MG movimenta R$ 55,4 bilhões em vendas on-line e ganha destaque

Minas Gerais alcançou a marca de R$ 55,4 bilhões no e-commerce em 2024, consolidando-se como o segundo maior Estado emissor de vendas on-line do país. Segundo estatísticas das transações de comércio eletrônico com base na Nota Fiscal Eletrônica, foram R$ 28,7 bilhões em vendas para outros estados e R$ 26,7 bilhões em compras. Esse ramo girou R$ 225,06 bilhões, com expansão acumulada de mais de 550% desde 2016, no Brasil. Eletrônicos, máquinas e vestuário concentram grande parte do valor movimentado nacionalmente. E em Minas, há destaque para calçados, equipamentos e produtos industriais. Para o especialista em vendas on-line e sócio fundador da Pronix, Hugo Vasconcelos, o protagonismo de Minas no e-commerce não vem de um fator isolado. “O Estado tem uma combinação forte de localização geográfica, malha logística, base empresarial diversificada e consumo interno relevante”. O setor movimenta transporte, centros de distribuição, tecnologia, meios de pagamento, atendimento, marketing digital e pequenos negócios, afirma Vasconcelos. “O segmento gera impacto direto na economia. Quando uma empresa mineira vende para outro Estado, ela traz receita e fortalece a cadeia local”. Desafios O professor de Gestão e Marketing do Centro Universitário Arnaldo – BH, Rogério Tobias, pontua que os principais desafios ainda envolvem logística, qualificação profissional e planejamento estratégico para a utilização de ferramentas digitais. “Muitas empresas entraram rapidamente no ambiente on-line, mas ainda precisam amadurecer processos relacionados a estoque, atendimento, experiência do consumidor, e a integração entre canais físicos e digitais”. Contudo, Vasconcelos ressalta que a tendência é o setor continuar crescendo, mas de forma seletiva. “O número de empresas virtuais deve aumentar, no entanto, quem vai ganhar espaço são as operações mais profissionais. Não basta estar na internet, vai crescer quem souber vender com margem, controlar custo e criar uma experiência confiável”. Comportamento do consumidor Os dados apontam que 76,6% das empresas mineiras possuem presença digital e 59,5% realizam vendas on-line. Tobias explica que esse fato não mostra uma digitalização consolidada. “Já acontece uma transformação bastante considerável, mas existe uma diferença entre presença e maturidade digital”. “Muitos empreendimentos já estão na internet, porém, ainda utilizam esses canais de forma que pode ser considerada básica. O consumidor espera encontrar empresas no ambiente digital, independentemente do porte do negócio”, complementa. O tapeceiro Washington Guimarães, de 41 anos, faz compras no comércio eletrônico toda semana. “Comecei a adquirir pela internet quando percebi que os preços pelo site são mais atrativos do que os das lojas físicas. Apesar disso, meu hábito de compra não mudou definitivamente, ainda consumo algumas coisas em estabelecimentos físicos”. “No comércio virtual costumo comprar materiais de pesca, roupas, sapatos, tênis e eletroeletrônicos. A comodidade, o preço e a variedade são os pontos que mais me chamam a atenção nessa modalidade”, finaliza. Tobias aponta que existe uma mudança comportamental muito clara acontecendo. “O consumidor passou a valorizar intensamente a praticidade, rapidez e ausência de desgaste. As pessoas querem experiências fluidas e integradas ao cotidiano. Nos próximos anos, veremos um relacionamento ainda mais imersivo, com sistemas capazes de antecipar necessidades e personalizar experiências em tempo real”.

Qualidade da água dos rios da Mata Atlântica segue precária

As águas dos rios da Mata Atlântica seguem impactadas pela poluição e exigem tratamento para abastecimento e outros usos. O diagnóstico do estudo do Retrato da Qualidade da Água nos Rios da Mata Atlântica, da Fundação SOS Mata Atlântica indica que, entre janeiro e dezembro de 2025, quase 80% dos pontos monitorados apresentaram qualidade regular. Minas Gerais e outros cinco estados continuaram nessa categoria, em comparação com 2024. Segundo a pesquisa, o principal entrave para a recuperação dos rios permanece sendo a falta de saneamento adequado. Para analisar os desafios jurídicos e ambientais relacionados ao tema, o Edição do Brasil conversou com o advogado especializado em direito ambiental, mineração e energia, Ricardo Carneiro. Minas Gerais possui legislação suficiente para proteger os recursos hídricos ou ainda existem lacunas legais? Possui sim, desde a década de 1990. Existe uma Política Estadual de Recursos Hídricos, com instrumentos compatibilizados com a legislação federal, órgãos gestores e instrumentos de natureza econômica. O problema é mais a falta de gestão efetiva e de planejamento, do que a ausência de legislação aplicável. Após os desastres de Mariana e Brumadinho, houve avanço real nas políticas de proteção da água em Minas? Não diretamente ligadas à proteção da água, mas ao gerenciamento de barragens de rejeitos de mineração, com uma série de atos normativos editados pela Agência Nacional de Mineração (ANM). O descarte irregular de esgoto nos rios poderia gerar responsabilização mais severa aos municípios?Não só poderia, como deveria haver punição, além do ajuizamento de ações por parte do Ministério Público. O problema, como sempre, é mais do que jurídico; é político. O país está atrasado na implementação de políticas de saneamento, embora haja linhas de financiamento que poderiam ser utilizadas para a execução de Estações de Tratamento de Esgotos. Porém, quase nunca o saneamento é prioridade no âmbito dos municípios, não havendo interesse político no enfrentamento do tema, após os períodos eleitorais. Até que ponto a falta de investimento em saneamento pode caracterizar omissão das prefeituras? A omissão, na maioria das vezes, resulta de inércia das prefeituras, que preferem investir em obras mais visíveis ou apenas na canalização de rios e córregos, sem enfrentar o problema da qualidade da água. Quase sempre as áreas urbanas nas cidades brasileiras dificultam o recolhimento de esgotos e efluentes domésticos, dependendo também da colaboração das pessoas. O Ministério Público tem conseguido atuar de forma efetiva na proteção dos recursos hídricos? O esforço de solução é permanente, mas as ações dos Promotores de Justiça quase sempre esbarram na falta de recursos das prefeituras, cujos orçamentos públicos ficam comprometidos com o pagamento de salários dos servidores, sem capacidade de investimento em saneamento básico. A flexibilização de licenciamentos ambientais pode aumentar os riscos para a qualidade da água? São problemas distintos e não se pode cair no raciocínio simplista de que a flexibilização ou simplificação do processo de licenciamento ambiental aumente o risco de piora na qualidade da água. O licenciamento ambiental autoriza impactos e não riscos ambientais de desastres. Na verdade, o país burocratiza demais o licenciamento e tem estrutura de menos nos órgãos ambientais. O problema é a vontade política e não o licenciamento ambiental. Quais medidas deveriam ser prioridade imediata para recuperar os rios da Mata Atlântica e melhorar a qualidade da água em Minas Gerais? Seguramente, conter o desmatamento irregular, mediante ações de controle e fiscalização permanentes. A população possui instrumentos legais para cobrar melhorias na qualidade da água e no saneamento? Tem vários, mas os cidadãos precisam ter vontade de participar e cobrar dos políticos eleitos a implementação de políticas públicas. A maioria das pessoas reclama dos problemas, mas não se vê como ator fundamental do processo de gestão dos interesses públicos.

Projeto Superar promove inclusão através do esporte

Aos 14 anos, Kemilly Karoline Gulart Gonçalves encontrou no esporte mais do que uma atividade física: ganhou autonomia. Aluna do Projeto Superar desde 2022, a adolescente com deficiência visual pratica judô, onde já é faixa amarela, e natação, modalidades que ajudaram a melhorar sua movimentação no dia a dia. A experiência de Kemilly reflete a proposta do Projeto Superar que é promover a inclusão social da pessoa com deficiência através do esporte. O programa, executado por meio da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer da Prefeitura de Belo Horizonte, atende cerca de mil alunos com deficiência física, visual, intelectual, auditiva, múltipla e autismo, de forma gratuita. Sua avó e acompanhante, Lenita Gulart dos Santos, explica que conheceu o projeto através da mãe de um aluno. “Eu queria incluir ela em alguma atividade, e com o esporte, a Kemilly demonstra compromisso com o que faz, e também conhece e convive com outras crianças que possuem alguma deficiência. Isso é muito importante para ela e para mim”. “Minha neta é uma menina que tem facilidade de socializar. Com o Superar, ela aprendeu a ter mais respeito e ser grata aos professores, aos funcionários, a todos. É muito bom ver ela com esse amor e respeito com os profissionais e com os seus colegas”, comenta. Para Lenita, o nome do projeto já diz tudo, Superar. “É superar as dificuldades, os limites, as pessoas que às vezes não entendem, não respeitam o outro”. E finaliza com um pedido, “peço para as famílias que não deixem as suas crianças em casa. Tragam para socializarem nesse programa, porque elas são capazes, cada uma dentro da sua especialidade”. Um dos requisitos para ingressar no projeto é ter idade superior a seis anos, apresentar laudo de deficiência e existir vagas. Os contatos são pelo e-mail: superar@pbh.gov. br, e pelos telefones: (31) 3277-4546 e 3277-7681. São oferecidas 17 modalidades/atividades: iniciação esportiva, atletismo, basquetebol, bocha regular, bocha paralímpica, dança, futsal, goalball, judô, natação, rúgbi em cadeira de rodas, tênis de mesa, voleibol, voleibol sentado, patinação, funcional e percussão. Superar O gerente de paradesporto e responsável do programa Superar, Marcelo Mendes, explica que o projeto começou em 1994. “Sendo que os centros esportivos para pessoa com deficiência existem desde 2003, e se tornaram referência, a título internacional, com visitas frequentes de órgãos internacionais”. Mendes afirma que, no momento, não há previsão de aumento no número de vagas. “Para manter e expandir o programa, temos que garantir os orçamentos. Por ser uma política pública, precisamos de recursos, e esse é um dos principais desafios de manter o projeto”. O Superar é muito importante, porque contribui para a inserção social e autonomia dos alunos, relata o gerente. “O programa é muito voltado para essa questão de estar em sociedade e a autonomia, pois estudos já demostraram que o esporte, a atividade física, ajuda nesse ponto”, finaliza. Núcleos de Atendimento ● Regional NoroesteCentro de Referência Esportiva para Pessoas com DeficiênciaAv. Nossa Senhora de Fátima, 2.283 – Carlos Prates ● Regional BarreiroEscola Estadual de Ensino Especial Amaro NevesAv. Ximango, 280 – Flávio Marques Lisboa ● Regional Centro-SulInstituto São RafaelAv. Augusto de Lima, 2.109 – Barro Preto ● Regional Venda NovaEscola Municipal Moysés Kalil (parceria com a Secretaria de Educação)Rua Afonso Pereira da Silva, 10 – Mantiqueira Núcleo do Programa Esporte para Todos (PET) ■ Clube Palmeiras – Rua Grão Pará, 589 – Santa Efigênia■ Clube AABB – Rua Euclides Franco, 50 – Garças■ Clube Sírio – Av. Antônio Abrahão Caram, 350 – São José■ Clube Cruzeiro – Rua dos Guajajaras, 1.722 – Barro Preto■ Clube Oásis – Rua Salinas, 1993, Bairro Santa Tereza■ Clube AFAESC – Av. Carlos Luz, 675 – Caiçaras

Semana S promove feirão de empregos, lazer e serviços em Belo Horizonte

Com a oferta de 15 mil vagas de emprego e serviços gratuitos, a segunda edição da Semana S, do Sistema Fecomércio MG, Sesc e Senac, em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), será realizado em vários pontos de Belo Horizonte, entre os dias 11 e 17 de maio. Segundo a organização, a intenção é movimentar a economia do Estado de Minas Gerais, com a disponibilização de uma rede de serviços sociais. A Semana S vai promover grandes shows na Praça da Estação, com a presença de Ludmilla, Gian & Giovani, Dilsinho, Ana Castela e Pato Fu em parceria com o Giramundo. Além de 18 unidades móveis para oferecer serviços de saúde, como oftalmologia e odontologia, oficinas de gastronomia e capacitação, ações de bem-estar, e o Feirão de Empregos. O Feirão disponibilizará 15 mil vagas por meio de 26 empresas parceiras. O encontro vai oferecer diversas atividades de apoio aos candidatos, como maquiagem, na carreta de Moda e Beleza, e workshops sobre temas relevantes do mercado de trabalho, na carreta de Tecnologia do Senac. As ações de bem-estar complementam a experiência do público com serviços rápidos e gratuitos, como corte de cabelo, quick massage, spa das mãos, aferição de pressão e glicemia, além de terapias integrativas. O evento ainda abre espaço para orientação sobre as atividades do Sesc, matrículas em cursos gratuitos do Senac e consultorias empresariais da Fecomércio MG. O presidente do Sistema Fecomércio MG, Sesc e Senac, Nadim Donato, destaca que a escolha da Praça da Estação, como palco principal do evento, facilita o acesso de pessoas de todas as regiões da capital e região metropolitana. “A Semana S fortalece o comércio mineiro, com apoio direto ao trabalhador e ao empresário. E é uma oportunidade de a população acessar, em um só lugar, serviços essenciais de saúde, qualificação profissional e lazer”. Socialmente, o impacto é imediato através dos atendimentos de saúde e cidadania, afirma Donato. “Economicamente, a oferta de vagas de emprego gera um ciclo positivo de renda e consumo. Além disso, o Innovation Day prepara o empresariado local para as novas tendências de mercado, aumentando a competitividade do setor de bens, serviços e turismo”. Atendimentos Donato explica que terá um limite de atendimento por dia para garantir a qualidade e a organização. “No Feirão de Empregos, o controle é feito via agendamento prévio pelo site oficial. Nas áreas de saúde e bem-estar, alguns serviços ocorrem por ordem de chegada e outros seguem a capacidade operacional das unidades móveis durante o horário de funcionamento”. Ele ainda ressalta o Innovation Day. “Teremos nomes como Hans Donner e Tony Ventura discutindo o futuro do comércio. É um convite para que o empresário mineiro se atualize sobre o comportamento do consumidor e as novas tecnologias. Para participar, é preciso inscrever-se no site: semanasfecomerciomg.com.br/innovation/. As vagas são limitadas”. “A expectativa é atrair milhares de pessoas ao longo dos sete dias de evento, superando o sucesso da primeira edição e consolidando a Semana S como um marco no calendário de BH”, finaliza. Programação: ■ 11 A 14 DE MAIO 9h às 17h – Gastronomia (Serraria Souza Pinto) e Saúde (Serraria Souza Pinto) ■ 15 DE MAIO 9h às 17h – Feirão de Empregos (Praça Ruy Barbosa), Bem-Estar (Praça da Estação), Saúde (Serraria Souza Pinto) e Espaço Sistema (Praça Ruy Barbosa) 13h às 17h – Innovation Day (Sesc Palladium) 19h às 22h – Show Gian & Giovani e Dilsinho ■ 16 DE MAIO 9h às 17h – Feirão de Empregos (Praça Ruy Barbosa), Gastronomia (Serraria Souza Pinto), Saúde (Serraria Souza Pinto e Praça da Estação), Bem-Estar (Praça Ruy Barbosa) e Espaço Sistema (Praça Ruy Barbosa) 17h30 – Show banda Pato Fu e Ludmilla ■ 17 DE MAIO 10h às 14h – Feirão de Empregos (Praça Ruy Barbosa) 9h às 13h – Bem-Estar (Praça da Estação), Saúde (Praça da Estação) e Espaço Sistema (Praça Ruy Barbosa) 18h às 21h – Show Ana Castela

CNI aponta que Economia Circular reduz os custos para as empresas

A adoção de práticas de Economia Circular tem gerado redução de custos, fortalecimento da imagem corporativa e estímulo à inovação nas indústrias brasileiras, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A pesquisa afirma que seis em cada dez empresas já adotam o modelo. Os dados mostram que as práticas circulares mais aplicadas são a reciclagem de produtos, presente em um terço das empresas. Em seguida, aparecem o uso de matéria-prima secundária (30%) e o desenvolvimento de produtos com foco na durabilidade (29%). Para 35% das empresas consultadas, a principal vantagem associada à prática é a redução de custos operacionais. A melhoria da imagem corporativa (32%) e o estímulo à inovação (30%) também foram apontados como benefícios. Já como os principais obstáculos, entre os aspectos culturais e educacionais, 43% das indústrias afirmam não conseguir identificar quais fatores representam barreiras à circularidade. Entre aquelas que conseguem, 25% apontam a falta de conscientização dos consumidores e 23% mencionam a ausência de estratégias para engajá-los. Do ponto de vista econômico, a taxa de juros de financiamento foi o fator mais citado, apontado por 22% das empresas. Em Minas Gerais, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) vem trabalhando na disseminação e conscientização das empresas quanto à Economia Circular desde 2009, pelo Programa Mineiro de Simbiose Industrial, envolvendo 760 indústrias nos processos de transição. O presidente do Instituto Brasileiro da Economia Circular Solidária (IBECS), Casildo Quintino dos Santos Neto, explica que ao contrário do modelo linear que extrai, produz, usa e descarta, a Economia Circular se define pelo design das coisas e por recusar o uso de matéria-prima virgem. “Propõe eliminar resíduos no processo produtivo, produzir para que possam ser reparadas e reutilizadas em uma nova vida útil, e depois, ser desmontadas e remanufaturadas. No final do ciclo, são recicladas com utilização de energias renováveis para recuperar parte dos recursos utilizados”. Neto afirma que na questão da regulamentação, o país caminha bem. “Temos uma boa lei sobre o tratamento de resíduos sólidos e em dezembro de 2025, o governo decretou a normatização e um plano nacional com metas ambiciosas. Paralelamente, tramita no Congresso Nacional um projeto específico para regulamentar a matéria. No Brasil ainda é incipiente a prática, mas estamos avançando”. Engajamento A questão do engajamento das grandes corporações está na preservação dos interesses do capital e dos acionistas (shareholders), destaca Neto. “Na medida que os conceitos e prática dos 5Rs, preconizados pela Economia Circular, refletem na diminuição de custos operacionais, fidelização de clientes pela servitização, expansão do mercado consumidor pela inclusão social, crédito subsidiado para transição, entre outros pontos”. Ele ainda ressalta que sem educação não haverá transição. “A mudança para o modelo circular criará novas oportunidades de negócios para a população marginalizada e dependente de programas assistencialistas. Cerca de 90% das pessoas moradoras em comunidades pretendem empreender. O grande negócio será o combate à pobreza e a preservação ambiental”. De acordo com o Global Resources Outlook 2024, a extração de recursos naturais triplicou desde 1970, saltando de 30 para 106 bilhões de toneladas. Sem ações estruturais, esse número pode aumentar 60% até 2060. A expectativa é que o consumo global de materiais, como biomassa, combustíveis fósseis, metais e minerais, dobre nos próximos 40 anos, enquanto a geração anual de resíduos aumente 70% até 2050. Segundo a CNI, a Economia Circular propõe uma abordagem sistêmica para reduzir o uso de recursos, minimizar resíduos e regenerar sistemas naturais. No contexto industrial, isso se traduz em práticas voltadas à retenção de valor dos materiais, reaproveitamento de insumos e redesenho dos processos produtivos.

Taxa das blusinhas ajudou a preservar R$ 19,7 bilhões e manter 135,8 mil empregos

A “taxa das blusinhas” ajudou a preservar R$ 19,7 bilhões na economia, além de manter mais de 135,8 mil empregos. Esses dados constam em nota técnica elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que também aponta que a medida impediu a entrada de R$ 4,5 bilhões em produtos importados no Brasil. A CNI calculou os efeitos do Imposto de Importação com base no valor médio das remessas no ano passado. Em 2024, 179,1 milhões de remessas de mercadorias chegaram ao país por meio do programa. Já em 2025, houve uma retração de 10,9%, passando para 159,6 milhões. Segundo a projeção da CNI, no entanto, 205,9 milhões de pacotes entrariam no Brasil, no ano passado, sem a “taxa das blusinhas”, o que representaria 46,3 milhões de unidades a mais do que o registrado. A arrecadação federal com o tributo saltou de R$ 1,4 bilhão para R$ 3,5 bilhões, no primeiro ano completo de vigência. A tarifa passou a valer em agosto de 2024 e faz parte do Programa Remessa Conforme. O superintendente de Economia da CNI, Márcio Guerra, afirma que o objetivo principal da “taxa das blusinhas” não é apenas fazer a tributação do consumidor, mas proteger a economia. “Tornar a indústria brasileira competitiva é primordial para manter empregos e gerar renda. Ninguém aqui é contra as importações. Elas são bem-vindas, aumentam a competitividade, mas é preciso que entrem no Brasil em condições de igualdade”. “O Remessa Conforme reduziu o desequilíbrio das condições de concorrência dos produtos nacionais com os importados e contribuiu para moderar o ritmo das importações que se beneficiavam do tratamento tributário desigual”, complementa. Já a especialista financeira, Karen Freitas, ressalta que a redução das importações gera efeitos ambíguos sobre o mercado interno. “Por um lado, diminui a concorrência direta de produtos estrangeiros, o que pode preservar parte da demanda para o varejo e a indústria nacional. Por outro, trata-se de uma estimativa institucional e ainda não há consenso sobre o efeito líquido na geração de emprego e renda. Além disso, há impacto direto no consumo”. A tributação reduz distorções, já que empresas brasileiras operam com custos estruturais elevados, destaca Karen. “No entanto, a medida não resolve o problema estrutural da competitividade brasileira. Questões como custo do crédito, complexidade tributária e baixa produtividade continuam sendo determinantes. Assim, a taxação funciona como um mecanismo de ajuste no curto prazo, contudo, não substitui reformas necessárias para equilibrar a competitividade no longo prazo”. Ela observa que a redução da concorrência internacional pode gerar acomodação em parte das empresas. “Sem essa pressão, há risco de: redução de investimentos em tecnologia e modernização; manutenção de estruturas de custo ineficientes; aumento de preços ao consumidor; e perda de competitividade internacional. No longo prazo, isso pode tornar o setor produtivo mais vulnerável quando a concorrência externa voltar a se intensificar”. Poder de compra A especialista pontua que o impacto da medida sobre o poder de compra é mais significativo nas famílias de menor renda. “Esse grupo é mais sensível a preço e utilizava plataformas internacionais como alternativa de consumo acessível, sobretudo para vestuário e bens de menor valor”. “Com a taxação, esses produtos se tornam mais caros, reduzindo o acesso e comprimindo o orçamento familiar. Assim, embora a política possa beneficiar a produção interna, ela também impõe um custo social relevante ao limitar o consumo de bens mais baratos por parte da população de menor renda”, acrescenta. Karen explica ainda os impactos sobre uma possível revogação da medida. “Na arrecadação, tem a redução da receita obtida com a tributação de encomendas internacionais; no consumo, o aumento do acesso a produtos importados de baixo custo, beneficiando consumidores; e na competitividade interna, aumento da pressão sobre varejo e indústria nacional”. “A retirada da taxa favorece o consumidor no curto prazo, mas poderia gerar maior concorrência para empresas brasileiras. Já a manutenção da política protege o mercado interno, contudo, com custo maior para o consumidor. O desafio econômico está em equilibrar proteção produtiva com acesso ao consumo”, finaliza.

Sinistros de trânsito pressionam o sistema de saúde público

Os sinistros de trânsito em rodovias vão além das estatísticas e têm impacto direto no sistema de saúde, na economia e na rotina da população. Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), nos primeiros cinco meses de 2025, Minas Gerais já tinha gasto R$ 7,8 milhões com custos de internações na rede pública. O levantamento mais recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base nos dados do Datasus, mostra que o Sistema Único de Saúde (SUS) gastou R$ 449 milhões, em 2024, com internações de vítimas de acidentes de trânsito no Brasil. Os gastos crescem a cada ano. Desde 1998, a alta foi de quase 50% em termos reais. A especialista em segurança no trânsito, Roberta Torres, ressalta que o impacto de sinistros de trânsito no sistema de saúde é gigantesco. “São internações que estão ocupando leitos que poderiam ser destinados a outras causas, e o custo é de fato alto. Sem falar do dano social, pois afeta a vida das pessoas, como trânsito parado e atrasos no trabalho”. Roberta explica que a violência no trânsito é multifatorial, e é um conjunto de vários fatores. “Desde a quantidade de veículos, fluxo intenso, passa pela parte de engenharia, manutenção de vias, e também no investimento, principalmente em medidas que tenham como base os dados e as evidências que avaliem os pontos que ocorrem os sinistros”. Para a especialista, o problema é tanto estrutural quanto comportamental. “Nossas vias precisam ser mais seguras, priorizando especialmente os mais vulnerabilizados, que são os pedestres, os motociclistas e os ciclistas, especialmente nos trechos de perímetros urbanos. E comportamental pelo fato de não termos, na prática, a educação para o trânsito sendo aplicada”. Ela pontua ainda que estudos mostram que existem ações da engenharia que são muito efetivas e que não são necessariamente a duplicação. “Soluções mais baratas de segurança, como a redução da velocidade máxima permitida em trechos críticos, sonorizadores, defensas metálicas, entre outros. Existem uma série de elementos que conseguem entregar bons resultados por um custo menor, já que a duplicação é um investimento alto”. Rodovia da Morte Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostram a dimensão do problema. Em 2024, Minas Gerais registrou 794 mortes e 11.756 feridos em cerca de 9,3 mil sinistros. Entre as rodovias, a BR-381, conhecida como Rodovia da Morte, aparece entre as mais críticas do país, com milhares de ocorrências. Em março/abril de 2026, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) iniciou a duplicação do lote 8A da BR-381, entre Caeté e o distrito de Ravena (Sabará), com 18 km de extensão (km 422,4 ao 440,4) e no lote 8B, entre Ravena a BH/Anel Rodoviário, com 13,4 km, dependem da conclusão de projetos. Por meio de nota, o DNIT ressalta que o cronograma da obra tem duração total de três anos, sendo dois somente de execução. Além de ter sanado o problema dos buracos, o departamento está fazendo uma revitalização no pavimento, até que a obra da duplicação possa fazer uma restauração total onde os trechos serão coincidentes. Segundo o órgão, o perigo da BR-381 pode ser explicado pelo grande fluxo de caminhões e veículos pequenos associado à pista simples. Outro fator é que a rodovia, em vários segmentos, tem muitas curvas, aclives e declives, característicos de uma região montanhosa. Isso propicia que qualquer desatenção ao volante, erro, problema mecânico ou algum defeito da pista aumente a possibilidade de um acidente. Regiões onde a rodovia é mais plana, como a BR-365 no Triângulo Mineiro, por exemplo, têm acidentes menores mesmo com a pista simples. Um dos principais objetivos do DNIT com a obra é melhorar a trafegabilidade e a segurança dos usuários. “Com a duplicação da pista, acidentes graves diminuirão, pois não haverá batidas frontais. Além da duplicação, a intervenção irá promover uma melhora na geometria em vários pontos, reduzindo raios de curva, aclives, subidas e descidas, preservando a segurança dos motoristas”, finaliza.

Alerta para casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave

Minas Gerais está entre os 14 estados em nível de alerta, risco ou alto risco para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com tendência de crescimento dos casos, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG). Até abril deste ano, foram notificadas 7.592 ocorrências de SRAG, sendo 428 por influenza. Conforme o Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), os casos de SRAG por influenza A têm impactado crianças de até 4 anos e idosos. Em 2026, já foram notificadas 37.244 ocorrências. Destas, 15.816 (42,5%) tiveram resultado positivo para vírus respiratórios, 14.723 (39,5%) foram negativas e 3.990 (10,7%) ainda aguardam resultado. Também houve aumento das hospitalizações pelo vírus sincicial respiratório (VSR) em crianças menores de 2 anos de idade. A pesquisadora do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz (Procc/Fiocruz), Tatiana Portella, afirma que o VSR é um dos principais responsáveis por internações por SRAG nessa faixa etária. “O vírus também é uma das principais causas de bronquiolite. Por isso, é essencial que gestantes, a partir da 28ª semana, tomem a vacina contra o vírus para proteger seus bebês nos primeiros meses de vida”. O pediatra e intensivista pediátrico da Unimed-BH, Bruno Morais Damião, reforça que a principal medida de prevenção de SRAG são as vacinas. “Não existe outra forma de prevenir uma infecção viral grave, principalmente os abaixo de um ano, prematuros, e os menores de dois anos que têm comorbidades. A imunização é o mecanismo mais eficaz e estudado para esse tipo de síndrome”. Ele acrescenta ainda que os pais podem ensinar as crianças doentes a forma mais higiênica de toalete de vias respiratórias e nasal. “Como colocar o braço na frente da boca na hora de tossir; usar máscara, quando sabidamente estão com alguma infecção gripal; e levar ao médico quando ver algum sinal de gravidade, como falta de ar”. Já que esse sintoma é um dos principais sinais de SRAG, alerta Damião. “Percebemos a piora de um quadro gripal quando a infecção que começou mais leve, com obstrução nasal e febre no início, com o passar do tempo tem uma piora no estado geral e do padrão de respiração, insuficiência respiratória, principalmente nas crianças, que vão apresentar uma respiração mais acelerada”. SRAG De acordo com a SES/MG, a SRAG não é uma doença específica, mas um conjunto de sintomas graves que afetam a respiração. Começa como uma gripe, mas piora rapidamente, exigindo cuidados urgentes. Ela pode ser provocada por diversos tipos de vírus e bactérias, sendo as mais comuns, o vírus da gripe (Influenza); coronavírus, que causa a COVID-19; vírus sincicial respiratório (VSR) e outros que também atacam o sistema respiratório. O principal procedimento de tratamento é o suportivo, que é focado em estabilizar o paciente, garantindo oxigenação adequada e manejo dos sintomas enquanto o corpo combate a infecção subjacente. “A ideia é deixar o paciente hidratado, porque perde muito líquido pela via respiratória e tem que manter a oxigenação do sangue. Em alguns casos, só a oferta de oxigênio pelo cateter nasal é suficiente, em outros, precisam da ventilação não invasiva”, destaca o pediatra. O profissional complementa dizendo que a SRAG pode acometer qualquer faixa etária. “Desde crianças, adultos e idosos. É uma enfermidade grave, com possibilidade de insuficiência respiratória, e em alguns casos, com um atendimento mais intensivo”. A recomendação é procurar atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), em casos leves. Já sintomas como falta de ar, respiração acelerada e piora do estado geral indicam a necessidade de atendimento imediato em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou hospitais.

Servidores pais de autistas reclamam da burocracia para reduzir a jornada

Servidores estaduais relatam atrasos e entraves burocráticos para garantir a redução da jornada de trabalho para cuidarem de seus filhos. O benefício concedido a esses trabalhadores responsáveis por crianças com deficiência, especialmente os que vivem com transtorno do espectro autista, foi discutido em audiência pública na Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), no dia 27 de abril. O direito é assegurado pela Lei 9.401, de 1986, e o prazo de duração do benefício é de seis meses, podendo ser renovado sucessivamente por iguais períodos. De acordo com a norma, a jornada de trabalho do servidor público estadual legalmente responsável por excepcional em tratamento especializado pode ser reduzida para 20 horas semanais, mediante requerimento ao dirigente do órgão de lotação. A presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Socioeducativo e servidora, Luzana de Assis Moreira, que tem um filho autista, relatou dificuldades no processo de renovação. “Temos enviado a documentação até 90 dias antes do prazo, e mesmo assim, há uma demora no processamento e na devolutiva com o resultado. E o dano é enorme, porque tem que parar todo o tratamento, por causa da volta ao trabalho de 40 horas semanais, pois é inviável dar fluxo aos cuidados ao dependente”. Outra reclamação diz respeito à ajuda de custo, que tem descontos considerados inexplicáveis pelos funcionários com jornada de trabalho reduzida. A servidora Valéria Ferreira Borges explicou que quando se tem uma pessoa com deficiência em casa, qualquer dinheiro que é retirado vai fazer falta. “Sei que tem políticas públicas que estão sendo voltadas para isso no Legislativo, mas o Executivo precisa ter esse olhar também”. Parcela variável O subsecretário de Estado de Gestão de Pessoas, Caio Magno Lima Campos, ressaltou que a Lei de 2016 estabelece o pagamento da ajuda de custo para despesas com alimentação somente para servidores com jornada de trabalho igual ou superior a seis horas por dia. “Conforme o Decreto 48.113, a ajuda de custo tem uma parcela variável, paga de acordo com a quantidade de dias trabalhados”. Quanto à redução de jornada dos servidores, o subsecretário argumentou que a norma que assegura esse direito poderia ser atualizada, uma vez que data de 1986. “O ideal seria fazer as alterações nas políticas públicas por meio de leis, e não de decretos governamentais”. O superintendente de Políticas Temáticas Transversais da Secretaria de Desenvolvimento Social, Carlos Alberto dos Santos Júnior, pontuou iniciativas importantes, como uma cartilha de atendimento humanizado a pessoas com autismo e também a realização de um encontro estadual para discutir a parentalidade atípica. Além da realização de capacitações para a emissão da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea). “A Ciptea facilita o acesso às políticas públicas, mas, por enquanto, ainda está concentrada na capital. Belo Horizonte emitiu 11.774 carteiras, Contagem criou 3.254 e em terceiro lugar, Betim com 2.345. Os outros municípios têm índices muito pequenos, e precisamos que essa política se interiorize”, afirmou. Cuidar de quem cuida O deputado Cristiano Silveira (PT), autor do requerimento de Comissão, destacou que as famílias atípicas precisam de políticas públicas que as ajudem a reorganizar suas vidas, de modo a garantir os cuidados adequados aos filhos autistas. “Apenas 30% das crianças recebem atendimento educacional especializado, isso significa que a inclusão ainda ocorre sem o suporte necessário, transferindo para as famílias uma responsabilidade que deveria ser do Estado”. Ele apresentou o Projeto de Lei 1.529/23, que propõe a política “Cuidar de quem cuida”, e estabelece como diretrizes para o acolhimento dos cuidadores a capacitação de servidores. A matéria foi remetida à Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social após receber seis emendas em 1º turno no Plenário.

Turismo rural aumenta a renda de produtores em até 30% no Estado

O turismo rural tem impulsionado a renda de produtores em Minas Gerais, com aumento de até 30% em algumas propriedades que abriram as portas para visitantes. Experiências com queijos, cafés, doces e cachaças têm atraído turistas e transformado atividades tradicionais do campo em novos negócios. Atualmente, são 266 propriedades abertas ao turismo. Em 2025, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) realizou cerca de 3,4 mil atendimentos a produtores que investem no segmento, com presença em diferentes regiões, como Norte, Sul e Noroeste do Estado. A coordenadora técnica de Turismo Rural da Emater-MG, Thatiana Garcia, destaca que a atividade começou a crescer no pós-pandemia. “As pessoas começaram a querer entender mais sobre a produção de alimentos, e também ter uma vivência no local. Temos produtores que já vivem exclusivamente do turismo. Eles não vendem mais produtos para terceiros, e para adquiri-los, é preciso ir até a propriedade”. Em Ritápolis, no Campo das Vertentes, a Queijaria Seu Jorge transformou o dia a dia da produção em uma atração turística. Administrado por sete mulheres da mesma família, o local recebe visitantes interessados em conhecer o processo de fabricação. “O turista chega da cidade grande com muitas expectativas, e é uma troca interessante. Ele pode acompanhar a ordenha, ver como o queijo é feito, para depois saboreá-lo com café”, conta a proprietária Vera Lúcia Cardoso. Já em São João del-Rei, a Cachaça Morro Grande abriu o alambique à visitação e passou a integrar o roteiro turístico da região. Com produção anual entre 15 mil e 20 mil litros, o produtor José do Carmo Rezende explica que o turista vai ver todo o processo de fabricação da cachaça. “Desde o plantio e a moagem, até a degustação. Isso ajuda a valorizar a bebida e aumentar ainda mais as vendas”. Thatiana acrescenta que o turismo rural não se limita à produção de itens como queijo e cachaça, há outras atividades. “O ecoturismo, visitas em comunidades tradicionais, como quilombolas, indígena e ribeirinhos, além das propriedades de produtos orgânicos”. Acreditar no potencial A técnica ressalta que existem duas principais dificuldades dos produtores para exercer esse tipo de atividade em suas propriedades. “Eles precisam acreditar em seu potencial. É necessário compreender que os turistas querem visitar e vivenciar essas experiências. A partir disso, aparece o segundo obstáculo, que é a precificação. Muitos ainda não conseguem entender que as pessoas pagam para ir nas propriedades rurais e valorizam esse tipo de turismo”. Ela afirma ainda que a Emater ajuda na capacitação dos produtores. “Mas, também na orientação dos profissionais que trabalham diretamente nos escritórios locais da instituição. Fazemos um diagnóstico para entender se aquela propriedade consegue ou não receber visitantes, o que precisa desenvolver e qual é o desejo do produtor. A metodologia mais utilizada pelos extensionistas é do ouvir, de ver o que aquele empreendedor quer, como vai vivenciar e o que ele quer fazer”. “As nossas expectativas sobre o turismo rural são as melhores e maiores possíveis. Acreditamos que esse crescimento faça movimentar cada vez mais o segmento externamente e internamente. A atividade traz uma valorização do município. Queremos desenvolver esse setor para que cresça cada dia mais e prevaleça mais forte”, complementa. A partir de maio, será aberta a atualização para a 4ª edição do catálogo Ruralidade Viva, que é uma iniciativa para dar mais visibilidade aos trabalhos desses produtores. As pessoas que tiverem interesse, é só procurar o escritório da Emater, conversar com o técnico e fazer o cadastro. A entidade auxilia todos, desde quem está começando até aquele que já está no mercado. “Estamos abertos para fazer o atendimento a todos que se interessarem em trabalhar com turismo rural”, finaliza Thatiana.