG O técnico administrativo, de 53 anos, que prefere não se identificar, diz que ao longo da sua vida sempre teve crises de ansiedade. “Contudo, nunca pensei que fosse progredir e tornar-se algo perigoso, portanto, tem uns 40 anos, aproximadamente, que convivo com o transtorno”. Cada crise tem o seu grau de gravidade, relata o técnico. “Depende muito do que estou encarando. Uma simples mensagem pode desencadear uma ansiedade profunda, caso não haja resposta. Se for algo que possa me prejudicar, minha mente aumenta esse perigo consideravelmente, fazendo com que todos os cenários sejam desfavoráveis a mim. A dimensão de todo episódio negativo é aumentada pelo cérebro. Daí surge a crise de ansiedade e, posteriormente, a autoproteção fazendo com que eu tome decisões desproporcionais ao problema real”. “Meu tratamento está apenas começando, já que a última crise afetou terceiros devido à minha reação negativa. Quando recuperei a razão, assumi os erros, porém, o estrago já tinha sido feito. Por isso, resolvi procurar ajuda médica e o diagnóstico inicial foi o transtorno de ansiedade generalizada”, finaliza.

Mulheres entre 30 e 50 anos são mais afetadas pela fibromialgia

Fevereiro é conhecido mundialmente como o mês de conscientização sobre a fibromialgia, assinalado pela cor roxa em campanhas que buscam dar visibilidade a uma condição ainda pouco compreendida. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a doença afeta cerca de 2% a 3% da população brasileira, com uma maior incidência em mulheres do que em homens, sobretudo na faixa etária entre 30 e 50 anos de idade. O distúrbio crônico é caracterizado por dor musculoesquelética generalizada, fadiga intensa, distúrbios do sono e uma série de outros sintomas que afetam profundamente a qualidade de vida. Segundo a reumatologista Carolina Menezes, a fibromialgia ainda é um desafio para a medicina moderna justamente porque não há um exame específico que a confirme. “O diagnóstico é clínico, baseado em critérios definidos pelo Colégio Americano de Reumatologia que levam em conta a presença de dor difusa ao longo do corpo por mais de três meses, além de sintomas associados como fadiga, alterações do sono e problemas cognitivos ou névoa mental”. Para a especialista, a falta de um marcador biológico dificulta tanto a identificação precoce quanto a aceitação da doença por parte de profissionais de saúde menos familiarizados com o tema. A causa da fibromialgia ainda não é totalmente esclarecida, mas pesquisadores apontam para uma combinação de fatores genéticos, neuroquímicos e ambientais. “Sabemos que há uma alteração na maneira como o sistema nervoso central processa os sinais de dor, um fenômeno chamado sensibilização central, que faz com que estímulos normalmente leves sejam interpretados como intensamente dolorosos”, explica a neurologista Marina Torres. Carolina destaca que os sintomas variam de pessoa para pessoa, mas a dor difusa é o mais característico. “Ela pode ser sentida em músculos, tendões e articulações, e costuma ser descrita como uma dor profunda e persistente. Pacientes também relatam fadiga intensa que não melhora com o descanso, distúrbios do sono, como insônia ou sono não reparador, e sensibilidade exagerada a estímulos como luz, ruído e toque, além de dificuldades cognitivas, como memória falha, dificuldade de concentração e sensação de lentidão mental”. Tratamento O tratamento da fibromialgia é multidimensional, já que não existe uma cura definitiva. “Aqui não falamos em eliminar completamente os sintomas, mas em reduzir sua intensidade e melhorar a funcionalidade do paciente”, afirma Marina. “Medicamentos que modulam os neurotransmissores envolvidos na percepção da dor podem ser úteis em alguns casos, mas não são eficazes para todos. Em paralelo, terapias como atividade física regular, especialmente exercícios de baixo impacto como caminhada, natação e alongamentos, têm papel central no alívio da dor e na melhora da qualidade de vida”, ressalta. A neurologista comenta ainda a importância de incluir técnicas de relaxamento que ajudam a reduzir a tensão muscular e melhorar o equilíbrio emocional. “O corpo e a mente estão intimamente ligados na fibromialgia. Técnicas que atuam sobre o estresse e a ansiedade reduzem a sensação de dor e promovem bem-estar”. Embora não exista uma maneira de prevenir a fibromialgia de forma garantida, especialistas indicam medidas que podem reduzir o risco de agravamento dos sintomas ou ajudar no enfrentamento da condição. Marina recomenda atenção ao gerenciamento do estresse, manutenção de um padrão regular de sono e prática de exercícios físicos adaptados à capacidade individual. “A convivência com a fibromialgia exige adaptação e paciência. Para muitos, isso significa reorganizar rotinas, ajustar expectativas e aprender a escutar o próprio corpo”.

Hipertensão arterial já atinge três em cada 10 adultos brasileiros

A hipertensão arterial atinge 29,7% da população adulta brasileira, segundo dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2025. O levantamento do Ministério da Saúde monitora fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis. O índice representa crescimento em relação a 2006, quando 22,6% dos brasileiros relataram diagnóstico médico de pressão alta. O avanço da hipertensão no Brasil ocorre em paralelo ao aumento da obesidade e do diabetes, compondo um cenário preocupante para a saúde pública e ampliando o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Para a cardiologista e presidente do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Érika Campana, os números refletem um problema estrutural. “O fato de quase 3 em cada 10 adultos brasileiros terem hipertensão revela um quadro preocupante de saúde cardiovascular populacional. O aumento também está relacionado ao envelhecimento da população, alimentação rica em sal e ultraprocessados, sedentarismo, obesidade, estresse crônico e acesso irregular ao cuidado em saúde”. A especialista destaca ainda que o problema vai além do diagnóstico. “Apenas 3 em cada 10 brasileiros portadores de hipertensão estão com a pressão arterial controlada. É um marcador claro de que estamos falhando na prevenção, diagnóstico precoce e tratamento”. O crescimento mais recente entre as mulheres também chama atenção. De acordo com Érika, com a queda do estrogênio, há redução da proteção natural dos vasos sanguíneos. “Além do acúmulo de jornadas de trabalho, o estresse e a piora do sono contribuem para o avanço da pressão alta nesse público após os 40 anos”. Outro fator de risco é o calor intenso. “O estresse térmico e a desidratação podem levar a quedas bruscas ou picos de pressão. Esse desequilíbrio aumenta o risco de eventos como AVC e infarto, especialmente em idosos e pacientes crônicos”, explica a médica. Além das complicações graves, Érika afirma que hipertensão impacta a qualidade de vida. “Sono fragmentado, cansaço persistente e fadiga são sinais de que o corpo está sob estresse cardiovascular constante e ser o principal fator de risco para a morte cardiovascular”. Obesidade em alta O avanço da pressão alta também está diretamente ligado ao crescimento da obesidade no Brasil. Entre 2006 e 2024, o índice mais que dobrou, passando de 11,8% para 25,7%. Para o especialista em emagrecimento Marcelo Carneiro, a relação é clara. “A obesidade favorece alterações no funcionamento do organismo que elevam a pressão arterial, como inflamações e sobrecarga do coração e dos vasos sanguíneos”. Ele ressalta que se trata de um fator de risco evitável. “A obesidade é hoje um dos principais fatores de risco que podem ser prevenidos ou controlados. Perder peso já traz benefícios efetivos para o controle da hipertensão”. Segundo Carneiro, o excesso de peso dificulta a ação da insulina, favorece o acúmulo de sal e líquidos e compromete a flexibilidade das artérias, levando à elevação progressiva da pressão. Para o médico, o crescimento simultâneo de obesidade, diabetes e hipertensão evidencia fragilidades na prevenção. “Precisamos de políticas públicas que incentivem hábitos saudáveis desde a infância, além de acompanhamento regular da população”. Acompanhamento Érika destaca que a supervisão médica regular permite ajustar o tratamento de forma personalizada, identificar precocemente complicações e avaliar o risco cardiovascular global do paciente. “Quando esse cuidado é associado a mudanças de hábitos, como alimentação equilibrada, redução do sal, atividade física, controle do peso, sono adequado e redução do álcool, os benefícios são potencializados. Medicação e estilo de vida se complementam na proteção do coração, rim e cérebro”. “A obesidade é uma doença crônica, com múltiplas causas, e precisa de acompanhamento médico contínuo, assim como a hipertensão e o diabetes. As pessoas que sofrem de obesidade precisam de apoio familiar e não de julgamentos”, conclui Marcelo.

Episódios de pedra nos rins podem aumentar 30% no verão

Com as altas temperaturas do verão, a incidência de cálculo renal, popularmente conhecida como pedra nos rins, aumenta significativamente nos prontos-socorros. De acordo com um levantamento realizado pelo Centro de Referência em Saúde do Homem, de São Paulo, há um salto de até 30% nos atendimentos a pacientes com essa condição durante a estação. Segundo a pesquisa, embora qualquer pessoa possa desenvolver cálculos renais, alguns grupos são mais vulneráveis no verão. Entre eles, estão indivíduos com histórico familiar de doença, obesos, portadores de diabetes e pessoas com ácido úrico elevado, além de trabalhadores que atuam em ambientes quentes, praticantes de exercícios ao ar livre e idosos. Este último requer atenção especial, já que, com o avanço da idade, a percepção de sede tende a diminuir, o que leva a uma quantidade insuficiente de ingestão de água. É estimado que 15% da população mundial enfrente o problema, e 1,5 milhão de brasileiros vivem com alguma disfunção renal. De acordo com o médico nefrologista, Alexandre Bignelli, o problema ocorre devido a uma combinação perigosa. “Desidratação acentuada, seja pelo excesso de suor ou pela baixa ingestão de água, e o aumento no consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas e dietéticas contidas”. “O maior consumo de proteínas e de alimentos muito salgados e açucarados atua como uma ocorrência para o surgimento do problema. Nesse cenário, os enxágues são obrigados a concentrar a urina para regular a quantidade de água no corpo, o que favorece a cristalização e a formação de pedras”, explica o especialista. Para o urologista da Unimed-BH, Paulo Eduardo de Oliveira Alvarez, a manifestação do cálculo mais típica é quando a pedra sai do rim e desce em direção à bexiga. “Quando segue por esse caminho, o cálculo fica agarrado e represa a urina, provocando uma dor de alta intensidade, geralmente, na região das costas. Esse desconforto se espalha para frente da barriga, acompanhada de vômitos”. Porém, alguns cálculos são mais silenciosos, afirma Oliveira. “Especialmente os relacionados com infecção. Existem algumas bactérias na urina que, quando causam a inflamação, podem derivar a formação de pedras. Esse cálculo mantém o micróbio dentro dele e fica ocasionando quadros repetidos de infecção urinária”. O urologista destaca ainda que as pedras podem ocasionar danos importantes. “Por exemplo, podem levar a uma dilatação do canal e prejudicar o funcionamento do rim. Além disso, a obstrução que o cálculo provoca no aparelho urinário leva ao represamento da urina, o que pode desencadear infecção urinária, tendo consequências relevantes para o paciente. Inclusive, uma das indicações principais é tratá-lo, mesmo que a pedra seja um pouco menor”. Tratamento Alvarez esclarece que o tratamento depende muito da localização do cálculo no aparelho urinário. “Hoje em dia, a tendência é ser o menos invasivo possível para resolver o problema do paciente, sendo a maioria das cirurgias endoscópicas. Geralmente, o médico entra com um aparelho endoscópico e sobe pelo canal urinário”. “Quando o cálculo é localizado, pode ser fragmentado com laser, sendo esse o tratamento habitual. Existem outros procedimentos, por exemplo, através de uma punção do rim que permite quebrar os cálculos maiores, com localização um pouco inadequada para o método endoscópico”, acrescenta. O especialista finaliza ressaltando a importância da hidratação. “Isso evita o acúmulo de cristais e a formação de cálculos dentro da urina. Além da água, a limonada é bem interessante para ajudar na hidratação. Evite ficar o dia inteiro sem beber água e também o excesso de sal na alimentação”.

Mononucleose e herpes labial são infecções comuns na Folia

Com a aproximação do Carnaval, período marcado por festas prolongadas, blocos lotados, beijos compartilhados e uma rotina fora do habitual, especialistas alertam para o aumento do risco de transmissão de infecções virais comuns nessa época do ano, como a mononucleose infecciosa, conhecida popularmente como “doença do beijo”, e o herpes labial. Embora muitas vezes tratadas com descuido por não serem, na maioria dos casos, doenças graves, ambas exigem atenção, especialmente em momentos de maior exposição e queda da imunidade. Mononucleose A mononucleose é causada principalmente pelo vírus Epstein-Barr (EBV) e é transmitida, sobretudo, pelo contato com a saliva, explica o infectologista Marcelo Azevedo. “O Carnaval cria um cenário perfeito para a disseminação do vírus: pessoas cansadas, imunidade baixa, consumo de álcool e contato íntimo com múltiplos parceiros. Além do beijo, o compartilhamento de copos, garrafas, latinhas e talheres também pode facilitar a transmissão”. Segundo Azevedo, os sintomas da mononucleose podem surgir entre quatro e seis semanas após o contágio e costumam incluir febre persistente, dor de garganta intensa, aumento das amígdalas, ínguas no pescoço, fadiga extrema e, em alguns casos, aumento do baço e do fígado. “Muitas pessoas confundem com uma gripe forte ou amigdalite, o que atrasa o diagnóstico, que é feito por avaliação clínica associada a exames de sangue específicos, que identificam anticorpos contra o vírus”. Não existe um tratamento antiviral específico para a mononucleose. Azevedo diz que o manejo é feito com repouso, hidratação, analgésicos e antitérmicos para alívio dos sintomas. “O repouso é fundamental, principalmente para evitar complicações como a ruptura do baço, que pode ocorrer se a pessoa insistir em atividades físicas intensas. Durante o Carnaval, ao menor sinal de sintomas, a recomendação é evitar festas, procurar atendimento médico e não compartilhar objetos pessoais”. Herpes labial Já o herpes labial, causado pela herpes simples tipo 1 (HSV-1), é ainda mais comum. Estima-se que grande parte da população adulta já tenha tido contato com o vírus, que permanece adormecido no organismo e pode ser reativado em situações de estresse, exposição excessiva ao sol, noites mal dormidas e baixa imunidade, todos bastante frequentes durante a folia. “O Carnaval reúne praticamente todos os gatilhos para uma crise de herpes”, esclarece a dermatologista Paula Nogueira. As lesões costumam começar com coceira, ardência ou formigamento nos lábios, evoluindo para pequenas bolhas dolorosas que se rompem e formam crostas. “O diagnóstico geralmente é clínico, feito pela observação das lesões e o tratamento inclui antivirais tópicos ou orais, que ajudam a reduzir a duração e a intensidade dos sintomas, especialmente quando iniciados logo nos primeiros sinais. Quanto mais cedo a pessoa começa o tratamento, melhor o controle da crise”, reforça. Ela recomenda evitar beijar ou ter contato direto com pessoas que apresentem lesões visíveis nos lábios ou sintomas suspeitos. “No caso do herpes, é fundamental não beijar ninguém enquanto houver feridas ativas, pois o risco de transmissão é alto. Também não se deve compartilhar maquiagem, batons, copos ou garrafas e o uso de protetor labial com fator de proteção solar ajuda a prevenir crises causadas pelo sol intenso”. Manter uma boa hidratação, alimentar-se adequadamente e adotar cuidados básicos de higiene e proteção ajudam a garantir que o Carnaval termine apenas com boas lembranças.

Ganho de peso é mais rápido após as canetas emagrecedoras

A popularização de medicamentos injetáveis para emagrecimento, como Wegovy e Mounjaro, trouxe resultados expressivos no tratamento da obesidade. No entanto, uma análise publicada no British Medical Journal acendeu um alerta importante: a interrupção dessas terapias pode levar à recuperação acelerada do peso. A revisão analisou 37 estudos com cerca de 9,3 mil adultos e mostrou que, após a suspensão dos análogos de GLP-1, o reganho médio foi de 0,8 kg por mês, ritmo até quatro vezes mais rápido do que o observado em pessoas que emagreceram apenas com dieta e atividade física. Em muitos casos, o retorno ao peso anterior ocorreu em um ano e meio. Para a endocrinologista Alessandra Rascovski, o fenômeno não deve ser interpretado como falha individual. “Do ponto de vista endocrinológico, o reganho não é surpresa. Ele confirma o que já sabemos sobre a obesidade como uma doença crônica recidivante. Quando uma pessoa perde muitos quilos, o corpo reage com dois movimentos previsíveis: diminui a queima calórica, por adaptação metabólica, e altera o controle de fome e saciedade, aumentando os sinais que estimulam o apetite”. Segundo a especialista, os análogos de GLP-1 atuam justamente nesses mecanismos enquanto estão em uso. “Quando a medicação é retirada, esses sistemas voltam a operar com força, e o peso tende a subir. Isso foi demonstrado de forma clara nos estudos de extensão do STEP-1, com semaglutida, e do SURMOUNT-4, com tirzepatida”. Alessandra explica que o ritmo de reganho pode variar entre os pacientes. “Quanto maior a perda inicial, maior tende a ser a pressão biológica para recuperar peso. Esse ritmo depende de quanto peso foi perdido, por quanto tempo foi mantido, da preservação da massa muscular, além da genética, sono, estresse e padrão alimentar”. A endocrinologista reforça que associar o reganho à falta de disciplina é um equívoco. “Não é falta de força de vontade. Após emagrecer, aumentam os hormônios que estimulam a fome, reduzem-se os sinais de saciedade e o corpo passa a gastar menos energia. O paciente fica fisiologicamente pronto para reganhar peso”. Outras perdas Além do peso, parte dos benefícios metabólicos também pode ser perdida após a suspensão do tratamento. “Os estudos mostram que, ao retirar a medicação, não só o peso retorna, como também parte das melhoras na pressão arterial, glicemia, colesterol e esteatose hepática regride em cerca de 1,4 ano”, destaca a médica. Entre os principais erros ao interromper o tratamento, a endocrinologista cita a retirada abrupta e a falta de acompanhamento clínico. “Parar sem planejamento, não proteger a massa muscular, tratar o medicamento como algo pontual e não acompanhar o paciente no pós-medicação são falhas comuns. Quando o peso começa a subir um ou dois quilos, ainda dá para intervir; mas, quando sobe seis ou oito, o controle se torna muito mais difícil”. Diante do alto custo das canetas no Brasil, muitos pacientes consideram interromper o uso após o emagrecimento inicial. Para Alessandra, é possível reduzir riscos, mas não eliminá-los. “Não existe garantia de zero reganho. A obesidade é uma doença crônica, multifatorial e recidivante. A lógica do tratamento é semelhante à da hipertensão ou do diabetes: muitas vezes exige uso contínuo ou estratégias de manutenção”. “O reganho de peso não é falha do paciente, não é falta de força de vontade. É a biologia da obesidade. O desafio agora é desenhar o ‘pós-caneta’: como manter saúde metabólica, força muscular e qualidade de vida de forma individualizada e sustentável”, conclui.

Uso de anabolizantes pode aumentar as chances de infarto

De acordo com um levantamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de 2018 a 2023, houve um crescimento de 670% nas vendas de esteroides anabolizantes no Brasil. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), um em cada 16 estudantes já utilizou anabolizantes. A SBEM ainda alerta que o uso indiscriminado é um fator silencioso de risco cardiovascular, sobretudo entre jovens. Dados apresentados pela entidade mostram que 6,4% dos homens já utilizaram anabolizantes e que a taxa pode ser ainda mais alta entre frequentadores de academias. Em muitos casos, o uso não se limita a esteroides e envolve também insulina e hormônio do crescimento, o que, segundo a SBEM, potencializa os efeitos adversos. O urologista da Unimed-BH, Mateus de Almeida Ribas, destaca que o uso indiscriminado de anabolizantes mexe com o corpo inteiro. “O maior perigo é que muita coisa acontece por dentro, enquanto a pessoa só vê o resultado no espelho. No coração e na circulação pode aumentar a pressão, piorar o colesterol, engrossar o músculo do órgão, o chamado hipertrofia, e elevar o risco de arritmia, trombose, infarto e acidente vascular cerebral (AVC), inclusive em jovens”. “No fígado, principalmente com alguns anabolizantes orais, pode causar lesão relevante e, em casos graves, evoluir para problemas sérios. E também pode ter um impacto hormonal e sexual. No homem, o corpo desliga a produção natural, aparecendo queda de libido, disfunção erétil, redução do volume testicular e infertilidade”, complementa. E não é só no físico que os problemas aparecem, alerta o urologista. “Pode causar irritabilidade, ansiedade, insônia e, em alguns casos, queda forte de humor, ao interromper o uso. E a utilização estética tende a virar um ciclo de dependência psicológica, porque a pessoa fica presa ao medo de perder o resultado. Em adolescentes é ainda pior, é um corpo em desenvolvimento sendo exposto a doses hormonais que não foram feitas para isso”. Ribas pontua alguns sinais de alerta que não devem ser ignorados. “Dor no peito, falta de ar, palpitações, desmaio, olhos ou pele amarelados, acne explosiva, alterações extensas de humor, queda de libido, problemas de ereção, e também a famosa ginecomastia, que é o aumento das mamas. Às vezes é possível reverter o processo, mas não é garantido. Quanto mais tempo e maior a dose, aumenta a chance de causar um dano permanente”. Ilusão Na avaliação do profissional de educação física e especialista em Biomecânica e Longevidade, Randy Duarte, o uso de anabolizantes pode gerar um aumento rápido de força, volume muscular e até sensação de maior resistência nos treinos, e é justamente isso que ilude muitas pessoas. “O problema é que esse ganho acontece de forma artificial e desproporcional, principalmente no músculo, enquanto outras estruturas não acompanham essa evolução. O corpo até aparenta estar mais forte, contudo, fica mais vulnerável”. “Esses esteroides podem mascarar sinais importantes de fadiga e dor, fazendo com que a pessoa treine além do limite. É comum vermos um aumento no risco de lesões, como rupturas de tendão, estiramentos graves e sobrecarga articular, justamente porque o músculo passa a gerar forças que essas estruturas ainda não estão preparadas para suportar”, esclarece. O uso de anabolizantes está fortemente ligado à pressão estética e à influência das redes sociais, que muitas vezes vendem resultados irreais e rápidos, ressalta o profissional. “Com isso, o consumo acaba sendo normalizado, como se fizesse parte natural do processo de treino. E é fundamental reforçar que é possível evoluir sem esteroides”. Para Duarte, as estratégias educativas mais eficazes são aquelas que mostram a realidade sem prometer atalhos. “É essencial reforçar que no treino não existe caminho rápido e sustentável: constância no treinamento, boa alimentação, descanso e acompanhamento profissional continuam sendo a base de qualquer resultado duradouro”, finaliza.

Janeiro Branco alerta para os cuidados com a saúde mental

A campanha Janeiro Branco chega a cada início de ano convidando a sociedade a refletir sobre a saúde mental como parte essencial do bem-estar e da qualidade de vida. Criada para estimular o diálogo, reduzir estigmas e incentivar o cuidado emocional, a iniciativa aproveita o simbolismo do mês de recomeços para lembrar que a mente também precisa de atenção, planejamento e acolhimento. No Brasil, os jovens concentram o maior número de internações associadas a transtornos de saúde mental, embora sejam o grupo que menos procura os serviços da Atenção Primária à Saúde, conforme estudo elaborado por pesquisadores da Fiocruz. O sexo masculino entre 15 e 29 anos concentra 61,3% das internações relacionadas à saúde mental. Nessa faixa, o índice chega a 708,4 hospitalizações a cada 100 mil habitantes, cerca de 57% superior ao observado entre as mulheres, cuja taxa é de 450 por 100 mil. O fator predominante para essas internações entre os homens é o consumo abusivo de substâncias psicoativas, que responde por 38,4% dos casos. Dentre eles, 68,7% envolvem o uso combinado de mais de uma droga, seguido pelo consumo de cocaína (13,2%) e álcool (11,5%). Considerando a população jovem em geral, as internações se distribuem de forma semelhante entre o uso problemático de drogas (31%) e os transtornos do espectro esquizofrênico (32%). Logo após, destacam-se os transtornos do humor, responsáveis por 23% dos casos. Segundo a psicóloga Lara Fagundes, falar sobre o tema ainda é um desafio em muitas famílias e ambientes de trabalho. “Durante muito tempo, fomos ensinados a esconder emoções e a seguir em frente sem questionar o impacto disso na nossa vida. O Janeiro Branco surge como um convite coletivo para normalizar conversas sobre sentimentos, ansiedade, frustrações e expectativas, mostrando que cuidar da mente é um ato de responsabilidade consigo mesmo”. Ela destaca que emoções reprimidas podem se manifestar de diversas formas, como dificuldades de concentração, irritabilidade constante, alterações no sono e queda no rendimento escolar ou profissional, afetando diretamente a forma como a pessoa se relaciona com o mundo. Em 2025, o país pode ter ultrapassado a marca de 500 mil afastamentos do trabalho causados por transtornos mentais e comportamentais, de acordo com projeções da Caju, empresa especializada em benefícios corporativos e tecnologia voltada à gestão de pessoas. Para chegar a esse cenário, a empresa analisou e reuniu dados oficiais do INSS e do Ministério da Previdência Social. Os números indicam um crescimento de 13,7% na média mensal de afastamentos em relação a 2024 (o volume passou de 39,3 mil para 44,7 mil registros por mês). A ansiedade lidera entre os fatores que motivam o afastamento profissional, sendo responsável por cerca de 121 mil ocorrências, o equivalente a 30% do total. Na sequência aparecem a depressão, com 94 mil casos, e o transtorno bipolar, com aproximadamente 45 mil afastamentos. O psiquiatra Marcelo Tavares ressalta que o estado emocional interfere nas decisões, nos hábitos e até na saúde física. “Quando alguém vive sob estresse contínuo ou não reconhece sinais de esgotamento emocional, o corpo responde. Podem surgir dores, cansaço excessivo e maior vulnerabilidade a doenças. Por isso, olhar para a saúde mental é também uma forma de prevenção. O cuidado emocional não deve ser visto como algo pontual, mas como um processo contínuo, que envolve autoconhecimento e a construção de uma rotina mais equilibrada”. “Entre os hábitos que contribuem para a saúde mental estão a manutenção de uma rotina de sono adequada, a prática regular de atividades físicas e a alimentação equilibrada, que influenciam diretamente o humor e a disposição. Além disso, cultivar vínculos sociais positivos é fundamental. Quando as emoções se tornam difíceis de lidar ou persistem por muito tempo, buscar apoio profissional é uma atitude responsável e preventiva”, completa. Ao longo do mês, a campanha reforça que cuidar da mente é um compromisso diário e possível para todos. “Ao adotar hábitos mais conscientes, rever prioridades e permitir-se sentir, o início do ano pode se tornar uma oportunidade real de transformação, o Janeiro Branco, mais do que uma campanha, lembra que a saúde mental deve estar em pauta o ano inteiro, como base para uma vida mais equilibrada, produtiva e significativa”, conclui Lara.

Verão requer cuidado com as articulações em viagens e treinos

Com o aumento das viagens e da prática de exercícios ao ar livre, cresce também a preocupação com a saúde das articulações. Longos períodos sentado em carros, ônibus e aviões, somados ao retorno intenso às atividades físicas, podem favorecer dores, rigidez e até lesões em joelhos, quadris e ombros. De acordo com o ortopedista Guilherme Morgado Runco permanecer muito tempo imóvel compromete o funcionamento das articulações. “Quando ficamos sentados por horas, a articulação reduz sua lubrificação natural, os músculos ficam mais rígidos e a circulação se torna mais lenta, o que pode gerar dor e inchaço, especialmente em quem já tem desgaste articular”, explica. Para minimizar os desconfortos durante viagens longas, o especialista recomenda pausas e pequenos movimentos ainda no assento. “A cada uma ou duas horas, levantar, alongar e ativar a circulação. Movimentar tornozelos, esticar os joelhos e ajustar a postura aliviam a rigidez e reduzem o incômodo”. A hidratação também é um ponto-chave, segundo Runco. “Ambientes com ar-condicionado e baixa ingestão de líquidos favorecem a rigidez articular e o risco de obter lesões. Manter-se hidratado e proteger o corpo do frio excessivo ajuda a preservar a saúde dos tecidos e melhora a circulação”. Atividades ao ar livre Além das viagens, o verão impulsiona a motivação para correr, pedalar ou praticar treinos funcionais ao ar livre, o que exige cuidados extras. Segundo o ortopedista Roni Serra, o aumento repentino da carga de treino é um dos principais fatores de risco para lesões. “As articulações funcionam como amortecedores do corpo. Sem preparo adequado, microlesões podem se acumular e evoluir para problemas mais graves”, alerta. Ele lembra que joelhos, quadris e ombros estão entre as articulações mais exigidas. “A progressão gradual, o fortalecimento muscular e o uso de calçados adequados são essenciais para proteger os joelhos”. No caso do quadril, o especialista reforça a importância do fortalecimento do core e dos glúteos. “Desequilíbrios musculares e má postura sobrecarregam a articulação e podem gerar dor persistente”. Serra também destaca que os ombros merecem atenção especial em treinos de musculação e esportes aquáticos. “Exercícios de estabilização, fortalecimento do manguito rotador e foco na qualidade do movimento reduzem significativamente o risco de lesões”. A prevenção é o melhor caminho. De acordo com Serra, respeitar os limites do corpo, manter-se ativo de forma consciente e buscar avaliação médica diante de dores persistentes são atitudes que garantem um verão mais saudável e sem interrupções. “Hidratação, descanso adequado e acompanhamento profissional são aliados da saúde articular. Prevenir é sempre a melhor estratégia para manter o corpo ativo e sem dor durante o verão”, conclui.