Intenção de consumo das famílias tem nova alta em maio

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/AB

A intenção de consumo das famílias brasileiras atingiu em maio o maior patamar registrado em 11 anos. Segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) alcançou 106,6 pontos, após avançar 1,6% em relação a abril e acumular a sétima alta mensal consecutiva. O resultado é o mais elevado desde março de 2015.

A pesquisa mostra que a melhora foi impulsionada pela maior disposição das famílias em adquirir bens duráveis, como eletrodomésticos e eletrônicos. Na comparação anual, esse indicador disparou 18,5%, influenciado pela desaceleração da inflação desses produtos e pela percepção de estabilidade no mercado de trabalho.

Na avaliação da economista da CNC, Catarina Carneiro, o ambiente econômico mais favorável ajudou a fortalecer a confiança do consumidor. “A principal influência deste mês foi o comportamento altamente favorável do mercado de trabalho, que gerou um avanço generalizado na confiança das famílias e elevou simultaneamente todos os sete componentes que integram a nossa pesquisa”.

Ela destaca ainda que a desaceleração da inflação sobre os bens duráveis ampliou o poder de compra da população. “Com os preços desacelerando, a renda do consumidor passa a poder adquirir mais. Esses bens tornam-se cada vez mais acessíveis para a população”.

De acordo com a CNC, enquanto o IPCA geral acumulou alta de 4,39% em 12 meses até abril, os bens duráveis tiveram inflação de apenas 0,68% no mesmo período. Em abril, o IPCA subiu 0,67%, contra apenas 0,45% dos produtos duráveis.

Juros ainda preocupam

Apesar do cenário positivo, a entidade alerta que os juros elevados continuam limitando uma expansão ainda mais consistente do consumo. O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, afirma que a taxa de juros segue pressionando a atividade econômica, drenando a capacidade de venda das empresas e sufocando a retomada do crescimento. “Não podemos ignorar que a Selic permanece em patamar excessivamente elevado, atuando como freio na economia ao encarecer o crédito e limitar o poder de consumo imediato das famílias”.

A cautela também aparece no comportamento das famílias em relação ao futuro profissional. Embora o indicador de emprego atual tenha alcançado o maior patamar em 12 meses, a perspectiva profissional registrou retração anual de 5,9%.

Conforme Catarina, o consumidor ainda demonstra uma preocupação diante do cenário econômico de médio prazo. “A estabilidade e a segurança no emprego atual são os verdadeiros pilares de sustentação de toda a engrenagem do consumo. Quando o trabalhador sente que sua vaga está resguardada, ganha a previsibilidade financeira para assumir compromissos monetários e consumir”.

Ela pondera que os sinais recentes de aumento da taxa de desocupação ajudam a explicar parte da cautela dos brasileiros. “Tanto que o índice ‘Perspectiva Profissional’ registrou retração anual de 5,9%, puxado diretamente pelo fato de a taxa de desocupação geral ter apresentado ligeiros incrementos ao longo dos últimos três meses”.

Outro destaque do levantamento foi o desempenho das famílias com renda de até 10 salários mínimos, que lideraram o avanço da intenção de consumo, com crescimento anual de 3,9%. Esse grupo foi beneficiado tanto pela melhora do mercado de trabalho quanto pela inflação mais baixa percebida pelas famílias de menor renda.

“Com a melhora no emprego e nos preços, o poder de compra real desse público cresceu em maior proporção, transformando essas famílias nas grandes propulsoras da recuperação do consumo atual”, conclui a economista.

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