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Viva o nosso futebol

O Campeonato Mineiro de futebol em seu módulo I, vai entrando na reta final. Depois de extensa maratona de jogos, falta muito pouco para que os quatro melhores classificados iniciem o duelo em busca do título. Previsão de fortes emoções dentro e fora de campo para que o campeão de 2017 seja conhecido. A expectativa é enorme e qualquer palpite não passa de mera especulação. Ao mesmo tempo, vários times apostam suas fichas em outras competições nacionais e internacionais. O Atlético tem pela frente o forte desafio da Copa Libertadores, enquanto o Cruzeiro se desdobra entre a Copa Sul-Americana e a Copa do Brasil. Infelizmente, nesta última, América, Boa, Caldense e URT, já foram desclassificados.

Atlético e Cruzeiro ainda vão disputar a Série A do Brasileiro, América e Boa a Série B, Tupi e Tombense a Série C. Restando 03 vagas na Série D para os mineiros. Caldense, Uberlândia, Villa Nova e Democrata estão na boca de espera.

Não é nada fácil. São dezenas de viagens, jogos e outras dificuldades. Para chegar ao topo em qualquer uma das competições, guardadas as devidas proporções, é preciso manter um elenco acima da média e uma estrutura impressionante. É preciso investir uma boa grana.

Em termos de campeonato brasileiro, Atlético e Cruzeiro reúnem estas condições. Possuem excelentes estruturas, altos recursos financeiros e grandes jogadores, mas vão enfrentar adversários poderosos em todos os sentidos.
Nas demais series, os times se equivalem. Uns tem dinheiro, mas pouca estrutura e jogadores medianos. Outros têm bons jogadores, mas pouca estrutura e recursos financeiros. Às vezes contam mais com a força da tradição, da camisa, dos seus torcedores que lotam estádios para empurrar o time, do que do próprio futebol praticado. É uma gangorra difícil de entender ou tentar fazer algum tipo de previsão.

Enquanto os chamados grandes e médios do futebol mineiro buscam voos mais interessantes e rentáveis, os pequenos lutam desesperadamente para conquistar um lugarzinho ao sol.
Vejam por exemplo o caso do modulo II do Campeonato Mineiro. Depois de uma longa fase classificatória, 06 times começam a disputar o sonho de subir para a divisão principal no ano que vem. Para tanto precisam conquistar o primeiro ou o segundo lugar.

Betinense de Betim, Tupynambás de Juiz de Fora, Nacional de Muriaé, Uberaba, Patrocinense de Patrocínio e Boa de Varginha, jogam em turno e returno até o dia 20 de Maio, numa disputa intensa e sacrificante.
Interessante observar que alguns times, hoje pelejando na segunda divisão regional, já fizeram história no futebol mineiro. Alguns centenários, que sumiram do cenário e agora tentam voltar ao palco. Outros emergentes, querendo mostrar serviço.

Vai acontecer ainda o campeonato da segunda divisão, em fase de organização. Nesta competição, entre outros, figuram times como o Siderúrgica de Sabará (que já foi duas vezes campeão mineiro) e o Valeriodoce de Itabira.
Promovendo, divulgando e defendendo tudo isto está a nossa valorosa imprensa esportiva. Dezenas de emissoras de rádio e televisão, jornais, webs, sites e demais redes sociais, movimentam mais de 1.500 profissionais credenciados pela AMCE. Em cada canto de Minas, equipes esportivas, sem medir esforços, vencem os maiores desafios para acompanhar tudo que rola neste incrível universo do futebol mineiro.
Muita gente, especialmente aqueles que moram na capital, acostumados aos grandes jogos, as grandes coberturas da mídia, não valorizam as competições regionais, muito menos o futebol do interior.

Não sabem o tamanho da importância destes eventos. Da luta dos dirigentes dos times pequenos. Do sacrifício de centenas de treinadores e jogadores na busca incessante para conquistar espaço. Da alegria dos torcedores em ver o representante da sua cidade brigando para crescer. Do esforço dos profissionais da imprensa esportiva em carregar o sonho de muita gente, mesmo sabendo que a realidade na maioria das vezes é dura e quase impossível.

E mais, o futebol regional gera trabalho, garantindo o sustento de várias famílias. Gera inclusão social, desperta o interesse dos jovens pelo esporte e melhora a autoestima de muita gente que vive em locais distantes dos grandes centros.

Imagine se no Brasil existisse somente as grandes competições nacionais e internacionais. Em Minas teríamos apenas dois times ou com muito esforço uns quatro.
E o resto, como ficaria?

*Presidente da Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE