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A dança dos técnicos no Brasileirão

O Campeonato Brasileiro começou a todo vapor. Clássicos regionais, polêmicas, muita rivalidade, raça, disputas acirradas e até agora nenhuma equipe disparou na tabela de classificação. Isto ao que parece vai ser a tônica da competição. Jogos decididos nos pequenos detalhes, onde qualquer falha individual ou coletiva pode custar muito caro. E quem vem pagando um preço alto pelos insucessos na competição nacional são os técnicos.

Dorival Júnior, que estava desde julho de 2015 à frente do Santos (o técnico há mais tempo no comando de um clube no Brasil), teve que fazer as malas e dizer adeus ao elenco. Balançando no cargo desde o Campeonato Paulista, o treinador Santista não resistiu a mais um resultado ruim (derrota por 2 a 0 no clássico contra o Corinthians no último dia 03 de junho). Mesmo tendo a confiança dos jogadores em seu trabalho, as fortes pressões da torcida e de parte dos conselheiros do clube culminaram na demissão do treinador. Dorival Júnior deixou o cargo com 65% de aproveitamento nestes quase dois anos de trabalho, o título de Campeão Paulista de 2016 e a vaga para a fase decisiva da Libertadores. A diretoria santista contratou Levir Culpi.

Dorival Júnior se juntou a uma lista que já contava com Paulo Autuori (que, na verdade, não foi demitido, mas deixou o cargo de treinador para Eduardo Baptista e assumiu as funções de diretor de futebol no Atlético-PR). O mineiro Ney Franco foi demitido do Sport após perder a Copa do Nordeste.

Já Guto Ferreira, após vantajosa proposta financeira e apostando no projeto grandioso do Gigante da Beiro Rio, deixou o Bahia para assumir o Internacional no lugar de Antônio Carlos Zago, demitido na terceira rodada da Série B. Outros dois técnicos que após algum tempo de inatividade voltaram ao trabalho foram Vanderlei Luxemburgo e Jorginho, respectivamente, assumindo Sport e Bahia.

A última vítima dos maus resultados foi o técnico do Atlético/GO, Marcelo Cabo, demitido após a derrota para o Bahia por 3×0 no último dia 05. O Dragão ocupa a lanterna do Brasileirão e já contratou Doriva.

Se fizermos as contas, já são seis trocas de técnicos em apenas quatro rodadas. Muitas mudanças em curto espaço de tempo. E, a julgar pelos resultados de alguns clubes nas próximas rodadas, o campeonato pode sofrer novas baixas. Embora prestigiados, Mano Menezes no Cruzeiro e Roger Machado no Atlético/MG, vem apresentando um aproveitamento muito abaixo do esperado na competição até aqui. A Raposa ocupa a 6ª colocação da tabela, enquanto que o Galo, mesmo com um elenco poderoso está perto da zona do rebaixamento.

Em verdade, essa alta rotatividade de técnicos no Brasil é o grande problema para a formação dos times no país. Os treinadores tem um prazo muito curto para formar um time e os dirigentes querem resultados imediatos. Muitos jogadores quando são repatriados retratam as diferenças entre jogar aqui e no velho continente. No Brasil, vários presidentes e diretores não têm compromisso com o clube diretamente. Eles, muitas vezes, buscam seus próprios interesses.

Na Europa, normalmente, os presidentes são os donos dos clubes, ou seja, são mais profissionais, porque estão trabalhando com seu próprio dinheiro. Eles só escolhem pessoas de confiança para cargos altos, e por isso, eles possuem grandes estruturas. Entendo que passou da hora do futebol brasileiro copiar esse modelo de gestão. Caso contrário, essa dança dos técnicos vai se perpetuar por muitos e muitos anos. E quem perde com isso é o nosso futebol brasileiro.

*Desembargador do TJMG e Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo