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E o sonho, acabou?

A expectativa que toma conta do Brasil, nesta reta final até a data de julgamento do ex-presidente Lula (PT), só será frustrada se no dia 24, próxima terça-feira um dos magistrados julgadores pedir vista do processo adiando a decisão.

Ainda que muitos julgadores, ouvidos esta semana, descartem tal possibilidade, em face das circunstâncias que envolvem o julgamento e seus reflexos político-institucionais, diante do ano eleitoral, um pedido de vista, ainda assim, é um mecanismo jurídico que não pode ser descartado, adiando o resultado por um punhado de dias (ou meses), mesmo que possa trazer reflexos negativos pela ansiedade, tanto do lado governamental, quanto do lado que defende a manutenção de Lula no pleito que se aproxima. Qualquer que seja o desfecho do julgamento, é preciso se pensar no dia seguinte.

Supondo-se haver o pedido de vista processual, por um dos julgadores, é necessária uma rearticulação de forças no embate jurídico.

De um lado, a defesa do ex-presidente estará centrada nas razões que levaram ao pedido de vista, obviamente articulando esforços para demonstrar a inexistência de razões para continuidade do julgamento e procurando demonstrar que as dúvidas do magistrado existem e podem jogar por terra as acusações da Promotoria Federal.
De outro, a acusação centrará esforços no sentido de comprovar a existência de fatos, razões e provas capazes de satisfazer as nuances da lei e embasar o laudo acusatório contra o ex-presidente, retirando sua possibilidade de concorrer nas eleições, em razão da ficha suja.

O certo é que qualquer que seja o desfecho no dia 24, a questão continua no ar: o sonho acabou?
Para os defensores do ex-presidente, o sonho estaria alentado pela continuidade do processo jurídico, alimentando e retroalimentando as esperanças da continuidade do governo Lula e sua política social.

Para os que veem a continuidade do processo jurídico o sonho do verdadeiro caminho para estancar exatamente a política que teria levado o País ao caos, diante dos números da economia e dos desempregados atualmente.
São dois lados em busca de alternativas para o Brasil, cada um com suas nuances filosóficas e ideológicas, cada qual com suas razões e suas crenças no que será melhor para o país.

Nas mãos, portanto, dos três desembargadores federais do TRF4, a solução momentânea desta encruzilhada jurídico-politica, cujo resultado vai permitir se antever qual o caminho a seguir depois de 24 de janeiro.

Se se lutará pela manutenção do ex-presidente como concorrente ao cargo em outubro ou se, devido à ficha suja, por sua condenação, outros nomes disputarão a Presidência da República.

O certo contudo, é que após o julgamento, qualquer que seja o resultado, todas as forças políticas estarão em campo para defender suas ideias, suas propostas e tentar (sim tentar) que o eleitor brasileiro se engaje na discussão e na participação efetiva da política partidária, que melhor represente o pensamento de cada um.

No fundo, um esforço gigantesco diante da incredulidade do brasileiro com a atual política partidária e de seus representantes no Congresso e mesmo nas demais casas legislativas do país.
*Advogado e jornalista – paulo.passos@br.inter.net