O exemplo de Itabira

No momento em que o mundo está de olho no desmatamento no Brasil, essa realidade aumenta os desafios das autoridades para levar adiante um projeto mais ambicioso visando a preservação das florestas brasileiras. Trata-se de uma tarefa complexa, onde interesses opostos convivem lado a lado, trilhando uma linha tênue entre manter o meio ambiente intocável, sem minimizar a importância do desenvolvimento econômico, especialmente no que se refere ao agronegócio, segmento onde nosso país se destaca.

Vale levar em consideração qualquer projeto com o objetivo de contribuir positivamente com o meio ambiente. Por exemplo, vem à tela o “Me Vejo no Limoeiro”, ação desenvolvida no município de Itabira. A iniciativa de educação ambiental aproxima os jovens da unidade de conservação por meio da arte. Crianças e adolescentes aprendem a importância de manter a natureza intacta para as futuras gerações.

A previsão é que até março do próximo ano, estudantes do ensino fundamental e médio de seis escolas das comunidades do entorno do parque irão participar de um concurso cultural de desenhos e redações, que busca construir uma cartografia afetiva sobre o território. Os trabalhos do projeto serão transformados em produtos culturais, incluindo uma exposição artística e um livro ilustrado reunindo todo o conteúdo.

Conforme o coordenador do projeto, Frederico Mendes Carvalho, a cartografia afetiva funciona como uma ferramenta para fortalecer a relação do público com a unidade de conservação. Ele afirma que iniciativas como essa demonstram a potência da articulação dos parques com a sociedade, as escolas e a comunidade.

O Parque Estadual Mata do Limoeiro está localizado na Serra do Espinhaço, possui 2.056 hectares e fica a cerca de 7 km do Parque Nacional da Serra do Cipó. A vegetação é composta de fragmentos de Mata Atlântica e Cerrado, onde já foram identificadas ao menos três espécies ameaçadas de extinção: o jacarandá-caviúna, a braúna-preta e o samambaiuçu.

Essa iniciativa dos itabiritenses deveria servir de inspiração para outros municípios e comunidades. O tema é relevante e já faz parte da pauta política, com desdobramentos nos próximos anos. O desafio é enorme, afinal, a tese de preservar o meio ambiente é antiga e esbarra no interesse de poderosos, que agem em nome do progresso e do desenvolvimento econômico. O caminho sensato seria conclamar o “bom senso”.

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