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Trabalhador teve um ganho real de 1,06% com aumento do salário mínimo em 2014

O novo salário mínimo de R$ 724,00 começou a valer desde o dia 1º de janeiro de 2014. Dois meses após esse reajuste, o Edição do Brasil procurou um especialista para falar sobre o efeito desse aumento na vida dos milhões de trabalhadores. O mestre em Economia e professor da Faculdade Pitágoras, Bruno Maciel, afirma que embora o valor pareça baixo, ele representa um ganho real no que diz respeito à inflação. “Em tempos onde o ambiente econômico não é favorável, qualquer ganho é bom para o poder de compra do trabalhador”, acredita.

Como é feito o cálculo para o reajuste no salário mínimo?
O reajuste do salário mínimo segue a lei 12.382 de 25/02/2011. É ela que define as regras do reajuste até 2015, quando a lei será revista. Pela regra, para 2014, o salário mínimo foi reajustado tomando como base o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2012, mais a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado nos 12 meses anteriores ao mês do reajuste. Uma vez que o PIB de 2012 cresceu apenas 0,9%, o reajuste do salário mínimo ficou comprometido.

Qual é o aumento real para os trabalhadores, diante da inflação e impostos?
O aumento do salário mínimo totalizou 6,78%, sendo que a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou 2013 em 5,72%. Assim, o trabalhador teve um ganho real de 1,06%. Embora seja pequeno, em tempos onde o ambiente econômico não é favorável, qualquer ganho real é bom para o poder de compra do trabalhador, e mantém a trajetória dos últimos anos de crescimento da renda real.

Essa mudança traz alterações também para o bolso do trabalhador?
Sim, com o ganho real o trabalhador dispõe de maior poder de compra. Entretanto, vale lembrar que o IPCA pode subestimar a inflação de alguns produtos, especialmente dos serviços, que cada vez mais pesam no orçamento familiar do brasileiro. Segundo dados do Banco Central, a inflação de serviços ficou próxima de 8,5%, bem acima do índice oficial e do reajuste do salário mínimo. Mesmo com o possível aumento real, é importante para os consumidores observarem os preços e buscarem as melhores condições de compra.

Esse aumento pode ocasionar demissões?
Não acredito que o aumento salarial cause demissões, principalmente porque o reajuste foi baseado no ano com o PIB mais fraco desde a instituição desta regra. Mesmo assim, o momento é de apreensão para o trabalhador, porque a economia brasileira, especialmente o setor industrial não tem conseguido reagir ao ambiente internacional desfavorável.

Como fica o reajuste para os aposentados?
Para aqueles que recebem acima do salário mínimo, a situação já não é boa. Os aposentados e pensionistas terão um reajuste de 5,56% em 2014, ou seja, abaixo da inflação oficial. Com isso, o reajuste não será suficiente nem para recompor o poder de compra perdido em 2013. E com a subida dos preços ao longo do ano, a situação deve se agravar ainda mais. Para os que recebem o salário mínimo, o reajuste será igual ao dos demais trabalhadores.

Como a elevação do mínimo vai influenciar a economia em 2014?
Espera-se que o reajuste do salário mínimo injete na economia cerca de R$ 28 bilhões. Este valor a mais no bolso do trabalhador deve ser convertido em grande parte para consumo, dado que o gasto das famílias continua aquecido. A expectativa do governo é fazer com que mais uma vez o consumo das famílias seja um dos principais fatores para o crescimento do PIB em 2014.

Qual é o impacto do valor de R$ 724,00 na Previdência Social?
Esta discussão sobre a Previdência Social sempre volta quando falamos sobre reajuste do salário mínimo. A previdência pública, já a alguns anos apresenta-se deficitária, somando aproximadamente R$ 49,9 bilhões em 2013. A expectativa é de que em 2014 o déficit atinja 5% do PIB brasileiro. Com isso, é possível que o governo dificulte as regras de aposentadorias por invalidez e auxílio doença, tornando ainda mais complicada a vida das pessoas que dependem do benefício para pagar suas contas.

Como fica o mínimo nos estados que tem piso regional?
Cinco estados tem o piso regional, e, portanto apresentam reajustes diferentes. São eles: Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Dentre esses estados, apenas Santa Catarina e São Paulo reajustaram seus salários no dia 1° de janeiro, junto com o reajuste nacional. Nos demais, a lei ainda deverá ser aprovada por suas assembleias legislativas. De qualquer forma, em nenhum dos casos o reajuste pode ser inferior ao mínimo nacional, variando de R$ 763,14 no Rio de Janeiro a R$ 810,00 em São Paulo.

A diferença do antigo salário para o atual é de R$ 46,00. É uma mudança considerável?
Embora o valor pareça baixo, esses R$ 46,00 representam um ganho real no que diz respeito à inflação, mas se os trabalhadores se descuidarem no ímpeto consumista, tão característico dos brasileiros, este reajuste rapidamente pressionará a inflação, consumindo todo este ganho real obtido.

O trabalhador tem motivos para comemorar o reajuste?
Ganhos reais de renda são sempre bem-vindos, mas os consumidores não devem relaxar no controle do orçamento familiar, visto que ao longo do ano o poder de compra tende a se deteriorar. Mesmo que o governo federal tente não transparecer isto para a população, o ambiente econômico atual não está tão favorável para o Brasil como a alguns anos atrás.

Diego Santiago
Balzaquiano que atua há quase 10 anos na área da Comunicação, Diego é formado em jornalismo e pós-graduado em Marketing Estratégico pela PUC Minas. Possui experiência em revisão de textos, além de ter passagens por agência de publicidade, jornal impresso, TV e assessoria de imprensa.