Crédito fácil aquece mercado de veículos seminovos e usados

O mercado de veículos seminovos e usados segue em expansão em 2026 e reforça a expectativa do setor de alcançar um novo recorde de vendas neste ano. Dados divulgados pela Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), mostram que o segmento acumulou 5,9 milhões de unidades comercializadas entre janeiro e abril, resultado 10% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Somente em abril, foram negociados 1.530.108 veículos no país. Mesmo com quatro dias úteis a menos em relação a março, a média diária de vendas alcançou 85.006 unidades, alta de 11,7%. Na comparação com abril do ano passado, o crescimento foi de 2,9% no volume nominal e de 14,3% na média diária. Conforme o presidente da Fenauto, Everton Fernandes, o desempenho demonstra a força do mercado de usados diante do encarecimento dos veículos zero-quilômetro e da busca do consumidor por opções mais acessíveis. “O mercado de seminovos e usados continua sendo a principal alternativa para quem busca melhor relação custo-benefício”. Segundo Fernandes, a ampliação do crédito também tem impulsionado o setor em 2026. “Com maior oferta de financiamento, taxas mais competitivas e aumento da aprovação cadastral, o mercado responde rapidamente”, destaca. O dirigente avalia que o segmento deve manter ritmo positivo ao longo do segundo semestre, sustentado pela entrada gradual de seminovos oriundos de trocas e renovação de frotas. “O mercado está mais profissionalizado, mais transparente e cada vez mais orientado por dados, o que impacta diretamente em um crescimento sustentável”. Entre os modelos mais vendidos do país em abril, o Volkswagen Gol liderou com 61.175 unidades comercializadas. Em seguida aparecem Chevrolet Onix (38.937) e Hyundai HB20 (37.388). Minas Gerais O setor também manteve desempenho positivo. O Estado registrou 183.809 veículos vendidos em abril e acumula 710.286 unidades negociadas no quadrimestre, crescimento de 8,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Na avaliação do presidente da Associação dos Revendedores de Veículos no Estado de Minas Gerais (Assovemg), Glenio Júnior, a alta dos preços dos veículos novos ainda continua impulsionando a procura pelos seminovos, especialmente os modelos com até três anos de uso. “Esse nicho vem se destacando porque reúne veículos ainda na garantia e com baixa quilometragem”. Segundo Júnior, o ambiente de crédito mais favorável também ajudou a aquecer o mercado mineiro. Os financiamentos cresceram cerca de 13% em abril, enquanto os consórcios avançaram quase 9%. Ele destaca ainda que os chamados “velhinhos”, veículos acima de 13 anos de uso, seguem com forte demanda, principalmente entre consumidores das classes C, D e E. “Os dois extremos seguem aquecidos: os seminovos com até três anos de uso e os carros mais antigos”. Para o dirigente, o setor deve encerrar 2026 com um novo recorde de vendas, mesmo diante de instabilidades internacionais e do período eleitoral. “Existe uma grande expectativa de um novo recorde de vendas em 2026, tanto em Minas Gerais quanto no Brasil. Apesar de problemas externos, como guerras e oscilações no preço do petróleo, seguimos confiantes de que o patamar de crescimento continue até o fim do ano”. Em Minas, o Volkswagen Gol liderou as vendas em abril, com 9.330 unidades comercializadas, seguido por Fiat Palio (6.604) e Fiat Uno (6.103). Já em BH, o Fiat Palio ficou na primeira posição, com 1.537 unidades negociadas, à frente do Gol (1.487) e do Hyundai HB20 (1.247). A capital mineira registrou 44.462 veículos vendidos em abril e acumula 178.627 negociações em 2026, alta de 6,2% frente ao período passado.
MG movimenta R$ 55,4 bilhões em vendas on-line e ganha destaque

Minas Gerais alcançou a marca de R$ 55,4 bilhões no e-commerce em 2024, consolidando-se como o segundo maior Estado emissor de vendas on-line do país. Segundo estatísticas das transações de comércio eletrônico com base na Nota Fiscal Eletrônica, foram R$ 28,7 bilhões em vendas para outros estados e R$ 26,7 bilhões em compras. Esse ramo girou R$ 225,06 bilhões, com expansão acumulada de mais de 550% desde 2016, no Brasil. Eletrônicos, máquinas e vestuário concentram grande parte do valor movimentado nacionalmente. E em Minas, há destaque para calçados, equipamentos e produtos industriais. Para o especialista em vendas on-line e sócio fundador da Pronix, Hugo Vasconcelos, o protagonismo de Minas no e-commerce não vem de um fator isolado. “O Estado tem uma combinação forte de localização geográfica, malha logística, base empresarial diversificada e consumo interno relevante”. O setor movimenta transporte, centros de distribuição, tecnologia, meios de pagamento, atendimento, marketing digital e pequenos negócios, afirma Vasconcelos. “O segmento gera impacto direto na economia. Quando uma empresa mineira vende para outro Estado, ela traz receita e fortalece a cadeia local”. Desafios O professor de Gestão e Marketing do Centro Universitário Arnaldo – BH, Rogério Tobias, pontua que os principais desafios ainda envolvem logística, qualificação profissional e planejamento estratégico para a utilização de ferramentas digitais. “Muitas empresas entraram rapidamente no ambiente on-line, mas ainda precisam amadurecer processos relacionados a estoque, atendimento, experiência do consumidor, e a integração entre canais físicos e digitais”. Contudo, Vasconcelos ressalta que a tendência é o setor continuar crescendo, mas de forma seletiva. “O número de empresas virtuais deve aumentar, no entanto, quem vai ganhar espaço são as operações mais profissionais. Não basta estar na internet, vai crescer quem souber vender com margem, controlar custo e criar uma experiência confiável”. Comportamento do consumidor Os dados apontam que 76,6% das empresas mineiras possuem presença digital e 59,5% realizam vendas on-line. Tobias explica que esse fato não mostra uma digitalização consolidada. “Já acontece uma transformação bastante considerável, mas existe uma diferença entre presença e maturidade digital”. “Muitos empreendimentos já estão na internet, porém, ainda utilizam esses canais de forma que pode ser considerada básica. O consumidor espera encontrar empresas no ambiente digital, independentemente do porte do negócio”, complementa. O tapeceiro Washington Guimarães, de 41 anos, faz compras no comércio eletrônico toda semana. “Comecei a adquirir pela internet quando percebi que os preços pelo site são mais atrativos do que os das lojas físicas. Apesar disso, meu hábito de compra não mudou definitivamente, ainda consumo algumas coisas em estabelecimentos físicos”. “No comércio virtual costumo comprar materiais de pesca, roupas, sapatos, tênis e eletroeletrônicos. A comodidade, o preço e a variedade são os pontos que mais me chamam a atenção nessa modalidade”, finaliza. Tobias aponta que existe uma mudança comportamental muito clara acontecendo. “O consumidor passou a valorizar intensamente a praticidade, rapidez e ausência de desgaste. As pessoas querem experiências fluidas e integradas ao cotidiano. Nos próximos anos, veremos um relacionamento ainda mais imersivo, com sistemas capazes de antecipar necessidades e personalizar experiências em tempo real”.
Gastos mensais com bets já ultrapassam a marca de R$ 30 bilhões

Um levantamento recente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) indica que o crescimento das apostas on-line (conhecidas como bets) no Brasil deixou de ser apenas uma forma de lazer e passou a representar um desafio macroeconômico. Após a regulamentação em 2023, os gastos mensais nessas plataformas já ultrapassam a marca de R$ 30 bilhões. Segundo o estudo, uma parcela desse valor tem origem em recursos que antes eram destinados a despesas básicas, configurando um “efeito substituição” que compromete o consumo efetivo. Conforme a CNC, de janeiro de 2023 a março de 2026, a inadimplência do consumidor causada pelas bets retirou R$ 143 bilhões do comércio varejista. De forma inédita, a avaliação técnica aponta um vínculo causal entre a utilização de plataformas de apostas e o número de famílias que afirmam não conseguir quitar suas dívidas. De acordo com os dados analisados, o uso intensivo dessas apostas digitais tem sobrecarregado o orçamento doméstico, contribuindo para que cerca de 268 mil famílias no Brasil entrem em situação de inadimplência grave, além de prolongar o período médio de endividamento. Conforme a economista Laura Mendes, os números revelam um cenário preocupante para a economia nacional. “Quando uma parte crescente da renda das famílias deixa de ser destinada ao consumo de bens e serviços e passa a alimentar um circuito de apostas, há uma retração indireta na atividade econômica. O comércio sente isso rapidamente, principalmente em setores mais dependentes do consumo cotidiano. O impacto não se limita à queda nas vendas, há também efeitos sobre a geração de empregos e também a arrecadação tributária”. A pesquisa mostra que o perfil mais suscetível ao endividamento ligado aos jogos inclui homens, indivíduos com 35 anos ou mais e famílias de menor renda. Ainda assim, o estudo chama atenção para pessoas com maior nível de escolaridade: a facilidade de acesso às plataformas digitais, aliada à forte presença de publicidade, também tem elevado significativamente o grau de exposição ao risco nesse grupo. O consultor financeiro Ricardo Faria destaca que o problema vai além da questão financeira. “O vício em apostas tem um efeito em cascata. Ele compromete o orçamento familiar, gera conflitos dentro de casa, aumenta o estresse e pode desencadear problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão. O endividamento prolongado das famíllias brasileiras tende a agravar ainda mais esse quadro terrível, criando um ciclo difícil de romper e muitas pessoas recorrem a novas apostas na tentativa de recuperar perdas, o que acaba aprofundando ainda mais a situação”. De acordo com os especialistas, as consequências desse cenário se refletem no comércio nacional. “Com menos recursos disponíveis para consumo, há uma desaceleração em diversos segmentos e pequenos e médios empresários são frequentemente os primeiros a sentir os efeitos dessa retração, uma vez que dependem diretamente da renda disponível das famílias”, ressalta Laura. Ela defende a adoção de medidas públicas mais rigorosas para conter o avanço do problema. “Entre as propostas estão a ampliação de campanhas de conscientização sobre os riscos das apostas, a regulamentação mais restritiva da publicidade, especialmente em horários e canais de grande alcance, e a criação de mecanismos de controle que permitam limitar gastos dos usuários nas plataformas. Também se discute a necessidade de programas de apoio psicológico e financeiro para pessoas em situação de dependência”. “O poder público precisa tratar essa questão como um problema de saúde e de política econômica ao mesmo tempo. Não se trata apenas de regulamentar o mercado, mas de proteger o consumidor e evitar que uma atividade de alto risco comprometa a estabilidade financeira de milhões de brasileiros. Quanto mais cedo houver informação e mecanismos de controle, menores serão os danos sociais e econômicos no longo prazo”, finaliza Faria.
Taxa das blusinhas ajudou a preservar R$ 19,7 bilhões e manter 135,8 mil empregos

A “taxa das blusinhas” ajudou a preservar R$ 19,7 bilhões na economia, além de manter mais de 135,8 mil empregos. Esses dados constam em nota técnica elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que também aponta que a medida impediu a entrada de R$ 4,5 bilhões em produtos importados no Brasil. A CNI calculou os efeitos do Imposto de Importação com base no valor médio das remessas no ano passado. Em 2024, 179,1 milhões de remessas de mercadorias chegaram ao país por meio do programa. Já em 2025, houve uma retração de 10,9%, passando para 159,6 milhões. Segundo a projeção da CNI, no entanto, 205,9 milhões de pacotes entrariam no Brasil, no ano passado, sem a “taxa das blusinhas”, o que representaria 46,3 milhões de unidades a mais do que o registrado. A arrecadação federal com o tributo saltou de R$ 1,4 bilhão para R$ 3,5 bilhões, no primeiro ano completo de vigência. A tarifa passou a valer em agosto de 2024 e faz parte do Programa Remessa Conforme. O superintendente de Economia da CNI, Márcio Guerra, afirma que o objetivo principal da “taxa das blusinhas” não é apenas fazer a tributação do consumidor, mas proteger a economia. “Tornar a indústria brasileira competitiva é primordial para manter empregos e gerar renda. Ninguém aqui é contra as importações. Elas são bem-vindas, aumentam a competitividade, mas é preciso que entrem no Brasil em condições de igualdade”. “O Remessa Conforme reduziu o desequilíbrio das condições de concorrência dos produtos nacionais com os importados e contribuiu para moderar o ritmo das importações que se beneficiavam do tratamento tributário desigual”, complementa. Já a especialista financeira, Karen Freitas, ressalta que a redução das importações gera efeitos ambíguos sobre o mercado interno. “Por um lado, diminui a concorrência direta de produtos estrangeiros, o que pode preservar parte da demanda para o varejo e a indústria nacional. Por outro, trata-se de uma estimativa institucional e ainda não há consenso sobre o efeito líquido na geração de emprego e renda. Além disso, há impacto direto no consumo”. A tributação reduz distorções, já que empresas brasileiras operam com custos estruturais elevados, destaca Karen. “No entanto, a medida não resolve o problema estrutural da competitividade brasileira. Questões como custo do crédito, complexidade tributária e baixa produtividade continuam sendo determinantes. Assim, a taxação funciona como um mecanismo de ajuste no curto prazo, contudo, não substitui reformas necessárias para equilibrar a competitividade no longo prazo”. Ela observa que a redução da concorrência internacional pode gerar acomodação em parte das empresas. “Sem essa pressão, há risco de: redução de investimentos em tecnologia e modernização; manutenção de estruturas de custo ineficientes; aumento de preços ao consumidor; e perda de competitividade internacional. No longo prazo, isso pode tornar o setor produtivo mais vulnerável quando a concorrência externa voltar a se intensificar”. Poder de compra A especialista pontua que o impacto da medida sobre o poder de compra é mais significativo nas famílias de menor renda. “Esse grupo é mais sensível a preço e utilizava plataformas internacionais como alternativa de consumo acessível, sobretudo para vestuário e bens de menor valor”. “Com a taxação, esses produtos se tornam mais caros, reduzindo o acesso e comprimindo o orçamento familiar. Assim, embora a política possa beneficiar a produção interna, ela também impõe um custo social relevante ao limitar o consumo de bens mais baratos por parte da população de menor renda”, acrescenta. Karen explica ainda os impactos sobre uma possível revogação da medida. “Na arrecadação, tem a redução da receita obtida com a tributação de encomendas internacionais; no consumo, o aumento do acesso a produtos importados de baixo custo, beneficiando consumidores; e na competitividade interna, aumento da pressão sobre varejo e indústria nacional”. “A retirada da taxa favorece o consumidor no curto prazo, mas poderia gerar maior concorrência para empresas brasileiras. Já a manutenção da política protege o mercado interno, contudo, com custo maior para o consumidor. O desafio econômico está em equilibrar proteção produtiva com acesso ao consumo”, finaliza.
Minas encerra o primeiro trimestre com mais de 35 mil empresas abertas

Segundo relatório da Junta Comercial de Minas Gerais (Jucemg), o Estado registrou 35.239 novas empresas no 1º trimestre de 2026, alta de 9,97% em relação a 2025. Em março, foram 12.843 aberturas, crescimento de 40,18%, com média de 414 empresas por dia. A região Central liderou o período (16.178 registros), seguida por Sul de Minas (4.254) e Triângulo Mineiro (3.621). Depois aparecem Zona da Mata (2.792), Vale do Rio Doce (2.118), Centro-Oeste (2.050), Norte (1.534), Alto Paranaíba (1.301), Jequitinhonha (774) e Noroeste (616). No primeiro trimestre do ano, o segmento de serviços apresentou o maior avanço, com crescimento de 12,56% e a abertura de 26.883 novos empreendimentos. A indústria registrou alta de 6,03% e a criação de 1.530 negócios. Já o comércio mostrou expansão mais moderada, com aumento de 1,65% e 6.825 novas formalizações no período. Belo Horizonte liderou o trimestre com 9.538 novas empresas, alta de 10,51% em relação a 2025, e 3.479 registros em março, crescimento de 36,32%. Em seguida aparecem Uberlândia (2.103), Contagem (1.188), Juiz de Fora (937) e Betim (667). Para a economista Mariana Torres, esse movimento está diretamente ligado à combinação de fatores estruturais e conjunturais. “Minas Gerais vem colhendo resultados de políticas de simplificação de abertura de empresas, somadas ao avanço da digitalização dos processos públicos. Além disso, há um efeito pós-pandemia ainda em curso, em que muitos trabalhadores migraram para o empreendedorismo por necessidade ou oportunidade. O ambiente de juros mais estáveis também contribui para dar alguma previsibilidade ao investimento inicial”. Ela destaca ainda o papel da modernização administrativa. “A redução da burocracia, especialmente com integração de sistemas entre órgãos estaduais e municipais, tem sido determinante. Hoje, abrir uma empresa em Minas é significativamente mais rápido do que há cinco anos. Isso reduz custos de entrada e estimula pequenos empreendedores a formalizarem seus negócios”. Os benefícios desse crescimento são amplos para a economia mineira, ressalta Mariana. “O aumento no número de empresas formalizadas tende a ampliar a geração de empregos, elevar a arrecadação tributária e estimular cadeias produtivas locais. Além disso, a maior diversidade de negócios fortalece o ecossistema de inovação e aumenta a competitividade entre setores. Em regiões mais dinâmicas, como a Central e o Triângulo Mineiro, o impacto é ainda mais perceptível na circulação de renda e no fortalecimento do comércio local”. Apesar do cenário positivo, empreender em Minas Gerais ainda apresenta desafios relevantes. Entre os principais entraves estão o acesso ao crédito, a complexidade tributária e a necessidade de capacitação técnica para gestão de negócios. O consultor em empreendedorismo, Carlos Menezes, aponta que muitos empreendedores iniciam suas atividades sem planejamento adequado. “Existe uma euforia inicial, mas também uma taxa de mortalidade elevada entre pequenas empresas. Falta educação financeira e apoio mais consistente nos primeiros anos de operação”. Outro ponto sensível é a desigualdade regional. Enquanto a capital e grandes centros concentram infraestrutura e serviços de apoio ao empreendedor, regiões mais afastadas ainda enfrentam dificuldades de acesso à tecnologia, crédito e redes de negócios. Para ampliar e sustentar o avanço na abertura de empresas, Menezes sugere uma combinação de medidas. “Dentre elas estão a ampliação de programas de capacitação empreendedora, incentivos fiscais direcionados a micro e pequenas empresas, além da expansão de plataformas digitais integradas que simplifiquem ainda mais o processo de formalização. Também se destaca a importância de políticas de crédito mais acessíveis, especialmente para negócios iniciantes”. No campo das políticas públicas, o consultor defende maior articulação entre governo, instituições financeiras e entidades de apoio ao empreendedorismo. “A ideia é criar um ambiente mais favorável não apenas para a abertura de empresas, mas também para sua sobrevivência e crescimento ao longo do tempo”.
Mesada pode ensinar educação financeira desde a infância

Em um país onde guardar dinheiro ainda é desafio para grande parte da população, especialistas defendem que a educação financeira precisa começar na infância. E uma ferramenta simples, comum em muitas famílias, pode fazer diferença nesse processo: a mesada. Dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que mais da metade dos brasileiros não possui reserva financeira ou tem recursos suficientes para se manter por apenas um mês. E 31% da população não têm nenhum valor guardado, enquanto 20% contam com uma reserva limitada a até 30 dias. Para a especialista em comportamento financeiro, Ana Leoni, esse cenário está ligado à ausência de aprendizado prático sobre dinheiro ao longo da vida. “A dificuldade de formar reserva não começa na vida adulta. Muitas vezes, ela é reflexo de hábitos que não foram desenvolvidos na infância”. Nesse contexto, a mesada pode funcionar como um primeiro contato da criança com noções de planejamento, organização e responsabilidade financeira. Mais do que entregar uma quantia periódica, a proposta é usar esse recurso como ferramenta educativa. Segundo Ana, ao administrar o próprio dinheiro, a criança aprende a fazer escolhas, lidar com limites e entender que nem todo desejo pode ser atendido de imediato. “A mesada precisa vir acompanhada de orientação. Ela é uma oportunidade para ensinar autonomia e mostrar consequências das decisões”. De acordo com a especialista, o ideal é que o valor seja compatível com a realidade da família e que exista regularidade no pagamento, para que a criança consiga se planejar. Também é recomendável estimular a divisão do dinheiro em três partes: gastar, guardar e doar. Outra estratégia importante é criar metas simples. Juntar para comprar um brinquedo, um livro ou outro item desejado ajuda a desenvolver paciência e disciplina, além de mostrar na prática como funciona o hábito de poupar. Mais pessoas economizaram Os dados da Anbima revelam que apenas 33% dos brasileiros conseguiram guardar algum dinheiro em 2025, índice superior aos 27% registrados em 2021. Entre quem conseguiu guardar recursos, a principal medida adotada foi reduzir gastos, especialmente com lazer. Na avaliação de Ana, isso mostra que a reserva financeira não depende apenas de renda alta, mas principalmente de comportamento. “A reserva não é construída só quando sobra dinheiro. Nasce quando a pessoa cria o hábito de separar uma parte do que recebe, mesmo que seja pouco”. Ela lembra que antes de falar sobre investimentos mais sofisticados, como fundos ou títulos privados, é necessário consolidar a cultura de poupar. Sem esse passo inicial, qualquer estratégia financeira tende a perder força no longo prazo. “O exemplo dos pais também conta. Crianças observam hábitos cotidianos e aprendem com atitudes simples, como planejamento de compras, controle de despesas e conversas transparentes sobre consumo”, destaca. Quando esse aprendizado começa cedo, aumentam as chances de formar adultos mais preparados para lidar com imprevistos, realizar objetivos e manter uma relação equilibrada com o dinheiro. “Educação financeira é educação para a vida. Ensinar uma criança a guardar dinheiro é ensinar sobre escolhas, planejamento e tranquilidade no futuro”, conclui Ana.
Indústria de materiais de construção prevê alta de quase 2%

A indústria de materiais de construção projeta um crescimento moderado de 1,9% em 2026, em um cenário marcado por incertezas econômicas e desafios no acesso ao crédito. A estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) se apoia, principalmente, na expectativa de melhora ao longo do segundo semestre e na continuidade de programas habitacionais. Segundo o presidente-executivo da entidade, Paulo Engler, mesmo diante de um início de ano mais complexo, a perspectiva é de avanço gradual. “Acreditamos que o segundo semestre vai ser bom, então mantemos a projeção de crescimento de 1,9% para 2026”. Na avaliação de Engler, os fatores que sustentam essa expectativa está o desempenho de iniciativas como o “Minha Casa, Minha Vida” e o Reforma Casa Brasil. “Há uma perspectiva de um milhão de moradias em 2026, o que, se acontecer, será ótimo para a indústria”. “Sobre o Reforma Casa Brasil, é um programa bem elaborado, mas a limitação de acesso ao crédito pela população de baixa renda tem restringido a liberação de recursos. Caso isso seja superado, o setor será afetado positivamente”, acrescenta. Apesar dessas apostas, o cenário segue desafiador. Segundo Engler, a taxa de juros elevada e o alto nível de endividamento das famílias continuam sendo obstáculos importantes. “A taxa continua muito alta, em 14,75%, o que dificulta o acesso ao crédito. Além disso, cerca de 80% das famílias com renda até R$ 3.300 estão endividadas, o que limita o consumo”. O presidente da Abramat lembra ainda que o ambiente internacional também adiciona pressão. “Esse conflito no Oriente Médio tem impactado os custos de insumos. Os preços, principalmente de combustível, têm afetado fortemente o valor final dos materiais de construção. Já houve repasses, e essa situação ainda é imprevisível”, afirma. Dentro desse contexto, a trajetória dos juros será determinante. “Se houver uma queda mais acelerada, teremos melhores condições de financiamento. Caso contrário, a tendência é de manutenção do cenário atual, o que pode afetar a nossa projeção”, afirma Engler. Crescimento em março Após esse pano de fundo, os dados mais recentes da Abramat indicam um início de recuperação. Em março, a indústria voltou a crescer após nove meses de retração na comparação anual. O faturamento avançou 3,1% em relação a fevereiro, com ajuste sazonal, e 1,6% frente ao mesmo mês de 2025. Apesar do avanço pontual, os indicadores acumulados ainda mostram fragilidade: queda de 4% no ano e de 3,3% em 12 meses. Mesmo assim, o dirigente evita tratar o resultado como uma mudança consolidada de tendência. “Janeiro, fevereiro e março vieram com um resultado interessante. Imaginávamos que, mantendo essa constância, conseguiríamos ter uma mudança de cenário. Porém, a guerra no Oriente Médio mudou muita coisa”. O desempenho do mês foi puxado pelos materiais básicos, que cresceram mais que os de acabamento, comportamento que reflete a realidade das famílias. “A venda de material básico mantém uma constância, porque envolve obras essenciais. Já o acabamento depende mais de financiamento, e as famílias estão muito endividadas e com juros altos”, conclui Engler.
Carga tributária no Brasil atinge patamar mais elevado dos últimos 15 anos

A carga tributária no Brasil atingiu o nível mais alto em 15 anos e o resultado ocorre em um contexto de crescimento econômico moderado. Segundo o Tesouro Nacional, o total dos tributos arrecadados pelas três esferas de governo foi de 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025. Isso representa um aumento de 0,18 ponto percentual do PIB em relação a 2024. A maior arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) foi o principal fator de aumento da carga tributária federal, com acréscimo de 0,23 ponto percentual, refletindo a ampliação da massa salarial. O crescimento nas contribuições da Previdência Social em 0,12 ponto percentual e a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), em 0,1 ponto percentual, também influenciaram. Na esfera estadual, houve redução de 0,09 ponto percentual, explicada principalmente pela queda relativa na receita do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Nos municípios, houve um aumento de 0,03 ponto percentual, puxado pelo crescimento da arrecadação do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), que atingiu 0,02 ponto percentual, impulsionado pela expansão do setor de serviços. De acordo com o Tesouro, a composição da carga tributária manteve-se relativamente estável em 2025. Os impostos sobre bens e serviços continuam como principal componente, apesar de leve redução na proporção do PIB (de 13,87% para 13,78%). Já os impostos sobre renda, lucros e ganhos de capital registraram aumento de 9,04% para 9,16%. O mestre em economia, Ricardo Paixão, explica que o crescimento indica tanto fortalecimento fiscal quanto maior pressão sobre a economia real. “No curto prazo, o dado mostra mais fortalecimento da arrecadação do que uma solução estrutural das contas públicas. Uma arrecadação maior melhora o caixa do Estado, mas isso não significa equilíbrio fiscal duradouro”. “Quando a carga tributária sobe, sem avanço equivalente na qualidade do gasto e na produtividade da economia, o efeito pode ser percebido como uma pressão adicional sobre as empresas, com o seu investimento. A própria Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) destaca que o Brasil ainda convive com pressões de gastos e que a sustentabilidade fiscal exige não só receita, mas também eficiência e reformas estruturais”, acrescenta. A Receita Federal mostra que o Brasil tributa relativamente mais bens e serviços do que a média da OCDE, e menos renda e propriedade, afirma o economista. “Isso torna o sistema mais regressivo e tende a pesar mais sobre o consumo e o custo de produção. A entidade observa que o sistema atual eleva o custo de fazer negócios, distorce cadeias produtivas e dificulta o comércio entre estados. O impacto econômico direto costuma aparecer em menor produtividade, maior custo operacional, menor previsibilidade para investir e penaliza quem ganha menos”. Para Paixão, pode até haver um discurso para a redução da carga tributária, mas o espaço fiscal e político real é bem estreito. “A OCDE aponta que o Brasil continua convivendo com pressões de gasto social e dificuldade para abrir espaço nas contas públicas. Em um ambiente de orçamento pressionado, vinculações constitucionais e meta fiscal apertada, reduzir tributos de forma ampla, sem compensação, é politicamente difícil. Na prática, o que costuma ser mais viável são desonerações pontuais, revisões setoriais ou melhora na eficiência e não uma redução ampla e imediata”. Qualidade do gasto público O economista ressalta que sem controle e racionalidade das despesas, qualquer redução de arrecadação tende a pressionar o déficit da dívida e dos juros. “Por isso, um debate sério sobre a carga tributária no Brasil passa necessariamente pela qualidade do gasto público. Com revisão de custos obrigatórios e aumento da produtividade na economia”. Conforme o especialista, essas revisões devem alcançar diferentes áreas do orçamento. “É preciso reavaliar, por exemplo, os custos do Parlamento, além de promover mudanças nos subsídios ao setor privado e nos gastos com as Forças Armadas. Também é necessário aprimorar os programas sociais, com mecanismos de recadastramento e controle, para evitar distorções e desvios”, conclui.
Exportações mineiras batem US$ 10,2 bilhões no primeiro trimestre deste ano

No primeiro trimestre de 2026, Minas Gerais registrou importações de US$ 4,5 bilhões e obteve um saldo positivo de US$ 5,7 bilhões na balança comercial. Segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o volume total de comércio exterior do Estado atingiu US$ 14,7 bilhões entre janeiro e março, crescimento de 0,5% em comparação com igual período do ano anterior. Em março, as vendas externas de Minas Gerais alcançaram US$ 3,5 bilhões, colocando o Estado na terceira posição entre os maiores exportadores do país, com participação de 11,1% no total nacional no período. Dessa forma, o acumulado das exportações mineiras no primeiro trimestre de 2026 chegou a US$ 10,2 bilhões. O principal destaque do período foi o ouro, cujas exportações cresceram US$ 519,6 milhões, um avanço de 85,3% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Já o segmento de outros veículos aéreos teve incremento de US$ 101,2 milhões (983,7%), enquanto as ferroligas registraram aumento de US$ 70,0 milhões (14%) no valor exportado. No mês passado, os itens mais exportados por Minas Gerais foram o café (US$ 757,9 milhões, equivalente a 21,7% do total), os minérios de ferro (US$ 743,4 milhões e 21,2%), o ouro (US$ 421,1 milhões e 12%), a soja (US$ 364 milhões e 10,4%) e as ferroligas (US$ 202,6 milhões e 5,8%). No período, os produtos do Estado chegaram a 157 destinos internacionais. Entre os principais compradores estão China (32,8%), Estados Unidos (9,9%), Canadá (5,5%), Reino Unido (4,9%) e Argentina (3,9%). Além disso, houve expansão para novos mercados, com 20 países que ainda não haviam importado no mesmo intervalo de 2025, como Palestina, Haiti, Senegal, Aruba e Azerbaijão. Para especialistas, os números refletem não apenas a força produtiva de Minas Gerais, mas também a importância estratégica das exportações para a economia estadual. A economista Laura Mendes afirma que o superávit comercial tem impacto direto na geração de empregos e na arrecadação. “Quando o Estado exporta mais do que importa, há entrada líquida de divisas, o que fortalece a moeda, estimula investimentos e dinamiza cadeias produtivas inteiras, especialmente no interior”. Ela destaca ainda que os setores como mineração e agronegócio possuem grande capacidade de encadeamento econômico. “O café e o minério de ferro, por exemplo, não movimentam apenas as empresas exportadoras, mas também logística, transporte, armazenagem e serviços financeiros. Isso cria um efeito multiplicador relevante para o Produto Interno Bruto (PIB) estadual”. O analista de mercado exterior, Pedro Vieira, chama atenção para o crescimento do ouro e de produtos industrializados, como veículos aéreos. “Esse avanço indica uma diversificação gradual da pauta exportadora, o que é extremamente positivo. Quanto mais diversificada a exportação, menor a vulnerabilidade do Estado a oscilações de preços internacionais”. Apesar do cenário favorável, os especialistas alertam para desafios importantes. Entre eles, estão a dependência de commodities, a infraestrutura logística ainda limitada e a volatilidade do mercado internacional. “Minas Gerais ainda depende fortemente de produtos com baixo valor agregado, o que expõe o Estado às variações de preço no mercado global. Uma queda no valor do minério ou da soja, por exemplo, pode impactar a balança comercial”, observa. A infraestrutura também aparece como gargalo. Segundo Vieira, problemas em rodovias, ferrovias e portos elevam custos e reduzem a competitividade. “O produtor mineiro muitas vezes paga mais caro para escoar sua produção do que concorrentes internacionais. Isso precisa ser enfrentado com investimentos consistentes”. Outro ponto de atenção é o cenário geopolítico e econômico global. Tensões comerciais, mudanças em políticas de importação e desaceleração econômica em grandes mercados consumidores podem afetar a demanda pelos produtos mineiros. “A forte dependência da China é uma vantagem em momentos de crescimento, mas pode se tornar um risco em períodos de desaceleração”, destaca Laura. Diante desse contexto, a economista defende a adoção de políticas públicas e estratégias voltadas à ampliação e qualificação das exportações. Entre as principais medidas sugeridas estão o incentivo à industrialização, a diversificação de mercados e o fortalecimento da infraestrutura logística. “É fundamental agregar valor aos produtos exportados, investindo em tecnologia e inovação. Exportar produtos industrializados gera mais renda e empregos do que commodities”.
Venda de veículos apresenta crescimento de quase 37% em março

O mercado brasileiro de veículos registrou forte expansão no primeiro trimestre de 2026. Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram que, em março, foram emplacados 513.099 veículos. Esse foi o segundo melhor resultado para o mês na série histórica da entidade. O volume representa crescimento de 36,86% em relação a fevereiro e de 35,26% em comparação com o mesmo período de 2025. No acumulado entre janeiro e março, os emplacamentos, que englobam automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários, somaram 1.254.696 unidades, alta de 16,09% em comparação ao mesmo período do ano passado. O resultado é o terceiro melhor da série histórica, atrás apenas de 2011 e 2012. Considerando apenas a venda de veículos zero quilômetros, que inclui os de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus, o crescimento foi de 45,55% em comparação a fevereiro e de 37,85% na comparação anual, somando 269.463 veículos comercializados. As motocicletas seguem se destacando como um dos principais pilares de expansão, com 221.573 unidades vendidas. De acordo com o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, o desempenho reflete um cenário mais aquecido. “O terceiro mês do ano confirmou um mercado mais dinâmico, com desempenho disseminado entre os principais segmentos e um primeiro trimestre que já se posiciona entre os melhores da série histórica. O calendário ajudou, já que março contabilizou 22 dias úteis, mas os dados mostram reação da demanda”. A economista e Coordenadora de Ciências Econômicas e Ciências Atuariais da FMU, Natalie Verndl, explica que o fato de o acumulado ser o terceiro melhor resultado da série histórica se justifica por uma razão até numérica. “Ou em termos estatísticos, por conta da própria base comparativa ter sido mais fraca quando comparada com os dados mais recentes. Tivemos também um ponto sazonal, uma recuperação da demanda e um desempenho mais forte no mês de março, que acabou concentrando um volume mais elevado do número de emplacamentos”. Esse resultado pode ser interpretado até como um indicador que antecede parcialmente a atividade econômica, afirma a economista. “Até porque, o nosso setor automotivo acaba respondendo mais rapidamente do que outros segmentos às variáveis como a renda, o emprego, o próprio crédito e a confiança do consumidor e da própria indústria”. “A compra de veículos costuma refletir uma certa expectativa positiva sobre o futuro, por se tratar de um bem de consumo durável. Só que essa leitura tem que ser feita com uma ressalva, já que o desempenho do setor pode estar captando uma normalização após anos de restrição, tanto da oferta quanto à demanda, e isso não necessariamente reflete um ciclo de amplitude e uma sustentabilidade no crescimento econômico de toda a economia”, avalia Natalie. “Um ponto importante de destacar é que, embora tenha essa melhora, o mercado brasileiro ainda não retornou plenamente a um patamar estrutural pré-pandemia em todos os seus segmentos, principalmente quando consideramos a produção e o encadeamento industrial, que continuaram sendo mais irregulares do que o ciclo anterior ao ano de 2020”, observa. Juros e endividamento Para Natalie, em termos de sustentabilidade, o mais provável é que tenha uma desaceleração ao longo do ano. “Ainda que o cenário apresente um crescimento positivo, porque o ritmo de 16% no trimestre tenha chegado acima do esperado para o ano como um todo, isso gira ainda em torno de uma expansão que acaba sendo um pouco mais moderada”. A especialista ressalta que o ambiente macroeconômico ainda tem restrições relevantes. “Principalmente quando pensamos em juros elevados, que restringe a capacidade de um aumento das plantas produtivas; o endividamento das famílias, que está comprometendo a questão da renda e aquisição, tanto no curto, médio e provavelmente no longo prazo, uma vez que temos 80% da população brasileira em situação de endividamento e 40% em inadimplência. Tudo isso acaba limitando essa continuidade de um crescimento mais acelerado para o setor no início de 2026”.