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A garotada pede passagem

O futebol mineiro tem muito pouco ou quase nada para comemorar nesta temporada. Não ganhamos nada, absolutamente nada. Nem experiência. Nossos principais times, Atlético e Cruzeiro, passaram o ano se arrastando dentro de campo.

Isso leva a crer que o badalado planejamento não funcionou. Os elencos foram montados de maneira errada. No Atlético, alguns jogadores considerados craques não conseguiram produzir nada e outros de qualidade duvidosa foram contratados. Resultado: o time desandou geral.

O Galo Apresentou um futebol fraco e irregular, muito longe da tradição do clube e do sonho da torcida. Para piorar, o comando técnico foi mudado sem um critério definido. O Atlético resolveu apostar em jovens interinos como treinadores e a experiência não deu certo.

No Cruzeiro, o planejamento parecia correto. O clube manteve o treinador experiente e ganhador, além de vários jogadores renomados, experientes e acostumados a ganhar títulos. Tudo mostrava que o caminho estava correto, inclusive com o time sendo apontado pela mídia como um dos favoritos a grandes conquistas.

De repente, um furacão se abateu sobre o clube. Fortes denúncias contra atos incorretos de diretores balançou a estrutura. E como não poderia ser diferente, o fato atingiu o time em cheio. O treinador não conseguiu segurar a onda e preferiu se mandar. Os jogadores considerados de boa qualidade técnica caíram de produção e o futebol do time virou fumaça.

O mais estranho é que mesmo passando por dificuldades técnicas, os dois times não tomaram providências para sair do marasmo. Nenhum treinador teve a capacidade ou o interesse em olhar para dentro do próprio clube e buscar algum jovem para dar uma sacudida na situação. É verdade que o Cruzeiro lançou dois jovens talentosos: Ederson e Cacá, mas não foi por opção, e sim por necessidade.

No Atlético, a mesma coisa. O time só lançou o goleiro Cleiton, porque o titular e o reserva imediato machucaram. Caso contrário, nem saberíamos que havia um jovem talentoso dentro do elenco. Agora, por desespero, o clube coloca dois jovens em campo: Marquinhos e Bruninho.

Com o planejamento furado e a temporada perdida, a esperança é que para o próximo ano uma mudança radical aconteça. Atlético e Cruzeiro precisam parar com essa bobagem de encher seus elencos com jogadores medalhões, pagando fortunas e recebendo pouco em troca.

O foco deve ser acreditar na base, em jogadores jovens com bom potencial técnico e muita vontade de vencer na vida. É só uma questão de dar oportunidade e apoiar. O jovem pode começar um pouco inibido, cometer alguns erros, mas, em pouco tempo, toma conta do espaço.

Vários clubes no Brasil e no mundo estão apostando em jogadores na faixa entre 17 e 21 anos. Além do vigor físico natural, da melhoria da qualidade técnica, o custo-benefício é extraordinário. O clube gasta bem menos e abre possibilidade de faturar alto.

O América é o que trabalha melhor nesta política de aproveitamento de atletas jovens. Só precisa aprender a negociar melhor. Portanto, vamos sonhar que nossos dirigentes vão sair do comodismo, disciplinar melhor a participação de empresários e focar no aproveitamento de jogadores jovens, tanto aqueles que já estão em suas categorias de base, como muitos outros que podem ser descobertos.

O celeiro é bom e farto. A cada dia, em algum lugar, surge no mínimo meia dúzia de meninos bons de bola. Quem acreditar vai se dar bem. A política então é abrir a porteira. A garota pede passagem.

*Presidente da Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE)
amce@amce.org.br