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O Brasil depois de Janot

A partir de agora, o Brasil fica livre de Rodrigo Janot. Será? Assume a poderosa Procuradoria Geral da República, a senhora Raquel Dodge, que muitos desconhecem em termos pessoais e poucos sabem de seu perfil profissional. Caberá a ela conduzir os destinos da Operação Lava Jato, que, bem ou mal, está mostrando a podridão que reina nos meandros não só da política brasileira, mas, sobretudo, nos gabinetes dos altos executivos das estatais e dos ministérios do país.

Está em curso um novo período de apuração de falcatruas, com a prisão dos delatores da JBS que, se não contaram tudo o que sabem, ainda tem mais informações espúrias escondidas nos alforjes, pelas informações de gravações escondidas no exterior envolvendo figuras exponenciais brasileiras, entre elas um ex-ministro da Justiça e um ministro do Supremo Tribunal Federal.

Ainda que nada se prove na gravação de tais áudios, a expectativa em torno do assunto há de colocar mais gasolina no famigerado quadro político nacional. Entra aí parte do quadro a desafiar a nova PGR brasileira.

Todos os olhares estarão voltados à sua atuação. Críticas hão de surgir se houver condescendência com algum dos envolvidos, ou se houver mais firmeza na apuração de possíveis delitos sobre outras figuras denunciadas.

É da natureza humana a crítica ou o aplauso conforme as convicções pessoais de quem julga os atos de um servidor público. E a doutora Raquel Dodge será, a partir dessa semana, uma servidora pública de primeira grandeza, não só pelo cargo espinhoso que passa a ocupar, mas principalmente, pelo grau de responsabilidade que carregará sobre seus ombros.

Herdou todo um processo de depuração judicial das denúncias e dos desvios de conduta contra integrantes do alto escalão governamental e político do país, processos que, ao que tudo indica, ainda levará tempo para finalizar. Certo é que seu antecessor, bem ou mal, não deixou pedra sobre pedra quando esteve à frente da PGR. Tanto que até os próprios delatores que puseram fogo no Brasil ao envolver o presidente da República em denúncia de corrupção, estão, hoje, presos por omissão nas delações, o que invalida todo o processo, caso mantido o entendimento da PGR neste sentido.

Qual será a reação da nova comandante da PGR? Continuará existindo bambu para mais flechas daqui pra frente? O tempo é (e será sempre) o senhor do destino.

*Advogado e jornalista