Terceira vaga no TCE-MG

A eleição do atual presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB), para o cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) trouxe uma notória calmaria nos bastidores da Casa Legislativa. Isso porque a votação do aludido pleito aconteceu de forma unânime, demonstrando que o parlamentar uniu todas as correntes, quando da definição de seu nome para o posto. Em verdade, não se fala ainda no assunto atinente à posse de Tadeu no Conselho, mas pelas informações extraoficiais, isso só deverá ocorrer no final de dezembro deste ano, quando concluído o processo eleitoral para cargos do Executivo e do próprio Legislativo, na peleja de 2026. O tema relativamente à definição de mais um nome para a denominada terceira vaga já provoca um certo nível de tensão nos meandros da Assembleia Legislativa. Uma nova lista de pretendentes já circula com imensa profusão, na tentativa de saber quem é o preferido pelos pares para ocupar um dos cargos mais cobiçados das instâncias do poder em Minas Gerais, pois se trata de uma nomeação vitalícia, com aposentadoria apenas quando o escolhido completa 75 anos. Daí, a resistência dos parlamentares em definir um nome que não esteja na faixa etária dos 60 anos. No caso de Tadeu houve uma exceção, já que o parlamentar tem 40 anos. Para quem conhece bem o embate nesse tipo de circunstância, o tema está em aberto, pois são somente especulações e conjecturas. Na semana passada, uma situação foi revelada, referente a uma articulação para encaminhar o atual deputado e ex-presidente da Casa, Adalclever Lopes. Os defensores dessa proposta de candidatura têm pressa, pois caso isso não se resolva até o meio do ano, Lopes terá de disputar a reeleição para mais um mandato. E neste roteiro eleitoral, tudo pode acontecer, inclusive o infortúnio da sua não continuidade como representante do povo mineiro. Outro nome tido como prestigiado pelos seus pares é o do deputado Thiago Cota. Mas, desta feita, ocorre o contrário. Seus opositores ironizam: “ele conseguiu apoio de setores produtivos de Minas para alavancar o seu projeto, porém, a ajuda externa em nada adiantou, e hoje, essa pretensão se revela desidratada”. As insinuações elencadas no limiar de 2026 continuam. Por exemplo, a parlamentar Ione Pinheiro continua categorizando: “eu mereço ser eleita Conselheira, por ser uma mulher a participar da Corte de Contas”. O deputado Tito Torres já tem o prestígio de seu pai, Mauri Torres, o ex-conselheiro. O deputado João Magalhães é o líder do Governo e sua indicação também agradaria ao Palácio Tiradentes.

A guerra também é nossa

Paralelo ao conflito Irã, Estados Unidos e Israel, forjou-se nas escamas inferiores do episódio, uma guerra de narrativa ao estilo da época do nazismo, na Alemanha, onde a propaganda era mais eficiente do que propriamente as ações dos embates bélicos. Na batalha de agora, as redes sociais propagam coisas que nem sempre condizem com a realidade dos fatos. Até porque, a inteligência artificial pode distorcer as informações verídicas a respeito do conflito armado. Criam-se imagens fictícias, enquanto pessoas morrem nos campos da batalha. O brasileiro não gosta muito de se ater a temas internacionais, possivelmente por entender que o certame acontece a milhares de quilômetros do Brasil. Só que todos estão sofrendo os efeitos da aludida guerra, por conta do aumento dos preços, especialmente dos combustíveis. Lamentavelmente, vale dizer que esse conflito bélico também passou a ser nosso. Analistas falam em impactos na economia brasileira, com gradual majoração dos percentuais da inflação. Não carece ser matemático e estudioso no assunto para constatar que o aumento causa impacto nas gôndolas dos supermercados, afetando a camada menos abastada da população. No país dos caminhoneiros, cuja categoria transporta quase 100% da produção de grãos e alimentos, a disparada do preço do diesel é central na composição do custo, trazendo reflexo imediato no bolso de todos. Resta esperar pelo bom senso dos governantes para minimizar a contenda. Parece ser acertada a medida do governo federal de subsidiar parte do preço do diesel, como forma de evitar o repasse aos consumidores/motoristas dos valores concebidos pelo mercado internacional. É claro que algo deve ser feito, mas é necessário o envolvimento dos agentes públicos de maneira mais tenaz, como aumentar a linha de produção do petróleo em terras brasileiras, se valendo da expertise da Petrobras. Isso poderia diminuir a dependência internacional referente ao impacto de combustíveis. Até mesmo com relação ao melhoramento dos aspectos atinentes à soberania de nossa nação. Aos pobres mortais brasileiros, resta almejar pelo desfecho rápido dessa escalada bélica que só traz violência, morte e desassossego.

Obras da Vale ou do governo?

O fatídico desabamento da Barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho, em 2019, certamente provocou traumas em mais de 200 famílias, que perderam as vidas de seus parentes e amigos. Propala-se que foi o maior desastre ecológico de todos os tempos, deixando marcas também no meio ambiente, diante da poluição do lençol freático da região, especialmente junto à comunidade local. Na sequência aos acontecimentos, a Vale, empresa responsável pelo complexo de então, fez um Acordo de Reparação com o Governo de Minas de R$ 37,6 bilhões. Os valores tinham como objetivo financiar reparos dos estragos provocados pelo derramamento de rejeito, mas grande parte do volume era para realizar obras de infraestrutura. Uma espécie de indenização ao governo mineiro, pelos atos emergenciais após a tragédia, com envolvimento de diversos profissionais que por meses a fio se dedicaram a atender aos envolvidos no episódio. Pelo contrato elaborado entre as partes, as obras a serem tocadas pelo Poder Executivo mineiro deveriam conter a assinatura da mineradora como copatrocinadora dos feitos. Desde que começou a receber os valores, o então governador Romeu Zema (Novo) fez vista grossa, e propalou sobre diversas realizações como se estivessem ocorrendo por conta da injeção de recursos somente do Tesouro Estadual. De maneira mórbida de pensar, o desastre na Barragem Córrego do Feijão foi uma oportunidade para turbinar o caixa do Executivo estadual, que naquela época padecia de uma situação de penúria, com atrasos de pagamento a fornecedores e folha de pessoal. Com esse colchão financeiro aportado de maneira não ortodoxa, Zema teve a oportunidade de incrementar uma administração com o viés de bom pagador. De lá para cá, muitas foram as obras iniciadas e outras apenas projetadas. A polêmica atual gira em torno dos famosos e eleitoreiros Hospitais Regionais. Trata-se de um feito onde o poder público, ou apenas a instância estadual, se revela meramente tocador de obras, porém, todas levadas a efeito por conta do já mencionado Acordo de Reparação. Por não ser mais governador, Romeu Zema poderia deixar esse assunto de maneira mais límpida, para não ficar a impressão de ter havido um oportunismo público/administrativo às custas do sangue de vítimas fatais. O tema é polêmico, mas em um futuro não muito distante, será retratado pelos escritores e historiadores.

Queda no consumo de álcool

A juventude do século 21, certamente não está querendo se associar aos adolescentes de outrora, quando o consumo de álcool fazia parte da fantasia de um mundo colorido, cortejado por grande parte desse grupo. Para sustentar essa tese, uma pesquisa mostrou que 64% dos entrevistados entre 18 e 24 anos não ingeriram bebidas alcoólicas no ano passado. O resultado é positivo, levando em consideração que o percentual era de 46% em 2023. As informações são da pesquisa Ipsos-Ipec, encomendada pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) para a sétima edição da publicação “Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025”. Médicos especializados afiançam uma mudança de valores, visto que durante muito tempo o álcool teve um papel central na socialização, associado à ideia de se aproveitar a vida em festas e encontros frequentes. Só que no momento, os jovens têm cuidado mais da saúde mental e do próprio corpo. Eles priorizam a prática de atividades físicas, atenção à higiene e às horas de sono, além de alimentação equilibrada, preservando o caminho de uma vida mais saudável. Indubitavelmente, os jovens do passado, “viciados” em barzinhos, agora avaliam como importante aproveitar parte do seu tempo para também frequentar as academias. A conscientização sobre o consumo moderado do produto faz conexão com as avaliações médicas, constando uma mudança na cultura da sociabilização, deixando de lado o foco de encontros apenas para beber. Esse novo rumo para o cotidiano dessas pessoas certamente terá efeitos positivos no médio e longo prazo, impactando inclusive na saúde pública, diante da possibilidade de menos doenças relacionadas ao álcool. Como já dito, a nova filosofia proporciona um melhor estilo de vida, disseminando a chance de autocontrole e equilíbro emocional. Ainda sobre esse tema, tem a opinião da psicóloga clínica Karen Lourenço. Ela avalia que uma das explicações para essa queda de consumo está em uma mudança de valores entre gerações. Existe ainda uma preocupação maior com a própria imagem e com o desempenho pessoal, algo influenciado pelas redes sociais. Afinal, existe vida salutar para além desse abominável vício.

Zema e a política nacional

A decisão do governador Romeu Zema (Novo) de abdicar do cargo para tentar voos mais significativos na política nacional, efetivamente, é uma audácia que só cabe aos grandes nomes da vida pública. É salutar essa atitude do chefe do Executivo mineiro, pois isso deixa claro quanto a revitalização da democracia em nosso país. Tendo como base as pesquisas eleitorais realizadas por diversos institutos, a popularidade de Zema nunca alcançou mais de 9%. Essa realidade o deixa em desvantagem em relação aos demais postulantes à Presidência da República na peleja deste ano. Ele ficou atrás de outros pré-candidatos, como os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD); do Paraná, Ratinho Júnior (PSD); e de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). Sua excelência enveredou pelo viés ideológico, demonstrando conexão com a direita. Porém, esse caminho está congestionado, especialmente depois da decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL) em disponibilizar o seu nome para a peleja presidencial de 2026. Isso deixou o político mineiro sem apoio dos bolsonaristas, que foram fundamentais na eleição e reeleição do titular do Palácio Tiradentes. Ao propor esse projeto de envergadura nacional, ficou órfão dos eleitores do ex-presidente, cuja maioria está engajada na candidatura de Flávio, conforme demonstram as primeiras sondagens. Nos bastidores, há uma convicção insinuando ser a falta de ação de Zema, visando estabelecer uma aliança forte nos meandros políticos em Minas e no Brasil. Quis usar o seu jeito simples de atuar como chefe do Executivo estadual. Como sua administração não foi coroada de êxito do ponto de vista de realizações, a sua estratégia terminou por cair no vazio. Agora terá de arcar com as consequências. Quando o assunto é a disputa rumo ao Planalto, Flávio Bolsonaro e Lula (PT) são nomes com mais avaliação positiva. Zema está colhendo uma possível derrota eleitoral em sua própria Casa, se insistir em manter a empreitada rumo a Brasília. Em síntese, Romeu Zema lutou com todas as suas convicções, mas não se projetou como uma liderança forte no cenário político nacional. O pleito ainda está em aberto e o eminente governador pode reverter a sua situação desfavorável. É importante o eleitor de Minas ficar atento nesse jogo, cuja partida está apenas no seu pontapé inicial.

Transporte coletivo X Políticos

Especialistas ouvidos por nossa reportagem avaliam como positiva a possibilidade de implementação do Marco Legal do Transporte Público Coletivo no Brasil (PL 3.278/21), projeto que deve ser votado no Congresso Nacional nas próximas semanas. O tema deve incrementar os discursos políticos, especialmente do pré-candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). É o que consta nos bastidores em Brasília. Para além do interesse político, o advogado e conselheiro do Instituto Brasileiro de Estudos Técnicos Avançados (IBETA), Marcello Lauer, considera que o PL 3.278/21 tem em seu bojo uma espécie de oxigenação para o setor de transporte coletivo nacional, a partir da possibilidade de municípios utilizarem outras fontes de financiamento para ajudar a reduzir o custo das tarifas. Ele também avalia como positivo o debate sobre o tema, pois o Marco Legal exige critérios claros de transparência para reajustes tarifários. Concluindo o seu raciocínio, Marcello Lauer vaticina que a falta de transparência e de modelagem econômica ainda é um dos principais problemas dos sistemas de transporte no país. Sem muita convicção do que possa acontecer a partir do debate, o diretor-presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Francisco Christovam, opina que a proposta surge após anos de deterioração financeira dos sistemas de transporte coletivo. A situação ficou ainda mais complicada a partir da pandemia, com forte queda na arrecadação das empresas. Por todas essas razões, Francisco Christovam entende não ser mais possível continuar alimentando o atual sistema apenas com a tarifa paga pelos passageiros. É importante haver uma discussão mais completa no projeto a ser implementado, para estimular maior planejamento dos sistemas de transporte e revisão das redes de linhas, contratos e modelos operacionais. A sociedade deve se lembrar que o transporte coletivo sempre esteve na mira da imprensa, tanto em Belo Horizonte quanto no Brasil, como um dos feudos financiadores de políticos, especialmente de vereadores quando estão em campanha política. Agora que tudo está indo por água abaixo, os empresários querem dividir as mazelas com o poder público. Fiquemos todos de olhos bem abertos para evitar as investidas de espertalhões.

Distribuição de riquezas

A capacidade do Brasil em produzir riquezas e repartir os benefícios de maneira justa e razoável encontra gargalos complexos. Um deles é a sanha pela fortuna de muitos empresários que só pensam em aumentar seus patrimônios. Depois ocorre um viés político, onde o caminho visa o incremento dos ganhos pelos patrões, ao mesmo tempo que minimiza a distribuição dos resultados positivos para seus empregados. Os bons salários de empregados em empresas sólidas fazem conexão com a realidade relativamente à repartição dos ganhos, concebendo as chances de turbinar a economia do país. Alguns dirigentes do setor público dizem que a melhoria dos valores pagos a quem produz é a maneira mais democrática de distribuição das prosperidades. Por ser um país com desigualdades, o Brasil encontra dificuldade para atender às demandas aqui elencadas. A economia nacional não se desenvolve como deveria por uma série de pormenores, como explica a economista do trabalho, Helena Duarte. Em sua avaliação, a discrepância salarial reflete a lógica de oferta e demanda. Ela enumera que áreas técnicas requerem qualificação formal e as empresas pagam mais para atrair e reter talentos. Já as funções operacionais costumam exigir menor tempo de formação e pressionam os salários para baixo. O sociólogo André Nascimento observa que há barreiras estruturais importantes, como a desigualdade educacional, ingresso precoce no mercado de trabalho e baixa renda familiar. Na concepção do profissional, muitas pessoas precisam trabalhar desde cedo e não conseguem investir tempo nos estudos, o que contribui para perpetuar o ciclo. Para minimizar esse cenário, especialistas defendem ações articuladas entre governo, empresas e instituições de ensino, inclusive com a proposta de ampliação dos programas de formação técnica gratuita e incentivo à participação de escolas em sistema de educação continuada. A economia brasileira ainda é fortemente baseada na prestação de serviços. Esse patamar de destaque como empregado, certamente não depende dos interesses de quem vai ser contratado. Isso está em sintonia com a necessidade de investimento em educação, para aumentar a renda per capita dos brasileiros. No modelo de hoje, empresários e financistas concentram 80% do giro econômico. A verdade é que continuará existindo uma enorme desigualdade social. Para mudar esse perfil, somente quando acontecer a junção dessas ações.

Novo capítulo da BR-381

Chegou o ano eleitoral e continua somente na promessa a expectativa de remoção das famílias que residem às margens da BR-381, no trecho de 43 quilômetros entre Belo Horizonte e Caeté. Enquanto o assunto espera uma solução, segundo informações da Polícia Rodoviária Federal, foram registrados dezenas de acidentes na localidade, inclusive fatais, durante o período de Carnaval. Essa cena se repete há 30 anos, e cada presidente da República em campanha promete uma resolução definitiva para o certame. No atual governo, o assunto conseguiu evoluir e já se percebem melhorias na pista de Caeté até Governador Valadares, enquanto as obras de infraestrutura continuam sendo executadas. O gargalo desse imbróglio pode significar falta de tato das autoridades para resolver essa situação. Na extensão entre a capital mineira e Caeté, a demanda ficou a cargo do governo federal. Existem famílias que vivem no local há décadas e resistem em sair de lá, seja por motivos econômicos ou por não saberem para onde serão levadas. Por seu turno, o poder público alega possuir os terrenos destinados à construção das novas moradias dos inquilinos. O fato é que esse tema garantindo o início da duplicação e correção das pistas é desgastante, hibernado na burocracia estatal há anos. Toda vez que parece chegar a um acordo, entram em cena os parlamentares ligados aos movimentos sociais e o debate se estende ao Judiciário. Por conta dessa realidade, o Vale do Aço deixa de crescer pela falta de estrutura para escoamento dos produtos da região. Os atores envolvidos nesse capítulo carecem de aproveitar a boa vontade política para encontrar um caminho definitivo para essa celeuma. Se isso não for concebido nesse primeiro semestre, ficará impossível sanar a demanda no espaço da campanha eleitoral de 2026. Não falta mais nada a debater nesse assunto que vem sendo tratado pela imprensa como um conflito, onde motoristas e passageiros são as vítimas constantes, além do prejuízo para quem tem os seus veículos destroçados nas inúmeras curvas dessa fatídica Rodovia da Morte.

Defensor dos ricos

Está se aproximando o prazo estabelecido pela legislação eleitoral para o afastamento de cargos públicos das autoridades que estejam interessadas em disputar o pleito majoritário deste ano. Neste sentido, apenas quem almeja concorrer à reeleição está autorizado a continuar, sem abrir mão de sua função. Um privilégio para poucos, diga-se de passagem. No contexto dessa realidade, anuncia-se a intenção do governador Romeu Zema (Novo) abdicar de suas atribuições daqui a 60 dias, para empreender novos horizontes em seu projeto político. Segundo propalado pela imprensa, o chefe do Executivo pretende testar a sua popularidade como candidato à Presidência da República. É um desafio, visto que nenhum mineiro conseguiu ostentar a faixa presidencial nas últimas décadas. Há 12 anos, o tucano Aécio Neves disputou a peleja nacional por uma pequena margem de votos, mas terminou sendo derrotado por Dilma Rousseff (PT) à época. Está na hora de nomes de Minas Gerais serem incentivados a assumir protagonismo no cenário político brasileiro. O momento é oportuno para isso, até mesmo para evitar a volúpia de forasteiros, como deve ser o propósito do ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha. Ele deseja ser um paladino dos bons costumes e falar à nação como um autêntico mineiro. Relativamente ao pleito presidencial deste ano, jornalistas da crônica política mineira pontuam ser legítima a pretensão de Zema em conquistar o Palácio do Planalto. Segundo os comunicadores, o difícil será o empresário ter escamas suficientes para mostrar sua outra face. Ao ser eleito para comandar o Palácio Tiradentes, o governador sempre fez questão de se postar ao lado de dirigentes do segmento produtivo, passando a impressão de completa afinidade. Esse elo fez sentido nos sete anos de sua gestão, porém, o voto do pobre vale o mesmo peso do rico. Se tem a intenção de ser reconhecido pela grande massa, Zema terá de abandonar as benesses do poder para se embrenhar pelas comunidades e entender as demandas dessa gente. Com certeza, não sobrou espaço em sua agenda cotidiana. Cabe rememorar que o projeto dele está muito galgado na ideologia política de direita. Isso não possibilitou fazer o “dever de casa”, qual seja conceber espaço para diálogo com os descamisados. Zema pode ter muitas boas qualidades, mas não atende às demandas dessa ordem. Quem sabe se mudar de atitude ainda pode ser respeitado pelos eleitores de Minas e do Brasil.

PBH e o SUS

Por meio de entrevista à imprensa, o prefeito Álvaro Damião (União Brasil) esclareceu as divergências entre a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e as entidades conveniadas com o Sistema Único de Saúde (SUS), cabendo à municipalidade a responsabilidade de realizar os repasses financeiros, atendendo acordo com os governos federal e estadual. Segundo Damião, não existe atraso de repasses para quitar os compromissos entre os conveniados e a PBH. “Havia uma folga de caixa por conta de um dinheiro suplementar desde a época da pandemia. Esse valor a mais, para além do compromisso conveniado, é apenas um ‘abono’, não havendo obrigatoriedade da Prefeitura em depositar mensalmente os boletos bancários”, pontuou. Ao prestar informações a uma emissora de rádio, o prefeito citou o enorme contingente de enfermos provenientes de outras cidades, o que desequilibra o serviço nas unidades de saúde mantidas pela Prefeitura de Belo Horizonte. Essa demanda “externa” compromete o bom atendimento aos pacientes cadastrados apenas em BH. E não há possibilidade de deixar de acolher algum doente, pois a lei é clara: o sistema é universal. Em sua retrospectiva sobre as demandas dos hospitais e outras instituições conveniadas, Damião esclareceu que 31% dos impostos arrecadados pela PBH são destinados ao pagamento do Sistema Único de Saúde do município. Ele prometeu diálogo com os representantes das instituições e disse que todos os compromissos com eles foram quitados. Nos meandros políticos, insinuações sugerem que uma das possibilidades para resolver essa demanda seria o prefeito se valer de um bom relacionamento com o Palácio do Planalto, para amealhar mais verbas de Brasília e conseguir atender às questões dos conveniados. É conveniente registrar que em apenas em alguns meses do ano passado, o Sistema de Saúde Público da capital mineira totalizou mais de 6 milhões de atendimentos, tanto na rede conveniada quanto nos espaços próprios. Para esse ano, ainda há um projeto para aumentar a quantidade de equipes da Saúde da Família. O tema é complexo, mas carece ser debatido com clareza para não ficar apenas no âmbito dos discursos. Afinal, portadores de doenças e pacientes com urgências médicas nem sempre podem esperar pela solução das pendências dos administradores.