Produção de grãos pode alcançar 358,6 milhões de toneladas

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A produção nacional de grãos deverá alcançar 358,6 milhões de toneladas na safra 2025/2026. Se essa estimativa for confirmada, o país registrará um novo recorde de produção, superando em 1,8% o volume obtido no ciclo anterior. Em números absolutos, isso representa um acréscimo de 6,4 milhões de toneladas em relação à safra 2024/2025.

Os dados foram apresentados no 9º Levantamento da Safra de Grãos 2025/2026, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). De acordo com a instituição, o crescimento projetado está associado à expansão da área cultivada, estimada em 83,5 milhões de hectares, além das condições climáticas favoráveis observadas durante o período. Com esse cenário, a produtividade média das lavouras brasileiras é estimada em 4.295 quilos por hectare.

Para o economista Pedro Ribeiro, os números demonstram a força estrutural do setor. “O agronegócio continua sendo um dos principais motores da economia brasileira. Uma safra dessa magnitude contribui diretamente para o aumento das exportações, da arrecadação tributária e da entrada de divisas no país. Além disso, fortalece a balança comercial e ajuda a manter o Brasil em posição estratégica no mercado global de alimentos”.

Segundo o especialista, os efeitos positivos não se restringem ao campo. “Quando a produção cresce, toda a cadeia produtiva é beneficiada. Há maior demanda por transporte, armazenamento, insumos, máquinas agrícolas, serviços financeiros e tecnologia. Isso gera movimentação econômica em diversos setores e contribui para a criação de oportunidades de trabalho em diferentes regiões do país”.

Soja e milho

Entre as principais culturas agrícolas, a soja apresenta o maior avanço produtivo, com um acréscimo de 8,8 milhões de toneladas em comparação à safra anterior. Com os trabalhos de colheita praticamente concluídos, a expectativa é que a produção da oleaginosa alcance 180,3 milhões de toneladas no ciclo 2025/2026.

No caso do milho, a estimativa para a segunda safra contribui para que a produção total do cereal, considerando as três etapas de cultivo, chegue a 140,5 milhões de toneladas.

A colheita da primeira safra já foi realizada em 87,7% da área plantada. A projeção é de que o volume final produzido atinja 29,3 milhões de toneladas, resultado que representa um crescimento de 17,7% em relação ao registrado no mesmo período da safra 2024/2025.

Além da ampliação da área cultivada com o grão nesta safra, a produtividade também deverá apresentar desempenho superior ao observado no ciclo anterior. A estimativa é de um rendimento médio de 7.110 quilos por hectare, valor 7,6% maior e que representa o melhor resultado já registrado pela Companhia para a primeira safra da cultura.

A colheita da segunda safra encontra-se em estágio inicial, com previsão de alcançar 107,9 milhões de toneladas ao término do ciclo produtivo. Já a terceira safra, cujo plantio está próximo da conclusão, tem produção estimada em 3,3 milhões de toneladas.

O engenheiro agrônomo João Figueiredo ressalta que os resultados da soja e do milho fortalecem a posição do Brasil como um dos principais fornecedores globais de alimentos e matérias-primas. “O crescimento dessas culturas amplia a oferta para os mercados interno e externo, fortalece a indústria de proteínas animais, que depende do milho e do farelo de soja para alimentação dos rebanhos, e contribui para a estabilidade econômica de centenas de municípios que têm no agronegócio sua principal fonte de renda”.

Algodão

Segundo as estimativas apresentadas no levantamento, a produção de pluma de algodão referente à segunda safra deverá atingir aproximadamente 4 milhões de toneladas. Caso esse volume se concretize, haverá uma redução de 2,5% em relação ao resultado obtido na safra 2024/2025. Conforme a Conab, essa retração está associada à redução da área destinada ao cultivo da cultura.

Ao comentar a previsão para o algodão, Figueiredo avalia que a retração projetada não compromete a relevância da cultura para o país. “A estimativa de cerca de 4 milhões de toneladas de pluma, apesar da redução de 2,5%, ainda representa um volume bastante expressivo. A diminuição está relacionada principalmente à redução da área plantada, mas o Brasil continua ocupando posição de destaque entre os maiores produtores e exportadores mundiais de algodão. Trata-se de uma cadeia que agrega valor, gera empregos na indústria têxtil e possui forte inserção internacional”.

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