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Clube-empresa. Será que cola?

Federação Mineira de Futebol está realizando uma bom trabalho

Que os clubes de futebol movimentam muito dinheiro, todo mundo sabe. Que esta dinheirama toda nem sempre tem um destino transparente todo mundo também sabe. É um mistério difícil de ser desvendado. O que se sabe é que os clubes gastam bem mais do que arrecadam e que sobrevivem sentados em cima de uma montanha de dívidas, sempre operando dentro de uma estranha engenharia financeira.

Vários planos ou projetos são tentados para solução do problema. Venda ou penhora do patrimônio, empréstimos de todos os tipos ou parcerias com empresários de atletas. Esta última solução é a mais usual e a cada ano ganha mais força, funcionando como um contrato de alto risco. Basicamente o clube se transforma numa simples vitrine. O empresário coloca os atletas e comissão técnica e vira o dono do futebol, falando e assumindo compromissos em nome do clube.

No interior essa prática é rotineira. Dezenas de clubes já entraram de gaiato com este expediente. No início, tudo é uma maravilha. Mil promessas, grandes sonhos. Infelizmente a alegria dura pouco. O time normalmente não engrena, os compromissos financeiros não são pagos e o empresário some. O clube fica atolado em dívidas, recheado de protestos e com o patrimônio penhorado. Vários já fecharam as portas e muitos outros estão a caminho da falência.

Nos clubes das grandes cidades esse tipo de parceria também funciona. Só que de forma diferenciada.  O empresário se limita a colocar jogadores no elenco. Quando um ou outro se destaca, logo é negociado. O empresário tira o seu com lucro e o clube não ganha praticamente nada. É muito difícil entender o funcionamento dessa incrível operação. Tudo é muito obscuro e quem deve fiscalizar nunca fiscaliza. E, assim, o nosso bravo futebol vai sobrevivendo.

Agora, volta à baila a criação do clube-empresa. Uma ideia antiga, com vários projetos parados na câmara dos deputados.

Fala-se que o governo federal tem interesse em tocar o tema. Alguns deputados, inclusive o presidente da Câmara vem conversando com os dirigentes. O São Paulo criou um grupo de especialistas para estudar o assunto. O Atlhetico, do Paraná, e o Botafogo, do Rio, também trabalham no projeto. Algumas experiências parecem acertadas.

O Bragantino do interior paulista vendeu o clube para uma empresa. O Botafogo, também do interior paulista, experimenta uma boa parceria para se transformar em clube-empresa.

Entretanto, em Santa Catarina, o tradicional Figueirense, infelizmente, ao que parece se meteu numa tremenda roubada. A diretoria criou uma empresa para administrar o futebol do clube. Vendeu 95% das ações desta empresa para um investidor privado. O que parecia ser o pulo do gato está dando uma tremenda dor de cabeça. O tal investidor não vem cumprindo com sua obrigação. A dívida é imensa. Até os jogadores, sem receber salários e demais obrigações durante meses, recusaram entrar em campo. Além do prejuízo financeiro, o clube sofre sanções jurídicas e está com sua imagem manchada. Outros casos iguais ou piores devem acontecer pelo Brasil afora.

Como se observa, não é tarefa simples tentar organizar e moralizar o futebol brasileiro fora de campo. No fundo acho que nem existe interesse da maioria em fazer alguma coisa.

Por essa razão, quando esse assunto começa a circular por aí, fico pensando: será que no Brasil esta ideia de clube-empresa cola?