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Campanha ao Senado deixou eleitor ainda mais confuso

Crédito: Jonas Pereira /Agência Senado

Uma salada mista tomou conta do horário eleitoral obrigatório no rádio e TV, especialmente com relação à disputa ao Senado e a Presidência. Foi um período fértil para a exibição de vaidades de políticos mineiros, muitos declarando apoio a seus nomes preferidos na tentativa de demarcar terreno no campo da liderança política-popular. Mas, agora, é chegada a hora de comprovar a demonstração de prestígio de cada um desses líderes. Será que eles têm cacife para influenciar o pleito majoritário?

Os eleitores mineiros ficaram atônitos com a profusão de declarações pedindo votos para este ou aquele candidato. O único dito cacique a não apadrinhar um nome de maneira nominal foi Aécio Neves (PSDB). Ele, por certo, tratou de salvar sua própria pele, buscando conquistar a eleição para a Câmara Federal, uma estratégia que funcionou bem até aqui, pois ninguém ousou disseminar as denúncias contra ele, o que poderia denegrir ainda mais sua imagem pública.

Padrinhos e afilhados

Quando assistiu ao vídeo do deputado federal e candidato a vice-governador, Marcos Montes, declarando apoio ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), a cena provocou cólicas em Geraldo Alckmin (PSDB). Ali, o tucano teve certeza de que havia entrado água em sua campanha aqui no estado. Segundo apurou a imprensa, Montes tomou essa atitude por pressão dos representantes do agronegócio.

O pragmatismo funcionou a contento na campanha majoritária. O próprio Antonio Anastasia (PSDB), na reta final, declarou apoio a Rodrigo Pacheco (DEM), que disputa vaga ao Senado, deixando de lado Dinis Pinheiro (Solidariedade), integrante de sua aliança partidária. Só para lembrar: Anastasia se quisesse, poderia pedir voto para os dois, mas não o fez e ninguém sabe o porquê.

O menos desgastado nesse embate é o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS), que pediu voto para o radialista Carlos Viana (PHS) para o Senado, e Ciro Gomes (PDT) como presidente.

Aliás, a campanha de Ciro teve outro apoiador de porte, o ex-prefeito Marcio Lacerda. Porém, Lacerda no caso do Senado, jogou pesado em favor de Fábio Cherem (PDT). Em seus vídeos, o ex-titular da capital mineira ainda tinha fôlego para solicitar apoio ao nome de Adalclever Lopes (MDB) ao governo de Minas.

Considerado o candidato que mais percorreu os municípios de Minas, Dinis Pinheiro (coligação do tucano Anastasia), já havia recebido apoio de Bolsonaro e de seu representante em Minas, o deputado federal Marcelo Álvaro Antônio (PSL).

Tido como um dos mais influentes empresários mineiros, o prefeito de Betim, Vittorio Medioli, desde o primeiro momento, defendeu a candidatura do presidenciável Álvaro Dias. Ambos, como se sabe, são do Podemos.

Relativamente ao PT, a situação não ficou muito clara, já que o partido decidiu lançar dois nomes ao Senado e a ex-presidente Dilma lidera as pesquisas. Sendo que a campanha do segundo indicado, Miguel Corrêa, não decolou, reforçando a tese de que pode ter ocorrido problemas para acomodação de ambos no mesmo campo ideológico.

Em síntese, esta “Torre de Babel” verificada serviu para confundir os eleitores. Na realidade, o horário nobre da TV, poderia ter sido usado para apresentação de propostas dos postulantes ao Senado, mas não foi bem o que aconteceu.