Brasil/União Europeia

O complexo jogo da diplomacia internacional não é um ambiente para amadores. Esse teatro encenado por nações mundo afora é um movimento permanente, exigindo muita habilidade de representantes dos países interessados em manter negociações, como é o caso do Brasil, especialmente no segmento do agronegócio.

No momento, o embate de interesse comercial é travado contra a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que está implementando, mais uma vez, um tarifaço listando os produtos brasileiros que chegam às gôndolas dos supermercados norte-americanos.

Também entra em cena uma estapafúrdia decisão da União Europeia (UE), que informou a suspensão da compra de carnes bovinas do Brasil a partir de setembro. No ano passado, a UE importou aproximadamente 368 mil toneladas de proteína animal brasileira, com resultado financeiro de US$ 1,8 bilhão. Apenas a aquisição de carne bovina respondeu pelo valor de US$ 1,06 bilhão, significando 6% da receita obtida pelas exportações do país naquele período.

Relativamente à restrição contra as nossas negociações perante a União Europeia, o diretor-presidente da Academia Latino-Americana do Agronegócio (Alagro), Manoel Mário de Souza Barros, minimiza o tema. Em entrevista ao Edição do Brasil, o dirigente pondera que a decisão não vai gerar impacto comercial imediato, mas acende um alerta bilionário para o agronegócio brasileiro. Ele categoriza que a medida foi anunciada neste mês de junho, com implementação efetiva a partir de setembro. Até lá, as transações comerciais seguem normalmente.

Autoridades de Brasília comungam com pensamentos do diretor-presidente da Alagro, como aproveitar esse momento de dificuldade para abrir novos mercados, inclusive ampliando as transações com a China. Na opinião de especialistas, trata-se de um entrave burocrático, diante da exigência de uma documentação a ser providenciada pelas autoridades sanitárias brasileiras.

Esse movimento internacional de agora confirma a tese dos meandros envolvidos no episódio e revela uma realidade. Isso ocorre como forma dos países protegerem os seus produtores. Vale dizer que a cena atual será repetida inúmeras vezes nas próximas décadas, cabendo as partes saberem como se desvencilhar desses empecilhos.

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