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Árbitro de Vídeo: inovação que veio pra ficar

Era mais um pouso em Belo Horizonte, eu, louco para chegar em casa, percebi que outros passageiros reclamavam do movimento brusco do avião no solo. Realmente não havia sido uma chegada perfeita. Um senhor que estava ao meu lado me disse que o motorista da aeronave era um tremendo de um “barbeiro”. Sorri discretamente e pensei com meus botões, é piloto ou motorista? O próprio “barbeiro” saiu de sua cabine repleta de tecnologia para se desculpar. Disse que se atentou a todos os procedimentos de segurança, mas o vento mudou de direção repentinamente e não houve tempo hábil para modificar sua escolha na manobra, ou seja, o pouso desconfortável foi um pequeno detalhe.

Quantas informações e conhecimento! Agradeci ao piloto preocupado com a excelência de seu trabalho, afinal não se pode controlar o vento! Sai do avião, liguei o celular e me deparei com uma notícia extraordinária na tela do aparelho. O árbitro de vídeo, pela primeira vez na história das Copas, seria utilizado no Mundial da Rússia. Uma nova ferramenta com auxílio das câmeras de TV na maior competição esportiva do planeta.

Não há espaço para testes ou barbeiragens. Foram anos de treinos, discussões, simulações, provas físicas e teóricas além do conhecimento profundo de todo o sistema operacional que rege uma transmissão. Muitas perguntas ainda pairam sobre o assunto, algumas associações ao redor do mundo ainda existem em não se render a essa eficaz ferramenta, ou por causa dos custos, ou da própria escolha de manter o tradicionalismo no futebol.

O vento muda e o esporte também necessita de novos rumos. Vejamos o tênis e o vôlei em que as câmeras são aliadas dos olhos humanos diminuindo os equívocos e dando ainda mais legitimidade aos resultados e buscando domar as velocidades existentes entre saques e cortadas. Os pequenos detalhes fazem a diferença!

Evidente que não acabarão as polêmicas, pois a interpretação e decisão final será do árbitro em campo. Existem protocolos rígidos para utilização do sistema de tecnologia do futebol e os VARs (sigla inglesa para árbitros assistentes de vídeo) serão os pilotos dessa grande novidade.

Não é qualquer pessoa que sentado numa cabine em frente a monitores e tecnologia de primeira qualidade decidirá a hora correta de rever uma decisão equivocada. Não há espaço para café, bolachas ou saidinhas para o banheiro. É preciso total conhecimento, vivência de jogo, domínio das regras, olhos abertos em todas as direções, concentração fora de série e habilidade arbitral.

Os árbitros brasileiros em breve terão o privilégio de fazer parte desse momento histórico e pioneiro (a partir das quartas de final da Copa do Brasil) e como bons apitadores e bandeirinhas, saberão que, deve-se roer o osso, e, depois, comer o filé, até porque sempre haverá espinhos e ventos repentinos em todas as direções.

*Desembargador do TJMG e Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo