Mononucleose e herpes labial são infecções comuns na Folia

Com a aproximação do Carnaval, período marcado por festas prolongadas, blocos lotados, beijos compartilhados e uma rotina fora do habitual, especialistas alertam para o aumento do risco de transmissão de infecções virais comuns nessa época do ano, como a mononucleose infecciosa, conhecida popularmente como “doença do beijo”, e o herpes labial. Embora muitas vezes tratadas com descuido por não serem, na maioria dos casos, doenças graves, ambas exigem atenção, especialmente em momentos de maior exposição e queda da imunidade. Mononucleose A mononucleose é causada principalmente pelo vírus Epstein-Barr (EBV) e é transmitida, sobretudo, pelo contato com a saliva, explica o infectologista Marcelo Azevedo. “O Carnaval cria um cenário perfeito para a disseminação do vírus: pessoas cansadas, imunidade baixa, consumo de álcool e contato íntimo com múltiplos parceiros. Além do beijo, o compartilhamento de copos, garrafas, latinhas e talheres também pode facilitar a transmissão”. Segundo Azevedo, os sintomas da mononucleose podem surgir entre quatro e seis semanas após o contágio e costumam incluir febre persistente, dor de garganta intensa, aumento das amígdalas, ínguas no pescoço, fadiga extrema e, em alguns casos, aumento do baço e do fígado. “Muitas pessoas confundem com uma gripe forte ou amigdalite, o que atrasa o diagnóstico, que é feito por avaliação clínica associada a exames de sangue específicos, que identificam anticorpos contra o vírus”. Não existe um tratamento antiviral específico para a mononucleose. Azevedo diz que o manejo é feito com repouso, hidratação, analgésicos e antitérmicos para alívio dos sintomas. “O repouso é fundamental, principalmente para evitar complicações como a ruptura do baço, que pode ocorrer se a pessoa insistir em atividades físicas intensas. Durante o Carnaval, ao menor sinal de sintomas, a recomendação é evitar festas, procurar atendimento médico e não compartilhar objetos pessoais”. Herpes labial Já o herpes labial, causado pela herpes simples tipo 1 (HSV-1), é ainda mais comum. Estima-se que grande parte da população adulta já tenha tido contato com o vírus, que permanece adormecido no organismo e pode ser reativado em situações de estresse, exposição excessiva ao sol, noites mal dormidas e baixa imunidade, todos bastante frequentes durante a folia. “O Carnaval reúne praticamente todos os gatilhos para uma crise de herpes”, esclarece a dermatologista Paula Nogueira. As lesões costumam começar com coceira, ardência ou formigamento nos lábios, evoluindo para pequenas bolhas dolorosas que se rompem e formam crostas. “O diagnóstico geralmente é clínico, feito pela observação das lesões e o tratamento inclui antivirais tópicos ou orais, que ajudam a reduzir a duração e a intensidade dos sintomas, especialmente quando iniciados logo nos primeiros sinais. Quanto mais cedo a pessoa começa o tratamento, melhor o controle da crise”, reforça. Ela recomenda evitar beijar ou ter contato direto com pessoas que apresentem lesões visíveis nos lábios ou sintomas suspeitos. “No caso do herpes, é fundamental não beijar ninguém enquanto houver feridas ativas, pois o risco de transmissão é alto. Também não se deve compartilhar maquiagem, batons, copos ou garrafas e o uso de protetor labial com fator de proteção solar ajuda a prevenir crises causadas pelo sol intenso”. Manter uma boa hidratação, alimentar-se adequadamente e adotar cuidados básicos de higiene e proteção ajudam a garantir que o Carnaval termine apenas com boas lembranças.
Ganho de peso é mais rápido após as canetas emagrecedoras

A popularização de medicamentos injetáveis para emagrecimento, como Wegovy e Mounjaro, trouxe resultados expressivos no tratamento da obesidade. No entanto, uma análise publicada no British Medical Journal acendeu um alerta importante: a interrupção dessas terapias pode levar à recuperação acelerada do peso. A revisão analisou 37 estudos com cerca de 9,3 mil adultos e mostrou que, após a suspensão dos análogos de GLP-1, o reganho médio foi de 0,8 kg por mês, ritmo até quatro vezes mais rápido do que o observado em pessoas que emagreceram apenas com dieta e atividade física. Em muitos casos, o retorno ao peso anterior ocorreu em um ano e meio. Para a endocrinologista Alessandra Rascovski, o fenômeno não deve ser interpretado como falha individual. “Do ponto de vista endocrinológico, o reganho não é surpresa. Ele confirma o que já sabemos sobre a obesidade como uma doença crônica recidivante. Quando uma pessoa perde muitos quilos, o corpo reage com dois movimentos previsíveis: diminui a queima calórica, por adaptação metabólica, e altera o controle de fome e saciedade, aumentando os sinais que estimulam o apetite”. Segundo a especialista, os análogos de GLP-1 atuam justamente nesses mecanismos enquanto estão em uso. “Quando a medicação é retirada, esses sistemas voltam a operar com força, e o peso tende a subir. Isso foi demonstrado de forma clara nos estudos de extensão do STEP-1, com semaglutida, e do SURMOUNT-4, com tirzepatida”. Alessandra explica que o ritmo de reganho pode variar entre os pacientes. “Quanto maior a perda inicial, maior tende a ser a pressão biológica para recuperar peso. Esse ritmo depende de quanto peso foi perdido, por quanto tempo foi mantido, da preservação da massa muscular, além da genética, sono, estresse e padrão alimentar”. A endocrinologista reforça que associar o reganho à falta de disciplina é um equívoco. “Não é falta de força de vontade. Após emagrecer, aumentam os hormônios que estimulam a fome, reduzem-se os sinais de saciedade e o corpo passa a gastar menos energia. O paciente fica fisiologicamente pronto para reganhar peso”. Outras perdas Além do peso, parte dos benefícios metabólicos também pode ser perdida após a suspensão do tratamento. “Os estudos mostram que, ao retirar a medicação, não só o peso retorna, como também parte das melhoras na pressão arterial, glicemia, colesterol e esteatose hepática regride em cerca de 1,4 ano”, destaca a médica. Entre os principais erros ao interromper o tratamento, a endocrinologista cita a retirada abrupta e a falta de acompanhamento clínico. “Parar sem planejamento, não proteger a massa muscular, tratar o medicamento como algo pontual e não acompanhar o paciente no pós-medicação são falhas comuns. Quando o peso começa a subir um ou dois quilos, ainda dá para intervir; mas, quando sobe seis ou oito, o controle se torna muito mais difícil”. Diante do alto custo das canetas no Brasil, muitos pacientes consideram interromper o uso após o emagrecimento inicial. Para Alessandra, é possível reduzir riscos, mas não eliminá-los. “Não existe garantia de zero reganho. A obesidade é uma doença crônica, multifatorial e recidivante. A lógica do tratamento é semelhante à da hipertensão ou do diabetes: muitas vezes exige uso contínuo ou estratégias de manutenção”. “O reganho de peso não é falha do paciente, não é falta de força de vontade. É a biologia da obesidade. O desafio agora é desenhar o ‘pós-caneta’: como manter saúde metabólica, força muscular e qualidade de vida de forma individualizada e sustentável”, conclui.
Uso de anabolizantes pode aumentar as chances de infarto

De acordo com um levantamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de 2018 a 2023, houve um crescimento de 670% nas vendas de esteroides anabolizantes no Brasil. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), um em cada 16 estudantes já utilizou anabolizantes. A SBEM ainda alerta que o uso indiscriminado é um fator silencioso de risco cardiovascular, sobretudo entre jovens. Dados apresentados pela entidade mostram que 6,4% dos homens já utilizaram anabolizantes e que a taxa pode ser ainda mais alta entre frequentadores de academias. Em muitos casos, o uso não se limita a esteroides e envolve também insulina e hormônio do crescimento, o que, segundo a SBEM, potencializa os efeitos adversos. O urologista da Unimed-BH, Mateus de Almeida Ribas, destaca que o uso indiscriminado de anabolizantes mexe com o corpo inteiro. “O maior perigo é que muita coisa acontece por dentro, enquanto a pessoa só vê o resultado no espelho. No coração e na circulação pode aumentar a pressão, piorar o colesterol, engrossar o músculo do órgão, o chamado hipertrofia, e elevar o risco de arritmia, trombose, infarto e acidente vascular cerebral (AVC), inclusive em jovens”. “No fígado, principalmente com alguns anabolizantes orais, pode causar lesão relevante e, em casos graves, evoluir para problemas sérios. E também pode ter um impacto hormonal e sexual. No homem, o corpo desliga a produção natural, aparecendo queda de libido, disfunção erétil, redução do volume testicular e infertilidade”, complementa. E não é só no físico que os problemas aparecem, alerta o urologista. “Pode causar irritabilidade, ansiedade, insônia e, em alguns casos, queda forte de humor, ao interromper o uso. E a utilização estética tende a virar um ciclo de dependência psicológica, porque a pessoa fica presa ao medo de perder o resultado. Em adolescentes é ainda pior, é um corpo em desenvolvimento sendo exposto a doses hormonais que não foram feitas para isso”. Ribas pontua alguns sinais de alerta que não devem ser ignorados. “Dor no peito, falta de ar, palpitações, desmaio, olhos ou pele amarelados, acne explosiva, alterações extensas de humor, queda de libido, problemas de ereção, e também a famosa ginecomastia, que é o aumento das mamas. Às vezes é possível reverter o processo, mas não é garantido. Quanto mais tempo e maior a dose, aumenta a chance de causar um dano permanente”. Ilusão Na avaliação do profissional de educação física e especialista em Biomecânica e Longevidade, Randy Duarte, o uso de anabolizantes pode gerar um aumento rápido de força, volume muscular e até sensação de maior resistência nos treinos, e é justamente isso que ilude muitas pessoas. “O problema é que esse ganho acontece de forma artificial e desproporcional, principalmente no músculo, enquanto outras estruturas não acompanham essa evolução. O corpo até aparenta estar mais forte, contudo, fica mais vulnerável”. “Esses esteroides podem mascarar sinais importantes de fadiga e dor, fazendo com que a pessoa treine além do limite. É comum vermos um aumento no risco de lesões, como rupturas de tendão, estiramentos graves e sobrecarga articular, justamente porque o músculo passa a gerar forças que essas estruturas ainda não estão preparadas para suportar”, esclarece. O uso de anabolizantes está fortemente ligado à pressão estética e à influência das redes sociais, que muitas vezes vendem resultados irreais e rápidos, ressalta o profissional. “Com isso, o consumo acaba sendo normalizado, como se fizesse parte natural do processo de treino. E é fundamental reforçar que é possível evoluir sem esteroides”. Para Duarte, as estratégias educativas mais eficazes são aquelas que mostram a realidade sem prometer atalhos. “É essencial reforçar que no treino não existe caminho rápido e sustentável: constância no treinamento, boa alimentação, descanso e acompanhamento profissional continuam sendo a base de qualquer resultado duradouro”, finaliza.
Janeiro Branco alerta para os cuidados com a saúde mental

A campanha Janeiro Branco chega a cada início de ano convidando a sociedade a refletir sobre a saúde mental como parte essencial do bem-estar e da qualidade de vida. Criada para estimular o diálogo, reduzir estigmas e incentivar o cuidado emocional, a iniciativa aproveita o simbolismo do mês de recomeços para lembrar que a mente também precisa de atenção, planejamento e acolhimento. No Brasil, os jovens concentram o maior número de internações associadas a transtornos de saúde mental, embora sejam o grupo que menos procura os serviços da Atenção Primária à Saúde, conforme estudo elaborado por pesquisadores da Fiocruz. O sexo masculino entre 15 e 29 anos concentra 61,3% das internações relacionadas à saúde mental. Nessa faixa, o índice chega a 708,4 hospitalizações a cada 100 mil habitantes, cerca de 57% superior ao observado entre as mulheres, cuja taxa é de 450 por 100 mil. O fator predominante para essas internações entre os homens é o consumo abusivo de substâncias psicoativas, que responde por 38,4% dos casos. Dentre eles, 68,7% envolvem o uso combinado de mais de uma droga, seguido pelo consumo de cocaína (13,2%) e álcool (11,5%). Considerando a população jovem em geral, as internações se distribuem de forma semelhante entre o uso problemático de drogas (31%) e os transtornos do espectro esquizofrênico (32%). Logo após, destacam-se os transtornos do humor, responsáveis por 23% dos casos. Segundo a psicóloga Lara Fagundes, falar sobre o tema ainda é um desafio em muitas famílias e ambientes de trabalho. “Durante muito tempo, fomos ensinados a esconder emoções e a seguir em frente sem questionar o impacto disso na nossa vida. O Janeiro Branco surge como um convite coletivo para normalizar conversas sobre sentimentos, ansiedade, frustrações e expectativas, mostrando que cuidar da mente é um ato de responsabilidade consigo mesmo”. Ela destaca que emoções reprimidas podem se manifestar de diversas formas, como dificuldades de concentração, irritabilidade constante, alterações no sono e queda no rendimento escolar ou profissional, afetando diretamente a forma como a pessoa se relaciona com o mundo. Em 2025, o país pode ter ultrapassado a marca de 500 mil afastamentos do trabalho causados por transtornos mentais e comportamentais, de acordo com projeções da Caju, empresa especializada em benefícios corporativos e tecnologia voltada à gestão de pessoas. Para chegar a esse cenário, a empresa analisou e reuniu dados oficiais do INSS e do Ministério da Previdência Social. Os números indicam um crescimento de 13,7% na média mensal de afastamentos em relação a 2024 (o volume passou de 39,3 mil para 44,7 mil registros por mês). A ansiedade lidera entre os fatores que motivam o afastamento profissional, sendo responsável por cerca de 121 mil ocorrências, o equivalente a 30% do total. Na sequência aparecem a depressão, com 94 mil casos, e o transtorno bipolar, com aproximadamente 45 mil afastamentos. O psiquiatra Marcelo Tavares ressalta que o estado emocional interfere nas decisões, nos hábitos e até na saúde física. “Quando alguém vive sob estresse contínuo ou não reconhece sinais de esgotamento emocional, o corpo responde. Podem surgir dores, cansaço excessivo e maior vulnerabilidade a doenças. Por isso, olhar para a saúde mental é também uma forma de prevenção. O cuidado emocional não deve ser visto como algo pontual, mas como um processo contínuo, que envolve autoconhecimento e a construção de uma rotina mais equilibrada”. “Entre os hábitos que contribuem para a saúde mental estão a manutenção de uma rotina de sono adequada, a prática regular de atividades físicas e a alimentação equilibrada, que influenciam diretamente o humor e a disposição. Além disso, cultivar vínculos sociais positivos é fundamental. Quando as emoções se tornam difíceis de lidar ou persistem por muito tempo, buscar apoio profissional é uma atitude responsável e preventiva”, completa. Ao longo do mês, a campanha reforça que cuidar da mente é um compromisso diário e possível para todos. “Ao adotar hábitos mais conscientes, rever prioridades e permitir-se sentir, o início do ano pode se tornar uma oportunidade real de transformação, o Janeiro Branco, mais do que uma campanha, lembra que a saúde mental deve estar em pauta o ano inteiro, como base para uma vida mais equilibrada, produtiva e significativa”, conclui Lara.
Verão requer cuidado com as articulações em viagens e treinos

Com o aumento das viagens e da prática de exercícios ao ar livre, cresce também a preocupação com a saúde das articulações. Longos períodos sentado em carros, ônibus e aviões, somados ao retorno intenso às atividades físicas, podem favorecer dores, rigidez e até lesões em joelhos, quadris e ombros. De acordo com o ortopedista Guilherme Morgado Runco permanecer muito tempo imóvel compromete o funcionamento das articulações. “Quando ficamos sentados por horas, a articulação reduz sua lubrificação natural, os músculos ficam mais rígidos e a circulação se torna mais lenta, o que pode gerar dor e inchaço, especialmente em quem já tem desgaste articular”, explica. Para minimizar os desconfortos durante viagens longas, o especialista recomenda pausas e pequenos movimentos ainda no assento. “A cada uma ou duas horas, levantar, alongar e ativar a circulação. Movimentar tornozelos, esticar os joelhos e ajustar a postura aliviam a rigidez e reduzem o incômodo”. A hidratação também é um ponto-chave, segundo Runco. “Ambientes com ar-condicionado e baixa ingestão de líquidos favorecem a rigidez articular e o risco de obter lesões. Manter-se hidratado e proteger o corpo do frio excessivo ajuda a preservar a saúde dos tecidos e melhora a circulação”. Atividades ao ar livre Além das viagens, o verão impulsiona a motivação para correr, pedalar ou praticar treinos funcionais ao ar livre, o que exige cuidados extras. Segundo o ortopedista Roni Serra, o aumento repentino da carga de treino é um dos principais fatores de risco para lesões. “As articulações funcionam como amortecedores do corpo. Sem preparo adequado, microlesões podem se acumular e evoluir para problemas mais graves”, alerta. Ele lembra que joelhos, quadris e ombros estão entre as articulações mais exigidas. “A progressão gradual, o fortalecimento muscular e o uso de calçados adequados são essenciais para proteger os joelhos”. No caso do quadril, o especialista reforça a importância do fortalecimento do core e dos glúteos. “Desequilíbrios musculares e má postura sobrecarregam a articulação e podem gerar dor persistente”. Serra também destaca que os ombros merecem atenção especial em treinos de musculação e esportes aquáticos. “Exercícios de estabilização, fortalecimento do manguito rotador e foco na qualidade do movimento reduzem significativamente o risco de lesões”. A prevenção é o melhor caminho. De acordo com Serra, respeitar os limites do corpo, manter-se ativo de forma consciente e buscar avaliação médica diante de dores persistentes são atitudes que garantem um verão mais saudável e sem interrupções. “Hidratação, descanso adequado e acompanhamento profissional são aliados da saúde articular. Prevenir é sempre a melhor estratégia para manter o corpo ativo e sem dor durante o verão”, conclui.
Ultraprocessados são 23% dos alimentos consumidos no país

A participação de ultraprocessados na alimentação dos brasileiros mais que dobrou desde os anos 1980, passando de 10% para 23%, é o que revela uma série de artigos publicados na revista Lancet por mais de 40 cientistas, liderados por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). Os dados mostram que esse fenômeno não é exclusivo do Brasil, o consumo de ultraprocessados aumentou ao longo dos anos em todos os 93 países pesquisados, à exceção do Reino Unido, onde se manteve estável em 50%. A nação europeia só é superada pelos Estados Unidos, onde esses produtos perfazem mais de 60% da dieta. Em 40 anos, esse consumo triplicou na Espanha e na Coreia do Norte, alcançando índices de aproximadamente 32%. Na China, a participação dos ultraprocessados nas compras familiares era de apenas 3,5% e passou para 10,4%. Já na Argentina, o aumento foi menor, ao longo do mesmo período, saindo de 19% para 29%. Os artigos destacam ainda que o crescimento foi percebido nos países de baixa, média e alta renda, sendo que os últimos já partiram de patamares altos, enquanto as nações com renda menor registraram altas mais expressivas. O pesquisador do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da USP e líder do trabalho, Carlos Monteiro, ressalta que esse consumo crescente está reestruturando as dietas em todo o mundo. “Essa mudança na forma como as pessoas se alimentam é impulsionada por grandes corporações globais, que obtêm lucros extraordinários priorizando produtos ultraprocessados, apoiadas por fortes estratégias de marketing e lobby político que bloqueiam políticas públicas de promoção da alimentação saudável”. A endocrinologista da Unimed BH e diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Flávia Coimbra Pontes Maia, explica que essa alta no consumo de ultraprocessados é um problema grave e preocupante. “Esses alimentos estão relacionados com uma série de problemas para a saúde, como o aumento de incidência de diabetes, de obesidade, e do colesterol alto. Isso tudo pode causar risco de doenças cardiovasculares no futuro”. Flávia afirma que esses alimentos podem impactar o organismo de diversas maneiras. “Alteram a regulação do apetite e promovem a ingestão aumentada de calorias; elevam rapidamente a glicemia e isso faz uma produção excessiva de insulina, que favorece o acúmulo de gordura visceral, elevando o risco de diabetes tipo 2; são capazes de alterar a microbiota intestinal, causando o aumento da produção de substâncias inflamatórias crônicas; entre outros problemas”. “Todas as faixas etárias podem ser afetadas pelo consumo desses alimentos ultraprocessados. No entanto, existem algumas faixas com risco maior. Por exemplo, as crianças até aos 10 anos de idade, porque o organismo ainda está em desenvolvimento. Eles vão criar um hábito alimentar inadequado e isso no futuro vai levar à obesidade, puberdade precoce, déficit de atenção, de aprendizado, doenças alérgicas e imunológicas”, alerta. Os adolescentes também figuram na faixa etária muito vulnerável, acrescenta a endocrinologista. “Eles são mais propensos a querer comer esse tipo de alimento, e é um período que estão tendo as alterações hormonais, o que pode prejudicar esse processo. Além dos jovens adultos, que costumam apresentar doenças metabólicas mais precocemente”. Alimentação saudável A especialista destaca que é possível reverter os danos causados pela ingestão excessiva de ultraprocessados. “Pare de comer esses tipos de produtos ou reduza ao máximo o consumo, tentando buscar uma dieta baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, como verduras, legumes, frutas e grãos. Os produtos ultraprocessados são realmente o grande mal, causadores de problemas como diabetes e obesidade. Precisamos implementar também medidas que restrinjam o consumo desses alimentos”, finaliza.
Dezembro Laranja alerta para a prevenção do câncer de pele

A chegada de dezembro e do verão reacende um alerta conhecido, porém, negligenciado: o risco do câncer de pele. Com a elevação das temperaturas, aumento do índice de radiação ultravioleta (UV) e maior exposição ao sol, especialistas reforçam a necessidade de cuidados intensificados. O câncer de pele não melanoma é o tipo mais frequente no Brasil (31,3% do total de casos, segundo o Inca) e, apesar de amplamente prevenível, ainda cresce devido a hábitos de exposição inadequados e falta de atenção aos sinais iniciais. De acordo com a dermatologista Helena Moura, a doença surge quando ocorre um crescimento anormal das células cutâneas, geralmente provocada pela radiação solar acumulada ao longo da vida. “Esse dano é progressivo, silencioso e cumulativo. Muitas pessoas acham que apenas queimaduras solares graves oferecem risco, mas pequenas exposições repetitivas, sem proteção, já são suficientes para desencadear mutações que levam ao câncer”. Existem dois grandes grupos da doença: o melanoma, considerado o mais agressivo, e os não melanoma, entre eles o carcinoma basocelular e o espinocelular, geralmente mais comuns e com menor probabilidade de metástase quando tratados precocemente. Os sintomas variam entre manchas, feridas que não cicatrizam e lesões pigmentadas com formatos irregulares. “O principal sinal de alerta é a mudança. Uma pinta que aumentou, uma ferida que sangra, uma mancha que coça ou dói, qualquer alteração persistente deve ser investigada”, afirma. O diagnóstico costuma ser feito por exame clínico e confirmado por biópsia, para isso, a consulta dermatológica regular é fundamental. A recomendação geral é que adultos façam avaliação anual, mas pessoas com pele muito clara, casos na família, ou longo histórico de exposição solar devem aumentar a frequência. “Nos meses de verão, principalmente em dezembro e janeiro, recebemos mais pacientes com lesões suspeitas. A luz solar é mais intensa e episódios de queimadura se tornam mais comuns, o que eleva o risco ao longo dos anos”, destaca. As causas estão relacionadas à exposição aos raios UV, porém, outros fatores podem influenciar, como predisposição genética, uso de câmaras de bronzeamento, proibidas no Brasil, mas ainda buscadas clandestinamente, e envelhecimento natural da pele. O oncologista Ricardo Fagundes reforça que o comportamento preventivo é decisivo. “Dezembro marca o início das férias e muitos brasileiros passam longos períodos ao ar livre sem qualquer proteção. Chapéu, óculos, roupas com proteção e reaplicação do protetor solar a cada duas horas são atitudes simples que salvam vidas”. O tratamento varia de acordo com o tipo e o estágio da doença. As modalidades incluem cirurgia, radioterapia, terapias alvo e imunoterapia, especialmente no caso de melanomas avançados. Segundo Fagundes, a abordagem precoce é sempre mais favorável. “Quando detectado no início, o carcinoma basocelular tem taxas altíssimas de cura com procedimentos pouco invasivos. Já o melanoma pode se espalhar rapidamente, por isso a rapidez na identificação faz toda a diferença”. Para enfrentar o verão com segurança, Fagundes recomenda evitar exposição solar entre 10h e 16h, período de maior radiação; utilizar protetor solar com fator no mínimo 30; buscar sombras sempre que possível; e proteger áreas esquecidas, como orelhas, lábios, nuca e dorso dos pés. “No Brasil, em dezembro, o índice UV frequentemente atinge níveis extremos, superiores aos observados em muitos países tropicais. Isso exige atenção redobrada, principalmente de crianças e idosos”. O método ABCDE, que avalia Assimetria, Borda, Cor, Diâmetro e Evolução das lesões, é uma ferramenta útil para identificar sinais suspeitos. “Ninguém conhece sua pele melhor do que o próprio paciente. Se notou algo diferente procure atendimento imediatamente. O câncer de pele é altamente tratável quando diagnosticado na fase inicial”, conclui.
Vacinação contra o HPV evita vários tipos de câncer e salva vidas

O Brasil tem mostrado avanços significativos na aplicação da vacina contra o Papilomavírus Humano (HPV). Em 2024, a cobertura vacinal ultrapassou 82% entre meninas, índice muito acima da média global de 37%, e chegou a 67% entre os meninos. O Ministério da Saúde pretende vacinar cerca de 7 milhões de jovens, que não foram imunizados na idade recomendada, entre 9 e 14 anos. Para alcançar esse público, foi prorrogado para até dezembro deste ano, a campanha de vacinação contra o HPV para adolescentes de 15 a 19 anos. A meta é alcançar cerca de 7 milhões de jovens que não foram imunizados na idade recomendada, entre 9 e 14 anos. Esse cenário preocupa ainda mais diante das projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Somente em 2025, estima-se que mais de 17 mil mulheres receberão o diagnóstico de câncer do colo do útero. A doença, altamente associada ao HPV, é responsável por milhares de mortes anuais e representa um desafio contínuo para o sistema de saúde. “Geralmente, a infecção genital por HPV é bastante frequente e, na maioria dos casos, é assintomática e autolimitada. Mas, quando ocorre a persistência do vírus nas células do colo do útero, elas podem avançar para o desenvolvimento de câncer”, explica a oncologista Marcela Bonalumi. Imunização Segundo o médico da família, Martim Elviro, alguns mitos e tabus ainda são barreiras para o aumento da cobertura vacinal no país. “Muitos pais associam a vacinação à iniciação precoce da vida sexual dos adolescentes, quando, na realidade, trata-se de uma medida preventiva para proteger contra vírus altamente perigosos”. Ele reforça que não há evidências científicas que relacionem o imunizante ao comportamento sexual dos jovens. A segurança da vacina também é comprovada. “Circulam mitos sobre efeitos colaterais graves, o que não se confirma nos estudos clínicos”, destaca Elviro. A Organização Mundial da Saúde aponta que o HPV está ligado a cerca de 620 mil casos de câncer em mulheres e 70 mil em homens a cada ano. A imunização protege não apenas contra o câncer do colo do útero, mas também contra tumores de vulva, vagina, ânus, pênis e orofaringe, além de prevenir verrugas genitais. O médico destaca que quando aplicada antes dos 20 anos, a vacina pode reduzir em até 86% o risco de câncer cervical, segundo estudos internacionais. “Estamos falando de uma vacina que salva vidas. Em países com alta cobertura, como Austrália e Reino Unido, já se observa queda expressiva nos casos de câncer de colo do útero”. Prevenção A oncologista alerta que mesmo para mulheres vacinadas, a prevenção não se encerra na imunização. Exames ginecológicos de rotina são indispensáveis. A recomendação é realizar o Papanicolau anualmente e, depois de resultados consecutivos normais, a cada três anos, dos 25 aos 64 anos. “O exame é fundamental para identificar lesões pré-cancerosas e agir rapidamente contra o câncer do colo do útero”. Ela lembra que nas fases iniciais, a doença costuma ser silenciosa. Quando surgem sintomas, podem incluir sangramento vaginal fora do período menstrual, dor durante relações sexuais, anemia e perda de peso inexplicada. Nos estágios mais avançados, há riscos de comprometimento urinário e intestinal. “Por isso, é muito importante buscar o aconselhamento de um especialista”. Se o diagnóstico é precoce, as chances de sucesso no tratamento aumentam consideravelmente. “Quando descoberta no início, pode haver uma redução de até 80% na mortalidade pelo câncer do colo do útero”, afirma Marcela. O tratamento pode envolver cirurgia, quimioterapia e radioterapia, dependendo do avanço da doença. Desinformação A preocupação não é apenas com a cobertura, mas também com a desinformação. Uma pesquisa da Fundação Nacional do Câncer revelou que mais de um terço dos adolescentes desconhece que a vacina previne o câncer do colo do útero. Além disso, 57% acreditam que o imunizante pode trazer riscos à saúde e que a vacinação os protegeria contra todas as infecções sexualmente transmissíveis, o que não é verdade. Para melhorar a adesão, especialistas defendem ações integradas entre famílias, escolas e profissionais de saúde. “Médicos, escolas e famílias precisam caminhar juntos para derrubar mitos e mostrar que a vacina não é uma escolha sobre o presente, mas um cuidado com o futuro da saúde dos nossos jovens”, finaliza Elviro.
Pedidos de licença por problemas de saúde mental crescem 134%

O Brasil teve 472 mil pedidos de benefícios por incapacidade temporária associados à saúde mental no trabalho, em 2024. Foi mais que o dobro no último biênio, em 2022, foram 201 mil, segundo os dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho da Iniciativa SmartLab, coordenada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pelo Escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para o Brasil. Entre os casos, destacam-se afastamentos acidentários por reações ao estresse (28,6%), ansiedade (27,4%), episódios depressivos (25,1%) e depressão recorrente (8,46%). Quanto aos afastamentos em geral, são predominantes os episódios depressivos (25,6%), de ansiedade (20,9%) e de depressão recorrente (12%). Já na análise por setores econômicos, os bancos múltiplos, com carteira comercial, partiram de 9,3% do total em 2012 para alcançar 20% de afastamentos acidentários em 2024. O segmento de comércio varejista (hipermercados e supermercados) passou de 3,9% em 2012 para 5,6%. E as atividades de atendimento hospitalar também se destacam nesse aumento da participação, partindo de 1,2% em 2012 para 10,2%. Segundo o diretor do Escritório da OIT para o Brasil, Vinícius Pinheiro, é preciso internalizar que o investimento em saúde é um ganha-ganha para os colaboradores, as famílias, as empresas e a sociedade como um todo. “O investimento na promoção da saúde mental beneficia a todos, porque promove ambientes de trabalho seguros e saudáveis, minimiza a tensão e os conflitos e melhora a fidelização do quadro de pessoal e o rendimento e a produtividade do trabalho”. A administradora de empresas e coach, Gleinda Aguiar, acredita que esse crescimento de afastamentos por saúde mental se deve a uma série de fatores combinados. “Estamos vivendo uma época de excesso de informações e de muita pressão para estar sempre atualizado e entregar resultados. Além disso, ambientes de trabalho tóxicos e uma comunicação violenta acabam agravando ainda mais a situação. Tudo isso impacta diretamente na saúde mental das pessoas, gerando quadros de ansiedade, depressão e outros problemas. Em resumo, a forma como temos vivido e trabalhado acaba prejudicando a qualidade de vida no ambiente de trabalho, e isso reflete nesse aumento de afastamentos”. Gleinda destaca que a falta de escuta dentro das equipes pode agravar ainda mais a situação. “Quando as pessoas não têm espaço para serem ouvidas, para expressar o que sentem ou para falar sobre os problemas que enfrentam no trabalho, elas acabam acumulando essas tensões internamente. Isso gera mais ansiedade e frustração”. “Por outro lado, quando existe um diálogo aberto, um ambiente onde as pessoas podem conversar com segurança e sem medo de julgamento, tudo fica mais leve. Ter alguém que ouve ativamente, que orienta e acolhe faz toda a diferença. Isso não só ajuda a prevenir problemas de saúde mental, mas também melhora a colaboração e a qualidade do trabalho, já que os funcionários se sentem mais seguros para lidar com os desafios”, acrescenta. Bem-estar emocional A profissional afirma que é possível conciliar alta performance com o bem-estar emocional. “Isso está muito ligado ao desenvolvimento contínuo, onde a pessoa se esforça para ser um pouco melhor a cada dia. Identificar o que pode ser aprimorado e buscar essa melhoria constante é o que realmente leva a resultados melhores”. Para Gleinda, as organizações realmente precisam dar uma atenção especial ao local de trabalho. “É fundamental construir um ambiente onde as pessoas queiram ir trabalhar e que se sintam valorizadas e respeitadas. Isso envolve entender o que realmente importa para os colaboradores, oferecendo reconhecimento, premiações, bonificações e um espaço de relações humanas mais respeitosas”. “A liderança precisa ter um olhar mais humano, cuidar melhor dos liderados, compartilhar informações, cobrar resultados de forma assertiva e manter uma comunicação não violenta e empática. Precisamos de uma mudança de cima para baixo, para que a cultura de trabalho se torne mais cooperativa e colaborativa. Assim, ajudamos uns aos outros dentro da empresa, enquanto competimos lá fora”, finaliza.
84 mil novos casos de tuberculose são registrados por ano

De acordo com o Boletim Epidemiológico da Tuberculose de 2025, o número de novos diagnósticos permanece em torno de 84 mil casos. Apesar de uma leve redução entre 2023 (84.994 casos) e 2024 (84.308 casos), observa-se uma tendência de aumento desde 2020, quando foram notificados 69.681 casos. Apesar dos esforços de vigilância e tratamento gratuitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a doença segue em níveis considerados altos, e novembro é o mês de conscientização devido ao Dia Nacional de Combate à Tuberculose, celebrado em 17 de novembro. A tuberculose é uma doença que afeta principalmente os pulmões, mas também pode atingir outros órgãos, como rins, ossos e o sistema nervoso central. “A transmissão ocorre quando uma pessoa doente tosse, fala ou espirra, liberando pequenas gotículas que contêm a bactéria. Essas partículas podem permanecer suspensas no ar por várias horas, especialmente em ambientes fechados e mal ventilados”, explica a infectologista Mariana Couto. Os sintomas, em geral, são sutis no início, o que dificulta o diagnóstico precoce. Tosse persistente por mais de três semanas, febre baixa, sudorese noturna, perda de peso e cansaço constante são sinais de alerta. “Muitas pessoas confundem os primeiros sintomas com uma gripe prolongada ou uma bronquite simples, o que atrasa a procura por atendimento médico. Quando o diagnóstico é tardio, o risco de transmissão aumenta significativamente”, acrescenta. O diagnóstico da tuberculose é feito por meio de exames clínicos, radiografia de tórax e testes laboratoriais. O pneumologista Ricardo Avelar explica que o principal exame é o baciloscópico, que detecta a presença da bactéria no escarro do paciente. “Nos últimos anos, o Brasil ampliou o uso de testes rápidos, como o GeneXpert, que identifica o DNA do Mycobacterium tuberculosis e ainda verifica se há resistência aos antibióticos de primeira linha. Esse é um avanço importante, mas ainda há desigualdade no acesso a esses testes em muitas regiões do país”. Apesar da disponibilidade do tratamento, o combate à tuberculose no Brasil enfrenta obstáculos complexos. Fatores como pobreza, más condições de moradia, desnutrição e acesso precário aos serviços de saúde criam um ambiente propício para a disseminação da doença. “A tuberculose não é apenas uma questão médica, mas também um problema social. Onde há desigualdade, há mais casos e é preciso olhar para a doença de forma integrada, com políticas que vão além da saúde”. De acordo com Mariana, o governo precisa reforçar a vigilância epidemiológica e melhorar a detecção precoce dos casos. “O Brasil tem capacidade técnica e rede de laboratórios, mas carece de mais investimentos em capacitação profissional e tecnologia. Além disso, campanhas de conscientização são essenciais para combater o estigma que ainda cerca a doença”. Prevenção A prevenção da tuberculose envolve ações que vão desde a vacinação até a melhoria das condições de vida. A vacina BCG, aplicada ainda na infância, é eficaz na proteção contra as formas mais graves da doença, embora não impeça a infecção pulmonar em adultos. “A imunização é um passo fundamental, mas sozinha não resolve o problema. Precisamos também garantir moradias ventiladas, reduzir a superlotação em presídios e abrigos, e intensificar a busca ativa por casos em comunidades vulneráveis”, explica a médica. O Brasil tem ampliado significativamente suas ações para erradicar a tuberculose como problema de saúde pública, priorizando estratégias de prevenção e a adoção de práticas inovadoras de cuidado. Em 2024, observou-se um aumento de 30% no número de tratamentos preventivos em relação a 2023, resultado da expansão do uso de terapias medicamentosas de curta duração (com três meses de tratamento) que já correspondem a 72% do total, segundo o Boletim Epidemiológico da Tuberculose 2025. “A luta contra a tuberculose é, portanto, mais do que uma questão médica: é um compromisso com a equidade e a dignidade humana. Reduzir o número de casos no Brasil requer investimento, conscientização e vontade política”, conclui Avelar.