Sinistros de trânsito pressionam o sistema de saúde público

Os sinistros de trânsito em rodovias vão além das estatísticas e têm impacto direto no sistema de saúde, na economia e na rotina da população. Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), nos primeiros cinco meses de 2025, Minas Gerais já tinha gasto R$ 7,8 milhões com custos de internações na rede pública. O levantamento mais recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base nos dados do Datasus, mostra que o Sistema Único de Saúde (SUS) gastou R$ 449 milhões, em 2024, com internações de vítimas de acidentes de trânsito no Brasil. Os gastos crescem a cada ano. Desde 1998, a alta foi de quase 50% em termos reais. A especialista em segurança no trânsito, Roberta Torres, ressalta que o impacto de sinistros de trânsito no sistema de saúde é gigantesco. “São internações que estão ocupando leitos que poderiam ser destinados a outras causas, e o custo é de fato alto. Sem falar do dano social, pois afeta a vida das pessoas, como trânsito parado e atrasos no trabalho”. Roberta explica que a violência no trânsito é multifatorial, e é um conjunto de vários fatores. “Desde a quantidade de veículos, fluxo intenso, passa pela parte de engenharia, manutenção de vias, e também no investimento, principalmente em medidas que tenham como base os dados e as evidências que avaliem os pontos que ocorrem os sinistros”. Para a especialista, o problema é tanto estrutural quanto comportamental. “Nossas vias precisam ser mais seguras, priorizando especialmente os mais vulnerabilizados, que são os pedestres, os motociclistas e os ciclistas, especialmente nos trechos de perímetros urbanos. E comportamental pelo fato de não termos, na prática, a educação para o trânsito sendo aplicada”. Ela pontua ainda que estudos mostram que existem ações da engenharia que são muito efetivas e que não são necessariamente a duplicação. “Soluções mais baratas de segurança, como a redução da velocidade máxima permitida em trechos críticos, sonorizadores, defensas metálicas, entre outros. Existem uma série de elementos que conseguem entregar bons resultados por um custo menor, já que a duplicação é um investimento alto”. Rodovia da Morte Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostram a dimensão do problema. Em 2024, Minas Gerais registrou 794 mortes e 11.756 feridos em cerca de 9,3 mil sinistros. Entre as rodovias, a BR-381, conhecida como Rodovia da Morte, aparece entre as mais críticas do país, com milhares de ocorrências. Em março/abril de 2026, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) iniciou a duplicação do lote 8A da BR-381, entre Caeté e o distrito de Ravena (Sabará), com 18 km de extensão (km 422,4 ao 440,4) e no lote 8B, entre Ravena a BH/Anel Rodoviário, com 13,4 km, dependem da conclusão de projetos. Por meio de nota, o DNIT ressalta que o cronograma da obra tem duração total de três anos, sendo dois somente de execução. Além de ter sanado o problema dos buracos, o departamento está fazendo uma revitalização no pavimento, até que a obra da duplicação possa fazer uma restauração total onde os trechos serão coincidentes. Segundo o órgão, o perigo da BR-381 pode ser explicado pelo grande fluxo de caminhões e veículos pequenos associado à pista simples. Outro fator é que a rodovia, em vários segmentos, tem muitas curvas, aclives e declives, característicos de uma região montanhosa. Isso propicia que qualquer desatenção ao volante, erro, problema mecânico ou algum defeito da pista aumente a possibilidade de um acidente. Regiões onde a rodovia é mais plana, como a BR-365 no Triângulo Mineiro, por exemplo, têm acidentes menores mesmo com a pista simples. Um dos principais objetivos do DNIT com a obra é melhorar a trafegabilidade e a segurança dos usuários. “Com a duplicação da pista, acidentes graves diminuirão, pois não haverá batidas frontais. Além da duplicação, a intervenção irá promover uma melhora na geometria em vários pontos, reduzindo raios de curva, aclives, subidas e descidas, preservando a segurança dos motoristas”, finaliza.
Alerta para casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave

Minas Gerais está entre os 14 estados em nível de alerta, risco ou alto risco para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com tendência de crescimento dos casos, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG). Até abril deste ano, foram notificadas 7.592 ocorrências de SRAG, sendo 428 por influenza. Conforme o Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), os casos de SRAG por influenza A têm impactado crianças de até 4 anos e idosos. Em 2026, já foram notificadas 37.244 ocorrências. Destas, 15.816 (42,5%) tiveram resultado positivo para vírus respiratórios, 14.723 (39,5%) foram negativas e 3.990 (10,7%) ainda aguardam resultado. Também houve aumento das hospitalizações pelo vírus sincicial respiratório (VSR) em crianças menores de 2 anos de idade. A pesquisadora do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz (Procc/Fiocruz), Tatiana Portella, afirma que o VSR é um dos principais responsáveis por internações por SRAG nessa faixa etária. “O vírus também é uma das principais causas de bronquiolite. Por isso, é essencial que gestantes, a partir da 28ª semana, tomem a vacina contra o vírus para proteger seus bebês nos primeiros meses de vida”. O pediatra e intensivista pediátrico da Unimed-BH, Bruno Morais Damião, reforça que a principal medida de prevenção de SRAG são as vacinas. “Não existe outra forma de prevenir uma infecção viral grave, principalmente os abaixo de um ano, prematuros, e os menores de dois anos que têm comorbidades. A imunização é o mecanismo mais eficaz e estudado para esse tipo de síndrome”. Ele acrescenta ainda que os pais podem ensinar as crianças doentes a forma mais higiênica de toalete de vias respiratórias e nasal. “Como colocar o braço na frente da boca na hora de tossir; usar máscara, quando sabidamente estão com alguma infecção gripal; e levar ao médico quando ver algum sinal de gravidade, como falta de ar”. Já que esse sintoma é um dos principais sinais de SRAG, alerta Damião. “Percebemos a piora de um quadro gripal quando a infecção que começou mais leve, com obstrução nasal e febre no início, com o passar do tempo tem uma piora no estado geral e do padrão de respiração, insuficiência respiratória, principalmente nas crianças, que vão apresentar uma respiração mais acelerada”. SRAG De acordo com a SES/MG, a SRAG não é uma doença específica, mas um conjunto de sintomas graves que afetam a respiração. Começa como uma gripe, mas piora rapidamente, exigindo cuidados urgentes. Ela pode ser provocada por diversos tipos de vírus e bactérias, sendo as mais comuns, o vírus da gripe (Influenza); coronavírus, que causa a COVID-19; vírus sincicial respiratório (VSR) e outros que também atacam o sistema respiratório. O principal procedimento de tratamento é o suportivo, que é focado em estabilizar o paciente, garantindo oxigenação adequada e manejo dos sintomas enquanto o corpo combate a infecção subjacente. “A ideia é deixar o paciente hidratado, porque perde muito líquido pela via respiratória e tem que manter a oxigenação do sangue. Em alguns casos, só a oferta de oxigênio pelo cateter nasal é suficiente, em outros, precisam da ventilação não invasiva”, destaca o pediatra. O profissional complementa dizendo que a SRAG pode acometer qualquer faixa etária. “Desde crianças, adultos e idosos. É uma enfermidade grave, com possibilidade de insuficiência respiratória, e em alguns casos, com um atendimento mais intensivo”. A recomendação é procurar atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), em casos leves. Já sintomas como falta de ar, respiração acelerada e piora do estado geral indicam a necessidade de atendimento imediato em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou hospitais.
Servidores pais de autistas reclamam da burocracia para reduzir a jornada

Servidores estaduais relatam atrasos e entraves burocráticos para garantir a redução da jornada de trabalho para cuidarem de seus filhos. O benefício concedido a esses trabalhadores responsáveis por crianças com deficiência, especialmente os que vivem com transtorno do espectro autista, foi discutido em audiência pública na Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), no dia 27 de abril. O direito é assegurado pela Lei 9.401, de 1986, e o prazo de duração do benefício é de seis meses, podendo ser renovado sucessivamente por iguais períodos. De acordo com a norma, a jornada de trabalho do servidor público estadual legalmente responsável por excepcional em tratamento especializado pode ser reduzida para 20 horas semanais, mediante requerimento ao dirigente do órgão de lotação. A presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Socioeducativo e servidora, Luzana de Assis Moreira, que tem um filho autista, relatou dificuldades no processo de renovação. “Temos enviado a documentação até 90 dias antes do prazo, e mesmo assim, há uma demora no processamento e na devolutiva com o resultado. E o dano é enorme, porque tem que parar todo o tratamento, por causa da volta ao trabalho de 40 horas semanais, pois é inviável dar fluxo aos cuidados ao dependente”. Outra reclamação diz respeito à ajuda de custo, que tem descontos considerados inexplicáveis pelos funcionários com jornada de trabalho reduzida. A servidora Valéria Ferreira Borges explicou que quando se tem uma pessoa com deficiência em casa, qualquer dinheiro que é retirado vai fazer falta. “Sei que tem políticas públicas que estão sendo voltadas para isso no Legislativo, mas o Executivo precisa ter esse olhar também”. Parcela variável O subsecretário de Estado de Gestão de Pessoas, Caio Magno Lima Campos, ressaltou que a Lei de 2016 estabelece o pagamento da ajuda de custo para despesas com alimentação somente para servidores com jornada de trabalho igual ou superior a seis horas por dia. “Conforme o Decreto 48.113, a ajuda de custo tem uma parcela variável, paga de acordo com a quantidade de dias trabalhados”. Quanto à redução de jornada dos servidores, o subsecretário argumentou que a norma que assegura esse direito poderia ser atualizada, uma vez que data de 1986. “O ideal seria fazer as alterações nas políticas públicas por meio de leis, e não de decretos governamentais”. O superintendente de Políticas Temáticas Transversais da Secretaria de Desenvolvimento Social, Carlos Alberto dos Santos Júnior, pontuou iniciativas importantes, como uma cartilha de atendimento humanizado a pessoas com autismo e também a realização de um encontro estadual para discutir a parentalidade atípica. Além da realização de capacitações para a emissão da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea). “A Ciptea facilita o acesso às políticas públicas, mas, por enquanto, ainda está concentrada na capital. Belo Horizonte emitiu 11.774 carteiras, Contagem criou 3.254 e em terceiro lugar, Betim com 2.345. Os outros municípios têm índices muito pequenos, e precisamos que essa política se interiorize”, afirmou. Cuidar de quem cuida O deputado Cristiano Silveira (PT), autor do requerimento de Comissão, destacou que as famílias atípicas precisam de políticas públicas que as ajudem a reorganizar suas vidas, de modo a garantir os cuidados adequados aos filhos autistas. “Apenas 30% das crianças recebem atendimento educacional especializado, isso significa que a inclusão ainda ocorre sem o suporte necessário, transferindo para as famílias uma responsabilidade que deveria ser do Estado”. Ele apresentou o Projeto de Lei 1.529/23, que propõe a política “Cuidar de quem cuida”, e estabelece como diretrizes para o acolhimento dos cuidadores a capacitação de servidores. A matéria foi remetida à Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social após receber seis emendas em 1º turno no Plenário.
Turismo rural aumenta a renda de produtores em até 30% no Estado

O turismo rural tem impulsionado a renda de produtores em Minas Gerais, com aumento de até 30% em algumas propriedades que abriram as portas para visitantes. Experiências com queijos, cafés, doces e cachaças têm atraído turistas e transformado atividades tradicionais do campo em novos negócios. Atualmente, são 266 propriedades abertas ao turismo. Em 2025, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) realizou cerca de 3,4 mil atendimentos a produtores que investem no segmento, com presença em diferentes regiões, como Norte, Sul e Noroeste do Estado. A coordenadora técnica de Turismo Rural da Emater-MG, Thatiana Garcia, destaca que a atividade começou a crescer no pós-pandemia. “As pessoas começaram a querer entender mais sobre a produção de alimentos, e também ter uma vivência no local. Temos produtores que já vivem exclusivamente do turismo. Eles não vendem mais produtos para terceiros, e para adquiri-los, é preciso ir até a propriedade”. Em Ritápolis, no Campo das Vertentes, a Queijaria Seu Jorge transformou o dia a dia da produção em uma atração turística. Administrado por sete mulheres da mesma família, o local recebe visitantes interessados em conhecer o processo de fabricação. “O turista chega da cidade grande com muitas expectativas, e é uma troca interessante. Ele pode acompanhar a ordenha, ver como o queijo é feito, para depois saboreá-lo com café”, conta a proprietária Vera Lúcia Cardoso. Já em São João del-Rei, a Cachaça Morro Grande abriu o alambique à visitação e passou a integrar o roteiro turístico da região. Com produção anual entre 15 mil e 20 mil litros, o produtor José do Carmo Rezende explica que o turista vai ver todo o processo de fabricação da cachaça. “Desde o plantio e a moagem, até a degustação. Isso ajuda a valorizar a bebida e aumentar ainda mais as vendas”. Thatiana acrescenta que o turismo rural não se limita à produção de itens como queijo e cachaça, há outras atividades. “O ecoturismo, visitas em comunidades tradicionais, como quilombolas, indígena e ribeirinhos, além das propriedades de produtos orgânicos”. Acreditar no potencial A técnica ressalta que existem duas principais dificuldades dos produtores para exercer esse tipo de atividade em suas propriedades. “Eles precisam acreditar em seu potencial. É necessário compreender que os turistas querem visitar e vivenciar essas experiências. A partir disso, aparece o segundo obstáculo, que é a precificação. Muitos ainda não conseguem entender que as pessoas pagam para ir nas propriedades rurais e valorizam esse tipo de turismo”. Ela afirma ainda que a Emater ajuda na capacitação dos produtores. “Mas, também na orientação dos profissionais que trabalham diretamente nos escritórios locais da instituição. Fazemos um diagnóstico para entender se aquela propriedade consegue ou não receber visitantes, o que precisa desenvolver e qual é o desejo do produtor. A metodologia mais utilizada pelos extensionistas é do ouvir, de ver o que aquele empreendedor quer, como vai vivenciar e o que ele quer fazer”. “As nossas expectativas sobre o turismo rural são as melhores e maiores possíveis. Acreditamos que esse crescimento faça movimentar cada vez mais o segmento externamente e internamente. A atividade traz uma valorização do município. Queremos desenvolver esse setor para que cresça cada dia mais e prevaleça mais forte”, complementa. A partir de maio, será aberta a atualização para a 4ª edição do catálogo Ruralidade Viva, que é uma iniciativa para dar mais visibilidade aos trabalhos desses produtores. As pessoas que tiverem interesse, é só procurar o escritório da Emater, conversar com o técnico e fazer o cadastro. A entidade auxilia todos, desde quem está começando até aquele que já está no mercado. “Estamos abertos para fazer o atendimento a todos que se interessarem em trabalhar com turismo rural”, finaliza Thatiana.
Carga tributária no Brasil atinge patamar mais elevado dos últimos 15 anos

A carga tributária no Brasil atingiu o nível mais alto em 15 anos e o resultado ocorre em um contexto de crescimento econômico moderado. Segundo o Tesouro Nacional, o total dos tributos arrecadados pelas três esferas de governo foi de 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025. Isso representa um aumento de 0,18 ponto percentual do PIB em relação a 2024. A maior arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) foi o principal fator de aumento da carga tributária federal, com acréscimo de 0,23 ponto percentual, refletindo a ampliação da massa salarial. O crescimento nas contribuições da Previdência Social em 0,12 ponto percentual e a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), em 0,1 ponto percentual, também influenciaram. Na esfera estadual, houve redução de 0,09 ponto percentual, explicada principalmente pela queda relativa na receita do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Nos municípios, houve um aumento de 0,03 ponto percentual, puxado pelo crescimento da arrecadação do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), que atingiu 0,02 ponto percentual, impulsionado pela expansão do setor de serviços. De acordo com o Tesouro, a composição da carga tributária manteve-se relativamente estável em 2025. Os impostos sobre bens e serviços continuam como principal componente, apesar de leve redução na proporção do PIB (de 13,87% para 13,78%). Já os impostos sobre renda, lucros e ganhos de capital registraram aumento de 9,04% para 9,16%. O mestre em economia, Ricardo Paixão, explica que o crescimento indica tanto fortalecimento fiscal quanto maior pressão sobre a economia real. “No curto prazo, o dado mostra mais fortalecimento da arrecadação do que uma solução estrutural das contas públicas. Uma arrecadação maior melhora o caixa do Estado, mas isso não significa equilíbrio fiscal duradouro”. “Quando a carga tributária sobe, sem avanço equivalente na qualidade do gasto e na produtividade da economia, o efeito pode ser percebido como uma pressão adicional sobre as empresas, com o seu investimento. A própria Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) destaca que o Brasil ainda convive com pressões de gastos e que a sustentabilidade fiscal exige não só receita, mas também eficiência e reformas estruturais”, acrescenta. A Receita Federal mostra que o Brasil tributa relativamente mais bens e serviços do que a média da OCDE, e menos renda e propriedade, afirma o economista. “Isso torna o sistema mais regressivo e tende a pesar mais sobre o consumo e o custo de produção. A entidade observa que o sistema atual eleva o custo de fazer negócios, distorce cadeias produtivas e dificulta o comércio entre estados. O impacto econômico direto costuma aparecer em menor produtividade, maior custo operacional, menor previsibilidade para investir e penaliza quem ganha menos”. Para Paixão, pode até haver um discurso para a redução da carga tributária, mas o espaço fiscal e político real é bem estreito. “A OCDE aponta que o Brasil continua convivendo com pressões de gasto social e dificuldade para abrir espaço nas contas públicas. Em um ambiente de orçamento pressionado, vinculações constitucionais e meta fiscal apertada, reduzir tributos de forma ampla, sem compensação, é politicamente difícil. Na prática, o que costuma ser mais viável são desonerações pontuais, revisões setoriais ou melhora na eficiência e não uma redução ampla e imediata”. Qualidade do gasto público O economista ressalta que sem controle e racionalidade das despesas, qualquer redução de arrecadação tende a pressionar o déficit da dívida e dos juros. “Por isso, um debate sério sobre a carga tributária no Brasil passa necessariamente pela qualidade do gasto público. Com revisão de custos obrigatórios e aumento da produtividade na economia”. Conforme o especialista, essas revisões devem alcançar diferentes áreas do orçamento. “É preciso reavaliar, por exemplo, os custos do Parlamento, além de promover mudanças nos subsídios ao setor privado e nos gastos com as Forças Armadas. Também é necessário aprimorar os programas sociais, com mecanismos de recadastramento e controle, para evitar distorções e desvios”, conclui.
Governo propõe modelo cívico-militar nas escolas estaduais

O governador Mateus Simões (PSD) enviou, no início deste mês, à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) um projeto de lei para criar o Programa das Escolas Cívico-Militares (PECM) na rede estadual. Atualmente, nove unidades já funcionam neste modelo no Estado. O texto prevê a adesão voluntária, condicionada à aprovação da comunidade escolar em consulta pública. A finalidade do projeto, segundo o governo, é a promoção da educação integral, da disseminação da cultura da paz e da disciplina nas instituições escolares, sem interferência na autonomia pedagógica. Para analisar os impactos da proposta, o Edição do Brasil conversou com a professora e diretora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Angélica Consenza. O que caracteriza, na prática, uma escola cívico-militar dentro da rede pública? Uma escola cívico-militar é uma unidade pública em que a gestão é compartilhada entre educadores e militares. Os professores e diretores são responsáveis pela área pedagógica, e os militares da reserva, como policiais e bombeiros, atuam na gestão administrativa, financeira e disciplinar. Nesse primeiro momento, já há uma cisão, porque dentro de uma instituição, a equipe gestora também realiza o pedagógico. O modelo tem sido expandido em estados como Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Em Minas, a implementação enfrenta entraves jurídicos e resistência da comunidade escolar. Há, inclusive, decisões alternadas entre suspensão e autorização por parte do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) e do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Em que esse formato difere das instituições militares tradicionais, como o Colégio Tiradentes da Polícia Militar? O Colégio Tiradentes é gerido diretamente pela Polícia Militar, a gestão é integralmente militar, e é focado em dependentes dos militares, filhos e parentes. Já a escola cívico-militar está vinculada à Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE-MG) e atende a comunidade local com militares atuando na gestão administrativa e disciplinar, enquanto a direção pedagógica permanece com profissionais civis. Há evidências concretas de que escolas cívico-militares melhoram o desempenho dos alunos? Não. Apesar de a SEE-MG, em documentos oficiais, como o memorando nº 187/2025, sustentar que o programa tem se mostrado uma iniciativa promissora, integrando valores cívicos e disciplinares ao projeto pedagógico das escolas, dando destaque às implementações ocorridas em nove instituições que demonstram impactos positivos, não há evidências consistentes baseadas em pesquisa, avaliações nacionais e internacionais, que comprovem a eficácia desse modelo na melhoria da aprendizagem, ou até mesmo na redução de problemas como violência e evasão escolar. O modelo dialoga com as diretrizes da educação pública brasileira? Existem inúmeras denúncias de que as instituições que adotaram esse modelo têm restringido debates importantes para a sociedade na formação de crianças e jovens, como racismo, LGBTQIA+fobia, questões ambientais e direitos humanos. Apesar das escolas cívico-militares seguirem a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), elas estão distantes do currículo efetivamente praticado. Também há relatos de aumento na dificuldade de diálogo entre docentes e discentes, além de prejuízos à participação da comunidade escolar. Todas essas questões representam um grave retrocesso aos princípios da gestão democrática, como pluralismo de ideias pedagógicas, respeito à liberdade e valorização da tolerância, que estão previstos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Esse projeto possui força para resolver os problemas da educação pública em Minas Gerais? Não. É necessário reafirmar todas as políticas públicas estaduais, além do compromisso com a educação democrática, crítica e inclusiva, que está na nossa Constituição. Os padrões autoritários contradizem frontalmente essa concepção de formação cidadã e crítica que norteia os princípios basilares da legislação educacional e também da própria atuação das faculdades de educação e dos institutos formadores de professores das universidades de Minas Gerais e do Brasil como um todo.
Patos de Minas recebe Copa Ciclística de Minas Gerais

A 3ª e 4ª etapas da Copa Ciclística de Minas Gerais serão realizadas em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, nos dias 23 e 24 de maio. A competição, que costuma atrair competidores de todo o Estado, tem expectativa de reunir mais de 300 atletas. Estão previstas duas provas, o contrarrelógio, na Estrada de Sumaré, e o circuito, na Lagoa Grande. Com o objetivo de desenvolver o ciclismo em Minas Gerais e promover o esporte como prática social, a Copa vai contar com categorias femininas e masculinas, desde Open ao Master. As inscrições podem ser feitas pelo site smarttimer.com.br e serão encerradas dois dias antes do evento. A premiação inclui medalhas para os cinco primeiros colocados de todas as categorias, em cada disputa, e prêmio em dinheiro do primeiro ao terceiro colocados. As duas primeiras etapas da Copa foram realizadas em Santos Dumont, na Zona da Mata. O circuito ainda passará por Araxá, no Alto Paranaíba, e, novamente, em Patos de Minas, antes da grande final em Ilicínea, no Sul de Minas, nos dias 22 e 23 de agosto. O presidente da Liga Patense de Ciclismo, Rodrigo Paes Leme, destaca que a Copa Ciclística de Minas Gerais traz um impacto positivo para as cidades. “O evento gera visibilidade, receita para as redes hoteleiras e comerciantes locais, além de promover o ciclismo como prática esportiva e de lazer”. A competição vem evoluindo a cada ano, com melhorias na organização e no nível técnico dos esportistas, ressalta Leme. “Nesta edição, o percurso está mais desafiador. Houve um aumento no número de participantes, pela qualidade das competições, segurança e transparência que a entidade tem para com os atletas. Nosso intuito é desempenhar um papel importante na promoção do esporte e no incentivo da formação de novos competidores”. “A Copa Ciclística ajuda a formar base para atletas que buscam competições nacionais e fortalece o nível dos esportistas de ponta, com etapas duras, velozes e uma estrutura de qualidade para competirem e se destacarem. E os colocamos em evidência junto aos órgãos competentes da Federação Mineira de Ciclismo (FMC) e da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC)”, esclarece. Desafios técnicos As etapas da Copa Ciclística de MG incluem: Estrada, uma prova de longa distância em estrada aberta ou fechada; Circuito, uma competição em circuito fechado com várias voltas, calculado em horas; e o Contrarrelógio (Crono), um torneio individual de tempo, com largadas a cada minuto, em um trajeto determinado. “O percurso da Copa, em Patos de Minas, apresenta desafios técnicos de velocidades altíssimas na etapa de crono, em um percurso de 20 km, com subidas e descidas rápidas. E o trajeto de circuito, na orla da lagoa, com velocidade média superior a 40 km/h”, afirma o presidente. Segundo Leme, a competição contribui para a popularização do ciclismo como prática esportiva e de lazer com estruturas e provas de qualidade. “Cronometragem de alto padrão, premiação, regulamento rigoroso, camisa de líder para 15 categorias oficiais a cada cidade sediada, e fotos de qualidade para incentivar a todos”. A competição A Copa Ciclística de Minas Gerais é uma competição organizada pela Liga Patense de Ciclismo, focada na modalidade de estrada e circuito, com etapas que movimentam as cidades mineiras. O projeto nasceu com a gestão do atual presidente da Liga, em 2025, com a ideia de incentivar o esporte no Estado, com atletas de alto nível em provas homologadas. O evento pontua para o ranking estadual da FMC na classe C.1.
Circuito gastronômico valoriza identidade cultural de Diamantina

A cidade de Diamantina, na região Central de Minas Gerais, recebe, entre os dias 23 de abril e 23 de maio, a primeira edição do “Circuito Gastronômico: cozinha garimpeira, histórias que se cruzam”. O evento reúne 15 estabelecimentos locais, que vão oferecer pratos autorais inspirados na cultura e nos ingredientes da região. As iguarias foram criadas a partir de consultorias do Sebrae Minas em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG). Durante os 30 dias de programação, as receitas permanecem disponíveis nos cardápios dos participantes, que são: o Bar do Lu, Casa São Benedito, Catedral Pub, Diamante Grego, Fino Prato, Hotel Fazenda Estância Salitre, Microcervejaria Relíquia, Mr. Chef’s, Mr. Shake, O Caipirão, O Quinto, Relicário, Sagui, Trem Bom e Vila Biribiri. A abertura do Circuito será em 23 de abril, das 14h às 18h, no Mercado Velho (Praça Barão de Guacui), com a apresentação do “Estudo de Identidade Gastronômica de Diamantina”, que mapeou a cultura alimentar local, reunindo entrevistas e uma expedição técnica realizada por pesquisadores, consultores e chefs. O levantamento resultou na construção participativa de um Plano Futuro da Gastronomia, com oportunidades de atuação para os negócios do setor no período de 2026 a 2029. De acordo com o Sebrae Minas, a iniciativa busca integrar gastronomia e turismo, valorizando a cultura local e estimulando a economia. A cidade, reconhecida pelo conjunto arquitetônico e histórico pela Unesco, oferece cenário único para a experiência turística, além de uma tradição alimentar que se consolida como um importante atrativo do destino. A analista da instituição, Kele Vespermann, afirma que os eventos e festivais gastronômicos vêm se destacando como importantes ferramentas para impulsionar o setor de alimentação fora do lar, atraindo novos públicos e fortalecendo os negócios locais. “No Circuito Gastronômico essa proposta ganha ainda mais relevância ao incentivar moradores e turistas a explorarem os bares e restaurantes participantes, criando uma experiência que vai além do consumo e fortalece o vínculo com a cultura local”. “Além disso, os pratos são desenvolvidos a partir da identidade do município, valorizando receitas tradicionais e ingredientes da região, o que gera impacto direto em toda a cadeia produtiva, desde a agricultura familiar até a geração de empregos temporários, como a contratação de garçons”, complementa. Reposicionamento Kele explica que a essência do Circuito é a tradução de saberes, histórias e tradições locais em experiências gastronômicas. “O Sebrae capacitou e incentivou chefs e estabelecimentos a utilizarem ingredientes, receitas e referências históricas da região em seus pratos. Ao resgatar a cultura garimpeira e se basear em um estudo da identidade alimentar da cidade, o evento fortalece a memória, preserva a cultura e projeta a gastronomia como um importante patrimônio e atrativo turístico”. A instituição avalia que o turismo gastronômico local possui potencial de crescimento, ressalta a analista. “O município tem um fluxo anual superior a 100 mil turistas, possui cerca de 460 empreendimentos de alimentação fora do lar e outros 65 ligados diretamente ao setor, além de mais de mil empregos gerados nesses segmentos no último ano”. “Nesse cenário, a gastronomia se apresenta como um diferencial competitivo estratégico. Quando o empreendedor entende e usa o contexto histórico e cultural da culinária da região, ele amplia suas oportunidades de mercado, atendendo à demanda de turistas que buscam experiências autênticas”, acrescenta. Segundo a analista, o Circuito Gastronômico pode reposicionar Diamantina como um destino turístico completo, indo além do patrimônio histórico e arquitetônico. “Nós queremos que os turistas, além de visitar a cidade para conhecer os muitos casarões e igrejas barrocas, fiquem mais dias para participar de experiências em bares e restaurantes, interagir com a cultura da região e participar de roteiros gastronômicos”.
Venda de veículos apresenta crescimento de quase 37% em março

O mercado brasileiro de veículos registrou forte expansão no primeiro trimestre de 2026. Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram que, em março, foram emplacados 513.099 veículos. Esse foi o segundo melhor resultado para o mês na série histórica da entidade. O volume representa crescimento de 36,86% em relação a fevereiro e de 35,26% em comparação com o mesmo período de 2025. No acumulado entre janeiro e março, os emplacamentos, que englobam automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários, somaram 1.254.696 unidades, alta de 16,09% em comparação ao mesmo período do ano passado. O resultado é o terceiro melhor da série histórica, atrás apenas de 2011 e 2012. Considerando apenas a venda de veículos zero quilômetros, que inclui os de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus, o crescimento foi de 45,55% em comparação a fevereiro e de 37,85% na comparação anual, somando 269.463 veículos comercializados. As motocicletas seguem se destacando como um dos principais pilares de expansão, com 221.573 unidades vendidas. De acordo com o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, o desempenho reflete um cenário mais aquecido. “O terceiro mês do ano confirmou um mercado mais dinâmico, com desempenho disseminado entre os principais segmentos e um primeiro trimestre que já se posiciona entre os melhores da série histórica. O calendário ajudou, já que março contabilizou 22 dias úteis, mas os dados mostram reação da demanda”. A economista e Coordenadora de Ciências Econômicas e Ciências Atuariais da FMU, Natalie Verndl, explica que o fato de o acumulado ser o terceiro melhor resultado da série histórica se justifica por uma razão até numérica. “Ou em termos estatísticos, por conta da própria base comparativa ter sido mais fraca quando comparada com os dados mais recentes. Tivemos também um ponto sazonal, uma recuperação da demanda e um desempenho mais forte no mês de março, que acabou concentrando um volume mais elevado do número de emplacamentos”. Esse resultado pode ser interpretado até como um indicador que antecede parcialmente a atividade econômica, afirma a economista. “Até porque, o nosso setor automotivo acaba respondendo mais rapidamente do que outros segmentos às variáveis como a renda, o emprego, o próprio crédito e a confiança do consumidor e da própria indústria”. “A compra de veículos costuma refletir uma certa expectativa positiva sobre o futuro, por se tratar de um bem de consumo durável. Só que essa leitura tem que ser feita com uma ressalva, já que o desempenho do setor pode estar captando uma normalização após anos de restrição, tanto da oferta quanto à demanda, e isso não necessariamente reflete um ciclo de amplitude e uma sustentabilidade no crescimento econômico de toda a economia”, avalia Natalie. “Um ponto importante de destacar é que, embora tenha essa melhora, o mercado brasileiro ainda não retornou plenamente a um patamar estrutural pré-pandemia em todos os seus segmentos, principalmente quando consideramos a produção e o encadeamento industrial, que continuaram sendo mais irregulares do que o ciclo anterior ao ano de 2020”, observa. Juros e endividamento Para Natalie, em termos de sustentabilidade, o mais provável é que tenha uma desaceleração ao longo do ano. “Ainda que o cenário apresente um crescimento positivo, porque o ritmo de 16% no trimestre tenha chegado acima do esperado para o ano como um todo, isso gira ainda em torno de uma expansão que acaba sendo um pouco mais moderada”. A especialista ressalta que o ambiente macroeconômico ainda tem restrições relevantes. “Principalmente quando pensamos em juros elevados, que restringe a capacidade de um aumento das plantas produtivas; o endividamento das famílias, que está comprometendo a questão da renda e aquisição, tanto no curto, médio e provavelmente no longo prazo, uma vez que temos 80% da população brasileira em situação de endividamento e 40% em inadimplência. Tudo isso acaba limitando essa continuidade de um crescimento mais acelerado para o setor no início de 2026”.
Ensino integral avança de meneira desigual entre os estados

O ensino integral avançou no Brasil e já atinge mais de um quarto dos alunos da rede pública, mas o crescimento ocorre de forma desigual entre os estados. Minas Gerais, por exemplo, ainda está abaixo da média nacional. Dados do Censo Escolar 2025 mostram que a participação dos estudantes na modalidade no país cresceu 10,7 pontos percentuais entre 2021 e 2025, passando de 15,1% para 25,8%. Com isso, o Brasil atingiu a meta prevista no Plano Nacional de Educação (PNE) 2014-2024, que estabelecia ao menos 25% das matrículas na modalidade. O avanço foi puxado principalmente pelo ensino médio, onde o índice subiu de 16,7% em 2022 para 26,8% em 2025. Nos anos finais do ensino fundamental, a taxa chegou a 23,7%, enquanto nos anos iniciais ficou em 20,9%. Na pré-escola, o percentual é de 18,3%. Em Minas Gerais, no entanto, o avanço ocorre em ritmo mais lento. Segundo o Censo Escolar 2024, o percentual de matrículas em tempo integral passou de 15,2% em 2022 para 16,5% em 2024. Nas creches, o índice subiu de 59,4% para 61,6%, e na pré-escola, de 12,6% para 14,8%. No ensino fundamental, houve aumento de 8,8% para 12,7% nos anos iniciais e de 6,9% para 7,8% nos anos finais. Já no ensino médio, queda de 24,9% para 18,2%. A professora do ensino infantil, Ana Paula Soares, destaca que a escola em que atuou não possuía estrutura adequada para o atendimento de crianças em período integral. “O espaço físico era insuficiente e pouco adaptado às necessidades da rotina ampliada. De modo geral, a infraestrutura se mostrava precária para garantir o conforto e o bem-estar dos estudantes”. Ela pontua que esse regime amplia significativamente a carga de trabalho do professor. “Isso exige maior planejamento, organização e atenção contínua às crianças ao longo do dia. E é possível observar avanços importantes no desenvolvimento social e na autonomia dos estudantes. Porém, esses benefícios estão diretamente relacionados à qualidade das propostas pedagógicas e às condições oferecidas pela instituição”. “O ensino integral possui grande potencial, mas ainda enfrenta desafios para funcionar plenamente. A efetividade desse modelo depende de investimentos em estrutura, melhores condições de trabalho e entendimento das famílias que a escola é uma instituição de ensino, não rede de apoio”, finaliza. Desafios estruturais A especialista em Direito Civil e Digital e que já atuou como presidente da Comissão de Educação Digital da OAB/MG, Daniella Avelar, explica que o alcance da meta representa um avanço relevante, mas ainda não pode ser considerado uma mudança estrutural consolidada. “Houve expansão acelerada impulsionada por políticas públicas recentes e financiamento federal específico. Mas, a consolidação depende de continuidade orçamentária e formação docente adequada. Sem esses elementos permanentes, existe o risco de oscilações nos próximos anos”. Muitas redes avançaram em matrículas antes de concluir adaptações estruturais necessárias, observa Daniella. “Persistem desafios relacionados à infraestrutura física, formação continuada de professores, jornada docente compatível e financiamento estável. O país está em um momento de transição, mas com necessidade de consolidação qualitativa”. Daniella ressalta que a defasagem em Minas pode ser explicada por um conjunto de fatores. “O Estado possui uma rede extensa e territorialmente dispersa, o que aumenta os custos de adaptação das unidades. Além disso, muitas escolas ainda operam com estrutura pensada para turnos parciais, exigindo investimentos em espaços pedagógicos, alimentação e contratação de profissionais. Questões orçamentárias e prioridades administrativas também influenciam o ritmo de expansão”. Para garantir a sustentabilidade do modelo, a especialista aponta a necessidade de crescimento planejado. “Com planejamento pedagógico específico, valorização e reorganização da carreira docente e priorização de regiões com maior vulnerabilidade educacional”.