Entre sindicalismo e fundamentalismo

Por três décadas, os movimentos sindicais no Brasil e em Minas Gerais incrementaram os rumos nos bastidores da política. Paralelamente, cresceu a influência dos evangélicos, sugerindo que os Templos se tornaram uma espécie de centro de apoio para seus líderes se manifestarem politicamente ou partidariamente. Isso fez “acordar” a Igreja Católica, também engajada em assuntos eleitorais, mas em uma proporção bem mais tímida frente aos movimentos protestantes.

Como nos debates públicos não há possibilidade de espaços vazios, houve um entendimento, por parte do segmento empresarial, que estava na hora de disputar cargos ao Executivo e ao Legislativo. Essa virada de chave teve início com João Doria, quando eleito para prefeito e depois governador de São Paulo; e de Alexandre Kalil, para a Prefeitura de BH.

Os atos incentivaram que outros nomes se enveredassem pelo caminho político. O propalado conceito de que empresário é mais preparado para gerir as coisas públicas conquistou notoriedade a partir da presença do empresário Romeu Zema (Novo) em Minas Gerais. Ele foi eleito e reeleito, distanciando do tempo em que o Palácio Tiradentes era ocupado apenas por políticos profissionais. A diferença entre o passado e o presente é que as discussões sobre o debate eleitoral têm um preâmbulo novo: o empresário não promete algo impossível de realizar. Eles querem oferecer mais conteúdo em seus discursos para pedir votos da população.

Nessa mudança do privado para o público, constata-se um enorme entusiasmo de personalidades em destaque, como o presidente licenciado da Federação das Indústrias, Flávio Roscoe (PL), candidato ao Palácio Tiradentes; o retorno do empresário Vittorio Medioli à vida pública; possibilidade de ressurgência também do empresário e ex-senador Clésio Andrade (PSB) ao status de candidato. Todos estão de prontidão nos bastidores. Até mesmo o nome de Josué Alencar, filho do ex-vice-presidente José Alencar frequenta a resenha de quem estaria disposto a enfrentar os palanques no pleito de 2026.

Pensadores políticos avaliam que as lideranças do Brasil, na concepção de sua frágil democracia, não pretendem estender por muito tempo o período onde sindicalistas dão as cartas nos destinos da nação. Tudo para evitar um país nas mãos da oligarquia sindical. Outrossim, deve ser levado à mesa que não adianta fugir da República “Sindicalista” para se submeter à República “Fundamentalista”.

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