Combate às facções marcou a prestação de contas na Assembleia

Rogério Greco apresentou resultados de operações / Foto: Luiz Santana-ALMG

O combate às facções criminosas dentro e fora das unidades prisionais foi um dos principais destaques da prestação de contas apresentada pelo secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Rogério Greco, durante reunião conjunta das comissões de Segurança Pública e de Prevenção e Combate ao Uso de Crack e Outras Drogas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A audiência integra o programa Assembleia Fiscaliza e analisou as ações desenvolvidas pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) entre maio de 2025 e abril de 2026.

Ao apresentar os resultados da pasta, Greco ressaltou as estratégias adotadas para enfraquecer a atuação do crime organizado em Minas Gerais. Entre elas está a política de segregação de lideranças e integrantes de facções em unidades de maior segurança. Segundo dados da Sejusp, atualmente 3.085 membros de organizações criminosas estão custodiados no sistema prisional mineiro.

O secretário lembrou que, em abril, a pasta anunciou a adequação de seis penitenciárias ao padrão de segurança máxima, além da definição de novas regras operacionais. “Para que a gente possa ter um combate efetivo a essas facções, é necessário ter um lugar e um tratamento diferenciado”.

“O faccionado é diferente do preso comum. Se for integrante de uma facção territorialista, como é o Comando Vermelho, já começa a extorquir a população, vender gás, água e até cobrar taxa de segurança, além da droga, que é apenas mais um produto na prateleira. Então, ele precisa de um tratamento diferenciado, porque está verdadeiramente em uma organização de natureza criminosa”, completou.

Outro ponto enfatizado por Greco foi a Operação Cerco Fechado, apresentada como a maior ação de enfrentamento às facções já realizada em Minas Gerais. A iniciativa reúne forças estaduais e federais de segurança, além do Ministério Público e do Poder Judiciário, com o objetivo de impedir o domínio territorial por organizações criminosas, combater o tráfico de drogas e asfixiar financeiramente esses grupos.

Até 12 de junho, a operação havia mobilizado 3.806 agentes, resultando na condução de 508 pessoas, apreensão de 43 adolescentes, cumprimento de 165 mandados de prisão, apreensão de 84 armas de fogo, 1.252 munições e mais de nove toneladas de drogas. “A população pode ficar tranquila, porque Minas tem conseguido atuar com todas as forças de segurança pública de forma integrada”, destacou o secretário.

“A função da Sejusp é fazer essa integração para impedir que essas pessoas se estabeleçam aqui. Essas facções são territorialistas, precisam do território. Quando o Estado pensa em projetos e ações integradas de segurança, pensa justamente em não permitir que elas permaneçam em Minas Gerais”, acrescentou.

No sistema prisional, o secretário também destacou indicadores de estabilidade. Atualmente, Minas Gerais possui 90.488 pessoas sob custódia, entre presos em unidades convencionais, monitorados eletronicamente e internos de APACs. Segundo a apresentação, o Estado não registra motins desde 2019.

Estrutura para servidores

Durante a reunião, o presidente da Comissão de Segurança Pública, deputado estadual Sargento Rodrigues (PL), chamou atenção para as condições estruturais enfrentadas por policiais penais em diversas unidades do Estado. “É necessária uma radiografia do sistema em todo o Estado para saber onde a situação está pior e o que deve ser resolvido primeiro. Visitei locais em que os alojamentos são improvisados e as mulheres não têm um banheiro adequado”.

Em resposta, Rogério Greco reconheceu a necessidade de melhorias em parte das estruturas. O secretário afirmou que as unidades que demandam reformas já estão sendo avaliadas pela pasta e que alguns casos exigem intervenções mais complexas, incluindo eventual fechamento.

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