Carga tributária no Brasil atinge patamar mais elevado dos últimos 15 anos

A carga tributária no Brasil atingiu o nível mais alto em 15 anos e o resultado ocorre em um contexto de crescimento econômico moderado. Segundo o Tesouro Nacional, o total dos tributos arrecadados pelas três esferas de governo foi de 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025. Isso representa um aumento de 0,18 ponto percentual do PIB em relação a 2024. A maior arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) foi o principal fator de aumento da carga tributária federal, com acréscimo de 0,23 ponto percentual, refletindo a ampliação da massa salarial. O crescimento nas contribuições da Previdência Social em 0,12 ponto percentual e a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), em 0,1 ponto percentual, também influenciaram. Na esfera estadual, houve redução de 0,09 ponto percentual, explicada principalmente pela queda relativa na receita do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Nos municípios, houve um aumento de 0,03 ponto percentual, puxado pelo crescimento da arrecadação do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), que atingiu 0,02 ponto percentual, impulsionado pela expansão do setor de serviços. De acordo com o Tesouro, a composição da carga tributária manteve-se relativamente estável em 2025. Os impostos sobre bens e serviços continuam como principal componente, apesar de leve redução na proporção do PIB (de 13,87% para 13,78%). Já os impostos sobre renda, lucros e ganhos de capital registraram aumento de 9,04% para 9,16%. O mestre em economia, Ricardo Paixão, explica que o crescimento indica tanto fortalecimento fiscal quanto maior pressão sobre a economia real. “No curto prazo, o dado mostra mais fortalecimento da arrecadação do que uma solução estrutural das contas públicas. Uma arrecadação maior melhora o caixa do Estado, mas isso não significa equilíbrio fiscal duradouro”. “Quando a carga tributária sobe, sem avanço equivalente na qualidade do gasto e na produtividade da economia, o efeito pode ser percebido como uma pressão adicional sobre as empresas, com o seu investimento. A própria Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) destaca que o Brasil ainda convive com pressões de gastos e que a sustentabilidade fiscal exige não só receita, mas também eficiência e reformas estruturais”, acrescenta. A Receita Federal mostra que o Brasil tributa relativamente mais bens e serviços do que a média da OCDE, e menos renda e propriedade, afirma o economista. “Isso torna o sistema mais regressivo e tende a pesar mais sobre o consumo e o custo de produção. A entidade observa que o sistema atual eleva o custo de fazer negócios, distorce cadeias produtivas e dificulta o comércio entre estados. O impacto econômico direto costuma aparecer em menor produtividade, maior custo operacional, menor previsibilidade para investir e penaliza quem ganha menos”. Para Paixão, pode até haver um discurso para a redução da carga tributária, mas o espaço fiscal e político real é bem estreito. “A OCDE aponta que o Brasil continua convivendo com pressões de gasto social e dificuldade para abrir espaço nas contas públicas. Em um ambiente de orçamento pressionado, vinculações constitucionais e meta fiscal apertada, reduzir tributos de forma ampla, sem compensação, é politicamente difícil. Na prática, o que costuma ser mais viável são desonerações pontuais, revisões setoriais ou melhora na eficiência e não uma redução ampla e imediata”. Qualidade do gasto público O economista ressalta que sem controle e racionalidade das despesas, qualquer redução de arrecadação tende a pressionar o déficit da dívida e dos juros. “Por isso, um debate sério sobre a carga tributária no Brasil passa necessariamente pela qualidade do gasto público. Com revisão de custos obrigatórios e aumento da produtividade na economia”. Conforme o especialista, essas revisões devem alcançar diferentes áreas do orçamento. “É preciso reavaliar, por exemplo, os custos do Parlamento, além de promover mudanças nos subsídios ao setor privado e nos gastos com as Forças Armadas. Também é necessário aprimorar os programas sociais, com mecanismos de recadastramento e controle, para evitar distorções e desvios”, conclui.

Governo propõe modelo cívico-militar nas escolas estaduais

O governador Mateus Simões (PSD) enviou, no início deste mês, à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) um projeto de lei para criar o Programa das Escolas Cívico-Militares (PECM) na rede estadual. Atualmente, nove unidades já funcionam neste modelo no Estado. O texto prevê a adesão voluntária, condicionada à aprovação da comunidade escolar em consulta pública. A finalidade do projeto, segundo o governo, é a promoção da educação integral, da disseminação da cultura da paz e da disciplina nas instituições escolares, sem interferência na autonomia pedagógica. Para analisar os impactos da proposta, o Edição do Brasil conversou com a professora e diretora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Angélica Consenza. O que caracteriza, na prática, uma escola cívico-militar dentro da rede pública? Uma escola cívico-militar é uma unidade pública em que a gestão é compartilhada entre educadores e militares. Os professores e diretores são responsáveis pela área pedagógica, e os militares da reserva, como policiais e bombeiros, atuam na gestão administrativa, financeira e disciplinar. Nesse primeiro momento, já há uma cisão, porque dentro de uma instituição, a equipe gestora também realiza o pedagógico. O modelo tem sido expandido em estados como Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Em Minas, a implementação enfrenta entraves jurídicos e resistência da comunidade escolar. Há, inclusive, decisões alternadas entre suspensão e autorização por parte do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) e do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Em que esse formato difere das instituições militares tradicionais, como o Colégio Tiradentes da Polícia Militar? O Colégio Tiradentes é gerido diretamente pela Polícia Militar, a gestão é integralmente militar, e é focado em dependentes dos militares, filhos e parentes. Já a escola cívico-militar está vinculada à Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE-MG) e atende a comunidade local com militares atuando na gestão administrativa e disciplinar, enquanto a direção pedagógica permanece com profissionais civis. Há evidências concretas de que escolas cívico-militares melhoram o desempenho dos alunos? Não. Apesar de a SEE-MG, em documentos oficiais, como o memorando nº 187/2025, sustentar que o programa tem se mostrado uma iniciativa promissora, integrando valores cívicos e disciplinares ao projeto pedagógico das escolas, dando destaque às implementações ocorridas em nove instituições que demonstram impactos positivos, não há evidências consistentes baseadas em pesquisa, avaliações nacionais e internacionais, que comprovem a eficácia desse modelo na melhoria da aprendizagem, ou até mesmo na redução de problemas como violência e evasão escolar. O modelo dialoga com as diretrizes da educação pública brasileira? Existem inúmeras denúncias de que as instituições que adotaram esse modelo têm restringido debates importantes para a sociedade na formação de crianças e jovens, como racismo, LGBTQIA+fobia, questões ambientais e direitos humanos. Apesar das escolas cívico-militares seguirem a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), elas estão distantes do currículo efetivamente praticado. Também há relatos de aumento na dificuldade de diálogo entre docentes e discentes, além de prejuízos à participação da comunidade escolar. Todas essas questões representam um grave retrocesso aos princípios da gestão democrática, como pluralismo de ideias pedagógicas, respeito à liberdade e valorização da tolerância, que estão previstos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Esse projeto possui força para resolver os problemas da educação pública em Minas Gerais? Não. É necessário reafirmar todas as políticas públicas estaduais, além do compromisso com a educação democrática, crítica e inclusiva, que está na nossa Constituição. Os padrões autoritários contradizem frontalmente essa concepção de formação cidadã e crítica que norteia os princípios basilares da legislação educacional e também da própria atuação das faculdades de educação e dos institutos formadores de professores das universidades de Minas Gerais e do Brasil como um todo.

Patos de Minas recebe Copa Ciclística de Minas Gerais

A 3ª e 4ª etapas da Copa Ciclística de Minas Gerais serão realizadas em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, nos dias 23 e 24 de maio. A competição, que costuma atrair competidores de todo o Estado, tem expectativa de reunir mais de 300 atletas. Estão previstas duas provas, o contrarrelógio, na Estrada de Sumaré, e o circuito, na Lagoa Grande. Com o objetivo de desenvolver o ciclismo em Minas Gerais e promover o esporte como prática social, a Copa vai contar com categorias femininas e masculinas, desde Open ao Master. As inscrições podem ser feitas pelo site smarttimer.com.br e serão encerradas dois dias antes do evento. A premiação inclui medalhas para os cinco primeiros colocados de todas as categorias, em cada disputa, e prêmio em dinheiro do primeiro ao terceiro colocados. As duas primeiras etapas da Copa foram realizadas em Santos Dumont, na Zona da Mata. O circuito ainda passará por Araxá, no Alto Paranaíba, e, novamente, em Patos de Minas, antes da grande final em Ilicínea, no Sul de Minas, nos dias 22 e 23 de agosto. O presidente da Liga Patense de Ciclismo, Rodrigo Paes Leme, destaca que a Copa Ciclística de Minas Gerais traz um impacto positivo para as cidades. “O evento gera visibilidade, receita para as redes hoteleiras e comerciantes locais, além de promover o ciclismo como prática esportiva e de lazer”. A competição vem evoluindo a cada ano, com melhorias na organização e no nível técnico dos esportistas, ressalta Leme. “Nesta edição, o percurso está mais desafiador. Houve um aumento no número de participantes, pela qualidade das competições, segurança e transparência que a entidade tem para com os atletas. Nosso intuito é desempenhar um papel importante na promoção do esporte e no incentivo da formação de novos competidores”. “A Copa Ciclística ajuda a formar base para atletas que buscam competições nacionais e fortalece o nível dos esportistas de ponta, com etapas duras, velozes e uma estrutura de qualidade para competirem e se destacarem. E os colocamos em evidência junto aos órgãos competentes da Federação Mineira de Ciclismo (FMC) e da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC)”, esclarece. Desafios técnicos As etapas da Copa Ciclística de MG incluem: Estrada, uma prova de longa distância em estrada aberta ou fechada; Circuito, uma competição em circuito fechado com várias voltas, calculado em horas; e o Contrarrelógio (Crono), um torneio individual de tempo, com largadas a cada minuto, em um trajeto determinado. “O percurso da Copa, em Patos de Minas, apresenta desafios técnicos de velocidades altíssimas na etapa de crono, em um percurso de 20 km, com subidas e descidas rápidas. E o trajeto de circuito, na orla da lagoa, com velocidade média superior a 40 km/h”, afirma o presidente. Segundo Leme, a competição contribui para a popularização do ciclismo como prática esportiva e de lazer com estruturas e provas de qualidade. “Cronometragem de alto padrão, premiação, regulamento rigoroso, camisa de líder para 15 categorias oficiais a cada cidade sediada, e fotos de qualidade para incentivar a todos”. A competição A Copa Ciclística de Minas Gerais é uma competição organizada pela Liga Patense de Ciclismo, focada na modalidade de estrada e circuito, com etapas que movimentam as cidades mineiras. O projeto nasceu com a gestão do atual presidente da Liga, em 2025, com a ideia de incentivar o esporte no Estado, com atletas de alto nível em provas homologadas. O evento pontua para o ranking estadual da FMC na classe C.1.

Circuito gastronômico valoriza identidade cultural de Diamantina

A cidade de Diamantina, na região Central de Minas Gerais, recebe, entre os dias 23 de abril e 23 de maio, a primeira edição do “Circuito Gastronômico: cozinha garimpeira, histórias que se cruzam”. O evento reúne 15 estabelecimentos locais, que vão oferecer pratos autorais inspirados na cultura e nos ingredientes da região. As iguarias foram criadas a partir de consultorias do Sebrae Minas em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG). Durante os 30 dias de programação, as receitas permanecem disponíveis nos cardápios dos participantes, que são: o Bar do Lu, Casa São Benedito, Catedral Pub, Diamante Grego, Fino Prato, Hotel Fazenda Estância Salitre, Microcervejaria Relíquia, Mr. Chef’s, Mr. Shake, O Caipirão, O Quinto, Relicário, Sagui, Trem Bom e Vila Biribiri. A abertura do Circuito será em 23 de abril, das 14h às 18h, no Mercado Velho (Praça Barão de Guacui), com a apresentação do “Estudo de Identidade Gastronômica de Diamantina”, que mapeou a cultura alimentar local, reunindo entrevistas e uma expedição técnica realizada por pesquisadores, consultores e chefs. O levantamento resultou na construção participativa de um Plano Futuro da Gastronomia, com oportunidades de atuação para os negócios do setor no período de 2026 a 2029. De acordo com o Sebrae Minas, a iniciativa busca integrar gastronomia e turismo, valorizando a cultura local e estimulando a economia. A cidade, reconhecida pelo conjunto arquitetônico e histórico pela Unesco, oferece cenário único para a experiência turística, além de uma tradição alimentar que se consolida como um importante atrativo do destino. A analista da instituição, Kele Vespermann, afirma que os eventos e festivais gastronômicos vêm se destacando como importantes ferramentas para impulsionar o setor de alimentação fora do lar, atraindo novos públicos e fortalecendo os negócios locais. “No Circuito Gastronômico essa proposta ganha ainda mais relevância ao incentivar moradores e turistas a explorarem os bares e restaurantes participantes, criando uma experiência que vai além do consumo e fortalece o vínculo com a cultura local”. “Além disso, os pratos são desenvolvidos a partir da identidade do município, valorizando receitas tradicionais e ingredientes da região, o que gera impacto direto em toda a cadeia produtiva, desde a agricultura familiar até a geração de empregos temporários, como a contratação de garçons”, complementa. Reposicionamento Kele explica que a essência do Circuito é a tradução de saberes, histórias e tradições locais em experiências gastronômicas. “O Sebrae capacitou e incentivou chefs e estabelecimentos a utilizarem ingredientes, receitas e referências históricas da região em seus pratos. Ao resgatar a cultura garimpeira e se basear em um estudo da identidade alimentar da cidade, o evento fortalece a memória, preserva a cultura e projeta a gastronomia como um importante patrimônio e atrativo turístico”. A instituição avalia que o turismo gastronômico local possui potencial de crescimento, ressalta a analista. “O município tem um fluxo anual superior a 100 mil turistas, possui cerca de 460 empreendimentos de alimentação fora do lar e outros 65 ligados diretamente ao setor, além de mais de mil empregos gerados nesses segmentos no último ano”. “Nesse cenário, a gastronomia se apresenta como um diferencial competitivo estratégico. Quando o empreendedor entende e usa o contexto histórico e cultural da culinária da região, ele amplia suas oportunidades de mercado, atendendo à demanda de turistas que buscam experiências autênticas”, acrescenta. Segundo a analista, o Circuito Gastronômico pode reposicionar Diamantina como um destino turístico completo, indo além do patrimônio histórico e arquitetônico. “Nós queremos que os turistas, além de visitar a cidade para conhecer os muitos casarões e igrejas barrocas, fiquem mais dias para participar de experiências em bares e restaurantes, interagir com a cultura da região e participar de roteiros gastronômicos”.

Venda de veículos apresenta crescimento de quase 37% em março

O mercado brasileiro de veículos registrou forte expansão no primeiro trimestre de 2026. Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram que, em março, foram emplacados 513.099 veículos. Esse foi o segundo melhor resultado para o mês na série histórica da entidade. O volume representa crescimento de 36,86% em relação a fevereiro e de 35,26% em comparação com o mesmo período de 2025. No acumulado entre janeiro e março, os emplacamentos, que englobam automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários, somaram 1.254.696 unidades, alta de 16,09% em comparação ao mesmo período do ano passado. O resultado é o terceiro melhor da série histórica, atrás apenas de 2011 e 2012. Considerando apenas a venda de veículos zero quilômetros, que inclui os de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus, o crescimento foi de 45,55% em comparação a fevereiro e de 37,85% na comparação anual, somando 269.463 veículos comercializados. As motocicletas seguem se destacando como um dos principais pilares de expansão, com 221.573 unidades vendidas. De acordo com o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, o desempenho reflete um cenário mais aquecido. “O terceiro mês do ano confirmou um mercado mais dinâmico, com desempenho disseminado entre os principais segmentos e um primeiro trimestre que já se posiciona entre os melhores da série histórica. O calendário ajudou, já que março contabilizou 22 dias úteis, mas os dados mostram reação da demanda”. A economista e Coordenadora de Ciências Econômicas e Ciências Atuariais da FMU, Natalie Verndl, explica que o fato de o acumulado ser o terceiro melhor resultado da série histórica se justifica por uma razão até numérica. “Ou em termos estatísticos, por conta da própria base comparativa ter sido mais fraca quando comparada com os dados mais recentes. Tivemos também um ponto sazonal, uma recuperação da demanda e um desempenho mais forte no mês de março, que acabou concentrando um volume mais elevado do número de emplacamentos”. Esse resultado pode ser interpretado até como um indicador que antecede parcialmente a atividade econômica, afirma a economista. “Até porque, o nosso setor automotivo acaba respondendo mais rapidamente do que outros segmentos às variáveis como a renda, o emprego, o próprio crédito e a confiança do consumidor e da própria indústria”. “A compra de veículos costuma refletir uma certa expectativa positiva sobre o futuro, por se tratar de um bem de consumo durável. Só que essa leitura tem que ser feita com uma ressalva, já que o desempenho do setor pode estar captando uma normalização após anos de restrição, tanto da oferta quanto à demanda, e isso não necessariamente reflete um ciclo de amplitude e uma sustentabilidade no crescimento econômico de toda a economia”, avalia Natalie. “Um ponto importante de destacar é que, embora tenha essa melhora, o mercado brasileiro ainda não retornou plenamente a um patamar estrutural pré-pandemia em todos os seus segmentos, principalmente quando consideramos a produção e o encadeamento industrial, que continuaram sendo mais irregulares do que o ciclo anterior ao ano de 2020”, observa. Juros e endividamento Para Natalie, em termos de sustentabilidade, o mais provável é que tenha uma desaceleração ao longo do ano. “Ainda que o cenário apresente um crescimento positivo, porque o ritmo de 16% no trimestre tenha chegado acima do esperado para o ano como um todo, isso gira ainda em torno de uma expansão que acaba sendo um pouco mais moderada”. A especialista ressalta que o ambiente macroeconômico ainda tem restrições relevantes. “Principalmente quando pensamos em juros elevados, que restringe a capacidade de um aumento das plantas produtivas; o endividamento das famílias, que está comprometendo a questão da renda e aquisição, tanto no curto, médio e provavelmente no longo prazo, uma vez que temos 80% da população brasileira em situação de endividamento e 40% em inadimplência. Tudo isso acaba limitando essa continuidade de um crescimento mais acelerado para o setor no início de 2026”.

Ensino integral avança de meneira desigual entre os estados

O ensino integral avançou no Brasil e já atinge mais de um quarto dos alunos da rede pública, mas o crescimento ocorre de forma desigual entre os estados. Minas Gerais, por exemplo, ainda está abaixo da média nacional. Dados do Censo Escolar 2025 mostram que a participação dos estudantes na modalidade no país cresceu 10,7 pontos percentuais entre 2021 e 2025, passando de 15,1% para 25,8%. Com isso, o Brasil atingiu a meta prevista no Plano Nacional de Educação (PNE) 2014-2024, que estabelecia ao menos 25% das matrículas na modalidade. O avanço foi puxado principalmente pelo ensino médio, onde o índice subiu de 16,7% em 2022 para 26,8% em 2025. Nos anos finais do ensino fundamental, a taxa chegou a 23,7%, enquanto nos anos iniciais ficou em 20,9%. Na pré-escola, o percentual é de 18,3%. Em Minas Gerais, no entanto, o avanço ocorre em ritmo mais lento. Segundo o Censo Escolar 2024, o percentual de matrículas em tempo integral passou de 15,2% em 2022 para 16,5% em 2024. Nas creches, o índice subiu de 59,4% para 61,6%, e na pré-escola, de 12,6% para 14,8%. No ensino fundamental, houve aumento de 8,8% para 12,7% nos anos iniciais e de 6,9% para 7,8% nos anos finais. Já no ensino médio, queda de 24,9% para 18,2%. A professora do ensino infantil, Ana Paula Soares, destaca que a escola em que atuou não possuía estrutura adequada para o atendimento de crianças em período integral. “O espaço físico era insuficiente e pouco adaptado às necessidades da rotina ampliada. De modo geral, a infraestrutura se mostrava precária para garantir o conforto e o bem-estar dos estudantes”. Ela pontua que esse regime amplia significativamente a carga de trabalho do professor. “Isso exige maior planejamento, organização e atenção contínua às crianças ao longo do dia. E é possível observar avanços importantes no desenvolvimento social e na autonomia dos estudantes. Porém, esses benefícios estão diretamente relacionados à qualidade das propostas pedagógicas e às condições oferecidas pela instituição”. “O ensino integral possui grande potencial, mas ainda enfrenta desafios para funcionar plenamente. A efetividade desse modelo depende de investimentos em estrutura, melhores condições de trabalho e entendimento das famílias que a escola é uma instituição de ensino, não rede de apoio”, finaliza. Desafios estruturais A especialista em Direito Civil e Digital e que já atuou como presidente da Comissão de Educação Digital da OAB/MG, Daniella Avelar, explica que o alcance da meta representa um avanço relevante, mas ainda não pode ser considerado uma mudança estrutural consolidada. “Houve expansão acelerada impulsionada por políticas públicas recentes e financiamento federal específico. Mas, a consolidação depende de continuidade orçamentária e formação docente adequada. Sem esses elementos permanentes, existe o risco de oscilações nos próximos anos”. Muitas redes avançaram em matrículas antes de concluir adaptações estruturais necessárias, observa Daniella. “Persistem desafios relacionados à infraestrutura física, formação continuada de professores, jornada docente compatível e financiamento estável. O país está em um momento de transição, mas com necessidade de consolidação qualitativa”. Daniella ressalta que a defasagem em Minas pode ser explicada por um conjunto de fatores. “O Estado possui uma rede extensa e territorialmente dispersa, o que aumenta os custos de adaptação das unidades. Além disso, muitas escolas ainda operam com estrutura pensada para turnos parciais, exigindo investimentos em espaços pedagógicos, alimentação e contratação de profissionais. Questões orçamentárias e prioridades administrativas também influenciam o ritmo de expansão”. Para garantir a sustentabilidade do modelo, a especialista aponta a necessidade de crescimento planejado. “Com planejamento pedagógico específico, valorização e reorganização da carreira docente e priorização de regiões com maior vulnerabilidade educacional”.

Minas Gerais tem baixa adesão de meninos à vacinação contra HPV

vacinação contra o HPV (papilomavírus humano) ainda avança pouco para os meninos em Minas Gerais. Entre 2014 e 2022, apenas 9,96% dos adolescentes de 9 a 14 anos completaram o esquema vacinal no Estado, referente ao sistema de duas doses, conforme dados do Observatório de Pesquisa e Estudos em Vacinação (Opesv), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Desde 2024, o Brasil adotou o esquema de dose única para meninas e meninos dessa faixa etária. Segundo o Ministério da Saúde, o HPV está associado ao câncer do colo do útero e a outros tumores, sendo possível prevenir a infecção por meio da vacinação gratuita no Sistema Único de Saúde (SUS). A pesquisa identificou cinco perfis distintos no Estado. Enquanto parte das cidades combina alta cobertura vacinal e melhores condições socioeconômicas, outras enfrentam baixa adesão associada à pobreza, acesso limitado à saúde e fragilidades na rede pública. Mesmo em áreas mais urbanizadas, persistem desafios, especialmente na vacinação do público masculino. O estudo mostra ainda que apenas 9,73% dos municípios mineiros atingiram a meta de cobertura vacinal (acima de 80%) para a primeira dose entre meninos. Entre as meninas, o índice chega a 77,49%. No geral, 37,51% das cidades alcançaram a meta para a primeira dose. A professora e coordenadora do estudo, Fernanda Penido, explica que a diferença de adesão entre adolescentes do sexo feminino e masculino pode estar relacionada a fatores culturais e à percepção de risco do vírus, tradicionalmente associado à saúde da mulher. “De modo geral, as meninas costumam se vacinar contra o HPV mais que os meninos, visto que campanhas voltadas ao público masculino ainda têm menor alcance, em razão da menor percepção de prioridade dessa vacina para eles”. Fernanda destaca também que os dados sinalizam desigualdades significativas na cobertura vacinal. Fatores como condições socioeconômicas, acesso à saúde, urbanização e à informação influenciam diretamente na adesão. “O processo de urbanização possibilita maior acessibilidade aos serviços de saúde, às informações sobre a importância da prevenção das infecções associadas ao HPV e os benefícios da vacinação, o que, consequentemente, reflete em maior cobertura vacinal”. HPV ainda é subestimado Para o infectologista da Unimed BH e presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Adelino Melo, o HPV é subestimado como um problema de saúde pública. “Talvez por não ter sintomas iniciais, ser uma infecção muitas vezes subclínica e latente, com complicações tardias. Também pelo fato de não saberem que o câncer de colo de útero, de cabeça ou pescoço estão diretamente ligados a esse vírus, e isso faz com que as pessoas não estejam tão atentas a essa infecção e ao rastreio e à prevenção necessária para combater esses eventos”. O HPV não é um problema só das mulheres, esclarece o infectologista. “Os homens têm papel essencial na transmissão entre as pessoas. Esses pacientes podem ter câncer relacionado à infecção, como de pênis, do canal anal, entre outros. E eles precisam estar sensibilizados para a importância do HPV, da sua saúde e do bem-estar dos que eles se relacionam”. Melo destaca que a vacina é a melhor forma de prevenção. “É a estratégia mais eficiente que temos de combate a essa infecção. O nosso principal desafio é aumentar os índices de vacinação. Também precisamos melhorar o acesso ao rastreamento, com métodos mais modernos de investigação”. “Vários tipos de HPV são combatidos e ficam transitoriamente conosco e depois o sistema imune consegue controlar e eliminar. Mas, com alguns deles isso não acontece, e os tratamentos não eliminam completamente o vírus, porém, ajuda o sistema imunológico a resolver aquela manifestação. Por essa razão que o rastreamento é tão importante, juntamente com a prevenção. Para que possa impedir que as pessoas adquiram o vírus e aqueles que adquiriram consigam enxergar quais têm mais risco, e quais já têm lesões iniciais que possam ser tratadas”, esclarece o especialista.

Concessão do Parque Biribiri em discussão na Assembleia Legislativa

Localizado na Serra do Espinhaço, em Diamantina, o Parque Estadual do Biribiri é considerado um divisor de águas das bacias dos rios São Francisco, Doce e Jequitinhonha. A proposta de concessão do espaço, apresentada pelo Governo de Minas, foi discutida na Comissão de Participação Popular, da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), no dia 7 de abril. A Associação Comunitária do Bairro Cidade Nova afirmou que a cobrança de ingressos, prevista no edital, na prática, representa um processo de privatização que altera a função social do parque. A entidade também critica a falta de diálogo com a população. A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável visitou o local no dia 27 de março, e durante a visita, os moradores de Diamantina entregaram um abaixo-assinado com 4,5 mil assinaturas contra a concessão da unidade de conservação. Por outro lado, o Executivo estadual defende que a concessão à iniciativa privada vai garantir os recursos necessários para melhorar os serviços oferecidos aos turistas do Parque do Biribiri. A expectativa é ampliar o número de visitantes e impulsionar o turismo na região. Ao longo de 30 anos, estão previstos investimentos que totalizam o valor de R$ 38 milhões. Em 24 de fevereiro, o Instituto Estadual de Florestas (IEF) realizou uma audiência pública sobre o projeto, etapa obrigatória no processo de concessão. O encontro, no entanto, foi alvo de críticas de movimentos sociais, que alegaram dificuldades para a participação popular. Segundo os relatos, a reunião teve pouca divulgação, ocorreu em local de difícil acesso, em dia útil, e registrou quedas de energia durante o debate. O deputado Marquinhos Lemos (PT), autor do requerimento, contesta os termos do contrato. “A responsabilidade de manutenção vai continuar sendo do Estado. Então, os nossos funcionários vão ter que continuar com essa mesma responsabilidade. O que nós estamos passando, na verdade, é só a exploração daquilo que a gente tem, que é o que vai dar lucro, mas não vai ser para o Estado”. Sobre a reunião do IEF, Lemos destaca que foi uma mera tentativa de audiência. “Os moradores devem ser ouvidos. E precisamos também de investimentos públicos para suprir as carências estruturais do parque, em vista dos pouco mais de R$ 1 milhão por ano exigidos em três décadas, por contrato, da iniciativa privada”. O coordenador do movimento “O Parque do Biribiri é nosso”, Bruno Mendes, ressalta que o projeto é ruim, foi mal elaborado e, sobretudo, mal comunicado. “Está em curso um processo de intimidação da comunidade para que ela não se manifeste contra a concessão. Observamos o zelo do governo em dialogar com o investidor, mas a negligência no diálogo com a população”. Desafios de gestão A Coordenadora do Núcleo de Projetos Especiais do IEF, Cecília Vilhena, explicou que o Programa de Concessões de Parques Estaduais surge dos desafios de gestão das 95 unidades de conservação em Minas, com problemas inerentes à burocracia, baixa oferta de serviços e o potencial turístico subaproveitado, devido à falta de expertise dos órgãos ambientais no tema. Cecília pontua que as intervenções propostas seriam apenas nas Cachoeiras da Sentinela e dos Cristais, representando menos de 1% dos 17 mil hectares do parque. “A concessão não transfere a propriedade ao investidor, as benfeitorias são revertidas ao Estado ao final do acordo e todas as ações empreendidas pela iniciativa privada são reguladas por contrato”. “Como órgão público, temos uma flexibilidade baixa, ainda que consigamos o recurso para investir nos serviços que o parque precisa, o Biribiri necessita de infraestrutura para ordenar essa visitação que acontece de forma nociva ao meio ambiente”, ressaltou. Sobre a preocupação da comunidade relativa à cobrança de ingressos, a concessão estabelece a gratuidade para todos os moradores de Diamantina, garantiu a coordenadora. “No primeiro ano do contrato, a gratuidade será para todos. A partir do quarto ano, o ingresso atingirá o valor máximo de R$ 30 para o público, após a conclusão das obras mínimas”. Concluída a fase de consulta à população, ocorrerá o lançamento do edital de concessão, em julho. No segundo semestre será realizada a licitação.

Artesanato da Mantiqueira fortalece a identidade cultural em Delfim Moreira

Nas montanhas da Serra da Mantiqueira, em Delfim Moreira, no Sul de Minas, está localizada a Associação Cultural de Artistas e Artesãos de Delfim Moreira (Academ), conhecida como Grimpeiros, que reúne 12 artesãos. O grupo começou a se estruturar entre 2021 e 2022, a partir da percepção de que muitos artesãos do município atuavam de forma isolada. A trajetória dos Grimpeiros é marcada por ações de capacitação e acompanhamento promovidas pelo Sebrae Minas, em parceria com a Prefeitura. A partir dessas iniciativas, os artesãos passaram a participar de feiras do setor e missões técnicas. Atualmente, o grupo recebe uma consultoria de governança, voltada ao fortalecimento da gestão da associação e na consolidação do trabalho coletivo. Um dos marcos da trajetória da Academ ocorreu em dezembro de 2025, com a inauguração de uma loja coletiva na antiga estação ferroviária da cidade. O espaço se tornou vitrine permanente para a produção artesanal local e um novo ponto de valorização da cultura do município. A associação produz peças como crochê, tricô, bordados, biscuit e artesanato religioso. A analista de negócios do Sebrae Minas, Andressa Paes, explica que a instituição começou a atuar na região em 2021. “Com um trabalho inicial de sensibilização do território, voltado para identificar e desenvolver as vocações econômicas locais. Já em 2022, demos início a esse processo de forma mais estruturada, com a realização do Curso Cultcoop, que teve como objetivo trabalhar a cultura da cooperação entre os artesãos”. Andressa afirma que o artesanato tem um impacto importante na economia de Delfim Moreira, atuando como um vetor de desenvolvimento local. “A atividade tem um papel fundamental, pois vai muito além da produção de objetos decorativos ou utilitários. Ele representa a história, a cultura e o modo de vida dessa população”. “Muitas peças são produzidas com técnicas tradicionais. Esses saberes carregam influências dos antepassados e mantêm vivas as tradições da região. Além disso, o artesanato fortalece a identidade da comunidade, pois reflete características próprias da cidade, como os materiais utilizados, os estilos e os temas das peças”, acrescenta. Desafios Entre os utensílios produzidos estão trabalhos em cestaria com fibra de bananeira, costura criativa, sabonetes e velas artesanais, artigos em madeira e objetos decorativos feitos com elementos naturais, como pinhas e cabaças. A Academ também desenvolveu a Coleção Araucária, criada a partir de um processo de design voltado ao artesanato. Inspiradas na paisagem da Mantiqueira, as peças incorporam símbolos da região, como o pinhão, o sol surgindo entre as montanhas e a araucária. O artesão Tom Rainer, 40 anos, conta que cada peça carrega um exemplar original da história de Delfim Moreira. “Da cultura local e de uma identidade única que o povo mineiro possui. É um trabalho que reflete tradições passadas de geração em geração, feito pelas mãos de pessoas que realmente amam o que fazem”. Rainer faz crochê, e desde 2025, é um associado da Academ. “Esse é um espaço onde consigo desenvolver e mostrar meu trabalho, expandir minha rede de contatos e conhecer pessoas novas e incríveis, de diferentes gerações, histórias e posições. Apesar das diferenças, todos compartilham algo muito forte em comum: o amor pelo artesanato”. Um dos principais obstáculos para esses profissionais é a baixa visibilidade fora da região, ressalta Andressa. “Muitos artesãos são reconhecidos apenas localmente, o que dificulta alcançar novos públicos em outras cidades, estados ou até no meio digital. Sem divulgação adequada, seus produtos acabam não sendo conhecidos por potenciais clientes”. “Outro desafio importante é a necessidade de profissionalização, especialmente nas áreas de gestão e marketing. Além disso, há as dificuldades de acesso a canais de venda maiores, como lojas especializadas, feiras nacionais, marketplaces e exportação. Entrar nesses espaços geralmente exige padronização, escala de produção, documentação e estratégias comerciais que nem sempre estão ao alcance dos pequenos produtores. Nesse contexto, o apoio de instituições como o Sebrae é fundamental”, finaliza.

Aviação brasileira registra melhor início de ano da história

A aviação brasileira começou o ano de 2026 com o melhor desempenho da série histórica para o primeiro bimestre. Entre janeiro e fevereiro, foram registrados 22,9 milhões de passageiros em voos domésticos e internacionais no país, segundo o relatório da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O volume apresenta um crescimento de 10,1% em relação ao mesmo período de 2025, e configura o maior resultado para os dois primeiros meses do ano nos últimos 25 anos. A movimentação foi liderada pela região Sudeste, com 10,6 milhões de embarques, seguida pelo Nordeste (4 milhões), Sul (2,4 milhões), Centro-Oeste (1,9 milhão) e Norte (928 mil). Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, o resultado reflete o momento de crescimento da economia e o fortalecimento do setor aéreo no país. “Esse desempenho mostra que o Brasil está voltando a crescer, com mais pessoas viajando a trabalho, a turismo e para acessar serviços. A aviação é um termômetro da atividade econômica e esse recorde no início do ano indica um cenário de maior dinamismo e ampliação da conectividade no país”. A economista e professora da Una, Vaníria Ferrari, explica que o setor vem apresentando progresso desde o pós-pandemia, o que de forma acumulada, apresenta uma evolução significativa. “O valor do dólar, aliado a conflitos externos, têm direcionado o público para o turismo interno. Ainda tivemos o Carnaval, no início do ano, que apresentou expressivo crescimento. E o destino internacional também registrou avanço, muito voltado para o objetivo profissional”. A especialista esclarece que esse movimento não é uma normalização pós-pandemia. “Isso já ocorreu entre 2022 e 2023. O que vemos hoje é um aumento acima do normal. Pode significar um novo padrão de consumo, uma vez que as pessoas estão optando pelo transporte aéreo em desfavor do rodoviário; um aquecimento do turismo interno, em detrimento do externo; e um aumento dos negócios”. Vaníria afirma ainda que esse número sinaliza um aquecimento da demanda agregada por voos. “Economicamente, esse avanço é positivo, pois tem reflexo em toda a cadeia, como hotelaria, alimentação e transporte local. Por outro lado, esse crescimento, aliado ao não acompanhamento por parte da oferta e ao recente e provável aumento no valor do petróleo, pode significar um encarecimento de preços de passagens a médio e longo prazo”. Avanço X Desaceleração O crescimento do setor se consolidou nos últimos anos. Em 2021, no mesmo período, mais de 11 milhões de passageiros foram transportados. Desde então, a alta tem sido contínua, superando inclusive os níveis pré-pandemia. Somente em janeiro de 2026, foram registrados 12,4 milhões de viajantes. Em fevereiro, o total chegou a 10,5 milhões, alta de 9,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Ao longo de janeiro deste ano, os voos domésticos transportaram 9,4 milhões de passageiros pelo Brasil. O volume foi 9,3% maior em relação ao mesmo mês de 2025, quando a movimentação atingiu 8,6 milhões de viajantes. Segundo a economista, esse crescimento a longo prazo pode não ser sustentável e perder força por vários motivos. “Além do aumento provável de preços das passagens, pelo fato da oferta não acompanhar a demanda e pelo aumento dos custos, como o caso do combustível, que representa em torno de 80% do total dos gastos de uma empresa, esse setor é extremamente vulnerável ao cenário macroeconômico”. “Pode haver uma desaceleração em função da pressão sobre os preços e da renda da população frente a um aumento iminente da inflação. O dólar alto impacta as despesas fora do país, provocando redução da demanda por voos internacionais. E os juros elevados encarecem o crédito, as compras de passagens via cartão, o que aliado ao maior índice de endividamento e inadimplência da população aponta para uma desaceleração do segmento”, salienta a especialista.