
Minas Gerais registrou a menor taxa de desemprego da série histórica iniciada em 2012, ao mesmo tempo em que ultrapassou a marca de 5 milhões de vínculos formais de trabalho, em março. De acordo com o Ministério do Trabalho, no acumulado dos últimos 12 meses, o Estado gerou saldo positivo de, aproximadamente, 72 mil postos formais, com admissões acumuladas de 2,797 milhões de trabalhadores e 2,724 milhões de desligamentos. Entre janeiro e março de 2026, o saldo já somava 70,6 mil postos.
Já a taxa de desocupação registrou 3,8%, no quarto trimestre de 2025, segundo o Observatório do Trabalho. O índice representa uma queda de dez pontos percentuais em relação ao pico registrado no mesmo trimestre de 2017.
O estudo do Observatório do Trabalho mostra que o comércio permanece como o maior segmento empregador. Desempenhos mais positivos também foram registrados em subsetores de serviços, como transporte e armazenagem; alojamento e alimentação; informação e comunicação, atividades financeiras e imobiliárias e administração pública.
O professor de economia do Centro Universitário Arnaldo de Belo Horizonte, Alexandre Miserani, aponta que um dos principais fatores para a redução do desemprego é o crescimento estrutural da economia brasileira. “Que reflete na geração de renda, no incremento da produção e do consumo e na expansão de pequenos negócios”.
Em relação a Minas Gerais, o professor destaca o fortalecimento da abertura de novas empresas, com a diminuição da burocracia e o incentivo às startups. “Não podemos menosprezar a estabilidade econômica mineira, que tem melhorado nesse aspecto da produção, geração de renda e consumo das famílias. Há todo um arranjo produtivo local que favoreceu esse crescimento”.
Apesar dos resultados positivos, o professor avalia que Minas Gerais ainda enfrenta desafios relacionados aos investimentos em infraestrutura. Segundo Miserani, a situação “prejudica muito, não só o escoamento, mas toda a estratégia comercial de muitas empresas”.
Índice nacional
A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,8% no trimestre encerrado em abril de 2026, o que representou alta de 0,4 ponto percentual na comparação com o período entre novembro de 2025 e janeiro de 2026. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua.
De acordo com o estudo, se comparada ao trimestre de novembro de 2025 e janeiro de 2026, a população desocupada, que é de 6,3 milhões no período encerrado em abril deste ano, avançou 8%. Naquele momento eram 5,9 milhões. No entanto, em relação a igual trimestre do ano anterior (7,1 milhões) indicou recuo de 11,3% (menos 809 mil pessoas).
Os dados mostraram também que a população ocupada (102,3 milhões) caiu 0,3% em relação ao trimestre anterior. São menos 338 mil pessoas, mas subiu 1,1% ou mais 1,07 milhão de pessoas frente ao mesmo trimestre do ano anterior.
Segundo a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, o aumento da desocupação nesse trimestre móvel é resultado essencialmente do comportamento sazonal de algumas atividades. “Embora registrando perda de ocupação na comparação trimestral, o mercado de trabalho segue com elevado nível de ocupação, quando comparado com anos anteriores”.
Miserani afirma que o atual nível de desemprego do Brasil é caracterizado como pleno emprego. “O mercado de trabalho vive um dos seus melhores momentos da última década. Isso ocorre porque a economia apresenta crescimento, inflação controlada e aumento da atividade produtiva”.
“Tudo isso contribui para a redução da desocupação e para o aumento da geração de emprego e renda. O que favorece a alta do consumo e o melhor posicionamento das empresas no cenário nacional e internacional”, completa.
O economista acredita ainda que os números do desemprego vão continuar caindo até o fim de 2026. “Tanto em nível nacional quanto estadual, considerando o ano eleitoral. Contudo, os índices geoeconômicos mundiais têm mostrado um cenário pessimista. Problemas estruturais na economia, diminuição de importações de parte de países tradicionais e a questão do petróleo, podem prejudicar a empregabilidade”.