
Aos 14 anos, Kemilly Karoline Gulart Gonçalves encontrou no esporte mais do que uma atividade física: ganhou autonomia. Aluna do Projeto Superar desde 2022, a adolescente com deficiência visual pratica judô, onde já é faixa amarela, e natação, modalidades que ajudaram a melhorar sua movimentação no dia a dia.
A experiência de Kemilly reflete a proposta do Projeto Superar que é promover a inclusão social da pessoa com deficiência através do esporte. O programa, executado por meio da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer da Prefeitura de Belo Horizonte, atende cerca de mil alunos com deficiência física, visual, intelectual, auditiva, múltipla e autismo, de forma gratuita.
Sua avó e acompanhante, Lenita Gulart dos Santos, explica que conheceu o projeto através da mãe de um aluno. “Eu queria incluir ela em alguma atividade, e com o esporte, a Kemilly demonstra compromisso com o que faz, e também conhece e convive com outras crianças que possuem alguma deficiência. Isso é muito importante para ela e para mim”.
“Minha neta é uma menina que tem facilidade de socializar. Com o Superar, ela aprendeu a ter mais respeito e ser grata aos professores, aos funcionários, a todos. É muito bom ver ela com esse amor e respeito com os profissionais e com os seus colegas”, comenta.
Para Lenita, o nome do projeto já diz tudo, Superar. “É superar as dificuldades, os limites, as pessoas que às vezes não entendem, não respeitam o outro”. E finaliza com um pedido, “peço para as famílias que não deixem as suas crianças em casa. Tragam para socializarem nesse programa, porque elas são capazes, cada uma dentro da sua especialidade”.
Um dos requisitos para ingressar no projeto é ter idade superior a seis anos, apresentar laudo de deficiência e existir vagas. Os contatos são pelo e-mail: superar@pbh.gov. br, e pelos telefones: (31) 3277-4546 e 3277-7681.
São oferecidas 17 modalidades/atividades: iniciação esportiva, atletismo, basquetebol, bocha regular, bocha paralímpica, dança, futsal, goalball, judô, natação, rúgbi em cadeira de rodas, tênis de mesa, voleibol, voleibol sentado, patinação, funcional e percussão.
Superar
O gerente de paradesporto e responsável do programa Superar, Marcelo Mendes, explica que o projeto começou em 1994. “Sendo que os centros esportivos para pessoa com deficiência existem desde 2003, e se tornaram referência, a título internacional, com visitas frequentes de órgãos internacionais”.
Mendes afirma que, no momento, não há previsão de aumento no número de vagas. “Para manter e expandir o programa, temos que garantir os orçamentos. Por ser uma política pública, precisamos de recursos, e esse é um dos principais desafios de manter o projeto”.
O Superar é muito importante, porque contribui para a inserção social e autonomia dos alunos, relata o gerente. “O programa é muito voltado para essa questão de estar em sociedade e a autonomia, pois estudos já demostraram que o esporte, a atividade física, ajuda nesse ponto”, finaliza.
Núcleos de Atendimento
Regional Noroeste
Centro de Referência Esportiva para Pessoas com Deficiência
Av. Nossa Senhora de Fátima, 2.283 – Carlos Prates
Regional Barreiro
Escola Estadual de Ensino Especial Amaro Neves
Av. Ximango, 280 – Flávio Marques Lisboa
Regional Centro-Sul
Instituto São Rafael
Av. Augusto de Lima, 2.109 – Barro Preto
Regional Venda Nova
Escola Municipal Moysés Kalil (parceria com a Secretaria de Educação)
Rua Afonso Pereira da Silva, 10 – Mantiqueira
Núcleo do Programa Esporte para Todos (PET)
Clube Palmeiras – Rua Grão Pará, 589 – Santa Efigênia
Clube AABB – Rua Euclides Franco, 50 – Garças
Clube Sírio – Av. Antônio Abrahão Caram, 350 – São José
Clube Cruzeiro – Rua dos Guajajaras, 1.722 – Barro Preto
Clube Oásis – Rua Salinas, 1993, Bairro Santa Tereza
Clube AFAESC – Av. Carlos Luz, 675 – Caiçaras