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Minas Gerais contabiliza 67 casos suspeitos de sarampo

Crédito: Reprodução/Reprodução

O sarampo volta a alertar a população e o motivo é que, desde o início de 2019, só em Minas, foram notificados 67 casos suspeitos em 31 municípios do estado. Desses, 30 foram descartados e 36 seguem sob investigação. Um caso foi confirmado como importado de sarampo. O paciente, morador de Betim, é um italiano que viajou recentemente à Croácia e à Itália nos meses de dezembro de 2018 e janeiro de 2019.

Apesar do número ser, para muitos, pequeno, o diretor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais, Gilmar Rodrigues, explica que é preciso prestar atenção nessa doença. “As Américas receberam um certificado de eliminação da transmissão do vírus no território, mas, por seu alto risco de contaminação, acabou voltando”.

Rodrigues conta o caminho que a doença percorreu até voltar ao Brasil. “Recentemente, houve ocorrência do sarampo na Venezuela, o vírus, provavelmente, veio de outros países onde ainda não foi erradicado e se instalou na população vizinha que não é vacinada. O surto fez com que a doença entrasse no nosso país”.

Segundo Rodrigues, justamente por isso as ações de vigilância devem ser reforçadas. “É preciso evitar que o sarampo chegue de forma endêmica. A principal maneira de proteção é a vacina, nossa meta é ter 95% das crianças imunizadas, mas isso ainda não foi alcançado”.

Ele adiciona que um adulto que não tomou nenhuma dose da vacina pode trazer o vírus para cá. “Foi exatamente o que aconteceu com esse caso de Betim, o vírus está sendo considerado como importado, por isso é importante se proteger”.

No calendário de rotina, a vacina é dada aos 12 meses, na tríplice viral, logo após a criança recebe uma segunda dose com a tetra viral ou também em outra tríplice viral. “A partir desses esquemas, a pessoa está protegida por toda a vida. Já os adultos com menos de 49 anos tem que ter tomado as duas doses até os 29 anos ou entre 30 e 49 anos pelo menos uma dose da tríplice viral”.

Acima dessa faixa etária, supõe-se que a pessoa já teve contato com o vírus. “E ela passa a ser considerada como alguém com provável imunidade à doença. Há exceções, como os trabalhadores da saúde que, independente da idade, têm que tomar as duas doses”.

A doença

O infectologista da Unimed BH Adelino de Melo esclarece que o sarampo é uma doença viral aguda. “Ele tem a capacidade de transmissão muito grande e pode ter complicações levando o paciente a uma internação e, inclusive, a morte”.

Melo ressalta que os principais sintomas são febre, dor no corpo e alterações na respiração, como catarro, secreção nasal, tosse e conjuntivite. “É uma doença que pode ter complicações respiratórias e neurológicas”.

Ele explica que, diferente do que muitos pensam, a doença não é semelhante a catapora. “As duas apresentam manchas na pele, mas são bem distintas”. Outra patologia confundida é a dengue. “As duas são febris e agudas, a dengue pode apresentar manchas no corpo, mas, em sua evolução, não traz sintomas respiratórios, tosse ou secreção nasal. Fato é que, na fase inicial, muitas doenças virais se parecem, mas, com dois dias de evolução, começam a se distinguir”.

O diagnóstico é feito por exames laboratoriais para confirmar a presença do vírus, o sarampo não tem cura e nem tratamento específico, apenas suporte clínico. O ideal é a hidratação e remédios para tratar os sintomas até a doença passar. Por isso é tão fundamental reforçar a vacinação”, conclui.