Zema e a política nacional
A decisão do governador Romeu Zema (Novo) de abdicar do cargo para tentar voos mais significativos na política nacional, efetivamente, é uma audácia que só cabe aos grandes nomes da vida pública. É salutar essa atitude do chefe do Executivo mineiro, pois isso deixa claro quanto a revitalização da democracia em nosso país. Tendo como base as pesquisas eleitorais realizadas por diversos institutos, a popularidade de Zema nunca alcançou mais de 9%. Essa realidade o deixa em desvantagem em relação aos demais postulantes à Presidência da República na peleja deste ano. Ele ficou atrás de outros pré-candidatos, como os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD); do Paraná, Ratinho Júnior (PSD); e de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). Sua excelência enveredou pelo viés ideológico, demonstrando conexão com a direita. Porém, esse caminho está congestionado, especialmente depois da decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL) em disponibilizar o seu nome para a peleja presidencial de 2026. Isso deixou o político mineiro sem apoio dos bolsonaristas, que foram fundamentais na eleição e reeleição do titular do Palácio Tiradentes. Ao propor esse projeto de envergadura nacional, ficou órfão dos eleitores do ex-presidente, cuja maioria está engajada na candidatura de Flávio, conforme demonstram as primeiras sondagens. Nos bastidores, há uma convicção insinuando ser a falta de ação de Zema, visando estabelecer uma aliança forte nos meandros políticos em Minas e no Brasil. Quis usar o seu jeito simples de atuar como chefe do Executivo estadual. Como sua administração não foi coroada de êxito do ponto de vista de realizações, a sua estratégia terminou por cair no vazio. Agora terá de arcar com as consequências. Quando o assunto é a disputa rumo ao Planalto, Flávio Bolsonaro e Lula (PT) são nomes com mais avaliação positiva. Zema está colhendo uma possível derrota eleitoral em sua própria Casa, se insistir em manter a empreitada rumo a Brasília. Em síntese, Romeu Zema lutou com todas as suas convicções, mas não se projetou como uma liderança forte no cenário político nacional. O pleito ainda está em aberto e o eminente governador pode reverter a sua situação desfavorável. É importante o eleitor de Minas ficar atento nesse jogo, cuja partida está apenas no seu pontapé inicial.
Transporte coletivo X Políticos
Especialistas ouvidos por nossa reportagem avaliam como positiva a possibilidade de implementação do Marco Legal do Transporte Público Coletivo no Brasil (PL 3.278/21), projeto que deve ser votado no Congresso Nacional nas próximas semanas. O tema deve incrementar os discursos políticos, especialmente do pré-candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). É o que consta nos bastidores em Brasília. Para além do interesse político, o advogado e conselheiro do Instituto Brasileiro de Estudos Técnicos Avançados (IBETA), Marcello Lauer, considera que o PL 3.278/21 tem em seu bojo uma espécie de oxigenação para o setor de transporte coletivo nacional, a partir da possibilidade de municípios utilizarem outras fontes de financiamento para ajudar a reduzir o custo das tarifas. Ele também avalia como positivo o debate sobre o tema, pois o Marco Legal exige critérios claros de transparência para reajustes tarifários. Concluindo o seu raciocínio, Marcello Lauer vaticina que a falta de transparência e de modelagem econômica ainda é um dos principais problemas dos sistemas de transporte no país. Sem muita convicção do que possa acontecer a partir do debate, o diretor-presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Francisco Christovam, opina que a proposta surge após anos de deterioração financeira dos sistemas de transporte coletivo. A situação ficou ainda mais complicada a partir da pandemia, com forte queda na arrecadação das empresas. Por todas essas razões, Francisco Christovam entende não ser mais possível continuar alimentando o atual sistema apenas com a tarifa paga pelos passageiros. É importante haver uma discussão mais completa no projeto a ser implementado, para estimular maior planejamento dos sistemas de transporte e revisão das redes de linhas, contratos e modelos operacionais. A sociedade deve se lembrar que o transporte coletivo sempre esteve na mira da imprensa, tanto em Belo Horizonte quanto no Brasil, como um dos feudos financiadores de políticos, especialmente de vereadores quando estão em campanha política. Agora que tudo está indo por água abaixo, os empresários querem dividir as mazelas com o poder público. Fiquemos todos de olhos bem abertos para evitar as investidas de espertalhões.
Distribuição de riquezas
A capacidade do Brasil em produzir riquezas e repartir os benefícios de maneira justa e razoável encontra gargalos complexos. Um deles é a sanha pela fortuna de muitos empresários que só pensam em aumentar seus patrimônios. Depois ocorre um viés político, onde o caminho visa o incremento dos ganhos pelos patrões, ao mesmo tempo que minimiza a distribuição dos resultados positivos para seus empregados. Os bons salários de empregados em empresas sólidas fazem conexão com a realidade relativamente à repartição dos ganhos, concebendo as chances de turbinar a economia do país. Alguns dirigentes do setor público dizem que a melhoria dos valores pagos a quem produz é a maneira mais democrática de distribuição das prosperidades. Por ser um país com desigualdades, o Brasil encontra dificuldade para atender às demandas aqui elencadas. A economia nacional não se desenvolve como deveria por uma série de pormenores, como explica a economista do trabalho, Helena Duarte. Em sua avaliação, a discrepância salarial reflete a lógica de oferta e demanda. Ela enumera que áreas técnicas requerem qualificação formal e as empresas pagam mais para atrair e reter talentos. Já as funções operacionais costumam exigir menor tempo de formação e pressionam os salários para baixo. O sociólogo André Nascimento observa que há barreiras estruturais importantes, como a desigualdade educacional, ingresso precoce no mercado de trabalho e baixa renda familiar. Na concepção do profissional, muitas pessoas precisam trabalhar desde cedo e não conseguem investir tempo nos estudos, o que contribui para perpetuar o ciclo. Para minimizar esse cenário, especialistas defendem ações articuladas entre governo, empresas e instituições de ensino, inclusive com a proposta de ampliação dos programas de formação técnica gratuita e incentivo à participação de escolas em sistema de educação continuada. A economia brasileira ainda é fortemente baseada na prestação de serviços. Esse patamar de destaque como empregado, certamente não depende dos interesses de quem vai ser contratado. Isso está em sintonia com a necessidade de investimento em educação, para aumentar a renda per capita dos brasileiros. No modelo de hoje, empresários e financistas concentram 80% do giro econômico. A verdade é que continuará existindo uma enorme desigualdade social. Para mudar esse perfil, somente quando acontecer a junção dessas ações.
Novo capítulo da BR-381
Chegou o ano eleitoral e continua somente na promessa a expectativa de remoção das famílias que residem às margens da BR-381, no trecho de 43 quilômetros entre Belo Horizonte e Caeté. Enquanto o assunto espera uma solução, segundo informações da Polícia Rodoviária Federal, foram registrados dezenas de acidentes na localidade, inclusive fatais, durante o período de Carnaval. Essa cena se repete há 30 anos, e cada presidente da República em campanha promete uma resolução definitiva para o certame. No atual governo, o assunto conseguiu evoluir e já se percebem melhorias na pista de Caeté até Governador Valadares, enquanto as obras de infraestrutura continuam sendo executadas. O gargalo desse imbróglio pode significar falta de tato das autoridades para resolver essa situação. Na extensão entre a capital mineira e Caeté, a demanda ficou a cargo do governo federal. Existem famílias que vivem no local há décadas e resistem em sair de lá, seja por motivos econômicos ou por não saberem para onde serão levadas. Por seu turno, o poder público alega possuir os terrenos destinados à construção das novas moradias dos inquilinos. O fato é que esse tema garantindo o início da duplicação e correção das pistas é desgastante, hibernado na burocracia estatal há anos. Toda vez que parece chegar a um acordo, entram em cena os parlamentares ligados aos movimentos sociais e o debate se estende ao Judiciário. Por conta dessa realidade, o Vale do Aço deixa de crescer pela falta de estrutura para escoamento dos produtos da região. Os atores envolvidos nesse capítulo carecem de aproveitar a boa vontade política para encontrar um caminho definitivo para essa celeuma. Se isso não for concebido nesse primeiro semestre, ficará impossível sanar a demanda no espaço da campanha eleitoral de 2026. Não falta mais nada a debater nesse assunto que vem sendo tratado pela imprensa como um conflito, onde motoristas e passageiros são as vítimas constantes, além do prejuízo para quem tem os seus veículos destroçados nas inúmeras curvas dessa fatídica Rodovia da Morte.
Defensor dos ricos
Está se aproximando o prazo estabelecido pela legislação eleitoral para o afastamento de cargos públicos das autoridades que estejam interessadas em disputar o pleito majoritário deste ano. Neste sentido, apenas quem almeja concorrer à reeleição está autorizado a continuar, sem abrir mão de sua função. Um privilégio para poucos, diga-se de passagem. No contexto dessa realidade, anuncia-se a intenção do governador Romeu Zema (Novo) abdicar de suas atribuições daqui a 60 dias, para empreender novos horizontes em seu projeto político. Segundo propalado pela imprensa, o chefe do Executivo pretende testar a sua popularidade como candidato à Presidência da República. É um desafio, visto que nenhum mineiro conseguiu ostentar a faixa presidencial nas últimas décadas. Há 12 anos, o tucano Aécio Neves disputou a peleja nacional por uma pequena margem de votos, mas terminou sendo derrotado por Dilma Rousseff (PT) à época. Está na hora de nomes de Minas Gerais serem incentivados a assumir protagonismo no cenário político brasileiro. O momento é oportuno para isso, até mesmo para evitar a volúpia de forasteiros, como deve ser o propósito do ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha. Ele deseja ser um paladino dos bons costumes e falar à nação como um autêntico mineiro. Relativamente ao pleito presidencial deste ano, jornalistas da crônica política mineira pontuam ser legítima a pretensão de Zema em conquistar o Palácio do Planalto. Segundo os comunicadores, o difícil será o empresário ter escamas suficientes para mostrar sua outra face. Ao ser eleito para comandar o Palácio Tiradentes, o governador sempre fez questão de se postar ao lado de dirigentes do segmento produtivo, passando a impressão de completa afinidade. Esse elo fez sentido nos sete anos de sua gestão, porém, o voto do pobre vale o mesmo peso do rico. Se tem a intenção de ser reconhecido pela grande massa, Zema terá de abandonar as benesses do poder para se embrenhar pelas comunidades e entender as demandas dessa gente. Com certeza, não sobrou espaço em sua agenda cotidiana. Cabe rememorar que o projeto dele está muito galgado na ideologia política de direita. Isso não possibilitou fazer o “dever de casa”, qual seja conceber espaço para diálogo com os descamisados. Zema pode ter muitas boas qualidades, mas não atende às demandas dessa ordem. Quem sabe se mudar de atitude ainda pode ser respeitado pelos eleitores de Minas e do Brasil.
PBH e o SUS
Por meio de entrevista à imprensa, o prefeito Álvaro Damião (União Brasil) esclareceu as divergências entre a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e as entidades conveniadas com o Sistema Único de Saúde (SUS), cabendo à municipalidade a responsabilidade de realizar os repasses financeiros, atendendo acordo com os governos federal e estadual. Segundo Damião, não existe atraso de repasses para quitar os compromissos entre os conveniados e a PBH. “Havia uma folga de caixa por conta de um dinheiro suplementar desde a época da pandemia. Esse valor a mais, para além do compromisso conveniado, é apenas um ‘abono’, não havendo obrigatoriedade da Prefeitura em depositar mensalmente os boletos bancários”, pontuou. Ao prestar informações a uma emissora de rádio, o prefeito citou o enorme contingente de enfermos provenientes de outras cidades, o que desequilibra o serviço nas unidades de saúde mantidas pela Prefeitura de Belo Horizonte. Essa demanda “externa” compromete o bom atendimento aos pacientes cadastrados apenas em BH. E não há possibilidade de deixar de acolher algum doente, pois a lei é clara: o sistema é universal. Em sua retrospectiva sobre as demandas dos hospitais e outras instituições conveniadas, Damião esclareceu que 31% dos impostos arrecadados pela PBH são destinados ao pagamento do Sistema Único de Saúde do município. Ele prometeu diálogo com os representantes das instituições e disse que todos os compromissos com eles foram quitados. Nos meandros políticos, insinuações sugerem que uma das possibilidades para resolver essa demanda seria o prefeito se valer de um bom relacionamento com o Palácio do Planalto, para amealhar mais verbas de Brasília e conseguir atender às questões dos conveniados. É conveniente registrar que em apenas em alguns meses do ano passado, o Sistema de Saúde Público da capital mineira totalizou mais de 6 milhões de atendimentos, tanto na rede conveniada quanto nos espaços próprios. Para esse ano, ainda há um projeto para aumentar a quantidade de equipes da Saúde da Família. O tema é complexo, mas carece ser debatido com clareza para não ficar apenas no âmbito dos discursos. Afinal, portadores de doenças e pacientes com urgências médicas nem sempre podem esperar pela solução das pendências dos administradores.
Internet e o desemprego
As grandes e médias empresas propalam com muita ênfase a dificuldade em conseguir empregados, cuja oferta de vagas está sempre acima da procura pelos postos. Essa realidade está prejudicando a produtividade nos mais diversos ramos de atividade, principalmente na construção civil, tido como um carro-chefe no desenvolvimento da economia brasileira. No mundo inteiro, os avanços da tecnologia fizeram com que acontecessem mudanças fenomenais, inclusive no item relacionado à geração de emprego. No Brasil, as projeções sinalizam para uma estatística anual de 150 mil vagas. Muitos que poderiam ser encaixados em atividades diversas ostentam a faixa etária entre 20 e 40 anos, preferem não aceitar as ofertas do mercado formal e utilizar aplicativos, criando um ambiente próprio de tarefas, sem compromisso com os tradicionais horários de trabalho e sem carteira assinada. Os números recentes da Fundação Getúlio Vargas pontuam que 62,3% das empresas brasileiras estão encontrando dificuldade de contratar e reter os interessados no contrato laboral formal. Essas informações corroboram com uma notícia divulgada aqui mesmo no Edição do Brasil, cujo conteúdo dizia que para cada dez milhões de empregos gerados pelas plataformas conectadas à internet, haveria uma média de 12 milhões de desempregados. Para o economista Ricardo Paixão, a realidade de agora indica muitos caminhos a serem seguidos pelo setor produtivo/empresarial, como a necessidade de melhorias salariais para atrair mais pessoas. Essa possibilidade poderia recair no bolso do consumidor. Esse dilema está sendo narrado para enumerar o grau de dificuldade nas áreas do comércio e prestação de serviços. Certamente, vale mencionar que no propalado agronegócio, os desafios para preencher vagas ocorrem na mesma dinâmica das demandas do setor urbano. Aliás, os grandes produtores apostam cada vez mais na modernidade e na tecnologia para atender às suas colheitas, porém, as máquinas nem sempre funcionam sozinhas e a mão do homem se faz necessária.
Inadimplência em BH
Do alto de sua experiência como presidente da CDL/BH e do Sebrae Minas, o empresário Marcelo de Souza e Silva aconselha os consumidores que continuam gastando de maneira desordenada. Ele enumera sobre a importância de um planejamento financeiro para as coisas não saírem do controle. A sua recomendação tem a ver com a informação apontando que o índice de inadimplência em dezembro passado cresceu 5,86% na comparação com o mesmo período de 2024. Esse planejamento de gastos seria importante para fazer conexão com as projeções da economia, sinalizando positivamente para a possibilidade de um leve barateamento do crédito, crescimento moderado, diminuição da taxa Selic e um aquecimento do mercado de trabalho. Os dados disponibilizados pela entidade apontam um montante de duas dívidas por CPF e um valor médio de R$ 5.565,29, sendo que os belo-horizontinos entre 34 e 40 anos são a maioria dos inadimplentes (46,52%). Esse comportamento pode ser explicado por fatores econômicos e demográficos, visto que essa faixa etária representa o período de maior atividade econômica e acúmulo de responsabilidade financeira, como aquisição de bens de maior valor (casas, veículos) e o sustento da família, o que amplia tanto o acesso ao crédito quanto o endividamento. Já as faixas mais jovens e as mais idosas apresentam níveis reduzidos de comprometimento, favorecendo uma situação de maior dificuldade de conseguir crédito e também do endividamento. Embora na comparação com Minas Gerais (8,56%) e com o país (10,17%) a inadimplência na capital mineira seja menor, a CDL/BH rememora que algumas atitudes no dia a dia podem fazer a diferença para os consumidores. Por exemplo, controlar receitas e despesas, organizar os gastos por categoria e priorizar o pagamento de dívidas com juros mais altos. Para Marcelo de Souza e Silva, a alta da inadimplência de dezembro está ligada aos gastos com festas, compra de presentes e despesas das comemorações de fim de ano. Em síntese, o cenário é propício para hábitos financeiros mais saudáveis. A aquisição de brindes e despesas com comemorações são essenciais na vida das famílias, mas os itens poderiam ser adquiridos de maneira a não comprometer o orçamento dos autores das demandas. Um pouco de prudência é sempre recomendado nessas horas.
Zema, ontem e hoje
Os mais conectados com a realidade política mineira vão se lembrar das atitudes do governador Romeu Zema (Novo), ao bradar que seria um dirigente diferente. Em seu primeiro mandato, propôs enquadrar os deputados estaduais, pois em sua avaliação à época, os parlamentares estavam viciados em favores do Executivo e os ditos privilégios seriam cortados de imediato. Esse mesmo discurso aconteceu em reunião no Tribunal de Contas do Estado, quando Zema prometeu fazer chegar até aquela Corte a sua orientação de uma administração sem “mordomias”. A sua assessoria ainda não conseguiu apagar o incêndio causado por uma informação veiculada pela imprensa do Brasil inteiro. Para manter uma pré-campanha à Presidência da República, o político estadual teria utilizado os aviões oficiais de maneira exagerada, contabilizando uma média de 198 horas de voo no ano passado, a um custo de R$ 1,5 milhão, dinheiro do contribuinte. Essa informação está no Portal da Transparência. Quando assumiu o Palácio Tiradentes, dispensou a moradia no Palácio das Mangabeiras. Informações de bastidores apontam que o esquema de segurança institucional, montado para proteger o chefe do Executivo em sua residência particular, teria ficado além da cifra necessária para a manutenção do status quo. Os mineiros ainda se recordam da promessa de não receber salários de governador. Depois de um ano e meio de administração, voltou atrás e começou a ser beneficiado com os valores. Há cerca de um ano, houve a majoração dos vencimentos de Zema, cujo projeto recebeu o aval da Assembleia Legislativa. A síntese dessas anotações tem a ver com a mudança de rumo no projeto político do governador. Ele nunca comprovou ter votos próprios suficientes para conquistar seus mandatos, uma vez que o sucesso nas urnas está conectado à sua ligação com o bolsonarismo. Agora, aposta na pré-candidatura a presidente. Utilizando o prestígio do atual cargo, tem realizado viagens e feito contatos em todo o país. Como a sua pré-candidatura ainda é apenas uma “esperança”, Zema teria tomado a decisão de se afastar do governo no final do prazo permitido pela lei, ao contrário do anunciado no ano passado. Inicialmente, a ideia era abrir espaço para o projeto de seu vice-governador, Mateus Simões (PSD). Sai de cena o homem simples, do Triângulo Mineiro, para um retrato de um cidadão vaidoso e que almeja se postar como um líder nacional.
Dívidas das empresas
O cenário econômico brasileiro vem melhorando, mas os números ainda estão longe de atender plenamente aos anseios das pequenas e médias empresas, cujo segmento possui 8,7 milhões de firmas negativadas de Norte a Sul do país, somando mais de R$ 200 bilhões em dívidas atrasadas. As opiniões para explicar esse enorme “buraco” nas contas das empresas surgem de diferentes origens. Na avaliação da economista Natalie Verndl, o endividamento das micro e pequenas empresas deriva de um conjunto de fatores estruturantes, sendo o primeiro deles o alto custo do crédito. Ela aponta também a volatilidade da demanda, pois alguns pequenos negócios têm uma oscilação de vendas e sazonalidades que refletem no fluxo de caixa. Ainda baseado na opinião da economista, persiste a incerteza ocasionada pelo longo período de inflação, motivando o encarecimento dos insumos para as firmas, o que proporciona a diminuição da margem de lucro. Outro ponto que chama a atenção é à complexidade tributária, além da baixa educação financeira dos gestores dos estabelecimentos. Reduzir essa onda de endividamento seria preponderante na retomada do crescimento do Brasil, posto que as micro, pequenas e médias empresas representam 70% dos empregos formais no país. Se faltam condições para cumprir os compromissos financeiros, a situação está levando muitas empresas a dificuldades extremas. O atual vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, sempre vem a público mencionar as ações para permitir a modernidade e a competitividade no setor. Porém, as falas não repercutem a realidade, afinal, nosso Parque Industrial funciona muito aquém de sua capacidade. O Poder Central deveria estabelecer uma política específica para evitar um colapso sem precedentes desse importante braço da economia. Por sua pujança e capilaridade financeira, os industriais têm muito mais capacidade de se desenvencilhar de suas demandas, ao contrário dos comerciantes que se enroscam em situações que podem minar a sua vitalidade rumo ao crescimento econômico e social. O importante é buscar diferentes atores para se engajarem nessa empreitada com a finalidade de resolver a questão, evitando o encaminhamento dos fatos rumo a uma situação sem volta