CNI aponta que Economia Circular reduz os custos para as empresas

Alternativa consiste em fazer a gestão de recursos finitos / Foto: Divulgação-CNI

A adoção de práticas de Economia Circular tem gerado redução de custos, fortalecimento da imagem corporativa e estímulo à inovação nas indústrias brasileiras, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A pesquisa afirma que seis em cada dez empresas já adotam o modelo.

Os dados mostram que as práticas circulares mais aplicadas são a reciclagem de produtos, presente em um terço das empresas. Em seguida, aparecem o uso de matéria-prima secundária (30%) e o desenvolvimento de produtos com foco na durabilidade (29%). Para 35% das empresas consultadas, a principal vantagem associada à prática é a redução de custos operacionais. A melhoria da imagem corporativa (32%) e o estímulo à inovação (30%) também foram apontados como benefícios.

Já como os principais obstáculos, entre os aspectos culturais e educacionais, 43% das indústrias afirmam não conseguir identificar quais fatores representam barreiras à circularidade. Entre aquelas que conseguem, 25% apontam a falta de conscientização dos consumidores e 23% mencionam a ausência de estratégias para engajá-los. Do ponto de vista econômico, a taxa de juros de financiamento foi o fator mais citado, apontado por 22% das empresas.

Em Minas Gerais, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) vem trabalhando na disseminação e conscientização das empresas quanto à Economia Circular desde 2009, pelo Programa Mineiro de Simbiose Industrial, envolvendo 760 indústrias nos processos de transição.

O presidente do Instituto Brasileiro da Economia Circular Solidária (IBECS), Casildo Quintino dos Santos Neto, explica que ao contrário do modelo linear que extrai, produz, usa e descarta, a Economia Circular se define pelo design das coisas e por recusar o uso de matéria-prima virgem. “Propõe eliminar resíduos no processo produtivo, produzir para que possam ser reparadas e reutilizadas em uma nova vida útil, e depois, ser desmontadas e remanufaturadas. No final do ciclo, são recicladas com utilização de energias renováveis para recuperar parte dos recursos utilizados”.

Neto afirma que na questão da regulamentação, o país caminha bem. “Temos uma boa lei sobre o tratamento de resíduos sólidos e em dezembro de 2025, o governo decretou a normatização e um plano nacional com metas ambiciosas. Paralelamente, tramita no Congresso Nacional um projeto específico para regulamentar a matéria. No Brasil ainda é incipiente a prática, mas estamos avançando”.

Engajamento

A questão do engajamento das grandes corporações está na preservação dos interesses do capital e dos acionistas (shareholders), destaca Neto. “Na medida que os conceitos e prática dos 5Rs, preconizados pela Economia Circular, refletem na diminuição de custos operacionais, fidelização de clientes pela servitização, expansão do mercado consumidor pela inclusão social, crédito subsidiado para transição, entre outros pontos”.

Ele ainda ressalta que sem educação não haverá transição. “A mudança para o modelo circular criará novas oportunidades de negócios para a população marginalizada e dependente de programas assistencialistas. Cerca de 90% das pessoas moradoras em comunidades pretendem empreender. O grande negócio será o combate à pobreza e a preservação ambiental”.

De acordo com o Global Resources Outlook 2024, a extração de recursos naturais triplicou desde 1970, saltando de 30 para 106 bilhões de toneladas. Sem ações estruturais, esse número pode aumentar 60% até 2060. A expectativa é que o consumo global de materiais, como biomassa, combustíveis fósseis, metais e minerais, dobre nos próximos 40 anos, enquanto a geração anual de resíduos aumente 70% até 2050.

Segundo a CNI, a Economia Circular propõe uma abordagem sistêmica para reduzir o uso de recursos, minimizar resíduos e regenerar sistemas naturais. No contexto industrial, isso se traduz em práticas voltadas à retenção de valor dos materiais, reaproveitamento de insumos e redesenho dos processos produtivos.

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