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Brasil é o país que mais consome agrotóxico

Crédito: Antonio Costa/Fotos

O Brasil alcançou a posição de país que mais consome agrotóxico no mundo, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas, segundo dados apresentados pelo Inca, em 2009. Isso equivale a uma ingestão média de 5,2 kg de veneno agrícola por habitante anualmente.

De acordo com a publicação, a venda desses produtos químicos saltou de US$ 2 bilhões para mais de US$ 7 bilhões entre 2001 e 2008, alcançando valores recordes de US$ 8,5 bilhões em 2011. “É importante destacar que a liberação do uso de sementes transgênicas no país foi uma das responsáveis por colocar o Brasil no primeiro lugar do ranking de consumo de agrotóxicos, uma vez que o cultivo dessas sementes geneticamente modificadas exigem o uso de grandes quantidades desses produtos”, reitera o documento.

A toxologista da Unidade Técnica de Exposição Ocupacional, Ambiental e Câncer do Inca, Márcia Sarpa, diz que essa exposição gera danos à saúde e pode ser um dos fatores que mais desencadeia o aumento de doenças, como cânceres, alergias alimentares, alterações no sistema nervoso e até malformação congênita. “Estamos vivendo uma exposição crônica, em pequenas quantidades diárias, que está afetando a nossa saúde, a qualidade do solo, da água e a vida dos animais”.


Alimentos com maior nível de contaminação

De acordo com pesquisa realizada pela Anvisa, cerca de um terço dos vegetais mais consumidos no Brasil apresentaram um nível de agrotóxico acima do aceitável. O único produto examinado que não apresentou nenhum lote contaminado foi a batata.

1- Pimentão: 91,8%

2- Morango: 63,4%

3- Pepino: 57,4%

4- Alface: 54,2%

5- Cenoura: 49,6%

6- Abacaxi: 32,8%

7- Beterraba: 32,6%

8- Couve: 31,9%

Foram analisadas quase 2.500 amostras de 18 tipos de alimentos pelo Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos, da Anvisa


Márcia afirma também que alguns alimentos possuem fatores quimioprotetores para a prevenção do câncer e a presença exacerbada de produtos químicos gera uma reação contrária. “A OMS indica o consumo de cinco porções de frutas, legumes e verduras por dia para proteção contra o câncer de colo no reto, no estômago, entre outros. Quando coloca-se agrotóxico, inibe-se a capacidade quimioprotetora do alimento e isso interfere no poder de proteção contra a doença. Além de sozinho já causar dano, ele vai impedir que o alimento desenvolva a propriedade protetora”.

Ademais, trabalhadores rurais que estão lidam diretamente com o agrotóxico estão mais sujeitos a terem problemas de saúde. “Estamos com estudos, sendo finalizados sobre a exposição ambiental e ocupacional, que mostram que o indivíduo que trabalha com esses produtos químicos tem três vezes mais chances de desenvolver o linfoma não hodgkin diferente de quem não lida com isso diariamente. Além desses, há um outa análise que aponta que quem está em contato com os agrotóxicos têm maior chance de desenvolver transtornos mentais”, finaliza.


Produtos orgânicos

Uma opção para quem quer consumir alimentos sem a presença de agrotóxico é procurar aqueles que possuem a certificação de orgânico. Para ajudar o consumidor que opta por esses tipos de produtos, o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) criou, em 2012, o Mapa de Feiras Orgânicas. Nesse aplicativo é possível localizar a feira mais próxima. O app está disponível para Android e IOS.


Outro lado

Caio Coimbra, analista de agronegócios da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg), explica que o uso de agrotóxicos na produção agrícola está relacionado ao controle de pragas. “O que acontece no Brasil é diferente do que vemos em países frios, como os da Europa. No Hemisfério Norte, o frio se encarrega de eliminar as pragas que só se reproduzem no calor. Aqui, como é quente praticamente o ano todo, precisamos de ajuda”.

O analista explica que o uso dos produtos químicos devem ser feitos de acordo com a recomendação do fabricante. “Para ser usado, o agrotóxico passa pelo Ibama, Anvisa e Ministério da Agricultura. Isso é um processo demorado, exige muito gasto e toda essa burocracia também ajuda na segurança antes de colocar o produto no mercado”.

Caio afirma que só se consegue produzir em grande escala graças à presença de produtos químicos. “Sem eles, seria impossível alimentar todo mundo. A produção de alimentos orgânicos dá muito trabalho e compensa apenas para quem possui pouca terra e quer ganhar mais com o valor agregado desses produtos”.