Licença-paternidade: saiba o que muda com sanção da nova lei

A ampliação da licença-paternidade no Brasil inaugura uma nova fase na legislação trabalhista ao transformar um direito historicamente limitado em uma política mais abrangente de proteção à parentalidade. Com a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o período de afastamento, antes restrito a cinco dias para a maioria dos trabalhadores, pode chegar a 20 dias até 2029, em um modelo de implementação gradual. Além disso, a nova lei cria o salário-paternidade e amplia garantias como remuneração integral e regras para adoção e diferentes arranjos familiares. Para entender como essas mudanças impactam trabalhadores e empresas, o Edição do Brasil conversou com o advogado trabalhista Matheus Krizanowski. Na prática, o que muda imediatamente para o trabalhador? A implementação gradual até 2029 será destinada apenas para a ampliação dos dias de licença. Para compreender o que muda imediatamente, é necessário comparar com as regras anteriores. Antes, a duração padrão era de cinco dias corridos, podendo ser ampliada para 20 dias apenas para empresas inscritas no Programa Empresa Cidadã. O salário era pago exclusivamente pelo empregador e não havia previsão de estabilidade. Agora, a ampliação passa a ser um direito legal, uma vez que foi criado o salário-paternidade como benefício previdenciário e há estabilidade durante o período de licença. Quem terá direito às novas regras e como funcionará o calendário de ampliação? Todos os segurados do Regime Geral de Previdência Social são beneficiários da licença-paternidade. Isso inclui empregados com carteira assinada e também trabalhadores avulsos, desde que mantenham a qualidade de segurado. A ampliação será gradual. Em 2026, permanece o período de cinco dias corridos. A partir de 1º de janeiro de 2027, passa para 10 dias. Em 2028, sobe para 15 dias e, em 2029, chega a 20 dias. O que é o salário-paternidade e como ele será pago? É um benefício previdenciário que corresponde à remuneração integral do trabalhador. Ele será pago diretamente pelo empregador durante o período da licença, e o INSS fará o reembolso ou compensação desses valores à empresa, conforme a regulamentação. A nova lei prevê estabilidade no emprego após a licença? Não. A estabilidade é válida apenas durante o período de afastamento. Após o retorno ao trabalho, o empregado pode ser dispensado. No entanto, é importante que o empregador evite qualquer prática considerada discriminatória ou abusiva, o que poderia gerar questionamentos judiciais. Existem regras específicas para situações como adoção ou casos de saúde mais delicados? Sim. A licença se aplica normalmente a casos de nascimento, adoção ou guarda judicial. Quando há nascimento de filho com deficiência, a legislação prevê acréscimo de um terço no período da licença. Além disso, em casos de internação hospitalar da mãe ou do recém-nascido por complicações do parto, o benefício pode ser prorrogado pelo tempo da internação. Já em situações de violência doméstica, abandono ou ausência de vínculo parental, o benefício pode ser suspenso ou até negado por decisão administrativa ou judicial.
Neymar: entre o clamor popular e o gramado

A proximidade da convocação final para a Copa do Mundo de 2026 recolocou o atacante Neymar no centro do debate sobre a Seleção Brasileira. Ausente na última Data Fifa, quando o Brasil enfrentou França e Croácia, o jogador viu seu nome ecoar nas arquibancadas, sinal claro de que, mesmo fora de campo, segue como figura no imaginário do torcedor. A decisão de não convocá-lo, no entanto, passa menos pelo histórico e mais pelas condições atuais. O técnico Carlo Ancelotti tem priorizado atletas com plena capacidade física e ritmo competitivo, fatores que ainda geram dúvidas em relação ao camisa 10. Para o jornalista Lucas Marques, a pressão popular dificilmente altera esse cenário. “Creio que os gritos pouco influenciam na opinião da comissão técnica. O Ancelotti já deixou claro que a convocação será considerada apenas se Neymar tiver condições físicas para jogar. Enquanto isso, não acho que ele vai ceder à opinião pública”. A questão física é o principal obstáculo para o retorno. Mesmo reconhecendo a qualidade técnica do jogador, Marques destaca que o nível de exigência de uma Copa do Mundo impõe critérios claros. “Neymar está longe do seu ideal físico, e creio que nunca mais retornará aos 100%. No entanto, para voltar à Seleção, ele precisa demonstrar que consegue atuar os 90 minutos em alto nível. E isso ele ainda não conseguiu no Santos”. A falta de sequência no clube paulista reforça essa preocupação. Marques acrescenta que as lesões e ausências recentes dificultam uma avaliação mais consistente, o que pesa diretamente em um momento decisivo. “Sem dúvida, a irregularidade pesa. Neymar não tem conseguido atuar com constância no Santos, e isso levanta dúvidas sobre sua capacidade de repetir esse desempenho na Seleção. Essa questão será preponderante para definir se ele vai ou não”. Ainda assim, o possível retorno do atacante levanta discussões relevantes do ponto de vista tático. Em um elenco que conta com velocidade e profundidade pelos lados, falta um jogador com características de criação central, função exercida pelo camisa 10. “É necessário ver qual Neymar iria. Minimamente bem fisicamente, agregaria bastante, até porque, na função de meia de criação, não temos um jogador com essa característica. Além disso, ele poderia aliviar a pressão sobre os demais. No entanto, com o estado atual, não acho que ajudaria tanto assim”, avalia Marques. A experiência também entra na equação. Em competições de tiro curto, como a Copa do Mundo, a capacidade de decisão em momentos críticos costuma fazer diferença. “Creio que a presença dele seria importante. Em momentos de pressão, ele pode ser um jogador que vai pôr a bola debaixo do braço e resolver. Contra a Croácia na última Copa, ele demonstrou isso, apesar da eliminação”, finaliza. Redes sociais Fora das quatro linhas, o debate ganha força nas redes sociais. Levantamento da pesquisadora de marketing digital da FGV, Lilian Carvalho, em parceria com a Polis Consulting, analisou mais de 47 mil menções sobre a ausência do jogador. Os dados indicam que 66% das publicações tiveram tom neutro, 24% foram negativas e 10% positivas. “Vale destacar que 3% dos posts citaram de forma literal o termo ‘queria’. Parece que o amor pelo ‘menino Ney’ não acabou, e ainda existe uma parcela significativa da torcida que apoia a convocação de Neymar para a Copa de 2026, mas o astro já não desperta a mesma unanimidade de outros tempos”, afirma.
Livro Flores Astrais mistura gótico e realidade no interior de Minas Gerais

O escritor mineiro Marcelo Nery estreia na literatura com Flores Astrais, romance que mistura suspense, memória e crítica social ao transportar o gênero gótico para o interior de Minas Gerais. Publicado pela editora Mondru, o livro constrói uma saga familiar marcada por traumas, religiosidade e heranças históricas que atravessam gerações. A obra pode ser adquirida no site mondru.com/produto/flores-astrais. A narrativa acompanha Tiago Amaral Grandi, um jornalista que retorna à fazenda da família após 20 anos, em 1980, e se vê diante de um passado que insiste em não desaparecer. Entre segredos, assombrações e conflitos familiares, o protagonista enfrenta estruturas de poder e preconceito que moldaram sua trajetória. Ao propor uma “saga familiar gótica rural mineira”, Nery adapta elementos clássicos do gênero a uma realidade brasileira. “O gótico não é exclusividade da Europa, ele é uma atmosfera feita de tensão, silêncio e culpa. O que eu fiz foi manter essa estrutura e deslocar o cenário. O castelo vira um casarão de fazenda, a neblina vira a poeira vermelha da estrada, e a aristocracia europeia dá lugar a uma elite agrária construída sobre violência histórica”, explica. A obra também é atravessada por experiências pessoais do autor. Criado entre a capital e o interior, ele incorpora vivências de uma infância marcada pela religiosidade e pelo conservadorismo. “É um livro que nasce desse lugar. Crescer gay no interior de Minas, em uma família tradicional e religiosa, traz uma camada de culpa e silêncio que dialoga muito com o gótico. São experiências individuais que refletem uma estrutura maior da sociedade”. No centro da narrativa, Nery diz que a sexualidade do protagonista não é tratada como pauta isolada, mas como força que tensiona relações e expõe contradições. “Não é uma história sobre ser gay, mas sobre um homem que volta para um lugar onde ele não teve o direito de existir. Essa fricção movimenta a narrativa e revela dinâmicas de opressão que vão além do personagem”. O sobrenatural, por sua vez, assume um papel estratégico. Mais do que elemento de gênero, funciona como ferramenta de leitura da realidade. “O fantástico não está ali para explicar, mas para revelar. Ele coloca uma lupa sobre aquilo que foi reprimido, amplia o absurdo e mostra que aquilo continua muito próximo da nossa realidade”, pontua o autor. Com estrutura não linear, múltiplas linhas do tempo e cerca de duas décadas de acontecimentos entrelaçados, o livro foi desenvolvido ao longo de quase dois anos de pesquisa e escrita. Influenciado por autores como Agatha Christie e pela tradição oral mineira, Nery aposta em uma narrativa fragmentada. “Eu não quis dar respostas. O leitor vai montando esse quebra- -cabeça e, em muitos momentos, se reconhece nas contradições dos personagens”, finaliza.
Inauguração do Horizonte deve impulsionar pequenos negócios

Micro e pequenos empreendedores da capital mineira passam a contar com um novo aliado para enfrentar os desafios do dia a dia. Foi inaugurado o Horizonte, centro de soluções integradas criado pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), em parceria com o Sebrae Minas, com a proposta de oferecer apoio direto, acessível e aplicado à realidade dos negócios dos setores de comércio e serviços. O espaço instalado na região Centro-Sul da capital surge com um conceito claro: concentrar, em um único ambiente, ferramentas e orientações que ajudem o empreendedor a ampliar as vendas, organizar a gestão e tomar decisões com mais segurança. A iniciativa aposta em uma abordagem prática, que vai além da teoria e busca resultados concretos. De acordo com o presidente da CDL/BH e do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva, o Horizonte foi estruturado para ser resolutivo e próximo da realidade do empreendedor. “O que a gente quer é acolher esse empreendedor de forma simples e objetiva. Entender primeiro o problema dele, identificar qual é a solução que ele mais precisa naquele momento e orientar como aplicar isso dentro do negócio. Não adianta só apresentar caminhos, é preciso garantir que ele consiga executar”. O atendimento começa com um diagnóstico individualizado e segue por uma trilha de soluções que inclui capacitação, consultorias e acesso a tecnologias. Entre as possibilidades estão ferramentas de gestão, meios de pagamento, estratégias de digitalização e até melhorias no layout de lojas e processos internos. “A gente vai ter várias soluções disponíveis para que, em um tempo muito curto, ele consiga encontrar aquilo que realmente faz diferença. O pequeno empreendedor não tem tempo a perder, precisa sair daqui com algo prático para aplicar”, afirmou Souza e Silva. Para o presidente da CDL/BH, a proposta do Horizonte também responde a uma dificuldade recorrente entre os pequenos empresários: compreender o próprio negócio de forma integrada. “Hoje, uma das maiores dificuldades é entender o negócio como um todo. Muitas vezes, ele conhece partes da operação, mas não consegue enxergar o conjunto. Aqui, a gente ajuda a organizar essa visão e mostrar quais soluções podem ser adotadas para reduzir esforços e melhorar os resultados”. A estrutura conta com 29 ambientes, como estúdios, salas de treinamento e espaços de inovação, onde é possível produzir materiais visuais, desenvolver protótipos e testar soluções antes de implementá-las. Segundo Souza e Silva, a ideia é oferecer suporte contínuo, do planejamento à execução. “É um espaço onde o empreendedor chega, é acolhido e encontra caminhos claros. Queremos que ele realmente saia com soluções que façam sentido para o empreendimento”. Outro ponto destacado pelo dirigente é o caráter acessível do projeto. “Ele será acolhido aqui, com orientação e diagnóstico sem custo. A partir disso, entende o que precisa e decide o que quer implementar. Nosso papel é facilitar esse processo e aproximar esse empreendedor das soluções disponíveis”. “O Horizonte também busca enfrentar entraves históricos, como acesso a crédito, capacitação e gestão financeira. Quando o empreendedor consegue evoluir nesses aspectos, ele ganha mais controle do negócio e aumenta as chances de crescer de forma sustentável”, acrescentou. Com investimento previsto ao longo dos próximos anos, o Horizonte tem a expectativa de atender cerca de mil empresas em sua fase inicial. O presidente da CDL/BH destacou que a iniciativa busca não apenas impulsionar resultados individuais, mas também contribuir para o fortalecimento do ambiente de negócios na capital. “Mais do que crescimento pontual, a gente quer negócios mais preparados, com mais perenidade. São empresas que geram emprego e movimentam a economia, então precisam de suporte adequado”. A longo prazo, o projeto prevê a expansão do atendimento para o formato digital, ampliando o alcance das soluções. “É um projeto com potencial de se tornar referência nacional”, concluiu Souza e Silva.
33 milhões de brasileiros vivem sem acesso à água potável

O Ranking do Saneamento 2026, divulgado pelo Instituto Trata Brasil, reforça um cenário de forte desigualdade no país e evidencia que o baixo nível de investimentos segue como principal entrave para a universalização dos serviços até 2033. Segundo o estudo, 51 dos 100 maiores municípios brasileiros investem menos de R$ 100 por habitante, patamar abaixo dos R$ 225 anuais recomendados pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab). Na outra ponta, cidades que já atingiram a universalização lideram a lista. Franca, São José do Rio Preto, Campinas e Santos, todas em São Paulo, ocupam as primeiras posições e apresentam indicadores máximos de atendimento, além de baixos índices de perdas. Enquanto os 20 municípios mais bem colocados investem, em média, R$ 176,17 por habitante, os 20 piores aplicam apenas R$ 77,58, cerca de 66% abaixo do necessário. Esse desequilíbrio se reflete diretamente nos serviços: os melhores registram 98,08% de coleta de esgoto, contra apenas 28,06% entre os últimos colocados. De acordo com a presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, o problema está na falta de priorização histórica. “Essa quantidade de municípios investindo menos de R$ 100 por ano por habitante demonstra que não está havendo a priorização do saneamento básico, e isso compromete a universalização dentro do prazo”. Luana destaca que o tratamento de esgoto segue como o principal gargalo nacional. “Apenas 51,2% do esgoto é tratado. Estamos falando de milhares de piscinas olímpicas de esgoto lançadas na natureza”. Entre os piores desempenhos do levantamento estão cidades como Santarém (PA), Porto Velho (RO) e Rio Branco (AC), que apresenta o menor investimento do país, com apenas R$ 8,99 por habitante. Avanço na universalização Para a especialista em gestão de projetos Flávia Pedrotti, o avanço do saneamento passa pela capacidade técnica dos municípios. “Cidades menores não têm equipe capacitada, o que dificulta o entendimento do setor e a própria gestão do saneamento”. Ela aponta que a ausência de projetos estruturados limita o acesso a recursos. “O financiamento exige diagnósticos bem elaborados e projetos consistentes. Sem isso, os recursos não chegam. O plano municipal de saneamento é central no processo de universalização”. Outro caminho citado pela especialista é a regionalização dos serviços, que permite ganho de escala e viabiliza investimentos por meio do subsídio cruzado entre municípios. “Quando há equilíbrio tarifário entre cidades mais avançadas e aquelas com maior déficit, o processo ganha mais celeridade”. Apesar dos avanços, Flávia avalia que o desafio permanece elevado. “As metas são ousadas e existe risco de não serem totalmente cumpridas até 2033, mas a capacitação pode acelerar esse processo”. Para Luana, o tema deve estar na pauta dos candidatos em ano eleitoral. “Faltam sete anos para o prazo final do Marco Legal do Saneamento Básico. Qualquer decisão sobre a priorização desse tema precisa acontecer agora, para que haja alguma possibilidade de universalização do acesso”. Minas Gerais No Estado, o cenário é heterogêneo. Municípios como Uberaba e Montes Claros figuram entre os 20 melhores do país, demonstrando avanços consistentes nos indicadores. Já cidades como Juiz de Fora e Betim se destacaram positivamente na evolução recente do levantamento, com melhora nos serviços e redução de perdas. Apesar disso, Minas Gerais ainda enfrenta desafios importantes, principalmente no tratamento de esgoto, que gira em torno de 45%. Na capital, Belo Horizonte apresenta bons níveis de coleta e tratamento, acima da média nacional, mas sofre com altos índices de perdas de água, fator que impactou sua posição no estudo.
Câncer colorretal é uma doença silenciosa em estágios iniciais

O câncer colorretal, que afeta o intestino grosso e o reto, consolidou-se como um dos principais desafios de saúde pública no Brasil. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que a doença ocupa a segunda posição entre os tipos mais frequentes em homens e mulheres. Das 781 mil estimativas anuais de novos casos para o triênio 2026-2028, cerca de 26 mil devem ser de cólon e reto, cenário que reforça a prevenção e o diagnóstico precoce. O avanço da doença está ligado a mudanças no perfil da população e, principalmente, no estilo de vida. Segundo o oncologista Matheus Baptista, esse crescimento é multifatorial. “O aumento da incidência do câncer colorretal no Brasil está relacionado a um conjunto de fatores que vêm se consolidando nas últimas décadas. Um dos principais é o envelhecimento da população”. A oncologista Thais Passarini destaca que tem crescido o número de diagnósticos entre adultos jovens. Ela aponta que o fenômeno está relacionado, para além do estilo de vida contemporâneo, a outros fatores. “Há também evidências do impacto do microbioma intestinal, já que alterações na flora podem contribuir para inflamação crônica e desenvolvimento do câncer”. De acordo com Baptista, outro ponto crítico é o diagnóstico tardio. A doença costuma evoluir de forma lenta e silenciosa, o que dificulta a identificação precoce. “Geralmente, o câncer colorretal se desenvolve a partir de pólipos benignos e, nas fases iniciais, pode não causar dor nem alterações significativas. Quando surgem, os sintomas são inespecíficos e frequentemente atribuídos a problemas comuns, como alterações alimentares ou estresse. Por isso, muitos pacientes convivem por semanas ou meses com sinais leves antes de procurar avaliação médica”. Ele alerta que a persistência é o principal indicativo de risco. “Sangue nas fezes, mudança no hábito intestinal, dor abdominal, anemia e perda de peso sem causa aparente devem ser investigados, especialmente quando persistem ou aparecem associados”. Diagnóstico tardio Thais ressalta que, apesar de uma parcela dos casos estar ligada a fatores hereditários, a maioria está associada a hábitos e fatores ambientais. Ainda assim, o diagnóstico precoce segue como o maior desafio no país. “Mais de 80% dos casos são diagnosticados em estágios avançados. O Brasil não possui um programa nacional organizado de rastreamento, e o acesso à colonoscopia ainda é limitado, sobretudo no sistema público. Além disso, há baixa conscientização da população e dificuldades de acesso a consultas e exames”. Entre os mais jovens, a oncologista acredita que o problema pode ser ainda mais grave. “Existe uma tendência de subvalorizar sintomas como sangramento nas fezes ou alteração do hábito intestinal, tanto pelos pacientes quanto por profissionais de saúde. Isso atrasa a investigação e aumenta a probabilidade de diagnóstico em fases mais avançadas”. Alta taxa de cura Apesar do cenário preocupante, os especialistas reforçam que o câncer colorretal tem alto potencial de cura quando identificado precocemente. “Quando diagnosticado em estágios iniciais, as chances de cura podem superar 90%, e o tratamento tende a ser menos agressivo, muitas vezes restrito à cirurgia, com melhor qualidade de vida para o paciente”, afirma Thais. A colonoscopia é considerada o principal exame para detecção e prevenção, pois permite identificar e remover lesões antes que evoluam para câncer. A recomendação é iniciar o rastreamento a partir dos 45 anos, ou antes, em casos de histórico familiar. Para Baptista, ampliar a conscientização é fundamental. “Mais do que tratar o câncer, o objetivo é evitar que ele se desenvolva ou identificá-lo precocemente. Informação, acompanhamento médico e adesão aos exames são essenciais para reduzir a mortalidade”, conclui.
Fabiano Cazeca destaca projetos e mudança para o Partido Liberal

O empresário e comunicador Fabiano Cazeca fez um balanço positivo de sua atuação na Câmara dos Deputados, com presença ativa no Plenário e apresentação de propostas voltadas a demandas práticas da população. Entre os projetos apresentados, Cazeca destaca iniciativas em diferentes áreas. Uma delas propõe a obrigatoriedade de informar a validade de produtos no momento da compra on-line, alterando o Código de Defesa do Consumidor. “Parece simples, mas evita prejuízo. Tem gente que compra produto caro e perde porque não sabia da validade”. Outro projeto visa proibir o overbooking em voos comerciais. “Você compra, paga, faz check-in e na hora de embarcar descobre que ficou sem lugar. Isso não é justo. A companhia tem que respeitar a capacidade do avião”. Na área jurídica, o deputado propôs que advogados nomeados em casos de justiça gratuita sejam remunerados pelo Estado. “O juiz pode convocar, mas alguém precisa pagar. Ninguém é obrigado a trabalhar de graça”. Também fazem parte do conjunto de propostas mudanças na lei de consórcios e a autorização para instalação de pontos de recarga para veículos elétricos em condomínios. Mudança de partido Com a recente filiação ao Partido Liberal (PL), Cazeca afirma que pretende dar continuidade a esse trabalho e ampliar sua atuação legislativa. A decisão, segundo o parlamentar, foi motivada tanto por afinidade ideológica quanto por estratégia política. “A filosofia do partido sempre me agradou bastante, com defesa de valores nacionais e das pessoas. Além disso, entendi que no PL tenho melhores condições de disputar e continuar esse trabalho que venho fazendo”. Ele também ressalta o peso do convite recebido de lideranças da sigla em Minas Gerais. “Foi um convite especial que recebi com muita responsabilidade. Estou confiante de que foi a escolha certa”. De olho em 2026, o deputado projeta um cenário de fortalecimento do partido e de protagonismo mineiro na política nacional. “Minas Gerais seguirá como peça-chave nas articulações eleitorais, porque tem uma tradição política muito forte, já revelou grandes nomes e continua com parlamentares respeitados. Vai continuar tendo protagonismo nas decisões nacionais”. Sobre o PL, a sua expectativa é de crescimento consistente, impulsionado por lideranças com forte apelo popular. “O partido ganhou uma dimensão muito grande e tende a avançar ainda mais. Isso fortalece a bancada e amplia a capacidade de influência nas decisões do país”. Com a mudança de sigla e foco na continuidade do mandato, Fabiano Cazeca busca consolidar sua atuação em Brasília e ampliar sua relevância no cenário político. “Quero continuar trabalhando para o povo e para o Brasil, com dedicação total”, conclui.
“Projeto Pega a Visão” proporciona inclusão cultural em Belo Horizonte

Entre abril e junho de 2026, o bairro São Geraldo, na região Leste de Belo Horizonte, se transformará em um polo de formação artística gratuita voltado a jovens da rede pública da capital. O projeto “Pega a Visão: Atividades de Formação e Reflexão”, será realizado no Espaço Cultural Suelly Freire, aposta na arte como ferramenta de pertencimento, identidade e transformação social. A iniciativa oferecerá oficinas de Contação de História, Dança Afro, Danças Urbanas, Passinho de BH, Rima e Trança Afro. Os interessados deverão preencher um formulário on-line no Instagram @sfcultural até o dia 27 de março. Segundo o gestor do espaço e idealizador do projeto, Leonard Henrique, a escolha das linguagens parte da vivência real dos jovens. “Ao sair de casa, um jovem sempre vai encontrar um cabelo trançado, dançarinos debaixo do viaduto, uma batalha de slam. O especial é quando a gente pega o que é do cotidiano e leva para outro espaço, possibilitando o desenvolvimento dessas técnicas”. A ideia central do projeto está ancorada em dois pilares: experimentação e pertencimento. Leonard Henrique explica que ao transformar manifestações culturais em objeto de estudo, o projeto busca fortalecer a autoestima e a identidade dos participantes. “Quando a gente conta a história e a grandeza dessas atividades, desperta o pertencimento do jovem periférico”. Outro ponto relevante é o enfrentamento do preconceito que ainda cerca essas expressões culturais. Ele destaca que mesmo presentes no cotidiano, muitas dessas práticas não são reconhecidas como formas legítimas de arte. “Grande parte dos jovens veem, mas não têm acesso ou até têm preconceito com essas atividades. Quando experimentam e aprendem, passam a se apropriar da própria cultura, sem achar que ela é menor”. Voltado prioritariamente para estudantes do ensino fundamental, médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da rede pública, o projeto aposta no potencial criativo desses jovens. Para o gestor, esse público representa uma força artística ainda pouco explorada. “Ali está uma usina criativa. Quando a gente oferece ferramentas e pertencimento, surgem artistas periféricos muito potentes”. A escolha dos oficineiros também seguiu essa lógica de valorização de trajetórias ligadas aos territórios. O processo envolveu aproximação e diálogo com artistas reconhecidos em suas áreas, reforçando a proposta de construir uma formação ainda mais conectada com a realidade local. Ao todo, cerca de 120 jovens devem participar das atividades ao longo dos três meses. Para Leonard Henrique, o impacto vai além do aprendizado individual. “Dizem que uma andorinha não faz verão. Mas 120 pessoas pensando em arte já começam a fazer um movimento na periferia. A gente começa uma pequena revolução cultural”. O projeto será concluído em julho, com a Mostra “Pega a Visão”, aberta ao público. O evento vai apresentar os percursos criativos desenvolvidos pelos participantes e reforçar a ideia de que a formação artística, quando pensada a partir das periferias, pode ser um instrumento de autonomia e reescrita de narrativas.
Endividamento bate novo recorde e atinge 80,2% das famílias brasileiras

O alto nível de endividamento das famílias brasileiras em 2026 acende um alerta para a necessidade de planejamento financeiro e da criação de uma reserva de emergência. Dados de fevereiro da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostram que 80,2% das famílias têm dívidas, sendo o maior valor da série histórica, enquanto 29,6% estão com contas em atraso. O levantamento também indica que o comprometimento da renda com dívidas segue elevado. Em média, cerca de 29,7% do orçamento familiar está destinado ao pagamento de compromissos financeiros. Segundo o presidente do Instituto Gestão de Excelência Operacional em Cobrança (IGEOC), Rodrigo Mandaliti, a ampliação do crédito nos últimos anos contribuiu para a inclusão financeira, mas também aumentou o número de famílias endividadas. “Essa maior oferta de crédito foi positiva, mas, somada à inflação em itens essenciais e aos juros elevados, acabou comprimindo a renda e dificultando a quitação das obrigações. Hoje, o principal desafio é a sustentabilidade dessas dívidas ao longo do tempo”. Na avaliação de Mandaliti, a educação financeira é um dos principais instrumentos para evitar que o endividamento evolua para a inadimplência. “Ela ajuda o consumidor a planejar melhor o uso do crédito, verificar sua capacidade de pagamento e buscar renegociação logo nos primeiros sinais de dificuldade”. Reserva como proteção Em um cenário de juros elevados, a ausência de planejamento tende a agravar os riscos. O assessor de investimentos Cecílio Costa destaca que o custo do crédito se torna um dos principais problemas para quem não possui reserva financeira. “Sem planejamento e uma reserva de emergência, qualquer imprevisto acaba sendo financiado com crédito caro. Isso gera o efeito ‘bola de neve’, em que pequenas dívidas crescem e se tornam difíceis de administrar”. De acordo com Mandaliti, a reserva financeira funciona como um importante mecanismo de proteção. “Ela atua como um colchão financeiro, evitando o uso de linhas caras, como cheque especial e cartão de crédito rotativo. Mais do que um luxo, é uma ferramenta de estabilidade”. Além de ajudar a evitar dívidas, Costa reforça que a educação financeira também reduz a vulnerabilidade a fraudes. Em um ambiente marcado pelo aumento de golpes digitais, o conhecimento básico sobre finanças se torna um diferencial. “A educação financeira desenvolve senso crítico. A pessoa passa a identificar promessas irreais, desconfiar de decisões urgentes e entender melhor os riscos antes de agir”. O assessor de investimentos lembra que a falta de conhecimento ainda é um problema estrutural no país. “Muitas pessoas utilizam o crédito como extensão da renda e não compreendem o impacto dos juros compostos, o que agrava o endividamento”. Mudança de comportamento Especialistas apontam que o principal impacto da educação financeira está na mudança de comportamento. O consumidor deixa de agir por impulso e passa a tomar decisões mais conscientes. “O planejamento financeiro traz controle, reduz dívidas e permite formar reservas e investir. O principal ganho é a tranquilidade e a autonomia sobre o próprio dinheiro”, afirma Costa. Mesmo para quem tem renda limitada, o início pode ser simples. “É possível começar com pequenos valores, desde que haja consistência. O importante é tratar a reserva como prioridade, e não como sobra”, finaliza Mandaliti.
Feminicídio em alta pode revelar falhas na proteção às mulheres

Em 2025, o Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio, o maior número da última década e um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Na prática, isso significa que quase quatro mulheres foram assassinadas por dia em razão de sua condição de gênero. Os dados apontam que maioria das vítimas são mulheres negras e em muitos casos, os crimes ocorrem dentro do ambiente doméstico e frequentemente cometidos por parceiros ou ex-companheiros. Para combater o crime, o governo federal lançou em fevereiro o Pacto Nacional contra o Feminicídio, com a proposta de integrar ações entre Executivo, Legislativo e Judiciário, ampliando a proteção às vítimas e a responsabilização dos agressores. Para analisar os dados, apontar entraves e discutir caminhos para transformar compromissos institucionais em proteção real, o Edição do Brasil conversou com a advogada e professora Laura Eliza Nascimento. O Brasil voltou a registrar números elevados de feminicídio em 2025. O que explica esse cenário? O aumento se dá por uma combinação de fatores culturais, institucionais e estruturais. Fica evidente a insuficiência das políticas públicas e a falência da rede de proteção à mulher. O Estado não consegue assegurar uma resposta eficiente para quem está sob ameaça. Há também o machismo estrutural e dificuldades orçamentárias. Por outro lado, há maior conscientização e melhor tipificação do crime, o que reduz a subnotificação e faz os números aparecerem mais. Os dados ainda podem ser maiores devido à subnotificação? Sim. Isso ocorre principalmente pela ausência de denúncias. As mulheres têm medo, dependência econômica ou não confiam no Estado e pela tipificação inadequada. Muitos homicídios motivados por gênero ainda são registrados como crimes comuns, o que distorce a realidade. O Pacto Nacional contra o Feminicídio pode ajudar a reverter esse quadro? O pacto tem como foco tornar as medidas protetivas mais ágeis e eficazes, além de integrar dados entre segurança pública, Judiciário e redes de assistência. Isso permite acompanhar os casos e evitar que a violência evolua. Também prevê o fortalecimento da rede de acolhimento, com delegacias 24 horas, casas-abrigo e monitoramento mais rigoroso dos agressores. Quais são os principais entraves para que essas medidas avancem? Existem entraves políticos importantes, como a pouca representatividade feminina e resistências ideológicas. Além disso, há baixa execução orçamentária. Mesmo com avanços legais recentes, ainda existem desafios estruturais, especialmente pela predominância masculina nos espaços de decisão. O problema hoje está na falta de leis ou na aplicação delas? O principal desafio está na execução e fiscalização. O Brasil já possui legislação relevante, mas ela não gera resultados na ponta. As políticas públicas precisam ser efetivamente implementadas. Como garantir que essas políticas saiam do papel? É essencial investir no monitoramento em tempo real, transparência e responsabilização. O uso de tecnologias, como tornozeleiras eletrônicas com alerta à vítima, pode salvar vidas. Além disso, iniciativas baseadas em evidências, como programas de monitoramento de agressores e estudos sobre feminicídio, ajudam a antecipar riscos e qualificar a resposta do Estado. O combate exige ações integradas entre governo e sociedade, com foco em prevenção, proteção e punição.