Consórcio imobiliário cresce 37% e movimenta R$ 74 bilhões em créditos

Foto: Magnific.com

A busca pela casa própria e a necessidade de driblar os juros elevados dos financiamentos têm levado cada vez mais brasileiros ao consórcio imobiliário. Em 2025, o segmento registrou a venda de 1,35 milhão de cotas, alta de 36% em relação ao ano anterior, movimentando R$ 283,53 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC).

O ritmo de expansão continua em 2026. Entre janeiro e março, foram comercializadas 390,3 mil cotas, crescimento de 37,3% em comparação com o mesmo período de 2025, com R$ 74,68 bilhões em créditos negociados.

Para Fabio Martini, gestor da Mhydas Planejamento Financeiro, a mudança de percepção é evidente. Segundo ele, o consórcio deixou de ser visto apenas como uma modalidade de compra parcelada e passou a integrar estratégias mais amplas de construção patrimonial.

“O crescimento da procura por consórcios está diretamente ligado ao atual cenário de juros elevados no Brasil. Com o crédito imobiliário mais caro e restritivo, muitas pessoas passaram a buscar alternativas que permitam a aquisição de patrimônio de forma planejada, sem a incidência dos juros tradicionais do financiamento”.

A mesma avaliação é compartilhada por Philippe Enke Mathieu, CEO da GFX Inteligência Financeira. Ele reforça novos hábitos do consumidor brasileiro, que talvez esteja passando a pensar de forma mais estratégica e não recorrer automaticamente ao financiamento. “Mas também é muito influenciado pelas altas taxas de juros. O consórcio acaba se tornando uma opção mais viável financeiramente para o consumidor”.

Embora não tenha juros, o consórcio possui taxa de administração e exige planejamento. A principal diferença é que não há garantia de acesso imediato ao crédito, já que a contemplação depende de sorteios ou da oferta de lances.

Segundo Martini, é justamente essa característica que exige uma visão de longo prazo. “O consórcio não é uma modalidade de crédito imediato, mas uma ferramenta de planejamento financeiro e patrimonial. Quando bem estruturado, deve ser visto como uma solução de médio e longo prazo, e não como uma promessa de acesso instantâneo ao crédito”.

Para quem deseja utilizar a modalidade para comprar a casa própria, é recomendável avaliar cuidadosamente o orçamento familiar, o prazo do grupo, as condições da administradora e a possibilidade de ofertar lances. Também é fundamental analisar se o valor da carta de crédito é compatível com o imóvel desejado e se haverá capacidade financeira para manter os pagamentos durante toda a vigência do contrato.

Mathieu ressalta que a decisão deve ser tomada dentro de uma estratégia financeira mais ampla. “A conquista da casa própria não começa na assinatura do contrato, e sim no planejamento. O consórcio pode ser uma excelente ferramenta, mas a decisão certa é aquela que faz sentido dentro da vida financeira da pessoa e da família”.

“Se houver desistência ou se o participante não conseguir manter os pagamentos em dia, o consórcio acaba se tornando uma experiência financeiramente desfavorável, porque pode gerar perdas ao consumidor”, acrescenta.

Vantagem após a contemplação

Outro atrativo é o poder de negociação obtido após a contemplação. Com a carta de crédito em mãos, o comprador pode negociar como se estivesse pagando à vista, o que aumenta as chances de obter descontos e condições mais vantajosas na aquisição do imóvel.

Além de realizar o sonho da casa própria, o consórcio vem sendo utilizado por quem busca ampliar o patrimônio por meio da compra de imóveis para valorização ou geração de renda. “Quem utiliza o consórcio de forma estratégica costuma unir dois objetivos importantes: realizar o sonho da casa própria de maneira mais econômica do que em um financiamento tradicional e, ao mesmo tempo, construir patrimônio de forma sustentável”, conclui Martini.

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