Produto Interno Bruto baixo não garante uma inflação mais reduzida

O cenário projetado pelo mercado financeiro para a economia brasileira combina desaceleração da atividade com uma inflação ainda distante da meta. O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central em 10 de agosto, reduziu a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, de 1,99% para 1,98%, e cortou de 1,57% para 1,52% a previsão para 2027. A previsão para o próximo ano representa uma queda de cerca de 3,2% na expectativa anterior. Ao mesmo tempo, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 recuou de 5,03% para 5,02%. Apesar da melhora, o índice continua acima do teto da meta de inflação, de 4,5%. Para 2027, a estimativa permanece em 4,22%, aproximadamente 41% acima da meta central de 3%. O movimento indica que a política monetária começa a produzir efeitos sobre a atividade, mas ainda não há segurança de que a inflação caminhará rapidamente para o objetivo estabelecido pelo Banco Central. Nesse contexto, os analistas mantiveram em 13,75% a projeção para a Selic no encerramento de 2026, mesmo após a taxa básica ter sido reduzida para 14% na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Segundo o CEO da Friggi & Secco, Alberto Friggi, o principal desafio é equilibrar a desaceleração econômica com a necessidade de controlar os preços. “O risco é a economia perder força antes que a inflação esteja efetivamente controlada, o que deixa o Banco Central com pouco espaço para acelerar os cortes”. Juros ainda restritivos Essa expectativa de uma Selic de 13,75% no fim do ano não representa, segundo o diretor da Bossa Invest, Antônio Patrus, uma mudança ampla na política monetária. Mesmo com novos cortes, os juros continuariam elevados e tenderiam a restringir crédito, consumo e investimentos. “A projeção de Selic a 13,75% não representa uma flexibilização ampla, mas um ajuste de 0,25 ponto diante dos primeiros sinais de desinflação. Embora o IPCA esperado tenha caído de 5,12% para 5,03%, ainda está 0,53 ponto acima do teto da meta. Mesmo após outro corte, os juros permaneceriam em nível suficientemente restritivo para conter a demanda”, afirma. Para as empresas, a combinação de juros altos e crescimento mais fraco tende a exigir maior cautela na gestão financeira. O custo do crédito permanece elevado, enquanto uma atividade menos dinâmica pode afetar vendas e investimentos. Ao mesmo tempo, eventuais pressões cambiais, externas ou sobre commodities podem dificultar a redução da inflação. A revisão do PIB para 2027 sinaliza uma economia com menor dinamismo, mas não significa que os preços convergirão para a meta. A demanda mais fraca pode contribuir para reduzir pressões inflacionárias, mas fatores como mercado de trabalho aquecido, câmbio e petróleo ainda podem limitar esse processo. “O que está sendo precificado é uma calibragem do aperto monetário diante dos efeitos acumulados dos juros, e não o início de uma flexibilização acelerada. A desaceleração esperada para 2027 ajuda a reduzir a inflação de demanda, mas não será suficiente, sozinha, para levar os preços de volta à meta”, avalia Friggi. Para os próximos meses, o cenário desenhado pelo Focus não é de recessão, mas de perda gradual de ritmo em uma economia que ainda convive com juros elevados e inflação acima do desejado. A desaceleração pode abrir espaço para novos cortes da Selic, desde que a melhora dos preços se torne mais disseminada e as expectativas de inflação avancem em direção à meta.
Lei Maria da Penha segue mudando, mas proteção é incompleta e desigual

Sancionada em 2006, a Lei Maria da Penha transformou a forma como o Brasil trata a violência doméstica e familiar contra a mulher. Ao longo de duas décadas, a legislação ampliou os mecanismos de proteção e passou por mudanças para responder a novas formas de violência. Em 2026, novas alterações incluíram a monitoração eletrônica de agressores como medida protetiva autônoma e o reconhecimento da violência vicária. Para fazer um balanço desses 20 anos, o Edição do Brasil conversou com o advogado criminal André Vartuli. Qual é o principal legado da Lei Maria da Penha? O principal legado é ter deslocado a violência doméstica da esfera privada para a de questão pública e de direitos humanos. Nascida da condenação do Brasil no caso Maria da Penha pela Comissão Interamericana, a lei deu nome jurídico à violência – física, psicológica, sexual, patrimonial e moral – e criou um microssistema próprio de proteção, superando a lógica de que “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”. Transformou o que era tolerado em problema de Estado. Quais foram as principais alterações em 20 anos? Os avanços aparecem sobretudo no acesso à Justiça e nas medidas protetivas. A medida protetiva passou a ser concedida com base no relato da vítima, sem exigência prévia de boletim ou inquérito, e ganhou autonomia com a Lei 14.550/2023. Até o fim de junho, o Judiciário registrou 532.815 medidas protetivas, com tempo médio de três dias entre o início do processo e a primeira medida. Foram 336.630 protetivas concedidas no semestre, recorde para o período e 61% acima de 2022, com 89% dos pedidos aceitos. Nos 12 meses encerrados em maio, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) registrou ainda 675.969 decisões e apontou que 85% dos pedidos foram analisados em até 24 horas. A concessão hoje é mais rápida, capilarizada e desburocratizada. Por que a violência continua em níveis elevados? Revela que a lei atua sobre o efeito, não sobre a causa. O país registrou 1.571 feminicídios em 2025. O problema também é cultural: misoginia e desigualdade não são desfeitas por uma norma penal. O crescimento dos pedidos reflete, ao mesmo tempo, maior consciência de direitos e a permanência da violência. Legislação é condição necessária, mas não suficiente, e o direito penal não produz mudança cultural por si. Onde estão hoje os principais gargalos? O primeiro é a fiscalização do cumprimento: os processos por descumprimento de medida protetiva saltaram de 10.261, em 2020, para 74.438, em 2025, sinal de que a ordem judicial não vira proteção material. O segundo é a assimetria territorial e de estrutura, com concentração de Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e varas especializadas nas capitais e escassez no interior, criando uma proteção de duas velocidades. Somam-se a rede de acolhimento incompleta e a subnotificação alimentada por dependência econômica e medo. A legislação acompanha as novas formas de violência? Houve avanços importantes. Neste ano, a legislação passou a reconhecer a violência vicária e criou o vicaricídio, enquanto a monitoração eletrônica do agressor se tornou medida protetiva autônoma. No ambiente digital, ainda há espaço para aprimoramento, com propostas em tramitação para combater perseguição, exposição indevida da intimidade, chantagem e ameaças on-line. É preciso que a proteção acompanhe a transformação dos meios pelos quais a violência é praticada. Quais devem ser as prioridades para os próximos anos? A prioridade é deslocar a lei da reação para a prevenção. Isso significa educação em igualdade de gênero desde a escola, programas de responsabilização do agressor com escala e financiamento, avaliação padronizada de risco para agir antes do feminicídio, universalização e integração da rede de atendimento e autonomia econômica da vítima, sem a qual ela pode retornar ao ciclo de violência. O êxito da próxima etapa será medido menos pelo número de medidas protetivas concedidas e mais pela capacidade de evitar que a violência ocorra e de garantir que a decisão judicial se converta em proteção efetiva na porta da vítima.
Atividades físicas ajudam na melhora da saúde e aumentam a longevidade

Praticar atividade física regularmente vai muito além de manter o corpo em movimento. Uma revisão sistemática publicada em 2024 no International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, que reuniu dados de 247 estudos, concluiu que pessoas fisicamente ativas apresentam melhora consistente da saúde mental, com aumento da autoestima, do bem-estar e da resiliência, além da redução dos sintomas de ansiedade e depressão. Entre as modalidades que mais reúnem benefícios está o tênis. Além de desenvolver o condicionamento cardiovascular, fortalecer músculos e ossos e contribuir para o controle do peso, o esporte exige concentração, estratégia e rapidez na tomada de decisões, estimulando diferentes capacidades cognitivas. O convívio proporcionado pelas aulas e partidas também favorece a criação de vínculos sociais, fator que ajuda na motivação para manter a prática ao longo do tempo. De acordo com o médico endocrinologista e franqueado da Fast Tennis, Arthur Baeta Neves, os efeitos positivos da atividade física costumam surgir rapidamente quando há regularidade. “Algumas pessoas já percebem diferença logo depois da atividade: ficam mais relaxadas, com menos tensão e com uma sensação de bem-estar”. “Com o passar das semanas, é comum notar melhora no sono, no humor, na disposição e até na autoestima. O tempo varia de pessoa para pessoa, mas os primeiros sinais consistentes costumam aparecer entre duas semanas e dois ou três meses de prática regular. A regularidade importa mais do que a intensidade”, acrescenta. Outro diferencial do tênis é reunir diversas capacidades físicas em uma única modalidade. Durante a partida, o praticante consegue trabalhar resistência, força, equilíbrio, agilidade, coordenação motora e raciocínio, combinação que pode contribuir para um envelhecimento mais saudável e independente. “Durante o jogo, a pessoa precisa acompanhar a bola, observar o adversário, escolher o golpe e reagir rapidamente. Isso ajuda a estimular atenção, coordenação, raciocínio e capacidade de decisão. Ao mesmo tempo, como o jogador precisa estar focado no ponto, o tênis ajuda a tirar a mente das preocupações do cotidiano e pode funcionar como uma boa válvula de escape para o estresse”, explica Neves. A modalidade também se tornou mais acessível nos últimos anos. Crianças, adultos, idosos e pessoas com deficiência podem praticá-la com adaptações de equipamentos, quadras e intensidade dos exercícios, ampliando o alcance do esporte para diferentes perfis de praticantes. A servidora pública Patrícia Almeida começou a jogar tênis há cerca de um ano por recomendação médica, após enfrentar uma rotina marcada pelo estresse do dia a dia e pelo sedentarismo. Hoje, participa de aulas duas vezes por semana e afirma que os ganhos vão muito além do condicionamento físico. “Percebo que tenho mais disposição para o trabalho, durmo melhor e consigo lidar com a ansiedade de forma muito mais tranquila. Também fiz novas amizades e fico esperando pelos dias de treino. O tênis deixou de ser apenas um exercício e virou um momento de lazer”, relata. Para quem deseja iniciar uma atividade física, o endocrinologista recomenda começar gradualmente e buscar orientação profissional. “Para uma pessoa sedentária, duas sessões por semana já são um ótimo começo. Depois, conforme o corpo se adapta, é possível aumentar a frequência e a intensidade, de preferência combinando o tênis com exercícios de força e mobilidade”, finaliza.
Espetáculo “A Hora do Boi” emociona ao discutir empatia entre homem e animal

A trama “A Hora do Boi” chega a Belo Horizonte cercado pelo reconhecimento da crítica e pela força de uma história que convida o público a refletir sobre empatia, afeto e a relação entre humanos e animais. Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB BH) até 31 de agosto, o monólogo protagonizado pelo ator mineiro Vandré Silveira marca seu retorno aos palcos da capital após uma década e coincide com a centésima apresentação da montagem. Inspirado em uma notícia real publicada pelo jornal A Tarde, da Bahia, o texto de Daniela Pereira de Carvalho parte da fuga de um boi que escapou de um abatedouro para construir uma narrativa sobre escolhas, consciência e humanidade. Sob direção de André Paes Leme, o espetáculo foi indicado aos prêmios Shell e APTR e acumula temporadas de sucesso no Rio de Janeiro e em São Paulo. Na peça, Vandré Silveira interpreta três personagens: Seu Francisco, um funcionário de matadouro; o boi Chico, criado pelo protagonista desde o nascimento; e São Francisco de Assis, que conduz a narrativa em um diálogo entre espiritualidade e natureza. O conflito surge quando o homem, acostumado a cumprir ordens sem questionamentos, descobre que precisará sacrificar o animal com quem construiu um vínculo de afeto. Para o ator, trazer o espetáculo à sua cidade natal tem um significado especial. “Estou muito feliz com a oportunidade de levar ao público mineiro a história de amor e empatia de um homem e um boi que nos faz repensar nossa relação com o planeta e com todos os seres que o habitam”, afirma. Formado pelo Cefart, da Fundação Clóvis Salgado, Vandré Silveira também celebra o reencontro com o público belo-horizontino. “Estava com saudades de pisar no palco da minha cidade natal, onde me formei como ator. É muito especial para mim cumprirmos essa temporada em Belo Horizonte, onde completaremos 100 apresentações de ‘A Hora do Boi’ justamente no dia da estreia no CCBB BH”, destaca. O artista ressalta ainda que a montagem ultrapassa o entretenimento e busca provocar transformações. “Como artista, me sinto realizado em perceber que a arte que construímos tem despertado reflexões que podem gerar ações concretas de mudança por uma sociedade mais justa e equilibrada, que contempla os interesses de uma coletividade para além do humano”. Conforme Vandré Silveira, a inspiração em São Francisco de Assis reforça a mensagem central do espetáculo. “A Hora do Boi busca, a partir dessa relação entre homem e animal, trazer reflexões e uma possível mudança em nossas ações cotidianas em prol de maior sintonia, respeito e empatia entre todos os seres”. Além do reconhecimento nos palcos, o ator vive um momento de destaque no audiovisual, integrando o elenco da novela Quem Ama Cuida, da TV Globo, e do remake de Dona Beja, além de aguardar as estreias dos filmes Nosso Lar 3 e Emmanuel. “A Hora do Boi” Quando: até 31 de agostoHorário: de sexta a segunda-feira, às 19hLocal: Teatro II do CCBB BHEndereço: Praça da Liberdade, 450 – FuncionáriosIngressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)À venda na bilheteria ou pelo site ccbb.com.brClassificação: 14 anos
Acesso aos recursos do Plano Safra 2026/2027 esbarra no crédito

Com um valor total de R$ 622,4 bilhões, o Plano Safra destinará R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 97,3 bilhões para a agricultura familiar.
Jornalista Eduardo Costa defende uma política sem radicalismo ideológico

Depois de quase cinco décadas no jornalismo, sendo mais de 40 anos na Rádio Itatiaia, Eduardo Costa decidiu entrar definitivamente na política. Filiado ao União Brasil, o jornalista disputa uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e afirma que a candidatura representa um novo desafio em sua trajetória profissional, motivado pelo desejo de transformar em ações as cobranças que fez durante anos aos gestores públicos. Por muito tempo, Costa demonstrava que seu lugar era no rádio. A mudança de posição começou a amadurecer após as conversas para integrar a chapa do então governador Romeu Zema (Novo), em 2022, e a percepção de que poderia contribuir de outra forma com o Estado. “Eu pensava que meu negócio era o jornalismo. Tenho preguiça da política partidária por causa dos arranjos e das circunstâncias. Mas aquilo ficou na minha cabeça: se passei a vida inteira cobrando, por que não experimentar fazer diferente?”, disse em entrevista ao Edição do Brasil. Aos 70 anos, o comunicador ressalta que a experiência acumulada o motivou a aceitar a disputa. “Já cumpri 59 anos de trabalho, sendo 49 no jornalismo. Não vivo sem propósito. Se eu chegar à ALMG, levo novas ideias. Embora seja um septuagenário, quero trazer ventos jovens para a política”. As principais bandeiras do candidato estão concentradas em áreas como segurança pública, educação e mobilidade. Entre as propostas está a integração de porteiros de edifícios às forças de segurança, inspirada em um modelo adotado em Bogotá, além da defesa de melhorias na educação pública e de grandes obras de infraestrutura. “Serei um defensor radical, permanente e irreversível do Rodoanel. Também quero discutir a duplicação da MG-424 e alternativas para melhorar a mobilidade na Região Metropolitana. Não quero discutir pautas de costume, mas as coisas que pegam no dia a dia das pessoas”, afirma. Ele reitera que a escolha pelo União Brasil ocorreu por enxergar na legenda uma posição de centro, distante dos extremos ideológicos. “É um partido de centro com leve tendência à direita, e é assim que sou. Não consigo gostar dos radicais. Lembro sempre de Aristóteles, que dizia que os extremos são uma ameaça ao ser humano”. Para o jornalista, esse mesmo entendimento explica seu apoio à decisão da legenda em aderir a chapa do governador Mateus Simões (PSD) à reeleição. “Acho que o partido acertou em apoiar o Mateus, que é um cara sério. Estou feliz com o rumo que a legenda está tomando e muito animado para disputar esta eleição”. Ao deixar o microfone para buscar um mandato, Costa sabe que precisará convencer um público que o acompanhou por décadas na rádio a lhe dar um voto de confiança. “O esforço agora é mostrar que a credibilidade construída ao longo da minha carreira pode ser colocada a serviço da população. Meu discurso para convencer alguém é simples: olhe para a minha história. Ninguém fica mais de 40 anos na rádio mais ouvida do Brasil sem coerência, bom senso e responsabilidade”. Costa revela que não busca apenas um novo cargo, mas uma oportunidade de continuar contribuindo com Minas Gerais sob outra perspectiva. “Enquanto eu tiver saúde, quero ser útil. Quero levar minha experiência de repórter para tentar mudar alguma coisa. Se eu não conseguir, pelo menos tentei. Não estou pronto para ficar em casa. Quero continuar trabalhando pelas pessoas”, conclui.
Reciclagem de resíduos eletrônicos avança pouco e enfrenta desafios

O mundo gerou 65 milhões de toneladas de resíduos eletroeletrônicos, o equivalente a 8,1 quilos por habitante. Apenas 24% desse total foi formalmente reciclado.
Sintomas de hemorroidas e do câncer colorretal podem ser confundidos

Sangramento anal, dor, coceira e a presença de caroços na região do ânus são sintomas frequentemente associados à hemorroida, um problema que afeta cerca de metade das pessoas com mais de 50 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, esses mesmos sinais também podem indicar doenças mais graves, como o câncer colorretal, o terceiro tipo de tumor mais frequente no Brasil, com estimativa de 45.630 novos casos por ano, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca). A semelhança entre os sintomas reforça a importância da avaliação médica para que o diagnóstico correto seja feito o quanto antes. Dados da OMS mostram ainda que cerca de 25 mil brasileiros são submetidos a cirurgias para tratar a doença hemorroidária no Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os sintomas mais comuns estão coceira, irritação, dor durante ou após a evacuação, sensação de inchaço e sangramento com sangue vermelho-vivo, normalmente observado no papel higiênico, nas fezes ou no vaso sanitário. Apesar de frequente na doença hemorroidária, esse sinal não deve ser encarado como algo normal. “Alterações como nódulos, inchaços, bolinhas e até pequenas protuberâncias perto do ânus são muito comuns, mas nem tudo é hemorroida. O diagnóstico depende de uma avaliação médica, e é preciso estar atento para não postergar diagnósticos importantes”, alerta a proctologista Clarisse Casali. Além da avaliação clínica, Clarisse destaca que podem ser feitos exames como pesquisa de sangue oculto nas fezes e colonoscopia com biópsia, que permitem identificar mudanças no cólon e no reto. “Alguns sintomas exigem atenção imediata, como sangramento intenso ou com coágulos, alteração persistente do hábito intestinal, fezes escuras, perda de peso sem causa aparente, fadiga constante e histórico familiar de câncer colorretal. Pessoas com mais de 50 anos também devem manter acompanhamento regular, mesmo na ausência de sintomas”. Outras doenças podem provocar manifestações semelhantes, entre elas fissura anal, fístula, abscesso e pólipos intestinais. Por isso, o diagnóstico diferencial é essencial para definir o tratamento adequado e evitar que doenças potencialmente graves sejam descobertas apenas em estágios avançados. Vida saudável O cirurgião do aparelho digestivo Marcel Autran César Machado reforça que mudanças no estilo de vida beneficiam tanto a saúde intestinal quanto a prevenção de doenças. “Algumas medidas preventivas são fundamentais para manter a saúde, como adotar um estilo de vida ativo, já que o exercício regular ajuda a reduzir o risco de câncer e pode ajudar a evitar constipação, um fator de risco para hemorroidas. Além de uma alimentação rica em fibras e hidratação adequada”. Machado reforça que sintomas persistentes nunca devem ser tratados apenas com automedicação. “A procura por atendimento médico diante de qualquer sangramento anal ou alteração intestinal continua sendo a principal estratégia para garantir um diagnóstico precoce e aumentar bastante as chances de sucesso no tratamento, especialmente nos casos de câncer colorretal”, conclui.
Basquete transforma vidas e amplia as oportunidades em Juiz de Fora

Criado em 2024, o Jotaefe Basquete nasceu com uma missão que vai muito além da formação de atletas. Idealizado pelo empresário Rodrigo Mendonça, fundador do Grupo Humanidade, o projeto utiliza o esporte como instrumento de inclusão social, desenvolvimento educacional e fortalecimento de vínculos comunitários. Hoje, atende gratuitamente cerca de 300 crianças e adolescentes em Juiz de Fora, e mantém seis equipes federadas que disputam competições estaduais e nacionais. A iniciativa funciona em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), reunindo professores, treinadores, pesquisadores e estagiários. O modelo alia formação esportiva, acompanhamento pedagógico e ações em diferentes regiões da cidade. Segundo Mendonça, o basquete foi escolhido por seu potencial de democratização. “O nosso objetivo é claro: vão surgir atletas de alto rendimento, mas a prioridade é formar bons cidadãos para Juiz de Fora e para o Brasil. O basquete é apenas a ferramenta para transformar vidas por meio do esporte e da educação”. Essa proposta se traduz na criação de núcleos sociais instalados em bairros como São Pedro, Santa Cruz, Benfica, Santa Luzia, São Mateus e Bom Jardim. A meta é chegar a 16 núcleos até 2028, atendendo aproximadamente 800 crianças e adolescentes. Para o coordenador-geral do projeto, Dilson Borges, a iniciativa também busca fortalecer a cidade por meio do esporte. “O Jotaefe nasceu com uma missão: promover, representar e desenvolver Juiz de Fora e a região em âmbito regional, estadual e nacional. Queremos chegar a todos os cantos da cidade levando essa mensagem por meio do basquete”. Segundo Borges, a prioridade não é descobrir talentos, mas despertar o interesse pelo esporte e promover o desenvolvimento humano. “Nos núcleos sociais, nosso foco é a formação pelo esporte. Revelar atletas pode acontecer, mas é consequência, não objetivo. Nossa metodologia busca primeiro fazer com que a criança goste do basquete, depois se envolva e, mais tarde, se comprometa com a modalidade”. Além das equipes de competição, o projeto promove festivais de minibasquete, a Copa Jotaefe de Basquete Feminino e prepara uma competição regional, ampliando o acesso à modalidade e fortalecendo o calendário esportivo da cidade. Para Borges, o impacto também pode ser medido pelas experiências proporcionadas aos participantes. “Oito meninas da nossa equipe vão viajar de avião pela primeira vez para disputar o Campeonato Brasileiro Sub-15. Isso é oferecer oportunidade, modificar experiências e ampliar horizontes”. Um dos diferenciais do Jotaefe Basquete é a integração com a UFJF. Além da estrutura esportiva, os atletas contam com suporte multidisciplinar nas áreas de fisioterapia, preparação física, estatística e pesquisa científica. Mendonça acredita que esse trabalho também fortalece as famílias. “Historicamente, educação, esporte e comunidade sempre ajudaram a sustentar as famílias. No dia em que um aluno convidar o pai para assistir a um treino, fortalecer esse vínculo familiar e levar o esporte para dentro de casa, teremos cumprido nosso papel. O esporte e a educação podem transformar pessoas, fortalecer famílias e a sociedade”, conclui.
Tarifaço dos EUA pode causar prejuízo de R$ 76 bilhões ao Brasil

Mais do que uma disputa comercial, a escalada tarifária entre Brasil e Estados Unidos pode produzir efeitos que vão além das exportações.